OBF 2004

3ª fase · 1ª e 2ª séries

Olimpíada Brasileira de Física · 20 questões discursivas · arquivo histórico.

Q01
Lançamento oblíquo — Dardo lançado em direção a um balão
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Em um parque de diversões, você pode ganhar um brinquedo se conseguir estourar com um pequeno projétil um balão de plástico que se encontra pendurado a uma certa altura e a uma distância de 28,8 m do ponto em que o projétil é atirado. A figura a seguir representa a situação. Se você lança o dardo com velocidade de 64,8 km/h em uma direção θ com a horizontal, o dardo estoura o balão. Considere sen θ = 0,60 e cos θ = 0,80 e despreze a resistência do ar.

a) Qual a altura em que se encontra o balão?

b) Qual o módulo da velocidade do dardo imediatamente antes de atingir o balão?

c) Qual seria o alcance do projétil na ausência do balão?

Dardo sai a 1,50 m do chão, com rapidez de 64,8 km/h pelo texto, ângulo θ e senθ = 0,60; balão está a 28,8 m horizontalmente. A unidade km/s impressa na figura é um erro.

Resposta TEF: a) 3,10 m. b) 17,09 m/s. c) Aproximadamente 33,0 m.

Resolução comentada · Método TEF

O item b foi recalculado: a rapidez de aproximadamente 14,4 m/s publicada no comentário oficial decorre de um erro na componente vertical. A análise TEF obtém 17,09 m/s.

Converta a rapidez do texto, 64,8 km/h, para 18 m/s. A unidade km/s impressa na figura é um erro tipográfico.

$$v_x=18(0{,}8)=14{,}4\ \mathrm{m/s}$$

$$v_{y0}=18(0{,}6)=10{,}8\ \mathrm{m/s}$$

Na posição horizontal do balão:

$$t=\frac{28{,}8}{14{,}4}=2\ \mathrm s$$

$$y=1{,}5+10{,}8(2)-5(2)^2=3{,}10\ \mathrm m$$

Essa é a altura do balão em relação ao solo.

$$v_y=10{,}8-10(2)=-9{,}2\ \mathrm{m/s}$$

$$v=\sqrt{14{,}4^2+9{,}2^2}\approx17{,}09\ \mathrm{m/s}$$

Para tocar o solo, resolva y = 0 e use a raiz positiva.

$$t_{solo}=\frac{10{,}8+\sqrt{10{,}8^2+30}}{10}\approx2{,}291\ \mathrm s$$

$$x_{solo}=14{,}4t_{solo}\approx32{,}99\ \mathrm m$$

O comentário oficial usa 5t, em lugar de 10t, na componente vertical da velocidade do item b. Esse coeficiente vale para o termo quadrático da posição, não para a velocidade.

Q02
Momento angular — Dois discos de mesma massa
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Em física, define-se a quantidade de movimento angular (momento angular), L, de um corpo que gira com velocidade angular constante ω em torno de um eixo, como sendo L = Iω, onde I é uma grandeza denominada momento de inércia que depende da massa do corpo e de como ela está distribuída em torno do eixo de rotação. Para um disco de massa M e raio R, o momento de inércia em relação a um eixo perpendicular a ele, passando pelo seu centro, é dado por I = MR²/2. Considere um disco como esse, de raio 10 cm, girando com frequência de 0,5 Hz.

a) Quantas voltas serão dadas em 15 segundos, por um outro disco que possui a mesma massa do primeiro disco e metade de seu raio, tendo, porém, o mesmo momento angular?

b) Se os dois discos forem fabricados do mesmo material, qual a diferença entre eles, além dos raios?

Resposta TEF: a) 30 voltas. b) A espessura do segundo disco é quatro vezes maior.

Resolução comentada · Método TEF

Sem torque externo resultante, o momento angular é conservado.

$$I_1\omega_1=I_2\omega_2$$

$$I=\frac12MR^2$$

Reduzir o raio à metade, mantendo a massa, divide o momento de inércia por quatro.

$$I_2=\frac{I_1}{4}$$

$$f_2=4f_1=2\ \mathrm{Hz}$$

$$N=f_2\Delta t=2(15)=30$$

Sendo o material o mesmo e a massa igual, o volume não muda. A área cai para um quarto e a espessura do segundo disco é quatro vezes a primeira.

Q03
Movimento relativo — Menor distância entre dois carros

A figura abaixo representa quarteirões de 100 m de comprimento de uma certa cidade e os veículos A e B, que se movem com velocidades de 43,2 km/h e 57,6 km/h, respectivamente, a partir dos pontos ali representados, no momento inicial. Calcule o instante em que a distância entre os dois carros será mínima e de quanto ela será?

Malha com cada quadra de 100 m. A parte de (300 m, 0) para cima; B parte de (0, 400 m) para a direita.

Resposta TEF: 24 s; distância mínima de 140 m.

Resolução comentada · Método TEF

Adote a origem no cruzamento e os eixos conforme as ruas. Inicialmente A está em (300,0) e B em (0,400), em metros.

$$\vec r_A=(300,12t)$$

$$\vec r_B=(16t,400)$$

$$d^2=(300-16t)^2+(12t-400)^2$$

$$d^2=400t^2-19200t+250000$$

A distância é mínima quando o quadrado da distância é mínimo. Complete o quadrado:

$$d^2=400(t-24)^2+19600$$

$$t_{min}=24\ \mathrm s$$

$$d_{min}=140\ \mathrm m$$

Não é necessário que os carros estejam individualmente no ponto mais próximo do cruzamento nesse instante.

Q04
Referencial acelerado — Pêndulo em curva inclinada

Um pequeno enfeite preso no retrovisor interno de um carro, que percorre uma curva horizontal com velocidade constante de 72 km/h, faz um ângulo de 30° com a vertical como se fosse um pêndulo. Quando o carro percorre uma curva inclinada de 30° o enfeite continua na mesma posição relativa ao carro. Se os raios das duas curvas forem os mesmos, qual a velocidade do carro na pista inclinada?

Resposta TEF: 20√3 m/s, ou aproximadamente 125 km/h.

Resolução comentada · Método TEF

No plano horizontal, a inclinação do fio com a vertical satisfaz:

$$\tan30^\circ=\frac{v_p^2}{Rg}$$

Na pista inclinada para o centro, o fio faz mais 30° em relação à vertical, totalizando 60°.

$$\tan60^\circ=\frac{v_i^2}{Rg}$$

$$\frac{v_i^2}{v_p^2}=\frac{\tan60^\circ}{\tan30^\circ}=3$$

$$v_i=20\sqrt3\ \mathrm{m/s}=72\sqrt3\ \mathrm{km/h}$$

O aumento da rapidez acompanha a maior inclinação absoluta do fio, mesmo que o ângulo observado em relação ao carro permaneça igual.

Q05
Mola em carrinho acelerado — Equilíbrio relativo de um bloco
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Um garoto, dispondo de uma mola de constante elástica k, montou a experiência ilustrada na figura abaixo para determinar a massa mB de um bloco. A massa do carrinho é M e a massa do bloco ligado a mola é m. Os atritos entre todas as superfícies e na polia são desprezíveis. Determine a massa mB em função das outras duas massas e da compressão x da mola, quando o sistema é liberado.

Carrinho M com bloco m entre mola k e lado direito, ligado por fio e polia a massa suspensa mB; compressão x da mola.

Resposta TEF: mB = kx(M + m)/(mg − kx), no equilíbrio relativo, com kx < mg.

Resolução comentada · Método TEF

A resolução pressupõe compressão constante e bloco em repouso relativo ao carrinho. O simples valor inicial da compressão não basta para impor essa condição.

A expressão usual pressupõe que o bloco permaneça em repouso em relação ao carrinho, mantendo a compressão x da mola. Nesse caso:

$$kx=ma$$

Para o carrinho e o bloco, a tração fornece a aceleração horizontal. Para o corpo suspenso, peso menos tração fornece a aceleração vertical.

$$T=(M+m)a$$

$$m_Bg-T=m_Ba$$

$$a=\frac{m_Bg}{M+m+m_B}$$

Iguale as duas expressões para a aceleração e isole a massa suspensa.

$$\frac{kx}{m}=\frac{m_Bg}{M+m+m_B}$$

$$m_B=\frac{kx(M+m)}{mg-kx}$$

É necessário kx < mg para obter massa positiva e finita. Se x representar apenas uma compressão inicial arbitrária, o bloco poderá oscilar e essa condição de equilíbrio relativo precisa ser acrescentada.

Q06
Choque com cunha móvel — Lançamento e colisão elástica

Uma partícula de massa m, localizada sobre uma plataforma horizontal de altura H = 50 cm é lançada com uma velocidade u₀ e atinge, a uma altura h = 5 cm, uma cunha de massa M = 5m, que pode deslizar sem atrito numa superfície horizontal. A colisão é perfeitamente elástica e a partícula é rebatida da cunha com uma velocidade horizontal, enquanto que a cunha adquire velocidade V = 6 m/s para a direita. Determine o módulo de u₀ e a distância d, a partir da base da plataforma, que a partícula atinge o solo.

Partícula m parte horizontalmente da plataforma H = 50 cm e colide na altura h = 5 cm com cunha de massa 5m; cunha sai a 6 m/s para a direita e partícula sai horizontalmente para a esquerda.

Resposta TEF: u₀ = 17,85 m/s; d = 4,14 m.

Resolução comentada · Método TEF

Denote por u a velocidade horizontal de lançamento e por v o módulo da velocidade horizontal para a esquerda depois do choque. A cunha tem massa 5m e sai para a direita a 6 m/s.

$$mu=-mv+5m(6)$$

$$u+v=30$$

Conserve a energia total entre o lançamento a H = 0,50 m e a saída da colisão a h = 0,05 m.

$$\frac12mu^2+mgH=\frac12mv^2+\frac12(5m)6^2+mgh$$

$$v^2-u^2=2(10)(0{,}45)-5(36)=-171$$

$$v-u=-5{,}7$$

$$u=17{,}85\ \mathrm{m/s}$$

$$v=12{,}15\ \mathrm{m/s}$$

Antes do choque, a queda vertical é H − h; depois dele, o lançamento é horizontal para a esquerda a partir de h.

$$t_1=\sqrt{\frac{2(0{,}45)}{10}}=0{,}30\ \mathrm s$$

$$t_2=\sqrt{\frac{2(0{,}05)}{10}}=0{,}10\ \mathrm s$$

$$d=ut_1-vt_2=4{,}14\ \mathrm m$$

A conservação do momento foi aplicada somente na direção horizontal, na qual o conjunto não recebe impulso externo.

Q07
Trajetória circular interrompida — Salto entre extremidades do arco

Considere um trilho sem atrito na forma do arco 2π – 2θ de uma circunferência de raio R, como representado na figura. Qual velocidade vo deve ter uma partícula que pode deslizar livremente pelo trilho, a partir do seu ponto mais baixo, para que ela salte de uma extremidade à outra, entrando assim em movimento periódico?

Círculo de raio R sem o arco superior de abertura 2θ; partícula parte do fundo com v₀ e deve saltar o vão entre as extremidades.

Resposta TEF: v₀ = √{gR[1/cosθ + 2 + 2cosθ]}.

Resolução comentada · Método TEF

As duas extremidades têm a mesma altura. A velocidade de saída é tangente ao arco, fazendo θ com a horizontal, e o vão mede 2R senθ.

$$\frac{v_e^2\sin2\theta}{g}=2R\sin\theta$$

$$v_e^2=\frac{gR}{\cos\theta}$$

A altura da saída em relação ao fundo do círculo é R(1 + cosθ). Conserve a energia desde o fundo:

$$\frac12mv_0^2=\frac12mv_e^2+mgR(1+\cos\theta)$$

$$v_0=\sqrt{gR\left(\frac1{\cos\theta}+2+2\cos\theta\right)}$$

Use 0 < θ < 90°. A trajetória chega à outra extremidade com a tangente apropriada; a equação radial também deve permitir contato durante o arco.

Q08
Terra homogênea — Queda por túnel até o centro

Newton ao enunciar a Lei da Gravitação Universal, mostrou que a força resultante sobre uma partícula no interior de uma distribuição de massa uniforme e esfericamente simétrica depende somente da massa contida na esfera, cuja superfície contém a posição da partícula, comportando-se como se toda essa massa estivesse localizada no centro da esfera. (a) Considerando o resultado acima, mostre que se fosse possível construir um túnel passando pelo centro da Terra, a força resultante sobre uma partícula seria linear com a distância ao centro da Terra. (b) Determine a velocidade com que a partícula passaria pelo centro da Terra se fosse abandonada na superfície. Dado: R = 6400 km.

Seção da Terra homogênea de raio R = 6400 km com túnel pelo centro; x é a distância radial ao centro.

Resposta TEF: 8,0 km/s.

Resolução comentada · Método TEF

Dentro de uma esfera homogênea, a massa interna cresce com x³ e a força gravitacional resulta proporcional à distância x ao centro.

$$F(x)=mg\frac{x}{R}$$

O trabalho da superfície até o centro é a área triangular sob o gráfico do módulo da força.

$$W=\frac12(mg)R$$

$$\frac12mv^2=\frac12mgR$$

$$v=\sqrt{gR}$$

$$v=\sqrt{10(6{,}4\times10^6)}=8000\ \mathrm{m/s}$$

Usar mgR suporia gravidade constante no túnel e duplicaria o trabalho real desse modelo.

Q09
Colisões elásticas sucessivas — Massa intermediária

Uma bola de massa m com velocidade v sofre uma colisão elástica frontal com outra de mesmo tamanho, mas de massa M, inicialmente parada. A bola de massa M, tendo adquirido momento, choca-se em seguida, frontal e elasticamente, com outra bola idêntica àquela que a atingiu, também inicialmente parada. Qual deve ser o valor de M para que ao final dos dois choques a última bola tenha velocidade igual a 8/9 da velocidade que a primeira bola tinha antes dos choques? Considere a superfície em que se encontram as três bolas, plana e de atrito desprezível.

Resposta TEF: M = 2m ou M = m/2.

Resolução comentada · Método TEF

Após a primeira colisão elástica, a massa intermediária M adquire:

$$V=\frac{2m}{m+M}v$$

Na segunda colisão, ela transfere velocidade à última massa m:

$$v_3=\frac{2M}{M+m}V$$

$$\frac{v_3}{v}=\frac{4mM}{(m+M)^2}=\frac89$$

$$2M^2-5mM+2m^2=0$$

$$(2M-m)(M-2m)=0$$

$$M=2m\quad\text{ou}\quad M=\frac m2$$

Os resultados descrevem o estado imediatamente após os dois choques especificados. Dependendo da ordem e das separações, podem ocorrer novos encontros posteriormente.

Q10
Impulso e energia cinética — Leitura de gráfico espacial
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Um objeto de massa 1 kg está se movendo em linha reta com energia cinética dada pelo gráfico:

a) Qual a velocidade do objeto na posição 2,5 m?

b) Qual o impulso recebido pelo objeto ao se deslocar de 0 a 6 m?

Gráfico de energia cinética: reta de (0 m, 2 J) a (3 m, 10 J), patamar até (4 m, 10 J) e queda linear a (6 m, 0 J).

Resposta TEF: a) Aproximadamente 4,16 m/s pela reta desenhada. b) Módulo do impulso: 2 N·s.

Resolução comentada · Método TEF

O comentário oficial lê K = 8 J em x = 2,5 m e obtém 4 m/s. A interpolação do segmento desenhado, de (0,2) a (3,10), fornece 26/3 J e aproximadamente 4,16 m/s. O módulo do impulso do item b continua sendo 2 N·s.

O gráfico informa energia cinética em função da posição, e não velocidade em função do tempo. O trecho inicial liga (0 m, 2 J) a (3 m, 10 J). Interpolando linearmente em x = 2,5 m:

$$K(2{,}5)=2+\frac{10-2}{3}(2{,}5)=\frac{26}{3}\ \mathrm J$$

$$v=\sqrt{\frac{2K}{m}}=\sqrt{\frac{52}{3}}\ \mathrm{m/s}\approx4{,}16\ \mathrm{m/s}$$

No intervalo de x = 0 a x = 6 m, a energia passa de 2 J a zero. Tomando o movimento inicial no sentido positivo:

$$v_i=\sqrt{\frac{2(2)}1}=2\ \mathrm{m/s}$$

$$v_f=0$$

$$I_x=m(v_f-v_i)=-2\ \mathrm{N\,s}$$

$$|I|=2\ \mathrm{N\,s}$$

O impulso tem componente negativa, mas o módulo pedido é positivo.

Q11
Corpos ligados e empuxo — Três cilindros em equilíbrio

Três cilindros de mesmas área da base A e altura h têm densidades ρ1 = 0,3ρ, ρ2 = 1,1ρ e ρ3 = 1,2ρ, onde ρ é a densidade da água. Os três estão ligados entre si por fios de massas desprezíveis e estão em equilíbrio num reservatório de água, como representado na figura. Calcule as tensões nos fios e o comprimento da parte submersa do cilindro de densidade ρ1.

Três cilindros de área A e altura h pendem em série. Densidades 0,3ρ, 1,1ρ e 1,2ρ de cima para baixo; apenas o superior está parcialmente submerso.

Resposta TEF: T₁ = 0,3ρgAh; T₂ = 0,2ρgAh; altura submersa do cilindro superior = 0,6h.

Resolução comentada · Método TEF

Seja A a área da seção de cada cilindro e h sua altura. O cilindro inferior está totalmente imerso:

$$T_2=(1{,}2\rho-\rho)gAh=0{,}2\rho gAh$$

No cilindro intermediário, o fio inferior puxa para baixo:

$$T_1=T_2+(1{,}1\rho-\rho)gAh=0{,}3\rho gAh$$

No cilindro superior, a altura submersa x fornece o empuxo que equilibra o peso e a tração para baixo.

$$\rho gAx=0{,}3\rho gAh+T_1$$

$$x=0{,}6h$$

A mesma resposta para x resulta do equilíbrio do conjunto, cuja densidade média inclui todos os três corpos.

Q12
Alavanca com apoios — Intervalo de transferência de líquido

Uma haste leve é apoiada nos pontos A e B; do seu extremo direito pende um balde com 50L de água e, do seu extremo esquerdo, pende outro balde com 10L de água, por meio de fios de massas desprezíveis, conforme o desenho. As massas dos baldes podem também ser desconsideradas. Quais a mínima e a máxima quantidades de água que devem ser transferidas do balde da direita para o da esquerda, para que o sistema esteja em equilíbrio?

Haste de 2,00 m, apoio A a 0,60 m da esquerda e B a 0,40 m da direita; baldes de 10 L na esquerda e 50 L na direita.

Resposta TEF: De 2 L a 32 L, incluindo os limites de contato.

Resolução comentada · Método TEF

Se x litros forem transferidos do recipiente da direita para o da esquerda, os volumes passam a 50 − x e 10 + x. As distâncias aos apoios devem ser lidas separadamente.

No limite em que a reação em A zera, tome momentos em B:

$$0{,}4(50-x)=1{,}6(10+x)$$

$$x=2\ \mathrm L$$

No limite em que a reação em B zera, tome momentos em A:

$$1{,}4(50-x)=0{,}6(10+x)$$

$$x=32\ \mathrm L$$

Entre esses limites, as duas reações são não negativas. Nos extremos, um apoio fica no limiar de perda de contato.

Q13
Dilatação e empuxo — Deslocamento de esfera presa a mola

Uma bola de chumbo de volume Vo = 1000 cm³ a 25 °C está em equilíbrio submersa em uma cuba cheia de mercúrio e presa ao seu fundo por uma mola de constante elástica k = 250 N/m, como representado na figura. A densidade do mercúrio a 25 °C é de 13,6 g/cm³. A temperatura do conjunto é, então, elevada de 200 °C. Sabendo-se que o coeficiente de dilatação linear do chumbo é 2,9 × 10⁻⁵ °C⁻¹ e que o coeficiente de dilatação volumétrica do mercúrio é 1,8 × 10⁻⁴ °C⁻¹, qual o valor do deslocamento da bola de chumbo e em que sentido ela se desloca?

Esfera de chumbo totalmente mergulhada em mercúrio e presa por mola de constante 250 N/m ao fundo da cuba.

Resposta TEF: Aproximadamente 9,8 mm para baixo; cerca de 1,0 cm na aproximação de primeira ordem.

Resolução comentada · Método TEF

O comentário oficial desta prova informa 1,0 mm. A substituição dos dados fornece aproximadamente 1,0 cm: há um fator dez de diferença no resultado publicado.

O volume inicial é 10⁻³ m³ e a densidade inicial do mercúrio é 13600 kg/m³. O coeficiente volumétrico do chumbo é aproximadamente três vezes o linear.

$$\beta_{Pb}=3\alpha_{Pb}=8{,}7\times10^{-5}\ \mathrm{^{\circ}C^{-1}}$$

$$E_0=13600(10)(10^{-3})=136\ \mathrm N$$

Ao aquecer 200 °C, o volume da esfera aumenta e a densidade do mercúrio diminui.

$$E_f=E_0\frac{1+\beta_{Pb}\Delta T}{1+\beta_{Hg}\Delta T}$$

$$E_f=136\frac{1{,}0174}{1{,}036}\approx133{,}56\ \mathrm N$$

O peso permanece constante. A variação da tração da mola é a própria variação do empuxo.

$$\Delta x=\frac{E_f-E_0}{250}\approx-9{,}77\times10^{-3}\ \mathrm m$$

A esfera desce aproximadamente 9,8 mm. Na aproximação de primeira ordem, obtém-se cerca de 10,1 mm. Desprezam-se mudanças térmicas da mola e da geometria de sua fixação.

Q14
Torque no degrau — Comparação entre empurrar e puxar roda

Suponha que uma roda, de massa 2 kg e de raio 20 cm, seja guiada por uma haste leve articulada no seu eixo. Considere os diagramas abaixo, em que os ângulos que as forças F (empurrando) e G (puxando) fazem com a horizontal são iguais a 45° e que a altura do degrau é de 4 cm. Determine os valores mínimos dos módulos de F e G para que a roda suba o degrau. Considere √2 = 1,4.

Roda de raio 20 cm diante de degrau de 4 cm: força F pelo eixo a 45° para baixo ou força G pelo eixo a 45° para cima.

Resposta TEF: Empurrar: 84 N. Puxar: 12 N, usando √2 = 1,4.

Resolução comentada · Método TEF

No limiar de subida, a roda gira em torno da quina do degrau e a reação do chão zera. Com R = 0,20 m e h = 0,04 m, os braços horizontal e vertical do centro são:

$$a=\sqrt{R^2-(R-h)^2}=0{,}12\ \mathrm m$$

$$b=R-h=0{,}16\ \mathrm m$$

Ao empurrar a 45° para baixo, a componente vertical prejudica o torque de subida.

$$\frac{F}{\sqrt2}(b-a)=mga$$

$$F=60\sqrt2\ \mathrm N\approx84\ \mathrm N$$

Ao puxar a 45° para cima, ambas as componentes ajudam.

$$\frac{G}{\sqrt2}(b+a)=mga$$

$$G=\frac{60\sqrt2}{7}\ \mathrm N\approx12\ \mathrm N$$

Os valores aproximados usam √2 = 1,4, como pedido. A reação da quina não produz torque em relação à própria quina.

Q15
Curva de aquecimento — Calor específico por razão de tempos

Um corpo, de calor latente de fusão igual a 16 cal/g, inicialmente no estado sólido, é aquecido sob a potência constante de uma fonte de calor. O gráfico seguinte representa a variação da temperatura com o tempo. Admitindo-se que o corpo absorva energia de maneira constante ao longo de todo o processo, determine o calor específico do sólido.

Curva T × t: 30 °C em 0 min, 50 °C em 4 min, patamar de 50 °C até 12 min e aquecimento posterior.

Resposta TEF: 0,40 cal/(g·°C).

Resolução comentada · Método TEF

A potência constante P e a massa m são as mesmas no aquecimento e na fusão. O gráfico mostra 4 min para subir de 30 a 50 °C e 8 min no patamar de fusão.

$$P(4)=mc(20)$$

$$P(8)=mL$$

Dividindo as duas relações, massa e potência se cancelam.

$$\frac{4}{8}=\frac{20c}{16}$$

$$c=0{,}40\ \mathrm{cal/(g\,^{\circ}C)}$$

Os tempos podem ser mantidos em minutos porque aparecem somente em uma razão.

Q16
Atrito e fusão — Potência de motor em plano inclinado

Um motor elétrico puxa um bloco que está sobre uma rampa de inclinação θ coberta de neve, com uma velocidade constante. Durante a subida do bloco, a neve é derretida a uma taxa de λ = 0,25 g/s. Supondo que a fusão da neve se deva somente ao atrito entre o bloco e a neve, determine a potência do motor Pm. Dados: µC = 0,5 (coeficiente de atrito cinético entre o bloco e a neve); L = 80 cal/g (calor latente de fusão do gelo); 1 cal = 4,18 J; senθ = 0,6 e cosθ = 0,8.

Resposta TEF: 209 W.

Resolução comentada · Método TEF

O calor de atrito funde gelo a uma taxa de 0,25 g/s. A potência dissipada é:

$$P_{at}=\lambda L=0{,}25(80)=20\ \mathrm{cal/s}$$

$$P_{at}=20(4{,}18)=83{,}6\ \mathrm W$$

Na subida uniforme, o motor vence simultaneamente peso tangencial e atrito.

$$P_{motor}=(mg\sin\theta+\mu mg\cos\theta)v$$

$$P_{at}=\mu mg\cos\theta\,v$$

$$P_{motor}=P_{at}\left(1+\frac{\sin\theta}{\mu\cos\theta}\right)$$

$$P_{motor}=83{,}6\left(1+\frac{0{,}6}{0{,}5(0{,}8)}\right)=209\ \mathrm W$$

Supõe-se que toda a dissipação indicada seja usada na fusão, sem aquecer gelo inicialmente abaixo da temperatura de fusão.

Q17
Pistão ligado a mola — Trabalho, energia interna e inconsistência dos dados

Considere um recipiente com um êmbolo móvel preso a uma mola de constante elástica k = 500 N/m, contendo 0,1 mol de gás ideal, que comprime a mola em 1,5 cm. A área do êmbolo é de 100 cm². Ao se fornecer 15,1 J de calor ao gás, a compressão da mola passa a ser de 2,5 cm. Sendo R = 8,31 J/mol.K e a pressão atmosférica de 10⁵ Pa, calcule: (a) o trabalho realizado pelo gás e (b) a variação aproximada da temperatura.

Gás em recipiente com êmbolo móvel de área 100 cm², ligado a mola externa de constante 500 N/m; compressão cresce de 1,5 cm para 2,5 cm.

Resposta TEF: W = 10,1 J; ΔU = 5,0 J. O valor oficial ΔT ≈ 4 K pressupõe gás monoatômico e é incompatível com os demais dados.

Resolução comentada · Método TEF

Questão com dados incompatíveis sob o modelo monoatômico usado no comentário oficial. A resposta numérica publicada para a temperatura é apresentada apenas como resultado condicional desse modelo.

No equilíbrio quase estático, a pressão do gás equilibra a atmosfera e a força da mola. A variação de volume é A(xf − xi).

$$W=p_{atm}A(x_f-x_i)+\frac k2(x_f^2-x_i^2)$$

$$W=10^5(0{,}01)(0{,}010)+\frac{500}{2}(0{,}025^2-0{,}015^2)$$

$$W=10{,}1\ \mathrm J$$

Pela primeira lei:

$$\Delta U=Q-W=15{,}1-10{,}1=5{,}0\ \mathrm J$$

Só essa informação não determina a variação de temperatura de um gás ideal sem seu calor molar. O comentário oficial acrescenta o modelo monoatômico:

$$\Delta T_{mono}=\frac{2\Delta U}{3nR}\approx4{,}01\ \mathrm K$$

Há uma incompatibilidade adicional. As pressões inicial e final são 100750 Pa e 101250 Pa. Pela equação de estado:

$$nR\Delta T=p_f\Delta V+(p_f-p_i)V_i$$

$$nR\Delta T=10{,}125+500V_i$$

Para qualquer volume inicial positivo, a variação de temperatura precisa superar 12,18 K. Portanto o valor condicional de 4,01 K não é compatível com a geometria, as pressões e um gás monoatômico. Os dados não descrevem conjuntamente esse processo físico.

Q18
Refrigerador — Eficiência real e tempo para produzir gelo

Refrigeradores são classificados pelo seu coeficiente de desempenho, K = |Qf|/|τ|. Assim, o refrigerador será tanto melhor quanto maior o seu coeficiente de desempenho, ou seja, quanto maior for a energia retirada do reservatório de baixa temperatura, Qf, e menor for o trabalho necessário para isso, τ. Por outro lado, um refrigerador operando num ciclo de Carnot tem seu coeficiente de desempenho dado por KC = Tf/(Tq − Tf), onde Tq é a temperatura do reservatório quente e Tf é a temperatura do reservatório frio. Suponha que:

a) as temperaturas do ar no refrigerador e na cozinha não mudem;

b) o refrigerador opere a 48% de seu coeficiente de desempenho máximo;

c) o compressor do refrigerador produza ¼ hp de trabalho útil, para operar o ciclo de refrigeração;

d) o refrigerador opere à temperatura de −7 °C;

e) a cozinha esteja a 25 °C.

Calcule quanto tempo leva para esfriar 480 g de água de 20 °C até que se transforme em gelo a 0 °C. Dados: 1 hp = 746 W; 1 cal = 4,2 J; 0 °C = 273 K; calor latente de fusão da água = 80 cal/g.

Resposta TEF: Aproximadamente 271 s, ou 4 min 30 s.

Resolução comentada · Método TEF

Converta as temperaturas para kelvin antes de calcular o coeficiente de desempenho de Carnot.

$$K_C=\frac{266}{298-266}=8{,}3125$$

$$K=0{,}48K_C=3{,}99$$

$$P=\frac{746}{4}=186{,}5\ \mathrm W$$

O calor retirado inclui esfriar 480 g de água de 20 °C até 0 °C e depois solidificá-la.

$$Q=480(1)(20)+480(80)=48000\ \mathrm{cal}$$

$$Q=48000(4{,}2)=201600\ \mathrm J$$

$$t=\frac{Q}{KP}=\frac{201600}{3{,}99(186{,}5)}\approx271\ \mathrm s$$

Isso corresponde a cerca de 4 min 31 s. Arredondar previamente K para 4 produz o resultado de aproximadamente 4 min 30 s do comentário oficial.

Q19
Reflexões em espelhos — Feixe que retorna ao orifício

Uma caixa retangular de dimensões a e b, internamente espelhada, tem um pequeno orifício por onde entra um raio de luz formando um ângulo θ com a parede da caixa, conforme ilustrado no diagrama abaixo. Qual deve ser esse ângulo para que o raio emerja pelo orifício com uma única reflexão em cada parede?

Caixa retangular espelhada de altura a e largura b, com orifício na parede esquerda; raio entra para a direita e para baixo, fazendo θ com a vertical.

Resposta TEF: θ = arctan(b/a), medido em relação à vertical.

Resolução comentada · Método TEF

A formulação “uma reflexão em cada parede” deve ser entendida como o trajeto de retorno ilustrado: na parede do orifício há entrada e saída, e não reflexão no próprio furo.

Desdobre as reflexões do retângulo: cada reflexão pode ser substituída por continuação retilínea para uma cópia espelhada da caixa. O percurso que retorna ao mesmo orifício completa duas larguras e duas alturas.

$$\Delta x=2b$$

$$|\Delta y|=2a$$

Como θ é medido com a vertical:

$$\tan\theta=\frac{\Delta x}{|\Delta y|}=\frac ba$$

$$\theta=\arctan\frac ba$$

O resultado não depende da altura do orifício para esse trajeto. A entrada e a saída pela parede perfurada não contam como reflexão; o caminho usual toca uma vez cada uma das outras três paredes.

Q20
Olho humano e miopia — Vergência e lente corretora

Considere um olho normal em que a distância do cristalino à retina é de 2 cm e o ponto mais próximo de visão nítida está a 25 cm do cristalino. Determine a amplitude de acomodação visual, medida em dioptrias, que se define como a diferença entre a máxima e a mínima vergências do olho. Considere, agora, um olho do mesmo tamanho para o qual a maior distância de visão nítida, sem esforço, é de 4 m. Determine o tipo de lente corretora e a sua vergência, em dioptrias.

Resposta TEF: Olho normal: 50 D a 54 D, acomodação de 4 D. Correção da miopia: lente de −0,25 D.

Resolução comentada · Método TEF

A distância da lente do olho à retina é 0,020 m. Para um objeto distante, a vergência do olho normal é:

$$V_{longe}=\frac1{0{,}020}=50\ \mathrm D$$

Para o ponto próximo de 25 cm:

$$V_{perto}=\frac1{0{,}25}+\frac1{0{,}020}=54\ \mathrm D$$

$$\Delta V=4\ \mathrm D$$

Se o ponto remoto de um olho míope está a 4 m, a lente corretora deve produzir, para um objeto no infinito, uma imagem virtual a 4 m.

$$f_c=-4\ \mathrm m$$

$$V_c=-0{,}25\ \mathrm D$$

Trata-se de lente divergente, considerada junto ao olho e de espessura desprezível.

↑ Voltar ao topo