UFG · 2010 — 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de Goiás

Processo Seletivo 2010-2 · Prova aplicada em 16/05/2010 · Física — questões 41 a 50.

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Q41
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de Geradores e Resistores

Dois geradores ideais, de tensões iguais a $V$, foram ligados a dois resistores iguais, de resistência $R$, conforme ilustram os circuitos a seguir.

Dois circuitos com geradores ideais e resistores associados

Considerando o exposto, a razão da corrente em um dos resistores do circuito (a) pela de um resistor de (b) é:

A)$1/4$
B)$1/2$
C)1
D)2
E)4

Gabarito oficial — UFG 2010-2

E
Resolução comentada

A ideia central é que um gerador ideal mantém a tensão entre seus terminais, seja qual for a corrente. O que muda de um circuito para o outro é só o jeito de ligar as peças.

Circuito (a). Os dois geradores estão em série, então as tensões se somam: $2V$. Os dois resistores estão em paralelo, e cada um fica submetido a essa tensão total. Pela 1ª lei de Ohm, a corrente em cada resistor é $I_a=\dfrac{2V}{R}$.

Circuito (b). Geradores iguais em paralelo não somam tensão: a associação continua fornecendo $V$. Já os dois resistores estão em série, com resistência equivalente $2R$, e a corrente (a mesma nos dois) é $I_b=\dfrac{V}{2R}$.

A razão pedida é $\dfrac{I_a}{I_b}=\dfrac{2V/R}{V/(2R)}=4$.

Vale guardar a leitura: no (a) a tensão dobrou e cada resistor continua com $R$; no (b) a tensão ficou igual, mas a resistência dobrou. São dois efeitos de fator 2 que se multiplicam, e por isso o resultado é 4, e não 2. Quem enxerga só um dos efeitos cai na alternativa D.

Q42
Eletromagnetismo — Força Magnética — Partículas Carregadas em Campo Magnético

Uma cavidade em um bloco de chumbo contém uma amostra radioativa do elemento químico bário. A figura (a) ilustra as trajetórias das partículas $\alpha$, $\beta$ e $\gamma$ emitidas após o decaimento radioativo.

Trajetórias de partículas alfa, beta e gama antes e depois da aplicação de campo magnético

Aplica-se um campo magnético uniforme entrando no plano da folha, conforme ilustrado na figura (b). O comportamento representado pelas trajetórias ocorre porque

A)a partícula $\beta$ tem carga positiva e quantidade de movimento maior que a de $\alpha$.
B)as partículas $\alpha$ e $\beta$ têm cargas opostas e mesma quantidade de movimento.
C)a partícula $\alpha$ tem carga positiva e quantidade de movimento maior que a de $\beta$.
D)a partícula $\alpha$ tem carga maior e quantidade de movimento menor que a de $\beta$.
E)a partícula $\gamma$ tem carga positiva e quantidade de movimento menor que a de $\beta$.

Gabarito oficial — UFG 2010-2

C
Resolução comentada

Vamos por partes. Primeiro, o sinal das cargas. A força magnética $\vec F=q\,\vec v\times\vec B$ troca de sentido quando a carga troca de sinal. Como $\alpha$ e $\beta$ se desviam para lados opostos no mesmo campo, elas têm cargas de sinais contrários: a $\alpha$ é positiva (núcleo de hélio, $+2e$) e a $\beta$ é negativa (elétron, $-e$). A radiação $\gamma$ não tem carga e segue reta. Isso já elimina A (diz que $\beta$ é positiva) e E (diz que $\gamma$ tem carga).

Agora, a quantidade de movimento. Em campo uniforme, a força magnética faz o papel de resultante centrípeta: $|q|vB=\dfrac{mv^2}{R}$, o que dá $R=\dfrac{p}{|q|B}$, ou seja, $p=|q|\,B\,R$. Como $B$ é o mesmo para todas, comparar os momentos é comparar $|q|\,R$.

Pela figura, a trajetória da $\alpha$ é bem menos curvada, isto é, tem raio maior. E ela ainda tem carga maior em módulo ($2e$ contra $e$). Logo $p_\alpha=2e\,B\,R_\alpha$ é maior que $p_\beta=e\,B\,R_\beta$. As duas informações empurram para o mesmo lado, então a conclusão não depende dos valores exatos.

A pegadinha está na D. É verdade que a $\alpha$ tem carga maior, mas carga maior, sozinha, curvaria mais a trajetória. Se ela se curva menos, é porque a quantidade de movimento dela é muito maior. O erro clássico é associar “desvia pouco” a “carga pequena”; o que manda é a razão $p/|q|$.

Q43
Mecânica — Gravitação — Acoplamento de maré

A Lua sempre apresenta a mesma face quando observada de um ponto qualquer da superfície da Terra. Esse fato, conhecido como acoplamento de maré, ocorre porque

A)a Lua tem período de rotação igual ao seu período de revolução.
B)a Lua não tem movimento de rotação em torno do seu eixo.
C)o período de rotação da Lua é igual ao período de rotação da Terra.
D)o período de revolução da Lua é igual ao período de rotação da Terra.
E)o período de revolução da Lua é igual ao período de revolução da Terra.

Gabarito oficial — UFG 2010-2

A
Resolução comentada

Aqui não há conta: o que se cobra é o conceito. Acoplamento de maré (ou rotação síncrona) é quando o período de rotação de um corpo em torno do próprio eixo fica igual ao seu período de revolução em torno de outro corpo.

No caso da Lua, ela dá uma volta em torno de si mesma no mesmo tempo (cerca de 27,3 dias) que leva para dar uma volta em torno da Terra. Como os dois movimentos andam “compassados”, a cada instante o mesmo hemisfério lunar está virado para nós.

Repare que a Lua gira, sim, o que derruba a B. Se ela não girasse, ao longo da órbita mostraria todas as suas faces para a Terra. É justamente a rotação sincronizada que esconde a face oculta. As alternativas C, D e E colocam a rotação ou a revolução da Terra na história, mas o dia terrestre (24 h) não tem nada a ver com o fenômeno.

A origem física é bonita: as marés que a Terra provocou na Lua, ao longo de milhões de anos, dissiparam energia até travar a rotação lunar no ritmo da órbita.

Q44
Mecânica — Cinemática — MUV: Gráficos de Posição e Velocidade

Ao abrir uma garrafa de refrigerante com gás, muitas bolhas de gás carbônico ali formadas sobem desde o fundo da garrafa com um movimento acelerado. Supondo-se que as bolhas têm o mesmo tamanho e a mesma quantidade de gás durante toda subida e desprezando-se quaisquer perdas de energia por resistência ao movimento, dos gráficos a seguir

Gráficos possíveis de posição e velocidade das bolhas em função do tempo

aqueles que representam, respectivamente, a posição e a velocidade das bolhas são:

A)I e IV
B)I e VI
C)II e V
D)II e VI
E)III e V

Gabarito oficial — UFG 2010-2

D
Resolução comentada

O enunciado dá duas pistas: o movimento é acelerado e podemos desprezar a resistência. As bolhas têm sempre o mesmo tamanho e a mesma quantidade de gás, então o empuxo é constante. Com o peso também constante, a força resultante é constante, e portanto a aceleração é constante. Estamos diante de um MUV.

No MUV com $a>0$ no sentido do movimento, a velocidade $v=v_0+at$ é uma reta crescente (função do 1º grau), e a posição $x=x_0+v_0t+\dfrac{at^2}{2}$ é uma parábola com concavidade para cima.

Então procuramos um gráfico de posição que “entorta para cima” e um de velocidade que seja uma reta inclinada para cima. Uma dica de leitura que ajuda muito: a inclinação do gráfico de posição em cada instante é a velocidade. Se a velocidade vai aumentando, a curva vai ficando cada vez mais inclinada, e é isso que dá a concavidade para cima. Os gráficos que atendem são o II (posição) e o VI (velocidade).

Cuidado com dois cenários vizinhos: velocidade constante (reta horizontal) seria MU, e parábola voltada para baixo indicaria aceleração contrária ao movimento, o que não acontece com bolhas que sobem cada vez mais rápido.

Q45
Óptica — Refração — Dispersão da Luz em Prisma

Um feixe de luz branca, ao atravessar um prisma, decompõe-se em suas componentes monocromáticas por causa do efeito da dispersão. A componente que apresenta maior desvio da direção original é aquela que possui

A)maior amplitude.
B)menor comprimento de onda.
C)menor índice de refração.
D)menor frequência.
E)maior velocidade.

Gabarito oficial — UFG 2010-2

B
Resolução comentada

A dispersão acontece porque o índice de refração do vidro depende da cor. Nas cores de menor comprimento de onda (maior frequência), o índice de refração é maior. É o que chamamos de dispersão normal.

Pela lei de Snell, $n_1\sin\theta_1=n_2\sin\theta_2$, quanto maior o índice de refração do prisma, mais o raio se aproxima da normal ao entrar e, portanto, mais ele se desvia da direção original. A soma dos desvios na entrada e na saída do prisma faz o violeta (menor $\lambda$, maior $n$) ser o mais desviado, e o vermelho o menos.

Vale usar isso para eliminar as outras: amplitude tem a ver com intensidade, não com cor (A). Menor índice de refração (C), menor frequência (D) e maior velocidade no vidro (E), já que $v=c/n$, são todas características do vermelho, a cor que menos se desvia.

Um macete para não errar nunca mais: violeta é a cor que o vidro “freia” mais, e a que mais se curva.

Q46
Mecânica — Cinemática — Movimento Circular (Catracas Coaxiais)

A figura abaixo ilustra duas catracas fixas, cujos dentes têm o mesmo passo, da roda traseira de uma bicicleta de marchas que se desloca com velocidade constante, pela ação do ciclista.

Duas catracas concêntricas com pontos P e Q alinhados

Os dentes P e Q estão sempre alinhados e localizados a distâncias $R_P$ e $R_Q$, com $R_P>R_Q$, em relação ao eixo da roda. As grandezas $\omega$, $v$, $\alpha$ e $a$ representam, respectivamente, a velocidade angular, a velocidade tangencial, a aceleração angular e a aceleração centrípeta. As duas grandezas físicas que variam linearmente com o raio e a razão de cada uma delas entre as posições Q e P são:

A)$v$, $\omega$ e 0,7
B)$a$, $v$ e 1,4
C)$\alpha$, $v$ e 1,4
D)$v$, $a$ e 0,7
E)$\omega$, $\alpha$ e 1,4

Gabarito oficial — UFG 2010-2

D
Resolução comentada

As duas catracas são fixas na mesma roda traseira, então giram juntas, como um único corpo rígido em torno do mesmo eixo. Isso já resolve metade do problema: $\omega$ e $\alpha$ são iguais para P e Q. Logo, essas duas grandezas não “variam com o raio”, e E (que fala justamente de $\omega$ e $\alpha$) fica descartada.

O que depende do raio é o que está ligado a ele por uma relação linear: a velocidade tangencial $v=\omega R$ e a aceleração centrípeta $a=\omega^2R$. Como $\omega$ é o mesmo, tanto $v$ quanto $a$ são diretamente proporcionais a $R$. (A aceleração angular $\alpha$ é comum aos dois pontos; e, com a bicicleta a velocidade constante, ela nem é relevante.)

A razão pedida é da posição Q pela posição P: $\dfrac{v_Q}{v_P}=\dfrac{a_Q}{a_P}=\dfrac{R_Q}{R_P}=0{,}7$. Como o enunciado diz que $R_P>R_Q$, o resultado tem que ser menor que 1, o que já elimina as alternativas com 1,4 (esse seria o valor de P por Q, a razão invertida).

Uma observação de professor: o detalhe “dentes com o mesmo passo” só garante que o número de dentes é proporcional ao raio, mas não altera o raciocínio principal.

Q47
Óptica — Óptica Física — Espalhamento de Rayleigh

A coloração do céu deve-se à dispersão da luz do Sol pelas partículas que compõem a atmosfera. Observamos que o céu é azul, exceto quando o Sol encontra-se na linha do horizonte, no crepúsculo, quando sua cor é avermelhada. Lord Rayleigh mostrou que a intensidade $I$ de luz espalhada é proporcional à quarta potência da frequência, $I\propto f^4$. O comprimento de onda do azul e do vermelho são, respectivamente, da ordem de 400 nm e 720 nm. A razão entre as intensidades dispersadas da luz azul pela da vermelha é de, aproximadamente,

A)0,1
B)0,3
C)1,8
D)3,2
E)10,5

Gabarito oficial — UFG 2010-2

E
Resolução comentada

Passo 1: colocar tudo na mesma variável. A lei de Rayleigh do enunciado usa a frequência, mas os dados vêm em comprimento de onda. Como $c=\lambda f$, temos $f=c/\lambda$ e, assim, $I\propto f^4\propto\dfrac{1}{\lambda^4}$. Quanto menor o comprimento de onda, muito mais intensa é a luz espalhada.

Passo 2: a razão. $\dfrac{I_{azul}}{I_{verm}}=\left(\dfrac{\lambda_{verm}}{\lambda_{azul}}\right)^4=\left(\dfrac{720}{400}\right)^4=1{,}8^4$.

Passo 3: a conta sem calculadora. $1{,}8^2=3{,}24$ e $3{,}24^2\approx10{,}5$. O azul é espalhado cerca de dez vezes mais que o vermelho. É por isso que o céu é azul durante o dia; no crepúsculo, a luz solar atravessa uma camada bem mais espessa de atmosfera, o azul é espalhado para fora do feixe e o que chega até nós é o vermelho.

Os erros previsíveis estão nas alternativas. Se você inverte a razão, obtém $1/10{,}5\approx0{,}1$ (A). Se para em $1{,}8$ sem elevar (C), ou eleva ao quadrado apenas (D, $\approx3{,}2$), cai nas outras armadilhas.

Q48
Mecânica — Quantidade de Movimento — Teorema do Impulso

Um jogador de hockey no gelo consegue imprimir uma velocidade de 162 km/h ao puck, cuja massa é de 170 g. Considerando-se que o tempo de contato entre o puck e o stick é da ordem de um centésimo de segundo, a força impulsiva média, em newton, é de:

A)7,65
B)$7{,}65\times10^2$
C)$2{,}75\times10^3$
D)$7{,}65\times10^3$
E)$2{,}75\times10^4$

Gabarito oficial — UFG 2010-2

B
Resolução comentada

Quando o problema fala em “força impulsiva média” e dá o tempo de contato, o caminho é o teorema do impulso: $F_m\,\Delta t=\Delta p=m\,\Delta v$.

Antes de qualquer coisa, unidades: $162\ \text{km/h}=\dfrac{162}{3{,}6}=45\ \text{m/s}$ e $m=170\ \text{g}=0{,}170\ \text{kg}$. O puck parte (praticamente) do repouso, então $\Delta v=45\ \text{m/s}$ e $\Delta p=0{,}170\times45=7{,}65\ \text{kg·m/s}$.

Dividindo pelo tempo de contato: $F_m=\dfrac{7{,}65}{0{,}01}=765\ \text{N}=7{,}65\times10^{2}\ \text{N}$.

Um teste de bom senso: o puck pesa cerca de $1{,}7\ \text{N}$, e a força do taco é centenas de vezes maior. É isso que caracteriza uma força impulsiva, e por isso o peso pode ser desprezado durante o choque.

Cada erro comum tem uma alternativa esperando: parar em $\Delta p$ (sem dividir por $\Delta t$) dá $7{,}65$ (A), e esquecer de converter km/h em m/s dá $\approx2{,}75\times10^{3}$ (C).

Q49
Eletricidade — Eletrostática — Carga em Excesso de um Corpo Macroscópico

Um fato pouco frisado é a igualdade numérica entre a carga do elétron e a do próton. Considere uma esfera de zinco de massa 6,54 g na qual a carga do elétron e a do próton diferem entre si por uma parte em um milhão da carga elementar, $|\Delta Q|=1{,}0\times10^{-6}e$. Nesse caso, o módulo do excesso de carga, em coulomb, é da ordem:

Dados: constante de Avogadro $6{,}0\times10^{23}$ e carga elementar $e=1{,}6\times10^{-19}\,\text{C}$.

A)0,0096
B)0,029
C)0,096
D)0,29
E)2,9

Gabarito — UFG 2010-2

D
Resolução comentada

Esse é um problema de encadeamento de contas, e o segredo é caminhar um passo de cada vez, sempre pensando na ordem de grandeza.

1) Quantos átomos? Com a tabela periódica, o zinco tem número atômico $Z=30$ e massa molar de cerca de $65{,}4\ \text{g/mol}$. Então $n=\dfrac{6{,}54}{65{,}4}=0{,}10\ \text{mol}$, o que dá $0{,}10\times6{,}0\times10^{23}=6{,}0\times10^{22}$ átomos.

2) Quantos pares próton-elétron? Cada átomo neutro tem 30 prótons e 30 elétrons, logo há $6{,}0\times10^{22}\times30=1{,}8\times10^{24}$ prótons (e o mesmo número de elétrons).

3) Qual o desequilíbrio? A cada par, a carga do próton e a do elétron diferem em $10^{-6}e$. Então $Q=1{,}8\times10^{24}\times10^{-6}\times1{,}6\times10^{-19}\approx0{,}29\ \text{C}$.

Para ter noção do que isso significa: $0{,}29\ \text{C}$ é uma carga gigantesca. Duas esferas assim, a 1 m de distância, se repeliriam com cerca de $10^{9}\ \text{N}$. O fato de a matéria comum ser neutra revela que a igualdade entre as cargas do próton e do elétron é verificada com precisão muito maior que uma parte em um milhão.

Sobre as alternativas: esquecer os 30 prótons por átomo e contar só os átomos dá $\approx0{,}0096$ (A), o que mostra por que o passo 2 é o que mais derruba.

Q50
Mecânica — Dinâmica — Atrito Cinético (Força Muscular)

A força muscular origina-se nas fibras musculares, conforme figura (a), como resultado das interações entre certas proteínas que experimentam mudanças de configuração e proporcionam a contração rápida e voluntária do músculo. A força máxima que um músculo pode exercer depende da sua área da seção reta e vale cerca de $30\,\text{N/cm}^2$. Considere um operário que movimenta com uma velocidade constante uma caixa de 120 kg sobre uma superfície rugosa, de coeficiente de atrito 0,8, usando os dois braços, conforme ilustrado na figura (b).

Representação de fibras musculares e operário empurrando uma caixa

Dessa forma, a menor seção reta dos músculos de um dos braços do operário, em cm², e uma das proteínas responsáveis pela contração das miofibrilas são:

Dado: $g=10{,}0\,\text{m/s}^2$.

A)16 e actina.
B)16 e mielina.
C)20 e miosina.
D)32 e actina.
E)32 e miosina.

Gabarito oficial — UFG 2010-2

A
Resolução comentada

Questão que mistura Física e Biologia, mas cada parte é simples. Vamos à Física.

Velocidade constante significa força resultante nula. Então a força horizontal que o operário aplica na caixa equilibra a força de atrito cinético, $F=\mu N$. Em superfície horizontal, $N=mg$, logo $F=\mu\,m\,g=0{,}8\times120\times10=960\ \text{N}$.

Essa força é feita pelos dois braços, então cada braço contribui com $480\ \text{N}$. Se cada $\text{cm}^2$ de seção reta do músculo produz, no máximo, $30\ \text{N}$, a área mínima de um braço é $A=\dfrac{480}{30}=16\ \text{cm}^2$.

Quem esquece de dividir pelos dois braços encontra $960/30=32\ \text{cm}^2$ (alternativas D e E), a armadilha mais comum.

Parte de Biologia: a contração das miofibrilas ocorre pelo deslizamento entre filamentos de actina e miosina. A mielina não participa: é a bainha isolante dos axônios dos neurônios. Entre as alternativas com $16\ \text{cm}^2$, a única que traz uma proteína contrátil é a A (actina). A miosina também participa da contração, mas aparece apenas junto de valores que a conta descarta (20 e 32).

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