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1999.2CE — FMTM 1999.2 · CE — Física

Q08
Mecânica — Trabalho e energia — Esteira transportadora: velocidade e potência do motor

Três cubos, de dimensões desprezíveis e massas iguais a m = 2 kg, estão sobre uma esteira, inicialmente em repouso, distanciados 5 metros um do outro (fig.1). Após ligar-se o motor que aciona a esteira, verifica-se que, para um instante t = 0, a mesma se encontra com velocidade constante. Após 4 segundos, os três cubos estão nas posições indicadas na fig.2.

Figura 1: três cubos numerados 1, 2 e 3 sobre a parte horizontal inferior da esteira, a 5 m um do outro e o cubo 3 a 1 m do início da rampa, que sobe 6 m em 8 m na horizontal. Figura 2: após 4 s, o cubo 2 está no topo da rampa, o cubo 3 a 5 m dele no trecho superior e o cubo 1 a 5 m de distância do cubo 2, sobre a rampa

Sabendo-se que, no local, g = 10 m/s2, e admitindo-se que não haja deslizamento dos blocos na esteira, nem perdas no sistema, determine:

(A) a velocidade da esteira, em m/s.

(B) a potência do motor que aciona a esteira nesses 4 segundos.

(A) 4 m/s. (B) 75 W.
Resolução

(A) A rampa tem desnível de 6 m e base de 8 m, logo seu comprimento é √(6² + 8²) = 10 m. Como não há deslizamento, os cubos se movem com a esteira, e as distâncias entre eles, medidas ao longo dela, não mudam.

Observe o cubo 3. Inicialmente, está a 1 m do início da rampa. Após 4 s, está no trecho superior, a 5 m do cubo 2, que está no topo da rampa. Logo, ele percorreu:

\[\Delta s=1+10+5=16\,\mathrm{m}\]

\[v=\frac{\Delta s}{\Delta t}=\frac{16}{4}=4\,\mathrm{m/s}\]

(B) A partir de t = 0, a esteira e os cubos têm velocidade constante, de modo que a energia cinética não varia. Sem perdas, o trabalho do motor nos 4 s é o ganho de energia potencial gravitacional dos cubos.

• Cubo 3: sobe 6 m, ΔEp = 2 · 10 · 6 = 120 J.

• Cubo 2: também sobe 6 m, ΔEp = 120 J.

• Cubo 1: está a 5 m do topo ao longo da rampa de 10 m (que sobe 6 m), ou seja, a 3 m de altura, ΔEp = 2 · 10 · 3 = 60 J.

\[W=120+120+60=300\,\mathrm{J}\]

\[P=\frac{W}{\Delta t}=\frac{300}{4}=75\,\mathrm{W}\]

Q09
Mecânica — Trabalho e energia — Canaleta, trecho horizontal e mola

A figura mostra o movimento de uma bolinha de massa m = 1 kg, abandonada do topo de uma canaleta de 5 m de altura (A). Ao atingir a superfície horizontal (B), ela percorre 10 m, com velocidade constante, até encontrar uma mola, de k = 1·104 N/m, fixada a um anteparo (C). Admite-se que não há perdas no sistema e que, no local, g = 10 m/s2.

Canaleta curva de 5 m de altura, com a bolinha em A no topo, que se encontra com a superfície horizontal em B; a mola está fixada ao anteparo em C, a 10 m de B

Pede-se:

(A) o tempo que a bolinha gasta para ir de A até C, em segundos.

(B) a máxima deformação ocorrida na mola, em cm, após ser atingida pela bolinha.

(A) ≈ 2,3 s (descida ≈ 1,3 s + 1,0 s no trecho horizontal). (B) 10 cm.
Resolução

(A) Sem perdas, a energia se conserva na descida:

\[mgh=\frac{mv_B^2}{2}\Rightarrow v_B=\sqrt{2gh}=\sqrt{2\cdot10\cdot5}=10\,\mathrm{m/s}\]

No trecho horizontal BC, a velocidade é constante:

\[t_{BC}=\frac{10}{10}=1{,}0\,\mathrm{s}\]

O tempo de descida de A até B depende do perfil da canaleta, que o enunciado não fornece. Pela figura, a canaleta parte da vertical em A e termina na horizontal em B, como um quarto de circunferência de raio 5 m. Nesse caso, o tempo de descida é um quarto do período de um pêndulo de 5 m com amplitude de 90°:

\[t_{AB}=\sqrt{\frac{R}{g}}\cdot K\!\left(\tfrac{1}{\sqrt2}\right)=\sqrt{0{,}5}\cdot1{,}854\approx1{,}3\,\mathrm{s}\]

\[t_{AC}=t_{AB}+t_{BC}\approx1{,}3+1{,}0=2{,}3\,\mathrm{s}\]

(B) Na compressão máxima, toda a energia cinética da bolinha (ou, o que é o mesmo, a energia potencial inicial) vira energia elástica:

\[mgh=\frac{k\,x^2}{2}\Rightarrow50=\frac{10^{4}\,x^2}{2}\Rightarrow x^2=10^{-2}\Rightarrow x=0{,}10\,\mathrm{m}=10\,\mathrm{cm}\]

Q10
Óptica — Espelhos esféricos — Espelho côncavo com água: reflexão e refração

Um raio de luz monocromática incide paralelamente a um espelho côncavo f = 2 m, posicionado sobre uma superfície horizontal, conforme mostra a figura 1. A seguir, coloca-se um pouco de água na curvatura do espelho e obtém-se uma nova trajetória para o raio refletido (figura 2). Considera-se desprezível a altura da camada de água em relação à distância focal.

Figura 1: espelho côncavo com o ponto F no eixo principal e um raio incidente paralelo ao eixo. Figura 2: o mesmo espelho com uma camada de água, representada por uma linha tracejada na parte côncava, e o raio incidente paralelo ao eixo

(A) Faça um esquema que caracterize os raios incidente e refletido nas duas situações.

(B) Calcule a nova altura, em relação ao vértice do espelho, em que deverá ser refletido o raio que emerge da água.

Dados: nar = 1; nágua = 4/3

(A) Esquema na resolução: sem água, o raio refletido passa por F; com água, o raio emergente cruza o eixo mais perto do espelho. (B) 1,5 m.
Resolução

(A) Sem água: o raio paralelo ao eixo se reflete e passa pelo foco F, a 2 m do vértice.

Com água: o raio incide perpendicularmente à superfície livre e não sofre desvio ao entrar na água. Reflete-se no espelho, e o raio refletido, dentro da água, caminha em direção a F. Ao emergir, passa da água para o ar (meio menos refringente), afastando-se da normal. O raio emergente é mais inclinado que o refletido e cruza o eixo mais perto do espelho que F, num ponto F′.

Sem águaCom águaFFF'

(B) Seja h a altura de incidência (raio próximo do eixo) e α o ângulo do raio refletido, dentro da água, com o eixo (a normal à superfície). Como a camada é muito fina, o raio refletido na água aponta para F:

\[\tan\alpha\approx\alpha=\frac{h}{f}\]

Na emergência, pela lei de Snell, com ângulos pequenos:

\[n_{\acute{a}gua}\,\alpha=n_{ar}\,\theta\Rightarrow\theta=\frac{4}{3}\,\alpha=\frac{4}{3}\,\frac{h}{f}\]

O raio emergente cruza o eixo a uma distância:

\[f'=\frac{h}{\theta}=\frac{3}{4}\,f=\frac{3}{4}\cdot2=1{,}5\,\mathrm{m}\]

Q11
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação mista de resistores e potência

A relação entre a tensão U e a corrente i do circuito abaixo é 11/3 e o resistor R1 apresenta as seguintes características: 9 V; 27 W.

Circuito: gerador de tensão U, corrente i, resistor R1 e resistor R em série; um resistor de 1 Ω entre o nó depois de R1 e o fio de retorno; e, depois de R, um triângulo de resistores: de 2 Ω de um vértice ao retorno e, pelo outro caminho, 1 Ω e depois mais 1 Ω

Determine:

(A) o valor de R.

(B) a potência fornecida pelo circuito, se i = 3 A.

(A) R = 1 Ω. (B) 33 W.
Resolução

(A) Para o resistor R1, com 9 V e 27 W:

\[P=\frac{V^2}{R_1}\Rightarrow R_1=\frac{9^2}{27}=3\,\Omega\]

No triângulo, entre o vértice superior e o fio de retorno, há dois caminhos: o resistor de 2 Ω, e os resistores de 1 Ω e 1 Ω em série (2 Ω). Em paralelo, 2 Ω e 2 Ω resultam em 1 Ω. Esse 1 Ω fica em série com R, e o conjunto (R + 1) fica em paralelo com o resistor de 1 Ω:

\[R_p=\frac{1\cdot(R+1)}{1+(R+1)}=\frac{R+1}{R+2}\]

A relação U/i é a resistência equivalente do circuito todo, igual a 11/3 Ω, com R1 em série com Rp:

\[3+\frac{R+1}{R+2}=\frac{11}{3}\Rightarrow\frac{R+1}{R+2}=\frac{2}{3}\Rightarrow3R+3=2R+4\Rightarrow R=1\,\Omega\]

(B) A potência fornecida pelo gerador é a dissipada na resistência equivalente:

\[P=R_{eq}\,i^2=\frac{11}{3}\cdot3^2=33\,\mathrm{W}\]

Conferindo: com i = 3 A, R1 dissipa 3 · 3² = 27 W, de acordo com a característica de R1.

Q12
Eletricidade — Eletrostática — Esfera carregada suspensa entre placas

Uma pequena esfera, de massa m = 2 g e carga q = +2 μC, encontra-se em equilíbrio, suspensa por um fio isolante e inextensível, entre duas placas planas e eletrizadas, separadas por uma distância d = 10 cm, conforme a figura.

Duas placas horizontais separadas pela distância d: a de cima com cargas positivas, a de baixo com cargas negativas; a esfera de massa m está pendurada por um fio preso à placa de cima

Sabe-se que, no local, g = 10 m/s2 e que a força de tração exercida no fio é T = 4·10−2 N.

(A) Qual é a ddp (diferença de potencial) entre as placas?

(B) O que aconteceria com a força de tração T, se a esfera ali colocada tivesse mesma massa, mas tivesse carga, de mesmo módulo, porém negativa?

(A) 1,0 × 10³ V. (B) A tração se anularia (T = 0).
Resolução

(A) A placa de cima é positiva e a de baixo é negativa, então o campo elétrico aponta para baixo. Sobre a esfera, positiva, atuam o peso (para baixo), a força elétrica qE (também para baixo) e a tração (para cima). Com m = 2 g = 2 × 10−3 kg:

\[P=mg=2\times10^{-3}\cdot10=2\times10^{-2}\,\mathrm{N}\]

No equilíbrio:

\[T=P+qE\Rightarrow qE=4\times10^{-2}-2\times10^{-2}=2\times10^{-2}\,\mathrm{N}\]

\[E=\frac{2\times10^{-2}}{2\times10^{-6}}=1\times10^{4}\,\mathrm{N/C}\]

\[U=E\,d=10^{4}\cdot0{,}10=1{,}0\times10^{3}\,\mathrm{V}\]

(B) Com carga negativa, a força elétrica tem o mesmo módulo, 2 × 10−2 N, mas aponta para cima. Então:

\[T+qE=P\Rightarrow T=2\times10^{-2}-2\times10^{-2}=0\]

A tração se anularia: a força elétrica equilibraria sozinha o peso, e o fio ficaria frouxo.

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