UECE Transferências 2015 | Ciências · Física — Questões comentadas — Método TEF

Seleção realizada em 30/08/2015 · Caderno Ciências — Gabarito 1 · Física: questões oficiais 21–30.

Dados da prova

Exame de Seleção para Mudança de Curso, Transferência Facultativa Interna, Transferência Facultativa Externa e Ingresso como Graduado — UECE 2015. A prova de conhecimentos gerais do caderno Ciências reúne 50 questões (Língua Portuguesa: 10; Matemática: 10; Ciências: 30). Neste acervo, apresentamos exclusivamente as 10 questões de Física (21 a 30).

Gabarito oficial definitivo da CEV, divulgado em 04/09/2015. Nesta edição, a Física ocupa as questões 21 a 30 do caderno de Ciências. Nenhuma questão de Física foi anulada ou alterada. Na questão 24, o gabarito oficial corresponde à hipótese de vazão constante no esvaziamento; a resolução mostra esse resultado e também o obtido com a lei de Torricelli.

Q21
Eletricidade — Eletrostática — Linhas de campo de cargas de módulos diferentes

Sempre que necessário, utilize a aceleração da gravidade $g={10}\text{ m/s}^{2}$.

Duas cargas pontuais possuem valores ${+6}$ e $-{2}$ (dados em micro coulombs). Elas estão fixas e próximas uma da outra de modo que possam interagir.

Quadro com cinco figuras, de I a V, de linhas de campo elétrico para duas cargas, +6 e −2, em diferentes representações.

A partir do quadro acima, pode-se afirmar que as linhas de campo elétrico que descrevem de maneira qualitativamente correta a interação entre as cargas estão representadas

A)nas figuras I e II.
B)na figura III.
C)nas figuras II e V.
D)na figura IV.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

D
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Regras de desenho das linhas de campo: (i) saem das cargas positivas e chegam às negativas; (ii) o número de linhas associado a cada carga é proporcional ao seu módulo; (iii) as linhas não se cruzam.

1. Com ${+6}\ \mu\text{C}$ e $-{2}\ \mu\text{C}$, a carga positiva tem o triplo do módulo. Para cada ${3}$ linhas que saem de ${+6}$, apenas ${1}$ pode chegar em $-{2}$; as outras ${2}$ se afastam e seguem para o infinito.

2. Figura I: todas as linhas que saem de ${+6}$ terminam em $-{2}$. Isso só ocorreria se as cargas tivessem módulos iguais.

3. Figura II: aparece uma seta saindo da carga negativa, para a direita. Linhas de campo não saem de cargas negativas, e sim chegam a elas.

4. Figura III: as linhas radiais de cada carga são desenhadas como se a outra não existisse, com só um segmento entre as cargas. Isso não mostra a interação entre elas.

5. Figura V: as setas apontam de $-{2}$ para ${+6}$, o sentido contrário ao do campo elétrico.

6. Figura IV: parte das linhas que saem de ${+6}$ chega em $-{2}$ e outra parte, em maior número, se afasta para o exterior, com as setas apontando para fora de ${+6}$. Essa distribuição respeita a proporção entre as cargas.

Checagem física: Em um ponto muito distante, o sistema se comporta como uma carga líquida de ${+4}\ \mu\text{C}$, e o campo é de uma carga positiva: linhas saindo, que é o que se vê no exterior da figura IV.

Cuidado, armadilha! Escolher a figura mais "bonita" e simétrica (I ou V). A simetria só vale para cargas de módulos iguais.

Q22
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistores em paralelo: casos limite

São colocados três resistores em paralelo, como mostra a figura abaixo.

Três resistores ligados em paralelo entre os pontos p e q.

Considerando-se que as duas resistências de mesmo padrão de linhas são iguais e têm o valor $R$, e a terceira resistência tem valor $X$ (dados em Ohms), pode-se afirmar corretamente que a resistência equivalente entre os pontos p e q é, aproximadamente,

A)R/2, quando X é muito maior que R.
B)2R, quando X é muito menor que R.
C)X, quando X é muito maior que R.
D)R, quando X é muito menor que R.

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A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Em paralelo, somam-se os inversos: $\dfrac{1}{R_{eq}}=\dfrac{1}{R}+\dfrac{1}{R}+\dfrac{1}{X}=\dfrac{{2}}{R}+\dfrac{1}{X}$.

1. Se $X\gg R$, então $\dfrac{1}{X}\ll\dfrac{{2}}{R}$ e o termo de $X$ pode ser desprezado: $\dfrac{1}{R_{eq}}\approx\dfrac{{2}}{R}$, ou seja, $R_{eq}\approx\dfrac{R}{{2}}$. O ramo de $X$ quase não conduz corrente.

2. Se $X\ll R$, então $\dfrac{1}{X}\gg\dfrac{{2}}{R}$ e $\dfrac{1}{R_{eq}}\approx\dfrac{1}{X}$, ou seja, $R_{eq}\approx X$. O ramo de $X$ é quase um curto-circuito e domina.

3. A resistência equivalente nunca pode ser maior que a menor resistência do conjunto. Por isso nem ${2R}$ nem $R$ servem como resposta no caso de $X$ muito menor que $R$.

Checagem física: Com $R={100}\text{ }\Omega$ e $X={10000}\text{ }\Omega$, $R_{eq}=\dfrac{{1}}{{0{,}02}+{0{,}0001}}\approx{49{,}8}\text{ }\Omega$, bem perto de $R/{2}={50}\text{ }\Omega$.

Cuidado, armadilha! Pensar que associar resistores em paralelo aumenta a resistência. Cada ramo adicional oferece um caminho a mais e diminui a resistência equivalente.

Q23
Mecânica — Dinâmica — Três blocos ligados por fio e força de contato

Três blocos são dispostos como mostra a figura abaixo; a superfície e a roldana são ideais, ou seja, com atrito e massa desprezíveis.

Blocos A e B apoiados em uma mesa horizontal, com um fio ligando A, por cima de B, a uma roldana na quina da mesa e a um bloco C pendurado.

O conjunto é largado para se mover. Sabendo-se que suas massas são $m_{A}={6}\text{ kg}$, $m_{B}={4}\text{ kg}$ e $m_{C}={10}\text{ kg}$, pode-se afirmar corretamente que a força (dada em newtons) entre os blocos A e B e a aceleração (dada em $\text{m/s}^{2}$) do conjunto são, respectivamente,

A)${10}$ e ${0}$.
B)${20}$ e ${5}$.
C)${10}$ e ${5}$.
D)${12}$ e ${10}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Sem atrito, a única força motora é o peso de C, $m_{C}\,g$. O fio liga A a C (passando por cima de B) e B é empurrado por A. Todos têm a mesma aceleração $a$ em módulo.

1. Conjunto A + B + C: $m_{C}\,g=(m_{A}+m_{B}+m_{C})\,a$, ou seja, ${10}\cdot{10}={20}\,a$, o que dá $a={5}\text{ m/s}^{2}$.

2. Bloco B: a única força horizontal sobre ele é o empurrão de A, $F_{AB}=m_{B}\,a={4}\cdot{5}={20}\text{ N}$.

Checagem física: Para o bloco A, a tração do fio $T$ e a reação de B dão $T-F_{AB}=m_{A}\,a$, com $T=m_{C}(g-a)={10}\cdot{5}={50}\text{ N}$. Então $T-F_{AB}={50}-{20}={30}\text{ N}={6}\cdot{5}$, como esperado.

Cuidado, armadilha! Usar a aceleração $g$, como se C estivesse em queda livre. Como C arrasta ${20}\text{ kg}$ no total, a aceleração é só $\dfrac{1}{{2}}g$.

Q24
Mecânica — Hidrodinâmica — Tempo de esvaziamento de recipiente por orifício

A figura abaixo mostra um recipiente de ${50}\text{ cm}$ de altura, contendo água.

Recipiente cilíndrico transparente com régua graduada, contendo água, apoiado sobre uma superfície plana.

O recipiente, quando cheio, demora ${60}$ min para esvaziar completamente através de um furo que não aparece na figura. Se o recipiente está inicialmente cheio, pode-se afirmar corretamente que o tempo para que a altura da coluna de água desça até atingir ${10}\text{ cm}$, em minutos, é

A)${10}$.
B)${25}$.
C)${34}$.
D)${48}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

D
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: O recipiente tem seção constante, então a altura da água é proporcional ao volume. O tempo de descida depende de como a vazão do furo varia durante o esvaziamento, e o enunciado não diz isso explicitamente. Há dois modelos.

1. Vazão constante (modelo que leva ao gabarito oficial). A altura cai ${50}\text{ cm}$ em ${60}\text{ min}$, ou seja, ${1{,}2}\text{ min}$ por centímetro. De ${50}$ para ${10}\text{ cm}$ são ${40}\text{ cm}$, e $t={40}\cdot{1{,}2}={48}\text{ min}$.

2. Lei de Torricelli (modelo físico). A velocidade de saída é $v=\sqrt{{2}gh}$, e a altura varia com $\dfrac{dh}{dt}=-k\sqrt{h}$. Isso dá $\sqrt{h}$ decrescendo linearmente: $\sqrt{h(t)}=\sqrt{h_{0}}\left(1-\dfrac{t}{T}\right)$, com $T={60}\text{ min}$.

3. Para $h={10}\text{ cm}$ e $h_{0}={50}\text{ cm}$: $\sqrt{\dfrac{{10}}{{50}}}\approx{0{,}447}$, então $t=T\,(1-{0{,}447})\approx{33}\text{ min}$.

Observação sobre o gabarito: O gabarito oficial definitivo da CEV corresponde ao modelo de vazão constante (${48}\text{ min}$), e esta página reproduz o gabarito oficial. A lei de Torricelli, que é o comportamento real de um furo em um recipiente aberto, dá cerca de ${33}\text{ min}$, valor que se aproxima de ${34}\text{ min}$ entre as opções.

Checagem física: No modelo real, a vazão cai conforme o nível baixa, então os primeiros ${40}\text{ cm}$ de descida são os mais rápidos. Eles consomem menos que $\tfrac{4}{5}$ do tempo total de ${60}\text{ min}$, e por isso o resultado (${33}\text{ min}$) é menor que ${48}\text{ min}$.

Cuidado, armadilha! Aplicar uma regra de três direta entre altura e tempo sem perguntar se a vazão é constante. Em um furo aberto, ela não é.

Q25
Mecânica — Energia — Dissipação de energia na descida de uma encosta

Pai e filho, de massa total ${100}\text{ kg}$, deslizam de uma encosta, partindo do repouso, de uma altura de ${200}\text{ m}$. Sabendo-se que sua velocidade ao chegar ao fim da encosta é de ${10}\text{ m/s}$, pode-se concluir acertadamente que

Desenho de um carrinho com duas pessoas descendo uma rampa curva.
A)a energia mecânica total se conservou, porque a velocidade final é maior do que a velocidade inicial.
B)a energia cinética atingiu seu valor máximo para o trajeto e, portanto, a energia mecânica foi conservada.
C)houve perda de energia mecânica.
D)a energia potencial diminuiu na mesma proporção que o aumento da energia cinética.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

C
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Parte do repouso, então só há energia potencial no início: $E_{i}=mgh$. No fim da encosta, supondo $h={0}$, só há energia cinética: $E_{f}=\dfrac{1}{{2}}mv^{2}$. Compara-se os dois valores.

1. $E_{i}={100}\cdot{10}\cdot{200}={200\,000}\text{ J}={2}\times{10}^{5}\text{ J}$.

2. $E_{f}=\dfrac{1}{{2}}\cdot{100}\cdot{10}^{2}={5000}\text{ J}={5}\times{10}^{3}\text{ J}$.

3. A energia final é bem menor que a inicial. A diferença, ${195\,000}\text{ J}$ (cerca de ${97{,}5}\%$), foi dissipada por atrito e arrasto. A energia potencial perdida (${200\,000}\text{ J}$) e o ganho de energia cinética (${5000}\text{ J}$) não são iguais.

Checagem física: Se não houvesse dissipação, a velocidade final seria $\sqrt{{2}gh}=\sqrt{{2}\cdot{10}\cdot{200}}\approx{63}\text{ m/s}$, muito acima dos ${10}\text{ m/s}$ informados.

Cuidado, armadilha! Concluir que, por a velocidade ter aumentado, a energia se conservou. A velocidade aumentou, mas bem menos do que aumentaria sem dissipação.

Q26
Mecânica — Energia — Pêndulo com pino: velocidades nos pontos baixo e alto

Uma bola está presa a um fio fixo de comprimento $L={180}\text{ cm}$, como mostra a figura abaixo.

Esfera presa a um fio de comprimento L, solta da posição horizontal. Um pino P no prumo do ponto de fixação, à distância x do ponto de fixação, faz o fio descrever uma trajetória menor.

A bola é então solta e descreve a trajetória pontilhada maior. Quando o fio toca o ponto pino P, que está à distância $x={130}\text{ cm}$ de onde está preso o fio, este descreve uma trajetória pontilhada menor. Podemos afirmar corretamente que as velocidades da bola no ponto mais baixo da primeira trajetória e no ponto mais alto da segunda são, em m/s, respectivamente,

A)${16}$ e ${12}$.
B)${6}$ e ${4}$.
C)${4}$ e ${8}$.
D)${8}$ e ${10}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Sem dissipação, a energia mecânica se conserva. A bola é solta da horizontal, desce $L$ até o ponto mais baixo e, depois, o fio se prende em P e ela sobe pelo círculo menor de raio $r=L-x$.

1. Ponto mais baixo: $\dfrac{1}{{2}}v_{1}^{2}=g\,L$, então $v_{1}=\sqrt{{2}gL}=\sqrt{{2}\cdot{10}\cdot{1{,}8}}=\sqrt{{36}}={6}\text{ m/s}$.

2. Raio do círculo menor: $r=L-x={180}-{130}={50}\text{ cm}={0{,}5}\text{ m}$. O topo desse círculo está a ${2r}={1{,}0}\text{ m}$ acima do ponto mais baixo.

3. Velocidade no topo: $v_{2}^{2}=v_{1}^{2}-{2}g\,(2r)={36}-{2}\cdot{10}\cdot{1{,}0}={16}$, então $v_{2}={4}\text{ m/s}$.

Checagem física: Para o fio permanecer esticado no topo, é preciso $v_{2}^{2}\ge g\,r={5}\text{ m}^{2}/\text{s}^{2}$. Como ${16}>{5}$, a bola completa a volta.

Cuidado, armadilha! Usar $r=x={130}\text{ cm}$ para o círculo menor, ou subir apenas $r$ em vez de ${2r}$. O raio é a parte do fio que sobra depois do pino.

Q27
Eletricidade — Eletrostática — Indução e aterramento de condutor

Uma carga positiva é colocada bem perto de um condutor isolado descarregado. Aterra-se o condutor enquanto se mantém a carga próxima. Sendo assim, pode-se afirmar corretamente que o condutor ficará carregado

A)negativamente se se afastar a carga positiva e depois remover o aterramento.
B)positivamente se se remover o aterramento e depois se afastar a carga positiva.
C)negativamente se se remover o aterramento e depois se afastar a carga positiva.
D)positivamente se se remover o aterramento e depois se afastar a carga negativa.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

C
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: A carga positiva atrai os elétrons livres do condutor. Com o condutor aterrado, a Terra, que é um reservatório de cargas, fornece elétrons ao condutor, que ficaria com excesso deles enquanto a carga positiva estiver perto.

1. Aproximando a carga positiva e ligando o condutor à Terra, elétrons sobem da Terra para o condutor, atraídos pela carga positiva.

2. Se o aterramento é retirado antes de afastar a carga positiva, o excesso de elétrons fica preso no condutor. Ao afastar a carga positiva, o condutor permanece com carga líquida negativa.

3. Se, ao contrário, a carga positiva é afastada com o aterramento ainda ligado, os elétrons em excesso voltam para a Terra, e o condutor fica neutro.

4. Em nenhuma ordem o condutor fica positivo: a Terra só fornece elétrons que são atraídos pela carga positiva, e não os retira.

Checagem física: A carga final do condutor tem sinal contrário ao da carga indutora, regra geral da eletrização por indução.

Cuidado, armadilha! Inverter a ordem das etapas. O aterramento deve ser desfeito antes de afastar o indutor; caso contrário, a carga induzida escoa de volta.

Q28
Mecânica — Dinâmica — Força sobre a balança durante um salto

Uma pessoa sobe em uma balança e verifica seu próprio peso. A seguir, desce da balança e dá um salto do chão para a mesma. A pessoa observa que a balança conseguiu atingir o valor máximo de três vezes o valor do peso verificado inicialmente, antes de voltar ao valor inicial. Essa mudança aparente no valor do peso da pessoa deveu-se

A)à transferência de quantidade de movimento para a balança.
B)ao princípio da conservação da energia.
C)ao aumento da força gravitacional em decorrência do salto.
D)ao aumento da força peso em decorrência da velocidade adquirida durante o salto.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: A balança indica a força normal $N$ que a pessoa exerce sobre ela. Em repouso, $N=mg$. Ao saltar sobre a balança, a pessoa tem velocidade e precisa ser freada em pouco tempo.

1. Pelo teorema do impulso, $\int(N-mg)\,dt=\Delta p$. Para anular a quantidade de movimento da pessoa em um intervalo curto, $N$ precisa ser muito maior que $mg$. Um pico de ${3}\,mg$ é compatível com isso.

2. Essa força aparece como troca de quantidade de movimento entre a pessoa e a balança: a pessoa empurra a balança, que reage sobre ela.

3. A força gravitacional $mg$ não depende do salto nem da velocidade. Ela continua a mesma. O que muda é a força de contato, que a balança registra como "peso aparente".

4. A conservação de energia não explica o pico de força: ela relaciona alturas e velocidades, mas não diz quanto vale a força em cada instante.

Checagem física: Um pico de ${3}\,mg$ significa aceleração para cima de $\dfrac{N-mg}{m}={2}g$ durante o tempo de contato, o que é típico de um impacto breve.

Cuidado, armadilha! Achar que "o peso aumentou" ao pular. O peso é a força da gravidade, constante; a leitura da balança é a força normal.

Q29
Mecânica — Hidrostática — Iceberg e fração submersa

O iceberg é um grande pedaço de gelo flutuante que tem parte de seu volume submerso. Considerando-se que a água do mar e o gelo têm densidades aproximadas de ${1000}\text{ kg/m}^{3}$ e ${900}\text{ kg/m}^{3}$, respectivamente, é correto afirmar que

A)a parte submersa do iceberg corresponde a ${3}/{4}$ de seu volume total.
B)a parte do iceberg submersa corresponde a ${10}\%$ de seu volume total.
C)o iceberg não afunda completamente porque seu volume não é suficientemente grande em relação à água do mar.
D)o volume deslocado da água do mar corresponde a ${90}\%$ do volume do iceberg.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

D
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Na flutuação, o peso iguala o empuxo: $\rho_{gelo}\,V\,g=\rho_{mar}\,V_{sub}\,g$.

1. Fração submersa: $\dfrac{V_{sub}}{V}=\dfrac{\rho_{gelo}}{\rho_{mar}}=\dfrac{{900}}{{1000}}={0{,}90}={90}\%$.

2. O volume de água deslocado é igual ao volume submerso, então corresponde a ${90}\%$ do volume do iceberg. A parte emersa é os ${10}\%$ restantes.

3. O iceberg flutua porque o gelo é menos denso que a água do mar. O tamanho do iceberg não decide isso: a fração submersa depende só da razão das densidades, e não do volume.

Checagem física: A fração é independente do tamanho: um pequeno cubo de gelo de ${1}\text{ cm}^{3}$ também afunda ${90}\%$ em água de mesma densidade.

Cuidado, armadilha! Confundir a fração submersa (${90}\%$) com a emersa (${10}\%$), ou imaginar que um iceberg maior flutua mais.

Q30
Mecânica — Hidrostática — Pressão e peso do líquido em recipientes diferentes

Considere os três recipientes abaixo, numerados 1, 2 e 3, que contêm água no mesmo nível e possuem a mesma área da base.

Três recipientes de formas diferentes, numerados 1, 2 e 3, com água no mesmo nível: o 1 alarga para cima, o 2 é reto e o 3 estreita para cima.

Sobre o peso do líquido e a pressão exercida pelo líquido, pode-se afirmar corretamente que

A)o peso de cada líquido é a resultante de todas as forças exercidas pelo líquido sobre as paredes de cada recipiente respectivo.
B)a pressão na base do recipiente 1 é maior do que na base dos outros dois.
C)a pressão nas laterais do recipiente 2 é nula.
D)a pressão hidrostática no recipiente 3 deve cair mais rapidamente com a altura, em relação à base, do que nos outros dois.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2015 · Ciências Gabarito 1

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Pela lei de Stevin, a pressão a uma profundidade $h$ é $P=P_{0}+\rho\,g\,h$. Ela depende da profundidade e da densidade, não da forma do recipiente.

1. Pressão na base: os três recipientes têm água no mesmo nível, logo a mesma profundidade. Então a pressão na base é a mesma nos três. Dizer que é maior no recipiente 1 contraria Stevin.

2. Pressão nas laterais: a pressão em cada ponto da parede lateral vale $\rho g h$, com $h$ a profundidade do ponto. Ela não é nula; ela é perpendicular à parede, e só a componente horizontal total se anula por simetria no recipiente 2.

3. Variação com a altura: $\dfrac{dP}{dh}=-\rho\,g$ é igual nos três recipientes, pois o líquido é o mesmo.

4. Equilíbrio do líquido: ele está em repouso, então a soma das forças sobre ele é nula. O peso aponta para baixo e é equilibrado pela resultante das forças que o recipiente exerce sobre o líquido. Pela terceira lei, a resultante das forças que o líquido exerce sobre as paredes e o fundo do recipiente tem módulo igual ao peso do líquido.

Checagem física: No recipiente 1, que alarga para cima, as paredes inclinadas sustentam parte do líquido. No 3, que estreita para cima, as paredes empurram o líquido para baixo. Nos dois casos, o balanço vertical total da força do líquido sobre o recipiente é o peso do líquido.

Cuidado, armadilha! Pensar que mais líquido acima da base significa mais pressão na base. A pressão depende da profundidade, e não do volume.

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