PUC-Rio 2024.1 | Prova Unificada de Física — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular para ingresso no 1º semestre de 2024 · aplicação em 15 de outubro de 2023 · 2º dia · tarde (Grupos 1, 3, 4 e 5) e manhã (Grupo 2) · 27 questões únicas, sem repetições — resolução comentada Método TEF.

Q01
Mecânica — Trabalho e energia — Loop com dissipação de energia
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q06

Uma partícula é lançada ao longo da horizontal na direção de um loop com uma velocidade inicial $V_0$, como mostrado na Figura. Devido ao atrito com a pista, ao chegar no topo da trajetória, metade da energia mecânica foi dissipada na forma de calor.

Partícula lançada horizontalmente com velocidade V0 em direção a um loop circular de raio R, com gravidade para baixo

Sabendo-se que a partícula tem exatamente a energia necessária para não descolar do loop no ponto mais alto, a velocidade $V_0$ é dada por

A)$10\,gR$
B)$\sqrt{10\,gR}$
C)$\sqrt{5\,gR}$
D)$2R/g$
E)$2g/R$

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

B
Resolução

No ponto mais alto, “exatamente a energia necessária para não descolar” significa normal nula: somente o peso faz o papel de força centrípeta. Então $mg=\dfrac{mv^2}{R}$ e $v^2=gR$.

Tomando o nível da pista como referência, a energia mecânica no topo é $E_{topo}=\dfrac{mv^2}{2}+mg(2R)=\dfrac{mgR}{2}+2mgR=\dfrac{5\,mgR}{2}$.

A energia mecânica inicial é $E_0=\dfrac{mV_0^2}{2}$. Como metade dela foi dissipada até o topo, $E_{topo}=\dfrac{E_0}{2}=\dfrac{mV_0^2}{4}$.

Igualando: $\dfrac{mV_0^2}{4}=\dfrac{5\,mgR}{2}$, logo $V_0^2=10\,gR$ e $V_0=\sqrt{10\,gR}$.

Q02
Mecânica — Cinemática — Velocidade máxima em três etapas
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q07

Um carro começa um movimento em uma estrada retilínea de extensão total de 24 km. O movimento se distingue em três intervalos iguais de tempo. No primeiro terço, sua velocidade cresce de maneira uniforme; no segundo terço, a velocidade é mantida constante; no último terço, a velocidade decresce uniformemente até o carro parar ao fim do percurso.

Sabendo-se que o tempo total da viagem é de 20 min, qual é a máxima velocidade atingida pelo carro, em km/h?

A)54
B)72
C)90
D)108
E)120

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

D
Resolução

Cada terço dura $t=\dfrac{20\,\text{min}}{3}$. Em horas, o tempo total é $3t=\dfrac13\,\text{h}$, logo $t=\dfrac19\,\text{h}$.

Seja $v_{\text{máx}}$ a velocidade máxima. No primeiro terço o movimento é uniformemente variado a partir do repouso, com velocidade média $\dfrac{v_{\text{máx}}}{2}$; no segundo é uniforme, com velocidade $v_{\text{máx}}$; no terceiro é uniformemente retardado até parar, de novo com velocidade média $\dfrac{v_{\text{máx}}}{2}$.

A distância total é a soma das três parcelas: $\Delta s=\dfrac{v_{\text{máx}}}{2}\,t+v_{\text{máx}}\,t+\dfrac{v_{\text{máx}}}{2}\,t=2\,v_{\text{máx}}\,t$. Esse resultado é a área do trapézio no gráfico $v\times t$.

Com $\Delta s=24\,\text{km}$: $24=2\,v_{\text{máx}}\cdot\dfrac19$, portanto $v_{\text{máx}}=108\,\text{km/h}$.

Q03
Mecânica — Quantidade de movimento — Colisões inelásticas em sequência
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q08

Três partículas, que se movem sem atrito ao longo do eixo $x$ horizontal, colidem entre si em sequência, de modo que, ao fim de cada colisão, as partículas grudam umas nas outras. As massas das partículas 1, 2 e 3 são, respectivamente: $m_1=0{,}50\,\text{kg}$; $m_2=0{,}50\,\text{kg}$; $m_3=2{,}00\,\text{kg}$. As velocidades iniciais respectivas de tais partículas são: $v_1=2{,}00\,\text{m/s}$; $v_2=2{,}00\,\text{m/s}$; $v_3=1{,}50\,\text{m/s}$. As colisões acontecem na seguinte ordem: primeiro 2 colide com 3; depois 1 colide com o conjunto {2,3}.

A velocidade final, em m/s, do sistema grudado {1,2,3} será

A)0,50
B)1,00
C)1,67
D)1,83
E)2,00

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

C
Resolução

Em cada colisão não há força externa horizontal, então a quantidade de movimento do sistema se conserva. Como todas as velocidades são dadas com o mesmo sinal, todas as partículas se movem no mesmo sentido do eixo $x$.

1ª colisão (2 com 3): $(m_2+m_3)\,v_{23}=m_2v_2+m_3v_3$, ou seja, $2{,}50\,v_{23}=0{,}50\cdot2{,}00+2{,}00\cdot1{,}50=4{,}0$. Então $v_{23}=1{,}6\,\text{m/s}$.

2ª colisão (1 com o conjunto): $(m_1+m_2+m_3)\,v=m_1v_1+(m_2+m_3)\,v_{23}$, ou seja, $3{,}00\,v=0{,}50\cdot2{,}00+2{,}50\cdot1{,}6=5{,}0$.

Logo $v=\dfrac{5{,}0}{3{,}00}\approx1{,}67\,\text{m/s}$.

Q04
Eletricidade — Eletrostática — Força elétrica entre um sistema de cargas e uma carga externa
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q09

Na Figura abaixo, há um sistema formado por duas partículas pontuais com cargas elétricas $+2Q$ e $-Q$, unidas por uma pequena haste sem massa de comprimento $a$. Uma outra carga $+Q$ é colocada a uma distância $a$ de $-Q$.

Carga +2Q ligada por uma haste à carga −Q, e uma carga +Q colocada à direita de −Q, a distância a

Se $F$ é a força eletrostática entre o sistema e a carga $+Q$, então $F$

Dado: $k$ é a constante eletrostática.

A)é repulsiva e $|F|=kQ^2/a^2$
B)é atrativa e $|F|=2kQ^2/a^2$
C)é atrativa e $|F|=kQ^2/(2a^2)$
D)é repulsiva e $|F|=kQ^3/(2a^2)$
E)não é atrativa nem repulsiva e $|F|=0$

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

C
Resolução

A força sobre a carga $+Q$ é a soma vetorial das forças exercidas por $-Q$ e por $+2Q$. A haste serve apenas para manter as posições relativas.

Pela figura, $-Q$ está a distância $a$ de $+Q$ e $+2Q$ está a distância $2a$. A carga $-Q$ atrai $+Q$: $F_1=\dfrac{kQ\cdot Q}{a^2}=\dfrac{kQ^2}{a^2}$, orientada para o sistema.

A carga $+2Q$ repele $+Q$: $F_2=\dfrac{k(2Q)Q}{(2a)^2}=\dfrac{kQ^2}{2a^2}$, orientada para longe do sistema.

As duas forças têm a mesma direção e sentidos opostos. O módulo resultante é $|F|=F_1-F_2=\dfrac{kQ^2}{a^2}-\dfrac{kQ^2}{2a^2}=\dfrac{kQ^2}{2a^2}$, com o sentido de $F_1$, isto é, atrativa.

Q05
Mecânica — Dinâmica — Atrito estático e tração em plano inclinado
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q10

O sistema representado na Figura abaixo é armado (e inicialmente sustentado) de tal forma que a caixa 1, de massa $1{,}0\,\text{kg}$, é colocada apoiada em uma rampa sem atrito. Sobre a caixa 1, é colocada a caixa 2 de massa $2{,}0\,\text{kg}$. A caixa 2 está presa a um fio fixo (ver figura). O coeficiente de atrito estático entre as duas caixas é $0{,}4$, e a tensão máxima que o fio pode suportar é $20\,\text{N}$.

Rampa de 30° com a caixa 1 apoiada na rampa, a caixa 2 sobre a caixa 1 e um fio ligando a caixa 2 ao topo da rampa

Nessas condições, após os primeiros instantes, a(o)

Dados: $g=10\,\text{m/s}^2$; $\text{sen}\,30°=0{,}50$; $\cos30°=0{,}87$.

A)caixa 1 começa a deslizar, e a tensão na corda é $7\,\text{N}$.
B)corda se rompe, e as duas caixas começam a deslizar juntas.
C)conjunto se mantém em equilíbrio, e a força de atrito entre as caixas é $7\,\text{N}$.
D)conjunto se mantém em equilíbrio, e a tensão na corda é $7\,\text{N}$.
E)conjunto se mantém em equilíbrio, e a tensão na corda é $15\,\text{N}$.

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

E
Resolução

Tome o conjunto das duas caixas, de massa $3{,}0\,\text{kg}$. Como a rampa não tem atrito, apenas o fio impede o conjunto de descer. A componente do peso ao longo da rampa é $(m_1+m_2)\,g\,\text{sen}\,30°=3{,}0\cdot10\cdot0{,}50=15\,\text{N}$.

Se não houver deslizamento entre as caixas, a tensão equilibra essa componente: $T=15\,\text{N}$, menor que o limite de $20\,\text{N}$. O fio não se rompe.

Falta verificar se o atrito entre as caixas sustenta esse equilíbrio. A caixa 1 tende a descer com $m_1g\,\text{sen}\,30°=5{,}0\,\text{N}$, então o atrito estático necessário é $5{,}0\,\text{N}$.

O atrito máximo é $f_{\text{máx}}=\mu N$, com $N=m_2\,g\cos30°=2{,}0\cdot10\cdot0{,}87=17{,}4\,\text{N}$, o que dá $f_{\text{máx}}=0{,}4\cdot17{,}4\approx7{,}0\,\text{N}$. Como $5{,}0\,\text{N}<7{,}0\,\text{N}$, as caixas não deslizam entre si.

Conclusão: o conjunto permanece em equilíbrio, com tensão de $15\,\text{N}$ no fio e atrito estático de $5{,}0\,\text{N}$ entre as caixas.

Q06
Termologia — Calorimetria — Temperatura inicial do gelo em equilíbrio térmico
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q11

Coloca-se $0{,}50\,\text{kg}$ de gelo a uma temperatura desconhecida e $1{,}00\,\text{kg}$ de água a $50\,°\text{C}$ em um calorímetro perfeito. A temperatura inicial do gelo, em graus Celsius, para que, no equilíbrio, apenas haja água a $0\,°\text{C}$ dentro do calorímetro é

Dados: calor específico da água: $1\,\text{cal/g}\,°\text{C}$; calor específico do gelo: $0{,}5\,\text{cal/g}\,°\text{C}$; calor latente de fusão do gelo: $80\,\text{cal/g}$.

A)0
B)$-10$
C)$-20$
D)$-40$
E)$-50$

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

D
Resolução

Como o calorímetro é perfeito, a soma dos calores trocados é nula. Ao final há apenas água a $0\,°\text{C}$: a água quente esfriou até $0\,°\text{C}$ sem congelar, e o gelo aqueceu até $0\,°\text{C}$ e fundiu por completo.

Calor cedido pela água: $Q_{\text{água}}=m\,c\,\Delta T=1000\cdot1\cdot50=50\,000\,\text{cal}$.

Calor recebido pelo gelo (massa de $500\,\text{g}$, temperatura inicial $T_i$): $Q_{gelo}=500\cdot0{,}5\cdot(0-T_i)+500\cdot80=-250\,T_i+40\,000$.

Igualando os calores: $-250\,T_i+40\,000=50\,000$, logo $T_i=-40\,°\text{C}$.

Q07
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e densidade do líquido
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q12

Uma caixa cúbica de aresta $4{,}0\,\text{cm}$ e massa $12{,}8\,\text{g}$ está flutuando em um líquido, e $25\%$ do seu volume encontra-se submerso.

Qual é a densidade do líquido, em $\text{g/cm}^3$?

Dado: $g=10\,\text{m/s}^2$.

A)0,80
B)0,96
C)1,28
D)1,60
E)2,00

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

A
Resolução

Na flutuação em equilíbrio, o empuxo tem módulo igual ao peso do corpo: $\rho_L\,V_{sub}\,g=m\,g$.

O volume do cubo é $V=4{,}0^3=64\,\text{cm}^3$, e $25\%$ dele está submerso: $V_{sub}=16\,\text{cm}^3$.

Cancelando $g$: $\rho_L=\dfrac{m}{V_{sub}}=\dfrac{12{,}8\,\text{g}}{16\,\text{cm}^3}=0{,}80\,\text{g/cm}^3$.

Q08
Eletromagnetismo — Força magnética — Partículas carregadas em campo magnético
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q13

Duas partículas, $P_1$ e $P_2$, de mesma massa $m$ têm cargas elétricas, respectivamente, $q$ e $2q$ e mesma velocidade em módulo $v$. Elas entram em uma região onde há um campo magnético uniforme, de módulo $B$, como mostrado na Figura. Despreze as forças entre as partículas.

Linhas de campo magnético uniforme horizontal para a direita; a partícula P1 entra paralelamente às linhas e a partícula P2 entra perpendicularmente a elas

Considere as seguintes afirmações sobre seus movimentos dentro da região com campo magnético.

I – Ambas as partículas mantêm o mesmo módulo de velocidade.

II – Ambas as partículas descrevem trajetórias circulares, sendo o raio da trajetória de $P_1$ o dobro do raio da trajetória de $P_2$.

III – A partícula $P_2$ tem aceleração em módulo dada por $qvB/m$.

É correto APENAS o que se afirma em

A)I
B)II
C)III
D)I e II
E)I e III

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

A
Resolução

I. A força magnética é sempre perpendicular à velocidade, logo não realiza trabalho e não altera a energia cinética. Cada partícula muda apenas a direção da velocidade, mantendo o módulo $v$. Verdadeira.

II. A figura mostra $P_1$ entrando paralelamente às linhas de campo. Nesse caso $F=|q|\,v\,B\,\text{sen}\,\theta$ com $\theta=0$, e a força é nula: $P_1$ segue em linha reta, e não em círculo. Só $P_2$, que entra perpendicularmente ao campo, descreve circunferência, de raio $R=\dfrac{mv}{|q|B}$. Falsa.

III. Para $P_2$, de carga $2q$ e velocidade perpendicular ao campo, $F=(2q)\,v\,B$ e $a=\dfrac{F}{m}=\dfrac{2\,qvB}{m}$, o dobro do valor afirmado. Falsa.

Portanto, somente a afirmação I está correta.

Q09
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores e potência máxima
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q14

Uma bateria de $12\,\text{V}$ é ligada a 3 resistores, de resistências iguais a $1\,\text{k}\Omega$, $1\,\text{k}\Omega$ e $2\,\text{k}\Omega$, respectivamente. Esses 3 resistores são ligados de modo que a dissipação é máxima.

Qual a corrente total, em miliampères, provida pela bateria nesse caso?

A)1
B)2
C)12
D)24
E)30

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

E
Resolução

Para uma bateria de tensão fixa $V$, a potência dissipada é $P=\dfrac{V^2}{R_{eq}}$. Ela é máxima quando a resistência equivalente é a menor possível, o que ocorre ao associar os três resistores em paralelo.

$\dfrac{1}{R_{eq}}=\dfrac{1}{1}+\dfrac{1}{1}+\dfrac{1}{2}=\dfrac{5}{2}\,\text{k}\Omega^{-1}$, logo $R_{eq}=0{,}4\,\text{k}\Omega=400\,\Omega$.

A corrente total fornecida pela bateria é $i=\dfrac{V}{R_{eq}}=\dfrac{12}{400}=0{,}030\,\text{A}=30\,\text{mA}$.

Q10
Óptica — Refração — Lei de Snell e posição aparente
2º dia · Tarde · Grupo 1 — Q15

Uma lâmpada está no fundo de uma piscina de profundidade $2{,}0\,\text{m}$, a uma distância $d$ da borda da piscina. Um rapaz vê a luz saindo da borda da piscina com um ângulo de mirada de $30°$ em relação à vertical (ver Figura).

Piscina de 2,0 m de profundidade com a lâmpada no fundo, a distância d da borda, e um rapaz na borda vendo a luz a 30° da vertical

Qual é a posição $d$ aproximada da lâmpada, em metros?

Dados: índice de refração do ar $=1{,}0$; índice de refração da água $1{,}33\cong4/3$.

A)0,2
B)0,8
C)1,1
D)1,5
E)2,0

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 1

B
Resolução

O raio que sai da lâmpada e passa pela borda da piscina refrata ao emergir para o ar, formando $30°$ com a vertical. Aplicando a lei de Snell na superfície: $n_{\text{água}}\,\text{sen}\,\theta_a=n_{ar}\,\text{sen}\,30°$.

$\dfrac43\,\text{sen}\,\theta_a=1{,}0\cdot0{,}50$, logo $\text{sen}\,\theta_a=0{,}375$.

Então $\cos\theta_a=\sqrt{1-0{,}375^2}\approx0{,}93$ e $\text{tg}\,\theta_a=\dfrac{0{,}375}{0{,}93}\approx0{,}40$.

Na água, o raio percorre horizontalmente $d$ enquanto sobe $2{,}0\,\text{m}$: $\text{tg}\,\theta_a=\dfrac{d}{2{,}0}$, o que dá $d\approx0{,}8\,\text{m}$.

Q11
Mecânica — Trabalho e energia — Trabalho de forças constantes
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q09 · Grupo 5 — Q11

Uma partícula é submetida a apenas duas forças constantes: uma na direção $x$, de componente $+30\,\text{N}$, e uma na direção $y$, de componente $-50\,\text{N}$. Sob ação apenas dessas forças, o deslocamento, em metros, da partícula no plano $x$–$y$, em um certo intervalo de tempo, é $(X;\,5{,}0)$.

Se o trabalho total sobre a partícula nesse deslocamento é de $20\,\text{J}$, o valor de $X$, em metros, é de

A)9,0
B)7,5
C)5,0
D)$-7{,}5$
E)$-9{,}0$

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

A
Resolução

O trabalho de uma força constante é o produto escalar da força pelo deslocamento: $W=F_x\,\Delta x+F_y\,\Delta y$.

Com a força resultante de componentes $(+30;\,-50)\,\text{N}$ e deslocamento $(X;\,5{,}0)\,\text{m}$: $W=30\,X+(-50)(5{,}0)=30\,X-250$.

Impondo $W=20\,\text{J}$: $30\,X=270$, portanto $X=9{,}0\,\text{m}$.

Q12
Termologia — Dilatação térmica — Dilatação linear com folga entre corpos
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q10 · Grupo 5 — Q12

Um cubo de aço, de comprimento $L_A=10{,}000\,\text{m}$, foi colocado dentro de uma caixa cúbica, feita de vidro, como mostrado na Figura. A temperatura inicial do conjunto é de $20\,°\text{C}$. A folga entre o aço e o vidro é de apenas $0{,}10\,\text{mm}$.

Cubo escuro de aço dentro de uma caixa cúbica de vidro, com uma folga estreita entre os dois

Qual é a temperatura, em Celsius, em que o vidro será quebrado pelo paralelepípedo de aço?

Dados: coeficiente linear de dilatação do aço $=90\times10^{-7}\,/°\text{C}$; coeficiente linear de dilatação do vidro $=7{,}0\times10^{-7}\,/°\text{C}$.

A)12.020
B)1.220
C)140
D)32
E)21,2

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

E
Resolução

A folga de $\delta=0{,}10\,\text{mm}=1{,}0\times10^{-4}\,\text{m}$ é o espaço livre entre o aço e a cavidade de vidro. O aço dilata mais que o vidro, e o contato ocorre quando a dilatação do aço “consome” a folga, descontada a dilatação da própria cavidade.

A cavidade de vidro dilata como se fosse feita de vidro, com comprimento inicial $L_A+\delta$. Na condição de contato: $L_A\,\alpha_A\,\Delta T=\delta+(L_A+\delta)\,\alpha_V\,\Delta T$.

Isolando $\Delta T$ e desprezando $\delta$ perante $L_A$ no denominador: $\Delta T=\dfrac{\delta}{L_A\,(\alpha_A-\alpha_V)}=\dfrac{1{,}0\times10^{-4}}{10\cdot(90-7{,}0)\times10^{-7}}=\dfrac{1{,}0\times10^{-4}}{8{,}3\times10^{-5}}\approx1{,}2\,°\text{C}$.

A temperatura de ruptura é $20+1{,}2=21{,}2\,°\text{C}$. O valor pequeno decorre do comprimento de $10\,\text{m}$ do cubo e da folga de apenas $0{,}10\,\text{mm}$.

Q13
Mecânica — Hidrostática — Pressão hidrostática no casco de submarino
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q11 · Grupo 5 — Q13

Em maio de 2023, um trágico acidente causou a implosão do submarino Titan, que pretendia levar cinco pessoas a uma profundidade de $3{,}8\,\text{km}$, onde se encontra submergido o Titanic.

Considerando-se uma margem de segurança de ao menos $20\%$, qual é a pressão mínima, em atm, que o casco de um submarino deve suportar para poder chegar a essa profundidade?

Dados: $g=10\,\text{m/s}^2$; densidade da água $=1{,}0\times10^{3}\,\text{kg/m}^3$; pressão atmosférica $1\,\text{atm}=1{,}0\times10^{5}\,\text{Pa}$.

A)4,56
B)30,4
C)45,6
D)304
E)456

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

E
Resolução

A pressão a $3{,}8\,\text{km}$ de profundidade é dada pelo teorema de Stevin: $p=p_{atm}+\rho\,g\,h$.

$\rho\,g\,h=1{,}0\times10^{3}\cdot10\cdot3{,}8\times10^{3}=3{,}8\times10^{7}\,\text{Pa}$, que equivale a $380\,\text{atm}$. Somando a pressão atmosférica de $1\,\text{atm}$, a pressão absoluta é de cerca de $381\,\text{atm}$.

A margem de segurança de $20\%$ exige que o casco suporte $1{,}2$ vez esse valor: $1{,}2\cdot381\approx457\,\text{atm}$. Usando apenas a pressão hidrostática, $1{,}2\cdot380=456\,\text{atm}$. A diferença de $1\,\text{atm}$ entre as duas contas não muda a escolha, pois as demais opções diferem em ordem de grandeza.

Q14
Mecânica — Dinâmica — Sistema de dois corpos com polia e plano inclinado
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q12 · Grupo 5 — Q14

Dois corpos idênticos 1 e 2 de massa $M$ estão ligados por uma corda ideal que passa por uma polia ideal, como mostrado na Figura abaixo.

Corpo 1 sobre um plano inclinado de ângulo θ e corpo 2 sobre a superfície horizontal superior, ligados por uma corda que passa por uma polia no vértice

Os corpos são soltos a partir do repouso. O ângulo do plano inclinado é $\theta=30°$.

Desconsiderando-se os atritos, qual é a velocidade do corpo 2 após o corpo 1 percorrer a distância $L$ ao longo do plano inclinado?

A)$\sqrt{gL/2}$
B)$\sqrt{gL}$
C)$gL/2$
D)$gL$
E)$g/L$

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

A
Resolução

Os dois corpos estão ligados por corda ideal, então têm a mesma aceleração em módulo e a mesma velocidade. O corpo 2 está sobre superfície horizontal sem atrito: seu peso é equilibrado pela normal e somente a tração atua na direção do movimento.

A força que acelera o conjunto é a componente do peso do corpo 1 ao longo do plano: $Mg\,\text{sen}\,30°=\dfrac{Mg}{2}$. A massa total em movimento é $2M$.

A aceleração é $a=\dfrac{Mg/2}{2M}=\dfrac{g}{4}$.

Partindo do repouso, ambos percorrem a mesma distância $L$: $v^2=2\,a\,L=2\cdot\dfrac{g}{4}\cdot L=\dfrac{gL}{2}$, de modo que $v=\sqrt{\dfrac{gL}{2}}$.

O mesmo resultado sai por energia: a perda de energia potencial do corpo 1 é $MgL\,\text{sen}\,30°=\dfrac{MgL}{2}$, convertida em energia cinética dos dois corpos, $\dfrac12(2M)v^2$.

Q15
Mecânica — Cinemática — Velocidade orbital da Terra e ordem de grandeza
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q13 · Grupo 5 — Q15

A distância média Terra-Sol é cerca de $150$ milhões de quilômetros.

Considerando-se a órbita terrestre como circular, qual é a ordem de grandeza da velocidade da Terra ao redor do Sol, em km/h?

A)$10^{3}$
B)$10^{4}$
C)$10^{5}$
D)$10^{6}$
E)$10^{7}$

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

C
Resolução

Na órbita circular, a Terra percorre $2\pi r$ em um ano. Com $r=1{,}5\times10^{8}\,\text{km}$, o comprimento da órbita é $2\pi r\approx9{,}4\times10^{8}\,\text{km}$.

Um ano tem cerca de $365\cdot24\approx8{,}8\times10^{3}\,\text{h}$.

A velocidade é $v=\dfrac{2\pi r}{T}\approx\dfrac{9{,}4\times10^{8}}{8{,}8\times10^{3}}\approx1{,}1\times10^{5}\,\text{km/h}$. A ordem de grandeza é $10^{5}\,\text{km/h}$.

Q16
Termologia — Termodinâmica — Transformação isocórica
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q14 · Grupo 5 — Q16

Em um processo isocórico (isovolumétrico), um mol de um gás ideal teve sua pressão reduzida pela metade.

Sabendo-se que a variação da energia interna desse gás é dada por $\Delta U$, e que o calor perdido por esse gás corresponde a $Q=n\,C_v\,\Delta T$, qual é a razão $\Delta U/(n\,C_v)$?

A)$\dfrac12\,n\,C_v\,\Delta T$
B)$\dfrac12\,\Delta T$
C)$\Delta T$
D)$n\,C_v$
E)$\dfrac12\,n\,C_v$

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

C
Resolução

Em um processo isocórico o volume não varia, então o gás não realiza trabalho, $W=0$. Pela primeira lei da termodinâmica, $\Delta U=Q$.

Para um gás ideal, a variação de energia interna depende só da temperatura: $\Delta U=n\,C_v\,\Delta T$.

Dividindo por $n\,C_v$: $\dfrac{\Delta U}{n\,C_v}=\Delta T$. O fato de a pressão cair pela metade indica apenas que a temperatura absoluta também cai pela metade ($T_f=T_i/2$), de modo que $\Delta T$ é negativo, coerente com o calor perdido; o valor numérico não é necessário.

Q17
Eletricidade — Eletrostática — Campo e potencial de quatro cargas em um quadrado
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q15 · Grupo 5 — Q17

Quatro cargas idênticas $+Q$ estão situadas nos vértices de um quadrado de lado $L$.

O módulo do campo elétrico e o potencial elétrico gerado pelas quatro cargas no centro do quadrado são, respectivamente,

A)$4\,kQ^2/L^2$ e $4\,kQ^2/L$
B)$kQ^2/L^2$ e $2\sqrt{2}\,kQ^2/L$
C)$4\,kQ^2/L^2$ e $4\,kQ^2/L$
D)$0$ e $4\sqrt{2}\,kQ^2/L$
E)$0$ e $0$

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

Questão anulada

Questão anulada pela banca. Segundo o gabarito oficial, na resposta correspondente o potencial traz o quadrado da carga, o que é incorreto.

Resolução

Campo elétrico: as cargas ocupam vértices opostos, a distâncias iguais do centro. Os campos de cada par de cargas opostas têm o mesmo módulo e sentidos contrários, e o campo resultante no centro é nulo.

Potencial elétrico: o potencial é uma grandeza escalar, e as contribuições se somam. Cada carga está a $r=\dfrac{L\sqrt{2}}{2}=\dfrac{L}{\sqrt{2}}$ do centro: $V=4\cdot\dfrac{kQ}{L/\sqrt{2}}=4\sqrt{2}\,\dfrac{kQ}{L}$.

Portanto, $E=0$ e $V=4\sqrt{2}\,\dfrac{kQ}{L}$. A única opção com campo nulo traz o potencial com $Q^2$ em vez de $Q$, o que é dimensionalmente incorreto. Além disso, as opções A e C estão impressas com o mesmo texto no caderno. A banca anulou a questão.

Q18
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência elétrica e corrente em resistor
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q16 · Grupo 5 — Q18

Um circuito simples é montado com uma fonte, uma resistência de $500\,\Omega$ e um amperímetro. O circuito consome $1{,}8\,\text{J}$ por segundo.

Qual é a leitura do amperímetro, em miliampères?

A)36
B)60
C)120
D)180
E)360

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

B
Resolução

Consumir $1{,}8\,\text{J}$ por segundo corresponde a uma potência $P=1{,}8\,\text{W}$, dissipada na resistência.

Com $P=R\,i^2$: $i=\sqrt{\dfrac{P}{R}}=\sqrt{\dfrac{1{,}8}{500}}=\sqrt{3{,}6\times10^{-3}}=6{,}0\times10^{-2}\,\text{A}$.

Em miliampères, $i=60\,\text{mA}$ (tratando o amperímetro como ideal).

Q19
Óptica — Reflexão e espelhos — Espelho esférico convexo e aumento linear
2º dia · Tarde · Grupos 3 e 4 — Q17 · Grupo 5 — Q19

Analisando-se a imagem de uma fina haste colocada a $1{,}0\,\text{m}$ do vértice de um espelho esférico, observa-se que a imagem tem comprimento igual à metade do real e está direita (não-invertida).

Qual é o tipo de concavidade e o raio, em metros, do espelho?

A)côncavo e 0,75
B)côncavo e 1,5
C)convexo e 0,50
D)convexo e 1,0
E)convexo e 2,0

PUC-Rio 2024.1 · Grupos 3, 4 e 5

E
Resolução

Uma imagem direita e menor que o objeto é virtual e reduzida, o que só ocorre em espelho convexo. O espelho côncavo forma imagem direita apenas quando ela é ampliada.

O aumento linear é $A=-\dfrac{p'}{p}=+\dfrac12$, com $p=1{,}0\,\text{m}$, o que dá $p'=-0{,}50\,\text{m}$ (imagem virtual, atrás do espelho).

Pela equação de Gauss: $\dfrac1f=\dfrac1p+\dfrac1{p'}=\dfrac{1}{1{,}0}-\dfrac{1}{0{,}50}=1-2=-1\,\text{m}^{-1}$, portanto $f=-1{,}0\,\text{m}$.

O raio de curvatura é $R=2\,|f|=2{,}0\,\text{m}$, em espelho convexo.

Q20
Mecânica — Estática — Equilíbrio de haste com apoio e força aplicada
2º dia · Tarde · Grupo 5 — Q20

Uma haste fina e homogênea, de peso igual a $60\,\text{N}$, pode girar ao redor de um suporte, como mostrado na Figura.

Haste inclinada de ângulo θ com a horizontal, apoiada em um suporte R à esquerda e com uma força vertical F para cima na extremidade direita

Aplicando-se uma força $F$, de módulo $30\,\text{N}$, na extremidade oposta ao suporte, esse suporte tem de gerar uma força $R$ vertical, de modo a equilibrar a haste, fazendo ângulo $\theta=30°$ com a horizontal.

Desconsiderando-se forças horizontais, o módulo da força $R$, em newtons, e a direção dessa força são:

A)30 e para cima
B)30 e para baixo
C)60 e para cima
D)60 e para baixo
E)0

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 5

A
Resolução

Para o equilíbrio de translação, a soma das forças verticais é nula. O peso da haste (60 N) atua para baixo, aplicado no centro por ser homogênea. A força $F$ (30 N) atua para cima na extremidade.

Como $F$ é menor que o peso, o suporte precisa completar a diferença, empurrando a haste para cima: $R+F=P$, logo $R=60-30=30\,\text{N}$.

Conferência do equilíbrio de rotação em relação ao suporte, sendo $L$ o comprimento da haste: o peso gera momento $P\cdot\dfrac{L}{2}\cos\theta=30\,L\cos\theta$, e a força $F$ gera $F\cdot L\cos\theta=30\,L\cos\theta$. Os momentos se equilibram, e a inclinação de $30°$ não altera o resultado.

Q21
Mecânica — Trabalho e energia — Teorema do trabalho e energia cinética
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q21

Uma partícula de massa $4{,}0\,\text{kg}$ é acelerada por uma única força constante. Ao se deslocar, em linha reta, por $12\,\text{m}$ na direção $x$ e $5\,\text{m}$ na direção $y$, sua energia cinética aumenta em $130\,\text{J}$.

O módulo da força que acelerou a partícula, em newtons, é

A)4,0
B)5,0
C)10
D)22
E)33

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q21

C
Resolução

O deslocamento retilíneo tem módulo $d=\sqrt{12^2+5^2}=13\,\text{m}$. Sendo a força constante e a trajetória retilínea, a força é paralela ao deslocamento.

Pelo teorema do trabalho e da energia cinética, $W=\Delta E_c$. Como $W=F\,d$, resulta $F\cdot13=130$.

Logo $F=10\,\text{N}$. A massa de $4{,}0\,\text{kg}$ não é necessária para esse cálculo.

Q22
Mecânica — Cinemática — Comparação de lançamentos oblíquos
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q22

Um canhão de lançamento de bolas é posicionado no solo e lança bolas idênticas, sempre com a mesma velocidade em módulo. No primeiro lançamento, a direção de saída da bola é $30°$ com a horizontal. No segundo lançamento, a direção é mudada para $45°$ com a horizontal. Sejam as seguintes afirmações:

I – Até novamente chegar ao solo, a primeira bola percorre uma distância horizontal maior que aquela da segunda bola.

II – As duas bolas levam o mesmo tempo para atingir o solo.

III – A segunda bola atinge uma altura vertical maior do que aquela atingida pela primeira bola.

É correto APENAS o que se afirma em

Dados: $g=10\,\text{m/s}^2$; $\text{sen}\,30°=0{,}50$; $\cos30°=0{,}87$; $\text{sen}\,45°=\cos45°=0{,}71$.

A)II
B)III
C)I e II
D)I e III
E)II e III

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q22

B
Resolução

Com a mesma velocidade inicial $v$ e ângulo de lançamento $\theta$, sem resistência do ar:

I. O alcance é $A=\dfrac{v^2\,\text{sen}\,2\theta}{g}$. Para $30°$, $\text{sen}\,60°=0{,}87$; para $45°$, $\text{sen}\,90°=1$. O alcance da segunda bola é maior. Falsa.

II. O tempo de voo é $t=\dfrac{2\,v\,\text{sen}\,\theta}{g}$, proporcional a $\text{sen}\,\theta$: $0{,}50$ para $30°$ e $0{,}71$ para $45°$. Os tempos são diferentes. Falsa.

III. A altura máxima é $H=\dfrac{v^2\,\text{sen}^2\theta}{2g}$, proporcional a $\text{sen}^2\theta$: $0{,}25$ para $30°$ e $0{,}50$ para $45°$. A segunda bola sobe mais. Verdadeira.

Portanto, somente a afirmação III está correta.

Q23
Ondas — Ondas eletromagnéticas — Velocidade e comprimento de onda em meios materiais
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q23

As ondas eletromagnéticas, ao contrário do som, podem se propagar na ausência de meio material, ou seja, no vácuo, onde têm velocidade $c=3{,}0\times10^{8}\,\text{m/s}$.

Observe as afirmações a seguir relativas às ondas eletromagnéticas.

I – Dentro da água, com índice de refração igual a $1{,}33$, a velocidade da luz é aproximadamente $2{,}3\times10^{8}\,\text{m/s}$.

II – As ondas eletromagnéticas são ondas longitudinais.

III – Um feixe de luz com comprimento de onda no vácuo igual a $6{,}0\times10^{-7}\,\text{m}$ terá comprimento de onda igual a $9{,}0\times10^{-7}\,\text{m}$ ao se propagar dentro do vidro, que tem índice de refração igual a $1{,}5$.

Está correto APENAS o que se afirma em

A)I
B)II
C)III
D)I e II
E)I e III

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q23

A
Resolução

I. A velocidade da luz em um meio de índice $n$ é $v=\dfrac{c}{n}$. Na água, $v=\dfrac{3{,}0\times10^{8}}{1{,}33}\approx2{,}3\times10^{8}\,\text{m/s}$. Verdadeira.

II. Nas ondas eletromagnéticas, os campos elétrico e magnético oscilam perpendicularmente à direção de propagação. São ondas transversais. Falsa.

III. Na refração a frequência não muda, e $\lambda=\dfrac{\lambda_0}{n}$. No vidro, $\lambda=\dfrac{6{,}0\times10^{-7}}{1{,}5}=4{,}0\times10^{-7}\,\text{m}$. O comprimento de onda diminui ao entrar em um meio de maior índice, e não aumenta. Falsa.

Portanto, somente a afirmação I está correta.

Q24
Mecânica — Dinâmica — Tração em sistema de blocos com roldana e plano inclinado
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q24

No sistema mostrado na Figura, as massas dos blocos 1 e 2 são, respectivamente, $m_1=2{,}0\,\text{kg}$ e $m_2=3{,}0\,\text{kg}$. Não há atrito entre o bloco 2 e a superfície da rampa, e a roldana e o fio são considerados ideais.

Bloco 1 pendurado na vertical e bloco 2 sobre uma rampa de 30°, ligados por um fio que passa por uma roldana no topo da rampa

Nessas condições, qual é a tensão no fio, em newtons?

Dados: $g=10\,\text{m/s}^2$; $\text{sen}\,30°=0{,}50$; $\cos30°=0{,}87$.

A)10
B)15
C)18
D)20
E)24

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q24

C
Resolução

O bloco 1 pende na vertical, com peso $P_1=m_1g=20\,\text{N}$. No bloco 2, a componente do peso ao longo da rampa é $P_{2x}=m_2\,g\,\text{sen}\,30°=3{,}0\cdot10\cdot0{,}50=15\,\text{N}$.

Como $P_1>P_{2x}$, o bloco 1 desce e o bloco 2 sobe a rampa, com a mesma aceleração $a$ (fio ideal). Tratando os dois como um sistema: $a=\dfrac{P_1-P_{2x}}{m_1+m_2}=\dfrac{20-15}{5{,}0}=1{,}0\,\text{m/s}^2$.

Para o bloco 1: $P_1-T=m_1a$, então $T=20-2{,}0\cdot1{,}0=18\,\text{N}$.

Conferência com o bloco 2: $T-P_{2x}=m_2a$ dá $18-15=3{,}0\cdot1{,}0$, que é consistente.

Q25
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência e resistência de lâmpada
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q25

Uma lâmpada incandescente de $120\,\text{W}$ está especificada para uma rede elétrica de $240\,\text{V}$.

Qual é a resistência dessa lâmpada, em ohms?

A)48
B)60
C)120
D)240
E)480

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q25

E
Resolução

Nas condições nominais, a potência dissipada pela lâmpada é $P=\dfrac{V^2}{R}$.

Então $R=\dfrac{V^2}{P}=\dfrac{240^2}{120}=\dfrac{57\,600}{120}=480\,\Omega$.

Q26
Mecânica — Trabalho e energia — Potência do motor de elevador
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q26

O motor para um elevador com massa de $2.000\,\text{kg}$ gera uma tensão no cabo que move esse elevador para cima com velocidade constante $V=1{,}00\,\text{m/s}$.

Não se levando em consideração os atritos, qual é, em watts, a potência gerada pelo motor?

Dado: $g=10\,\text{m/s}^2$.

A)0
B)2.000
C)5.000
D)10.000
E)20.000

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q26

E
Resolução

Com velocidade constante, a resultante é nula: a tração no cabo equilibra o peso, $T=mg=2000\cdot10=2{,}0\times10^{4}\,\text{N}$.

A potência é $P=T\,v=2{,}0\times10^{4}\cdot1{,}00=2{,}0\times10^{4}\,\text{W}=20\,000\,\text{W}$.

Q27
Termologia — Gases — Expansão isobárica de gás ideal
2º dia · Manhã · Grupo 2 — Q27

Um mol de um gás ideal diatômico realiza uma expansão isobárica que dobra seu volume.

Sabendo-se que a temperatura inicial era $27\,°\text{C}$, qual é a temperatura final, em graus Celsius, desse gás?

A)27
B)54
C)300
D)327
E)600

PUC-Rio 2024.1 · Grupo 2 · Q27

D
Resolução

Em uma transformação isobárica de um gás ideal, $\dfrac{V}{T}$ é constante, com $T$ na escala Kelvin.

A temperatura inicial é $T_i=27+273=300\,\text{K}$. Como o volume dobra, a temperatura absoluta também dobra: $T_f=600\,\text{K}$.

Voltando para Celsius: $\theta_f=600-273=327\,°\text{C}$. Dobrar o valor em Celsius ($54\,°\text{C}$) é o erro típico, pois a proporcionalidade vale apenas na escala absoluta.

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