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IME 2011 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2010/2011 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Mecânica — Quantidade de Movimento — Colisão em Sistema com Polia
Duas massas, m1 e m2, ligadas por um fio que passa por uma roldana, na mesma altura h acima do solo; um cilindro oco de massa m, com velocidade v0, está prestes a atingir m1

A figura acima apresenta duas massas $m_1=5\text{ kg}$ e $m_2=20\text{ kg}$ presas por um fio que passa por uma roldana. As massas são abandonadas a partir do repouso, ambas a uma altura $h$ do solo, no exato instante em que um cilindro oco de massa $m=5\text{ kg}$ atinge $m_1$ com velocidade $v=36\text{ m/s}$, ficando ambas coladas. Determine a altura $h$, em metros, para que $m_1$ chegue ao solo com velocidade nula.

Dado:

  • Aceleração da gravidade: $g=10\text{ m/s}^2$

Observação:

  • A roldana e o fio são ideais.
A)$5{,}4$
B)$2{,}7$
C)$3{,}6$
D)$10{,}8$
E)$1{,}8$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Choque. O fio é ideal, e então $m_1$ (com o cilindro) e $m_2$ têm sempre a mesma velocidade escalar, uma descendo e a outra subindo. Durante o choque, o fio aplica um impulso a $m_2$, e por isso a quantidade de movimento conservada é a do conjunto (medida ao longo do fio): \[m\,v=(m+m_1+m_2)\,u\quad\Rightarrow\quad u=\frac{5\cdot36}{5+5+20}=6\text{ m/s}.\]

Movimento seguinte. Depois do choque, o conjunto $m+m_1=10\text{ kg}$ desce com $6\text{ m/s}$, e $m_2=20\text{ kg}$ sobe. Como $m_2$ é a maior massa, o movimento é retardado, com aceleração de módulo \[a=\frac{(m_2-m-m_1)\,g}{m+m_1+m_2}=\frac{(20-10)\cdot10}{30}=\frac{10}{3}\text{ m/s}^2.\]

Altura. Para que o conjunto chegue ao solo com velocidade nula, ele deve parar exatamente na distância $h$: \[h=\frac{u^2}{2a}=\frac{36}{2\cdot\frac{10}{3}}=5{,}4\text{ m}.\]

Cuidado, armadilha! No choque, a roldana e o fio fazem $m_2$ participar: usar apenas $m$ e $m_1$ daria $u=\dfrac{5\cdot36}{10}=18\text{ m/s}$, e a altura seria $48{,}6\text{ m}$, muito diferente.
Q17
Mecânica — Cinemática — Translação e Rotação Simultâneas
Um cilindro no interior de um tubo longo, coaxial a ele

A figura acima apresenta um cilindro que executa um movimento simultâneo de translação e rotação com velocidades constantes no interior de um tubo longo. O cilindro está sempre coaxial ao tubo. A folga e o atrito entre o tubo e o cilindro são desprezíveis. Ao se deslocar no interior do tubo, o cilindro executa uma rotação completa em torno do seu eixo a cada $600\text{ mm}$ de comprimento do tubo. Sabendo que a velocidade de translação do cilindro é $6\text{ m/s}$, a velocidade de rotação do cilindro em rpm é:

A)$6$
B)$10$
C)$360$
D)$600$
E)$3600$

Gabarito Oficial

D
Resolução

A cada volta completa, o cilindro avança $600\text{ mm}=0{,}6\text{ m}$. Com translação de $6\text{ m/s}$, o número de voltas por segundo é \[f=\frac{6}{0{,}6}=10\text{ voltas/s}.\]

Em rpm. \[10\text{ voltas/s}\times60\text{ s/min}=600\text{ rpm}.\]

Cuidado, armadilha! O resultado $10$ é a frequência em rotações por segundo (alternativa B). O enunciado pede rotações por minuto, e é preciso multiplicar por $60$.
Q18
Ondulatória — Efeito Doppler — Fonte e Observador em Movimento

Um observador e uma fonte sonora de frequência constante movem-se, respectivamente, segundo as equações temporais projetadas nos eixos $X$ e $Y$:

Observador$X_o(t)=\cos(t)$$Y_o(t)=-\cos(t)$
Fonte$X_f(t)=\mathrm{sen}(t)+\cos(t)$$Y_f(t)=-2\cos(t)$

Observação:

  • A velocidade de propagação da onda é muito maior que as velocidades do observador e da fonte.

Com relação ao instante $t$ ($0\le t<\pi$), o observador perceberá uma frequência:

A)constante
B)variável e mais aguda em $t=0$
C)variável e mais aguda em $t=\frac14\pi$
D)variável e mais aguda em $t=\frac12\pi$
E)variável e mais aguda em $t=\frac34\pi$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Para velocidades pequenas em comparação com a da onda, a frequência percebida é aproximadamente $f'\approx f\left(1-\dfrac{1}{c}\,\dfrac{dd}{dt}\right)$, em que $d$ é a distância entre fonte e observador. Só importa, portanto, como $d$ varia no tempo.

Vetor relativo. A posição do observador em relação à fonte é \[\Delta X=X_o-X_f=\cos t-(\mathrm{sen}\,t+\cos t)=-\mathrm{sen}\,t,\] \[\Delta Y=Y_o-Y_f=-\cos t+2\cos t=\cos t.\] Distância. \[d=\sqrt{\mathrm{sen}^2t+\cos^2t}=1\quad\text{(constante)}.\]

A distância entre fonte e observador não muda, $\dfrac{dd}{dt}=0$, e então a frequência percebida é constante, igual à da fonte (alternativa A).

Cuidado, armadilha! As velocidades da fonte e do observador variam no tempo (cada uma tem componente radial não nula em vários instantes), mas as componentes ao longo da reta que os liga se compensam. Ao analisar um problema de Doppler com duas partes móveis, vale olhar primeiro para a distância relativa.
Q19
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistência Equivalente de uma Roda de Resistores
Sete resistores R formam um polígono de sete vértices; do centro, sete resistores R ligam-se a cada vértice; os terminais A e B ficam em dois vértices vizinhos, à esquerda

O valor da resistência equivalente entre os terminais $A$ e $B$ do circuito mostrado na figura acima é:

A)$R/2$
B)$6R/11$
C)$6R/13$
D)$16R/29$
E)$15R/31$

Gabarito Oficial

D
Resolução

A figura é uma roda: sete vértices periféricos, ligados em anel por resistores $R$, e um nó central ligado a cada vértice por outro $R$. Os terminais $A$ e $B$ estão em dois vértices vizinhos. Numeramos os vértices $0$ ($A$), $1$ ($B$), $2,\dots,6$, em torno do anel.

Simetria. Aplicamos $+1\text{ V}$ em $A$ e $-1\text{ V}$ em $B$. A rede é simétrica em relação à reta que passa pelo centro e pelo ponto médio de $AB$ (que troca $0\leftrightarrow1$, $2\leftrightarrow6$, $3\leftrightarrow5$ e deixa $4$ fixo). Por antissimetria, o centro e o vértice $4$ ficam em $0\text{ V}$, $v_6=-v_2$ e $v_5=-v_3$.

Nós. Em unidades de $\dfrac1R$:
• vértice $2$ (vizinhos $1$, $3$ e o centro): $(-1-v_2)+(v_3-v_2)+(0-v_2)=0\ \Rightarrow\ v_3-3v_2=1$;
• vértice $3$ (vizinhos $2$, $4$ e o centro): $(v_2-v_3)+(0-v_3)+(0-v_3)=0\ \Rightarrow\ v_2=3v_3$.
Resolvendo, $v_3=-\dfrac18$ e $v_2=-\dfrac38$.

Corrente total. De $A$ (a $+1\text{ V}$) saem: para $B$, $\dfrac{1-(-1)}{R}=\dfrac2R$; para o vértice $6$ (a $-v_2=\tfrac38\text{ V}$), $\dfrac{1-3/8}{R}=\dfrac{5}{8R}$; para o centro, $\dfrac1R$. A soma é $I=\dfrac1R\left(2+\dfrac58+1\right)=\dfrac{29}{8R}$. Resistência equivalente. \[R_{eq}=\frac{V_A-V_B}{I}=\frac{2}{29/(8R)}=\frac{16}{29}\,R.\]

Cuidado, armadilha! O desenho tem sete vértices (os terminais $A$ e $B$ são dois deles). Tratar a rede como uma roda de seis vértices daria $\dfrac{11}{20}R$, que não consta das alternativas.
Q20
Óptica — Lentes — Posições Conjugadas de uma Lente Convergente
Um objeto A, uma lente convergente e uma tela T; L é a distância entre o objeto e a tela

Uma lente convergente de distância focal $f$ situa-se entre o objeto $A$ e a tela $T$, como mostra a figura acima.

Sendo $L$ a distância entre o objeto e a tela, considere as seguintes afirmativas:

I) Se $L>4f$, existem duas posições da lente separadas por uma distância $\sqrt{L(L-4f)}$, para as quais é formada na tela uma imagem real.

II) Se $L<4f$, existe apenas uma posição da lente para a qual é formada na tela uma imagem real.

III) Se $L=4f$, existe apenas uma posição da lente para a qual é formada na tela uma imagem real.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

A)I e II, apenas.
B)I e III, apenas.
C)II e III, apenas.
D)I, II e III.
E)III, apenas.

Gabarito Oficial

B
Resolução

Com o objeto a $x$ da lente e a tela a $L-x$ da lente, a equação das lentes dá \[\frac1x+\frac1{L-x}=\frac1f\quad\Rightarrow\quad x^2-Lx+Lf=0.\] O discriminante é $\Delta=L^2-4Lf=L\,(L-4f)$, e as raízes são $x=\dfrac{L\pm\sqrt{L(L-4f)}}{2}$.

I (correta). Se $L>4f$, $\Delta>0$ e há duas posições, que diferem de $\sqrt{L(L-4f)}$. II (falsa). Se $L<4f$, $\Delta<0$: não existe posição da lente que forme imagem real na tela (e não apenas uma). III (correta). Se $L=4f$, $\Delta=0$, com uma única posição, $x=L/2=2f$.

Estão corretas I e III.

Cuidado, armadilha! A distância mínima entre um objeto real e sua imagem real é $4f$. Para $L<4f$ nenhuma posição da lente forma imagem real, e a afirmativa II confunde isso com a existência de uma única posição.
Q21
Mecânica — Estática — Equilíbrio de Perfil Articulado
Perfil metálico AB apoiado em C: o braço CA de 0,20 m forma 15 graus com a horizontal, e o braço CB, de 0,18 m, forma 75 graus; no ponto A há uma força vertical para baixo de 216,0 N e em B atuam uma força horizontal de 175,0 N, para a direita, e a força vertical F, para baixo

A figura acima apresenta um perfil metálico $AB$, com dimensões $AC=0{,}20\text{ m}$ e $CB=0{,}18\text{ m}$, apoiado em $C$ por meio de um pino sem atrito. Admitindo-se desprezível o peso do perfil $AB$, o valor da força vertical $F$, em newtons, para que o sistema fique em equilíbrio na situação da figura é:

Dados:

  • $\mathrm{sen}(15^\circ)=0{,}26$
  • $\cos(15^\circ)=0{,}97$
A)$242{,}5$
B)$232{,}5$
C)$222{,}5$
D)$212{,}5$
E)$210{,}5$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Tomamos o pino $C$ como centro dos torques (a reação do pino não produz torque). O perfil é rígido, e o ângulo de $75^\circ$ de $CB$ com a horizontal dá $\cos75^\circ=\mathrm{sen}\,15^\circ=0{,}26$ e $\mathrm{sen}\,75^\circ=\cos15^\circ=0{,}97$.

Braços de alavanca.
• Força de $216\text{ N}$ (vertical) em $A$: distância horizontal até $C$ igual a $0{,}20\cos15^\circ=0{,}194\text{ m}$.
• Força de $175\text{ N}$ (horizontal) em $B$: distância vertical até $C$ igual a $0{,}18\,\mathrm{sen}75^\circ=0{,}1746\text{ m}$.
• Força $F$ (vertical) em $B$: distância horizontal até $C$ igual a $0{,}18\cos75^\circ=0{,}0468\text{ m}$.

Sentidos. A força de $216\text{ N}$ em $A$ (à esquerda de $C$) gira o perfil em um sentido; a força de $175\text{ N}$ e $F$, em $B$ (à direita de $C$), giram o perfil no sentido oposto, de modo que \[216\cdot0{,}194=175\cdot0{,}1746+F\cdot0{,}0468\] \[41{,}9=30{,}6+0{,}0468\,F\quad\Rightarrow\quad F\approx242{,}5\text{ N}.\]

Cuidado, armadilha! O braço de alavanca de uma força é a distância perpendicular da sua linha de ação ao ponto: a de uma força vertical é a distância horizontal, e a de uma horizontal é a distância vertical. Trocá-las altera o resultado.
Q22
Mecânica — Gravitação — Queda Livre em Direção a um Planeta
Um pequeno corpo de massa m, a uma distância D da superfície de um planeta de massa M e raio r, em queda livre na direção do centro do planeta

A figura acima apresenta um pequeno corpo de massa $m$ em queda livre na direção do centro de um planeta de massa $M$ e de raio $r$ sem atmosfera, cujas superfícies distam $D$. É correto afirmar que, se $D\gg r$ e $M\gg m$, a aceleração do corpo

A)é constante.
B)não depende da massa do planeta.
C)diminui com o tempo.
D)aumenta com o tempo.
E)depende da massa do corpo.

Gabarito Oficial

D
Resolução

Como $M\gg m$, o planeta praticamente não se move, e a aceleração do corpo é a da gravitação \[a=\frac{GM}{d^2},\] em que $d$ é a distância do corpo ao centro do planeta. Ela não depende de $m$ (o que descarta a alternativa E) e depende de $M$ (o que descarta B).

Variação com o tempo. Ao cair, $d$ diminui, de $D+r$ até $r$. Como $D\gg r$, essa variação é enorme (a aceleração final, $GM/r^2$, é muito maior que a inicial, $GM/(D+r)^2$), e a aceleração aumenta com o tempo (alternativa D). Ela só seria aproximadamente constante se $D\ll r$.

Cuidado, armadilha! A aceleração constante $g=GM/r^2$ vale perto da superfície, quando a altura é desprezível frente a $r$. Aqui a hipótese é o oposto ($D\gg r$), e o corpo percorre quase todo o campo gravitacional, cuja intensidade cresce com a aproximação.
Q23
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Espira entre Dois Solenoides
Dois solenoides alinhados, cada um ligado, em série com um resistor de 2 ohms, aos terminais de uma mesma bateria (os dois ramos em paralelo); entre eles, uma espira se desloca da direita para a esquerda, vista por um observador à direita

A figura acima apresenta um circuito composto por dois solenoides com resistências desprezíveis e dois resistores de $2\ \Omega$ ligados a uma bateria. Uma corrente é induzida em uma espira situada entre os dois solenoides quando esta se desloca da direita para a esquerda, a partir da posição equidistante em relação aos solenoides. Sabendo-se que as influências mútuas dos campos magnéticos no interior de cada solenoide são desprezíveis, pode-se afirmar que o valor da tensão da bateria em volts e o sentido da corrente induzida na espira para o observador são:

Dados:

  • Campo magnético no interior de cada solenoide: $4\cdot10^{-3}\text{ T}$
  • Permeabilidade magnética no vácuo: $4\pi\cdot10^{-7}\text{ T.m/A}$
  • Número de espiras de cada solenoide: $10$
  • Comprimento de cada solenoide: $4\text{ cm}$
A)$40/\pi$ e sentido anti-horário
B)$80/\pi$ e sentido horário
C)$80/\pi$ e sentido anti-horário
D)$160/\pi$ e sentido horário
E)$160/\pi$ e sentido anti-horário

Gabarito Oficial

Questão anulada pela banca
Resolução

Corrente em cada solenoide. Para um solenoide de $N=10$ espiras e comprimento $\ell=4\text{ cm}$, $B=\mu_0\dfrac{N}{\ell}\,I$: \[I=\frac{B\,\ell}{\mu_0N}=\frac{4\cdot10^{-3}\cdot4\cdot10^{-2}}{4\pi\cdot10^{-7}\cdot10}=\frac{40}{\pi}\text{ A}.\]

Tensão da bateria. Pela figura, os dois solenoides (de resistência desprezível), cada um em série com um resistor de $2\ \Omega$, estão ligados em paralelo aos terminais da bateria. Em cada ramo, \[V=R\,I=2\cdot\frac{40}{\pi}=\frac{80}{\pi}\text{ V}.\]

Sentido da corrente induzida. Quando a espira se desloca para a esquerda, a partir do ponto médio, o fluxo do solenoide da esquerda aumenta e o do solenoide da direita diminui, e a corrente induzida, pela lei de Lenz, se opõe à variação do fluxo total. Mas o sentido do campo de cada solenoide depende do sentido de enrolamento das espiras, que o desenho (espiras desenhadas apenas como laços) não define. Sem essa informação, o sentido não pode ser determinado, o que levou à anulação da questão.

Cuidado, armadilha! Os dois ramos estão em paralelo na bateria, e então a tensão é $2\cdot I=\dfrac{80}{\pi}\text{ V}$. Tratá-los como se estivessem em série (resistência de $4\ \Omega$) daria $\dfrac{160}{\pi}\text{ V}$.
Q24
Óptica — Refração — Meio Estratificado e Lei de Snell
Camadas planas paralelas, de índices de refração n1, n2, n3, ..., n(N-1), nN, atravessadas por um raio que forma os ângulos teta1, teta2, ..., tetaN com as normais

Considere um meio estratificado em $N$ camadas com índices de refração $n_1,n_2,n_3,\dots,n_N$, como mostrado na figura acima, onde estão destacados os raios traçados por uma onda luminosa que os atravessa, assim como seus respectivos ângulos com as normais a cada interface.

Se $n_{i+1}=n_i/2$ para $i=1,2,3,\dots,N-1$ e $\mathrm{sen}\,\theta_N=1024\,\mathrm{sen}\,\theta_1$, então $N$ é igual a:

Observação:

  • A escala da figura não está associada aos dados.
A)$5$
B)$6$
C)$9$
D)$10$
E)$11$

Gabarito Oficial

E
Resolução

Como as interfaces são paralelas, o ângulo de refração em uma interface é o ângulo de incidência na seguinte, e a lei de Snell em cada interface, $n_i\,\mathrm{sen}\,\theta_i=n_{i+1}\,\mathrm{sen}\,\theta_{i+1}$, mostra que o produto $n\,\mathrm{sen}\,\theta$ é constante ao longo de todo o percurso: \[n_1\,\mathrm{sen}\,\theta_1=n_N\,\mathrm{sen}\,\theta_N.\]

Índices. Com $n_{i+1}=\dfrac{n_i}{2}$, a progressão geométrica dá $n_N=\dfrac{n_1}{2^{N-1}}$. Então \[\frac{\mathrm{sen}\,\theta_N}{\mathrm{sen}\,\theta_1}=\frac{n_1}{n_N}=2^{N-1}=1024=2^{10}\quad\Rightarrow\quad N-1=10\quad\Rightarrow\quad N=11.\]

Cuidado, armadilha! Entre a primeira e a última camada há $N-1$ interfaces (e $N-1$ divisões por $2$). Igualar $2^N=1024$ levaria a $N=10$, a alternativa D.
Q25
Ondulatória — Ondas Sonoras — Amplitude de uma Onda Esférica
Uma fonte sonora pontual no centro de uma esfera; r é a distância à fonte

A figura acima apresenta uma fonte sonora pontual que emite uma onda harmônica esférica em um meio não dispersivo. Sabendo que a média temporal da intensidade da onda é diretamente proporcional ao quadrado da sua amplitude, pode-se afirmar que a amplitude, a uma distância $r$ da fonte, é proporcional a:

A)$1/r^{1/2}$
B)$1/r$
C)$1/r^{3/2}$
D)$1/r^{2}$
E)$1/r^{3}$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Em um meio não dispersivo e sem absorção, a potência $P$ emitida pela fonte atravessa cada esfera de raio $r$. A intensidade é a potência por unidade de área, \[I=\frac{P}{4\pi r^2}\ \propto\ \frac1{r^2}.\]

Como $I\propto A^2$, \[A^2\propto\frac1{r^2}\quad\Rightarrow\quad A\propto\frac1r.\]

Cuidado, armadilha! É a intensidade que cai com $1/r^2$. A amplitude é proporcional à raiz quadrada da intensidade e cai com $1/r$.
Q26
Eletricidade — Capacitores — Capacitor Isolado e Refração em um Líquido
À esquerda, uma placa metálica P1 sobre um tablete de cortiça no fundo de um frasco, a 5 m da placa P2, fixa ao teto; à direita, o frasco cheio de líquido até a altura h, com P1 flutuando na superfície, e um raio de luz incidente, a 30 graus com a vertical, que se refrata e atinge o fundo a uma distância x do centro

Uma fina placa metálica $P_1$, apoiada em um tablete de cortiça no fundo de um frasco cilíndrico, dista $5$ metros de uma placa idêntica $P_2$, fixa no teto, conforme a figura acima. As duas placas formam um capacitor carregado com $Q$ coulombs.

Enche-se o referido frasco com um líquido de índice de refração $n=2{,}5$, até que a superfície de $P_1$ atinja a altura de $h$ metros. Em seguida, lança-se sobre o centro da superfície um raio de luz monocromática, sob um ângulo de $30^\circ$ com a vertical.

Sabendo que a energia armazenada no capacitor fica reduzida a $0{,}6$ do valor inicial, que o raio refratado atinge um ponto situado a $x$ metros do centro do fundo do frasco e desprezando o efeito de borda do capacitor, podemos dizer que o valor aproximado de $x$ é:

Observação:

  • As espessuras da cortiça e da placa são desprezíveis em relação à altura $h$.
A)$0{,}1$
B)$0{,}2$
C)$0{,}3$
D)$0{,}4$
E)$0{,}5$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Altura do líquido. O capacitor está isolado, e então $Q$ é constante. Com placas planas, $C=\dfrac{\varepsilon A}{d}$ e a energia $U=\dfrac{Q^2}{2C}=\dfrac{Q^2\,d}{2\varepsilon A}$ é proporcional a $d$. A placa $P_1$ flutua e sobe com a superfície, e a distância entre as placas passa de $5\text{ m}$ para $5-h$. Se a energia cai a $0{,}6$ do valor inicial: \[5-h=0{,}6\cdot5=3\quad\Rightarrow\quad h=2\text{ m}.\]

Refração. Pela lei de Snell, com o raio incidente a $30^\circ$ da vertical: \[1\cdot\mathrm{sen}\,30^\circ=2{,}5\,\mathrm{sen}\,r\quad\Rightarrow\quad\mathrm{sen}\,r=0{,}2,\qquad\tan r=\frac{0{,}2}{\sqrt{1-0{,}04}}\approx0{,}204.\]

Deslocamento no fundo. O raio refratado percorre a altura $h=2\text{ m}$ e se desvia lateralmente de \[x=h\,\tan r=2\cdot0{,}204\approx0{,}41\text{ m}\approx0{,}4\text{ m}.\]

Cuidado, armadilha! A carga do capacitor é constante (ele está isolado): a energia é proporcional à distância entre as placas. Supor tensão constante inverteria a proporção ($U\propto1/d$) e daria uma altura $h$ diferente.
Q27
Mecânica — Dinâmica — Forças em um Pêndulo Simples
Pêndulo: uma pedra presa a um fio, afastada da vertical por um ângulo teta, oscila em um arco

Uma pedra está presa a um fio e oscila da maneira mostrada na figura acima. Chamando $T$ a tração no fio e $\theta$ o ângulo entre o fio e a vertical, considere as seguintes afirmativas:

I) O módulo da força resultante que atua na pedra é igual a $T\,\mathrm{sen}\,\theta$.

II) O módulo da componente, na direção do movimento, da força resultante que atua na pedra é máximo quando a pedra atinge a altura máxima.

III) A componente, na direção do fio, da força resultante que atua na pedra é nula no ponto em que a pedra atinge a altura máxima.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

A)I e II, apenas.
B)I e III, apenas.
C)II e III, apenas.
D)I, II e III.
E)II, apenas.

Gabarito Oficial

C
Resolução

Sobre a pedra atuam o peso $m\vec g$ e a tração $\vec T$ (ao longo do fio). Decompondo:
• direção do movimento (tangente): $F_t=mg\,\mathrm{sen}\,\theta$;
• direção do fio (radial): $T-mg\cos\theta=\dfrac{mv^2}{L}$.

I (falsa). A resultante é a soma vetorial das duas componentes, $\sqrt{\left(mg\,\mathrm{sen}\,\theta\right)^2+\left(mv^2/L\right)^2}$, e $T\,\mathrm{sen}\,\theta$ é só a componente horizontal da tração. Contra-exemplo: no ponto mais baixo, $\theta=0$ e $T\,\mathrm{sen}\,\theta=0$, mas a resultante vale $mv^2/L\neq0$.

II (correta). $F_t=mg\,\mathrm{sen}\,\theta$ é máximo quando $\theta$ é máximo, isto é, no ponto de altura máxima. III (correta). A componente radial vale $mv^2/L$, e no ponto de altura máxima a velocidade é nula, e portanto essa componente se anula.

Estão corretas II e III.

Cuidado, armadilha! No ponto de altura máxima a pedra pára por um instante: a componente centrípeta se anula (sem velocidade), mas a tangencial é máxima. No ponto mais baixo ocorre o contrário.
Q28
Mecânica — Energia — Potência de Bombeamento e Corrente do Motor
Sistema de bombeamento: um reservatório inferior, uma bomba a Hs acima da superfície da água do reservatório inferior e o reservatório superior, Hr acima da bomba

A figura acima representa o sistema de bombeamento de água de uma residência. As alturas de sucção ($H_s$) e recalque ($H_r$) valem, respectivamente, $10$ e $15\text{ m}$. O sistema é projetado para trabalhar com uma vazão de $54\text{ m}^3/\text{h}$. A bomba que efetua o recalque da água é acionada por um motor elétrico, de corrente contínua, que é alimentado por uma tensão de $200\text{ V}$. A corrente de operação do motor, em ampères, para que o sistema opere com a vazão projetada é, aproximadamente:

Observação:

  • as perdas internas do motor elétrico e da bomba são desprezíveis.

Dados:

  • as perdas devido ao acoplamento entre o motor e a bomba são de $30\%$;
  • aceleração da gravidade: $g=10\text{ m/s}^2$
  • massa específica da água: $1\text{ kg/L}$
A)$13$
B)$19$
C)$27$
D)$33$
E)$39$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Vazão em massa. $54\text{ m}^3/\text{h}=15\text{ L/s}$, e com $1\text{ kg/L}$ resulta $\dot m=15\text{ kg/s}$.

Potência útil. A água é elevada, ao todo, $H=H_s+H_r=25\text{ m}$: \[P_{hid}=\dot m\,g\,H=15\cdot10\cdot25=3750\text{ W}.\]

Potência elétrica. O acoplamento perde $30\%$, e então só $70\%$ da potência do motor chega à bomba: \[P_{motor}=\frac{3750}{0{,}7}\approx5357\text{ W}.\] Com $P=V\,I$ (as perdas internas do motor são desprezíveis): \[I=\frac{5357}{200}\approx26{,}8\text{ A}\approx27\text{ A}.\]

Cuidado, armadilha! O rendimento divide a potência útil, já que o motor precisa fornecer mais do que a bomba usa. Multiplicar por $0{,}7$ daria $13{,}1\text{ A}$, a alternativa A.
Q29
Eletricidade — Geradores — Geradores em Paralelo e Divisão de Potência
Dois geradores G1 e G2, de mesma tensão VG, em série com as resistências R1 e R2 (variável), ligados em paralelo a uma carga, de tensão V e corrente total I

Um sistema composto por dois geradores denominados $G_1$ e $G_2$, cuja tensão de saída é $V_G$, é apresentado acima. Este sistema alimenta uma carga que opera com uma tensão $V$ e demanda da rede uma corrente $I$. O valor de $R_2$ em função de $R_1$, de modo que o gerador $G_2$ atenda $40\%$ da potência da carga, é:

A)$\frac12\,R_1$
B)$R_1$
C)$\frac32\,R_1$
D)$2\,R_1$
E)$\frac52\,R_1$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A carga e os dois ramos geradores estão em paralelo, com a mesma tensão $V$. Para cada ramo, $V=V_G-R_kI_k$, e então \[R_1I_1=R_2I_2.\]

Divisão da potência. A potência da carga é $V\,I$, com $I=I_1+I_2$, e cada ramo contribui com $V\,I_k$. Se $G_2$ atende $40\%$, então $I_2=0{,}4\,I$ e $I_1=0{,}6\,I$.

Resistência. \[R_2=R_1\,\frac{I_1}{I_2}=R_1\,\frac{0{,}6}{0{,}4}=\frac32\,R_1.\]

Cuidado, armadilha! A resistência do ramo é inversamente proporcional à corrente que ele fornece: o gerador que fornece menos corrente ($G_2$, com $40\%$) tem a maior resistência em série. Inverter a razão daria $\tfrac23R_1$.
Q30
Termologia — Calorimetria — Aquecimento de Água em um Tubo

A água que alimenta um reservatório, inicialmente vazio, escoa por uma tubulação de $2\text{ m}$ de comprimento e seção reta circular. Percebe-se que uma escala no reservatório registra um volume de $36\text{ L}$ após $30\text{ min}$ de operação. Nota-se também que a temperatura na entrada da tubulação é $25\ ^\circ\text{C}$ e a temperatura na saída é $57\ ^\circ\text{C}$. A água é aquecida por um dispositivo que fornece $16{,}8\text{ kW}$ para cada metro quadrado da superfície do tubo. Dessa forma, o diâmetro da tubulação, em mm, e a velocidade da água no interior do tubo, em cm/s, valem, respectivamente:

Dados:

  • $\pi/4=0{,}8$;
  • massa específica da água: $1\text{ kg/L}$; e
  • calor específico da água: $4200\text{ J/kg}\cdot{}^\circ\text{C}$.
A)$2{,}5$ e $40$
B)$25$ e $4$
C)$25$ e $40$
D)$2{,}5$ e $4$
E)$25$ e $0{,}4$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Vazão. $36\text{ L}$ em $30\text{ min}=1800\text{ s}$: $\dot m=\dfrac{36}{1800}=0{,}02\text{ kg/s}$ e $Q=2\cdot10^{-5}\text{ m}^3/\text{s}$.

Potência absorvida. A água se aquece de $25$ a $57\ ^\circ\text{C}$ ($\Delta T=32\ ^\circ\text{C}$): \[P=\dot m\,c\,\Delta T=0{,}02\cdot4200\cdot32=2688\text{ W}.\]

Diâmetro. A área lateral do tubo é $A=\pi D L=2\pi D$, e o dispositivo fornece $16\,800\text{ W/m}^2$: \[16\,800\cdot2\pi D=2688\quad\Rightarrow\quad\pi D=0{,}08\quad\Rightarrow\quad D=\frac{0{,}08}{3{,}2}=0{,}025\text{ m}=25\text{ mm},\] com $\pi=4\cdot0{,}8=3{,}2$.

Velocidade. A seção do tubo é $S=\dfrac\pi4D^2=0{,}8\cdot(0{,}025)^2=5\cdot10^{-4}\text{ m}^2$, e \[v=\frac QS=\frac{2\cdot10^{-5}}{5\cdot10^{-4}}=0{,}04\text{ m/s}=4\text{ cm/s}.\]

Cuidado, armadilha! Os valores pedidos estão em unidades diferentes (mm e cm/s), e as conversões decidem a alternativa: $0{,}025\text{ m}$ são $25\text{ mm}$ (e não $2{,}5$), e $0{,}04\text{ m/s}$ são $4\text{ cm/s}$ (e não $40$).
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