EMESCAM 2027.1 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória

Vestibular de Medicina — 1º semestre de 2027 · Prova 1 · Física (Q36–40) — resolução comentada Método TEF.

Q36
Termologia — Transmissão de calor — Isolamento térmico

A temperatura da água que consumimos faz toda a diferença. Embora a água fria seja refrescante, a opção morna traz ainda mais benefícios para o corpo, pois auxilia no metabolismo, na desintoxicação e no estado de alerta mental. Na digestão, por exemplo, ela otimiza o processamento dos alimentos no estômago, estimula as enzimas digestivas e facilita a absorção de nutrientes. Para garantir que a água permaneça aquecida durante o consumo, uma alternativa é utilizar um copo de vidro de dupla camada com isolamento a ar, como se observa na imagem a seguir.

Disponível em: https://www.medanta.org/patient-education-blog/20-health-benefits-of-drinking-hot-water. Acesso em: 15 jul. 2026 (adaptado).

Copo de vidro com paredes duplas separadas por uma camada de ar.

Disponível em: https://www.parkbrindes.com.br/produto/copo-vidro-parede-dupla-160ml. Acesso em: 15 jul. 2026.

A temperatura da água é mantida porque o:

A)vidro diminui a transferência de temperatura.
B)vidro é um isolante térmico e evita a irradiação.
C)ar consegue armazenar calor em suas partículas.
D)ar é um isolante térmico e evita a condução de calor.

Gabarito oficial preliminar — EMESCAM 2027.1 — Prova 1 — Q36

D
Resolução

A camada de ar entre as paredes do copo oferece resistência à condução térmica. Assim, a energia passa mais lentamente da água quente para o ambiente.

O ar tem baixa condutividade térmica em comparação com o vidro. O isolamento também depende de manter o ar confinado, limitando sua circulação.

Transfere-se energia na forma de calor, e não temperatura. A presença de vidro não impede a emissão de radiação térmica, e o armazenamento de energia no ar não explica a função isolante da camada.

No texto da alternativa, “evita” deve ser entendido como reduz a condução: o isolamento não elimina completamente a transferência de calor.

Alternativa D.

Q37
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência elétrica e pilhas em série

A polissonografia domiciliar é um exame que avalia o sono na casa do paciente, no conforto de sua própria cama. O aparelho portátil pesa menos de 150 gramas e é fixado ao peito ou à cinta abdominal. Alimentado por duas pilhas em série, ele oferece autonomia de 8 a 12 horas de gravação contínua, com consumo de corrente entre 50 mA e 150 mA em operação normal. O exame é indicado para investigar ronco excessivo, insônia, pesadelos frequentes e sonolência súbita ou incontrolável. Sua principal vantagem é analisar o sono em condições reais, já que fatores como luminosidade, ruído, colchão e travesseiro influenciam diretamente o descanso.

Disponível em: https://www.hospitalangiocor.com.br/exames-polissonografia-domiciliar.html. Acesso em: 19 jul. 2026 (adaptado).

Dado: tensão de cada pilha: 1,5 volts.

Se 80% da potência máxima do aparelho é utilizada durante seu funcionamento, qual é o valor da potência dissipada por Efeito Joule?

A)0,05 watts.
B)0,09 watts.
C)0,18 watts.
D)0,36 watts.

Gabarito oficial preliminar — EMESCAM 2027.1 — Prova 1 — Q37

D
Resolução

As tensões das duas pilhas em série se somam.

$$U=1{,}5+1{,}5=3{,}0\text{ V}$$

A potência máxima corresponde ao limite superior da corrente informada.

$$i_{max}=150\text{ mA}=0{,}150\text{ A}$$

$$P_{max}=Ui_{max}$$

$$P_{max}=3{,}0\cdot0{,}150=0{,}45\text{ W}$$

O funcionamento utiliza 80% dessa potência.

$$P=0{,}80P_{max}$$

$$P=0{,}80\cdot0{,}45=0{,}36\text{ W}$$

A autonomia em horas não entra neste cálculo: ela seria necessária para obter uma energia consumida, e não a potência solicitada.

Alternativa D.

Q38
Mecânica — Hidrostática — Pressão atmosférica e sucção

A disfagia — dificuldade de engolir — decorre de condições neurológicas, obstruções físicas ou distúrbios musculares. Em idosos, é um grande desafio, devido ao risco de aspiração para as vias respiratórias. Para reduzir esse perigo e promover a autonomia, utilizam‑se copos adaptados. A escolha do modelo ideal avalia o controle motor do paciente, a gravidade da disfagia e o suporte cervical necessário. Conforme ilustrado a seguir, o copo com tampa evita vazamentos, enquanto o canudo de diâmetro reduzido controla o fluxo e direciona a sucção. Esse sistema dispensa a inclinação do copo ou que o idoso vire a cabeça para trás, já que pressão atmosférica auxilia na deglutição segura do líquido, com o recipiente na vertical.

Disponível em: https://bmbterapeuticos.com.br/disfagia-a-importancia-dos-uso-de-copos-apropriados/. Acesso em: 18 jul. 2026 (adaptado).

Pessoa utilizando um copo adaptado com tampa e canudo, mantido na posição vertical.

O idoso consegue ingerir o líquido porque:

A)ao sugar, realiza uma força para cima sobre ele.
B)a pressão do ar no interior do canudo é reduzida.
C)a pressão atmosférica vence a força gravitacional.
D)a tampa aumenta a pressão do ar ao redor do canudo.

Gabarito oficial preliminar — EMESCAM 2027.1 — Prova 1 — Q38

B
Resolução

Ao sugar, a pessoa reduz a pressão no interior do canudo. A pressão sobre a superfície do líquido no recipiente fica maior que a pressão no alto da coluna de líquido.

$$\Delta p=p_{superficie}-p_{canudo}>0$$

Essa diferença de pressão faz o líquido subir pelo canudo. Para sustentar uma coluna em equilíbrio, desprezando efeitos capilares:

$$\Delta p=\rho gh$$

Durante o escoamento, a diferença também precisa compensar as perdas ao longo do canudo. O mecanismo decisivo é a redução da pressão interna; a tampa não aumenta, por si só, a pressão atmosférica. O copo precisa permitir a reposição do volume retirado, por entrada de ar ou deformação adequada.

Alternativa B.

Q39
Óptica — Óptica da visão — Formação da imagem na retina

O processo natural de envelhecimento ocular propicia a contração do humor vítreo — estrutura composta por 99% de água, colágeno e ácido hialurônico — que gera a formação de agregados fibrilares (grumos) que podem se separar da retina, sem necessariamente comprometer a integridade da visão. Esse fenômeno recebe o nome de moscas volantes, denominação dada pela percepção sintomática do paciente, que enxerga pontos escuros, filamentos ou opacidades que se assemelham a teias de aranha em movimento. Apesar de parecer algo externo ao olho, o fenômeno decorre de fragmentos microscópicos flutuantes que bloqueiam a passagem da luz, projetando sombras na retina. O esquema a seguir ilustra o olho humano com quatro de suas estruturas em destaque.

Disponível em: https://imo.com.br/o-que-sao-moscas-volantes/. Acesso em: 17 jul. 2026 (adaptado).

Esquema do olho iluminado: 1 aponta para a lente anterior, 2 para o interior do globo, 3 para a membrana posterior e 4 para fragmentos suspensos no interior.

Disponível em: https://www.centraldavisao.com.br/retina/o-que-sao-moscas-volantes-tem-cura/. Acesso em: 17 jul. 2016 (adaptada).

Sobre o olho humano, é correto afirmar que a estrutura:

A)1 é o cristalino, uma lente convergente que reflete os raios luminosos até a retina.
B)2 é humor vítreo, formado por uma gelatina opaca que permite manter o formato do olho.
C)3 é a retina, membrana fotossensível do olho onde se forma a imagem invertida dos objetos.
D)4 são os grumos fibrilares, que geram sombras na retina quando a luz incidente é refrata por eles.

Gabarito oficial preliminar — EMESCAM 2027.1 — Prova 1 — Q39

C
Resolução

A indicação 3 aponta para a retina, a membrana fotossensível na parte posterior do olho. O sistema óptico ocular forma sobre ela uma imagem real e invertida do objeto.

A estrutura 1 é o cristalino, que atua como lente convergente por refração da luz, e não por reflexão.

A estrutura 2 corresponde ao humor vítreo, que precisa ser transparente para permitir a passagem da luz. A descrição como gelatina opaca não é adequada.

A indicação 4 identifica os fragmentos que produzem as sombras descritas no enunciado. Essas sombras decorrem do bloqueio de parte da luz; atribuí-las à refração não explica o mecanismo apresentado.

Alternativa C.

Q40
Mecânica — Trabalho e energia — Potência na subida de escadas

Subir e descer degraus queima mais calorias do que a caminhada convencional. Adotar a meta diária de subir quatro lances de escada já é suficiente para abandonar o sedentarismo. O sistema cardiorrespiratório é o principal beneficiado por esse exercício aeróbico. Além de melhorar o fôlego e o condicionamento físico, o hábito traz vantagens essenciais para o organismo: melhora a circulação sanguínea e o nível de HDL ou o colesterol bom no sangue, prevenindo as doenças do coração como o enfarto, entre outras, e ainda aumentando a sua longevidade.

Disponível em: https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/wp-content/uploads/2021/07/575.1-A4-Campanha-uso-das-escadas-210701-pdf-site.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026 (adaptado).

Considere que um teste que avalia o condicionamento físico e a resposta cardiovascular consiste em subir quatro lances de escada, 60 degraus, em um ritmo rápido e constante. Se conseguir completar essa tarefa em:

  • menos de 45 segundos: considera‑se que está em excelente forma e enfrenta um risco menor de um evento cardíaco com risco de vida;
  • entre 45 segundos a 1,5 minutos: está em boa forma e deve mantê‑la;
  • mais de 1,5 minutos: pode estar apresentando sinais de funcionamento cardíaco abaixo do ideal, indicando que seu coração não está bombeando sangue com a eficiência necessária. Isso pode ser um sinal de insuficiência cardíaca, e recomenda‑se consultar um médico cardiologista para uma avaliação detalhada.

Disponível em: https://healthmatters.wphospital.org/blogs/take-this-simple-test-to-check-your-heart-health/. Acesso em: 16 jul. 2026 (adaptado).

Dados:

  • gravidade: $g=10\text{ m/s}^2$;
  • altura de cada degrau: 15 cm;
  • sistema conservativo.

Ao analisar o tempo de subida de quatro lances de escada por um homem com 80 kg, mantendo uma potência de 120 W, nota‑se que ele apresentará um:

A)condicionamento físico adequado, e deve mantê-lo.
B)teste inconclusivo, de acordo com os dados fornecidos.
C)risco de insuficiência cardíaca, por ser muito sedentário.
D)baixo risco cardíaco e excelente condicionamento físico.

Gabarito oficial preliminar — EMESCAM 2027.1 — Prova 1 — Q40

A
Resolução

No modelo conservativo indicado, o trabalho para subir corresponde ao aumento da energia potencial gravitacional. Primeiro, somamos as alturas dos 60 degraus.

$$h=60\cdot0{,}15=9{,}0\text{ m}$$

A energia necessária para a subida é:

$$\Delta E_p=mgh$$

$$\Delta E_p=80\cdot10\cdot9{,}0=7200\text{ J}$$

Com potência constante de 120 W:

$$P=\frac{\Delta E_p}{\Delta t}$$

$$\Delta t=\frac{7200}{120}=60\text{ s}$$

O resultado está entre 45 s e 1,5 min (90 s). Portanto, segundo os critérios apresentados no enunciado, corresponde à categoria de boa forma, expressa como condicionamento físico adequado.

Alternativa A.

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