UFRJ | 2011 · Prova 2

Física · 10 questões discursivas com respostas e resoluções.

Dados da prova

Universidade Federal do Rio de Janeiro · UFRJ 2011 — Prova 2.

Questões de Física das páginas 2, 3, 4, 5, 6 do PDF. Enunciados em texto, notação matemática em KaTeX e figuras originais separadas; explicações autorais em blocos próprios.

Caderno fornecido (PDF) · Respostas da fonte (PDF)

Respostas e resoluções comentadas: elaboração do Acervo TEF. Consulte o caderno e o material de respostas disponibilizados acima.

Q1
Mecânica — Cinemática — Movimento uniformemente variado na decolagem

Um avião vai decolar em uma pista retilínea. Ele inicia seu movimento na cabeceira da pista com velocidade nula e corre por ela com aceleração média de $2{,}0\,\mathrm{m/s^2}$ até o instante em que levanta voo, com uma velocidade de $80\,\mathrm{m/s}$, antes de terminar a pista.

a) Calcule quanto tempo o avião permanece na pista desde o início do movimento até o instante em que levanta voo.

b) Determine o menor comprimento possível dessa pista.

a) $40\,\mathrm s$. b) $1600\,\mathrm m$, no modelo de aceleração constante.

Resolução comentada

Pela definição de aceleração média, $a_m=\Delta v/\Delta t$. Assim, $\Delta t=80/2{,}0=40\,\mathrm s$.

Adotando o modelo de aceleração constante usado na resolução do caderno, a distância é $s=(v_0+v_f)t/2=(0+80)40/2=1600\,\mathrm m$. Essa é a extensão mínima no modelo. Estritamente, conhecer apenas a aceleração média não determina a distância se a aceleração variar arbitrariamente; o item b pressupõe a simplificação de aceleração constante.

Resposta: a) $40\,\mathrm s$. b) $1600\,\mathrm m$, no modelo de aceleração constante.

Q2
Óptica — Princípios da óptica — Propagação retilínea da luz e eclipse solar

A figura a seguir (evidentemente fora de escala) mostra o ponto O em que está o olho de um observador da Terra olhando um eclipse solar total, isto é, aquele no qual a Lua impede toda luz do Sol de chegar ao observador.

UFRJ 2011-2, questão 2: figura 1 do caderno

a) Para que o eclipse seja anelar, isto é, para que a Lua impeça a visão dos raios emitidos por uma parte central do Sol, mas permita a visão da luz emitida pelo restante do Sol, a Lua deve estar mais próxima ou mais afastada do observador do que na situação da figura?

Justifique sua resposta com palavras ou com um desenho.

b) Sabendo que o raio do Sol é $0{,}70\times10^{6}\,\mathrm{km}$, o da Lua, $1{,}75\times10^{3}\,\mathrm{km}$, e que a distância entre o centro do Sol e o observador na Terra é de $150\times10^{6}\,\mathrm{km}$, calcule a distância $d$ entre o observador e o centro da Lua para a qual ocorre o eclipse total indicado na figura.

a) Mais afastada. b) $d=3{,}75\times10^5\,\mathrm{km}$.

Resolução comentada

O tamanho angular da Lua diminui quando sua distância ao observador aumenta. Para deixar aparecer um anel da superfície solar, a Lua deve estar mais afastada do que na configuração de eclipse total desenhada.

Na condição de discos aparentes de mesmo tamanho, os triângulos são semelhantes: $R_L/d=R_S/D$. Portanto, $d=D\,R_L/R_S=150\times10^6\cdot(1{,}75\times10^3)/(0{,}70\times10^6)=3{,}75\times10^5\,\mathrm{km}$.

Resposta: a) Mais afastada. b) $d=3{,}75\times10^5\,\mathrm{km}$.

Q3
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistência interna do amperímetro em circuito em série

Uma bateria ideal, um amperímetro de resistência interna de $100\,\Omega$ e um resistor de resistência de $1400\,\Omega$ são ligados em série em um circuito inicialmente aberto com terminais a e $b$, como indicado na figura a seguir. Quando os terminais a e $b$ são conectados por um fio de resistência desprezível, fechando o circuito, se estabelece no amperímetro uma corrente de $1{,}00\,\mathrm{mA}$. Quando os terminais a e $b$ são conectados por um resistor, fechando o circuito, se estabelece no amperímetro uma corrente de $0{,}20\,\mathrm{mA}$.

UFRJ 2011-2, questão 3: figura 1 do caderno

Calcule a resistência desse resistor.

$R=6000\,\Omega$.

Resolução comentada

Com o fio ideal fechando o circuito, a resistência total é $100+1400=1500\,\Omega$. A corrente de 1,00 mA determina a tensão da bateria: $\varepsilon=1500\cdot10^{-3}=1{,}50\,\mathrm V$.

Com o novo resistor, a corrente cai para $0{,}20\,\mathrm{mA}=2{,}0\times10^{-4}\,\mathrm A$. Assim, $R_{\rm total}=1{,}50/(2{,}0\times10^{-4})=7500\,\Omega$ e $R=7500-1500=6000\,\Omega$. O amperímetro não é ideal: seus 100 Ω devem ser incluídos.

Resposta: $R=6000\,\Omega$.

Q4
Ondas — Conceitos básicos — Relação entre frequência e comprimento de onda

Um brinquedo muito divertido é o telefone de latas. Ele é feito com duas latas abertas e um barbante que tem suas extremidades presas às bases das latas. Para utilizá-lo, é necessário que uma pessoa fale na “boca” de uma das latas e uma outra pessoa ponha seu ouvido na “boca” da outra lata, mantendo os fios esticados. Como no caso do telefone comum, também existe um comprimento de onda máximo em que o telefone de latas transmite bem a onda sonora.

Sabendo que para um certo telefone de latas o comprimento de onda máximo é $50\,\mathrm{cm}$ e que a velocidade do som no ar é igual a $340\,\mathrm{m/s}$, calcule a frequência mínima das ondas sonoras que são bem transmitidas pelo telefone.

UFRJ 2011-2, questão 4: figura 1 do caderno

$f_{\min}=680\,\mathrm{Hz}$.

Resolução comentada

Para a velocidade de propagação fornecida, $f=v/\lambda$. A menor frequência corresponde ao maior comprimento de onda bem transmitido.

Convertendo $50\,\mathrm{cm}=0{,}50\,\mathrm m$, resulta $f_{\min}=340/0{,}50=680\,\mathrm{Hz}$.

Resposta: $f_{\min}=680\,\mathrm{Hz}$.

Q5
Mecânica — Hidrostática — Flutuação e nível da água

Inicialmente, um barquinho flutua em repouso na superfície da água contida em um balde, como ilustra a figura 1. Então, um pouco da água do balde é transferida suavemente para dentro do barquinho (figura 2) que, finalmente, volta ao repouso ainda flutuando na superfície da água (figura 3). Tanto na situação inicial, quanto na final, a água do balde está em equilíbrio hidrostático. figura 1 figura 2 figura 3

UFRJ 2011-2, questão 5: figura 1 do caderno

Indique se o nível da água no balde na situação final é menor, igual ou maior do que o nível na situação inicial.

Justifique sua resposta.

O nível final é igual ao inicial.

Resolução comentada

Considere um volume ΔV de água transferido do balde para o barco. A água retirada reduz o volume externo em ΔV, mas aumenta o peso do barco em $\rho g\Delta V$.

Para voltar a flutuar, o barco desloca um volume adicional $\Delta V_{\rm deslocado}$ tal que $\rho g\Delta V_{\rm deslocado}=\rho g\Delta V$. Portanto, o acréscimo de volume deslocado é exatamente o volume retirado do exterior. Os efeitos se compensam e o nível permanece igual.

Resposta: O nível final é igual ao inicial.

Q6
Mecânica — Dinâmica — Bloco em plano acelerado

Um bloco de massa $2{,}0\,\mathrm{kg}$ está sobre a superfície de um plano inclinado, que está em movimento retilíneo para a direita, com aceleração de $2{,}0\,\mathrm{m/s^2}$, também para a direita, como indica a figura a seguir. A inclinação do plano é de $30^\circ$ em relação à horizontal.

Suponha que o bloco não deslize sobre o plano inclinado e que a aceleração da gravidade seja $g=10\,\mathrm{m/s^2}$.

Usando a aproximação $\sqrt3\approx1{,}7$, calcule o módulo e indique a direção e o sentido da força de atrito exercida pelo plano inclinado sobre o bloco.

UFRJ 2011-2, questão 6: figura 1 do caderno

$f=6{,}6\,\mathrm N$, paralela ao plano e para cima da rampa.

Resolução comentada

Como o bloco não desliza, sua aceleração é horizontal para a direita, de módulo 2,0 m/s². Escolhendo o sentido de descida da rampa como positivo, a projeção dessa aceleração é $a\cos30^\circ$.

A segunda lei nessa direção fornece $mg\sin30^\circ-f=ma\cos30^\circ$. Logo, $f=2\cdot10\cdot0{,}5-2\cdot2\cdot(1{,}7/2)=10-3{,}4=6{,}6\,\mathrm N$. O atrito aponta para cima da rampa, para a esquerda e para cima no desenho.

Resposta: $f=6{,}6\,\mathrm N$, paralela ao plano e para cima da rampa.

Q7
Termologia — Gases — Pressão, temperatura e densidade de gás ideal

Um físico alpinista escalou uma alta montanha e verificou que, no topo, a pressão $p$ do ar era igual a $0{,}44p_0$, sendo $p_0$ a pressão ao nível do mar. Ele notou também que, no topo, a temperatura $T$ era igual a $0{,}88T_0$, sendo $T_0$ a correspondente temperatura ao nível do mar, ambas temperaturas medidas em Kelvin. Considerando o ar no topo e ao nível do mar como um mesmo gás ideal, calcule a razão $d/d_0$ entre a densidade $d$ do ar no topo da montanha e a correspondente densidade $d_0$ ao nível do mar.

$d/d_0=0{,}50$.

Resolução comentada

Para um mesmo gás ideal, a densidade pode ser escrita como $d=pM/(RT)$, em que M é a massa molar. Assim, a densidade é proporcional a p/T.

Portanto, $d/d_0=(p/p_0)/(T/T_0)=0{,}44/0{,}88=0{,}50$. No topo, a densidade é metade da densidade ao nível do mar.

Resposta: $d/d_0=0{,}50$.

Q8
Eletricidade — Eletrostática — Repulsão entre íons e conservação de energia e momento

Um íon de massa $m$ e carga elétrica $q$ incide sobre um segundo íon, de mesma massa $m$ e mesma carga $q$. De início, enquanto a separação entre eles é grande o bastante para que as forças mútuas sejam desprezíveis, o primeiro mantém uma velocidade constante de módulo $v_0$ e o segundo se mantém em repouso, como indica a figura 1.

Ao se aproximarem, as forças elétricas coulombianas entre eles, não mais desprezíveis, passam a mudar continuamente suas velocidades. Despreze quaisquer outras forças, considere dados os valores de $m$, $q$, $v_0$ e $4\pi\varepsilon_0$ e suponha que todos os movimentos se deem em uma reta.

UFRJ 2011-2, questão 8: figura 1 do caderno

a) Calcule a velocidade do segundo íon quando a velocidade do íon incidente for igual a $3v_0/4$ (como indicado na figura 2).

b) Calcule a distância entre eles no instante da situação considerada no item anterior.

a) $v_2=v_0/4$. b) $r=16kq^2/(3mv_0^2)$, com $k=1/(4\pi\varepsilon_0)$.

Resolução comentada

Não há força externa resultante na direção do movimento. Conservando o momento, $mv_0=m(3v_0/4)+mv_2$, logo $v_2=v_0/4$, no sentido inicial do íon incidente.

A energia inicial é $mv_0^2/2$, com energia potencial elétrica desprezível na grande separação inicial. No instante indicado, a energia cinética é $(m/2)[(3v_0/4)^2+(v_0/4)^2]=5mv_0^2/16$.

A diferença foi armazenada em energia potencial elétrica: $kq^2/r=mv_0^2/2-5mv_0^2/16=3mv_0^2/16$. Portanto, $r=16kq^2/(3mv_0^2)$.

Resposta: a) $v_2=v_0/4$. b) $r=16kq^2/(3mv_0^2)$, com $k=1/(4\pi\varepsilon_0)$.

Q9
Mecânica — Estática — Equilíbrio de forças e torques em portão

Um portão retangular de massa igual a $50\,\mathrm{kg}$ tem $2{,}50\,\mathrm m$ de comprimento, $1{,}45\,\mathrm m$ de altura e está preso a duas dobradiças A e B. O vértice da dobradiça A dista $0{,}10\,\mathrm m$ do topo do portão, e o vértice da dobradiça B, $0{,}10\,\mathrm m$ da base, como indica a figura a seguir.

Suponha que o sistema esteja em repouso, que o peso do portão esteja aplicado em seu centro geométrico e que a aceleração $g$ da gravidade local seja $10\,\mathrm{m/s^2}$.

UFRJ 2011-2, questão 9: figura 1 do caderno

a) Calcule o módulo da força resultante exercida pelas duas dobradiças sobre o portão.

b) Calcule o módulo da componente horizontal da força exercida pela dobradiça A sobre o portão e determine seu sentido.

a) $500\,\mathrm N$. b) $500\,\mathrm N$, para a esquerda.

Resolução comentada

Em equilíbrio, a resultante das forças das duas dobradiças deve equilibrar o peso: $\vec F_A+\vec F_B=-\vec P$. Seu módulo é $mg=50\cdot10=500\,\mathrm N$, verticalmente para cima.

A distância vertical entre as dobradiças é $1{,}45-0{,}10-0{,}10=1{,}25\,\mathrm m$. O peso atua a $2{,}50/2=1{,}25\,\mathrm m$ da linha das dobradiças. O equilíbrio de torques em B exige $F_{A,x}\cdot1{,}25=500\cdot1{,}25$, portanto $|F_{A,x}|=500\,\mathrm N$. Para se opor ao torque horário do peso, a componente em A aponta para a esquerda.

Resposta: a) $500\,\mathrm N$. b) $500\,\mathrm N$, para a esquerda.

Q10
Eletromagnetismo — Força magnética — Movimento circular de carga em campo magnético

Uma partícula de massa $m$ e carga $q$ positiva, em movimento retilíneo uniforme, penetra em uma região na qual há um campo magnético uniforme, vertical e de módulo B. Ao sair da região, ela retoma um movimento retilíneo uniforme. Todo o movimento se processa em um plano horizontal e a direção do movimento retilíneo final faz um ângulo $\theta$ com a direção do movimento retilíneo inicial. A velocidade da partícula é grande o bastante para desprezarmos a força gravitacional, de modo a considerarmos apenas a força magnética sobre ela.

UFRJ 2011-2, questão 10: figura 1 do caderno

a) Determine a razão $v^\prime$ / $v$ entre o módulo $v^\prime$ da velocidade do movimento retilíneo final e o módulo $v$ da velocidade do movimento retilíneo inicial.

b) Calcule quanto tempo a partícula demora para atravessar a região em que há campo magnético em função de $q$, $m$, B e $\theta$.

a) $v^\prime/v=1$. b) $\Delta t=m\theta/(qB)$, com θ em radianos.

Resolução comentada

A força magnética é perpendicular à velocidade e não realiza trabalho. A energia cinética e o módulo da velocidade permanecem constantes, logo $v^\prime/v=1$.

Dentro da região, o movimento é circular uniforme, com $qvB=mv^2/R$. Assim, a velocidade angular é $\omega=v/R=qB/m$. O arco percorrido corresponde à mudança de direção θ da velocidade, dando $\Delta t=\theta/\omega=m\theta/(qB)$. O ângulo deve estar em radianos.

Resposta: a) $v^\prime/v=1$. b) $\Delta t=m\theta/(qB)$, com θ em radianos.