UECE Transferências 2024 | Ciências · Física — Questões comentadas — Método TEF

Seleção realizada em 01/12/2024 · Caderno Ciências — Gabarito 4 · Física: questões oficiais 41–50.

Gabarito definitivo (Comunicado 154/2024) ↗

Dados da prova

Exame de Seleção para Mudança de Curso, Transferência Facultativa Interna, Transferência Facultativa Externa e Ingresso como Graduado — UECE 2024. A prova de conhecimentos gerais do caderno Ciências reúne 50 questões (Língua Portuguesa: 10; Matemática: 10; Ciências: 30). Neste acervo, apresentamos exclusivamente as 10 questões de Física (41 a 50).

Gabarito oficial definitivo: 10/12/2024 (Comunicado 154/2024). Nenhuma questão de Física foi alterada ou anulada. Nas questões 44 e 46, os recursos foram indeferidos e o gabarito preliminar foi mantido.

Q41
Mecânica — Hidrostática — Teorema de Stevin

A implosão do submarino Titan da empresa de turismo OceanGate, durante a expedição aos restos do Titanic, navio naufragado em 1912, chocou o mundo em junho de 2023. É muito provável que um dano na estrutura do casco do submarino Titan tenha feito sucumbir à enorme pressão externa exercida no fundo do mar.

Sabe-se, entretanto, que o Titanic repousa no fundo do Oceano Atlântico a cerca de ${4000}\text{ m}$ abaixo da superfície e que a densidade da água do mar, embora variável ao longo da descida, pode ser aproximada por ${1000}\text{ kg/m}^3$. Além disso, com a aceleração da gravidade local com módulo de ${10}\text{ m/s}^2$ e pressão ao nível do mar de ${1}\text{ atm}$, a pressão hidrostática aproximada no local de naufrágio do Titanic é

Adote: ${1}\text{ atm}\approx{10}^{5}\text{ Pa}$

A)${200}\text{ atm}$.
B)${501}\text{ atm}$.
C)${100}\text{ atm}$.
D)${401}\text{ atm}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

D
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: No fundo do mar, a pressão total é a pressão da atmosfera sobre a superfície mais a pressão da coluna de água acima do ponto. Como o enunciado informa a pressão ao nível do mar, é a pressão total que se procura.

1. Pelo teorema de Stevin, $P=P_0+\rho g h$.

2. A parcela da coluna de água vale $\rho g h={1000}\cdot{10}\cdot{4000}={4}\cdot{10}^{7}\text{ Pa}$.

3. Convertendo com ${1}\text{ atm}\approx{10}^{5}\text{ Pa}$: $\dfrac{{4}\cdot{10}^{7}}{{10}^{5}}={400}\text{ atm}$.

4. Somando a pressão atmosférica de ${1}\text{ atm}$, a pressão total no local é ${401}\text{ atm}$.

Checagem física: A cada ${10}\text{ m}$ de água a pressão aumenta cerca de ${1}\text{ atm}$; para ${4000}\text{ m}$, são cerca de ${400}\text{ atm}$ além da atmosfera.

Cuidado, armadilha! Calcular apenas $\rho g h$ e esquecer a pressão atmosférica na superfície: o resultado ficaria em ${400}\text{ atm}$.

Q42
Mecânica — Cinemática — Movimento uniforme: projétil e som

O tiro esportivo é uma modalidade que exige concentração, técnica e prática. Presente nas olimpíadas de Paris 2024, o tiro esportivo é um dos esportes mais tradicionais dos jogos olímpicos. O atirador diante do alvo e situado a uma distância $D$ deste, percebe que o intervalo de tempo entre o instante em que ele ouve o tiro e o instante em que ele ouve o impacto do projétil com o alvo é $T$. Supondo que a trajetória do projétil, entre o atirador e o alvo, seja retilínea e que o esportista utiliza como arma uma carabina capaz de atirar projéteis a ${80}\%$ da velocidade do som no ar, a expressão que fornece a distância $D$ em termo de $V$ e $T$, onde $V$ representa a velocidade do som no ar, é dada por

A)${4VT}/{9}$.
B)$VT$.
C)${4VT}$.
D)$VT/{6}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Organize uma linha do tempo. O atirador está junto da arma, então ouve o tiro no instante do disparo ($t=0$). O intervalo $T$ termina quando o som do impacto, que sai do alvo, chega de volta ao atirador.

1. O projétil viaja com ${0{,}8}V$ e leva $t_p=\dfrac{D}{{0{,}8}V}=\dfrac{{5}D}{{4}V}$ para chegar ao alvo.

2. O som do impacto volta com velocidade $V$ e leva $t_s=\dfrac{D}{V}$.

3. O intervalo medido é $T=t_p+t_s=\dfrac{{5}D}{{4}V}+\dfrac{D}{V}=\dfrac{{9}D}{{4}V}$.

4. Isolando a distância, $D=\dfrac{{4}VT}{{9}}$.

Checagem física: Se o projétil também fosse à velocidade do som, teríamos $T=\dfrac{{2}D}{V}$, ou seja, $D=\dfrac{VT}{{2}}$. Como o projétil é mais lento, $T$ é maior para a mesma distância, e portanto $D$ deve ser menor que $VT/{2}$: ${4}/{9}<{1}/{2}$.

Cuidado, armadilha! Usar só o tempo do projétil, ou só o do som, esquecendo que o impacto precisa ser ouvido de volta pelo atirador.

Q43
Eletricidade — Eletrostática — Eletrização por contato

Uma carga de prova puntiforme, inicialmente carregada com carga $Q$, é colocada em contato simultâneo com outras $N$ cargas idênticas a ela, inicialmente descarregadas. Após o equilíbrio, a carga de prova, agora com uma nova carga $Q'$, é retirada da presença das $N$ cargas anteriores e colocada em contato, também de forma simultânea, com outras $M$ cargas idênticas a esta, incialmente descarregadas. Sabendo que, após o equilíbrio com as outras $M$ cargas, a carga adquirida pela carga de prova é $Q''$, a razão $Q/Q''$ é dada por

A)$(N+1)(M+1)$.
B)$NM$.
C)$(1/N)+(1/M)$.
D)$NM/{4}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Condutores idênticos postos em contato dividem entre si a carga total igualmente, e a carga total se conserva. Aplique essa ideia em duas etapas, tratando cada "carga" como um corpo condutor.

1. Na primeira etapa, a carga $Q$ se distribui entre a carga de prova e as outras $N$, totalizando $N+1$ corpos idênticos. Cada um fica com $Q'=\dfrac{Q}{N+1}$.

2. Na segunda etapa, a carga de prova, com $Q'$, divide-se com outras $M$ cargas, totalizando $M+1$ corpos: $Q''=\dfrac{Q'}{M+1}$.

3. Substituindo, $Q''=\dfrac{Q}{(N+1)(M+1)}$.

4. Logo, $\dfrac{Q}{Q''}=(N+1)(M+1)$.

Checagem física: Para $N=M={1}$, cada contato divide a carga ao meio duas vezes, e $Q''=Q/{4}$. A expressão dá ${2}\cdot{2}={4}$.

Cuidado, armadilha! Dividir apenas por $N$ e por $M$, esquecendo que a própria carga de prova também participa da divisão em cada contato.

Q44
Mecânica — Dinâmica — Atrito com plano inclinado móvel

Um Plano Inclinado de massa $M$, cujo ângulo de inclinação em relação à horizontal é de ${45}^\circ$, repousa sobre uma superfície horizontal rugosa. De fato, o coeficiente de atrito estático entre o par de superfícies $M$ e superfície horizontal vale $\mu$. Um bloco de massa $m$ é colocado sobre o plano inclinado de massa $M$ e pode deslizar sobre ele. Supondo que seja desprezível o atrito entre $M$ e $m$, o valor mínimo de $\mu$ para que $M$ permaneça em repouso sobre a superfície horizontal enquanto $m$ desliza sobre o plano inclinado é dado por

A)$M/(M+m)$.
B)$M/m$.
C)$m/(m+{2M})$.
D)${2mM}/(M+m)$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

C
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Isole o plano inclinado $M$. Sem atrito entre $m$ e $M$, o bloco troca com o plano apenas a força normal, perpendicular à superfície inclinada. Pela terceira lei, o bloco empurra o plano com essa mesma intensidade.

1. Na direção perpendicular ao plano, o bloco está em equilíbrio: $N=mg\cos{45}^\circ=\dfrac{mg}{{2}}\sqrt{2}$.

2. A força do bloco sobre o plano tem componente horizontal $N\,\mathrm{sen}\,{45}^\circ=\dfrac{mg}{{2}}$, que tende a deslocar $M$, e componente vertical, para baixo, $N\cos{45}^\circ=\dfrac{mg}{{2}}$.

3. No equilíbrio vertical de $M$, a normal do solo vale $N_s=Mg+\dfrac{mg}{{2}}$.

4. No equilíbrio horizontal, o atrito estático equilibra a componente horizontal: $f=\dfrac{mg}{{2}}$, e deve valer $f\le\mu N_s$.

5. O menor $\mu$ ocorre na igualdade: $\mu=\dfrac{mg/{2}}{Mg+mg/{2}}=\dfrac{m}{{2M}+m}$.

Checagem física: Se $M\to{0}$ (plano sem massa), $\mu\to{1}=\tan{45}^\circ$, como esperado para uma cunha que só é sustentada pelo atrito. Se $m\to{0}$, nenhum atrito é necessário: $\mu\to{0}$.

Cuidado, armadilha! Usar $N_s=Mg$, esquecendo que o bloco também empurra o plano para baixo e aumenta a normal do solo.

Q45
Mecânica — Energia — Teorema trabalho-energia em hemisfério

Uma partícula de massa $m$, de dimensões diminutas, partindo do repouso desliza sobre a superfície de um hemisfério sólido de raio $R$ perfeitamente liso. O hemisfério, por sua vez, repousa com sua face plana assentada sobre a superfície horizontal – o solo – e assim permanece. Sabendo que a aceleração da gravidade local tem módulo igual a $g$ e que tomamos como referência o topo do hemisfério e ângulos medidos a partir desse topo, na vertical, é correto afirmar que a expressão que fornece a variação da energia cinética da partícula $m$ em função do ângulo, aqui representado por $\theta$, é dada por

A)${2mgR}(2-\cos\theta)$.
B)$mgR\cos\theta$.
C)$mgR\,\mathrm{sen}\,\theta$.
D)$mgR(1-\cos\theta)$.

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D
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: A superfície é lisa, então a força normal é sempre perpendicular ao deslocamento e não realiza trabalho. Só o peso varia a energia cinética; basta calcular a altura que a partícula desce.

1. No topo ($\theta={0}$), o centro do hemisfério está a uma distância $R$ abaixo da partícula. Depois de girar um ângulo $\theta$ a partir da vertical, a altura da partícula acima da base é $R\cos\theta$.

2. A queda de altura é $h=R-R\cos\theta=R(1-\cos\theta)$.

3. Pelo teorema trabalho-energia, $\Delta E_c=mgh=mgR(1-\cos\theta)$.

Checagem física: Em $\theta={0}$, a variação é nula, pois a partícula ainda está no topo. Em $\theta={90}^\circ$, vale $mgR$, que corresponde à queda de uma altura $R$. A expressão vale enquanto a partícula permanece em contato com o hemisfério.

Cuidado, armadilha! Confundir a referência do ângulo e usar $R\cos\theta$ ou $R\,\mathrm{sen}\,\theta$ como queda de altura.

Q46
Mecânica — Cinemática — Queda livre: último segundo

Um objeto em queda livre, largado do repouso, percorre a metade de seu percurso total no último segundo de queda. Sabendo que a aceleração da gravidade local tem módulo igual a ${10}\text{ m/s}^2$, a velocidade média medida em m/s do objeto para o percurso total de queda é dada, aproximadamente, por

Adote: $\sqrt{2}\approx{14}/{10}$

A)${8}/{3}$.
B)${19}$.
C)${17}$.
D)${5}/{3}$.

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C
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Se a metade do percurso é feita no último segundo, a outra metade foi feita nos $T-1$ segundos anteriores, em que $T$ é o tempo total de queda.

1. A altura total é $H=\dfrac{g\,T^2}{{2}}$ e a primeira metade é $\dfrac{H}{{2}}=\dfrac{g\,(T-1)^2}{{2}}$.

2. Dividindo uma pela outra, $T^2={2}(T-1)^2$, logo $T={\sqrt{2}}(T-1)$ e $T=\dfrac{\sqrt{2}}{\sqrt{2}-1}={2}+\sqrt{2}$.

3. Com $\sqrt{2}\approx{14}/{10}$, $T\approx{3{,}4}\text{ s}$.

4. Na queda livre, a velocidade média é metade da velocidade final: $v_m=\dfrac{g\,T}{{2}}={5}\cdot{3{,}4}={17}\text{ m/s}$.

Checagem física: Com $T={3{,}4}\text{ s}$, $H={5}\cdot{3{,}4}^2\approx{57{,}8}\text{ m}$. Em ${2{,}4}\text{ s}$ o corpo cai ${5}\cdot{2{,}4}^2\approx{28{,}8}\text{ m}$, ou seja, cerca de metade de $H$, como pede o enunciado.

Cuidado, armadilha! Concluir que a queda dura ${2}\text{ s}$. Em queda livre, os espaços percorridos a cada segundo crescem, então a metade final do percurso é percorrida em menos tempo do que a metade inicial.

Q47
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e nível do líquido

Em um tanque com área de seção transversal igual a $S$ e preenchido com líquido de densidade $D$, encontra-se flutuando, com parte de seu volume submerso, um bloco feito em material de densidade $d$ e volume $V$. Nesta configuração, a distância entre o fundo do tanque e a superfície livre do líquido é $H$. Em seguida, e por motivo ignorado, o bloco vai parar no fundo do tanque. Nessa nova configuração, a distância entre o fundo do tanque e a superfície livre do líquido passa a ser $H'$. Diante do exposto aqui descrito e tomando como $R$ a razão entre o volume submerso e o volume $V$ do bloco na primeira configuração, é correto afirmar que $H'$ é

A)menor do que $H$ por um fator $V/S$.
B)maior do que $H$ por um fator $V(1-R)/S$.
C)maior do que $H$ por um fator $VR/S$.
D)maior do que $H$ por um a fator $V/S$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: O volume de líquido no tanque não muda. O nível só varia porque o bloco desloca volumes diferentes nas duas situações.

1. Flutuando, o volume submerso é $RV$. O volume ocupado pelo conjunto até a altura $H$ é $S\,H$, e o volume de líquido é $V_L=S\,H-RV$.

2. No fundo, o bloco está totalmente submerso, com volume $V$. Então $V_L=S\,H'-V$.

3. Igualando, $S\,H-RV=S\,H'-V$, e portanto $H'=H+\dfrac{V(1-R)}{S}$.

4. Como $R<{1}$ (o bloco flutuava com parte fora do líquido), $H'$ é maior que $H$ do valor $\dfrac{V(1-R)}{S}$.

Checagem física: Se $R={1}$, o bloco já estava totalmente submerso e o nível não muda: a expressão dá acréscimo nulo.

Cuidado, armadilha! Usar o volume total $V$ do bloco para calcular a subida do nível, esquecendo que a parte submersa já estava deslocando líquido antes.

Q48
Eletricidade — Eletrostática — Lei de Coulomb e contato

Esferas metálicas idênticas e eletricamente carregadas com cargas positivas $Q$ e ${2Q}$, quando colocadas no vácuo a uma distância $D$ uma da outra, atraem-se com uma força de intensidade $F$. Porém, quando postas em contato e afastadas a uma nova distância ${2D}$, as esferas metálicas se atraem no vácuo com uma força de intensidade $F'$. A razão entre a intensidade da força $F$ na configuração original e a intensidade da força $F'$ na nova configuração é dada por

A)${4}$.
B)${8}/{9}$.
C)${32}/{9}$.
D)${16}/{3}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

C
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Use a lei de Coulomb nas duas configurações. Depois do contato, as esferas idênticas ficam com cargas iguais, e a carga total se conserva.

1. Na configuração original, $F=k\dfrac{Q\cdot{2Q}}{D^2}=\dfrac{{2}kQ^2}{D^2}$.

2. A carga total é ${3Q}$. Após o contato, cada esfera fica com $\dfrac{{3Q}}{{2}}$.

3. Na nova distância ${2D}$, $F'=k\dfrac{({3Q}/{2})^2}{({2D})^2}=\dfrac{{9}kQ^2}{{16}D^2}$.

4. A razão é $\dfrac{F}{F'}=\dfrac{{2}}{{9}/{16}}=\dfrac{{32}}{{9}}$.

Observação: O enunciado original diz que as esferas se atraem depois do contato; como ambas ficam positivas, a força seria de repulsão. Isso não altera a razão pedida, que depende apenas das intensidades.

Checagem física: Só a distância dobrada já reduziria a força a um quarto, o que daria razão ${4}$. Mas o produto das cargas subiu de ${2}Q^2$ para ${2{,}25}Q^2$, fator ${9}/{8}$, o que atenua a queda de $F'$ e reduz a razão a ${4}\cdot{8}/{9}={32}/{9}$.

Cuidado, armadilha! Manter as cargas $Q$ e ${2Q}$ depois do contato e considerar só o efeito da distância, o que daria razão ${4}$.

Q49
Mecânica — Gravitação — Aceleração da gravidade com a altitude

O valor do módulo da aceleração da gravidade $g$, a que um corpo está sujeito em um planeta, independe da massa, tamanho e forma deste corpo e depende tão somente da massa $M$ e do raio $R$ do planeta em questão. Além disso, ao deslocar-se na vertical, um corpo a partir da superfície de um planeta, o módulo da aceleração da gravidade $g$ decresce consideravelmente. Diante do exposto, a altura $h$, medida a partir da superfície, para que $g$ tenha seu valor reduzido em ${36}\%$ de seu valor medido na superfície é

A)$R/{8}$.
B)${2R}/{3}$.
C)${16R}/{9}$.
D)$R/{4}$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

D
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: A aceleração da gravidade depende do inverso do quadrado da distância ao centro do planeta, e não da altura medida a partir da superfície.

1. Na superfície, $g_0=\dfrac{GM}{R^2}$. À altura $h$, $g=\dfrac{GM}{(R+h)^2}$.

2. Uma redução de ${36}\%$ significa $g={0{,}64}\,g_0$.

3. Então $\dfrac{R^2}{(R+h)^2}={0{,}64}={0{,}8}^2$, o que dá $\dfrac{R}{R+h}={0{,}8}$.

4. Portanto $R+h={1{,}25}R$ e $h=\dfrac{R}{{4}}$.

Checagem física: Com $h=R/{4}$, a distância ao centro é ${1{,}25}R$ e $g=g_0/{1{,}25}^2={0{,}64}\,g_0$.

Cuidado, armadilha! Tratar $g$ como inversamente proporcional a $R+h$ (sem o quadrado), o que levaria a uma altura bem diferente.

Q50
Termologia — Termodinâmica — Energia interna em transformação isobárica

Um mol de um gás ideal sofre uma transformação isobárica, passando de um estado inicial $A$ para um estado final $B$. Sabe-se que, no estado inicial $A$, o volume ocupado pelo gás e a temperatura absoluta são $V^*$ e $T^*$ e que no estado final $B$ valem respectivamente ${3V^*}$ e ${3T^*}$. Sabendo que $C$ representa a capacidade térmica do gás a pressão constante e $R$ a constante universal dos gases perfeitos, é correto afirmar que a variação da energia interna sofrida pelo gás entre os dois estados é

A)${2T^*}(C-R)$.
B)${2T^*}(C+R)$.
C)${2CT^*}$.
D)${2T^*}(C-{2R})$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2024 · Ciências Gabarito 4

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Para um gás ideal, a energia interna depende apenas da temperatura. Para 1 mol, $\Delta U=C_v\,\Delta T$, em que $C_v$ é a capacidade térmica a volume constante. O dado do enunciado é $C$, a pressão constante; a relação de Mayer liga as duas.

1. A variação de temperatura é $\Delta T={3T^*}-T^*={2T^*}$.

2. Pela relação de Mayer, para 1 mol, $C-C_v=R$, logo $C_v=C-R$.

3. Então $\Delta U=C_v\,\Delta T=(C-R)\cdot{2T^*}={2T^*}(C-R)$.

Checagem física: Na isobárica, o calor trocado é $Q=C\,\Delta T={2CT^*}$ e o trabalho do gás é $W=P\,\Delta V=R\,\Delta T={2RT^*}$. A primeira lei dá $\Delta U=Q-W={2T^*}(C-R)$, em acordo com o resultado.

Cuidado, armadilha! Igualar $\Delta U$ ao calor $C\,\Delta T$, esquecendo o trabalho realizado pelo gás na expansão a pressão constante.

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