UECE Transferências 2025 | Ciências · Física — Questões comentadas — Método TEF

Seleção realizada em 14/12/2025 · Caderno Ciências — Gabarito 1 · Física: questões oficiais 41–50.

Caderno oficial (CEV/UECE) ↗ · Gabarito definitivo (Comunicado 261/2025) ↗

Dados da prova

Exame de Seleção para Mudança de Curso, Transferência Facultativa Interna, Transferência Facultativa Externa e Ingresso como Graduado — UECE 2025. A prova de conhecimentos gerais do caderno Ciências reúne 50 questões (Língua Portuguesa: 10; Matemática: 10; Ciências: 30). Neste acervo, apresentamos exclusivamente as 10 questões de Física (41 a 50).

Gabarito oficial definitivo: 22/12/2025. A questão 41 foi anulada pela CEV porque nenhuma alternativa corresponde a $vT$. A classificação TEF da questão anulada é informativa e não deve ser considerada nas médias.

Q41
Mecânica — Cinemática — Composição de deslocamentos

Em um campus universitário, um estudante caminha inicialmente em linha reta com velocidade de módulo $v$ durante um intervalo de tempo $T$. Em seguida, ele altera sua direção de movimento de modo que o ângulo entre o vetor velocidade do primeiro trecho e o vetor velocidade do segundo trecho seja de $120^\circ$. Nesse segundo trecho, o estudante mantém-se caminhando em linha reta com velocidade de mesmo módulo $v$ durante um intervalo de tempo igual a $T$. Após completar esses dois trechos, o estudante mede o módulo de seu deslocamento total entre o ponto partida e o ponto de chegada. De acordo com a situação aqui descrita, o módulo deste deslocamento é expresso por

A)$vT/2$.
B)$2vT$.
C)$\sqrt{3}\ vT$.
D)$\sqrt{6}\ vT$.

QUESTÃO ANULADA pela CEV/UECE. No gabarito definitivo, questão 41 = X. Não atribuir alternativa correta.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

ANULADA (X)
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: O deslocamento é grandeza vetorial. Converta cada trecho em um vetor deslocamento e use a lei dos cossenos com o ângulo entre os vetores.

1. Cada trecho dura $T$ e ocorre com rapidez $v$. Portanto, os módulos dos deslocamentos são $d_1=d_2=vT$.

2. Como o ângulo entre os vetores deslocamento é $120^\circ$, o módulo $D$ de sua soma obedece a $D^2=d_1^2+d_2^2+2d_1d_2\cos120^\circ$.

3. $$D^2=(vT)^2+(vT)^2+2(vT)^2(-\tfrac12)=(vT)^2.$$

4. $$D=vT.$$

Checagem física: Se os dois deslocamentos de mesmo módulo fazem $120^\circ$, a resultante também tem módulo igual ao de cada parcela; isso é compatível com a construção geométrica.

Cuidado, armadilha! Não usar $60^\circ$ como ângulo entre os vetores no produto escalar; $60^\circ$ é o ângulo suplementar relacionado ao triângulo construído ponta-cauda. Nenhuma alternativa fornece $vT$.

Questão oficialmente ANULADA. Solução física: $D=vT$; nenhuma alternativa corresponde. A CEV reconheceu o erro material no Comunicado nº 261/2025.

Q42
Termologia — Dilatação térmica — Lâminas bimetálicas

Em diversos dispositivos domésticos — como ferros elétricos, chuveiros e termostatos — o controle de temperatura é obtido por tiras bimetálicas. Essas tiras são constituídas por dois metais diferentes, firmemente unidos, que se curvam quando aquecidos devido aos diferentes coeficientes de dilatação. Considere uma tira bimetálica formada pelos metais $A$ e $B$, fortemente ligados. O metal $A$ possui coeficiente de dilatação linear maior que o metal $B$. Quando a temperatura aumenta, a tira

A)curva-se na direção do metal $A$.
B)curva-se na direção do metal $B$.
C)mantem-se reta, mas aumenta de comprimento.
D)diminui de comprimento.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Imagine as duas tiras antes de serem unidas e aquecidas; o metal que se alongaria mais terá de ocupar o lado externo do arco.

1. Para uma barra livre, vale $\Delta L=\alpha L_0\Delta T$.

2. Como $\alpha_A>\alpha_B$ e $\Delta T>0$, o metal $A$ tenderia a se alongar mais do que o metal $B$.

3. Como os metais estão presos um ao outro, não podem se alongar independentemente. A tira adquire curvatura: $A$ ocupa o lado externo (maior comprimento de arco) e $B$ o lado interno.

4. Portanto, a tira se curva na direção do metal $B$.

Checagem física: Se $\alpha_A=\alpha_B$, não haveria curvatura devida à diferença de dilatação. O sentido obtido deve ser para o material com menor coeficiente.

Cuidado, armadilha! A tira não se curva na direção de quem dilata mais; quem dilata mais fica do lado convexo.

Q43
Mecânica — Cinemática — MUV em duas etapas

Um elevador desce com velocidade inicial constante de módulo m $v_0$. Seu sistema de segurança aplica em um primeiro momento uma desaceleração constante de módulo $a_1$ até reduzir sua velocidade à metade de seu valor inicial. Em seguida, este mesmo sistema de segurança aplica uma segunda desaceleração constante de módulo $a_2$ até o elevador parar completamente. Sabe-se que o deslocamento ao longo da primeira fase de desaceleração é igual ao deslocamento na segunda fase de desaceleração. Nessas condições, a razão $a_1/a_2$ é

A)$3$.
B)$1/3$.
C)$4$.
D)$1$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Trabalhe com módulos das velocidades e dos deslocamentos. A equação de Torricelli elimina o tempo de cada etapa.

1. Seja $s$ a distância comum às duas fases. A relação de Torricelli é $v_f^2=v_i^2-2as$, com $a>0$ representando o módulo da desaceleração.

2. Na primeira fase, $v_i=v_0$ e $v_f=v_0/2$:

3. $$\frac{v_0^2}{4}=v_0^2-2a_1s\quad\Rightarrow\quad 2a_1s=\frac{3v_0^2}{4}.$$

4. Na segunda fase, $v_i=v_0/2$ e $v_f=0$:

5. $$0=\frac{v_0^2}{4}-2a_2s\quad\Rightarrow\quad 2a_2s=\frac{v_0^2}{4}.$$

6. Dividindo as duas igualdades, $\dfrac{a_1}{a_2}=\dfrac{3v_0^2/4}{v_0^2/4}=3$.

Checagem física: Os deslocamentos são iguais, mas a primeira etapa precisa dissipar maior parcela da energia cinética; por isso $a_1>a_2$.

Cuidado, armadilha! O PDF traz o caractere isolado “m” antes de $v_0$ em “módulo m $v_0$”. Trata-se de um problema de redação do caderno; a grandeza física utilizada é a rapidez inicial $v_0$.

Q44
Mecânica — Gravitação — Energia de órbita circular

Em 1962, a cápsula Friendship 7, lançada pela missão Mercury-Atlas 6, completou três órbitas ao redor da Terra, permitindo aos engenheiros que avaliassem a estabilidade dinâmica e energética de órbitas baixas. Inspirado nesse contexto, considere uma cápsula de massa $m$ orbitando a Terra em uma órbita circular estável de raio $R$, medido a partir do centro da Terra. Sendo assim, tomando $M$ como a massa da Terra e $\mu=GM$ como parâmetro gravitacional terrestre, a energia mecânica total $E$ da cápsula, nesta órbita, em função de $\mu$, $R$ e $m$ é dada por

A)$-m\mu/R$.
B)$-m\mu/(2R)$.
C)$m\mu/(2R)$.
D)$-m\mu/(4R)$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Primeiro encontre a rapidez orbital pelo equilíbrio da força gravitacional com a centrípeta; depois some energias.

1. Numa órbita circular, $\dfrac{GMm}{R^2}=\dfrac{mv^2}{R}$.

2. Cancelando $m$ e usando $\mu=GM$, obtemos $v^2=\mu/R$.

3. A energia cinética é $K=\dfrac12mv^2=\dfrac{m\mu}{2R}$.

4. Escolhendo energia potencial nula no infinito, $U=-\dfrac{GMm}{R}=-\dfrac{m\mu}{R}$.

5. $$E=K+U=\frac{m\mu}{2R}-\frac{m\mu}{R}=-\frac{m\mu}{2R}.$$

Checagem física: O sinal deve ser negativo em órbita gravitacional ligada. O módulo é metade do módulo de $U$.

Cuidado, armadilha! A alternativa A fornece somente a energia potencial; o fator $1/2$ surge ao incluir a energia cinética da órbita circular.

Q45
Mecânica — Dinâmica — Força resultante em voo vertical

Drones multirrotores mantêm voo estacionário controlando o empuxo total gerado pelas hélices. Pequenas variações nesse empuxo provocam acelerações verticais rápidas, exigindo correções automáticas dos controladores embarcados. Entender a relação entre empuxo, peso e aceleração é útil para projetar sistemas de controle e para avaliar falhas de sustentação. Um drone de massa $m$ paira em equilíbrio estático, de modo que o empuxo total sobre as hélices compensa seu peso. Em certo instante, por falha momentânea, o empuxo é reduzido em $10\%$. Desprezando a resistência do ar adicional durante essa variação, o valor do módulo da aceleração inicial $a$ do drone imediatamente após essa redução, em termos de $g$, é

A)$0{,}1g$.
B)$0{,}2g$.
C)$0{,}9g$.
D)$g$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Desenhe as duas forças verticais: o peso permanece $mg$, enquanto a sustentação passa a $90\%$ do valor inicial.

1. Em equilíbrio, a força ascendente das hélices tem módulo $F_0=mg$.

2. Após a falha, ela passa a $F=0{,}9F_0=0{,}9mg$.

3. Tomando o sentido para cima como positivo, $F_\mathrm{res}=0{,}9mg-mg=-0{,}1mg$.

4. Pela segunda lei de Newton, $ma=-0{,}1mg$, logo o módulo da aceleração é $|a|=0{,}1g$.

Checagem física: Aceleração é para baixo. O resultado não depende da massa do drone; isso é compatível com a simplificação obtida.

Cuidado, armadilha! O número $0{,}9g$ corresponderia à força de sustentação dividida pela massa, não à aceleração resultante.

Q46
Mecânica — Dinâmica impulsiva — Choque elástico unidimensional

Em experimentos envolvendo colisões unidimensionais, o comportamento dinâmico da colisão depende não só da velocidade das partículas, mas também da massa do anteparo utilizado. O estudo dessas interações é útil em problemas de choque, proteção e análise de impacto. Considere uma esfera de massa $m$ movendo-se com velocidade $v$ em direção a um anteparo de massa $M>m$, inicialmente em repouso. Além disso, a colisão ocorre ao longo de uma mesma linha reta, é perfeitamente elástica e não há forças externas horizontais atuando durante o impacto; o anteparo pode mover-se livremente após a colisão. Após o choque, a esfera passa a ter velocidade $v^{\prime}$, na mesma direção de $v$. Sendo assim, o módulo da razão $v^{\prime}/v$ é

A)$M/(m+M)$.
B)$(M-m)/(m+M)$.
C)$m/(m+M)$.
D)$m/M$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Use a velocidade $V$ do anteparo após o impacto e duas equações: quantidade de movimento e velocidade relativa na colisão elástica.

1. Sejam $v^{\prime}$ a velocidade algébrica da esfera e $V$ a do anteparo depois do choque.

2. Conservação da quantidade de movimento: $mv=mv^{\prime}+MV$.

3. Para choque perfeitamente elástico unidimensional, a velocidade de afastamento relativa iguala a de aproximação: $V-v^{\prime}=v$.

4. Assim, $V=v+v^{\prime}$. Substituindo no momento linear: $mv=mv^{\prime}+M(v+v^{\prime})$.

5. $$(m-M)v=(m+M)v^{\prime}\quad\Rightarrow\quad \frac{v^{\prime}}{v}=\frac{m-M}{m+M}.$$

6. Como $M>m$, a razão algébrica é negativa. Seu módulo é $\left|\dfrac{v^{\prime}}v\right|=\dfrac{M-m}{M+m}$.

Checagem física: No limite $M\gg m$, a esfera retorna quase com o mesmo módulo de velocidade: $|v^{\prime}/v|\to1$; quando $M\to m^+$, o módulo tende a zero.

Cuidado, armadilha! “Na mesma direção” significa na mesma reta, não necessariamente no mesmo sentido. A banca confirmou expressamente essa distinção ao analisar recurso.

Q47
Mecânica — Hidrostática — Flutuação entre dois líquidos

Em um laboratório didático da Uece, um cubo homogêneo de aresta $L$ e densidade $D$ é colocado cuidadosamente na interface entre um óleo (densidade $X$) e a água (densidade $Y$), com $X

A)$(Y-D)/(D-X)$.
B)$(D-X)/(Y-D)$.
C)$(Y-X)/(D-X)$.
D)$(D-Y)/(Y-X)$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Escreva a força de empuxo como soma da contribuição do óleo e da água. Use uma única área de seção transversal $L^2$.

1. No modelo em que o cubo fica inteiramente imerso entre os dois líquidos, $h_o+h_a=L$.

2. O peso é $P=DL^3g$. As parcelas do empuxo são $E_o=XgL^2h_o$ e $E_a=YgL^2h_a$.

3. No equilíbrio, $DL^3g=XgL^2h_o+YgL^2h_a$. Cancelando $gL^2$:

4. $$D(h_o+h_a)=Xh_o+Yh_a.$$

5. Reunindo os termos: $(D-X)h_o=(Y-D)h_a$.

6. $$\frac{h_o}{h_a}=\frac{Y-D}{D-X}.$$

Checagem física: Como $X

Cuidado, armadilha! Não usar apenas a densidade da água no empuxo. Observação: a dedução supõe que o cubo está totalmente imerso na interface, de modo que $h_o+h_a=L$; é a configuração física visada no item.

Q48
Eletricidade — Eletrostática — Superposição e simetria de campos

O estudo comparativo entre os campos gravitacional e elétrico evidenciam tanto semelhanças formais (leis do tipo inverso do quadrado) quanto diferenças físicas essenciais (natureza das fontes e sinal da interação). Duas partículas idênticas, cada uma de massa $m$ e carga elétrica $+q$, estão fixas no vácuo a uma separação $d$. Considere $P$ o ponto médio do segmento que une as partículas e despreze quaisquer outras interações. A respeito da resultante dos campos elétrico e gravitacional no ponto $P$, é correto afirmar que

A)ambos os campos são nulos, por cancelamento simétrico.
B)o campo elétrico é nulo, enquanto o campo gravitacional é não nulo e dirigido para o centro do segmento.
C)o campo gravitacional é nulo, enquanto o campo elétrico é não nulo e dirigido para fora do segmento.
D)ambos os campos são não nulos e têm sentidos opostos ao longo da linha que une as partículas.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

A
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Analise separadamente os campos devido à fonte da esquerda e da direita no ponto médio, para eletricidade e gravitação.

1. O ponto $P$ está a uma distância $d/2$ de cada partícula.

2. Cada campo elétrico tem módulo $E_0=kq/(d/2)^2=4kq/d^2$. A carga esquerda produz campo para a direita; a direita, para a esquerda. Os campos se cancelam: $\vec E_\mathrm{res}=\vec 0$.

3. Cada campo gravitacional tem módulo $g_0=Gm/(d/2)^2=4Gm/d^2$. O campo devido à massa da esquerda aponta para a esquerda; o da direita, para a direita. Cancelam-se: $\vec g_\mathrm{res}=\vec 0$.

4. Portanto, ambas as resultantes são nulas.

Checagem física: A troca das partículas de lugar não pode alterar a configuração física do ponto médio. Um campo resultante não nulo ao longo da reta violaria a simetria.

Cuidado, armadilha! Não confundir campo com força entre as próprias partículas: as partículas interagem entre si, mas no ponto médio os campos resultantes são zero.

Q49
Mecânica — Cinemática — Alcance em lançamento oblíquo

O estudo do alcance de projéteis é elemento clássico da cinemática de dois corpos e ilustra relações trigonométricas úteis na resolução de problemas práticos. Ao ser lançado com velocidade inicial $v_0$ formando um ângulo $\theta$ com a horizontal, um projétil descreve uma trajetória parabólica de alcance horizontal $R$. Se for lançado novamente com a mesma velocidade $v_0$ mas com ângulo $45^\circ-\theta$, o novo alcance é $R^{\prime}$. Desprezando a resistência do ar nas duas situações aqui descritas, a razão $R^{\prime}/R$ é

A)$\tan^2(\theta)$.
B)$\cot(2\theta)$.
C)$\tan(2\theta)$.
D)$\tan(45^\circ-\theta)$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Considere os lançamentos partindo e chegando à mesma altura. Nesse modelo, $R=(v_0^2/g)\sin(2\theta)$.

1. O alcance para lançamento com ângulo $\theta$, sem resistência do ar e com retorno à altura de partida, é $R=\dfrac{v_0^2}{g}\sin(2\theta)$.

2. No segundo lançamento, o ângulo é $\phi=45^\circ-\theta$. Portanto,

3. $$R^{\prime}=\frac{v_0^2}{g}\sin(2\phi)=\frac{v_0^2}{g}\sin(90^\circ-2\theta).$$

4. Pela identidade $\sin(90^\circ-x)=\cos x$, temos $R^{\prime}=\dfrac{v_0^2}{g}\cos(2\theta)$.

5. $$\frac{R^{\prime}}R=\frac{\cos(2\theta)}{\sin(2\theta)}=\cot(2\theta).$$

Checagem física: Para $\theta=15^\circ$, o segundo ângulo é $30^\circ$; sua distância deve ser maior, pois $\sin60^\circ>\sin30^\circ$. A razão $\cot30^\circ=\sqrt3$ confirma.

Cuidado, armadilha! O ângulo do alcance é $2\theta$, não $\theta$. A fórmula pressupõe mesma altura inicial e final, implicitamente adotada no item.

Q50
Termologia — Termometria — Conversão entre três escalas

Os engenheiros de um laboratório de instrumentação térmica estão desenvolvendo três novas escalas lineares de temperatura denominadas $X$, $Y$ e $Z$ e destinadas a testes de precisão em sistemas criogênicos e de alta temperatura. Sabe-se que cada uma das escalas é definida por uma relação linear da temperatura real $T$, medida em $^\circ\mathrm{C}$, isto é, podem ser escritas da seguinte maneira: $X(T)=AT+B$, $Y(T)=CT+D$ e $Z(T)=ET+F$. Os coeficientes $A$, $B$, $C$, $D$, $E$ e $F$ são constantes reais desconhecidas, próprias de cada escala. Além disso, com o intuito de validar a consistência entre os três instrumentos, calibrações experimentais independentes foram realizadas com os seguintes registros:
• Em $T=0^\circ\mathrm{C}$, os instrumentos $X$ e $Y$ registram $20$ unidades, enquanto o instrumento $Z$ registra $50$ unidades.
• Em $T=50^\circ\mathrm{C}$, o instrumento $X$ registra $80$ unidades e o instrumento $Z$ registra $40$ unidades.
• Em $T=100^\circ\mathrm{C}$, verificou-se experimentalmente que $X(100)=Y(100)-Z(100)$.
Com base nessas informações, pode-se afirmar corretamente que a expressão que fornece $X$ em termos de $Y$ é

A)$X=2Y-20$.
B)$X=4Y/5+4$.
C)$X=3Y/2-10$.
D)$X=5Y/4-15$.

Gabarito OFICIAL DEFINITIVO CEV/UECE · Transferências 2025 · Ciências Gabarito 1

B
Resolução comentada — Método TEF

Estratégia física: Comece por $X(T)$ e $Z(T)$, pois há duas medidas para cada uma; depois use a condição em $100^\circ\mathrm{C}$ para calcular $Y(T)$.

1. Como $X(0)=20$ e $X(50)=80$, a inclinação de $X$ é $(80-20)/50=6/5$. Logo, $X(T)=\dfrac65 T+20$.

2. Como $Z(0)=50$ e $Z(50)=40$, a inclinação de $Z$ é $(40-50)/50=-1/5$. Logo, $Z(T)=-\dfrac15 T+50$.

3. Para $T=100^\circ\mathrm{C}$: $X(100)=140$ e $Z(100)=30$. Pela condição dada, $140=Y(100)-30$, então $Y(100)=170$.

4. Já sabemos que $Y(0)=20$. A inclinação de $Y$ é $(170-20)/100=3/2$; portanto, $Y(T)=\dfrac32T+20$.

5. Da última equação, $T=\dfrac23(Y-20)$. Substituindo na expressão de $X$:

6. $$X=\frac65\cdot\frac23(Y-20)+20=\frac45Y+4.$$

Checagem física: Na calibração $T=0$, a relação $X=4Y/5+4$ dá $X=4(20)/5+4=20$. Para $T=100$, $Y=170$ fornece $X=140$, como exigido.

Cuidado, armadilha! Não identificar $X$ e $Y$ com a temperatura real em Celsius; são escalas distintas, com interceptos próprios.

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