OBF 2007

2ª fase · 1ª e 2ª séries

Olimpíada Brasileira de Física · 20 questões discursivas · arquivo histórico.

Q01
Sombra de pessoa em movimento — Semelhança de triângulos

Um adolescente de altura h caminha, com velocidade constante v, em um corredor reto e passa sob uma lâmpada pendurada a uma altura H acima do solo. Determine a velocidade da sombra da cabeça do adolescente no solo.

Lâmpada de altura H, pessoa de altura h e raios que determinam a extremidade da sombra.

Resposta TEF: Hv/(H−h), em relação ao solo.

Resolução comentada · Método TEF

Se x é a distância da pessoa à vertical da lâmpada e X a posição da sombra da cabeça, os triângulos semelhantes dão:

$$\frac{X}{H}=\frac{X-x}{h}$$

$$X=\frac{H}{H-h}x$$

$$v_{sombra}=\frac{H}{H-h}v$$

A velocidade é medida em relação ao chão. O comprimento da sombra desde os pés cresce com outra taxa, hv/(H−h). O modelo exige H > h.

Q02
Lançamentos verticais defasados — Distância e velocidade relativas
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Duas bolas são atiradas verticalmente do alto de um edifício, uma após a outra, com velocidades de mesma magnitude v₀ = 2 m/s . A primeira bola é atirada para cima e, após um intervalo de tempo Δt = 1 s , a segunda é atirada para baixo. Despreze os efeitos dissipativos.

a) Determine a distância e a velocidade relativa entre as bolas.

b) O que acontece com estas grandezas quando t Δ tende a zero?

Resposta TEF: a) d = 3 + 6τ m e v₁/₂ = −6 m/s, com τ após o segundo lançamento e eixo para cima. b) No limite simultâneo, d = 4τ m e v₁/₂ = +4 m/s.

Resolução comentada · Método TEF

Meça τ a partir do lançamento da segunda bola e y positivo para cima. Com atraso Δ = 1 s:

$$y_1=2(\tau+1)-5(\tau+1)^2$$

$$y_2=-2\tau-5\tau^2$$

$$y_1-y_2=-3-6\tau$$

A primeira está abaixo e a distância cresce: d = 3 + 6τ m. A velocidade relativa da primeira em relação à segunda é −6 m/s.

Para atraso genérico Δ:

$$y_1-y_2=(4-10\Delta)\tau+2\Delta-5\Delta^2$$

$$v_{1/2}=4-10\Delta$$

Quando Δ → 0, as bolas partem juntas com sentidos opostos e velocidade relativa de 4 m/s; a distância após tempo τ é 4τ. Ela não permanece nula, salvo no instante de lançamento.

Q03
Interseção de jatos — Torricelli e trajetórias parabólicas

Dois pequenos orifícios de áreas iguais são feitos, um acima do outro, em uma garrafa PET cheia de água, como pode ser observado na figura 2. Sabe-se que a distância entre o orifício superior e a superfície da água é h, e que a distância entre os orifícios é D. Estabelecendo o sistema de coordenadas Oxy no furo inferior, determine as coordenadas (xₑ, yₑ) do local de intersecção entre os dois fluxos de água. Despreze todos os efeitos dissipativos e de turbulência da água. Considere também que o fluxo de água é tão lento que a altura h não varia durante o tempo de observação.

Dois jatos horizontais saem de furos em alturas diferentes da garrafa e se cruzam.

Resposta TEF: (xₑ,yₑ) = (2√[h(h+D)], −h), nos eixos definidos.

Resolução comentada · Método TEF

Adote origem no furo inferior, x para fora da garrafa e y para cima. As velocidades horizontais de saída são:

$$v_s^2=2gh$$

$$v_i^2=2g(h+D)$$

Eliminando o tempo em cada jato:

$$y_s=D-\frac{x^2}{4h}$$

$$y_i=-\frac{x^2}{4(h+D)}$$

Na interseção, as ordenadas coincidem.

$$D=\frac{x^2D}{4h(h+D)}$$

$$x_e=2\sqrt{h(h+D)}$$

$$y_e=-h$$

Vale para h > 0 e D > 0 e para o modelo de escoamento quase estacionário e saída horizontal, sem interferência prévia dos jatos.

Q04
Polia móvel ideal — Força para subir com aceleração

Um objeto de peso P é preso, através de uma corda, ao eixo de uma roldana móvel, de massa desprezível, como mostra a figura 3. Considere todas as cordas e roldanas do sistema como ideais.

a) Que força F deve ser aplicada, à extremidade livre da corda, de modo que o sistema se mova com aceleração constante a?

b) Determine o valor da força F para que o corpo fique em equilíbrio estático.

Carga presa à polia móvel sustentada por duas trações; duas polias fixas redirecionam o fio até a mão.

Resposta TEF: a) F = (P/2)(1+a/g), com a positivo para cima. b) P/2.

Resolução comentada · Método TEF

A carga recebe duas trações de módulo F. Defina a positivo para cima.

$$2F-P=\frac Pg a$$

$$F=\frac P2\left(1+\frac ag\right)$$

No equilíbrio estático a = 0:

$$F=\frac P2$$

As polias fixas apenas mudam a direção do fio. Se a aceleração for para baixo, o valor algébrico de a é negativo.

Q05
Dois planos inclinados com atrito — Aceleração e encontro em altura
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Dois corpos com massas m₁ e m₂ estão conectados por uma corda (inextensível e de massa desprezível) que passa sobre uma roldana ideal fixa. No instante t = 0 , quando o desnível entre os corpos é h (veja figura 4), eles são abandonados, a partir do repouso, de modo que o corpo de massa m₁ desliza para baixo. Considere μ o coeficiente de atrito cinético entre os corpos e as superfícies.

a) Determine a aceleração que os corpos adquirem.

b) Após um tempo t Δ ambos os corpos estarão a uma mesma altura. Determine Δt.

Blocos m₁ e m₂ em planos de inclinações α e β, ligados por fio sobre polia; desnível vertical inicial h.

Resposta TEF: a) g[m₁ sen α − m₂ sen β − μ(m₁ cos α + m₂ cos β)]/(m₁+m₂). b) √{2h/[a(sen α+sen β)]}.

Resolução comentada · Método TEF

Escolha positivo no sentido em que m₁ desce. O atrito se opõe ao movimento de cada bloco.

$$a=\frac{g[m_1\sin\alpha-m_2\sin\beta-\mu(m_1\cos\alpha+m_2\cos\beta)]}{m_1+m_2}$$

Os dois percorrem o mesmo módulo de distância s, mas suas mudanças de altura são s sen α para baixo e s sen β para cima.

$$h=s(\sin\alpha+\sin\beta)$$

$$s=\frac12a(\Delta t)^2$$

$$\Delta t=\sqrt{\frac{2h}{a(\sin\alpha+\sin\beta)}}$$

A expressão pressupõe a > 0 e manutenção do deslizamento descrito no enunciado.

Q06
Colisões elásticas sucessivas — Bolas de bilhar

Em uma mesa de bilhar estão dispostas três bolas idênticas de massa m = 200g, em repouso. Um jogador toca a bola 1 com um taco, exercendo sobre ela uma força de módulo F = 5N, paralela à superfície da mesa. Após 0,2s da aplicação da força, a bola 1 atinge a bola 2. Observa-se que, após o choque, as bolas 1 e 2 passam a mover-se em direções que formam 60° e 30° , respectivamente, com a direção original da bola 1. Após certo tempo a bola 2 colide com a bola 3 e fica em repouso, enquanto a bola 3 segue em direção à caçapa, atingindo-a em 0,3s. Considerando os choques elásticos e desprezando o atrito entre as bolas e a superfície, pergunta-se:

a) A velocidade da bola 3 ao atingir a caçapa;

b) A distância percorrida pela bola 3 até atingir a caçapa.

Resposta TEF: a) 5√3/2 m/s ≈ 4,33 m/s. b) 3√3/4 m ≈ 1,30 m.

Resolução comentada · Método TEF

O taco fornece impulso de 1 N·s à bola de 0,200 kg.

$$v_0=\frac{F\Delta t}{m}=\frac{5(0{,}2)}{0{,}2}=5\ \mathrm{m/s}$$

Nas duas direções finais a 60° e 30°, conserve as componentes do momento.

$$v_1\sin60^\circ=v_2\sin30^\circ$$

$$v_1\cos60^\circ+v_2\cos30^\circ=5$$

$$v_2=\frac{5\sqrt3}{2}\ \mathrm{m/s}$$

A segunda colisão frontal entre bolas iguais, com a bola 2 parando, transfere essa velocidade à bola 3.

$$v_3=\frac{5\sqrt3}{2}\ \mathrm{m/s}$$

$$d=v_3(0{,}3)=\frac{3\sqrt3}{4}\ \mathrm m\approx1{,}30\ \mathrm m$$

Usando 0,87 para sen 60°, os valores arredondados ficam 4,35 m/s e 1,305 m.

Q07
Pessoa caminhando no barco — Velocidade conforme o referencial de v

Um garoto de massa m está num pequeno barco, de massa M, que se encontra em repouso em um lago de águas paradas. Em um determinado momento ele anda com velocidade v de um extremo do barco ao outro. Desprezando os efeitos dissipativos,

a) Qual será a velocidade do barco em relação à margem?

b) Se o barco fosse transformado num navio, qual seria a velocidade do navio?

Resposta TEF: Se v é relativo ao barco: V = −mv/(M+m); para M ≫ m, V ≈ 0. Se v é relativo à margem: V = −mv/M.

Resolução comentada · Método TEF

Se v é a velocidade do garoto relativamente ao barco, sua velocidade no solo é v + V, sendo V a velocidade do barco.

$$m(v+V)+MV=0$$

$$V=-\frac{mv}{M+m}$$

Para um navio com M muito maior que m, essa velocidade tende a zero em módulo. Se v for dado relativamente à margem, outra leitura possível do texto, a conservação fornece V = −mv/M. A pergunta não explicita o referencial de v; ambas as fórmulas precisam vir acompanhadas de sua definição.

Q08
Lançamento a partir de roda-gigante — Soma da velocidade da cadeira

Uma roda gigante de raio 5,0 m tem o seu eixo a 6,6 m do solo e se encontra girando, com velocidade constante, no sentido horário. Quando uma das cadeiras chega à posição que forma 53° com a direção vertical (veja figura 5), a criança que a ocupa lança uma bola para o alto, na direção vertical, com velocidade de 8,8 m/s. Sabendo que o período do movimento da roda gigante é de 10π s , determine o ponto em que a bola vai atingir o solo.

Roda-gigante de raio 5 m, eixo a 6,6 m; cadeira no quadrante superior direito a 53° da vertical e giro horário.

Resposta TEF: A 5,44 m à direita da vertical do eixo da roda.

Resolução comentada · Método TEF

O período 10π s dá velocidade angular de 0,2 rad/s e velocidade da cadeira de 1 m/s. No ponto indicado, a cadeira vai para a direita e para baixo.

$$\vec v_c=(0{,}6,-0{,}8)\ \mathrm{m/s}$$

A bola é lançada a 8,8 m/s para cima relativamente à cadeira.

$$\vec v_0=(0{,}6,8{,}0)\ \mathrm{m/s}$$

Com a origem horizontal na vertical do eixo:

$$x_0=5\sin53^\circ=4\ \mathrm m$$

$$y_0=6{,}6+5\cos53^\circ=9{,}6\ \mathrm m$$

$$0=9{,}6+8t-5t^2$$

$$t=2{,}4\ \mathrm s$$

$$x_f=4+0{,}6(2{,}4)=5{,}44\ \mathrm m$$

O ponto de impacto fica 5,44 m à direita da vertical do eixo, ou 1,44 m além da projeção do lançamento.

Q09
Pêndulo cônico — Frequência angular e período
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Em um pêndulo cônico temos uma corda de comprimento ℓ e na sua extremidade um corpo de massa m, que realiza um movimento circular no plano (veja figura 6). Como conseqüência deste movimento, a corda descreve a figura de um cone, razão pela qual o pêndulo adquire esse nome. Determine:

a) A velocidade angular do corpo em função da aceleração da gravidade g, do comprimento ℓ e do ângulo θ de inclinação da corda.

b) O tempo para o corpo dar uma volta completa no círculo.

Pêndulo cônico com fio de comprimento ℓ, ângulo θ com a vertical e raio horizontal r.

Resposta TEF: a) √[g/(ℓ cos θ)]. b) 2π√(ℓ cos θ/g).

Resolução comentada · Método TEF

A tração sustenta o corpo verticalmente e fornece a resultante horizontal. O raio é ℓ sen θ.

$$T_f\cos\theta=mg$$

$$T_f\sin\theta=m\omega^2\ell\sin\theta$$

$$\omega=\sqrt{\frac{g}{\ell\cos\theta}}$$

$$\mathcal T=2\pi\sqrt{\frac{\ell\cos\theta}{g}}$$

As expressões valem para o movimento circular estabelecido, com 0 < θ < 90°. No limite de θ → 0, recupera-se o período das pequenas oscilações.

Q10
Atrito crescente em rampa — Aceleração nula antes da parada

Um corpo de massa m desce um plano inclinado. O coeficiente de atrito cinético entre o corpo e o plano varia de acordo com μ = μ₀x , onde μ₀ é uma constante, e x é a distância percorrida pelo corpo a partir do ponto inicial x = 0 , mostrado na figura 7.

a) Esboce o gráfico da magnitude da força de atrito em função de x e, a partir dele, ache a magnitude do trabalho realizado pela força de atrito cinético para uma distância x percorrida pelo corpo.

b) Determine a distância d percorrida pelo corpo até que sua aceleração seja nula.

c) Ao atingir este ponto, o corpo irá parar? Suponha que o corpo parte do repouso na posição x = 0 .

Corpo desce rampa de ângulo α com coeficiente de atrito que cresce com a distância x.

Resposta TEF: a) f(x) = μ₀mg cos α·x; Wf = −μ₀mg cos α·x²/2. b) d = tan α/μ₀. c) Não: a velocidade é máxima nesse ponto.

Resolução comentada · Método TEF

Como μ = μ₀x, o módulo do atrito cresce linearmente com a distância.

$$f(x)=\mu_0xmg\cos\alpha$$

$$W_f(0\to x)=-\frac12\mu_0mg\cos\alpha\,x^2$$

A aceleração se anula quando a componente do peso e o atrito se igualam.

$$mg\sin\alpha=\mu_0dmg\cos\alpha$$

$$d=\frac{\tan\alpha}{\mu_0}$$

Até esse ponto, o trabalho resultante acumulado é positivo.

$$\frac12mv(d)^2=mgd\sin\alpha-\frac12\mu_0mg\cos\alpha\,d^2$$

$$v(d)^2=gd\sin\alpha>0$$

Portanto o corpo não para em d: ali sua velocidade é máxima. O gráfico f × x é uma reta crescente pela origem, e o de W_f × x é uma parábola negativa.

Módulo da força de atrito; o trabalho tem sinal negativo e módulo igual à área sob a reta.
Módulo da força de atrito; o trabalho tem sinal negativo e módulo igual à área sob a reta.
Q11
Peso aparente em dois líquidos — Densidade do sólido

Um sólido homogêneo apresenta um peso aparente P1, quando mergulhado num líquido de densidade ρ1 e, quando mergulhado num líquido de densidade ρ2, apresenta peso aparente P2. Com base nestas informações determine a densidade, ρ, deste sólido, em termos de P1, P2, ρ1 e ρ2.

Resposta TEF: ρ = (P₁ρ₂ − P₂ρ₁)/(P₁−P₂).

Resolução comentada · Método TEF

Para imersão completa e o mesmo volume V:

$$P_1=(\rho-\rho_1)Vg$$

$$P_2=(\rho-\rho_2)Vg$$

Elimine o fator Vg entre as equações.

$$\rho=\frac{P_1\rho_2-P_2\rho_1}{P_1-P_2}$$

A expressão exige líquidos de densidades distintas e leituras coerentes com o regime de imersão. Pesos aparentes iguais em líquidos distintos não seriam compatíveis com o mesmo corpo totalmente imerso nesse modelo.

Q12
Refrigerador e primeira lei — Calor liberado ao ambiente

Um refrigerador utiliza uma potência P para converter ℓ litros de água em gelo, num intervalo de tempo Δt . Considere que a água tem densidade de 1,0 kg/L, calor específico c e calor latente de solidificação Lₛ e está a uma temperatura T₀ > 0 °C. Qual a quantidade de calor que será liberada pelo refrigerador, para o meio ambiente, durante este intervalo de tempo?

Resposta TEF: Qamb = m(cT₀ + Ls) + PΔt, com m = (1 kg/L)VL.

Resolução comentada · Método TEF

O refrigerador retira da água o calor de resfriamento até 0 °C e o de solidificação. Se o volume é V_L em litros, a massa é m = (1 kg/L)V_L.

$$Q_f=m(cT_0+L_s)$$

A energia elétrica recebida no intervalo é PΔt. O calor liberado ao ambiente é a soma:

$$Q_q=m(cT_0+L_s)+P\Delta t$$

O resultado supõe que o gelo é produzido a 0 °C, sem sub-resfriamento e sem incluir outras massas térmicas.

Q13
Dilatação de barras opostas — Fechamento de uma folga

Considere duas barras delgadas, de comprimentos ℓ₁ e ℓ₂, feitas de materiais cujos coeficientes de dilatação linear são, respectivamente, α₁ e α₂. As barras estão dispostas de modo a estarem separadas por uma distância Δℓ, conforme mostra a figura 8. A que variação de temperatura deve ser submetido o sistema para que o espaçamento Δℓ , entre as duas barras, seja completamente preenchido? Considere que apenas as barras sofram influência desta variação de temperatura.

Duas barras entre apoios externos fixos, com comprimentos ℓ₁ e ℓ₂ e folga central Δℓ.

Resposta TEF: ΔT = Δℓ/(α₁ℓ₁+α₂ℓ₂).

Resolução comentada · Método TEF

Com as extremidades externas fixas, cada barra se dilata em direção à folga.

$$\Delta\ell_1=\alpha_1\ell_1\Delta T$$

$$\Delta\ell_2=\alpha_2\ell_2\Delta T$$

$$\Delta\ell=(\alpha_1\ell_1+\alpha_2\ell_2)\Delta T$$

$$\Delta T=\frac{\Delta\ell}{\alpha_1\ell_1+\alpha_2\ell_2}$$

Use o comprimento inicial de cada barra e admita os coeficientes constantes no intervalo.

Q14
Curvatura de lâmina bimetálica — Arcos com comprimentos térmicos distintos
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Uma lâmina bimetálica é constituída por uma junção de duas lâminas retilíneas que têm o mesmo comprimento quando estão à temperatura T. Ao aumentar sua temperatura para T + ΔT a lâmina se curva, formando um arco de circunferência de espessura total d (veja figura 9). Supondo que os coeficientes de dilatação linear das lâminas sejam respectivamente iguais a α₁ e α₂, com α₂ > α₁, e que as espessuras de cada lâmina, após a dilatação, sejam iguais, deduza a expressão do raio de curvatura da junção entre as lâminas.

Lâmina bimetálica curvada com raio R na junção e espessura total d.

Resposta TEF: R = d[2+(α₁+α₂)ΔT]/[4(α₂−α₁)ΔT], no modelo geométrico do caderno.

Resolução comentada · Método TEF

No modelo geométrico idealizado da prova, os comprimentos das linhas centrais das lâminas são L₁ = L₀(1+α₁ΔT) e L₂ = L₀(1+α₂ΔT). Seus raios centrais são R−d/4 e R+d/4, pois cada lâmina tem espessura d/2.

$$\frac{1+\alpha_2\Delta T}{1+\alpha_1\Delta T}=\frac{R+d/4}{R-d/4}$$

$$R=\frac{d[2+(\alpha_1+\alpha_2)\Delta T]}{4(\alpha_2-\alpha_1)\Delta T}$$

Para pequenas dilatações, R ≈ d/[2(α₂−α₁)ΔT]. A lâmina com α₂ maior fica no lado externo. Uma descrição elástica rigorosa de uma tira real também precisaria dos módulos elásticos e das tensões de ligação, ausentes no modelo do caderno.

Q15
Misturas sucessivas — Temperaturas iniciais de dois líquidos

Tem-se três líquidos A, B e C, com calores específicos 0,2 cal/g·°C , 0,1 cal/g·°C e 0,4 cal/g·°C, respectivamente, e que se encontram em temperaturas diferentes. Quando são misturadas massas iguais dos líquidos A e B, obtém-se uma temperatura de equilíbrio de 40°C e, quando são misturadas massas iguais dos líquidos A e C, a temperatura de equilíbrio é de 20°C. Sabendo que a temperatura inicial do líquido A é de 50°C, determine a temperatura de equilíbrio da mistura de massas iguais dos líquidos B e C.

Resposta TEF: 8 °C.

Resolução comentada · Método TEF

As massas em cada mistura são iguais e se cancelam no balanço.

$$0{,}2(40-50)+0{,}1(40-T_B)=0$$

$$T_B=20\ ^\circ\mathrm C$$

$$0{,}2(20-50)+0{,}4(20-T_C)=0$$

$$T_C=5\ ^\circ\mathrm C$$

Agora misture B e C em massas iguais.

$$0{,}1(T-20)+0{,}4(T-5)=0$$

$$T=8\ ^\circ\mathrm C$$

A temperatura final não é a média aritmética de 20 e 5 porque os calores específicos são diferentes.

Q16
Conversão de diagrama VT para PV — Ciclo de gás ideal

N moles de um gás ideal realizam um processo cíclico 1 → 2 → 3 → 1 mostrado no diagrama Volume (V) contra Temperatura (T) da figura 10.

a) Esboce o desenho de um diagrama equivalente da Pressão (P) contra Volume (V).

b) Descreva e explique as situações em que o sistema absorve calor ou perde calor.

Diagrama VT: 1 em (T₁,V₁), 2 em (T₂,V₂), 3 em (T₁,V₂); 1→2 passa pela origem prolongada.

Resposta TEF: a) Expansão isobárica, resfriamento isocórico e compressão isotérmica no plano PV. b) Recebe calor em 1→2; perde em 2→3 e 3→1.

Resolução comentada · Método TEF

No trecho 1→2, V/T é constante, pois a reta passa pela origem: trata-se de expansão isobárica. No trecho 2→3, V é constante e T diminui: resfriamento isocórico. No trecho 3→1, T = T₁: compressão isotérmica.

No plano PV, 1→2 é uma horizontal para a direita; 2→3 é uma vertical para baixo; 3→1 é uma hipérbole que sobe para a esquerda.

$$P_1=P_2=\frac{NRT_1}{V_1}=\frac{NRT_2}{V_2}$$

$$P_3=\frac{NRT_1}{V_2}

Na expansão isobárica o gás recebe calor (ΔU > 0 e W > 0). No resfriamento isocórico perde calor (W = 0, ΔU < 0). Na compressão isotérmica de gás ideal perde calor (ΔU = 0 e W < 0, logo Q < 0).

Ciclo no plano PV: expansão isobárica, resfriamento isocórico e retorno isotérmico. Esboço sem escala.
Ciclo no plano PV: expansão isobárica, resfriamento isocórico e retorno isotérmico. Esboço sem escala.
Q17
Lente e ampliação fotográfica — Altura real do goleiro

Um fotógrafo, postado atrás de uma das traves em uma partida de futebol, fotografa uma jogada que se passa no outro lado do campo, a uma distância de 120 m. Sua máquina possui uma teleobjetiva de distância focal igual a 200 mm e um filme que forma imagens de 24 mm X 36 mm. O filme é revelado e impresso em papel de 20 cm X 30 cm. Se na foto impressa a altura do goleiro é de 2,5 cm, qual é sua altura real?

Resposta TEF: Aproximadamente 1,80 m.

Resolução comentada · Método TEF

A ampliação na impressão é 20 cm/24 mm = 200/24 = 25/3. Assim, a imagem no filme tem altura:

$$h_f=\frac{2{,}5}{25/3}=0{,}30\ \mathrm{cm}$$

Para a lente, p = 120 m e f = 0,200 m.

$$q=\frac{fp}{p-f}\approx0{,}200334\ \mathrm m$$

$$h_o=h_f\frac pq\approx1{,}797\ \mathrm m$$

Aproximando q ≈ f para objeto distante, obtém-se 1,80 m. A inversão da imagem no filme não altera o módulo da altura pedida.

Q18
Lâminas paralelas — Impossibilidade de reflexão total para raio vindo do ar

Um feixe de luz proveniente do ar (onde o índice de refração n = 1 ) incide com ângulo θ < 90° em uma barra que é composta pela junção de duas lâminas paralelas. Os índices de refração das lâminas são tais que n₂ > n₁ > 1. O feixe pode penetrar na barra tanto pelo ponto A, quanto por B (Fig 11). Considerando as duas situações, o feixe poderá sofrer reflexão interna total na interface entre os meios? E na superfície oposta da barra? Justifique.

Duas lâminas paralelas de índices n₂ > n₁ > 1, com luz entrando pelo ponto A de cima ou B de baixo.

Resposta TEF: Não há reflexão interna total em nenhuma das duas interfaces para o raio que entrou do ar, nas condições dadas.

Resolução comentada · Método TEF

Pelas interfaces paralelas, conserva-se o produto n sen θ medido em relação à normal.

$$n_1\sin\theta_1=n_2\sin\theta_2=\sin\theta_{ar}<1$$

Para reflexão interna total de n₂ para n₁ seria necessário n₂ sen θ₂ > n₁, mas o lado esquerdo é menor que 1 e n₁ > 1. Isso é impossível para o raio incidente descrito. Na saída para o ar, também seria necessário n sen θ > 1, o que não ocorre.

Logo não há reflexão interna total nem na interface interna nem na face oposta, em qualquer sentido de entrada. Podem existir reflexões parciais, que são outro fenômeno.

Q19
Lente divergente e objeto longitudinal — Comprimento da barra
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Uma barra de comprimento L repousa sobre o eixo óptico de uma lente, cuja distância focal é f = −20 cm . Uma das extremidades da barra se encontra a 10 cm da lente, enquanto a distância da imagem da outra extremidade à lente é de 12 cm. Qual é o comprimento L da barra?

Resposta TEF: 20 cm.

Resolução comentada · Método TEF

A lente tem f = −20 cm. Para um objeto real diante de lente divergente, a imagem é virtual, então q = −12 cm.

$$\frac1p=\frac1f-\frac1q=-\frac1{20}+\frac1{12}=\frac1{30}$$

$$p=30\ \mathrm{cm}$$

A outra extremidade do objeto está a 10 cm da lente.

$$L=30-10=20\ \mathrm{cm}$$

Os 12 cm são distância de imagem da extremidade mais distante, não o comprimento da imagem da barra.

Q20
Aberração esférica — Interseção do raio refletido com o eixo

Frequentemente ouvimos que um feixe de luz paralelo converge para o ponto focal de um espelho côncavo. Esta afirmação, contudo, é válida apenas para o caso paraxial, isto é, quando o feixe está muito próximo do eixo óptico. Fora desta condição, o feixe refletido cruza o eixo em pontos que dependem da distância do feixe incidente ao eixo (ou, equivalentemente, do ângulo de incidência sobre o espelho). Isto é chamado de aberração esférica. Para mostrar esta afirmação, suponha um feixe de luz incidente, paralelo ao eixo óptico, e que forma um ângulo θ com a reta que passa pelo centro de curvatura C (veja figura 12). Aplicando a lei da reflexão, determine a distância de C ao ponto em que o raio refletido cruza o eixo óptico, em função do raio R e de θ . Calcule este valor para θ = 60° e θ = 30°

Raio paralelo ao eixo incide no espelho esférico sob ângulo θ com o raio de curvatura R desde C.

Resposta TEF: CI = R/(2 cos θ); para 60°: R; para 30°: R/√3.

Resolução comentada · Método TEF

No triângulo entre o centro C, o ponto de reflexão e a interseção I com o eixo, os ângulos em C e na superfície são θ. Pela geometria ou pela lei dos senos:

$$CI=\frac{R\sin\theta}{\sin2\theta}=\frac{R}{2\cos\theta}$$

$$CI(60^\circ)=R$$

$$CI(30^\circ)=\frac R{\sqrt3}$$

No limite paraxial θ → 0, CI → R/2. O ponto I muda com o ângulo de incidência, mostrando por que raios afastados do eixo não convergem todos no mesmo foco. A expressão é o segmento contado desde C, como pede o enunciado.

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