PROSEF 2017.2 — Processo Seletivo Formativo · 1ª Fase · Conhecimentos Gerais Contemporâneos · Física Q28, Q29, Q30, Q31, Q33 e Q34.
Gabarito definitivo (Tipo 1): Q28 C · Q29 D · Q30 E · Q31 D · Q33 E · Q34 A, conforme divulgado pela Bahiana. A banca publicou três tipos de caderno (Tipos 1, 2 e 3), com as alternativas em ordem diferente; os gabaritos acima correspondem ao tipo cuja ordem das alternativas coincide com esta página. Questão anulada: a Q32 (ultrassom), de Física, foi anulada pela banca e por isso não consta desta página.
Q28
Mecânica — Gravitação — Satélite em Órbita Circular
Missões espaciais conduzidas por satélites artificiais podem explorar o ambiente na órbita da Terra, o que permite um número crescente de atividades de pesquisas em diversos ramos da ciência.
Considere-se a Terra esférica com raio $R$ e massa $M$ e um satélite de massa $m$ que se encontra em uma órbita circular de raio $r$ a uma altitude $h$ em relação à superfície terrestre.
Com base nos conhecimentos de Mecânica, sendo $G$ a constante de gravitação universal, pode-se afirmar:
A)A velocidade orbital do satélite é determinada pela expressão $\left(\dfrac{Gm}{R+h}\right)^{\frac12}$.
B)O período de revolução do satélite é determinado pela expressão $2\pi\left(\dfrac{r}{GM}\right)^{\frac12}$.
C)A energia cinética do satélite em órbita é determinada pela expressão $\dfrac{GMm}{2r}$.
D)Os objetos abandonados no interior do satélite flutuam porque se encontram fora do campo gravitacional da Terra.
E)A energia potencial gravitacional do satélite, adotando-se como referencial o infinito, é diretamente proporcional à altitude.
Gabarito:
C
Resolução
Base. A força gravitacional é a resultante centrípeta: $\dfrac{GMm}{r^2}=\dfrac{mv^2}{r}$, com $r=R+h$.
Velocidade. $v=\left(\dfrac{GM}{r}\right)^{\frac12}$; ela depende da massa $M$ da Terra, e não da massa $m$ do satélite, como diz a primeira afirmação.
Período. $T=\dfrac{2\pi r}{v}=2\pi\left(\dfrac{r^3}{GM}\right)^{\frac12}$; a expressão da afirmação omite o expoente 3 de $r$.
Energia cinética. $E_c=\dfrac{mv^2}{2}=\dfrac{m}{2}\cdot\dfrac{GM}{r}=\dfrac{GMm}{2r}$.
Objetos flutuando. O satélite e os objetos estão sob ação da gravidade da Terra e em queda livre ao redor dela; a flutuação é a ausência de peso aparente, e não ausência de campo gravitacional.
Energia potencial. Com referencial no infinito, $E_p=-\dfrac{GMm}{r}$, que é inversamente proporcional a $r=R+h$ (e negativa), e não diretamente proporcional à altitude.
Q29
Termologia — Propagação do Calor — Condução em Regime Estacionário e Mudanças de Estado
Uma barra de cobre com $5{,}0\text{ cm}^2$ de área de secção transversal e $100{,}0\text{ cm}$ de comprimento tem uma das suas extremidades em contato com gelo em fusão e a outra em contato com vapor de água em ebulição sob pressão normal, conforme o esboço da figura.
Sendo o coeficiente de condutibilidade térmica do cobre igual a $0{,}92\text{ cal/s}\cdot\text{cm}\cdot^\circ\text{C}$, o calor latente de fusão do gelo igual a $80\text{ cal/g}$ e o calor latente de vaporização da água igual a $540\text{ cal/g}$, e desprezando as perdas de calor pela superfície lateral da barra, com base nos conhecimentos de Termologia, sobre a condução do calor em regime estacionário pode-se afirmar:
A)O fluxo de calor através da barra é igual a $6{,}4\text{ cal/s}$.
B)A quantidade de calor cedido pelo vapor em $40$ minutos é de, aproximadamente, $1{,}1\cdot10^{3}\text{ cal}$.
C)A massa de gelo que se funde em $40$ minutos é de, aproximadamente, $169\text{ g}$.
D)A massa de vapor de água que se condensa no intervalo de $40$ minutos é de, aproximadamente, $20{,}0\text{ g}$.
E)A temperatura em uma secção da barra situada a $80{,}0\text{ cm}$ da extremidade quente é de, aproximadamente, $25^\circ\text{C}$.
Gabarito:
D
Resolução
Fluxo de calor (lei de Fourier). $\Phi=\dfrac{kA\,\Delta\theta}{L}=\dfrac{0{,}92\cdot5{,}0\cdot(100-0)}{100{,}0}=4{,}6\text{ cal/s}$, e não $6{,}4\text{ cal/s}$.
Calor em 40 min. $40\text{ min}=2400\text{ s}$: $Q=\Phi\,\Delta t=4{,}6\cdot2400=1{,}1\cdot10^{4}\text{ cal}$, uma potência de dez acima da indicada ($10^3$).
Gelo fundido. $m=\dfrac{Q}{L_f}=\dfrac{1{,}1\cdot10^{4}}{80}\approx138\text{ g}$, e não $169\text{ g}$.
Temperatura na barra. No regime estacionário a temperatura varia linearmente: $\dfrac{100-0}{100\text{ cm}}=1{,}0\,^\circ\text{C/cm}$. A $80{,}0\text{ cm}$ da extremidade quente, $\theta=100-80{,}0\cdot1{,}0=20\,^\circ\text{C}$, e não $25\,^\circ\text{C}$.
Q30
Óptica — Instrumentos Ópticos — Telescópios Refratores de Galileu e de Kepler
A NASA anunciou a descoberta de um sistema composto por sete planetas de tamanhos semelhantes ao da Terra, sendo que três deles ficam na chamada zona habitável, onde podem existir condições favoráveis à formação de vida. Essa descoberta foi feita com o uso do telescópio espacial Spitzer que tem o mesmo princípio de funcionamento do telescópio de Galileu, construído entre 1609–1610, e modificado por Johannes Kepler, em 1611, substituindo a lente ocular por uma lente biconvexa, conforme os esquemas simplificados da figura.
[A questão traz os esquemas do refrator galileano (objetiva convergente e ocular divergente) e do refrator kepleriano (objetiva e ocular convergentes), com a pupila de saída. Fonte: <http://astro.if.ufrgs.br/telesc/node2.htm>. Acesso em: mar. 2017.]
Com base nos conhecimentos de Física sobre o comportamento das lentes esféricas, utilizadas nos telescópios, pode-se afirmar:
A)A lente ocular do telescópio de Galileu tem a mesma função de uma lupa.
B)O telescópio galileano é construído de forma que os focos das lentes esféricas fiquem sempre superpostos.
C)A lente objetiva do telescópio de Galileu conjuga uma imagem virtual, ampliada e direita de um objeto distante.
D)A imagem de um objeto distante conjugada pela lente objetiva do telescópio kepleriano se forma no foco principal objeto da lente ocular.
E)A magnificação ou melhoria da imagem conjugada pelo telescópio kepleriano se deve ao posicionamento da imagem conjugada pela lente objetiva entre o foco principal objeto e o centro óptico da lente ocular.
Gabarito:
E
Resolução
Ocular de Galileu. A ocular do telescópio de Galileu é divergente; a lupa é uma lente convergente. Logo, não têm a mesma função.
Focos superpostos. Os focos coincidem apenas em uma regulagem particular (ajuste afocal); a distância entre as lentes pode ser alterada para focalizar objetos a diferentes distâncias, de modo que “sempre” é incorreto.
Objetiva de Galileu. A objetiva, convergente, conjuga a um objeto distante uma imagem real, invertida e menor, situada perto do seu foco; a imagem final, vista através da ocular divergente, é direita.
Imagem no foco da ocular. A imagem de um objeto distante forma-se no foco da objetiva. No telescópio kepleriano ela só fica sobre o foco objeto da ocular no ajuste particular em que a imagem final se forma no infinito; no caso geral, ela fica entre o foco objeto e o centro óptico da ocular.
Magnificação no telescópio de Kepler. A ocular funciona como lupa para a imagem real fornecida pela objetiva: para que a ocular conjugue uma imagem virtual e ampliada, essa imagem deve estar entre o foco principal objeto e o centro óptico da ocular, que é o que a afirmação descreve.
Q31
Óptica — Refração e Reflexão Total — Fibra Óptica e Cone de Captação
A fibra óptica, muito utilizada na medicina e nas telecomunicações, possibilita transporte da luz ou de outra radiação eletromagnética por meio do seu confinamento, decorrente da reflexão total dessas radiações entre o núcleo e a casca da fibra óptica.
Disponível em: <https://talteq.wordpress.com/principio-de-funcionamento-e-tipos-de-fibra-optica/>. Acesso em: mar. 2017. (Figura redesenhada de forma esquemática.)
Considerando-se a figura e sabendo-se que o índice de refração do ar é igual a $1{,}0$, que o índice de refração do núcleo da fibra óptica é igual a $1{,}50$, que o índice de refração da casca da fibra óptica é igual a $1{,}30$, e sendo $\text{sen}\,49^\circ=0{,}75$ e $\text{sen}\,60^\circ=0{,}87$, é correto afirmar, com base nos conhecimentos de Física, que
A)o ângulo do cone de captação é igual a $30^\circ$.
B)os raios de luz se propagam no núcleo da fibra óptica com velocidade igual à da luz no ar.
C)os raios de luz que se refratam do núcleo da fibra óptica para o ar apresentam o ângulo de refração na interface ar-núcleo menor que $30^\circ$.
D)os raios de luz que incidem na interface ar-núcleo da fibra óptica com ângulo $\leq49^\circ$ em relação à normal serão confinados no núcleo dessa fibra óptica.
E)a luz injetada no núcleo da fibra óptica que segue seu caminho devido à reflexão interna total depende, exclusivamente, da diferença entre o índice de refração do núcleo da fibra óptica e o da casca da fibra óptica.
Gabarito:
D
Resolução
Ângulo limite núcleo–casca. $\text{sen}\,\theta_L=\dfrac{n_{casca}}{n_{núcleo}}=\dfrac{1{,}30}{1{,}50}\approx0{,}87\Rightarrow\theta_L=60^\circ$. Há reflexão total se o raio incide na interface núcleo–casca com ângulo $\geq60^\circ$ em relação à normal, isto é, se forma com o eixo da fibra um ângulo $\leq30^\circ$ dentro do núcleo.
Entrada na fibra. Na face de entrada (ar–núcleo): $1{,}0\cdot\text{sen}\,\theta_{ar}=1{,}50\cdot\text{sen}\,30^\circ=0{,}75\Rightarrow\theta_{ar}=49^\circ$. Assim, os raios que incidem com ângulo $\leq49^\circ$ em relação à normal ficam confinados.
Cone de captação. O semiângulo do cone é $49^\circ$ (cone total de $98^\circ$), e não $30^\circ$ ($30^\circ$ é o ângulo máximo dentro do núcleo, em relação ao eixo).
Velocidade. No núcleo $v=\dfrac{c}{n}=\dfrac{c}{1{,}50}$, menor que a velocidade da luz no ar ($\approx c$).
Refração núcleo–ar. O valor de $30^\circ$ é o ângulo limite no interior do núcleo; ao sair para o ar, o ângulo correspondente é de $49^\circ$ ($\text{sen}\,\theta=1{,}50\cdot0{,}50=0{,}75$), e não menor que $30^\circ$.
Dependência da reflexão total. Além da diferença (razão) entre os índices de refração do núcleo e da casca, a reflexão total depende do ângulo de incidência na interface; por isso, só os raios dentro do cone de captação ficam confinados.
Q33
Eletricidade — Campo Elétrico Uniforme — Filtro Eletrostático
A Organização Mundial da Saúde alerta que um quarto de todas as mortes no mundo de crianças com menos de 5 anos de idade se deve a ambientes insalubres ou poluídos. Os órgãos e o sistema imunológico em desenvolvimento são vulneráveis ao ar contaminado que pode ser despoluído com a utilização de filtros eletrostáticos, cujo princípio de funcionamento está representado na figura a seguir.
Considere que partículas poluentes com massa de $4{,}0\cdot10^{-13}\text{ g}$ e carga de $6{,}4\cdot10^{-19}\text{ C}$ são lançadas com velocidade de $0{,}80\text{ m/s}$, horizontalmente, no interior do filtro, ficando retidas, na sua maioria, em uma das placas, evitando, assim, que sejam liberadas para a atmosfera.
Desprezando-se os efeitos das bordas, a ação da gravidade, as forças de atrito e sabendo-se que a ddp entre as placas é de $60\text{ V}$, é correto afirmar, com base nos conhecimentos de eletricidade, que a partícula P
A)desloca-se entre as placas com velocidade constante.
B)percorre a região entre as placas no intervalo de $0{,}75$ segundos.
C)está sob a ação de um campo elétrico de módulo igual a $500{,}0\text{ N/C}$.
D)atinge a placa negativa no intervalo de tempo de aproximadamente $0{,}02$ segundos.
E)fica submetida a uma aceleração vertical descendente de módulo igual a $9{,}6\text{ m/s}^2$.
Gabarito:
E
Resolução
Campo. $E=\dfrac{U}{d}=\dfrac{60}{1{,}0\cdot10^{-2}}=6{,}0\cdot10^{3}\text{ N/C}$, e não $500{,}0\text{ N/C}$.
Aceleração. A força elétrica $F=qE$ aponta para a placa negativa (carga positiva), e $m=4{,}0\cdot10^{-13}\text{ g}=4{,}0\cdot10^{-16}\text{ kg}$: $a=\dfrac{qE}{m}=\dfrac{6{,}4\cdot10^{-19}\cdot6{,}0\cdot10^{3}}{4{,}0\cdot10^{-16}}=9{,}6\text{ m/s}^2$, vertical e descendente.
Velocidade. A velocidade não é constante: há aceleração vertical, de modo que a trajetória é parabólica.
Tempo até a placa negativa. Na vertical, $d_1=\dfrac12at^2\Rightarrow t=\sqrt{\dfrac{2\cdot5{,}0\cdot10^{-3}}{9{,}6}}\approx3{,}2\cdot10^{-2}\text{ s}$, e não $0{,}02\text{ s}$.
Tempo de percurso. Se a partícula atravessasse todo o filtro, levaria $\dfrac{0{,}6}{0{,}80}=0{,}75\text{ s}$; porém ela atinge a placa em $\approx0{,}03\text{ s}$, antes de percorrer todo o comprimento ($0{,}8\cdot0{,}032\approx2{,}6\text{ cm}$), e fica retida.
Q34
Eletromagnetismo — Força Magnética sobre Carga e Eletrostática — Nanocristais de Celulose
O declínio da indústria de papel, associado a progressos em tecnologia de materiais, colocou em cena um novo ator que tem despertado interesse empresarial: a nanocelulose. A celulose em escala nanométrica pode ter formato de nanofibrilas ou nanocristais. As primeiras têm a forma de espaguete e são facilmente entrelaçáveis, destinadas preferencialmente ao reforço de embalagens plásticas. Já os nanocristais de celulose, que medem de 5 a $20\text{ nm}$ de largura e de 100 a $500\text{ nm}$ de comprimento, têm a aparência de arroz e são considerados um material mais nobre porque podem ter carga elétrica na superfície e propriedades químicas, ópticas e eletrônicas.
Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.br>. Acesso em: mar. 2017.
Com base nessa informação e nos conhecimentos de Física, desprezando-se os efeitos gravitacionais, é correto afirmar:
A)Os nanocristais de celulose quando eletrizados e lançados na região de um campo magnético uniforme, perpendicularmente às linhas de indução, descrevem movimento circular uniforme sob a ação da força magnética.
B)As cargas elétricas em equilíbrio eletrostático na superfície de nanocristais de celuloses transformam esses nanocristais em ímãs temporários.
C)Os nanocristais de celulose podem ser considerados como capacitores porque armazenam cargas elétricas na sua superfície.
D)A área máxima de um dos lados dos monocristais de celulose é da ordem de $10\,\mu\text{m}^2$.
E)O potencial elétrico no interior de nanocristais de celulose eletrizados é nulo.
Gabarito:
A
Resolução
Carga em campo magnético. Com $\vec v\perp\vec B$, a força magnética tem módulo constante $F=qvB$ e é perpendicular à velocidade: ela é a resultante centrípeta, e o movimento é circular uniforme (raio $R=\dfrac{mv}{qB}$).
Ímãs. Cargas em repouso (equilíbrio eletrostático) não produzem campo magnético; não há magnetização.
Capacitor. Um capacitor é um sistema de dois condutores (armaduras) separados por um isolante; um corpo eletrizado, isolado, não é um capacitor só por armazenar cargas.
Área. A maior face tem $20\text{ nm}\times500\text{ nm}=1{,}0\cdot10^{4}\text{ nm}^2=1{,}0\cdot10^{-2}\,\mu\text{m}^2$, muito menor que $10\,\mu\text{m}^2$.
Potencial. No equilíbrio eletrostático, o campo elétrico no interior de um condutor é nulo, mas o potencial elétrico é constante e igual ao da superfície, e não nulo.