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IME 2016 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Militar de Engenharia

Concurso de Admissão 2015/2016 · Prova objetiva · Física (Q16-30) — resolução comentada Método TEF. Gabarito oficial conforme o PDF divulgado pelo IME.

Q16
Mecânica — Energia — Rampa com Atrito, Mola e Campo Elétrico
Rampa inclinada de ângulo teta; um corpo de massa m e carga +Q está na base, apoiado em uma mola de constante K; no meio da rampa há uma região com diferença de potencial V; a distância d é medida ao longo da rampa, do corpo até o topo

Um corpo de carga positiva, inicialmente em repouso sobre uma rampa plana isolante com atrito, está apoiado em uma mola, comprimindo-a. Após ser liberado, o corpo entra em movimento e atravessa uma região do espaço com diferença de potencial $V$, sendo acelerado. Para que o corpo chegue ao final da rampa com velocidade nula, a distância $d$ indicada na figura é

Dados:

  • deformação inicial da mola comprimida: $x$;
  • massa do corpo: $m$;
  • carga do corpo: $+Q$;
  • aceleração da gravidade: $g$;
  • coeficiente de atrito dinâmico entre o corpo e a rampa: $\mu$;
  • ângulo de inclinação da rampa: $\theta$;
  • constante elástica da mola: $K$.

Considerações:

  • despreze os efeitos de borda;
  • a carga do corpo permanece constante ao longo da trajetória.
A)$\dfrac{Kx^2+2QV}{2(1+\mu)\,mg\,\mathrm{sen}(\theta)}$
B)$\dfrac{Kx^2+QV}{2(1+\mu)\,mg\,\mathrm{sen}(\theta)}$
C)$\dfrac{\frac{Kx^2}{2}+QV}{2(1+\mu)\,mg\cos(\theta)}$
D)$\dfrac{Kx^2-2QV}{2mg\left(\mathrm{sen}(\theta)+\mu\cos(\theta)\right)}$
E)$\dfrac{Kx^2+2QV}{2mg\left(\mathrm{sen}(\theta)+\mu\cos(\theta)\right)}$

Gabarito Oficial

E
Resolução

O corpo parte do repouso, é impulsionado pela mola e pelo campo elétrico, sobe a rampa e chega ao fim dela parado. Como parte do repouso e termina em repouso, a variação da energia cinética é nula, e o trabalho total das forças é zero. Vamos listar o trabalho de cada agente ao longo do percurso $d$ sobre a rampa.

Mola. Ao se distender até o comprimento natural, ela realiza o trabalho $\tfrac12Kx^2$ (positivo, pois empurra o corpo no sentido do movimento). Campo elétrico. A carga positiva é acelerada ao atravessar a diferença de potencial $V$, e o trabalho é $+QV$. Peso. O corpo sobe a altura $d\,\mathrm{sen}\,\theta$: trabalho $-mgd\,\mathrm{sen}\,\theta$. Atrito. A normal vale $N=mg\cos\theta$, e a força de atrito dinâmico $\mu mg\cos\theta$ age contra o movimento ao longo de todo o percurso: trabalho $-\mu mg\cos\theta\cdot d$.

Balanço. \[\frac12Kx^2+QV-mgd\,\mathrm{sen}\,\theta-\mu mgd\cos\theta=0\quad\Rightarrow\quad d=\frac{\frac12Kx^2+QV}{mg\left(\mathrm{sen}\,\theta+\mu\cos\theta\right)}=\frac{Kx^2+2QV}{2mg\left(\mathrm{sen}\,\theta+\mu\cos\theta\right)}.\]

Cuidado, armadilha! A carga positiva é acelerada pelo campo, então o termo $QV$ entra com sinal positivo (energia que o corpo ganha). Somando a mola e o campo, tudo o que o corpo recebe é dissipado pelo atrito ou vira energia potencial gravitacional na subida.
Q17
Eletromagnetismo — Força Magnética — Carga Confinada em Campo Dependente do Tempo
Duas lâminas de vidro paralelas, infinitas, no plano horizontal; entre elas, uma partícula de massa m e carga +Q; os eixos x (para o observador), y (para a direita) e z (para cima)

Uma partícula de massa $m$ e carga $+Q$ encontra-se confinada no plano $XY$ entre duas lâminas infinitas de vidro, movimentando-se sem atrito com vetor velocidade $(v,0,0)$ no instante $t=0$, quando um dispositivo externo passa a gerar um campo magnético dependente do tempo, cujo vetor é $(f(t),f(t),B)$, onde $B$ é uma constante. Pode-se afirmar que a força normal exercida sobre as lâminas é nula quando $t$ é

Consideração:

  • desconsidere o efeito gravitacional.
A)$\left(\dfrac{m}{QB}\right)\dfrac\pi8$
B)$\left(\dfrac{m}{QB}\right)\dfrac\pi4$
C)$\left(\dfrac{m}{QB}\right)\dfrac\pi2$
D)$\left(\dfrac{m}{QB}\right)\pi$
E)$2\left(\dfrac{m}{QB}\right)\pi$

Gabarito Oficial

B
Resolução

A força magnética é $\vec F=Q\,\vec v\times\vec B$. Com $\vec v=(v_x,\,v_y,\,0)$ (a partícula está confinada ao plano) e $\vec B=(f,\,f,\,B)$, as componentes são \[F_x=QB\,v_y,\qquad F_y=-QB\,v_x,\qquad F_z=Q f\,(v_x-v_y).\]

Movimento no plano. As componentes $F_x$ e $F_y$ não dependem de $f(t)$: elas são as de uma partícula em um campo uniforme $B$ perpendicular ao plano. Por isso, o movimento no plano é circular uniforme, com velocidade angular $\omega=\dfrac{QB}{m}$. Como em $t=0$ a velocidade é $(v,0)$ e a primeira força aponta para $-y$, o giro é horário: \[v_x=v\cos\omega t,\qquad v_y=-v\,\mathrm{sen}\,\omega t.\]

Normal nula. As lâminas só exercem força normal (vertical) para equilibrar a componente $F_z$ da força magnética. Ela é nula quando $v_x=v_y$, isto é, quando as duas componentes da velocidade têm o mesmo valor.

Atenção ao sentido do giro. Com o giro horário acima, $\cos\omega t=-\mathrm{sen}\,\omega t$ ocorre pela primeira vez em $\omega t=\dfrac{3\pi}{4}$, ou seja, $t=\dfrac{3\pi}{4}\,\dfrac{m}{QB}$, que não consta entre as alternativas. Se o giro fosse anti-horário ($v_y=+v\,\mathrm{sen}\,\omega t$), $v_x=v_y$ ocorreria em $\omega t=\dfrac\pi4$, ou seja, $t=\dfrac\pi4\,\dfrac{m}{QB}$, que é a alternativa B e o gabarito oficial da banca.

Cuidado, armadilha! Como $f(t)$ aparece apenas em $F_z$, ele não influencia o movimento dentro do plano: a partícula gira com $\omega=QB/m$ independentemente do que $f$ faça. E o instante pedido depende da diferença $v_x-v_y$, não de $f$.
Q18
Mecânica — Estática — Estrutura de Três Barras Articuladas
Estrutura de três barras rotuladas: A, no alto à esquerda, a B, depois a C, depois a D, no apoio da direita; cargas verticais de 40 kN em B e de 50 kN em C; distâncias horizontais 2,0, 2,0 e 1,5 m e alturas de 2,0 e 2,0 m entre A, D e C; a altura h é a de B abaixo de A

A figura acima, cujas cotas estão em metros, exibe uma estrutura em equilíbrio formada por três barras rotuladas $AB$, $BC$ e $CD$. Nos pontos $B$ e $C$ existem cargas concentradas verticais. A maior força de tração que ocorre em uma barra, em kN, e a altura $h$, em metros, da estrutura são

Consideração:

  • as barras são rígidas, homogêneas, inextensíveis e de pesos desprezíveis.
A)$50{,}0$ e $2{,}50$
B)$31{,}6$ e $1{,}67$
C)$58{,}3$ e $3{,}33$
D)$50{,}0$ e $1{,}67$
E)$58{,}3$ e $2{,}50$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Cada barra é articulada nas extremidades e tem peso desprezível, de modo que só transmite força ao longo do seu eixo, uma tração. Seja $H$ a componente horizontal da tração em uma barra. Como não há forças externas horizontais, o equilíbrio horizontal de $B$ e de $C$ mostra que $H$ é a mesma nas três barras. A componente vertical em cada barra vale $H$ multiplicado pela razão (desnível)/(distância horizontal).

Geometria. Tomando $A$ como referência, $C$ está $4{,}0\text{ m}$ abaixo de $A$ ($2{,}0+2{,}0$) e $B$, $h$ abaixo. Então: $AB$ tem distância horizontal $2{,}0$ e desnível $h$; $BC$ tem $2{,}0$ e $(4-h)$; $CD$ tem $1{,}5$ e $2{,}0$ (sobe de $C$ até $D$). As componentes verticais são \[V_{AB}=\frac{H\,h}{2},\qquad V_{BC}=\frac{H\,(4-h)}{2},\qquad V_{CD}=\frac{2H}{1{,}5}=\frac{4H}{3}.\]

Nó $B$. A barra $AB$ puxa para cima e a $BC$ puxa para baixo, e há a carga de $40\text{ kN}$: \[\frac{Hh}{2}=40+\frac{H(4-h)}{2}\quad\Rightarrow\quad H\,(h-2)=40.\] Nó $C$. As barras $BC$ e $CD$ puxam para cima, e a carga é $50\text{ kN}$: \[\frac{H(4-h)}{2}+\frac{4H}{3}=50\quad\Rightarrow\quad H\,(20-3h)=300.\]

Resolvendo. Dividindo as duas equações, \[\frac{20-3h}{h-2}=\frac{300}{40}=7{,}5\quad\Rightarrow\quad20-3h=7{,}5h-15\quad\Rightarrow\quad h=\frac{10}{3}\approx3{,}33\text{ m}.\] Então $H=\dfrac{40}{h-2}=30\text{ kN}$.

Trações. Em cada barra, $T=H\cdot\dfrac{\text{comprimento}}{\text{distância horizontal}}$: \[T_{AB}=30\cdot\frac{\sqrt{2^2+(10/3)^2}}{2}\approx58{,}3\text{ kN},\quad T_{BC}=30\cdot\frac{\sqrt{2^2+(2/3)^2}}{2}\approx31{,}6\text{ kN},\quad T_{CD}=30\cdot\frac{2{,}5}{1{,}5}=50{,}0\text{ kN}.\] A maior é $58{,}3\text{ kN}$ (barra $AB$).

Cuidado, armadilha! A altura $h$ não é dada: ela é uma incógnita junto com as trações. O truque é notar que a componente horizontal $H$ é a mesma em todas as barras, o que permite escrever tudo em função de $H$ e $h$.
Q19
Ondulatória — Interferência — Duas Fontes Sonoras em Fase

Uma fonte sonora está situada no ponto de coordenadas $x=0\text{ m}$ e $y=0\text{ m}$ e outra no ponto de coordenadas $x=0\text{ m}$ e $y=4\text{ m}$. As ondas produzidas pelas duas fontes têm a mesma frequência e estão em fase. Um observador situado no ponto de coordenadas $x=3\text{ m}$ e $y=0\text{ m}$ nota que a intensidade do som diminui quando ele se move paralelamente ao eixo $y$ no sentido positivo ou no sentido negativo. Se a velocidade do som no local é $340\text{ m/s}$, a menor frequência das fontes, em Hz, que pode explicar essa observação é

A)$85$
B)$170$
C)$340$
D)$680$
E)$1360$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Diferença de percursos. O observador está a $3\text{ m}$ da primeira fonte e a $\sqrt{3^2+4^2}=5\text{ m}$ da segunda (triângulo $3$-$4$-$5$). A diferença de percursos é $\Delta=5-3=2\text{ m}$.

O que a observação diz. Em um ponto de interferência destrutiva (intensidade mínima), qualquer deslocamento aumenta a intensidade nos dois sentidos. Se o ponto fosse intermediário, a intensidade aumentaria de um lado e diminuiria do outro. Como a intensidade diminui nos dois sentidos, o observador está em um máximo local, isto é, em interferência construtiva. Com as fontes em fase, isso exige \[\Delta=n\lambda,\qquad n=1,2,3,\dots\]

Frequência. De $2=n\lambda$ e $v=\lambda f$, \[f=\frac{n\,v}{\Delta}=\frac{n\cdot340}{2}=170\,n\text{ Hz}.\] A menor frequência corresponde a $n=1$: $f=170\text{ Hz}$.

Cuidado, armadilha! A condição $\Delta=\left(n+\tfrac12\right)\lambda$ (interferência destrutiva) daria $85\text{ Hz}$ para o menor valor, mas aí a intensidade aumentaria se o observador se movesse. A frase do enunciado, de que a intensidade diminui nos dois sentidos, é a que escolhe o máximo.
Q20
Mecânica — Quantidade de Movimento — Impulso e Colisão Inelástica
Figura 1: o corpo A, de gelo, desliza sem atrito por uma rampa de altura h, rumo ao corpo B no plano horizontal, sujeito a uma força f(t). Figura 2: gráfico de f(t) em newtons; sobe linearmente de 0 a F entre 0 e T, fica constante em F até 3T e cai linearmente a zero em 4T

Na Figura 1, o corpo A, constituído de gelo, possui massa $m$ e é solto em uma rampa a uma altura $h$. Enquanto desliza pela rampa, ele derrete e alcança o plano horizontal com metade da energia mecânica e metade da massa iniciais. Após atingir o plano horizontal, o corpo A se choca, no instante $4T$, com o corpo B, de massa $m$, que foi retirado do repouso através da aplicação da força $f(t)$, cujo gráfico é exibido na Figura 2.

Para que os corpos parem no momento do choque, $F$ deve ser dado por

Dado:

  • aceleração da gravidade: $g$.

Observações:

  • o choque entre os corpos é perfeitamente inelástico;
  • o corpo não perde massa ao longo de seu movimento no plano horizontal.
A)$\dfrac{m\sqrt{2gh}}{8T}$
B)$\dfrac{m\sqrt{2gh}}{6T}$
C)$\dfrac{m\sqrt{2gh}}{4T}$
D)$\dfrac{m\sqrt{2gh}}{3T}$
E)$\dfrac{m\sqrt{2gh}}{2T}$

Gabarito Oficial

B
Resolução

Se os corpos ficam em repouso depois de um choque perfeitamente inelástico, a quantidade de movimento total antes do choque é nula: A e B chegam com quantidades de movimento de mesmo módulo e sentidos opostos. Vamos calcular cada uma.

Corpo A. Ele chega à base com metade da energia mecânica inicial, $\tfrac12mgh$, que é toda cinética, e com metade da massa, $\tfrac m2$: \[\frac12\cdot\frac m2\,v_A^{\,2}=\frac12\,mgh\quad\Rightarrow\quad v_A=\sqrt{2gh},\qquad p_A=\frac m2\sqrt{2gh}.\]

Corpo B. Ele parte do repouso, de modo que sua quantidade de movimento em $4T$ é o impulso da força $f(t)$, isto é, a área sob o gráfico da Figura 2. O gráfico é um trapézio com bases $4T$ (de $0$ a $4T$) e $2T$ (patamar de $T$ a $3T$) e altura $F$: \[p_B=\frac{(4T+2T)}{2}\,F=3\,F\,T.\]

Condição. $p_B=p_A$: \[3FT=\frac m2\sqrt{2gh}\quad\Rightarrow\quad F=\frac{m\sqrt{2gh}}{6T}.\]

Cuidado, armadilha! A massa de A ao chegar ao plano é $m/2$, e não $m$. Usar $m$ dobraria a quantidade de movimento de A. Outro cuidado é a área do gráfico: o trapézio vale $3FT$, e não $4FT$ (retângulo) nem $2FT$.
Q21
Mecânica — Hidrostática — Manômetro Diferencial com Dois Fluidos
Dois reservatórios, A e B, ligados por um tubo em U com dois fluidos imiscíveis: o fluido 1 (cinza) desce a partir de A até o nível C, e o fluido 2 (preto) ocupa o fundo do tubo e sobe até o nível D, 0,20 m acima de C; o fluido 1 sobe por cima, desce e chega até E; o fluido 2 vai de E até B, que está 0,30 m abaixo de E; L1 é a profundidade de A até C e L2, o desnível de D até E

Considerando o esquema acima, um pesquisador faz três afirmações que se encontram listadas a seguir:

Afirmação I. Se a diferença de pressão entre os dois reservatórios $(P_A-P_B)$ for equivalente a $20\text{ mm}$ de coluna de água, a variação de massa específica entre os dois fluidos $(\rho_1-\rho_2)$ é igual a $0{,}2\text{ kg/L}$.

Afirmação II. Se o Fluido 1 for água e se a diferença de pressão $(P_A-P_B)$ for de $0{,}3\text{ kPa}$, a massa específica do Fluido 2 é igual a $0{,}7\text{ kg/L}$.

Afirmação III. Caso o Fluido 1 tenha massa específica igual à metade da massa específica da água, o Fluido 3 (que substitui o Fluido 2 da configuração original) deve ser mais denso do que a água para que a diferença de pressão entre os reservatórios seja a mesma da afirmação I.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões)

Dados:

  • massa específica da água: $1\text{ kg/L}$;
  • aceleração da gravidade: $10\text{ m/s}^2$;
  • Para as afirmações I e II: $L_1=0{,}30\text{ m}$ e $L_2=0{,}40\text{ m}$;
  • Para a afirmação III apenas: $L_1=0{,}60\text{ m}$ e $L_2=0{,}80\text{ m}$.

Consideração:

  • os fluidos são imiscíveis.
A)I apenas.
B)II apenas.
C)III apenas.
D)I e II apenas.
E)I, II e III.

Gabarito Oficial

D
Resolução

Percorremos o tubo de $A$ até $B$ aplicando $\Delta p=\pm\rho g\,\Delta h$: a pressão aumenta ao descer e diminui ao subir em um mesmo fluido. Pela figura: de $A$ até $C$ desce-se $L_1$ no fluido 1; de $C$ a $D$ sobe-se $0{,}20\text{ m}$ no fluido 2 (os dois ramos do fluido 2 se ligam pelo fundo, no mesmo nível, e a interface $D$ está $0{,}20\text{ m}$ acima de $C$); de $D$ até $E$ o fluido 1 tem desnível líquido $L_2$ para cima (sobe por cima e desce até $E$); de $E$ até $B$ desce-se $0{,}30\text{ m}$ no fluido 2.

\[P_B=P_A+\rho_1gL_1-\rho_2g(0{,}20)-\rho_1gL_2+\rho_2g(0{,}30)\] \[\Rightarrow\quad P_A-P_B=\rho_1g\,(L_2-L_1)-0{,}10\,\rho_2\,g.\]

Afirmação I (correta). Com $L_2-L_1=0{,}10\text{ m}$: $P_A-P_B=0{,}10\,g\,(\rho_1-\rho_2)$. Vinte milímetros de coluna de água correspondem a $\rho_{a}\,g\,(0{,}020)$, e então \[0{,}10\,(\rho_1-\rho_2)=0{,}020\,\rho_a\quad\Rightarrow\quad\rho_1-\rho_2=0{,}2\text{ kg/L}.\]

Afirmação II (correta). Com $\rho_1=1\text{ kg/L}=1000\text{ kg/m}^3$ e $P_A-P_B=300\text{ Pa}$: $300=0{,}10\cdot10\cdot(1000-\rho_2)$, logo $1000-\rho_2=300$ e $\rho_2=700\text{ kg/m}^3=0{,}7\text{ kg/L}$.

Afirmação III (falsa). Agora $\rho_1=500\text{ kg/m}^3$, $L_2-L_1=0{,}20\text{ m}$ e $P_A-P_B=200\text{ Pa}$ (os $20\text{ mm}$ de água da afirmação I): \[200=10\left[500\cdot0{,}20-0{,}10\,\rho_3\right]=1000-\rho_3\quad\Rightarrow\quad\rho_3=800\text{ kg/m}^3.\] O fluido 3 tem $0{,}8\text{ kg/L}$, menos denso que a água, e não mais denso.

Estão corretas as afirmações I e II.

Cuidado, armadilha! Cuidado com os sinais ao percorrer o tubo: descer aumenta a pressão e subir diminui. O fluido 2 entra com a diferença dos dois desníveis ($0{,}30-0{,}20=0{,}10\text{ m}$), e o fluido 1 pela diferença $L_2-L_1$.
Q22
Mecânica — Estática — Centro de Massa e Reações do Solo
Seção reta de um corpo em forma de casinha: duas pernas verticais de largura y/4 e altura y, separadas por um vão de y/2, sustentando um telhado triangular de lados y, apoiado no eixo x

Um corpo rígido e homogêneo apresenta seção reta com dimensões representadas na figura acima. Considere que uma força horizontal $F$, paralela ao eixo $x$, é aplicada sobre o corpo a uma distância de $1{,}5\text{ u.c.}$ do solo e que o corpo desliza sem atrito pelo solo plano horizontal. Para que as duas reações do solo sobre a base do corpo sejam iguais, a distância $y$, em u.c., deverá ser

Consideração:

  • u.c. – unidade de comprimento.
A)$\cos(\pi/3)$
B)$\mathrm{sen}(\pi/3)$
C)$2\cos(\pi/3)$
D)$2\,\mathrm{sen}(\pi/3)$
E)$3\cos(\pi/3)$

Gabarito Oficial

D
Resolução

O solo é liso, então as únicas forças horizontais são $F$ (e a inércia: o corpo acelera com $a=F/M$). Em torno do centro de massa $G$, os torques são os de $F$ e os das duas reações verticais $N_1$ e $N_2$. A seção é simétrica em relação ao eixo vertical que passa por $G$, e as pernas têm a mesma largura. Se $N_1=N_2$, os torques das reações em torno de $G$ se cancelam, e o torque de $F$ também precisa ser nulo: a reta de ação de $F$ passa por $G$. Portanto $G$ está a $1{,}5\text{ u.c.}$ do solo.

Altura de $G$. A seção é a soma de duas pernas e de um triângulo. Pernas: duas peças de largura $\dfrac y4$ e altura $y$, de área total $\dfrac{y^2}{2}$, com centro a $\dfrac y2$ do solo. Triângulo: base $\dfrac y4+\dfrac y2+\dfrac y4=y$ e lados $y$, isto é, equilátero, de área $\dfrac{\sqrt3}{4}y^2$ e altura $\dfrac{\sqrt3}{2}y$; seu centroide está a um terço da altura acima da base, ou seja, a $y+\dfrac{\sqrt3}{6}y$ do solo.

\[y_G=\frac{\frac{y^2}{2}\cdot\frac y2+\frac{\sqrt3}{4}y^2\left(y+\frac{\sqrt3}{6}y\right)}{\frac{y^2}{2}+\frac{\sqrt3}{4}y^2}=y\,\frac{\frac14+\frac{\sqrt3}{4}+\frac18}{\frac{2+\sqrt3}{4}}=y\,\frac{3+2\sqrt3}{2\,(2+\sqrt3)}.\] Multiplicando numerador e denominador por $2-\sqrt3$, e lembrando que $(2+\sqrt3)(2-\sqrt3)=1$: \[y_G=y\,\frac{(3+2\sqrt3)(2-\sqrt3)}{2}=y\,\frac{\sqrt3}{2}.\]

Condição. $y_G=1{,}5$ dá $\dfrac{\sqrt3}{2}\,y=\dfrac32$, ou seja, \[y=\sqrt3=2\,\mathrm{sen}\left(\frac\pi3\right).\]

Cuidado, armadilha! Reações iguais não significam que $F$ seja desprezível: significam apenas que o torque de $F$ em torno de $G$ é nulo, isto é, que $F$ age na altura de $G$. Se $F$ fosse aplicada acima (ou abaixo) de $G$, a reação seria maior em uma das pernas.
Q23
Eletricidade — Medidas Elétricas — Wattímetro e Erro de Ligação
Esquema de ligação de um instrumento de medida de potência: uma bateria V alimenta o resistor R; o instrumento tem a bobina de potencial Bp com resistência Rp, percorrida pela corrente Ip, e a bobina de corrente Bc com resistência Rc, percorrida pela corrente Ic

A figura acima apresenta o esquema de ligação de um instrumento usado para medir a potência fornecida a uma carga. Sabe-se que a leitura de potência do instrumento em regime permanente é $P_{instrumento}=C\cdot I_p\cdot I_c$ e que o erro relativo é $\varepsilon=\dfrac{P_{instrumento}-P_{real}}{P_{real}}$. Diante do exposto, o valor da resistência $R_p$ do instrumento deve ser igual a

Dados:

  • potência medida na resistência $R$ empregando-se o instrumento: $P_{instrumento}$;
  • potência real dissipada na resistência $R$: $P_{real}$;
  • constante do instrumento: $C$;
  • tensão de alimentação do circuito: $V$;
  • corrente da bobina de potencial $(B_p)$: $I_p$;
  • corrente da bobina de corrente $(B_c)$: $I_c$.

Considerações:

  • $R\ll R_p$; e
  • $R\gg R_c$.
A)$\dfrac C\varepsilon$
B)$\dfrac{2C}{\varepsilon}$
C)$\dfrac{C}{1+\varepsilon}$
D)$\dfrac{C}{1-\varepsilon}$
E)$\dfrac{C}{2(1+\varepsilon)}$

Gabarito Oficial

C
Resolução

A bobina de corrente fica no ramo da carga e a de potencial fica sob a tensão da carga. Pelas considerações do enunciado, valem duas simplificações: como $R_c\ll R$, a queda de tensão na bobina de corrente é desprezível e a tensão sobre a bobina de potencial é praticamente a tensão sobre $R$, isto é, $V_R\approx V$; como $R_p\gg R$, a corrente que passa pela bobina de potencial é desprezível diante da corrente da carga, e a corrente na bobina de corrente é praticamente a corrente em $R$.

Correntes. \[I_p\approx\frac{V}{R_p},\qquad I_c\approx\frac{V}{R}.\] Leitura e potência real. \[P_{instrumento}=C\,I_pI_c\approx\frac{C}{R_p}\cdot\frac{V^2}{R},\qquad P_{real}=\frac{V^2}{R}.\]

Portanto $\dfrac{P_{instrumento}}{P_{real}}=\dfrac{C}{R_p}$. Como o erro relativo é $\varepsilon=\dfrac{P_{instrumento}}{P_{real}}-1$, temos $\dfrac{C}{R_p}=1+\varepsilon$ e \[R_p=\frac{C}{1+\varepsilon}.\]

Cuidado, armadilha! O erro relativo é definido em relação à potência real: $P_{instrumento}=(1+\varepsilon)P_{real}$. Se for confundido com $(1-\varepsilon)$, o resultado vira o distrator $C/(1-\varepsilon)$.
Q24
Eletricidade — Capacitores — Rede Infinita de Capacitores
Rede de capacitores iguais, com duas fileiras horizontais que se estendem ao infinito para os dois lados, ligadas por capacitores verticais, e duas colunas que se estendem ao infinito para baixo; os terminais A e B estão nas duas colunas centrais, no alto

Um circuito é composto por capacitores de mesmo valor $C$ e organizado em três malhas infinitas. A capacitância equivalente vista pelos terminais A e B é

A)$\left(\sqrt3+7\right)\dfrac C6$
B)$\left(\sqrt3+1\right)\dfrac C3$
C)$\left(\sqrt3+1\right)\dfrac C6$
D)$\left(\sqrt3+5\right)\dfrac C2$
E)$\left(\sqrt3+1\right)\dfrac C2$

Gabarito Oficial

A
Resolução

A rede é simétrica em relação à reta vertical que passa entre as colunas de $A$ e de $B$. Aplicamos $+V/2$ em $A$ e $-V/2$ em $B$ (tensão total $V$): por simetria, os pontos dessa reta ficam com potencial nulo. Cada capacitor $C$ que cruza a reta (o de $A$ a $B$ na fileira de cima, o da fileira de baixo e o de cada degrau da escada que desce) equivale a dois capacitores de $2C$, um ligado a cada lado e ao potencial zero. Analisamos então só o lado esquerdo e, no fim, $C_{AB}=\dfrac12\,Y$, em que $Y$ é a admitância (em unidades de $C$) vista por $A$.

Escada que desce. Abaixo do nó $S_0$ (fileira de baixo, coluna de $A$), a coluna é uma cadeia de capacitores $C$ em série, com um nó que tem $2C$ para o potencial zero entre eles. A admitância $X$ vista de cima é a de $C$ em série com ($2C$ em paralelo com a própria $X$): \[X=\frac{1\cdot(2+X)}{1+(2+X)}\quad\Rightarrow\quad X^2+2X-2=0\quad\Rightarrow\quad X=\sqrt3-1.\]

Fileiras horizontais para a esquerda. São duas fileiras, de cima e de baixo, ligadas por degraus de $C$. Decompomos em modo comum (as duas fileiras no mesmo potencial) e modo diferencial. No modo comum, os degraus não conduzem e as fileiras são cadeias de capacitores em série sem caminho para a terra: admitância nula. No modo diferencial (potenciais opostos), cada degrau vale $2C$ até o ponto médio, e a admitância por fileira satisfaz a mesma equação de antes: $y_d=\sqrt3-1$. Resultado: o conjunto das fileiras da esquerda age como uma admitância $g=\dfrac{y_d}{2}=\dfrac{\sqrt3-1}{2}$ entre o nó de cima ($T_0$) e o de baixo ($S_0$) da coluna de $A$.

Juntando. Em $T_0$ está o terminal $A$ (potencial $1$, em unidades de $V/2$), com $2$ para a terra. Entre $T_0$ e $S_0$ há o degrau $1$ e a admitância $g$, isto é, $1+g=\dfrac{\sqrt3+1}{2}$. Em $S_0$ há $2$ para a terra e a escada $X$: $2+X=\sqrt3+1$. O potencial de $S_0$ é \[v_S=\frac{1+g}{(1+g)+(2+X)}=\frac{(\sqrt3+1)/2}{3(\sqrt3+1)/2}=\frac13.\] A admitância vista por $A$ é \[Y=2+(1+g)(1-v_S)=2+\frac{\sqrt3+1}{2}\cdot\frac23=\frac{7+\sqrt3}{3}.\]

Capacitância equivalente. \[C_{AB}=\frac Y2\,C=\frac{\left(\sqrt3+7\right)}{6}\,C.\]

Cuidado, armadilha! A simetria é a ferramenta principal: sem ela, o problema é uma rede infinita em duas direções, praticamente impossível à mão. Atenção também ao fator $\tfrac12$ no fim: $Y$ é a admitância de um lado, para a tensão $V/2$, e a capacitância total é $Y/2$.
Q25
Ondulatória — Ondas em Cordas — Pulso em Corda Girante
Uma corda de comprimento L, presa em A, gira em um plano em torno de A com velocidade angular ômega

Uma corda de comprimento $L$ e densidade linear constante gira em um plano em torno da extremidade fixa no ponto A a uma velocidade angular constante igual a $\omega$. Um pulso ondulatório é gerado a partir de uma das extremidades. A velocidade $v$ do pulso, no referencial da corda, a uma distância $r$ da extremidade fixa é dada por

A)$\omega\,\dfrac{L-r}{\sqrt2}$
B)$\omega\sqrt{\dfrac{L(L-r)}{2}}$
C)$\dfrac{\omega}{\sqrt2\,L}\left(L^2-r^2\right)$
D)$\omega\sqrt{\dfrac{L^2-r^2}{2}}$
E)$\dfrac{\omega L}{\sqrt2}\sqrt{\dfrac{L-r}{L+r}}$

Gabarito Oficial

D
Resolução

A velocidade de um pulso é $v=\sqrt{T/\mu}$, onde $T$ é a tração no ponto considerado. Em uma corda girante, a tração não é uniforme: em um ponto a distância $r$ de $A$, a tração é a força que mantém em movimento circular o trecho da corda que fica além dele, entre $r$ e $L$.

Tração. Esse trecho tem comprimento $L-r$, massa $\mu\,(L-r)$ e centro de massa a $\dfrac{L+r}{2}$ do eixo. A força centrípeta necessária é \[T=\mu\,(L-r)\cdot\omega^2\cdot\frac{L+r}{2}=\frac{\mu\,\omega^2\,(L^2-r^2)}{2}.\]

Velocidade. \[v=\sqrt{\frac T\mu}=\omega\sqrt{\frac{L^2-r^2}{2}}.\]

Cuidado, armadilha! A tração é máxima junto ao ponto fixo ($r=0$) e nula na extremidade livre ($r=L$), de modo que o pulso é mais rápido perto de $A$ e para na ponta. Tomar a tração do trecho todo, $\mu\omega^2L^2/2$, daria uma velocidade constante, o que não é o caso.
Q26
Mecânica — Cinemática — Movimento Relativo e Cônicas

Dois observadores em movimento acompanham o deslocamento de uma partícula no plano. O observador 1, considerando estar no centro de seu sistema de coordenadas, verifica que a partícula descreve um movimento dado pelas equações $x_1(t)=3\cos(t)$ e $y_1(t)=4\,\mathrm{sen}(t)$, sendo $t$ a variável tempo. O observador 2, considerando estar no centro de seu sistema de coordenadas, equaciona o movimento da partícula como $x_2(t)=5\cos(t)$ e $y_2(t)=5\,\mathrm{sen}(t)$. O observador 1 descreveria o movimento do observador 2 por meio da equação:

Observações:

  • os eixos $x_1$ e $x_2$ são paralelos e possuem o mesmo sentido; e
  • os eixos $y_1$ e $y_2$ são paralelos e possuem o mesmo sentido.
A)$9x^2+16y^2=25$
B)$\dfrac{x^2}{9}+\dfrac{y^2}{16}=25$
C)$4x^2+y^2=1$
D)$\dfrac{x^2}{4}+y^2=1$
E)$4x^2+y^2=4$

Gabarito Oficial

D
Resolução

Com os eixos paralelos e de mesmo sentido, a posição da partícula vista pelo observador 1 é a posição do observador 2 (vista por 1) somada à posição da partícula vista pelo observador 2: \[\vec r_{P,1}=\vec r_{O_2,1}+\vec r_{P,2}\quad\Rightarrow\quad\vec r_{O_2,1}=\vec r_{P,1}-\vec r_{P,2}.\]

Posição do observador 2 vista por 1. \[x=3\cos t-5\cos t=-2\cos t,\qquad y=4\,\mathrm{sen}\,t-5\,\mathrm{sen}\,t=-\mathrm{sen}\,t.\]

Eliminando $t$. Usando $\cos^2t+\mathrm{sen}^2t=1$: \[\left(\frac{x}{-2}\right)^2+\left(\frac{y}{-1}\right)^2=1\quad\Rightarrow\quad\frac{x^2}{4}+y^2=1.\] É uma elipse de semieixos $2$ e $1$.

Cuidado, armadilha! A subtração deve ser feita termo a termo, $x_1-x_2$ e $y_1-y_2$, o que dá $-2\cos t$ e $-\mathrm{sen}\,t$. A elipse tem semieixos $2$ e $1$, e não $4x^2+y^2=1$ (que teria semieixos $\tfrac12$ e $1$), uma confusão comum entre o coeficiente de $x^2$ e o semieixo.
Q27
Eletricidade — Eletrodinâmica — Circuito com Fusíveis e Segmentos Rotativos
Circuito com bateria U e chave ch, ligado a duas linhas horizontais de condutores: a de cima formada por seis segmentos de comprimento L separados por cinco fusíveis f5 a f1, de meio comprimento cada, e articulados em eixos na extremidade esquerda de cada segmento; a de baixo, contínua, de comprimento 8,5L, com batentes sob cada eixo; as duas linhas se ligam por um segmento vertical de comprimento L à direita

Um circuito é alimentado por uma bateria através de uma chave temporizada ch que após o seu fechamento, abrir-se-á depois de transcorrido um período de tempo igual a $T$. Esse circuito é formado por segmentos de condutores com a mesma seção, mesma resistividade e comprimentos indicados na figura. Também estão inseridos cinco fusíveis $f_1$ a $f_5$, que têm a função de manter a continuidade do fluxo de corrente e de manter os segmentos conectados. Sempre que um dos fusíveis queimar, o segmento imediatamente à esquerda vai girar no sentido horário, fechando o contato, através de um batente, após decorridos $T/4$. Sabe-se que cada fusível necessita de $T/4$ para se romper diante de uma corrente maior ou igual à corrente de ruptura. A partir do fechamento da chave temporizada ch até a sua abertura, a energia consumida pelo circuito é igual a

Dados:

  • correntes de ruptura para cada fusível a partir da direita:
    • $f_1$: $0{,}9\,I$;
    • $f_2$: $1{,}1\,I$;
    • $f_3$: $1{,}5\,I$;
    • $f_4$: $1{,}8\,I$; e
    • $f_5$: $2{,}1\,I$.
  • resistividade do segmento: $\rho$;
  • seção do fio: $S$;
  • diferença de potencial da bateria: $U$.

Observações:

  • $I$ corresponde à corrente elétrica com todos os fusíveis ligados;
  • desconsidere a resistência dos fusíveis, da chave, dos fios e dos engates que conectam a fonte ao circuito.
A)$\left(\dfrac1{24}+\dfrac1{20}\right)\dfrac{U^2ST}{\rho L}$
B)$\left(\dfrac1{34}+\dfrac1{24}\right)\dfrac{U^2ST}{\rho L}$
C)$\left(\dfrac1{42}+\dfrac1{34}\right)\dfrac{U^2ST}{\rho L}$
D)$\left(\dfrac1{62}+\dfrac1{44}\right)\dfrac{U^2ST}{\rho L}$
E)$\left(\dfrac1{62}+\dfrac1{22}\right)\dfrac{U^2ST}{\rho L}$

Gabarito Oficial

D
Resolução

A resistência de um trecho de comprimento $\ell$ é $R=\dfrac{\rho\,\ell}{S}$ e a potência é $P=\dfrac{U^2}{R}=\dfrac{U^2S}{\rho\,\ell}$. A energia em cada etapa é $P\cdot\Delta t$. Vamos acompanhar o circuito no tempo, de $0$ a $T$. Os fusíveis, a chave e os fios têm resistência desprezível, e os trechos de $\tfrac12L$ que contêm os fusíveis também.

Etapa 1 ($0<t<T/4$). A corrente passa pelos seis segmentos de cima ($6L$), pelo segmento vertical da direita ($L$) e pela linha de baixo ($8{,}5L$): comprimento total $15{,}5\,L$ e corrente $I=\dfrac{US}{15{,}5\,\rho L}$. Essa corrente supera a de ruptura de $f_1$ ($0{,}9\,I$), mas não a de $f_2$ ($1{,}1\,I$) nem as dos demais. Portanto $f_1$ rompe-se ao fim de $T/4$. A energia da etapa é \[E_1=\frac{U^2S}{\rho\cdot15{,}5\,L}\cdot\frac T4=\frac1{62}\,\frac{U^2ST}{\rho L}.\]

Etapa 2 ($T/4<t<T/2$). Com $f_1$ rompido, o circuito está aberto: não há corrente e não há consumo de energia. O segmento imediatamente à esquerda de $f_1$ gira em torno do seu eixo, no sentido horário, até fechar o contato no batente, o que leva $T/4$ (em $t=T/2$).

Etapa 3 ($T/2<t<3T/4$). O segmento girado fica na vertical e liga a linha de cima à de baixo no ponto do seu eixo, deixando de fora o resto do circuito à direita. O caminho passa agora por quatro segmentos de cima ($4L$), pelo segmento girado ($L$) e pela parte da linha de baixo que vai do batente até a bateria ($6L$): comprimento $11\,L$. A corrente é $I_3=\dfrac{US}{11\,\rho L}=\dfrac{15{,}5}{11}\,I\approx1{,}41\,I$. Ela supera a de ruptura de $f_2$ ($1{,}1\,I$), mas não a de $f_3$ ($1{,}5\,I$). Então $f_2$ se rompe ao fim de $T/4$ (em $t=3T/4$). A energia da etapa é \[E_3=\frac{U^2S}{\rho\cdot11\,L}\cdot\frac T4=\frac1{44}\,\frac{U^2ST}{\rho L}.\]

Etapa 4 ($3T/4<t<T$). Com $f_2$ rompido, o circuito está aberto de novo e o próximo segmento leva $T/4$ para girar e fechar o contato, justamente em $t=T$, quando a chave se abre. Não há mais consumo.

Energia total. \[E=E_1+E_3=\left(\frac1{62}+\frac1{44}\right)\frac{U^2ST}{\rho L}.\]

Cuidado, armadilha! Os intervalos de circuito aberto (enquanto um segmento gira) não consomem energia, e a cada etapa a corrente deve ser comparada com as correntes de ruptura dos fusíveis que restam. Na etapa 3, a corrente de $1{,}41\,I$ não alcança os $1{,}5\,I$ de $f_3$, e por isso só $f_2$ se rompe.
Q28
Óptica — Instrumentos Ópticos — Projetor de Imagens
Esquema de um projetor: uma lâmpada, com um espelho côncavo A atrás; duas lentes plano-convexas B; o filme; uma lente convergente C; e a tela de projeção, onde se forma a imagem

A figura acima apresenta um desenho esquemático de um projetor de imagens, onde A é um espelho e B e C são lentes. Com relação aos elementos do aparelho e à imagem formada, pode-se afirmar que

A)o espelho convexo A, colocado atrás da lâmpada, tem por finalidade aumentar a intensidade da luz que incide no objeto (filme).
B)o filamento da lâmpada deve situar-se no plano focal do espelho A, para que sua imagem real se forme nesse mesmo plano.
C)a imagem projetada na tela é virtual, invertida e maior.
D)a lente delgada C é convergente de borda delgada, possuindo índice de refração menor que o meio.
E)as lentes plano-convexas B poderiam ser substituídas por lentes de Fresnel, menos espessas, mais leves, proporcionando menor perda da energia luminosa.

Gabarito Oficial

E
Resolução

Vamos examinar cada afirmação, procurando o erro conceitual em cada uma.

(A) Falsa. O espelho atrás da lâmpada é côncavo (a figura mostra a face refletora voltada para a lâmpada). Ele devolve para a frente a luz emitida para trás, aumentando a intensidade sobre o filme, mas um espelho convexo espalharia a luz, em vez de concentrá-la.

(B) Falsa. Para que a imagem real do filamento se forme no mesmo plano dele, ele deve estar no centro de curvatura do espelho, e não no foco. No foco, os raios refletidos saem paralelos e não formam imagem real.

(C) Falsa. A imagem formada na tela é real (formada pelo encontro de raios, e por isso pode ser projetada), invertida e ampliada. Uma imagem virtual não pode ser projetada em uma tela.

(D) Falsa. Uma lente de bordas delgadas é convergente se o seu índice de refração for maior que o do meio. Com índice menor, ela seria divergente.

(E) Correta. Uma lente de Fresnel concentra a curvatura em anéis concêntricos finos, mantendo o poder de convergência da lente com muito menos material. Fica menos espessa e mais leve, e, com menos vidro, absorve menos luz, o que reduz a perda de energia luminosa.

Cuidado, armadilha! Quatro das cinco afirmações trocam um único termo (convexo, focal, virtual, menor). Vale ler cada uma devagar e conferir os termos com a figura e com as condições de formação de imagem.
Q29
Óptica — Refração — Prisma de Pequeno Ângulo Imerso em Água
Um raio incidente atravessa um prisma triangular, com as normais tracejadas às duas faces; o ângulo alfa é o ângulo entre as normais e o desvio angular delta é o ângulo entre o raio incidente prolongado e o raio emergente

Um raio luminoso atravessa um prisma de vidro de índice de refração $n$, imerso em água, com índice de refração $n_{água}$. Sabendo que tanto o ângulo $\alpha$ como o ângulo de incidência são pequenos, a razão entre o desvio angular $\Delta$ e o $\alpha$ será

A)$\dfrac{n}{n_{água}}-1$
B)$\dfrac{n}{n_{água}}+1$
C)$\dfrac{n}{n_{água}}-\dfrac12$
D)$\dfrac{n}{n_{água}}+\dfrac12$
E)$\dfrac{n_{água}}{n}-1$

Gabarito Oficial

A
Resolução

O ângulo $\alpha$ entre as normais às duas faces é igual ao ângulo de abertura do prisma. Sejam $\theta_1$ e $\theta_2$ os ângulos de incidência e de emergência (com as normais, no meio externo, a água) e $r_1$ e $r_2$ os ângulos de refração no interior do vidro. Para ângulos pequenos, a lei de Snell fica linear: \[n_{água}\,\theta_1=n\,r_1,\qquad n\,r_2=n_{água}\,\theta_2.\]

Geometria interna. No triângulo formado pelo raio dentro do prisma e pelas duas normais, $\alpha=r_1+r_2$. Desvio total. O desvio é a soma dos desvios nas duas faces: \[\Delta=(\theta_1-r_1)+(\theta_2-r_2)=\theta_1+\theta_2-\alpha.\]

Das relações de Snell, $\theta_1+\theta_2=\dfrac{n}{n_{água}}\,(r_1+r_2)=\dfrac{n}{n_{água}}\,\alpha$. Logo \[\Delta=\left(\frac{n}{n_{água}}-1\right)\alpha\quad\Rightarrow\quad\frac\Delta\alpha=\frac{n}{n_{água}}-1.\]

Cuidado, armadilha! O que importa é a razão entre o índice do vidro e o do meio externo. Fora da água ($n_{água}\to1$), o resultado recai na fórmula do prisma delgado no ar, $\Delta=(n-1)\alpha$. Com o prisma imerso em um meio mais refringente, o desvio diminui.
Q30
Termologia — Termodinâmica — Dilatação de Haste e Compressão Isotérmica
Um êmbolo, que fecha um reservatório de gás à esquerda, está ligado por uma haste a uma parede à direita; o gás ocupa um comprimento L e a haste tem comprimento L

Um êmbolo está conectado a uma haste, a qual está fixada a uma parede. A haste é aquecida, recebendo energia de $400\text{ J}$. A haste se dilata, movimentando o êmbolo que comprime um gás ideal, confinado no reservatório, representado na figura. O gás é comprimido isotermicamente.

Diante do exposto, o valor da expressão: $\dfrac{P_f-P_i}{P_f}$ é

Dados:

  • pressão final do gás: $P_f$;
  • pressão inicial do gás: $P_i$;
  • capacidade térmica da haste: $4\text{ J/K}$;
  • coeficiente de dilatação térmica linear da haste: $0{,}000001\text{ K}^{-1}$.
A)$0{,}01$
B)$0{,}001$
C)$0{,}0001$
D)$0{,}00001$
E)$0{,}000001$

Gabarito Oficial

C
Resolução

Aquecimento da haste. A haste recebe $Q=400\text{ J}$ e tem capacidade térmica $C_t=4\text{ J/K}$: \[\Delta T=\frac{Q}{C_t}=\frac{400}{4}=100\text{ K}.\]

Dilatação. A haste tem comprimento inicial $L$ (a figura mostra $L$ entre o êmbolo e a parede). Com $\alpha=10^{-6}\text{ K}^{-1}$: \[\Delta L=\alpha\,L\,\Delta T=10^{-6}\cdot L\cdot100=10^{-4}\,L.\] Como a haste está fixada à parede, o alongamento empurra o êmbolo, e o comprimento da coluna de gás passa de $L$ a $L-\Delta L=L\,(1-10^{-4})$.

Compressão isotérmica. Pela lei de Boyle, $P_iV_i=P_fV_f$, e com seção constante, os volumes são proporcionais aos comprimentos: \[\frac{P_i}{P_f}=\frac{V_f}{V_i}=\frac{L\,(1-10^{-4})}{L}=1-10^{-4}.\]

Resultado. \[\frac{P_f-P_i}{P_f}=1-\frac{P_i}{P_f}=1-\left(1-10^{-4}\right)=10^{-4}=0{,}0001.\]

Cuidado, armadilha! A fração pedida é a variação relativa à pressão final, e isso é exatamente a fração do volume que foi comprimida, $\Delta L/L=10^{-4}$. Ela não depende de $L$, nem da pressão inicial.
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