OBF 2004

2ª fase · 1ª e 2ª séries

Olimpíada Brasileira de Física · 20 questões discursivas · arquivo histórico.

Q01
Queda e rebotes — Coincidência de colisões
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Uma bolinha de aço, abandonada a 1 m de altura de um piso muito duro, realiza um movimento periódico de subida e descida, por tempo indeterminado se desconsiderarmos as perdas de energia na resistência do ar e nas colisões com o solo. De que altura deve-se abandonar, simultaneamente com a primeira, uma segunda bolinha para que a sua terceira colisão com o solo coincida com a quinta colisão da primeira bolinha?

Resposta TEF: A segunda bola deve ser abandonada de 3,24 m.

Resolução comentada · Método TEF

Se t é o tempo da primeira queda, a primeira colisão ocorre em t. Cada nova colisão acrescenta um tempo 2t, correspondente a subida e descida completas.

$$t_{n}=(2n-1)\sqrt{\frac{2h}{g}}$$

Para a quinta colisão da primeira bola coincidir com a terceira da segunda:

$$9\sqrt{\frac{2(1)}g}=5\sqrt{\frac{2h_2}g}$$

$$h_2=\left(\frac95\right)^2=3{,}24\ \mathrm m$$

Contar cinco períodos completos para a primeira bola incluiria uma subida que não ocorre antes da primeira queda.

Q02
Lançamento horizontal — Interceptação da bola por um corredor

Dois rapazes brincam de tênis na praia. Um deles dá uma raquetada na bola a 2,45 m de altura, imprimindo-lhe uma velocidade de 72 km/h na horizontal. Qual deve ser a velocidade mínima do outro rapaz, situado inicialmente a 20,3 m à frente do primeiro, para que consiga aparar a bola antes que ela bata na areia?

Resposta TEF: Limiar de 9 m/s; para pegar estritamente antes do chão, rapidez superior a 9 m/s nesse modelo.

Resolução comentada · Método TEF

A bola chega à areia após a queda de 2,45 m.

$$t_q=\sqrt{\frac{2(2{,}45)}{10}}=0{,}70\ \mathrm s$$

$$v_x=\frac{72}{3{,}6}=20\ \mathrm{m/s}$$

$$x_q=20(0{,}70)=14\ \mathrm m$$

O outro rapaz precisa reduzir os 20,3 m iniciais para 14 m nesse intervalo.

$$v_{lim}=\frac{20{,}3-14}{0{,}70}=9\ \mathrm{m/s}$$

Os 9 m/s são o limiar para chegar no instante do contato com a areia. Para interceptar estritamente antes, a rapidez deve ser um pouco maior, no modelo em que o rapaz é tratado como um ponto e corre para o primeiro jogador.

Q03
Atrito e polia — Bloco em rampa puxado por massa suspensa
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Em um plano inclinado cujo coeficiente de atrito cinético é µ, colocam-se dois blocos de massas m e M, dispostos conforme a figura abaixo, tais que, ao serem abandonados, o bloco de massa M desce. Considerando os fios e a polia ideais, determine a velocidade dos blocos quando o bloco de massa M chegar ao solo.

Massa m em plano inclinado de ângulo θ e atrito µ ligada à massa suspensa M, inicialmente a uma altura h do solo.

Resposta TEF: v = √{2gh[M − m(senθ + µcosθ)]/(M + m)}.

Resolução comentada · Método TEF

O bloco m sobe a rampa enquanto M desce. O atrito sobre m aponta para baixo da rampa.

$$T-mg\sin\theta-\mu mg\cos\theta=ma$$

$$Mg-T=Ma$$

$$a=g\frac{M-m(\sin\theta+\mu\cos\theta)}{M+m}$$

Ambos partem do repouso e percorrem a mesma distância h antes de M chegar ao solo.

$$v=\sqrt{2gh\frac{M-m(\sin\theta+\mu\cos\theta)}{M+m}}$$

A condição de descida pressuposta exige numerador positivo e início efetivo do deslizamento.

Q04
Máquina de Atwood — Transferência de areia entre baldes

A figura representa dois baldes de massas M1 e M2, contendo cada um uma quantidade de areia de massa M. Considere a polia e os fios ideais. Supondo que a massa M2 seja ligeiramente maior que a massa M1

a) Qual a quantidade m de areia que deve ser transferida do balde de massa M1 para o balde de massa M2 para que a aceleração do sistema aumente de um fator f ?

b) Qual o maior valor de f possível?

Dois baldes ligados por fio em polia fixa; massas vazias M₁ e M₂, cada um inicialmente com massa M de areia.

Resposta TEF: a) m = (f − 1)(M₂ − M₁)/2. b) f máximo = 1 + 2M/(M₂ − M₁).

Resolução comentada · Método TEF

A transferência não muda a massa total do sistema, mas aumenta a diferença entre os lados em 2m.

$$a_i=g\frac{M_2-M_1}{M_1+M_2+2M}$$

$$a_f=g\frac{M_2-M_1+2m}{M_1+M_2+2M}$$

$$f=\frac{a_f}{a_i}=1+\frac{2m}{M_2-M_1}$$

$$m=\frac{(f-1)(M_2-M_1)}2$$

O maior fator ocorre quando se transfere toda a areia inicialmente disponível no balde mais leve.

$$m_{max}=M$$

$$f_{max}=1+\frac{2M}{M_2-M_1}$$

O limite usa a quantidade de areia M, não a massa do próprio balde.

Q05
Frenagem e trabalho — Força resultante ao longo do percurso
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Um motorista, trafegando a 72 km/h, avista uma barreira eletrônica cuja velocidade máxima permitida é de 40 km/h. Quando está a 100 m da barreira ele aciona continuamente o freio do carro e passa por ela a 36 km/h. Considerando que a massa do carro com os passageiros é de 1000 kg,

a) qual a força resultante, suposta constante, sobre o carro ao longo desses 100 m?

b) qual o trabalho dessa força resultante?

Resposta TEF: a) 1500 N, contra o movimento. b) −150 kJ.

Resolução comentada · Método TEF

As velocidades inicial e final são 20 m/s e 10 m/s. Adote o sentido do movimento como positivo.

$$10^2=20^2+2a(100)$$

$$a=-1{,}5\ \mathrm{m/s^2}$$

$$F_R=1000(-1{,}5)=-1500\ \mathrm N$$

O trabalho dessa resultante é a variação da energia cinética.

$$W_R=\frac12(1000)(10^2-20^2)$$

$$W_R=-150000\ \mathrm J=-150\ \mathrm{kJ}$$

A força tem módulo 1500 N e sentido oposto ao movimento; a velocidade máxima permitida não entra na conta porque a velocidade final efetiva foi fornecida.

Q06
Looping com acesso rugoso — Altura mínima de partida

Um bloco de massa m é abandonado sobre o trilho e desliza, a partir do ponto A, como representado na figura abaixo. O coeficiente de atrito cinético entre o trilho e o bloco no trajeto AB é µ. A seção circular que se inicia no ponto B, não tem atrito.

a) Qual a menor velocidade que o bloco deve ter no ponto B para que consiga passar pelo ponto C?

b) Qual a altura hA para que isso ocorra?

Bloco parte da altura hA sobre rampa de ângulo θ com atrito até B; depois entra num arco circular liso de raio R e deve alcançar o topo C.

Resposta TEF: a) √(5gR). b) hA = 5R/[2(1 − µcotθ)], se o denominador for positivo.

Resolução comentada · Método TEF

No topo C do arco, a condição limite de contato é normal nula.

$$mg=\frac{mv_C^2}{R}$$

$$v_C^2=gR$$

No trecho circular sem atrito, o topo fica 2R acima de B.

$$\frac12mv_B^2=\frac12m(gR)+mg(2R)$$

$$v_{B,min}=\sqrt{5gR}$$

Na descida AB, o comprimento percorrido é hA/senθ e o atrito tem módulo µmgcosθ.

$$mgh_A-\mu mg\cos\theta\frac{h_A}{\sin\theta}=\frac12m(5gR)$$

$$h_A=\frac{5R}{2(1-\mu\cot\theta)}$$

É necessário 1 − µcotθ > 0 para que o bloco acelere ao descer a rampa.

Q07
Energia no sistema massa-mola — Tabela e curvas complementares
Exclusiva da 1ª série no caderno original

A figura abaixo representa um sistema conservativo. O corpo é deslocado até a posição –A e, em seguida, liberado, passando a oscilar entre as posições –A e A. Reproduza a tabela abaixo no Caderno de Resoluções e complete-a com os valores das energias cinética e potencial do corpo nas posições dadas. Utilizando esses valores, esboce um gráfico das curvas das energias cinética e potencial em função da posição. Trace as duas curvas em um mesmo sistema de eixos coordenados.

Bloco m ligado a mola k oscila entre −A e A; x = 0 é a posição de equilíbrio.
Complete as energias cinética e potencial
Energia−A−A/20A/2A
Ec
Ep

Resposta TEF: Com E = kA²/2: K = (0, 3E/4, E, 3E/4, 0); U = (E, E/4, 0, E/4, E), de −A até A.

Resolução comentada · Método TEF

A energia total é a energia elástica de um extremo.

$$E=\frac12kA^2$$

$$U(x)=\frac12kx^2$$

$$K(x)=E-\frac12kx^2$$

Nos extremos ±A, a energia cinética é zero e a potencial é E. Nas posições ±A/2, a potencial é E/4 e a cinética é 3E/4. No centro, a potencial é zero e a cinética é E.

O gráfico de U é uma parábola voltada para cima; o de K é uma parábola voltada para baixo. As duas curvas somam E em cada posição e se cruzam em x = ±A/√2.

E = kA²/2; energias em cada posição
Energia−A−A/20A/2A
Ec03E/4E3E/40
EpEE/40E/4E
Energia potencial cresce de zero em x = 0 a E nos extremos; cinética faz a curva complementar; soma constante E.
Curvas da resolução · Método TEF
Q08
Colisão com o solo — Restituição e impulso da força de contato

Uma bola, de massa igual a 100 g, é abandonada de uma altura de 1,25 m, bate no chão e torna a subir até a altura de 0,80 m. Desprezando a resistência do ar, determine:

a) o coeficiente de restituição;

b) o impulso do chão sobre a bola;

c) a força máxima exercida pelo chão sobre a bola, considerando que a colisão dure 20 ms e que a variação da força com o tempo seja como no gráfico abaixo.

Gráfico de força do chão por tempo tem forma triangular: zero no início e no fim do contato, com um único máximo intermediário.

Resposta TEF: a) 0,80. b) 0,92 N·s. c) 92 N. Desprezando o peso no choque, o gabarito usa 0,90 N·s e 90 N.

Resolução comentada · Método TEF

O resultado oficial despreza o impulso do peso nos 20 ms. A resolução explicita tanto a aproximação da banca quanto o resultado com o peso incluído.

As velocidades imediatamente antes e depois do impacto têm módulos:

$$v_a=\sqrt{2(10)(1{,}25)}=5\ \mathrm{m/s}$$

$$v_d=\sqrt{2(10)(0{,}80)}=4\ \mathrm{m/s}$$

$$e=\frac45=0{,}80$$

Adotando para cima como positivo, o impulso resultante na colisão é:

$$\Delta p=0{,}100[4-(-5)]=0{,}90\ \mathrm{N\,s}$$

Para o impulso do chão, acrescente a compensação do peso nos 20 ms.

$$J_{chao}=\Delta p+mg\Delta t=0{,}90+0{,}020=0{,}92\ \mathrm{N\,s}$$

A área do triângulo representa o impulso da força de contato.

$$F_{max}=\frac{2J_{chao}}{\Delta t}=92\ \mathrm N$$

O comentário oficial despreza o impulso do peso durante a colisão e obtém 0,90 N·s e 90 N; essa é uma aproximação de curta duração, não a conta exata incluindo o peso.

Q09
Impulso e trabalho — Dedução das relações do lançamento vertical

Uma partícula é lançada verticalmente, a partir do solo, com velocidade inicial vo. Adote um sistema referencial com origem no chão e positivo para cima.

a) A partir do teorema impulso-quantidade de movimento, somente, determine uma expressão que forneça a velocidade da partícula em função do tempo.

b) A partir do teorema-trabalho energia cinética, somente, determine uma expressão que forneça a velocidade da partícula em função do deslocamento vertical.

Resposta TEF: a) v(t) = v₀ − gt. b) v² = v₀² − 2gy; o sinal de v depende de subida ou descida.

Resolução comentada · Método TEF

Com o eixo positivo para cima, o impulso do peso desde o lançamento é negativo.

$$-mgt=mv-mv_0$$

$$v(t)=v_0-gt$$

Pelo teorema trabalho-energia, entre o solo e uma posição y:

$$-mgy=\frac12mv^2-\frac12mv_0^2$$

$$v^2=v_0^2-2gy$$

Na subida, a raiz positiva fornece v; na descida, a negativa. A relação com y não distingue sozinha os dois instantes em que o corpo passa pela mesma altura.

Q10
Planetas homogêneos — Gravidade em função de densidade e raio

Considere um planeta com 1/4 da densidade média da Terra e raio três vezes o raio da Terra. Sendo g o módulo da aceleração da gravidade na superfície da Terra qual será a aceleração da gravidade gp na superfície do planeta?

Resposta TEF: gp = 3g/4.

Resolução comentada · Método TEF

Para uma esfera homogênea:

$$M=\frac43\pi\rho R^3$$

$$g=\frac{GM}{R^2}=\frac43\pi G\rho R$$

Portanto, a gravidade superficial é proporcional ao produto densidade × raio.

$$\frac{g_p}{g}=\frac{\rho_p}{\rho_T}\frac{R_p}{R_T}=\frac14(3)=\frac34$$

$$g_p=\frac34g$$

Usar apenas o raio maior ignoraria a massa diferente resultante da densidade menor.

Q11
Haste de duas forças — Sustentação de janela basculante

Uma janela basculante de massa M é mantida aberta por uma haste pivotante de massa desprezível, como representado na figura a seguir: Tanto a janela, quanto a haste possuem comprimento L. Se a janela está aberta na posição indicada na figura,

a) demonstre que a força que a haste exerce sobre a janela está na direção da haste;

b) determine o módulo dessa força.

Janela e haste têm mesmo comprimento L; janela faz 60° com parede vertical, e haste liga sua extremidade livre a ponto inferior na parede.

Resposta TEF: a) A força segue a haste por equilíbrio de um elemento de duas forças. b) F = Mg/2.

Resolução comentada · Método TEF

A haste sem peso é articulada nas duas pontas e está em equilíbrio. As duas forças que recebe precisam ser opostas e colineares; caso contrário, produziriam torque não nulo. Por isso, a força transmitida à janela segue a direção da haste.

Na geometria desenhada, a janela faz 30° com a horizontal e a haste faz 30° com a horizontal no sentido oposto. Tome momentos em relação à dobradiça da janela.

$$FL\sin60^\circ=Mg\frac L2\cos30^\circ$$

$$F=\frac{Mg}{2}$$

O apoio da parede também reage à janela, mas não fornece momento em torno da própria dobradiça.

Q12
Pressão e alavanca — Abertura do tampão de descarga

A superfície livre da água em uma caixa de descarga residencial está a uma altura de 25 cm de sua base, onde existe um orifício de diâmetro 5 cm para a saída da água. Um tampão de massa desprezível fecha o orifício, devido à ação da pressão da água. A descarga é disparada por meio de uma alavanca, também de massa desprezível, com apoio a 3 cm da vertical sobre o tampão e haste de acionamento de 12 cm. Um esboço da caixa está na figura abaixo. Qual a intensidade da força vertical F necessária para liberar o tampão?

Caixa com água a 25 cm da base e tampão de 5 cm de diâmetro; braço do tampão mede 3 cm até o pivô e braço da força aplicada mede 12 cm.

Resposta TEF: Aproximadamente 1,2 N.

Resolução comentada · Método TEF

A pressão manométrica na base é produzida pela coluna de 25 cm de água. Use π = 3 e raio do orifício de 2,5 cm.

$$A=3(0{,}025)^2=0{,}001875\ \mathrm{m^2}$$

$$F_{tampao}=\rho ghA=1000(10)(0{,}25)(0{,}001875)=4{,}6875\ \mathrm N$$

O braço da força aplicada é 12 cm e o da ligação ao tampão é 3 cm.

$$F(12)=F_{tampao}(3)$$

$$F=1{,}171875\ \mathrm N\approx1{,}2\ \mathrm N$$

O modelo despreza vedação por aderência e peso do mecanismo; a pressão atmosférica não deve ser contada como uma força extra não compensada.

Q13
Escalas termométricas — Conversão entre Celsius, Réaumur e X

Ao se construir uma escala termométrica arbitrária X, verificou-se que a temperatura de −40 °X coincide com a da antiga escala de temperatura Réamur, que adota como pontos fixos 0 °R e 80 °R. Verificou-se ainda que a temperatura de −75 °X coincide com a da escala Celsius. Determine na escala X a leitura de 0 °C e a leitura de 80 °R.

Resposta TEF: 0 °C = 30 °X; 80 °R = 170 °X.

Resolução comentada · Método TEF

A escala Réaumur tem 80 graus entre os mesmos pontos em que Celsius tem 100.

$$R=\frac45C$$

No ponto em que X e Réaumur marcam −40, Celsius marca −50. O outro ponto fornecido é C = X = −75. Escreva X = aC + b.

$$-40=-50a+b$$

$$-75=-75a+b$$

$$a=\frac{35}{25}=1{,}4$$

$$b=30$$

$$X=1{,}4C+30$$

Logo, 0 °C corresponde a 30 °X, e 80 °R, equivalentes a 100 °C, correspondem a 170 °X.

Q14
Potência térmica — Coletor solar de água

Um coletor de energia solar para aquecimento de água consiste de uma caixa com parede de vidro e fundo pintado de preto, que funciona como uma estufa. A luz solar penetra pela parede transparente de vidro e a energia é absorvida pelo fundo negro, aquecendo-o. Essa energia é então transferida para a água, que passa dentro do coletor através de canos dispostos em vai-e-vem, aquecendo-a. Considere um sistema semelhante a esse no qual a água de um reservatório de 450 L, termicamente isolado, inicialmente a 19 °C circula continuamente através desse dispositivo e atinge 39 °C após 8 horas de exposição solar. Desprezando as perdas de energia para o ambiente, qual é a potência média desse coletor de energia solar? Dados: calor específico da água = 4,0 × 10³ J/kg °C e a densidade da água = 1,0 kg/L.

Coletor solar com superfície escura sob vidro e tubos em zigue-zague para circulação de água.

Resposta TEF: 1,25 kW.

Resolução comentada · Método TEF

A densidade converte 450 L em 450 kg, e a elevação de temperatura é de 20 °C.

$$Q=mc\Delta T=450(4{,}0\times10^3)(20)=3{,}6\times10^7\ \mathrm J$$

$$\Delta t=8(3600)=28800\ \mathrm s$$

$$P_m=\frac{Q}{\Delta t}=1250\ \mathrm W=1{,}25\ \mathrm{kW}$$

O resultado é a potência média transferida para a água sob a hipótese de perdas desprezíveis.

Q15
Dilatação do pêndulo — Atraso de relógio entre estações

Um antigo relógio de pêndulo de aço (coeficiente de dilatação linear α = 10 × 10⁻⁶ °C⁻¹) funciona corretamente durante o inverno. No verão, ele passa a atrasar o equivalente a 2 min por mês. Determine a diferença entre as temperaturas médias de verão e inverno.

Resposta TEF: Aproximadamente 9,3 °C, adotando mês de 30 dias.

Resolução comentada · Método TEF

O período de um pêndulo de pequena amplitude depende da raiz do comprimento. Se o relógio marca 120 s a menos em um mês de 30 dias, o tempo real é 2592000 s.

$$\frac{T_v}{T_i}=\frac{2592000}{2592000-120}$$

$$\frac{T_v}{T_i}=\sqrt{1+\alpha\Delta\theta}$$

$$\Delta\theta=\frac{(T_v/T_i)^2-1}{10^{-5}}$$

$$\Delta\theta\approx9{,}26\ ^\circ\mathrm C$$

Na aproximação de pequeno atraso:

$$\frac{\Delta T}{T}\approx\frac12\alpha\Delta\theta$$

O aumento da temperatura alonga o pêndulo e reduz o número de oscilações contadas por unidade de tempo real.

Q16
Condução e mudança de fase — Gelo fundido por barra metálica

Uma extremidade de uma barra de metal, de 5,0 cm² de seção transversal e 50 cm de comprimento, é mantida a 100 °C, e a outra extremidade está em contato com gelo fundente. Desprezando perda de energia por irradiação, quanto gelo fundirá em 1 h? Dados: condutividade do metal = 0,9 cal/(cm·s·°C), calor latente de fusão do gelo = 80cal/g.

Resposta TEF: 405 g de gelo.

Resolução comentada · Método TEF

Mantenha centímetros nas dimensões da barra porque a condutividade foi fornecida nessas unidades.

$$\dot Q=\frac{kA\Delta T}{L}=\frac{0{,}9(5)(100)}{50}=9\ \mathrm{cal/s}$$

$$Q=9(3600)=32400\ \mathrm{cal}$$

$$m=\frac{Q}{L_f}=\frac{32400}{80}=405\ \mathrm g$$

O gelo fundente fixa a extremidade fria em 0 °C enquanto recebe calor latente.

Q17
Balão de ar quente — Temperatura limite de sustentação

Um balão de ar quente tem a massa de 100 kg, excluindo o ar, e volume de 400 m³. O ar externo está à temperatura de 15 °C, pressão de 100 kPa, densidade de 1,25 kg/m³ e tem massa molecular igual a 30 g/mol. A que temperatura deve ser aquecido o ar dentro do balão para que suba? Dado: Constante Universal dos Gases, R, igual a 8 J·mol/K.

Balão de ar quente com volume de 400 m³, aberto ao ambiente pela região inferior.

Resposta TEF: Temperatura superior ao limiar de 375 K, aproximadamente 102 °C.

Resolução comentada · Método TEF

No limite de subida, o empuxo iguala o peso da estrutura mais o peso do ar interno.

$$\rho_{ext}V=M_B+\rho_{int}V$$

$$\rho_{int}=1{,}25-\frac{100}{400}=1{,}00\ \mathrm{kg/m^3}$$

Tratando o ar interno como gás ideal à pressão externa:

$$\rho_{int}=\frac{p\mathcal M}{RT}$$

$$T=\frac{100000(0{,}030)}{8(1{,}00)}=375\ \mathrm K$$

$$T\approx102\ ^\circ\mathrm C$$

Para subir com resultante positiva, a temperatura deve superar esse limiar. Os dados arredondados de densidade externa, pressão e temperatura não satisfazem exatamente a mesma equação de estado; o cálculo segue p, R, massa molar e densidade externa usados pelo comentário oficial.

Q18
Primeira lei — Enunciado com dados incompatíveis

Uma amostra de 0,100 mols de um gás ideal sofre a transformação representada na figura abaixo. Nessa transformação, o gás recebe uma quantidade de calor igual a 270 J. Considerando que a constante universal dos gases, R, vale 8 J·mol/K, calcule a variação da energia interna do gás nesse processo.

Gráfico V × T: reta de 1 m³ a 300 K até 3 m³ a 900 K, com V/T constante.

Resposta TEF: O gabarito aceita −210 J pela primeira lei com Q = 270 J e 720 J pelo modelo monoatômico; os dados são incompatíveis.

Resolução comentada · Método TEF

O comentário oficial reconhece a inconsistência de Q e da unidade de R e aceita duas respostas: −210 J e 720 J.

A reta V(T) passa pela origem, indicando pressão constante para a amostra ideal.

$$p=\frac{nRT}{V}=\frac{0{,}100(8)(300)}1=240\ \mathrm{Pa}$$

$$W=p\Delta V=240(3-1)=480\ \mathrm J$$

Usando literalmente o calor de 270 J:

$$\Delta U=Q-W=270-480=-210\ \mathrm J$$

Essa energia interna decrescente é incompatível com o aumento de temperatura de 300 K para 900 K de um gás ideal usual com capacidade térmica positiva. O comentário oficial reconhece o problema e aceita também a resposta de 720 J obtida pelo modelo monoatômico.

$$\Delta U_{mono}=\frac32nR\Delta T=\frac32(0{,}100)(8)(600)=720\ \mathrm J$$

Esse segundo modelo exigiria Q = 1200 J. As duas contas não descrevem simultaneamente os mesmos dados; são as duas formas de correção que a banca admitiu.

Q19
Espelho esférico — Foco inferido de gráfico de conjugação

Parte do gráfico da distância-imagem, i, em função da distância-objeto, o, medidas ao longo do eixo principal de um espelho esférico, é mostrada abaixo: Determine:

a) a distância focal do espelho;

b) o tipo de espelho (se côncavo ou convexo). Se a distância-objeto for igual a 5 cm, determine:

c) a distância-imagem;

d) o aumento linear transversal;

e) a natureza da imagem (se real ou virtual, direita ou invertida).

Gráfico i × o de espelho: ramo positivo decrescente, assíntotas i = 10 cm e o = 10 cm, ponto o = i = 20 cm.

Resposta TEF: a) 10 cm. b) Côncavo. c) −10 cm. d) +2. e) Imagem virtual e direita.

Resolução comentada · Método TEF

Um ponto da curva é o = 30 cm e i = 15 cm.

$$\frac1f=\frac1{30}+\frac1{15}=\frac1{10}$$

$$f=10\ \mathrm{cm}$$

Foco positivo indica espelho côncavo. Para objeto a 5 cm:

$$\frac1i=\frac1{10}-\frac15=-\frac1{10}$$

$$i=-10\ \mathrm{cm}$$

$$A=-\frac io=-\frac{-10}{5}=2$$

A imagem fica atrás do espelho, sendo virtual, direita e duas vezes maior que o objeto.

Q20
Refração e lâmina paralela — Velocidade, ângulo e desvio lateral

Um raio de luz monocromático, vindo do ar, incide na face AB do prisma representado na figura e emerge rasante, paralelo à face AC, até encontrar uma lâmina de faces paralelas, justaposta à face BC. Dados: nar = 1,0 (índice de refração do ar); n3 = 1,6 (índice de refração do material da lâmina); D = 2,0 cm (espessura da lâmina de faces paralelas); c = 3,0 × 10⁸ m/s (velocidade da luz no ar). sen 53° = 0,80; sen 37° = 0,60; sen 23° = 0,40; cos 30° = 0,87; Determine:

a) A velocidade da luz no interior do prisma.

b) O ângulo de refração θ.

c) O desvio lateral d sofrido pelo raio de luz.

Prisma AB vertical e BC horizontal, ângulo em A de 53°. Raio entra normal a AB, sai rasante pela face AC e atinge lâmina de índice 1,6 e espessura 2 cm; θ é o ângulo refratado e d o desvio lateral.

Resposta TEF: a) 2,4 × 10⁸ m/s. b) 30°. c) Aproximadamente 0,92 cm.

Resolução comentada · Método TEF

O raio sai do prisma rasante à face AC. O ângulo interno com a normal dessa face é 53°.

$$n_2\sin53^\circ=1\sin90^\circ$$

$$n_2=\frac1{0{,}80}=1{,}25$$

$$v_2=\frac{3{,}0\times10^8}{1{,}25}=2{,}4\times10^8\ \mathrm{m/s}$$

O raio chega à lâmina pelo ar com incidência de 53°.

$$1\sin53^\circ=1{,}6\sin\theta$$

$$\sin\theta=0{,}50$$

$$\theta=30^\circ$$

Para uma lâmina paralela, o desvio lateral é:

$$d=D\frac{\sin(53^\circ-30^\circ)}{\cos30^\circ}$$

$$d=2{,}0\frac{0{,}40}{0{,}87}\approx0{,}92\ \mathrm{cm}$$

A espessura D é medida perpendicularmente às faces; ela não é o comprimento do trajeto dentro da lâmina.

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