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IME 2013 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2012/2013 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Eletromagnetismo — Campo Elétrico — Carga sob Campos Elétricos Oscilantes

Uma partícula de carga $q$ e massa $m$ está sujeita a dois campos elétricos ortogonais $E_x(t)$ e $E_y(t)$, dados pelas equações:

$E_x(t)=5\,\mathrm{sen}(2t)$
$E_y(t)=12\cos(2t)$

Sabe-se que a trajetória da partícula constitui uma elipse. A velocidade escalar máxima atingida pela partícula é:

A)$\dfrac52\left|\dfrac qm\right|$
B)$5\left|\dfrac qm\right|$
C)$6\left|\dfrac qm\right|$
D)$\dfrac{13}{2}\left|\dfrac qm\right|$
E)$13\left|\dfrac qm\right|$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A aceleração em cada eixo é $a=\dfrac{qE}{m}$: \[a_x=\frac qm\,5\,\mathrm{sen}(2t),\qquad a_y=\frac qm\,12\cos(2t).\]

Velocidade. Integrando, aparecem constantes de integração (velocidades constantes em cada eixo). Se elas não fossem nulas, a partícula teria uma deriva constante, e a trajetória não seria uma elipse fechada, e sim uma curva que se desloca. Como o enunciado garante a elipse, as constantes são nulas: \[v_x=-\frac52\,\frac qm\cos(2t),\qquad v_y=6\,\frac qm\,\mathrm{sen}(2t).\] (A posição, $x=-\tfrac54\tfrac qm\,\mathrm{sen}\,2t$ e $y=-3\tfrac qm\cos2t$, de fato descreve uma elipse.)

Velocidade escalar. \[v^2=\left(\frac qm\right)^2\left[\frac{25}{4}\cos^2(2t)+36\,\mathrm{sen}^2(2t)\right]=\left(\frac qm\right)^2\left[\frac{25}{4}+\frac{119}{4}\,\mathrm{sen}^2(2t)\right].\] O máximo ocorre para $\mathrm{sen}^2(2t)=1$, quando $v^2=36\left(\dfrac qm\right)^2$. Assim, \[v_{max}=6\left|\frac qm\right|.\]

Cuidado, armadilha! Somar as amplitudes das duas velocidades, $\tfrac52+6$, dá $\tfrac{17}{2}$, e somar as amplitudes das acelerações dá $13$, que são erros comuns. As componentes da velocidade estão defasadas de $90^\circ$, e o máximo do módulo é a maior das duas amplitudes ($6$), não a soma.
Q17
Mecânica — Cinemática — Espelho Giratório e Foguete
Um laser, em baixo à direita, emite um raio para a esquerda por uma distância d até um espelho fixo; o raio sobe uma distância d até o espelho giratório em A; o espelho giratório reflete o raio para o foguete, que se move para cima com velocidade v em uma reta vertical a uma distância horizontal d de A; θ é o ângulo entre o raio que sobe e o raio refletido

Um foguete de brinquedo voa na direção e sentido indicados pela figura com velocidade constante $v$. Durante todo o voo, um par de espelhos, composto por um espelho fixo e um espelho giratório que gira em torno do ponto $A$, faz com que um raio laser sempre atinja o foguete, como mostra a figura acima. O módulo da velocidade de rotação do espelho é:

A)$\dfrac{v\,\mathrm{sen}(\theta)}{d}$
B)$\dfrac{v\,\mathrm{sen}^2(\theta/2)}{d}$
C)$\dfrac{v\,\mathrm{sen}^2(\theta)}{d}$
D)$\dfrac{v\,\mathrm{sen}(\theta)}{2d}$
E)$\dfrac{v\,\mathrm{sen}^2(\theta)}{2d}$

Gabarito Oficial

E
Resolução

O raio chega a $A$ pela vertical, vindo de baixo, e o raio refletido, que vai até o foguete, forma o ângulo $\theta$ com essa vertical. O foguete está em uma reta vertical, a uma distância horizontal $d$ de $A$. Seja $y$ a distância vertical entre $A$ e o foguete: \[\tan\theta=\frac dy\quad\Rightarrow\quad y=d\cot\theta.\]

Taxa de variação de $\theta$. O foguete sobe com velocidade $v$, de modo que $y$ diminui, $\dfrac{dy}{dt}=-v$. Derivando $y=d\cot\theta$ em relação ao tempo: \[-v=-\frac{d}{\mathrm{sen}^2\theta}\,\frac{d\theta}{dt}\quad\Rightarrow\quad\frac{d\theta}{dt}=\frac{v\,\mathrm{sen}^2\theta}{d}.\] Essa é a velocidade angular do raio refletido.

Reflexão. Pela lei da reflexão, quando o espelho gira de um ângulo $\Delta\phi$ com o raio incidente fixo, o raio refletido gira $2\Delta\phi$ (a normal ao espelho é a bissetriz entre o raio incidente e o refletido). Portanto, a velocidade angular do espelho é a metade da do raio: \[\omega_{espelho}=\frac12\,\frac{d\theta}{dt}=\frac{v\,\mathrm{sen}^2\theta}{2d}.\]

Cuidado, armadilha! O raio refletido gira o dobro do espelho. Esquecer esse fator leva a $\dfrac{v\,\mathrm{sen}^2\theta}{d}$, a alternativa C.
Q18
Óptica — Lentes — Imagem de um Objeto em Movimento Circular
Um objeto puntiforme, a uma distância x da lente convergente e a uma altura r do eixo principal, e uma tela perpendicular ao eixo, a uma distância L do objeto

Um objeto puntiforme encontra-se a uma distância $L$ de sua imagem, localizada em uma tela, como mostra a figura acima. Faz-se o objeto executar um movimento circular uniforme de raio $r$ ($r\ll L$) com centro no eixo principal e em um plano paralelo à lente. A distância focal da lente é $3L/16$ e a distância entre o objeto e a lente é $x$. A razão entre as velocidades escalares das imagens para os possíveis valores de $x$ para os quais se forma uma imagem na posição da tela é:

A)$1$
B)$3$
C)$6$
D)$9$
E)$12$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Posições da lente. Objeto a $x$ da lente e imagem a $L-x$ dela. A equação das lentes, com $f=\dfrac{3L}{16}$, dá \[\frac1x+\frac1{L-x}=\frac{16}{3L}\quad\Rightarrow\quad\frac{L}{x\,(L-x)}=\frac{16}{3L}\quad\Rightarrow\quad x^2-Lx+\frac{3L^2}{16}=0.\] As raízes são $x_1=\dfrac L4$ e $x_2=\dfrac{3L}{4}$.

Aumentos. O módulo do aumento é $|m|=\dfrac{L-x}{x}$: \[|m_1|=\frac{3L/4}{L/4}=3,\qquad|m_2|=\frac{L/4}{3L/4}=\frac13.\]

Velocidade da imagem. O objeto percorre uma circunferência de raio $r$ com velocidade escalar $v_0$. A imagem percorre, no mesmo período, uma circunferência de raio $|m|\,r$ (invertida), e então sua velocidade escalar é $|m|\,v_0$. A razão entre as velocidades das imagens é \[\frac{|m_1|\,v_0}{|m_2|\,v_0}=\frac{3}{1/3}=9.\]

Cuidado, armadilha! Existem duas posições da lente que formam a imagem sobre a tela, e a razão pedida compara as duas. Como $m_1\cdot m_2=1$ (as posições são conjugadas), a razão entre as velocidades é $m_1^{\,2}$, e não $m_1$.
Q19
Mecânica — Quantidade de Movimento — Variação do Momento Linear em um Lançamento
Um corpo, lançado de uma altura de 2,20 m acima do chão, com velocidade inicial de 20 m/s, formando 60 graus com a vertical

Um corpo de $300\text{ g}$ de massa é lançado de uma altura de $2{,}20\text{ m}$ em relação ao chão como mostrado na figura acima. O vetor velocidade inicial $v_0$ tem módulo de $20\text{ m/s}$ e faz um ângulo de $60^\circ$ com a vertical. O módulo do vetor diferença entre o momento linear no instante do lançamento e o momento linear no instante em que o objeto atinge o solo, em kg.m/s, é:

Dado:

aceleração da gravidade: $10\text{ m/s}^2$.

A)$0{,}60$
B)$1{,}80$
C)$2{,}25$
D)$3{,}00$
E)$6{,}60$

Gabarito Oficial

E
Resolução

Só a gravidade atua (vertical), e então a componente horizontal da velocidade não muda e se cancela na diferença. A diferença dos momentos é toda vertical.

Componente vertical inicial. O ângulo é medido em relação à vertical: $v_{0y}=20\cos60^\circ=10\text{ m/s}$, para cima. Componente vertical final. Por conservação da energia, até o solo (a $2{,}20\text{ m}$): \[v_y^{\,2}=v_{0y}^{\,2}+2g\,h=100+2\cdot10\cdot2{,}20=144\quad\Rightarrow\quad v_y=12\text{ m/s},\ \text{para baixo}.\]

Variação do momento. Os sentidos são opostos, e a variação da componente vertical é $12-(-10)=22\text{ m/s}$ em módulo: \[|\Delta\vec p|=m\,|\Delta v|=0{,}3\cdot22=6{,}6\text{ kg}\cdot\text{m/s}.\]

Cuidado, armadilha! O ângulo de $60^\circ$ é medido em relação à vertical, e a componente vertical é $20\cos60^\circ$, e não $20\,\mathrm{sen}\,60^\circ$. Além disso, as componentes verticais inicial (para cima) e final (para baixo) têm sinais opostos, e por isso se somam na diferença. Subtraí-las daria $0{,}6$ (alternativa A).
Q20
Mecânica — Estática — Estrutura com Cabo e Barra de Densidade Variável
Estrutura: uma barra vertical AC, com A engastado na base, B a 2,0 m acima de A e C a 1,5 m acima de B; uma barra horizontal BD, de 2,0 m, composta por dois trechos de 1,0 m com densidades μ1 e μ2; e um cabo ligando C a D

A figura acima mostra uma estrutura em equilíbrio, formada por uma barra vertical $AC$ e um cabo $CD$, de pesos desprezíveis, e por uma barra horizontal $BD$. A barra vertical é fixada em $A$ e apoia a barra horizontal $BD$. O cabo de seção transversal de $100\text{ mm}^2$ de área é inextensível e está preso nos pontos $C$ e $D$. A barra horizontal é composta por dois materiais de densidades lineares de massa $\mu_1$ e $\mu_2$. Diante do exposto, a força normal por unidade de área, em MPa, no cabo $CD$ é:

Dados:

  • aceleração da gravidade: $10\text{ m/s}^2$;
  • densidades lineares de massa: $\mu_1=600\text{ kg/m}$ e $\mu_2=800\text{ kg/m}$.
A)$100$
B)$125$
C)$150$
D)$175$
E)$200$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Pesos da barra $BD$. Cada trecho tem $1{,}0\text{ m}$: \[P_1=\mu_1\,g\cdot1=6000\text{ N}\ (\text{a }0{,}5\text{ m de }B),\qquad P_2=\mu_2\,g\cdot1=8000\text{ N}\ (\text{a }1{,}5\text{ m de }B).\]

Torques em torno de $B$. A barra $BD$ está apoiada em $B$ (a reação do apoio passa por $B$ e não produz torque) e é sustentada em $D$ pelo cabo. Seja $T_y$ a componente vertical da tração no cabo, aplicada em $D$, a $2{,}0\text{ m}$ de $B$: \[T_y\cdot2{,}0=6000\cdot0{,}5+8000\cdot1{,}5=15\,000\quad\Rightarrow\quad T_y=7500\text{ N}.\]

Tração no cabo. O cabo vai de $D$ até $C$, que está $1{,}5\text{ m}$ acima de $B$ e $2{,}0\text{ m}$ para a esquerda de $D$: comprimento $\sqrt{1{,}5^2+2{,}0^2}=2{,}5\text{ m}$. Então $T_y=T\cdot\dfrac{1{,}5}{2{,}5}=0{,}6\,T$ e \[T=\frac{7500}{0{,}6}=12\,500\text{ N}.\]

Tensão normal. \[\sigma=\frac TA=\frac{12\,500}{100\cdot10^{-6}}=1{,}25\cdot10^{8}\text{ Pa}=125\text{ MPa}.\]

Cuidado, armadilha! Atenção à unidade da área: $100\text{ mm}^2=100\cdot10^{-6}\text{ m}^2$. E o ângulo do cabo importa: a componente vertical da tração é $0{,}6\,T$, e não $T$. Ignorá-lo daria $7500/100\cdot10^{-6}=75$ MPa.
Q21
Ondulatória — Ondas Sonoras — Comprimento de Onda do Som e da Corda

Quando uma corda de violão é tocada, o comprimento de onda da onda sonora produzida pela corda

A)é maior que o comprimento de onda da onda produzida na corda, já que a distância entre as moléculas do ar é maior que a distância entre os átomos da corda.
B)é menor que o comprimento de onda da onda produzida na corda, já que a massa específica do ar é menor que a massa específica da corda.
C)é igual ao comprimento de onda da onda produzida na corda, já que as frequências das duas ondas são iguais.
D)pode ser maior ou menor que o comprimento de onda da onda produzida na corda, dependendo das velocidades de propagação da onda sonora e da onda produzida na corda.
E)pode ser maior ou menor que o comprimento de onda da onda produzida na corda, dependendo das frequências da onda sonora e da onda produzida na corda.

Gabarito Oficial

D
Resolução

A corda é a fonte do som: ela faz o ar vibrar com a mesma frequência $f$ com que vibra. Então a frequência é a mesma nas duas ondas, e o comprimento de onda é $\lambda=\dfrac vf$, proporcional à velocidade de propagação em cada meio.

A velocidade da onda na corda é $v_{corda}=\sqrt{T/\mu}$, e depende da tração $T$ e da densidade linear $\mu$; a velocidade do som no ar é $\approx340\text{ m/s}$. Uma corda de violão pode ter $v_{corda}$ maior ou menor que isso, dependendo da tração e do material. Logo $\lambda_{som}=\dfrac{v_{som}}{f}$ pode ser maior ou menor que $\lambda_{corda}=\dfrac{v_{corda}}{f}$, conforme as velocidades de propagação (alternativa D).

Por que as demais estão erradas. (A) e (B) dão critérios que não determinam o comprimento de onda (distância entre moléculas e massa específica não decidem a razão $v/f$). (C) tem o fato certo (frequências iguais), mas a conclusão errada: com a mesma frequência, o comprimento de onda só seria igual se as velocidades fossem iguais. (E) é falsa porque as frequências são iguais, e então não podem decidir qual comprimento de onda é maior.

Cuidado, armadilha! Frequência igual não significa comprimento de onda igual: $\lambda=v/f$, e as velocidades nos dois meios são diferentes e independentes uma da outra.
Q22
Eletromagnetismo — Força Magnética — Partícula em Arco Circular e Anteparo
Região de campo magnético B saindo do plano; uma partícula na extremidade direita de um diâmetro horizontal, com velocidade v para baixo, descreve um arco de raio r; um anteparo vertical está a uma distância d do centro do arco

A figura acima apresenta uma partícula com velocidade $v$, carga $q$ e massa $m$ penetrando perpendicularmente em um ambiente submetido a um campo magnético $B$. Um anteparo está a uma distância $d$ do centro do arco de raio $r$ correspondente à trajetória da partícula. O tempo, em segundos, necessário para que a partícula venha a se chocar com o anteparo é:

Dados:

  • $v=10\text{ m/s}$
  • $B=0{,}5\text{ T}$
  • $q=10\ \mu\text{C}$
  • $m=10\times10^{-20}\text{ kg}$
  • $d=\dfrac{\sqrt2}{2}\,r$
A)$40\pi\times10^{-15}$
B)$20\pi\times10^{-15}$
C)$10\pi\times10^{-15}$
D)$5\pi\times10^{-15}$
E)$2{,}5\pi\times10^{-15}$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Em um campo magnético perpendicular à velocidade, a carga descreve um movimento circular uniforme com velocidade angular \[\omega=\frac{qB}{m}=\frac{10\cdot10^{-6}\cdot0{,}5}{10\cdot10^{-20}}=5\cdot10^{13}\text{ rad/s}.\] (O raio é $r=\dfrac{mv}{qB}=2\cdot10^{-13}\text{ m}$, o que combina com a figura.)

Ângulo percorrido. O centro do arco está na linha horizontal em que a partícula entra, e a partícula parte do ponto dessa linha a uma distância $r$ do centro. O anteparo, vertical, está a $d=\dfrac{\sqrt2}{2}\,r$ do centro. Ao se mover sobre a circunferência, a partícula atinge o anteparo quando sua distância horizontal ao centro é $d$, isto é, quando \[r\cos\varphi=d\quad\Rightarrow\quad\cos\varphi=\frac{\sqrt2}{2}\quad\Rightarrow\quad\varphi=45^\circ=\frac\pi4.\]

Tempo. \[t=\frac\varphi\omega=\frac{\pi/4}{5\cdot10^{13}}=\frac{\pi}{20}\cdot10^{-13}=5\pi\cdot10^{-15}\text{ s}.\]

Cuidado, armadilha! O tempo depende apenas do ângulo percorrido e da velocidade angular, que não depende da velocidade da partícula: $\omega=qB/m$. A velocidade $v$ só serve para obter o raio, que aqui nem é necessário.
Q23
Mecânica — Análise Dimensional — Dimensão da Velocidade em uma Equação de Fluidos

Em certos problemas relacionados ao escoamento de fluidos no interior de dutos, encontram-se expressões do tipo:

\[\gamma=\frac{k\,a\,l^3}{v^2}\]

A grandeza $\gamma$ possui a mesma dimensão da razão entre potência e temperatura. O termo $k$ é a condutividade térmica, conforme descrito pela Lei de Fourier. As dimensões dos parâmetros $a$ e $l$ são, respectivamente, as mesmas de aceleração e comprimento. A dimensão de $v$ para que a equação acima seja dimensionalmente correta é igual a:

A)raiz quadrada da aceleração.
B)quadrado da velocidade.
C)produto do comprimento pela raiz quadrada da velocidade.
D)produto da velocidade pela raiz quadrada do comprimento.
E)produto do comprimento pelo quadrado da velocidade.

Gabarito Oficial

D
Resolução

Usamos as dimensões $M$ (massa), $L$ (comprimento), $T$ (tempo) e $\Theta$ (temperatura).

Condutividade térmica. Pela Lei de Fourier, o fluxo de calor por unidade de área vale $\dfrac{P}{A}=k\,\dfrac{\Delta\theta}{\ell}$, ou seja, $k=\dfrac{P\,\ell}{A\,\Delta\theta}$. Com $[P]=ML^2T^{-3}$: \[[k]=\frac{ML^2T^{-3}\cdot L}{L^2\cdot\Theta}=ML\,T^{-3}\,\Theta^{-1}.\] Os demais termos. $[\gamma]=\dfrac{[P]}{\Theta}=ML^2T^{-3}\,\Theta^{-1}$, $[a]=LT^{-2}$ e $[l^3]=L^3$.

Dimensão de $v$. Da equação, $v^2=\dfrac{k\,a\,l^3}{\gamma}$: \[[v^2]=\frac{ML\,T^{-3}\Theta^{-1}\cdot LT^{-2}\cdot L^3}{ML^2T^{-3}\Theta^{-1}}=L^3\,T^{-2}.\] Então \[[v]=L^{3/2}\,T^{-1}=\left(LT^{-1}\right)\cdot L^{1/2},\] isto é, o produto da velocidade pela raiz quadrada do comprimento.

Cuidado, armadilha! A massa e a temperatura se cancelam entre $k$ e $\gamma$, e só sobram $L$ e $T$. Na leitura final, $L^{3/2}T^{-1}$ é $L^{1/2}$ vezes uma velocidade ($LT^{-1}$), e não a velocidade ao quadrado nem a raiz da aceleração.
Q24
Ondulatória — Efeito Doppler — Observador em Movimento Oblíquo
Uma onda plana propaga-se para a direita com velocidade v; o observador A desloca-se com velocidade u, formando o ângulo alfa com a direção de propagação

Uma onda plana de frequência $f$ propaga-se com velocidade $v$ horizontalmente para a direita. Um observador em $A$ desloca-se com velocidade constante $u$ ($u<v$) no sentido indicado na figura acima. Sabendo que $\alpha$ é o ângulo entre a direção de propagação da onda e de deslocamento do observador, a frequência medida por ele é:

A)$\left[1+\dfrac uv\cos(\alpha)\right]f$
B)$\left[1-\dfrac uv\cos(\alpha)\right]f$
C)$\dfrac{f}{1-\dfrac uv\cos(\alpha)}$
D)$\dfrac{f}{1+\dfrac uv\cos(\alpha)}$
E)$\dfrac{\cos(\alpha)}{1+\dfrac uv}\,f$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Em uma onda plana, as frentes de onda são perpendiculares à direção de propagação. O observador as cruza com uma taxa que depende só da velocidade relativa na direção de propagação, e o movimento perpendicular a ela não altera a contagem de frentes.

Velocidade relativa. A componente de $\vec u$ ao longo da propagação é $u\cos\alpha$, no mesmo sentido da onda. A velocidade da onda em relação ao observador é $v-u\cos\alpha$. O comprimento de onda não muda, $\lambda=\dfrac vf$, e a frequência medida é \[f'=\frac{v-u\cos\alpha}{\lambda}=\frac{v-u\cos\alpha}{v}\,f=\left[1-\frac uv\cos\alpha\right]f.\]

Cuidado, armadilha! O observador se move no mesmo sentido da onda (ângulo agudo $\alpha$), então ele se afasta das frentes de onda e mede uma frequência menor. A alternativa A (sinal $+$) vale para um observador que vai ao encontro da onda.
Q25
Óptica — Reflexão e Refração — Reflexões Múltiplas em uma Lâmina de Vidro

Um feixe de luz de intensidade $I$ incide perpendicularmente em uma lâmina de vidro de espessura constante. A intensidade da onda transmitida do ar para o vidro e vice-versa é reduzida por um fator $q$ ($0<q<1$). Ao chegar a cada interface de separação entre o ar e o vidro, a onda se divide em refletida e transmitida. A intensidade total da luz que atravessa o vidro, após sucessivas reflexões internas no vidro, é dada por:

A)$q^2I$
B)$\dfrac{qI}{2-q^2}$
C)$\dfrac{2qI}{1+q}$
D)$\dfrac{qI}{2-q}$
E)$\dfrac12\,q\,(1+q)\,I$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Trabalhamos com intensidades (sem interferência e sem absorção no vidro). Em cada interface, a fração $q$ da intensidade é transmitida e a fração $1-q$ é refletida.

Primeira passagem. Entra no vidro $qI$. Na segunda interface, saem $q\cdot qI=q^2I$, e voltam para o interior $(1-q)\,qI$. Ida e volta. Essa parte volta à primeira interface (reflete a fração $1-q$) e depois chega de novo à segunda. Cada ida e volta multiplica a intensidade por $(1-q)^2$, e a cada chegada à segunda interface sai a fração $q$. As intensidades emergentes são \[q^2I,\quad q^2I\,(1-q)^2,\quad q^2I\,(1-q)^4,\ \dots\]

Soma. É uma progressão geométrica de razão $(1-q)^2$, com $0<(1-q)^2<1$: \[I_{total}=\frac{q^2I}{1-(1-q)^2}=\frac{q^2I}{q\,(2-q)}=\frac{qI}{2-q}.\]

Cuidado, armadilha! Considerar apenas a primeira transmissão ($q^2I$) ignora as reflexões internas, que o enunciado pede para incluir. A soma da série é maior que $q^2I$, já que $\dfrac{q}{2-q}>q^2$ para $0<q<1$.
Q26
Mecânica — Energia — Laço Circular e Rampa
Um trilho com um arco circular de raio R, que começa no ponto A (topo), desce pela esquerda passando pelo ponto P (na altura do centro) e se liga ao chão, de onde sai uma rampa; hmax é a altura máxima atingida na rampa

Um objeto puntiforme de massa $m$ é lançado do ponto $A$ descrevendo inicialmente uma trajetória circular de raio $R$, como mostrado na figura acima. Ao passar pelo ponto $P$ o módulo da força resultante sobre o objeto é $\sqrt{17}\,mg$, sendo $g$ a aceleração da gravidade. A altura máxima $h_{max}$ que o objeto atinge na rampa é:

A)$3R$
B)$\left(\sqrt{17}-1\right)R$
C)$\left(\sqrt{17}+1\right)R$
D)$\left(\sqrt{17}+2\right)R$
E)$18R$

Gabarito Oficial

A
Resolução

No ponto $P$, na altura do centro, o peso $mg$ é tangente à trajetória, e a única força radial é a normal $N$ (horizontal, para o centro). As duas são perpendiculares, e a resultante tem módulo \[\sqrt{N^2+(mg)^2}=\sqrt{17}\,mg\quad\Rightarrow\quad N=4\,mg.\]

Velocidade em $P$. A normal é a força centrípeta: \[N=\frac{mv_P^{\,2}}{R}\quad\Rightarrow\quad v_P^{\,2}=4gR.\]

Altura máxima. Sem atrito, a energia se conserva do ponto $P$ (a altura $R$) até o ponto mais alto da rampa, onde a velocidade é nula: \[\frac12mv_P^{\,2}+mgR=mg\,h_{max}\quad\Rightarrow\quad2gR+gR=g\,h_{max}\quad\Rightarrow\quad h_{max}=3R.\]

Cuidado, armadilha! A normal e o peso são perpendiculares em $P$, e a resultante é a soma vetorial. Somar os módulos daria $N+mg=\sqrt{17}\,mg$ e o valor errado $N=(\sqrt{17}-1)mg$, que leva às alternativas com $\sqrt{17}$.
Q27
Mecânica — Cinemática — Percurso com Desaceleração e Aceleração

Um automóvel percorre uma estrada reta de um ponto $A$ para um ponto $B$. Um radar detecta que o automóvel passou pelo ponto $A$ a $72\text{ km/h}$. Se esta velocidade fosse mantida constante, o automóvel chegaria ao ponto $B$ em $10\text{ min}$. Entretanto, devido a uma eventualidade ocorrida na metade do caminho entre $A$ e $B$, o motorista foi obrigado a reduzir uniformemente a velocidade até $36\text{ km/h}$, levando para isso $20\text{ s}$. Restando $1\text{ min}$ para alcançar o tempo total inicialmente previsto para o percurso, o veículo é acelerado uniformemente até $108\text{ km/h}$, levando para isso $22\text{ s}$, permanecendo nesta velocidade até chegar ao ponto $B$. O tempo de atraso, em segundos, em relação à previsão inicial, é:

A)$46{,}3$
B)$60{,}0$
C)$63{,}0$
D)$64{,}0$
E)$66{,}7$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Convertendo: $72\text{ km/h}=20\text{ m/s}$, $36\text{ km/h}=10\text{ m/s}$ e $108\text{ km/h}=30\text{ m/s}$. Pela previsão, $AB=20\cdot600=12\,000\text{ m}$, e a metade do caminho fica em $6000\text{ m}$, alcançada em $300\text{ s}$.

Fase 1 (até a metade). $6000\text{ m}$ em $300\text{ s}$. Fase 2 (desaceleração). De $20$ a $10\text{ m/s}$ em $20\text{ s}$: distância $\dfrac{20+10}{2}\cdot20=300\text{ m}$, terminando em $t=320\text{ s}$.

Fase 3 (a $10\text{ m/s}$). Dura até que reste $1\text{ min}$ para os $600\text{ s}$ previstos, ou seja, até $t=540\text{ s}$: duração $540-320=220\text{ s}$, distância $10\cdot220=2200\text{ m}$. Fase 4 (aceleração). De $10$ a $30\text{ m/s}$ em $22\text{ s}$: distância $\dfrac{10+30}{2}\cdot22=440\text{ m}$, terminando em $t=562\text{ s}$.

Fase 5 (a $30\text{ m/s}$). Até aqui foram percorridos $6000+300+2200+440=8940\text{ m}$, e faltam $12\,000-8940=3060\text{ m}$, que levam $\dfrac{3060}{30}=102\text{ s}$. O tempo total é $562+102=664\text{ s}$, e o atraso em relação aos $600\text{ s}$ previstos é \[664-600=64\text{ s}.\]

Cuidado, armadilha! O instante da aceleração é medido em relação ao tempo total previsto ($600\text{ s}$): é $t=540\text{ s}$, e não $1\text{ min}$ depois do fim da desaceleração. A fase de $10\text{ m/s}$ dura, portanto, $220\text{ s}$.
Q28
Eletricidade — Eletrodinâmica — Localização de Falha em Cabo Subterrâneo
Uma bateria Vb ligada em paralelo a um resistor R = 10 ohms, com um voltímetro nos terminais da bateria; a corrente total de 10 A sai do terminal positivo e segue pelo cabo subterrâneo AB; o terminal negativo e o solo estão ligados à terra

Um cabo subterrâneo inicialmente isolado, instalado entre os pontos $A$ e $B$, possui resistência de $0{,}01\ \Omega/\text{m}$. Este cabo se rompeu e seu ponto de ruptura apresenta fuga de corrente para a terra. Para determinar o ponto de rompimento do cabo e escavar o terreno de modo a sanar o problema, foi montado o aparato apresentado na figura acima, composto por uma bateria $V_b$ ajustada para fornecer uma corrente constante de $10\text{ A}$ ao circuito formado pela resistência $R$ e pelo cabo. O valor da tensão da bateria é mostrado por um voltímetro que apresenta um erro de medição de $\pm10\ \%$. Sabendo que a leitura do voltímetro é $16{,}67\text{ V}$, é CORRETO afirmar que:

A)a partir da leitura do voltímetro no ensaio, pode-se concluir que o comprimento total do cabo é $2\text{ km}$.
B)a distância mínima de $x$ para se iniciar a escavação é $224\text{ m}$.
C)a distância máxima de $x$ para se encerrar a escavação é $176\text{ m}$.
D)o ponto $x=240\text{ m}$ está dentro do intervalo provável de ruptura do cabo.
E)o ponto $x=210\text{ m}$ está dentro do intervalo provável de ruptura do cabo.

Gabarito Oficial

E
Resolução

A bateria fornece $10\text{ A}$ ao conjunto formado pelo resistor $R=10\ \Omega$, em paralelo com o cabo (da extremidade $A$ ao ponto de falha, e daí à terra). Seja $V_b$ a tensão da bateria.

Corrente no cabo. Em $R$ passa $\dfrac{V_b}{10}$, e no cabo passa o restante: $I_c=10-\dfrac{V_b}{10}$. A resistência do trecho do cabo é $R_c=0{,}01\,x$, e $V_b=R_c\,I_c$, e portanto \[x=\frac{V_b}{0{,}01\,\left(10-V_b/10\right)}.\]

Valor nominal. Com $V_b=16{,}67\text{ V}$: $I_R=1{,}667\text{ A}$, $I_c=8{,}333\text{ A}$, $R_c=2{,}00\ \Omega$ e $x=200\text{ m}$.

Intervalo, com erro de $\pm10\%$. A tensão real está entre $15{,}0\text{ V}$ e $18{,}33\text{ V}$. Para $V_b=15{,}0\text{ V}$: $I_c=8{,}5\text{ A}$, $R_c=1{,}765\ \Omega$ e $x\approx176\text{ m}$. Para $V_b=18{,}33\text{ V}$: $I_c=8{,}167\text{ A}$, $R_c=2{,}245\ \Omega$ e $x\approx224\text{ m}$. O ponto de ruptura está em \[176\text{ m}\lesssim x\lesssim224\text{ m}.\]

Alternativas. (A) O ensaio localiza o ponto de ruptura, e não informa o comprimento total do cabo. (B) e (C) trocam os extremos: $224\text{ m}$ é o limite máximo, e $176\text{ m}$ é o mínimo. (D) $240\text{ m}$ está fora do intervalo. (E) $210\text{ m}$ está dentro do intervalo, e é a correta.

Cuidado, armadilha! A corrente de $10\text{ A}$ é a total, e parte dela passa por $R$. Se toda a corrente fosse atribuída ao cabo, o resultado seria $x=167\text{ m}$, valor fora do intervalo correto.
Q29
Termologia — Calorimetria — Mistura de Água e Escala Termométrica

Em um experimento existem três recipientes $E_1$, $E_2$ e $E_3$. Um termômetro graduado numa escala $X$ assinala $10\ ^\circ\text{X}$ quando imerso no recipiente $E_1$, contendo uma massa $M_1$ de água a $41\ ^\circ\text{F}$. O termômetro, quando imerso no recipiente $E_2$ contendo uma massa $M_2$ de água a $293\text{ K}$, assinala $19\ ^\circ\text{X}$. No recipiente $E_3$ existe inicialmente uma massa de água $M_3$ a $10\ ^\circ\text{C}$. As massas de água $M_1$ e $M_2$, dos recipientes $E_1$ e $E_2$, são transferidas para o recipiente $E_3$ e, no equilíbrio, a temperatura assinalada pelo termômetro é de $13\ ^\circ\text{X}$. Considerando que existe somente troca de calor entre as massas de água, a razão $\dfrac{M_1}{M_2}$ é:

A)$2+0{,}2\,\dfrac{M_3}{M_2}$
B)$2$
C)$1+\dfrac{M_3}{M_2}$
D)$0{,}5$
E)$0{,}5-2\,\dfrac{M_3}{M_2}$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Conversões. $41\ ^\circ\text{F}=\dfrac59\,(41-32)=5\ ^\circ\text{C}$ e $293\text{ K}=20\ ^\circ\text{C}$. Assim, $E_1$ está a $5\ ^\circ\text{C}$ (marca $10\ ^\circ\text{X}$) e $E_2$, a $20\ ^\circ\text{C}$ (marca $19\ ^\circ\text{X}$).

Escala $X$. A relação é linear, $X=aC+b$: $a=\dfrac{19-10}{20-5}=0{,}6$ e $b=10-0{,}6\cdot5=7$. Então $13\ ^\circ\text{X}$ corresponde a $C=\dfrac{13-7}{0{,}6}=10\ ^\circ\text{C}$.

Equilíbrio. A temperatura final, $10\ ^\circ\text{C}$, é igual à temperatura inicial de $M_3$, que então não troca calor. Com o mesmo calor específico $c$ da água, a soma dos calores trocados é nula: \[M_1\,c\,(10-5)+M_2\,c\,(10-20)+M_3\,c\,(10-10)=0\quad\Rightarrow\quad5M_1=10M_2.\] Portanto \[\frac{M_1}{M_2}=2.\]

Cuidado, armadilha! Quem toma $13\ ^\circ\text{X}$ como se fosse $13\ ^\circ\text{C}$ obtém uma razão que depende de $M_3/M_2$. A conversão pela escala linear mostra que a temperatura final é igual à inicial de $M_3$, e esse termo desaparece.
Q30
Eletricidade — Capacitores — Fusível em Ramo com Capacitor Descarregado
Circuito alimentado por uma bateria V, com chave S: a resistência variável R em paralelo com dois ramos, um com 4 ohms e 3 ohms em série e outro com 12 ohms e 6 ohms em série; os pontos intermediários dos dois ramos são ligados por um resistor de 5 ohms, em paralelo com um capacitor de 1 F em série com o fusível F

No circuito apresentado na figura acima, a chave $S$ é fechada e a corrente fornecida pela bateria é $20\text{ A}$. Para que o fusível $F$, de $1{,}5\text{ A}$, não abra durante o funcionamento do circuito, o valor da resistência variável $R$, em ohms, é:

Consideração:

O capacitor está descarregado antes do fechamento da chave $S$.

A)$R\ge120$
B)$95\le R\le115$
C)$80\le R\le100$
D)$55\le R\le65$
E)$R\le45$

Gabarito Oficial

E
Resolução

Instante crítico. Com o capacitor descarregado, ele se comporta, em $t=0^+$, como um curto-circuito. O ramo capacitor-fusível liga os dois nós intermediários, e o resistor de $5\ \Omega$ fica em curto. Depois, o capacitor se carrega e a corrente no fusível diminui até zero (regime permanente). A maior corrente no fusível ocorre, portanto, no instante do fechamento.

Rede em $t=0^+$. Com os dois nós intermediários unidos, a parte de cima é $4\parallel12=3\ \Omega$ e a de baixo é $3\parallel6=2\ \Omega$, em série: $5\ \Omega$. Seja $V$ a tensão da bateria. A tensão na parte de cima é $\tfrac35V$ e na de baixo, $\tfrac25V$. As correntes são \[i_4=\frac{3V/5}{4}=0{,}15V,\qquad i_{12}=\frac{3V/5}{12}=0{,}05V,\] \[i_3=\frac{2V/5}{3}=\frac{2V}{15},\qquad i_6=\frac{2V/5}{6}=\frac V{15}.\]

Corrente no fusível. No nó intermediário da esquerda, chega $i_4$ e saem $i_3$ e a corrente do fusível $i_F$: \[i_F=i_4-i_3=0{,}15V-\frac{2V}{15}=\frac{V}{60}.\] A condição $i_F\le1{,}5\text{ A}$ dá $V\le90\text{ V}$.

Relação com $R$. A bateria fornece $20\text{ A}$ a $R$ e à rede de $5\ \Omega$ (em paralelo): \[\frac VR+\frac V5=20\quad\Rightarrow\quad V=\frac{20}{\dfrac1R+\dfrac15}.\] Para $V\le90$: $\dfrac1R+\dfrac15\ge\dfrac{20}{90}=\dfrac29$, isto é, $\dfrac1R\ge\dfrac29-\dfrac15=\dfrac1{45}$, e \[R\le45\ \Omega.\]

Cuidado, armadilha! Em regime permanente o capacitor bloqueia a corrente, e o fusível não conduz nada. Mas o enunciado fala em não abrir durante o funcionamento, e o momento mais crítico é o do fechamento da chave, quando o capacitor descarregado age como um fio.
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