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IME 2015 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2014/2015 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Mecânica — Colisões — Colisão Inelástica em Rampa Circular
Circunferência vertical de raio 2 m: o corpo A está na extremidade esquerda de um diâmetro horizontal, o corpo B está no ponto mais baixo e o ponto C é o ponto mais alto; a gravidade aponta para baixo

Um corpo puntiforme de massa $m_A$ parte de ponto $A$, percorrendo a rampa circular representada na figura acima, sem atrito, colide com outro corpo puntiforme de massa $m_B$, que se encontrava inicialmente em repouso no ponto $B$. Sabendo que este choque é perfeitamente inelástico e que o corpo resultante deste choque atinge o ponto $C$, ponto mais alto da rampa, com a menor velocidade possível mantendo o contato com a rampa, a velocidade inicial do corpo no ponto $A$, em m/s, é

Dados:

  • raio da rampa circular: $2\text{ m}$;
  • aceleração da gravidade $g$: $10\text{ m/s}^2$;
  • massa $m_A$: $1\text{ kg}$;
  • massa $m_B$: $1\text{ kg}$.
A)$10$
B)$20$
C)$4\sqrt{15}$
D)$10\sqrt5$
E)$8\sqrt5$

Gabarito Oficial

Questão anulada pela banca
Resolução

Vamos trabalhar de trás para frente, do ponto $C$ até o ponto $A$.

Ponto $C$ (topo). A menor velocidade com que o corpo ainda mantém o contato com a rampa é aquela em que a força normal se anula, e o peso sozinho faz o papel de força centrípeta: \[mg=\frac{mv_C^{\,2}}{R}\quad\Rightarrow\quad v_C^{\,2}=gR=10\cdot2=20\text{ m}^2/\text{s}^2.\]

De $B$ até $C$ (depois do choque). Sem atrito, a energia mecânica do conjunto de massa $2m$ se conserva. O topo está $2R=4\text{ m}$ acima de $B$: \[\frac12v'^{\,2}=\frac12v_C^{\,2}+g\,(2R)\quad\Rightarrow\quad v'^{\,2}=20+2\cdot10\cdot4=100\quad\Rightarrow\quad v'=10\text{ m/s}.\]

Choque em $B$. Perfeitamente inelástico, então a quantidade de movimento se conserva: \[m_Av_B=(m_A+m_B)\,v'\quad\Rightarrow\quad v_B=2\cdot10=20\text{ m/s}.\]

De $A$ até $B$. O corpo desce a altura $R=2\text{ m}$: \[v_B^{\,2}=v_A^{\,2}+2gR\quad\Rightarrow\quad v_A^{\,2}=400-40=360\quad\Rightarrow\quad v_A=6\sqrt{10}\approx19\text{ m/s}.\]

Esse valor não consta entre as alternativas ($10$; $20$; $4\sqrt{15}\approx15{,}5$; $10\sqrt5\approx22{,}4$; $8\sqrt5\approx17{,}9$), e por isso a questão foi anulada. A alternativa B ($20\text{ m/s}$) é a velocidade em $B$, e não em $A$.

Cuidado, armadilha! Antes do choque, a velocidade do corpo $A$ em $B$ já inclui o ganho de energia na descida. Esquecer a descida de $A$ até $B$ leva a $v_A=20\text{ m/s}$, justamente a alternativa B.
Q17
Ondulatória — Ondas Progressivas — Pulso em Corda e Função de Onda
Gráfico de um pulso em forma de sino, simétrico em relação ao eixo vertical, no instante t = 0 s; o eixo vertical é rotulado x e o horizontal, y

A figura acima mostra uma onda transversal na forma de um pulso ondulatório em uma corda esticada. A onda está se propagando no sentido positivo do eixo $x$ com velocidade igual a $0{,}5\text{ m/s}$. Se o deslocamento $y$, em metros, para uma coordenada $x$, em metros, no instante $t=0$ é dado por

\[y(x)=\frac{1}{x^2+4}\]

o deslocamento $y$, em centímetros, para $x=3$ metros e $t=2$ segundos é

A)$5{,}50$
B)$6{,}25$
C)$8{,}50$
D)$12{,}50$
E)$15{,}25$

Gabarito Oficial

Questão anulada pela banca
Resolução

Um pulso que se propaga com velocidade $v$ no sentido $+x$, sem mudar de forma, é descrito por $y(x,t)=f(x-vt)$, em que $f(x)=y(x,0)$ é o perfil inicial. O ponto de coordenada $x$ no instante $t$ repete o deslocamento que o ponto $x-vt$ tinha em $t=0$.

Função de onda. \[y(x,t)=\frac{1}{(x-0{,}5\,t)^2+4}.\] Valores pedidos. Para $x=3\text{ m}$ e $t=2\text{ s}$: $x-vt=3-0{,}5\cdot2=2\text{ m}$, e \[y=\frac{1}{2^2+4}=\frac18\text{ m}=0{,}125\text{ m}=12{,}5\text{ cm}.\]

Esse valor corresponde à alternativa D. A banca anulou a questão porque a figura rotula o eixo vertical como $x$ e o horizontal como $y$, o inverso da expressão $y(x)$ do enunciado, o que torna a leitura do problema ambígua.

Cuidado, armadilha! A unidade pedida é o centímetro, enquanto a expressão dá o deslocamento em metros. Esquecer a conversão leva a $0{,}125$, que não consta nas alternativas, mas esquecer o deslocamento do pulso ($x-vt$) leva a $y=1/13$ m $\approx7{,}7$ cm.
Q18
Mecânica — Estática — Centro de Massa de Chapa Apoiada
Chapa em forma de C girado: barra superior de largura 12a e espessura a; bloco da esquerda de largura 4a; cavidade de 6a por 4a; aba inferior apoiada em um ponto situado a 2a da borda esquerda da cavidade; coluna direita de largura 2a; faixa inferior de espessura 2,5975a; a altura total é x

Uma chapa rígida e homogênea encontra-se em equilíbrio. Com base nas dimensões apresentadas na figura, o valor da razão $x/a$ é

A)$10{,}5975$
B)$11{,}5975$
C)$12{,}4025$
D)$12{,}5975$
E)$13{,}5975$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Para que a chapa fique em equilíbrio sobre o apoio, o centro de massa deve estar na mesma vertical do apoio. Medindo as posições horizontais a partir do apoio, a condição é que a soma dos momentos das áreas (a chapa é homogênea, e então o peso é proporcional à área) seja nula. Pela figura, a chapa tem largura total $4a+6a+2a=12a$, e o apoio está a $4a+2a=6a$ da borda esquerda, bem no meio dela.

Divisão em peças. Tomando a vertical do apoio ($x=6a$) como referência, as peças são:
• barra superior ($12a\times a$): centro em $6a$, braço nulo;
• aba ($4a\times a$, de $4a$ a $8a$, na base do bloco): centro em $6a$, braço nulo;
• faixa inferior ($12a\times2{,}5975a$): centro em $6a$, braço nulo;
• bloco da esquerda (de $0$ a $4a$, de altura $5a$ abaixo da barra superior): área $4a\cdot5a=20a^2$, centro em $2a$, braço $-4a$;
• coluna da direita (largura $2a$, de $10a$ a $12a$), que vai da barra superior até a faixa inferior: altura $x-a-2{,}5975a=x-3{,}5975a$, área $2a\,(x-3{,}5975a)$, centro em $11a$, braço $+5a$.

Equilíbrio de momentos. \[20a^2\,(-4a)+2a\,(x-3{,}5975a)\,(5a)=0\quad\Rightarrow\quad -80+10\left(\frac xa-3{,}5975\right)=0.\] Logo $\dfrac xa-3{,}5975=8$, isto é, \[\frac xa=11{,}5975.\]

Cuidado, armadilha! Só a posição horizontal do centro de massa importa para o equilíbrio sobre um apoio pontual. Por isso as peças simétricas em relação à vertical do apoio não contribuem, e o resultado depende apenas do bloco da esquerda (que puxa o centro de massa para a esquerda) e da coluna da direita (que o puxa para a direita).
Q19
Eletricidade — Eletrodinâmica — Circuito com Fontes e Nó Central
Losango de fios ideais com um nó central; do centro partem quatro ramos: para a esquerda, um resistor de 15 ohms e uma fonte de 5 V (positivo voltado para o resistor); para cima, um resistor de 10 ohms e uma fonte de 15 V (positivo voltado para o resistor); para baixo, um resistor de 5 ohms e uma fonte de 10 V (positivo voltado para o resistor); para a direita, um resistor de 5 ohms

A figura acima mostra um circuito elétrico composto por resistências e fontes de tensão. Diante do exposto, a potência dissipada, em W, no resistor de $10\ \Omega$ do circuito é

A)$3{,}42$
B)$6{,}78$
C)$9{,}61$
D)$12{,}05$
E)$22{,}35$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Os lados do losango são fios ideais, e então seus quatro vértices estão ao mesmo potencial. Tomamos esse nó como referência ($0\text{ V}$). Do nó central $O$ saem quatro ramos para a referência, e basta achar o potencial $V$ do nó $O$.

Corrente em cada ramo, em direção a $O$. Em cada ramo, o terminal positivo da fonte está voltado para o resistor, e então a fonte eleva o potencial:
• esquerda: $\dfrac{5-V}{15}$;
• cima: $\dfrac{15-V}{10}$;
• baixo: $\dfrac{10-V}{5}$;
• direita (sem fonte): $\dfrac{0-V}{5}=-\dfrac V5$.

Lei dos nós em $O$. A soma das correntes que chegam é nula: \[\frac{5-V}{15}+\frac{15-V}{10}+\frac{10-V}{5}-\frac V5=0.\] Multiplicando por $30$: \[2(5-V)+3(15-V)+6(10-V)-6V=0\quad\Rightarrow\quad115=17V\quad\Rightarrow\quad V=\frac{115}{17}\approx6{,}76\text{ V}.\]

Resistor de $10\ \Omega$. \[I=\frac{15-V}{10}=\frac{140/17}{10}=\frac{14}{17}\approx0{,}824\text{ A},\qquad P=R\,I^2=10\left(\frac{14}{17}\right)^2\approx6{,}78\text{ W}.\]

Cuidado, armadilha! A polaridade de cada fonte decide o sinal do termo no nó. Com o positivo voltado para o resistor, a fonte entra com sinal $+$, como em $(15-V)/10$. Se a fonte fosse invertida, o termo mudaria de sinal.
Q20
Mecânica — Movimento Harmônico Simples — Pêndulo em Campo Elétrico
Pêndulo simples preso a um teto, com a esfera de massa m e carga q afastada da vertical tracejada; o campo elétrico E aponta para baixo

A figura acima apresenta um pêndulo simples constituído de um corpo de massa $4\text{ g}$ e carga $+50\ \mu\text{C}$ e um fio inextensível de $1\text{ m}$. Esse sistema se encontra sob a ação de um campo elétrico $\vec E$ de $128\text{ kN/C}$, indicado na figura.

Considerando que o pêndulo oscile com amplitude pequena e que o campo gravitacional seja desprezível, o período de oscilação, em segundos, é

A)$\dfrac{\pi}{20}$
B)$\dfrac{\pi}{10}$
C)$\dfrac{\pi}{5}$
D)$\dfrac{2\pi}{5}$
E)$\dfrac{4\pi}{5}$

Gabarito Oficial

A
Resolução

Como o campo gravitacional é desprezível, a única força constante sobre o corpo é a elétrica, vertical e para baixo (carga positiva, mesmo sentido do campo). Ela cumpre o papel do peso: o pêndulo oscila em torno da vertical com uma gravidade efetiva.

Gravidade efetiva. \[F=qE=50\cdot10^{-6}\cdot128\cdot10^{3}=6{,}4\text{ N},\qquad g'=\frac{F}{m}=\frac{6{,}4}{4\cdot10^{-3}}=1600\text{ m/s}^2.\]

Período. Para pequenas amplitudes: \[T=2\pi\sqrt{\frac{L}{g'}}=2\pi\sqrt{\frac{1}{1600}}=\frac{2\pi}{40}=\frac{\pi}{20}\text{ s}.\]

Cuidado, armadilha! Atenção às unidades: a massa está em gramas ($4\text{ g}=4\cdot10^{-3}\text{ kg}$), a carga em microcoulombs e o campo em quilonewtons por coulomb. O valor de $g'$ é enorme, e por isso o período é curto.
Q21
Eletromagnetismo — Força Magnética — Trajetória Parabólica

Uma partícula eletricamente carregada está presa a um carrinho que se move com velocidade de módulo constante por uma trajetória no plano $XY$ definida pela parábola

\[y=x^2-9x+3\]

Sabe-se que, em $XY$, um campo magnético uniforme paralelo ao vetor $(3B,\ B)$ provoca força sobre a partícula. O ponto onde a partícula é submetida ao maior módulo de força magnética é

A)$(-6,\ 93)$
B)$(-3,\ 39)$
C)$(1,\ -5)$
D)$(2,\ -2)$
E)$(3,\ -15)$

Gabarito Oficial

E
Resolução

A força magnética sobre a partícula tem módulo $F=q\,v\,B_{c}\,\mathrm{sen}\,\varphi$, em que $\varphi$ é o ângulo entre a velocidade e o campo. Como o módulo $v$ da velocidade é constante e o campo é uniforme, $F$ é máxima onde $\mathrm{sen}\,\varphi=1$, isto é, onde a velocidade é perpendicular ao campo.

Direção do campo e da velocidade. O campo tem a direção do vetor $(3,\,1)$, de inclinação $\tfrac13$. A direção perpendicular a ele tem inclinação $-3$ (o produto das inclinações de retas perpendiculares é $-1$). A velocidade é tangente à trajetória, e a inclinação da tangente à parábola é \[\frac{dy}{dx}=2x-9.\]

Condição. $2x-9=-3\ \Rightarrow\ x=3$. Nesse ponto, $y=3^2-9\cdot3+3=-15$. O ponto procurado é \[(3,\,-15).\]

Cuidado, armadilha! O módulo da força depende só da direção da velocidade em relação ao campo, porque o módulo da velocidade é constante. O ponto de máxima força é o de tangente perpendicular ao campo, e não o vértice da parábola ($x=4{,}5$), nem o ponto de maior ordenada.
Q22
Ondulatória — Interferência — Máximos no Eixo Perpendicular
Plano cartesiano com as fontes A e B sobre o eixo y, separadas pela distância d; B está na origem, e o eixo x aponta para a direita

Duas fontes puntiformes idênticas estão localizadas nos pontos $A$ e $B$. As fontes emitem ondas coerentes e em fase entre si. Se a distância $d$ entre as fontes é igual a um múltiplo inteiro positivo $N$ do comprimento de onda, o número de máximos de interferência que podem ser observados no eixo $x$ à direita do ponto $B$ é

A)$N-1$
B)$N$
C)$2N-1$
D)$2N$
E)infinitos

Gabarito Oficial

A
Resolução

Um ponto do eixo $x$, de abscissa $x>0$, está a $x$ de $B$ e a $\sqrt{x^2+d^2}$ de $A$. A diferença de percursos é \[\Delta(x)=\sqrt{x^2+d^2}-x.\] Para fontes em fase, há máximo quando $\Delta=m\lambda$, com $m$ inteiro.

Comportamento de $\Delta$. $\Delta$ diminui continuamente com $x$: vale $d=N\lambda$ em $x=0$ (no próprio ponto $B$) e tende a $0$ quando $x\to\infty$, sem nunca atingi-lo. Como $x$ percorre apenas valores positivos, $\Delta$ passa por todos os valores do intervalo aberto $(0,\,N\lambda)$ uma única vez.

Contagem. Os múltiplos de $\lambda$ dentro do intervalo aberto $(0,\,N\lambda)$ são $\lambda,\,2\lambda,\,\dots,\,(N-1)\lambda$, ou seja, $N-1$ valores. Cada um corresponde a exatamente um ponto do eixo, e então há $N-1$ máximos à direita de $B$.

Cuidado, armadilha! O valor $\Delta=N\lambda$ só ocorre na posição de $B$ ($x=0$), que não está à direita de $B$, e $\Delta=0$ só é atingido no infinito. Contar esses dois extremos levaria a $N$ ou $N+1$.
Q23
Ondulatória — Ondas em Cordas — Varal Sustentado por Hastes
Fio de 10,0 m esticado horizontalmente entre as extremidades superiores de duas hastes articuladas na base, inclinadas de 45 graus em relação ao solo e abertas para fora; cada haste pesa 200 N

Um varal de roupas é constituído por um fio de comprimento $10{,}0\text{ m}$ e massa $2{,}5\text{ kg}$, suspenso nas extremidades por duas hastes uniformes de $200\text{ N}$ de peso, com articulação nas bases, inclinadas de $45^\circ$ em relação às bases e de iguais comprimentos. Um vento forte faz com que o fio vibre com pequena amplitude em seu quinto harmônico, sem alterar a posição das hastes. A frequência, em Hz, neste fio é

Observação:

  • a vibração no fio não provoca vibração nas hastes.
A)$3$
B)$5$
C)$10$
D)$20$
E)$80$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Tração no fio (estática). Considere uma haste de comprimento $\ell$, articulada na base e inclinada de $45^\circ$. Em torno da articulação, atuam o peso $P=200\text{ N}$, no centro da haste, e a tração $T$ do fio, horizontal, na extremidade superior. O braço do peso (distância horizontal até a articulação) é $\dfrac\ell2\cos45^\circ$, e o da tração (altura da extremidade) é $\ell\,\mathrm{sen}\,45^\circ$. O equilíbrio dos torques dá \[T\,\ell\,\mathrm{sen}\,45^\circ=P\,\frac\ell2\cos45^\circ\quad\Rightarrow\quad T=\frac P2=100\text{ N}.\] O peso do fio (cerca de $25\text{ N}$) é desprezado, já que o fio está praticamente na horizontal.

Velocidade da onda. A densidade linear do fio é $\mu=\dfrac{2{,}5}{10{,}0}=0{,}25\text{ kg/m}$, e \[v=\sqrt{\frac T\mu}=\sqrt{\frac{100}{0{,}25}}=20\text{ m/s}.\]

Quinto harmônico. Em um fio de comprimento $L=10{,}0\text{ m}$, preso nas duas extremidades, $f_n=\dfrac{n\,v}{2L}$. Para $n=5$: \[f_5=\frac{5\cdot20}{2\cdot10}=5\text{ Hz}.\]

Cuidado, armadilha! O comprimento $\ell$ das hastes não é dado, e nem precisa ser: ele aparece nos dois lados da equação de torques e se cancela. A tração depende só do peso da haste e do ângulo, e como $\mathrm{sen}\,45^\circ=\cos45^\circ$, resulta em $T=P/2$.
Q24
Mecânica — Hidrostática — Recipiente em Tronco de Cone Preso a uma Mola
Carro sobre uma mesa, preso por uma mola à parede da direita e por um cabo que passa por uma roldana na quina da mesa e sustenta, na vertical, um recipiente em forma de tronco de cone; a gravidade aponta para baixo

A figura acima mostra um conjunto massa-mola conectado a uma roldana por meio de um cabo. Na extremidade do cabo há um recipiente na forma de um tronco de cone de $10\text{ cm}\times20\text{ cm}\times30\text{ cm}$ de dimensões (diâmetro da base superior $\times$ diâmetro da base inferior $\times$ altura) e com peso desprezível. O cabo é inextensível e também tem peso desprezível. Não há atrito entre o cabo e a roldana. No estado inicial, o carro encontra-se em uma posição tal que o alongamento na mola é nulo e o cabo não se encontra tracionado. A partir de um instante, o recipiente começa a ser completado lentamente com um fluido com massa específica de $3000\text{ kg/m}^3$. Sabendo que o coeficiente de rigidez da mola é $3300\text{ N/m}$ e a aceleração da gravidade é $10\text{ m/s}^2$, o alongamento da mola no instante em que o recipiente se encontrar totalmente cheio, em cm, é igual a

A)$0{,}5$
B)$1{,}5$
C)$5{,}0$
D)$10{,}0$
E)$15{,}0$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Volume do recipiente. Os diâmetros são $10\text{ cm}$ e $20\text{ cm}$, e os raios, $r=5\text{ cm}$ e $R=10\text{ cm}$. A altura é $h=30\text{ cm}$. O volume do tronco de cone é \[V=\frac{\pi h}{3}\left(R^2+Rr+r^2\right)=\frac{\pi\cdot30}{3}\,(100+50+25)=1750\,\pi\text{ cm}^3\approx5{,}50\cdot10^{-3}\text{ m}^3.\]

Peso do fluido. \[m=\rho V=3000\cdot1{,}75\pi\cdot10^{-3}=5{,}25\pi\text{ kg}\approx16{,}5\text{ kg},\qquad P=mg\approx165\text{ N}.\]

Equilíbrio. O enchimento é lento, e a cada instante o sistema está em equilíbrio. Com o recipiente cheio, a tração no cabo é o peso do fluido ($T=P$, pois o recipiente tem peso desprezível), e o carro está em equilíbrio sob a tração do cabo e a força da mola, de modo que $kx=T$: \[x=\frac{P}{k}=\frac{165}{3300}\approx0{,}050\text{ m}=5{,}0\text{ cm}.\]

Cuidado, armadilha! O volume do tronco de cone usa os raios ($5$ e $10\text{ cm}$), e o enunciado fornece os diâmetros. Usar os diâmetros no lugar dos raios multiplicaria o volume por $8$ e daria $x=40\text{ cm}$.
Q25
Termologia — Termodinâmica — Gás Ideal com Êmbolo Preso a uma Mola
Situação 1: gás em um recipiente de altura h0, fechado por um êmbolo preso a uma mola comprimida de x0, no vácuo. Situação 2: após receber calor, o gás ocupa a altura h, o êmbolo sobe de x − x0 e a mola fica comprimida de x

A figura acima mostra um sistema posicionado no vácuo formado por um recipiente contendo um gás ideal de massa molecular $M$ e calor específico $c$ em duas situações distintas. Esse recipiente é fechado por um êmbolo preso a uma mola de constante elástica $k$, ambos de massa desprezível. Inicialmente (Situação 1), o sistema encontra-se em uma temperatura $T_0$, o êmbolo está a uma altura $h_0$ em relação à base do recipiente e a mola comprimida de $x_0$ em relação ao seu comprimento relaxado.

Se uma quantidade de calor $Q$ for fornecida ao gás (Situação 2), fazendo com que o êmbolo se desloque para uma altura $h$ e a mola passe a estar comprimida de $x$, a grandeza que varia linearmente com $Q$ é

A)$x+h$
B)$x-h$
C)$(x+h)^2$
D)$(x-h)^2$
E)$xh$

Gabarito Oficial

E
Resolução

Equilíbrio do êmbolo. O êmbolo e a mola têm massa desprezível, e acima do êmbolo há vácuo. A força do gás sobre o êmbolo é equilibrada pela mola: \[PA=kx\quad\Rightarrow\quad P=\frac{kx}{A}.\]

Equação de estado. Com $V=Ah$ e $n=\dfrac mM$ (massa total $m$ de gás): \[PV=nRT\quad\Rightarrow\quad kx\,h=\frac mM\,RT\quad\Rightarrow\quad T=\frac{kM}{mR}\,xh.\] A temperatura é proporcional ao produto $xh$.

Calor. Tomando $c$ como o calor específico do gás no processo, $Q=mc\,(T-T_0)$. Então \[Q=mc\,\frac{kM}{mR}\,(xh-x_0h_0)=\frac{kMc}{R}\,(xh-x_0h_0).\] Como $k$, $M$, $c$, $R$, $x_0$ e $h_0$ são constantes, $Q$ varia linearmente com o produto $xh$.

Cuidado, armadilha! As variações $x-x_0$ e $h-h_0$ são iguais (o êmbolo sobe o quanto a mola se comprime), mas isso não faz de $x+h$ ou de $x-h$ grandezas proporcionais a $Q$: o que se relaciona linearmente com $T$, e portanto com $Q$, é o produto $xh$ (proporcional a $PV$).
Q26
Mecânica — Estática — Quarto de Disco Suspenso por um Ponto
Lâmina em forma de semicírculo de raio a, suspensa por um fio no ponto A (topo do arco); C é o centro da base DB

A figura acima representa uma lâmina de espessura e densidade constantes na forma de um semicírculo de raio $a$. A lâmina está suspensa por um fio no ponto $A$ e o seu centro de massa está a uma distância de $\dfrac{4a}{3\pi}$ da reta que contém o segmento $DB$. Uma das metades da lâmina é retirada após um corte feito ao longo do segmento $AC$. Para a metade que permanece suspensa pelo ponto $A$ nessa nova situação de equilíbrio, a tangente do ângulo que a direção do segmento de reta $AC$ passa a fazer com a vertical é

A)$\dfrac{3}{4\pi-3}$
B)$\dfrac{4\pi}{3\pi-4}$
C)$\dfrac{\pi}{\pi-3}$
D)$\dfrac{4}{3\pi-4}$
E)$\dfrac{4}{4-\pi}$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Cortado o semicírculo ao longo de $AC$, resta um quarto de disco de raio $a$, limitado por $CA$ e $CB$. O seu centro de massa $G$ está a $\dfrac{4a}{3\pi}$ de cada lado reto: o dado do enunciado vale para o semicírculo, em relação ao diâmetro, e o quarto de disco é uma metade do semicírculo, simétrica em relação à bissetriz dos dois lados retos.

Coordenadas. Com $C$ na origem, $A=(0,\,a)$ e o quarto de disco no primeiro quadrante, $G=\left(\dfrac{4a}{3\pi},\,\dfrac{4a}{3\pi}\right)$. Em equilíbrio, $G$ fica na vertical que passa pelo ponto de suspensão $A$. Em relação a $A$, o centro de massa está \[\Delta x=\frac{4a}{3\pi}\ \text{(horizontal)},\qquad\Delta y=a-\frac{4a}{3\pi}\ \text{(abaixo de }A\text{)}.\]

Ângulo. No equilíbrio, a vertical é a reta $AG$. O segmento $AC$ é perpendicular a $CB$, e o vetor $\overrightarrow{AG}$ tem componente $\Delta y$ ao longo de $AC$ e componente $\Delta x$ perpendicular a $AC$. Logo o ângulo $\varphi$ entre $AC$ e a vertical $AG$ satisfaz \[\tan\varphi=\frac{\Delta x}{\Delta y}=\frac{4a/3\pi}{a-4a/3\pi}=\frac{4}{3\pi-4}.\]

Cuidado, armadilha! A distância vertical entre $A$ e o centro de massa é $a-\dfrac{4a}{3\pi}$, e não $\dfrac{4a}{3\pi}$ (que é a distância de $G$ à base). Confundir as duas leva a $\tan\varphi=1$, que não consta nas alternativas.
Q27
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Barra em Trilhos Presa a um Balão
Figura 1: trilho fixo em U na vertical, com barra horizontal móvel presa a um balão. Figura 2: vista lateral, com a barra descendo com velocidade v em um campo de densidade de fluxo B que forma o ângulo teta com a horizontal

A Figura 1 apresenta um sistema composto por um trilho fixo em U e uma barra móvel que se desloca na vertical com velocidade $v$ suspensa por um balão de massa desprezível. O trilho e a barra são condutores elétricos e permanecem sempre em contato sem atrito. Este conjunto está em uma região sujeita a uma densidade de fluxo magnético $\vec B$ que forma com a horizontal uma ângulo $\theta$, como ilustrado na Figura 2.

Diante do exposto, o valor da corrente induzida no sistema, em ampères, no estado estacionário é:

Dados:

  • massa da barra: $1\text{ kg}$;
  • aceleração da gravidade $g$: $10\text{ m/s}^2$;
  • ângulo $\theta$ entre a horizontal e o vetor $B$: $60^\circ$;
  • massa específica do ar: $1{,}2\text{ kg/m}^3$;
  • volume constante do balão: $0{,}5\text{ m}^3$;
  • comprimento da barra entre os trilhos: $0{,}2\text{ m}$;
  • densidade de fluxo magnético $B$: $4\text{ T}$.

Observação:

  • despreze a massa do balão com o hélio e o atrito entre a barra e os trilhos.
A)$5{,}7$
B)$10{,}0$
C)$23{,}0$
D)$30{,}0$
E)$40{,}0$

Gabarito Oficial

B
Resolução

No estado estacionário a barra desce com velocidade constante, e a força resultante sobre o conjunto barra-balão, ao longo dos trilhos (vertical), é nula.

Empuxo. O balão, de massa desprezível, desloca $0{,}5\text{ m}^3$ de ar: \[E=\rho_{ar}\,V\,g=1{,}2\cdot0{,}5\cdot10=6\text{ N}\ \ (\text{para cima}).\] O peso da barra é $mg=10\text{ N}$, e então a força vertical líquida para baixo, a ser equilibrada pela força magnética, é $10-6=4\text{ N}$.

Força magnética. A barra é horizontal e perpendicular ao plano da figura, e o campo está nesse plano. A corrente $I$ na barra sofre a força $F=I\,\ell\,B$, perpendicular a $\vec B$ (e à barra). Como $\vec B$ forma $\theta=60^\circ$ com a horizontal, a força forma $60^\circ$ com a vertical, e sua componente vertical é $F\cos60^\circ=\dfrac F2$. A componente horizontal é perpendicular ao plano dos trilhos, e é absorvida pelo contato com eles.

Equilíbrio vertical. \[\frac12\,I\,\ell\,B=4\quad\Rightarrow\quad I=\frac{8}{\ell B}=\frac{8}{0{,}2\cdot4}=10\text{ A}.\]

Conferência pela potência. A força eletromotriz induzida é $\varepsilon=B\,\ell\,v\cos\theta$ (a componente de $\vec B$ perpendicular a $\vec v$ é $B\cos60^\circ$). A potência elétrica $\varepsilon I$ é igual à potência da força líquida de $4\text{ N}$: $I\,B\ell\cos\theta=4$, o que dá $I=\dfrac{4}{0{,}2\cdot4\cdot0{,}5}=10\text{ A}$, o mesmo resultado.

Cuidado, armadilha! O balão tem massa desprezível, mas desloca ar, e o empuxo de $6\text{ N}$ sustenta parte do peso. Esquecê-lo dá $I=\dfrac{10}{0{,}4}=25\text{ A}$ (que também não consta nas alternativas), e igualar a força magnética inteira, sem a componente vertical, a $4\text{ N}$ dá $I=5\text{ A}$. Com o empuxo e a decomposição corretos, $I=10\text{ A}$.
Q28
Mecânica — Hidrostática — Manômetro com Mistura de Óleos e Plano Inclinado
À esquerda, um bloco sobre um plano inclinado de 10 m de comprimento e 6 m de altura; à direita, um manômetro em tubo em U ligado a dois reservatórios, com desnível de 30 cm no fluido manométrico

Em um laboratório localizado em um planeta desconhecido, um grupo de pesquisadores observa o deslizamento de um bloco em um plano inclinado. Nota-se que o bloco parte do repouso e atinge o final da rampa em $10$ segundos e com velocidade de $4\text{ m/s}$. Neste mesmo ambiente, encontra-se instalado um manômetro do tipo “tubo em U” que tem por objetivo medir o diferencial de pressão entre dois reservatórios que se localizam em cada ponta do tubo. Sabe-se que o fluido manométrico é feito através da mistura da mesma quantidade em massa de dois óleos miscíveis distintos. Levando em conta os dados abaixo, pode-se afirmar que o coeficiente de atrito (dinâmico) entre o bloco e o plano inclinado na situação física descrita é:

Dados:

  • altura máxima do plano em relação à horizontal: $6\text{ m}$;
  • comprimento da rampa: $10\text{ m}$;
  • diferença entre as pressões nos reservatórios: $0{,}18\text{ kPa}$;
  • cota de desnível do fluido manométrico: $30\text{ cm}$;
  • massas específicas dos óleos: $0{,}3\text{ g/cm}^3$, $0{,}9\text{ g/cm}^3$.

Observação:

  • considere que a massa, em kg, da mistura dos óleos é igual a soma das massas, em kg, das massas de cada óleo.
A)$0{,}25$
B)$0{,}45$
C)$0{,}50$
D)$0{,}70$
E)$0{,}75$

Gabarito Oficial

Questão anulada pela banca
Resolução

Gravidade local (manômetro). Uma mistura com massas iguais $m$ de cada óleo tem massa $2m$ e volume $\dfrac{m}{0{,}3}+\dfrac{m}{0{,}9}$ (em g/cm³ e cm³), de modo que \[\rho=\frac{2}{\frac1{0{,}3}+\frac1{0{,}9}}=\frac{2}{4{,}44}=0{,}45\text{ g/cm}^3=450\text{ kg/m}^3.\] Pela lei de Stevin, $\Delta P=\rho\,g\,\Delta h$: \[180=450\cdot g\cdot0{,}30\quad\Rightarrow\quad g=\frac43\approx1{,}33\text{ m/s}^2.\]

Plano inclinado. O seno do ângulo é $\mathrm{sen}\,\theta=\dfrac{6}{10}=0{,}6$ e o cosseno, $0{,}8$. A aceleração do bloco é \[a=g\left(\mathrm{sen}\,\theta-\mu\cos\theta\right)=\frac43\,(0{,}6-0{,}8\,\mu).\]

Cinemática (dados incompatíveis). Partindo do repouso, em $10\text{ s}$ com velocidade final de $4\text{ m/s}$, a aceleração seria $a=\dfrac{4}{10}=0{,}4\text{ m/s}^2$ e o espaço percorrido, $\tfrac12\cdot0{,}4\cdot10^2=20\text{ m}$, e não os $10\text{ m}$ da rampa. Se, por outro lado, fossem usados $v^2=2aL$ ($a=0{,}8\text{ m/s}^2$), o resultado seria $\mu=0$. Com $a=0{,}4$: $0{,}4=\frac43(0{,}6-0{,}8\mu)\Rightarrow\mu=0{,}375$. Nenhum dos valores consta das alternativas.

Por causa dessa inconsistência nos dados, a questão foi anulada.

Cuidado, armadilha! Como o planeta é desconhecido, a gravidade não vale $10\text{ m/s}^2$: ela deve ser obtida do manômetro. E, antes de calcular, convém verificar se os dados da cinemática ($L$, $t$ e $v$) são compatíveis entre si, pois partindo do repouso com aceleração constante deveria valer $L=\dfrac{v\,t}{2}$.
Q29
Eletricidade — Circuitos RC — Carga do Capacitor e Ponte de Resistores
Circuito com fonte U, um fio em forma de quadrado (losango) com um resistor de 8 kΩ entre os vértices esquerdo e direito, duas chaves Cha e Chb, um capacitor C, quatro resistores de 97 kΩ em dois ramos em paralelo e um eletroímã que aciona o dispositivo que interrompe o fluxo de água para o balde de uma balança de braços iguais d, equilibrada por um bloco

A figura acima apresenta um circuito elétrico e um sistema de balança. O circuito é composto por uma Fonte em $U$, cinco resistores, um capacitor, um fio formado por um fio homogêneo, duas chaves e um eletroímã interligados por fios de resistência desprezível. O sistema de balança é composto por um bloco e um balde de massa desprezível que está sendo preenchido por água através de um dispositivo. Sabe-se que, imediatamente após o carregamento do capacitor, a chave $Ch_a$ se abrirá e a chave $Ch_b$ se fechará, fazendo com que o capacitor alimente o eletroímã, de modo que este acione um dispositivo que interromperá o fluxo de água para o balde. O valor do capacitor para que o sistema balde e bloco fique em equilíbrio e a energia dissipada no fio a partir do momento em que o capacitor esteja completamente carregado até o vigésimo segundo são, respectivamente

Dados:

  • $U=100\text{ V}$;
  • resistência total do fio: $32\text{ k}\Omega$;
  • fluxo de água: $200\text{ ml/s}$;
  • massa específica da água $=1\text{ g/cm}^3$;
  • massa do bloco: $0{,}8\text{ kg}$.

Observações:

  • despreze a massa do balde;
  • considere o capacitor carregado em um tempo correspondente a cinco vezes a constante de tempo.
A)$6\ \mu\text{F}$ e $10\text{ J}$
B)$8\ \mu\text{F}$ e $10\text{ J}$
C)$8\ \mu\text{F}$ e $20\text{ J}$
D)$10\ \mu\text{F}$ e $10\text{ J}$
E)$10\ \mu\text{F}$ e $20\text{ J}$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Tempo de enchimento. A balança tem braços iguais, e então o balde fica em equilíbrio quando a água tem a mesma massa do bloco: $0{,}8\text{ kg}$, ou seja, $0{,}8\text{ L}=800\text{ mL}$. Com $200\text{ mL/s}$, isso leva $t=4\text{ s}$. A água é interrompida quando o capacitor termina de carregar, em $5\tau$: \[5\tau=4\text{ s}\quad\Rightarrow\quad\tau=0{,}8\text{ s}.\]

Resistência de carga. O fio em forma de quadrado tem $32\text{ k}\Omega$ no total, ou $8\text{ k}\Omega$ por lado. A fonte está ligada aos vértices de cima e de baixo; o resistor de $8\text{ k}\Omega$ liga os vértices esquerdo e direito, e o capacitor é carregado a partir do vértice direito. Visto do capacitor (fonte curto-circuitada): o vértice direito está a $8\text{ k}\Omega$ do vértice de cima, a $8\text{ k}\Omega$ do de baixo (os dois, no mesmo ponto, por causa da fonte ideal) e, através do resistor central, a $8\text{ k}\Omega+\left(8\text{ k}\Omega\parallel8\text{ k}\Omega\right)=12\text{ k}\Omega$ do vértice esquerdo. A resistência equivalente é \[R_{th}=8\parallel8\parallel12=4\parallel12=3\text{ k}\Omega.\] Os quatro resistores de $97\text{ k}\Omega$ (duas fileiras de dois em série, ligadas em paralelo) valem $194\parallel194=97\text{ k}\Omega$, e estão em série com o capacitor. Resistência total de carga: $R=3+97=100\text{ k}\Omega$.

Capacitância. \[\tau=RC\quad\Rightarrow\quad C=\frac{0{,}8}{100\cdot10^3}=8\cdot10^{-6}\text{ F}=8\ \mu\text{F}.\]

Energia no fio. A partir de $t=4\text{ s}$, a chave $Ch_a$ se abre e o vértice direito fica isolado do resto do circuito. Os quatro lados do quadrado ficam ligados à fonte nos vértices de cima e de baixo: duas fileiras de dois lados em série, ligadas em paralelo. Pela simetria, o vértice esquerdo e o direito têm o mesmo potencial, e o resistor central de $8\text{ k}\Omega$ não conduz. A resistência equivalente do fio é $\dfrac{16\cdot16}{16+16}=8\text{ k}\Omega$, e a potência dissipada nele é \[P=\frac{U^2}{R_{fio}}=\frac{100^2}{8\cdot10^3}=1{,}25\text{ W}.\] Entre $t=4\text{ s}$ e $t=20\text{ s}$, passam $16\text{ s}$: \[E=P\,\Delta t=1{,}25\cdot16=20\text{ J}.\]

A resposta é $8\ \mu\text{F}$ e $20\text{ J}$.

Cuidado, armadilha! A energia pedida é a do fio (os quatro lados do quadrado), e não a do resistor central de $8\text{ k}\Omega$, que não conduz depois que $Ch_a$ abre. Outro cuidado é o intervalo: de $4\text{ s}$ (capacitor carregado) até $20\text{ s}$ são $16\text{ s}$, e não $20\text{ s}$.
Q30
Eletromagnetismo — Campo Elétrico — Carga em Capacitor Girante
Capacitor de placas paralelas horizontais, com a placa de cima positiva e a de baixo negativa; entre elas, a partícula de massa m e carga +Q; os eixos Y (para a direita), X (para baixo) e Z (para fora da página)

Um capacitor de placas paralelas carregado gera um campo elétrico constante em seu interior. Num instante inicial, uma partícula de massa $m$ e carga $+Q$, localizada no interior do capacitor, é liberada com velocidade nula. Neste mesmo instante, o capacitor começa a girar com velocidade angular constante $\omega$ em torno do eixo $z$. Enquanto estiver no interior do capacitor e antes de colidir com uma das placas, a trajetória da carga será uma

Observação:

  • desconsidere as ações dos campos magnético e gravitacional.
A)superposição de um movimento circular uniforme com um movimento uniforme no eixo $Y$.
B)superposição de um movimento circular uniforme com um movimento uniforme no eixo $X$.
C)elipse, não se constituindo uma circunferência.
D)circunferência.
E)parábola.

Gabarito Oficial

A
Resolução

No referencial do laboratório, o campo gira junto com as placas, e a força $Q\vec E$ sobre a partícula, de módulo constante, gira com velocidade angular $\omega$. Como a partícula parte do repouso em $t=0$, com o campo inicialmente ao longo de $X$, a aceleração é \[\vec a=a_0\,(\cos\omega t,\ \mathrm{sen}\,\omega t),\qquad a_0=\frac{QE}{m}.\]

Velocidade e posição. Integrando, com $\vec v(0)=\vec 0$ e posição inicial na origem: \[\vec v=\frac{a_0}{\omega}\left(\mathrm{sen}\,\omega t,\ 1-\cos\omega t\right),\qquad\vec r=\frac{a_0}{\omega^2}\left(1-\cos\omega t,\ \omega t-\mathrm{sen}\,\omega t\right).\]

Interpretação. Separando os termos, \[\vec r=\underbrace{\frac{a_0}{\omega^2}\,(1,\ \omega t)}_{\text{centro: movimento uniforme em }Y}+\underbrace{\frac{a_0}{\omega^2}\,(-\cos\omega t,\ -\mathrm{sen}\,\omega t)}_{\text{movimento circular uniforme}}.\] O centro da circunferência, de raio $\dfrac{a_0}{\omega^2}$, se desloca com velocidade constante $\dfrac{a_0}{\omega}$ ao longo do eixo $Y$, que é perpendicular à direção inicial do campo. A trajetória é a superposição de um movimento circular uniforme com um movimento uniforme no eixo $Y$ (uma cicloide).

Cuidado, armadilha! O deslocamento uniforme é perpendicular ao campo inicial (eixo $Y$): é o efeito médio de um campo que gira. Se o campo fosse fixo, a trajetória seria uma reta ao longo de $X$, e não há nenhum termo parabólico, pois a aceleração não tem direção fixa.
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