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UFU 2020.2 | 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

1ª Fase · Aplicação em 19/12/2020 · Tipo 1 · Física, questões 17 a 24.

Q17
Mecânica — Dinâmica — Força centrípeta e referencial

Um episódio impressionante passou despercebido durante o treino oficial do GP da Austrália de Fórmula 1. Durante a volta rápida que lhe rendeu a pole position, Lewis Hamilton foi submetido a uma força g de surreais 6,5 g na curva 11 do circuito de rua de Melbourne. O gráfico comparativo da transmissão indicou um aumento de 1,2 g em relação ao pico registrado na mesma prova da temporada anterior, conforme indicado no canto inferior esquerdo da figura.

Imagem da transmissão da Fórmula 1 com indicação de aceleração de 6,5 g na curva 11 e comparação com 5,3 g na temporada anterior.
Figura do caderno original · toque para ampliar.

Disponível em: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/o-aumento-na-forca-g-nos-carros-de-f-1-pode-afetar-a- saude-dos-pilotos/. Acesso em: 20 fev. 2020.

Considerando-se o trecho da pista plano e horizontal e um observador em repouso no solo e na lateral da pista, é correto afirmar que a força de 6,5 g possui

A)sentido para cima e sua reação está localizada entre os pneus e o solo.
B)sentido para o centro do planeta Terra e tem sua origem na ação da gravidade.
C)sentido para fora da curva e recebe o nome de força centrípeta.
D)sentido para dentro da curva e resulta da ação de partes do carro sobre o piloto.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

D
Resolução

Para o observador no solo, o piloto muda a direção de sua velocidade ao acompanhar a curva. A aceleração e a resultante horizontal apontam para o centro da curva.

$$a_c=\frac{v^2}{R}$$

$$F_c=ma_c$$

Essa força é exercida sobre o piloto por partes do carro, como banco, apoios laterais e cinto. Ela não é a força gravitacional, que aponta aproximadamente para baixo.

Precisão de linguagem. A indicação 6,5 g representa aceleração lateral equivalente a 6,5 vezes a aceleração da gravidade; para obter a força, é necessário multiplicar pela massa do piloto.

Alternativa correta: D.

Q18
Mecânica — Trabalho e Energia — Rendimento e energia do combustível

Um veículo de 1000 kg é submetido a um teste para estimar o percentual de energia do combustível que ele converte em energia de movimento. O veículo é acelerado a partir do repouso, em uma pista plana e horizontal, até atingir a velocidade de 30 m/s, enquanto se monitora o consumo de combustível, no caso álcool hidratado, cujo poder calorífero é de 20 MJ/L (1MJ = 1.000.000 J).

Considerando-se apenas a conversão de energia citada e sabendo-se que o consumo de combustível no teste foi de 50 mL, qual foi o rendimento do motor no referido teste?

A)45%
B)30%
C)50%
D)25%

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

A
Resolução

Partindo do repouso, o ganho de energia cinética é:

$$\Delta E_c=\frac{mv^2}{2}$$

$$\Delta E_c=\frac{1000\cdot30^2}{2}$$

$$\Delta E_c=450000\ \mathrm{J}$$

O volume consumido e a energia química fornecida são:

$$V=0{,}050\ \mathrm{L}$$

$$E_{\mathrm{comb}}=20\cdot10^6\cdot0{,}050$$

$$E_{\mathrm{comb}}=1000000\ \mathrm{J}$$

O rendimento pedido considera apenas a conversão em energia de movimento:

$$\eta=\frac{\Delta E_c}{E_{\mathrm{comb}}}$$

$$\eta=\frac{450000}{1000000}$$

$$\eta=0{,}45$$

$$\eta=45\%$$

Alternativa correta: A.

Q19
Mecânica — Gravitação — Condições da órbita geoestacionária

Um satélite geoestacionário corresponde aquele que fica permanentemente sobre uma dada região do planeta Terra, e por isso é muito utilizado para suprir serviços específicos para aquela região como, por exemplo, monitoramento e comunicações.

A respeito dos satélites geoestacionários, é correto afirmar que possuem

A)velocidade nula em relação a um observador em repouso em relação ao Sol.
B)órbitas que ficam permanentemente sobre a região polar da Terra.
C)órbitas cujo período é equivalente ao período de rotação da Terra.
D)raio de órbita inversamente proporcional à massa do satélite.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

C
Resolução

Um satélite geoestacionário mantém a mesma posição angular em relação à superfície terrestre. Por isso, seu período orbital coincide com o período de rotação da Terra em relação às estrelas.

$$T_{\mathrm{orbital}}=T_{\mathrm{rotacional}}$$

Esse período é um dia sideral, aproximadamente 23 h 56 min. A órbita também precisa ser circular, equatorial e ter o mesmo sentido da rotação terrestre.

Ele se move em outros referenciais. No modelo de órbita circular dominada pela gravidade da Terra:

$$R^3=\frac{GM_{\mathrm{Terra}}T^2}{4\pi^2}$$

A massa do satélite não aparece nessa relação.

Alternativa correta: C.

Q20
Física Moderna — Física Nuclear — Evolução estelar e buracos negros

Os primeiros elementos produzidos após o Big-Bang pela expansão do Universo foram hidrogênio e hélio. As estrelas se formaram desse material primordial e usaram esses dois elementos como combustível para gerar energia através de reações nucleares. Durante essa etapa, as estrelas brilham e produzem os elementos químicos de maior número atômico, principalmente carbono, oxigênio, cálcio e ferro, que são os principais elementos que nos formam e formam também o mundo ao nosso redor. Esses elementos são levados para a superfície das estrelas por convecção ou difusão radiativa, a partir da qual são dispersados por vento estelar ou ejetados para o meio interestelar quando uma estrela massiva explode. Esse material é, então, usado na formação de novas estrelas e de seus planetas. Disponível em http://astro.if.ufrgs.br/estrelas/node14.htm. Acesso em: 14 fev. 2020. (Adaptado)

Considerando-se as teorias de evolução das estrelas e do universo e o texto acima, é correto afirmar que

A)a teoria do Big-Bang afirma que a expansão do universo tem origem em um ponto no centro de nossa galáxia.
B)o movimento de convecção é caracterizado pela troca de energia por meio da irradiação.
C)as reações que produzem energia nas estrelas são uma forma de fissão nuclear.
D)o material remanescente de estrelas massivas que explodem pode originar buracos negros.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

D
Resolução

Após o esgotamento das fontes que sustentam o núcleo, uma estrela massiva pode sofrer colapso gravitacional. Se o remanescente tiver massa suficiente, pode formar um buraco negro.

O Big Bang não corresponde a uma explosão ocorrida no centro de nossa galáxia. A expansão cosmológica não privilegia esse ponto.

Convecção transporta energia pelo movimento de matéria; radiação transporta energia por ondas eletromagnéticas. A principal fonte de energia das estrelas em suas fases estáveis é a fusão nuclear, não a fissão.

O texto-base simplifica o transporte de elementos: a difusão radiativa transporta energia, e não é, por si só, um mecanismo de mistura de núcleos até a superfície. Essa imprecisão não muda a afirmação correta sobre o remanescente.

Alternativa correta: D.

Q21
Ondulatória — Conceitos Básicos — Propagação da luz e do som

Um efeito que, às vezes, se observa em dias de chuva é a emissão de luz característica de relâmpagos seguido da audição do respectivo barulho do trovão após decorrido um intervalo de tempo.

Qual é o motivo, nesse caso citado, de haver essa diferença de tempo entre a observação da luz e a audição do som do trovão?

A)A luz é uma onda transversal e o som é uma onda longitudinal, e as ondas transversais possuem maior comprimento de onda que as longitudinais.
B)A luz é onda polarizada e o som é uma onda sem polarização, e as ondas polarizadas possuem maior interação com o ar atmosférico que as sem polarização.
C)A luz é uma onda eletromagnética e o som é uma onda mecânica, e as ondas eletromagnéticas possuem maior velocidade que as mecânicas.
D)A luz é uma onda unidimensional e o som é uma onda bidimensional, e as ondas unidimensionais possuem maior frequência que as bidimensionais.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

C
Resolução

No ar, a luz se propaga com velocidade próxima de 300 milhões de metros por segundo, enquanto o som se propaga a algumas centenas de metros por segundo.

$$t=\frac{d}{v}$$

Para a mesma distância, o tempo de percurso da luz é muito menor que o do som. Vemos primeiro o relâmpago e ouvimos depois o trovão.

A alternativa aceita pela banca reúne essa comparação. Sua formulação deve ser entendida no contexto da luz e do som no ar: não há uma regra geral segundo a qual qualquer onda eletromagnética em qualquer meio seja mais rápida que toda onda mecânica.

Alternativa correta: C.

Q22
Eletricidade — Eletrodinâmica — Diodo ideal e retificação de meia onda

O circuito mostrado na figura A é montado, utilizando uma fonte de tensão com diferença de potencial variável ao longo do tempo, um resistor R, um voltímetro V e um diodo D. O gráfico da figura B indica a diferença de potencial da fonte de tensão em função do tempo. Considere todos os equipamentos ideais.

Figura A: fonte variável, diodo ideal e resistor em série, com voltímetro em paralelo ao resistor. Figura B: tensão triangular alternada em função do tempo.
Figura do caderno original · toque para ampliar.

Qual gráfico representa a leitura do voltímetro ao longo do tempo?

A)Pulsos triangulares positivos separados por trechos de tensão nula.
B)Trechos de reta decrescente entre patamares positivo e negativo.
C)Tensão alternada com picos achatados em patamares.
D)Tensão triangular alternada completa, com semiciclos positivos e negativos.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

A
Resolução

O diodo ideal conduz quando está polarizado diretamente e bloqueia a corrente quando a polarização se inverte.

No semiciclo de condução indicado pela montagem, a queda de tensão no diodo é nula e o voltímetro mede a tensão da fonte aplicada ao resistor.

$$U_R=U_{\mathrm{fonte}}\quad\text{(condução)}$$

No semiciclo de bloqueio, não há corrente no resistor. Portanto:

$$i=0$$

$$U_R=Ri$$

$$U_R=0$$

A leitura é uma sequência de pulsos triangulares positivos separados por intervalos de tensão nula: retificação de meia onda.

Alternativa correta: A.

Q23
Óptica — Lentes — Formação de imagens no microscópio composto

O microscópio ótico composto (Figura A) é um aparelho que auxilia a observação de objetos e de detalhes de pequenas dimensões, e que não poderiam ser vistos pelo homem a olho nu. Ele possui duas lentes, chamadas objetiva e ocular, e o esquema ótico de seu funcionamento, utilizando a representação de raios luminosos, que produz a imagem observável, é indicado na Figura B.

Microscópio composto e esquema óptico: a objetiva forma a imagem intermediária 1, usada como objeto pela ocular, que forma a imagem final 2.
Figura do caderno original · toque para ampliar.

Young, H. D. Física IV: Ótica e física moderna. 12ª Ed. São Paulo: Addison Wesley, 2009. (Adaptado)

A respeito do funcionamento do microscópio ótico composto e considerando-se as figuras, é correto afirmar que

A)a imagem 2 é vista pelo observador e é uma imagem real.
B)a imagem 1 indicada na Figura B é objeto para a lente ocular.
C)a imagem produzida pela lente objetiva é uma imagem virtual.
D)a ampliação total é a soma das ampliações fornecidas por cada uma das lentes.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

B
Resolução

A objetiva forma a imagem 1, real, invertida e ampliada em relação ao objeto. Essa imagem passa a funcionar como objeto para a lente ocular.

A ocular opera como uma lupa, produzindo a imagem 2 virtual da imagem intermediária. A imagem final não é uma imagem real projetável em um anteparo na posição indicada.

Os aumentos lineares sucessivos multiplicam-se:

$$A_{\mathrm{total}}=A_{\mathrm{objetiva}}A_{\mathrm{ocular}}$$

Logo, a relação correta é a de que a imagem 1 serve de objeto para a ocular.

Alternativa correta: B.

Q24
Eletromagnetismo — Campo Magnético — Torque magnético em motor elétrico

Uma prática muito comum nas escolas é a montagem de um motor elétrico rudimentar simples conforme o indicado na Figura A. Ele é constituído de uma pilha comum, suporte de arames que podem ser de clips de papel, um fio condutor enrolado em formato de uma bobina e um imã permanente. Quando ligado, após um pequeno empurrão inicial e dependendo das condições de montagem, ele gira transformando energia elétrica em energia mecânica (Figura B).

Duas fotografias do motor simples: pilha ligada aos suportes de uma bobina posicionada junto a um ímã permanente.
Figura do caderno original · toque para ampliar.

Disponível em: http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=lcn&cod=_montagemdeummotoreletric. Acesso em: 17 fev. 2020.

Qual é a explicação física para a geração do movimento de rotação do motor elétrico?

A)A variação do campo magnético do imã interage com a corrente elétrica da bobina e gera a diferença de potencial necessária para a rotação.
B)A diferença de potencial da pilha interage com o campo elétrico variável na bobina e gera o torque necessário para a rotação.
C)A corrente elétrica que percorre a bobina interage com o campo magnético do imã e gera as forças necessárias para a rotação.
D)O polo magnético do imã interage com os polos elétricos da pilha e gera a corrente elétrica necessária para a rotação.

Gabarito oficial preliminar · Tipo 1

C
Resolução

A pilha estabelece corrente na bobina. Os trechos condutores imersos no campo magnético do ímã sofrem forças magnéticas.

$$\vec F=i\vec\ell\times\vec B$$

As forças em lados opostos da bobina podem produzir torque e fazê-la girar. Para uma espira plana, o módulo do torque é:

$$\tau=iAB\sin\theta$$

Aqui, θ é o ângulo entre a normal à espira e o campo. A manutenção do giro depende dos contatos e da comutação previstos na montagem; o campo permanente não precisa variar para exercer força sobre a corrente.

Alternativa correta: C.

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