UECE 2026.1 | 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular 2026.1 · Prova de Física (Q39–46) — resolução comentada Método TEF.

Q39
Mecânica — Hidrostática — Tubo em U

Um tubo em formato de U, com extremidades abertas e de seção reta uniforme, encontra-se parcialmente preenchido com um líquido de densidade $d$. Nesta situação, os níveis do líquido de densidade $d$ são iguais em ambos os ramos de U (nível primitivo). Derrama-se lentamente, no ramo da direita, um segundo líquido de densidade $d'\mathrel{<}d$, que não se mistura com o primeiro, e espera-se o equilíbrio. Nessa situação, observa-se que a superfície horizontal livre do segundo líquido de densidade $d'$ encontra-se a uma distância vertical $Y$ acima da superfície horizontal livre do líquido de densidade $d$ presente no ramo oposto. Sabendo que os líquidos são incompressíveis e que a superfície livre do líquido de densidade $d$ no ramo esquerdo elevou-se a uma altura $H$, em relação ao seu nível primitivo, a razão $d'/d$ é

A)$\dfrac{H}{H+Y}$
B)$\dfrac{2H}{2H+Y}$
C)$\dfrac{H}{Y}$
D)$\dfrac{Y}{2H+Y}$

Gabarito oficial CEV/UECE 2026.1

B
Resolução

Os ramos têm a mesma seção. Assim, quando o nível esquerdo sobe H, a interface no ramo direito desce H.

Tomamos a interface entre os líquidos como referência. A coluna do líquido de densidade d, no ramo esquerdo, tem altura:

\[h_e=H+H=2H\]

No ramo direito, a superfície do líquido de densidade d′ está Y acima da superfície esquerda. Sua coluna tem altura:

\[h_d=2H+Y\]

Pela lei de Stevin, as pressões no nível da interface são:

\[P_e=P_{atm}+dg(2H)\]

\[P_d=P_{atm}+d'g(2H+Y)\]

Os pontos pertencem ao mesmo líquido conectado e estão à mesma altura, portanto suas pressões são iguais:

\[P_e=P_d\]

Cancelando a pressão atmosférica e a gravidade:

\[d(2H)=d'(2H+Y)\]

Isolando a razão entre as densidades:

\[\frac{d'}{d}=\frac{2H}{2H+Y}\]

Q40
Ondulatória — MHS — Energia no MHS

Uma partícula executa um MHS (movimento harmônico simples) de amplitude $A$ ao longo do eixo $Ox$, com o centro de oscilações situado em $O$. No instante em que a partícula passa pela posição $x$ igual a $A/2$, a razão entre sua energia cinética $K$ e energia potencial $U$ é dada por $R$. Desconsiderando a ação de forças resistivas, é correto afirmar que o valor de $R^2$ é

A)$1/9$
B)$9$
C)$4$
D)$1/4$

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B
Resolução

A energia mecânica total do MHS é constante:

\[E=\frac12kA^2\]

Na posição x = A/2, a energia potencial é:

\[U=\frac12kx^2\]

\[U=\frac12k\left(\frac A2\right)^2\]

\[U=\frac{kA^2}{8}=\frac E4\]

A energia cinética é a parcela restante:

\[K=E-U\]

\[K=E-\frac E4=\frac{3E}{4}\]

A razão pedida entre as energias é:

\[R=\frac KU\]

\[R=\frac{3E/4}{E/4}=3\]

O enunciado solicita o quadrado dessa razão:

\[R^2=9\]

Q41
Eletricidade — Eletrostática — Associação de Capacitores

Um entusiasta em eletrônica possui a sua disposição uma caixa com capacitores comerciais dos tipos A e B. Os capacitores do tipo A e do tipo B apresentam, respectivamente, em seus corpos as especificações $100\mu\text{F}/25\text{V}$ e $1000\mu\text{F}/25\text{V}$. Ao retirar da caixa $M$ capacitores do tipo A e $N$ capacitores do tipo B, o entusiasta desenvolve dois experimentos simples. No primeiro experimento, mede a capacitância equivalente de um circuito obtido a partir da associação, em paralelo, de todos os capacitores, resultando em $2300\mu\text{F}$. No segundo experimento, com todos os capacitores ligados em série, obtém, a partir do circuito montado, uma capacitância equivalente de $31{,}25\mu\text{F}$. Considere os valores dos capacitores como exatos e ideais (sem tolerância), todos em perfeito estado, e que todas as unidades foram efetivamente utilizadas nas associações. Com base nos resultados obtidos pelo entusiasta, a razão $M/N$ é dada por

A)$32/23$
B)$1/10$
C)$3/2$
D)$23/10$

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C
Resolução

Usamos todas as capacitâncias em microfarads. Em paralelo, elas se somam:

\[100M+1000N=2300\]

Dividindo por 100:

\[M+10N=23\qquad\text{(1)}\]

Em série, somam-se os inversos:

\[\frac1{31{,}25}=\frac M{100}+\frac N{1000}\]

Multiplicando por 1000:

\[10M+N=32\qquad\text{(2)}\]

Multiplicamos a equação (1) por dez:

\[10M+100N=230\]

Subtraindo a equação (2):

\[99N=198\]

\[N=2\]

Substituindo na equação (1):

\[M=23-10\cdot2=3\]

Logo, a razão entre as quantidades é:

\[\frac MN=\frac32\]

Q42
Óptica — Refração — Índice, Velocidade e Comprimento de Onda

Em um experimento de óptica, um estudante observa um raio de luz monocromática que se propaga de um meio A (índice de refração $n_a$) para um meio B (índice de refração $n_b$), com $n_a\mathrel{>}n_b$, separados por uma superfície plana. Considerando que ambos os meios são transparentes, homogêneos e isotrópicos, sobre as propriedades da luz nessa situação, é correto afirmar que

A)o comprimento de onda da luz no meio A é maior do que no meio B.
B)o raio de luz se aproxima da reta normal à superfície de separação entre os meios ao passar de A para B.
C)a frequência da luz se altera ao passar do meio A para o meio B.
D)a velocidade da luz no meio A é menor do que a velocidade da luz no meio B.

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D
Resolução

A velocidade da luz é inversamente proporcional ao índice de refração:

\[v=\frac cn\]

O enunciado fornece:

\[n_a>n_b\]

Portanto:

\[v_a<v_b\]

A luz é mais lenta no meio A, de maior índice de refração.

Para conferir as demais afirmações, usamos que a frequência permanece constante na transmissão entre esses meios estacionários:

\[f_a=f_b\]

O comprimento de onda acompanha a velocidade:

\[\lambda=\frac vf\]

\[\lambda_a<\lambda_b\]

Assim, a afirmação A inverte a comparação dos comprimentos de onda.

Na passagem do meio mais refringente para o menos refringente, o raio transmitido se afasta da normal, contrariando B. A incidência normal não produz desvio.

A afirmação C também é falsa, pois a frequência não muda nessa passagem.

Q43
Mecânica — Cinemática — MRU no Plano

Duas partículas, A e B, partem simultaneamente da origem do plano $xy$ em Movimento Retilíneo Uniforme (MRU). A partícula A desloca-se, ao longo do eixo $x$ no sentido positivo, com velocidade constante de módulo $V_a$. A partícula B move-se no primeiro quadrante, com velocidade constante de módulo $V_b$, em uma direção que forma um ângulo $\theta$ (onde $0^\circ\mathrel{<}\theta\mathrel{<}90^\circ$) com o eixo $x$ positivo. A razão, $V_a/V_b$, após o início do movimento, de modo que o vetor $\overrightarrow{AB}$ que conecta as partículas A e B, com origem na partícula A e extremidade na partícula B permaneça sempre paralelo ao eixo $y$, ou seja, com componente horizontal nula, é

A)$\cos\theta$
B)$\text{sen}\theta$
C)$\text{tg}\theta$
D)$\text{cotg}\theta$

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A
Resolução

As partículas partem simultaneamente da origem. Suas posições horizontais são:

\[x_A(t)=V_at\]

\[x_B(t)=V_b\cos\theta\,t\]

Para o vetor que liga A a B permanecer paralelo ao eixo y, sua componente horizontal deve ser nula:

\[x_B(t)-x_A(t)=0\]

Substituindo as posições:

\[V_b\cos\theta\,t-V_at=0\]

Para qualquer instante após a partida, cancelamos o tempo:

\[V_a=V_b\cos\theta\]

Logo:

\[\frac{V_a}{V_b}=\cos\theta\]

Q44
Termologia — Termodinâmica — Ciclo Termodinâmico

Em um experimento didático de termodinâmica, um gás ideal monoatômico é submetido a um ciclo termodinâmico através de um processo quase estático e reversível composto por três etapas distintas: (i) uma expansão isobárica, na qual o volume do gás aumenta de $V_1$ para $V_2$ sob pressão constante $P_1$; (ii) um resfriamento isocórico, em que o volume é mantido em $V_2$ e a pressão é reduzida até um valor $P_2$ ($P_2\mathrel{<}P_1$) por meio da troca de calor com um reservatório térmico; (iii) uma compressão adiabática, que retorna o gás ao seu estado inicial, caracterizado pelo volume $V_1$ e pressão $P_1$. Considerando o comportamento do gás ideal e que todas as transformações são quase estáticas, assinale a opção que corresponde à afirmação verdadeira sobre o ciclo.

A)o trabalho total realizado pelo gás no ciclo é nulo.
B)a temperatura do gás no estado final é maior que no estado inicial.
C)o trabalho total realizado no ciclo é maior que zero.
D)a variação da energia interna do gás ao longo do ciclo é positiva.

Gabarito oficial CEV/UECE 2026.1

C
Resolução

O ciclo retorna ao estado inicial. Por isso, a temperatura final e a energia interna final coincidem com seus valores iniciais:

\[T_f=T_i\]

\[\Delta U_{ciclo}=0\]

No diagrama pressão-volume, acompanhamos três etapas:

1. Expansão isobárica: o volume aumenta sob a pressão mais alta, P₁.

2. Resfriamento isocórico: a pressão diminui, sem mudança de volume.

3. Compressão adiabática: o gás retorna ao ponto inicial por uma curva abaixo da isobárica de expansão.

Esse percurso é horário. A área interna representa trabalho líquido positivo realizado pelo gás:

\[W_{ciclo}>0\]

Pela primeira lei da termodinâmica, adotando trabalho positivo quando realizado pelo gás:

\[\Delta U_{ciclo}=Q_{liq}-W_{ciclo}\]

\[Q_{liq}=W_{ciclo}>0\]

A conclusão corresponde à afirmação de trabalho total maior que zero.

Q45
Eletricidade — Eletrostática — Lei de Coulomb

Duas cargas pontuais $q_1$ e $q_2$ encontram-se no vácuo, localizadas no plano $xy$ nas coordenadas $(0,0)$ e $(0,d)$ respectivamente. Essas cargas se atraem com uma força elétrica de módulo $F$. Em seguida, desloca-se a carga $q_1$ para a coordenada $(X,0)$, com $X\mathrel{>}0$, de forma que a força elétrica entre as cargas $q_1$ e $q_2$ passa a ser $F/2$. Nesse contexto, pode-se afirmar corretamente que as cargas possuem

A)sinais contrários e $X = d$.
B)o mesmo sinal e $X = d$.
C)sinais contrários e $X = 2d$.
D)o mesmo sinal e $X = d/2$.

Gabarito oficial CEV/UECE 2026.1

A
Resolução

As cargas se atraem, portanto seus sinais são contrários.

Antes do deslocamento, a distância entre elas é d. Pela lei de Coulomb:

\[F=\frac{k|q_1q_2|}{d^2}\]

Após mover a primeira carga para (X,0), a nova distância é:

\[r'=\sqrt{X^2+d^2}\]

A força cai à metade:

\[\frac F2=\frac{k|q_1q_2|}{X^2+d^2}\]

Dividindo as expressões das forças, os fatores associados às cargas se cancelam:

\[\frac{F}{F/2}=\frac{X^2+d^2}{d^2}\]

\[2d^2=X^2+d^2\]

\[X^2=d^2\]

Como X é positivo:

\[X=d\]

Q46
Física Geral — Análise Dimensional — Sistemas de Unidades

Em um sistema coerente de unidades em que as unidades fundamentais são representadas por $L$ (comprimento), $M$ (massa) e $T$ (tempo), a unidade de trabalho é representada por $W$. Ao considerar um segundo sistema de unidades coerente no qual as novas unidades fundamentais correspondem a $2L$, $3M$ e $2T$ do sistema anterior, a nova unidade de trabalho é dada por $W'$. Sendo assim, a razão $W'/W$ é

A)$3$
B)$12$
C)$2$
D)$10$

Gabarito oficial CEV/UECE 2026.1

A
Resolução

Trabalho é força multiplicada por deslocamento. Sua dimensão é:

\[[W]=[M][L]^2[T]^{-2}\]

As novas unidades fundamentais valem:

\[L'=2L\]

\[M'=3M\]

\[T'=2T\]

A unidade de trabalho é construída pela mesma relação dimensional:

\[W'=\frac{M'(L')^2}{(T')^2}\]

Substituindo as novas unidades:

\[W'=\frac{(3M)(2L)^2}{(2T)^2}\]

Os fatores de comprimento e tempo entram ao quadrado:

\[W'=\frac{3\cdot4}{4}\frac{ML^2}{T^2}\]

\[W'=3W\]

Portanto:

\[\frac{W'}W=3\]

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