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UECE 2010.2 | 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Prova de Física da 2ª Fase do Vestibular UECE 2010.2, aplicada em 19 de julho de 2010, com gabarito oficial CEV.

Q01
Mecânica — Cinemática — Velocidade Escalar Média

O odômetro de um carro marcou 38 692,4 km no início de uma prova de corrida de automóveis em uma pista oval de 3,0 km de comprimento por volta. O carro terminou a prova em 2h38min55seg e no final da prova o odômetro marcou 38 986,4 km. A velocidade escalar média do carro nessa prova foi

A)Zero.
B)110,0 km/h.
C)30,8 m/s.
D)399,6 m/s.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

C
Resolução

Velocidade escalar média é a distância percorrida dividida pelo tempo. O odômetro dá a distância direto: $38\,986{,}4-38\,692{,}4=294{,}0\ \text{km}$.

O tempo: $2\ \text{h}\,38\ \text{min}\,55\ \text{s}=2+\dfrac{38}{60}+\dfrac{55}{3600}\approx2{,}649\ \text{h}$.

$$v_m=\frac{294}{2{,}649}\approx111\ \text{km/h}\approx30{,}8\ \text{m/s}$$

Duas armadilhas aqui. A alternativa A (zero) seria a velocidade vetorial média, se o carro terminasse onde começou; mas a pergunta é sobre a escalar. E a B, $110\ \text{km/h}$, é um valor arredondado que não bate com a conta.

Q02
Mecânica — Dinâmica — Segunda Lei de Newton e Massa

Uma única força agindo sobre uma massa de 2,0 kg fornece a esta uma aceleração de 3,0 m/s². A aceleração, em m/s², produzida pela mesma força agindo sobre uma massa de 1 kg é

A)Zero.
B)1,5.
C)3,0.
D)6,0.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

D
Resolução

A força é a mesma nos dois casos. Com a primeira massa: $F=ma=2\cdot3=6\ \text{N}$.

Com metade da massa, a mesma força produz o dobro da aceleração:

$$a=\frac{6}{1}=6{,}0\ \text{m/s}^2$$

Massa e aceleração são inversamente proporcionais quando a força é fixa. É o conteúdo da segunda lei de Newton, sem mais nada.

Q03
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho de Força em Deslocamento Horizontal

Em um corredor horizontal, um estudante puxa uma mochila de rodinhas de 6 kg pela haste, que faz 60° com o chão. A força aplicada pelo estudante é a mesma necessária para levantar um peso de 1,5 kg, com velocidade constante. Considerando a aceleração da gravidade igual a 10 m/s², o trabalho, em Joule, realizado para puxar a mochila por uma distância de 30 m é

A)Zero.
B)225,0.
C)389,7.
D)900,0.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

B
Resolução

A força do estudante é a que levanta $1{,}5\ \text{kg}$ com velocidade constante, ou seja, igual ao peso dessa massa: $F=1{,}5\cdot10=15\ \text{N}$.

Só a componente da força na direção do deslocamento realiza trabalho. Como a haste faz $60^\circ$ com o chão:

$$W=F\,d\cos60^\circ=15\cdot30\cdot0{,}5=225\ \text{J}$$

A massa da mochila, $6\ \text{kg}$, é um dado para distrair. O trabalho de uma força depende só dela, do deslocamento e do ângulo entre os dois.

Q04
Ondulatória — Ondas Eletromagnéticas — Frequência e Comprimento de Onda

Fornos de microondas usam ondas de rádio de comprimento de onda aproximadamente 12 cm para aquecer os alimentos. Considerando a velocidade da luz igual a 300 000 km/s a frequência das ondas utilizadas é

A)360 Hz.
B)250 kHz.
C)3,6 MHz.
D)2,5 GHz.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

D
Resolução

Micro-ondas são ondas eletromagnéticas e viajam à velocidade da luz. Com $c=\lambda f$:

$$f=\frac{3\cdot10^8}{0{,}12}=2{,}5\cdot10^9\ \text{Hz}=2{,}5\ \text{GHz}$$

Converta tudo para metros antes: $300\,000\ \text{km/s}=3\cdot10^8\ \text{m/s}$ e $12\ \text{cm}=0{,}12\ \text{m}$. Curiosidade: é justamente a faixa de $2{,}45\ \text{GHz}$ que os fornos usam.

Q05
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em Ciclos no Diagrama pV

No diagrama P-V a seguir, quatro processos termodinâmicos cíclicos executados por um gás, com seus respectivos estados iniciais, estão representados. O processo no qual o trabalho resultante, realizado pelo gás é menor é o

Diagrama pressão por volume com os ciclos termodinâmicos I, J, K e L
A)I.
B)J.
C)K.
D)L.

Gabarito oficial definitivo CEV/UECE 2010.2

C
Resolução

Em um ciclo, o trabalho resultante é a área interna da figura no diagrama $P\times V$. Então é só comparar áreas, contando os quadradinhos da malha.

I: retângulo $1\times4=4$. J: quadrado $2\times2=4$. L: paralelogramo de base $2$ e altura $2$, área $4$. K: círculo de raio $1$, área $\pi\approx3{,}14$.

Os quatro ciclos são percorridos no sentido horário, então todos os trabalhos são positivos, e o menor é o do ciclo K.

A banca escolheu figuras de formatos bem diferentes justamente para que três delas tivessem a mesma área. O círculo, que parece do mesmo tamanho, fica um pouco abaixo.

Q06
Mecânica — Cinemática — Conservação de Energia em Trajetórias

A figura abaixo mostra quatro trajetórias de uma bola de futebol lançada no espaço. Desconsiderando o atrito viscoso com o ar, assinale o correto.

Gráfico das trajetórias parabólicas I, II e III de três projéteis
A)A trajetória que exigiu a maior energia foi a I.
B)A trajetória que exigiu a maior energia foi a II.
C)A trajetória que exigiu a maior energia foi a III.
D)A energia exigida é a mesma para todas as trajetórias.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

C
Resolução

As três trajetórias sobem até a mesma altura máxima (a linha tracejada). Altura máxima depende só da componente vertical da velocidade inicial: $H=\dfrac{v_y^2}{2g}$. Então $v_y$ é a mesma para as três bolas.

Com o mesmo $v_y$, as bolas ficam o mesmo tempo no ar. Quem vai mais longe tem, portanto, a maior componente horizontal $v_x$. A trajetória III tem o maior alcance.

A energia cinética inicial é $\dfrac{m(v_x^2+v_y^2)}{2}$. Mesmo $v_y$ e o maior $v_x$ dão a maior energia para a trajetória III.

Quem pensa em alcance máximo a $45^\circ$ pode se confundir, mas aqui não estamos comparando lançamentos com a mesma velocidade.

Q07
Mecânica — Dinâmica — Máquina de Atwood em Elevador

Duas massas diferentes estão penduradas por uma polia sem atrito dentro de um elevador, permanecendo equilibradas uma em relação à outra, conforme mostrado na figura a seguir. Podemos afirmar corretamente que nessa situação o elevador está

Sistema de polia com as massas m1 e m2 suspensas
A)descendo com velocidade constante.
B)subindo aceleradamente.
C)subindo com velocidade constante.
D)descendo aceleradamente.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

D
Resolução

Numa polia com massas diferentes (máquina de Atwood), a mais pesada desce e a mais leve sobe. Se elas ficam paradas uma em relação à outra, é porque nenhuma delas "sente" peso.

Dentro de um elevador acelerado, a gravidade aparente é $g_{\text{ap}}=g\pm a$. Para anular a diferença de pesos, é preciso $g_{\text{ap}}=0$, o que só acontece quando o elevador cai com aceleração igual a $g$.

Então o elevador está descendo acelerado, em queda livre. Com velocidade constante nada muda em relação ao chão, e subindo acelerado a gravidade aparente só aumenta.

Q08
Termologia — Termodinâmica — Energia Interna de Gás Ideal

Pode-se afirmar corretamente que a energia interna de um sistema constituído por um gás ideal

A)diminui em uma expansão isotérmica.
B)aumenta em uma expansão adiabática.
C)diminui em uma expansão livre.
D)aumenta em uma expansão isobárica.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

D
Resolução

Para gás ideal, a energia interna depende só da temperatura. A pergunta vira: em qual expansão a temperatura sobe?

Na expansão isobárica, $\dfrac{V}{T}$ é constante. Se o volume aumenta com pressão fixa, a temperatura aumenta junto, e a energia interna cresce.

As outras: na isotérmica a temperatura não muda; na adiabática o gás gasta a própria energia para realizar trabalho e esfria; na expansão livre (contra o vácuo) não há trabalho nem calor, e a energia interna fica igual.

Q09
Mecânica — Cinemática — Velocidade Relativa em Rio

Um barco pode viajar a uma velocidade de 11 km/h em um lago em que a água está parada. Em um rio, o barco pode manter a mesma velocidade com relação à água. Se esse barco viaja no Rio São Francisco, cuja velocidade da água, em relação à margem, assume-se 0,83 m/s, qual é sua velocidade aproximada em relação a uma árvore plantada na beira do rio quando seu movimento é no sentido da correnteza e contra a correnteza, respectivamente?

A)14 km/h e 8 km/h.
B)10,2 m/s e 11,8 m/s.
C)8 km/h e 14 km/h.
D)11,8 m/s e 10,2 m/s.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

A
Resolução

Primeiro, deixe tudo na mesma unidade: $0{,}83\ \text{m/s}\cdot3{,}6\approx3{,}0\ \text{km/h}$.

A favor da correnteza as velocidades se somam; contra, se subtraem:

$$v_{\text{a favor}}=11+3=14\ \text{km/h},\qquad v_{\text{contra}}=11-3=8\ \text{km/h}$$

A ordem importa: a pergunta pede primeiro a favor e depois contra, por isso é a A, e não a C. As alternativas em m/s partem de misturar $11\ \text{km/h}$ com $0{,}83\ \text{m/s}$ sem converter.

Q10
Mecânica — Dinâmica — Força Elástica em Sistema de Blocos

Uma massa A de 4 kg puxa horizontalmente uma massa B de 5 kg por meio de uma mola levemente esticada, conforme ilustrado na figura abaixo. Desconsidere qualquer tipo de atrito. Em um dado instante a massa B tem uma aceleração de 1,6 m/s². Nesse instante, a força resultante na massa A e sua aceleração são, respectivamente,

Blocos A e B, de 4 kg e 5 kg, ligados por uma mola
A)6,4 N e 1,3 m/s².
B)8,0 N e 2,0 m/s².
C)0,0 N e 1,6 m/s².
D)8,0 N e 1,6 m/s².

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

B
Resolução

Sem atrito, e sem nenhuma outra força citada no enunciado, a única força horizontal em cada bloco nesse instante é a da mola. E uma mola puxa as duas pontas com a mesma força.

Em B, essa força produz a aceleração dada:

$$F=m_Ba_B=5\cdot1{,}6=8{,}0\ \text{N}$$

A mesma mola puxa A com $8{,}0\ \text{N}$ (terceira lei), então a resultante em A é $8{,}0\ \text{N}$ e

$$a_A=\frac{8{,}0}{4}=2{,}0\ \text{m/s}^2$$

A pegadinha é achar que os dois blocos têm a mesma aceleração, como se estivessem ligados por um fio. Com a mola no meio, cada um tem a sua: o mais leve acelera mais. A alternativa D mistura a força certa com a aceleração de B.

Q11
Mecânica — Dinâmica — Aceleração de Elevador e Peso Aparente

Um elevador parte do repouso com uma aceleração constante para cima com relação ao solo. Esse elevador sobe 2,0 m no primeiro segundo. Um morador que se encontra no elevador está segurando um pacote de 3 kg por meio de uma corda vertical. Considerando a aceleração da gravidade igual a 10 m/s², a tensão, em Newton, na corda é

A)0.
B)12.
C)42.
D)88.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

C
Resolução

Primeiro a aceleração do elevador. Partindo do repouso com aceleração constante, $s=\dfrac{at^2}{2}$:

$$2=\frac{a\cdot1^2}{2}\;\Longrightarrow\;a=4\ \text{m/s}^2$$

No pacote, a corda puxa para cima e o peso para baixo, e a resultante aponta para cima:

$$T-mg=ma\;\Longrightarrow\;T=3(10+4)=42\ \text{N}$$

É a mesma sensação de ficar mais pesado quando o elevador arranca para cima. Quem esquece a aceleração marca $30\ \text{N}$, que nem está nas opções; quem subtrai, $18\ \text{N}$.

Q12
Mecânica — Cinemática — Loop Vertical e Velocidade Mínima

Um carrinho de montanha-russa tem velocidade igual a zero na posição 1, indicada na figura abaixo, e desliza no trilho, sem atrito, completando o círculo até a posição 3. A menor altura $h$, em metros, para o carro iniciar o movimento sem que venha a sair do trilho na posição 2 é

Trajeto de montanha-russa com descida, loop de raio 24 m e trecho horizontal
A)36.
B)48.
C)60.
D)72.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

C
Resolução

O carrinho está no limite de sair do trilho no ponto 2 quando a normal lá em cima vale zero. Aí só o peso faz a força centrípeta:

$$mg=\frac{mv^2}{R}\;\Longrightarrow\;v^2=gR$$

Pela conservação de energia entre o ponto 1 (repouso, altura $h$) e o ponto 2 (altura $2R$):

$$mgh=mg\cdot2R+\frac{m\,gR}{2}\;\Longrightarrow\;h=\frac{5R}{2}=\frac{5\cdot24}{2}=60\ \text{m}$$

Vale guardar esse resultado: para completar um looping sem atrito, é preciso partir de pelo menos $2{,}5$ vezes o raio. Partir de $2R$ (a altura do topo) não basta.

Q13
Mecânica — Hidrostática — Princípio de Pascal em Elevador Hidráulico

No elevador mostrado na figura abaixo, o carro no cilindro à esquerda, na posição E, tem uma massa de 900 kg, e a área da secção transversal do cilindro é 2500 cm². Considere a massa do pistão desprezível e a aceleração da gravidade igual a 10 m/s². A área da secção transversal do cilindro, na posição D, é 25 cm², e o pistão tem massa desprezível. Se o elevador for preenchido com óleo de densidade 900 kg/m³, a força mínima F, em Newton, necessária para manter o sistema em equilíbrio será

Elevador hidráulico sustentando um automóvel de 900 kg
A)0.
B)10.
C)800.
D)900.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

A
Resolução

O carro exerce sobre o óleo, embaixo do pistão E, a pressão

$$P_E=\frac{900\cdot10}{0{,}25}=36\,000\ \text{Pa}$$

O pistão D está $4\ \text{m}$ acima de E. Subindo dentro do óleo, a pressão cai $\rho gh$:

$$P_D=36\,000-900\cdot10\cdot4=36\,000-36\,000=0$$

Ou seja, a própria coluna de óleo já equilibra o carro, e a força mínima em D é zero. A questão testa se você lembra que o princípio de Pascal só vale para pontos no mesmo nível; com desnível, a coluna de líquido entra na conta.

Q14
Termologia — Calorimetria — Equilíbrio Térmico de Mistura

Considerando que o leite tem densidade 1030 g/L e calor específico 50 cal/g °C, e que o café tem as mesmas propriedades da água, ou seja, densidade 1000 g/L e calor específico 1 cal/g °C, se adicionarmos 60 mL de leite, a 20 °C, a 200 mL de café, a 80 °C, a temperatura final da mistura, em °C, será

A)28.
B)42.
C)46.
D)72.

Gabarito oficial definitivo CEV/UECE 2010.2

NULA
Resolução

Esta questão foi anulada pela CEV/UECE no gabarito definitivo.

O problema está no dado do leite: calor específico de $50\ \text{cal/g}\,^\circ\text{C}$, cinquenta vezes o da água, o que não faz sentido físico. Com esse valor, o leite quase não mudaria de temperatura e a mistura terminaria perto de $20\ ^\circ\text{C}$, o que não aparece nas alternativas.

Com um valor realista, perto de $0{,}5\ \text{cal/g}\,^\circ\text{C}$, a conta de equilíbrio dá cerca de $72\ ^\circ\text{C}$, a alternativa D. Provavelmente foi um erro de digitação da vírgula.

Q15
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de Resistores e Diferença de Potencial

Considere a figura a seguir. Sabendo que a diferença de potencial sobre o resistor de 8 Ω é de 24 V, as diferenças de potencial, em V, sobre os resistores de 14 Ω, 9 Ω e entre os pontos $a$ e $b$ são, respectivamente,

Circuito elétrico com resistores de 12, 8, 42, 21, 14 e 9 ohms
A)45, 9 e 78.
B)45, 45 e 114.
C)35, 45 e 104.
D)35, 70 e 129.

Gabarito oficial definitivo CEV/UECE 2010.2

C
Resolução

Comece pelo único dado de tensão: $24\ \text{V}$ no resistor de $8\ \Omega$ dão $i=3\ \text{A}$ nele. O de $12\ \Omega$ está em paralelo, com a mesma tensão: $i=2\ \text{A}$. A corrente total do circuito é $5\ \text{A}$.

Os três resistores de baixo estão em paralelo:

$$\frac{1}{R}=\frac{1}{42}+\frac{1}{21}+\frac{1}{14}=\frac{1+2+3}{42}\;\Longrightarrow\;R=7\ \Omega$$

Com $5\ \text{A}$ passando, a tensão nesse bloco é $35\ \text{V}$, e é a mesma no resistor de $14\ \Omega$. No de $9\ \Omega$: $9\cdot5=45\ \text{V}$.

$$V_{ab}=24+35+45=104\ \text{V}$$

Repare que o de $14\ \Omega$ não tem $5\ \text{A}$: ele divide a corrente com os outros dois. A tensão dele é a do paralelo, $35\ \text{V}$.

Q16
Óptica — Refração — Lei de Snell

A figura abaixo mostra um prisma feito de um material, cujo índice de refração é 1,5, localizado na frente de um espelho plano vertical, em um meio onde o índice de refração é igual a 1. Um raio de luz horizontal incide no prisma. Sabendo que $\operatorname{sen}(6^\circ)\approx0{,}104$ e $\operatorname{sen}(9^\circ)=0{,}157$, o ângulo de reflexão no espelho é de

Raio luminoso atravessando um prisma e incidindo perpendicularmente em um espelho
A)2°.
B)3°.
C)4°.
D)6°.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

B
Resolução

O raio chega horizontal e entra perpendicular à face vertical do prisma: não desvia. O desvio acontece na saída, pela face inclinada.

Como o ângulo do topo é $6^\circ$, a normal da face inclinada faz $6^\circ$ com a horizontal. Então o ângulo de incidência lá dentro é $6^\circ$. Pela lei de Snell:

$$1{,}5\,\text{sen}\,6^\circ=1\cdot\text{sen}\,r\;\Longrightarrow\;\text{sen}\,r\approx0{,}156\;\Longrightarrow\;r\approx9^\circ$$

O raio sai a $9^\circ$ da normal, que já está a $6^\circ$ da horizontal. Em relação à horizontal, ele fica inclinado de $9^\circ-6^\circ=3^\circ$.

O espelho é vertical, então sua normal é horizontal. O raio incide com $3^\circ$ e reflete com $3^\circ$.

Q17
Mecânica — Estática — Equilíbrio de Corpos e Tração

Na figura abaixo, o peso $P_1$ é de 500 N e a corda RS é horizontal. Os valores das tensões $T_1$, $T_2$ e $T_3$ e o peso $P_2$, em Newton, são, respectivamente,

Sistema em equilíbrio com as trações T1, T2 e T3 e os pesos P1 e P2
A)$500\sqrt2$, 500, $1000/\sqrt3$ e $500/\sqrt3$.
B)$500/\sqrt2$, 1000, $1000\sqrt3$ e $500\sqrt3$.
C)$500\sqrt2$, 1000, $1000/\sqrt3$ e $500/\sqrt3$.
D)$500/\sqrt2$, 500, $1000\sqrt3$ e $500\sqrt3$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

A
Resolução

Resolva nó por nó, começando pelo que tem o peso conhecido.

Nó R. $T_1$ faz $45^\circ$ com a horizontal. A componente vertical segura $P_1$ e a horizontal é equilibrada por $T_2$:

$$T_1\,\text{sen}\,45^\circ=500\;\Longrightarrow\;T_1=500\sqrt2,\qquad T_2=T_1\cos45^\circ=500$$

Nó S. Agora $T_2=500$ é conhecida e $T_3$ faz $30^\circ$ com a horizontal:

$$T_3\cos30^\circ=500\;\Longrightarrow\;T_3=\frac{1000}{\sqrt3},\qquad P_2=T_3\,\text{sen}\,30^\circ=\frac{500}{\sqrt3}$$

Um bom teste: com ângulo de $45^\circ$, as componentes horizontal e vertical são iguais, então $T_2$ tem que valer $500$. Isso já elimina B e C.

Q18
Mecânica — Hidrostática — Expansão de Bolha de Gás no Mar

Uma bolha de ar, com o comportamento de gás ideal, foi solta do fundo do mar por um mergulhador e se expandiu 4 vezes até chegar à superfície. Assumindo a pressão atmosférica igual a 100 kPa, a densidade da água do mar constante e igual a 1000 kg/m³ e desconsiderando variações de temperatura, a profundidade, em metros, do mergulhador ao soltar a bolha é aproximadamente

A)2,5.
B)4.
C)25.
D)40.

Gabarito oficial definitivo CEV/UECE 2010.2

NULA
Resolução

Esta questão foi anulada pela CEV/UECE no gabarito definitivo.

A conta esperada: com temperatura constante, $PV$ é constante. Se o volume da bolha quadruplicou, a pressão no fundo era quatro vezes a da superfície: $P_{\text{fundo}}=4P_{\text{atm}}$.

$$P_{\text{atm}}+\rho gh=4P_{\text{atm}}\;\Longrightarrow\;h=\frac{3\cdot10^5}{1000\cdot10}=30\ \text{m}$$

Como $30\ \text{m}$ não está entre as alternativas, a questão ficou sem resposta. A expressão "se expandiu 4 vezes" também é ambígua (quatro vezes o volume, ou aumentou quatro vezes o volume inicial?), o que reforçou a anulação.

Q19
Ondulatória — Acústica — Altura, Intensidade e Timbre

Os termos abaixo estão relacionados às ondas sonoras.

I - Volume se refere à intensidade da sensação auditiva produzida por um som e depende da intensidade e da frequência da onda.

II - Altura se refere a uma qualidade da onda que depende somente da sua frequência: quanto menor a frequência maior a altura.

III - Batimento se refere às flutuações na intensidade do som quando há interferência de duas ondas sonoras de mesma frequência.

IV - Timbre é uma característica que depende da frequência e da intensidade dos tons harmônicos que se superpõem para formar a onda sonora.

Está correto o que se afirma em

A)I e II, apenas.
B)II e III, apenas.
C)III e IV, apenas.
D)I e IV, apenas.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

D
Resolução

I (V). A sensação de volume depende da intensidade, mas também da frequência: o ouvido é mais sensível a umas frequências que a outras.

II (F). Altura depende da frequência, mas está invertida: quanto maior a frequência, mais alto (agudo) é o som.

III (F). Batimento exige frequências próximas, mas diferentes. Com frequências iguais não há flutuação periódica de intensidade.

IV (V). O timbre vem da mistura dos harmônicos que compõem o som: quais estão presentes e com que intensidade. É o que diferencia um violão de um piano tocando a mesma nota.

Corretas: I e IV.

Q20
Eletromagnetismo — Força Magnética — Movimento de Elétron no Campo Terrestre

A declinação do Campo Magnético Terrestre em Fortaleza, CE, é de aproximadamente 21° para o oeste, e a sua componente horizontal é de aproximadamente 0,25 G. Se um elétron é atirado com velocidade 10⁶ m/s, verticalmente para cima, a magnitude, a direção e o sentido da força magnética atuando sobre ele são dados por

DADOS:
$1\text{G} = 10^{-4}\text{T}$
$\cos(21°) = 0{,}93$
$\operatorname{sen}(21°) = 0{,}36$
$e = 1{,}6\times10^{-19}\text{C}$

A)$4{,}05\times10^{-18}$ N, a 21° para o Norte da direção Leste–Oeste, sentido Leste.
B)$3{,}78\times10^{-18}$ N, a 21° para o Sul da direção Leste–Oeste, sentido Leste.
C)$1{,}45\times10^{-18}$ N, a 21° para o Leste da direção Norte–Sul, sentido Norte.
D)$4{,}05\times10^{-18}$ N, a 21° para o Leste da direção Norte–Sul, sentido Sul.

Gabarito oficial CEV/UECE 2010.2

A
Resolução

O módulo sai direto, porque a velocidade (vertical) é perpendicular à componente horizontal do campo:

$$F=|q|vB=1{,}6\cdot10^{-19}\cdot10^6\cdot0{,}25\cdot10^{-4}=4{,}0\cdot10^{-18}\ \text{N}$$

A componente vertical do campo não influi, porque é paralela à velocidade. Isso já deixa só A e D.

Para a direção, use eixos: leste ($x$), norte ($y$), para cima ($z$). O campo horizontal aponta para o norte magnético, $21^\circ$ a oeste do norte geográfico. Para uma carga positiva subindo, $\vec v\times\vec B$ aponta para oeste, girado $21^\circ$ para o sul.

Como o elétron é negativo, a força inverte: aponta para leste, girada $21^\circ$ para o norte da direção leste–oeste.

É a questão mais trabalhosa da prova, e o erro mais comum é esquecer de inverter o sentido por ser elétron.

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