UFG · 2012 — 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de Goiás

Processo Seletivo 2012-2 · Prova aplicada em 06/05/2012 · Física — questões 41 a 50.

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Q41
Termologia — Termodinâmica — História da Máquina a Vapor

Uma invenção científica, realizada em um país europeu, culminou no surgimento de uma nova área do conhecimento da Física, provocando uma grande transformação econômica. Essa invenção levou ao exponencial crescimento da exploração de um determinado minério. Tal fato viabilizou a criação de uma grande rede que mudou o cenário europeu.

Essa invenção, a área do conhecimento e o extrativismo mineral foram, respectivamente,

A)a máquina a vapor, o desenvolvimento da termodinâmica e o ferro, para a construção dessas máquinas e da rede ferroviária.
B)o motor elétrico, o desenvolvimento do eletromagnetismo e o cobre, para a distribuição de energia através da rede elétrica.
C)o motor de combustão interna, o desenvolvimento da termodinâmica e o petróleo, para o abastecimento dos automóveis, que geraram a rede rodoviária.
D)a máquina a vapor, o desenvolvimento da termodinâmica e o carvão, para alimentar navios a vapor, que geraram a rede pluvial.
E)o transistor, o desenvolvimento dos semicondutores e o silício, para a produção de dispositivos eletrônicos, que geraram a rede mundial de computadores.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

A
Resolução comentada

Questão de cultura científica: o enunciado descreve, sem citar o nome, a máquina a vapor. Os três indícios são a “invenção” que gerou “uma nova área da Física”, uma “grande transformação econômica” e uma “grande rede” que mudou o cenário europeu.

A máquina a vapor transforma calor em trabalho. Foi tentando entender e melhorar esse rendimento (o ciclo de Carnot, de 1824, nasce justamente daí) que se desenvolveu a termodinâmica. Um bom lembrete: a máquina veio antes da teoria, e a ciência correu atrás da tecnologia.

Quanto ao minério: as máquinas, os trilhos e as locomotivas eram de ferro, o que fez a exploração do ferro crescer exponencialmente, e a “grande rede” foi a rede ferroviária.

Repare nos erros das outras. Em D, a “rede pluvial” não é rede de transporte, e a força-motriz dos navios era o carvão como combustível, não como material de construção da rede. B e E citam invenções que vieram bem depois (a termodinâmica já estava consolidada), e C trata do século XX.

Q42
Eletricidade — Eletrostática — Potencial de uma Esfera Condutora

Uma esfera de raio 1,8 cm é carregada negativamente no vácuo até alcançar o potencial de 4,0 kV. A massa total dos elétrons, em kg, que produzem esse potencial, é:

Dados: $k=9\times10^9$ N·m²/C²; $m_e=9\times10^{-31}$ kg; $e=1{,}6\times10^{-19}$ C.

A)$8{,}1\times10^{-22}$
B)$4{,}5\times10^{-20}$
C)$8{,}1\times10^{-18}$
D)$4{,}5\times10^{-18}$
E)$4{,}0\times10^{-10}$

Gabarito oficial — UFG 2012-2

B
Resolução comentada

A pergunta é: quantos elétrons, no total, geram esse potencial? O caminho passa por três degraus: potencial $\to$ carga $\to$ número de elétrons $\to$ massa.

1) Da tensão à carga. Uma esfera condutora carregada tem potencial, na superfície, $V=\dfrac{kQ}{R}$. Isolando, $Q=\dfrac{VR}{k}=\dfrac{(4{,}0\times10^{3})(1{,}8\times10^{-2})}{9\times10^{9}}=8{,}0\times10^{-9}\ \text{C}$. Atenção para converter $1{,}8\ \text{cm}=1{,}8\times10^{-2}\ \text{m}$.

2) Da carga ao número de elétrons. $N=\dfrac{Q}{e}=\dfrac{8{,}0\times10^{-9}}{1{,}6\times10^{-19}}=5{,}0\times10^{10}$ elétrons.

3) Da contagem à massa. $m=N\,m_e=5{,}0\times10^{10}\times9\times10^{-31}=4{,}5\times10^{-20}\ \text{kg}$.

Para ter ideia de grandeza: a massa dos elétrons em excesso é ridiculamente pequena, mas o efeito elétrico é enorme (4 kV!). Uma armadilha típica é esquecer de converter cm em m: com $R=1{,}8$ em vez de $1{,}8\times10^{-2}$ você chega em $4{,}5\times10^{-18}$ (alternativa D).

Q43
Mecânica — Cinemática — Rotação da Terra e Longitude

No século XVIII, a dificuldade de medir a longitude fez o Parlamento britânico oferecer um prêmio por uma solução. O ganhador foi o fabricante de relógios John Harrison, em 1736, criador do cronômetro marítimo. A longitude é a posição na direção leste-oeste na Terra, medida a partir do meridiano que passa em Londres. Entretanto, essa medida não pode ser obtida somente pela observação do Sol, mas pela hora local na embarcação em relação ao horário de Londres.

As medidas de longitude, que são obtidas por relógios de precisão, terão como referência o meridiano de Londres, devido

A)às correntes marítimas sincronizadas com a rotação da Terra.
B)ao movimento da embarcação em relação ao continente.
C)ao movimento de rotação da Terra em torno de seu eixo.
D)à redução das distâncias percorridas em altas latitudes.
E)ao movimento de translação da Terra que altera a duração dos dias.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

C
Resolução comentada

A Terra dá uma volta completa em torno do próprio eixo em cerca de 24 h. Isso equivale a $360^\circ$ em 24 h, ou seja, $15^\circ$ de giro por hora.

Agora a sacada de Harrison: se o relógio de bordo marca a hora do porto de origem (Londres) e a observação do Sol dá a hora local do navio, a diferença entre as duas horas mostra quantos graus de longitude o navio andou para leste ou oeste. Por exemplo, 3 horas de diferença significam $45^\circ$. O relógio precisa ser muito preciso, porque um erro de apenas 4 minutos já corresponde a $1^\circ$ de longitude.

Ou seja, o método só funciona porque a Terra gira. Por isso a resposta é a rotação da Terra em torno do seu eixo (C).

Sobre as demais: as correntes marítimas (A) e o movimento do navio (B) não definem a referência; as altas latitudes (D) mexem com a distância entre meridianos, não com a hora; e a translação (E) não altera a duração dos dias do jeito descrito.

Q44
Óptica — Reflexão e Espelhos — Espelho Côncavo

Um objeto retangular é colocado diante de um espelho côncavo, conforme representado na figura a seguir.

Objeto retangular diante de um espelho côncavo, com centro, foco e vértice indicados Alternativas gráficas para a imagem formada pelo espelho côncavo

Para a situação apresentada, a imagem conjugada por esse espelho é:

A)Figura A.
B)Figura B.
C)Figura C.
D)Figura D.
E)Figura E.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

A
Resolução comentada

Esse é o tipo de questão em que desenhar ajuda mais que qualquer fórmula. O objeto ABCD está além do centro de curvatura $O$. Nessa posição, o espelho côncavo forma uma imagem real, invertida e menor, situada entre $O$ e $F$.

Agora vem a parte que derruba muita gente: o objeto não é fininho, ele tem “profundidade” (a face BD está mais perto do espelho que a face AC). Vamos ver o que isso causa.

Inversão vertical: imagens reais são invertidas. O ponto A (topo) vai para baixo e C (base) vai para cima. Então a linha de cima da imagem tem C′ e D′, e a de baixo, A′ e B′.

Inversão horizontal (profundidade): os pontos B e D estão mais perto do espelho, e por isso suas imagens se formam mais longe do espelho, portanto mais à esquerda. Já A e C, mais distantes, formam imagens mais perto do espelho, à direita. Resultado: em cima temos D′ (esquerda) e C′ (direita); embaixo, B′ (esquerda) e A′ (direita).

Deformação: quanto mais perto do foco está o objeto, maior é o aumento. Como B e D estão mais perto do espelho (e do foco) que A e C, a lateral B′D′ fica maior que a lateral A′C′. É por isso que a imagem correta é um trapézio e não um retângulo.

Juntando tudo, apenas a figura A apresenta um trapézio reduzido, com a ordem D′C′ em cima e B′A′ embaixo, e o lado maior à esquerda. As figuras D e E mostram imagens ampliadas, o que só aconteceria com o objeto entre $O$ e $F$ (ou, para imagem virtual, entre $F$ e o espelho). E uma imagem reduzida sem distorção ignora que as partes do objeto estão a distâncias diferentes do espelho.

Q45
Termologia — Calorimetria — Capacidade Térmica e Correntes Marítimas

O clima terrestre é fortemente influenciado pela latitude, pela maritimidade/continentalidade e pelas correntes marítimas. Por exemplo, o sul do Canadá e a Europa apresentam temperaturas médias bem distintas, apesar de estarem na mesma faixa de latitude. O que justifica essa diferença nas regiões costeiras é que na costa do Canadá chega a corrente fria

A)do Atlântico Norte, enquanto na Europa chega a corrente quente do Golfo. A baixa temperatura costeira deve-se à baixa capacidade térmica do oceano.
B)do Atlântico Norte, enquanto na Europa chega a corrente quente do Golfo. A baixa variação da temperatura costeira deve-se às correntes de convecção do ar, os ventos Alísios provenientes do continente.
C)da Groenlândia, enquanto na Europa chega a corrente quente do Atlântico Norte. A baixa variação da temperatura costeira deve-se à elevada condutividade térmica do oceano.
D)do Labrador, enquanto na Europa chega a corrente quente do Atlântico Norte. A baixa temperatura costeira deve-se ao baixo calor específico da água.
E)do Labrador, enquanto na Europa chega a corrente quente do Atlântico Norte. A baixa variação da temperatura costeira deve-se à elevada capacidade térmica do oceano.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

E
Resolução comentada

A questão junta Geografia com uma ideia central de Termologia: o calor específico (ou capacidade térmica) da água. Vamos separar os dois pedaços.

Geografia. Na costa leste do Canadá chega a corrente fria do Labrador, vinda do Ártico. Na Europa ocidental chega o ramo quente da Corrente do Atlântico Norte (prolongamento da Corrente do Golfo). É isso que deixa Londres e Paris bem mais amenas que o sul do Canadá, apesar de estarem em latitudes parecidas.

Física. A água tem calor específico muito alto ($\approx4{,}2\ \text{J/g·K}$). Da relação $Q=m\,c\,\Delta T$, para uma mesma quantidade de calor trocada, um oceano enorme (grande $m$ e grande $c$) varia pouco a temperatura. O oceano funciona como um enorme reservatório térmico: esquenta devagar no verão, esfria devagar no inverno, e isso suaviza o clima da costa (maritimidade). Já o interior do continente, sem esse amortecedor, tem amplitude térmica maior (continentalidade).

Por que as outras falham: A e D dizem que a água tem baixa capacidade térmica ou baixo calor específico, o que é o contrário da realidade. B usa ventos e convecção do ar, sem relação com o que a pergunta cobra. C usa “condutividade térmica”, que não é a propriedade que faz o mar “segurar” a temperatura. Além disso, apenas D e E citam o Labrador corretamente, e só a E fecha a explicação com a capacidade térmica elevada.

Q46
Física Moderna — Física Nuclear — Decaimento Beta

A datação arqueológica consiste na quantificação do carbono-14 ($^{14}_{6}C$), um isótopo radioativo do carbono, em um determinado corpo ou objeto em estudo. O $^{14}_{6}C$ é formado quando um nêutron proveniente dos raios cósmicos é capturado por um átomo de nitrogênio ($^{14}_{7}N$), expelindo um próton. O $^{14}_{6}C$ decai espontaneamente para $^{14}_{7}N$ com tempo de meia-vida superior a 5.000 anos.

Nesse processo de decaimento radioativo ocorre a emissão de:

A)partículas alfa.
B)partículas beta.
C)partículas gama.
D)prótons.
E)nêutrons.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

B
Resolução comentada

Em decaimento radioativo, a receita é sempre a mesma: conservar o número de massa e a carga. Escrevendo a reação do enunciado:

$^{14}_{6}\text{C}\ \longrightarrow\ ^{14}_{7}\text{N}+{}^{0}_{-1}e+\bar\nu$

O número de massa continua 14, o que descarta a emissão de partículas $\alpha$ (que reduziriam a massa em 4 unidades) e a de prótons ou nêutrons (que a alterariam em 1 unidade). O número atômico sobe de 6 para 7. Para a carga se conservar, precisa ser emitida uma carga $-1$: um elétron. Isso é o decaimento $\beta^-$, no qual um nêutron do núcleo se transforma em próton.

A radiação $\gamma$ (C) até pode acompanhar decaimentos, mas não muda o número atômico nem o de massa, então não explica a transformação de C-14 em N-14.

Uma curiosidade útil para a datação: como a meia-vida do C-14 é de cerca de 5 730 anos, ele serve para datar materiais orgânicos de até algumas dezenas de milênios.

Q47
Mecânica — Hidrostática — Lei de Stevin e Densidade

Na indústria sucroalcooleira, o controle de qualidade de líquidos é feito utilizando-se sensores que permitem quantificar suas propriedades características. Uma propriedade em particular é medida de acordo com o esquema.

Sensor ligado a dois pontos de um líquido separados por uma diferença de altura h

A propriedade física do líquido obtida por esse sensor, baseada apenas na diferença de altura, é

A)a temperatura.
B)a massa.
C)o volume.
D)a densidade.
E)a viscosidade.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

D
Resolução comentada

O esquema mostra dois pontos da parede do tanque, na mesma vertical e separados por uma altura $h$ conhecida, ligados a um sensor. Como o líquido está em equilíbrio, vale a lei de Stevin: a diferença de pressão entre dois pontos de um mesmo líquido é $\Delta p=\rho\,g\,h$.

O sensor mede a diferença de pressão entre os dois pontos. Se $h$ e $g$ são conhecidos, é só isolar: $\rho=\dfrac{\Delta p}{g\,h}$. A propriedade obtida, baseada apenas na diferença de altura, é a densidade.

Pense nas outras opções: a temperatura precisaria de um termômetro; a massa e o volume dependem do tamanho do tanque, e a leitura entre dois pontos não os revela; a viscosidade exigiria um líquido em escoamento, e aqui o fluido está parado.

Uma vantagem prática deste método: ele funciona sem tocar no líquido com balança nem bóia, só com a leitura da pressão. Em usinas de açúcar e álcool, a densidade está ligada ao teor de sólidos dissolvidos, o que explica a aplicação.

Q48
Mecânica — Dinâmica — Frenagem e Curva Plana

Em uma competição de motociclismo, as motos atingem velocidades de até 324 km/h e executam as curvas a cerca de 108 km/h. Os coeficientes de atrito cinético ($\mu_c$) e estático ($\mu_e$) entre o asfalto e o pneu são fundamentais para o alto desempenho na prova. Para uma freagem em 150 m de distância, desde a velocidade máxima até a melhor velocidade para realizar uma curva, a desaceleração em m/s² e o coeficiente de atrito que permite realizar uma curva de raio 90 m são, respectivamente:

Dado: $g=10$ m/s².

A)48 e $\mu_c\ge0{,}3$.
B)48 e $\mu_e\le0{,}3$.
C)32 e $\mu_e\ge1{,}0$.
D)24 e $\mu_c\le1{,}0$.
E)24 e $\mu_e\ge1{,}0$.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

E
Resolução comentada

A questão tem duas perguntas encadeadas: primeiro a desaceleração na frenagem, depois o atrito exigido na curva.

Unidades. $324\ \text{km/h}=90\ \text{m/s}$ e $108\ \text{km/h}=30\ \text{m/s}$.

Frenagem. Sem dado de tempo, usamos Torricelli: $v^2=v_0^2+2a\,\Delta s$. Substituindo, $30^2=90^2+2a(150)$, logo $900=8100+300a$ e $a=-24\ \text{m/s}^2$. Ou seja, o módulo da desaceleração é 24 m/s², o que exclui as opções com 48 e 32.

Curva. Na curva plana, o que faz o papel de resultante centrípeta é a força de atrito. Como o pneu rola sem deslizar, o atrito é estático, e ele tem um valor máximo $\mu_e N=\mu_e mg$. Para não derrapar: $\mu_e\,mg\ \ge\ \dfrac{mv^2}{R}$, ou seja, $\mu_e\ \ge\ \dfrac{v^2}{Rg}=\dfrac{30^2}{90\times10}=1{,}0$.

Duas armadilhas de linguagem estão nas alternativas: (i) o coeficiente relevante é o estático, e não o cinético (por isso D e A caem); (ii) o sinal da desigualdade é “maior ou igual”, pois $\mu_e=1$ é o valor mínimo que permite a curva.

Uma observação de professor: com $\mu\approx1$, o atrito do pneu sozinho fornece no máximo cerca de $10\ \text{m/s}^2$ de desaceleração. Os $24\ \text{m/s}^2$ da frenagem só são possíveis porque, a mais de 300 km/h, o arrasto do ar ajuda bastante a frear.

Q49
Física Moderna — Física Quântica — Espectro de Absorção e Energia de Fótons

O espectro de absorção de luz por uma substância representa suas transições eletrônicas e está diretamente relacionado à sua coloração. Na figura a seguir, estão apresentados os espectros de duas moléculas orgânicas encontradas em alguns seres vivos.

Espectros de absorção 1 e 2 em função do comprimento de onda, com picos em 414, 460, 490 e 690 nm

As moléculas representadas pelos espectros 1 e 2 e a energia do pico de maior frequência, em elétron-volt (eV), são, respectivamente,

Dados: $c=3\times10^8$ m/s; $h=4{,}14\times10^{-15}$ eV·s.

A)clorofila, xantofila e 1,8 eV.
B)melanina, xantofila e 2,7 eV.
C)clorofila, β-caroteno e 3,0 eV.
D)β-caroteno, clorofila e 1,8 eV.
E)xantofila, melanina e 3,0 eV.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

C
Resolução comentada

Duas tarefas: identificar as moléculas pela cor e calcular uma energia de fóton.

Identificando pelas cores. Uma molécula “tem a cor” da luz que ela não absorve. O espectro 1 mostra absorção intensa no azul (pico em 460 nm) e no vermelho (pico em 690 nm), com pouquíssima absorção no verde. É a assinatura da clorofila: ela absorve azul e vermelho e reflete o verde, por isso as folhas são verdes. O espectro 2 absorve na região azul-esverdeada (pico em 490 nm), e o restante da luz visível, que chega ao olho, é amarelo-alaranjado. É típico de um carotenoide, como o β-caroteno.

Energia do pico de maior frequência. Maior frequência é menor comprimento de onda; entre os picos indicados na figura, é o de $414\ \text{nm}$. Com $E=\dfrac{hc}{\lambda}$:

$E=\dfrac{(4{,}14\times10^{-15}\ \text{eV·s})(3\times10^{8}\ \text{m/s})}{414\times10^{-9}\ \text{m}}=3{,}0\ \text{eV}$.

Uma sacada de conferência: os outros picos dariam $\dfrac{1242\ \text{eV·nm}}{460\ \text{nm}}\approx2{,}7\ \text{eV}$ e $\dfrac{1242}{690}\approx1{,}8\ \text{eV}$, exatamente os valores que aparecem nas alternativas erradas. O produto $hc\approx1240\ \text{eV·nm}$ é um atalho bom de decorar.

A única alternativa com clorofila, β-caroteno e 3,0 eV é a C. A E também tem 3,0 eV, mas põe xantofila e melanina onde a figura mostra uma clorofila.

Q50
Eletricidade — Eletrostática — Rigidez dielétrica do ar

Os fogões residenciais a gás com acendimento automático são alimentados por uma ddp de 220 V. Neles, um circuito elétrico produz uma tensão de 17 kV no faiscador. Com o gás aberto, a chama acende porque a ddp de

A)17 kV gera uma corrente elétrica na superfície do material, que aquece a boca do fogão e a mistura gás-nitrogênio.
B)220 V supera o campo de ruptura do ar e gera uma centelha que fornece calor para a mistura gás-oxigênio.
C)17 kV gera uma corrente elétrica na superfície do material; essa aquece a boca do fogão que, por sua vez, aquece a mistura gás-oxigênio.
D)17 kV supera o campo de ruptura do ar e gera uma centelha que fornece calor para a mistura gás-oxigênio.
E)220 V gera uma corrente elétrica no ar condutor, que aquece a mistura gás-nitrogênio.

Gabarito oficial — UFG 2012-2

D
Resolução comentada

A chama do fogão acende sem fósforo porque o circuito do acendedor eleva a tensão da rede (220 V) até 17 kV e aplica essa tensão em um pequeno espaço de ar entre dois eletrodos: o faiscador.

O ar é um bom isolante, mas não perfeito. Quando o campo elétrico no ar ultrapassa a rigidez dielétrica ($\approx3\times10^{6}\ \text{V/m}$, ou 3 kV por mm), as moléculas se ionizam, o ar passa a conduzir e salta uma centelha. Uma tensão de 17 kV é suficiente para romper alguns milímetros de ar (em torno de 5 mm), enquanto 220 V só romperia uma distância de décimos de milímetro.

A centelha libera energia localizada, aquece a mistura de gás combustível com oxigênio e dá a partida na combustão. Por isso a tensão que interessa é a de 17 kV (e não a de 220 V), e o comburente é o oxigênio, não o nitrogênio.

Ficam de lado as alternativas que falam em aquecer a boca do fogão por corrente elétrica na superfície do material (A e C), que descrevem um outro mecanismo, o de uma resistência, e não o de uma faísca.

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