OBF 2002

3ª fase · 1ª e 2ª séries

Olimpíada Brasileira de Física · 16 questões discursivas · arquivo histórico.

Q01
Movimento uniformemente variado — Corrida com desaceleração

Numa corrida de 100 m, entre dois atletas, um deles, João, chega aos 70 m com velocidade de 11 m/s, mas começa a perder velocidade à taxa de 1 m/s2. Quando João está na marca dos 70 m, o outro corredor, José, está 10 m atrás dele, com velocidade de 10 m/s, e continua assim até o final da corrida. Quem ganhou a corrida?

João vence, chegando em cerca de 3,19 s, contra 4 s de José.

Resolução comentada · Método TEF

Conte o tempo a partir do instante descrito. José está na marca de 60 m e mantém 10 m/s.

$$t_{José}=\frac{100-60}{10}=4\ \mathrm s$$

Para João:

$$x_J=70+11t-\frac12t^2$$

A chegada é a primeira raiz da equação xJ = 100.

$$t_J=11-\sqrt{61}\approx3{,}19\ \mathrm s$$

João chega antes e vence. A raiz maior corresponderia à continuação matemática do movimento após uma inversão, fora do intervalo da chegada.

Q02
Lançamento horizontal — Velocidade pela direção de impacto

Ao ganhar um arco e flecha de presente, você resolve medir qual a velocidade máxima com que a flecha sai do arco. Para fazer esta medida, você retesa o arco o máximo possível e dispara a flecha horizontalmente. Ela cai a uma distância de 50 m, fazendo um ângulo de 85o com a vertical. Qual a velocidade inicial com que a flecha foi arremessada ?

Velocidade inicial aproximadamente 75,5 m/s.

Resolução comentada · Método TEF

A componente horizontal permanece v₀. Tome a componente vertical positiva para baixo.

$$x=v_0t$$

$$v_y=gt$$

No impacto, o ângulo de 85° é medido com a vertical.

$$\tan85^\circ=\frac{v_0}{gt}$$

Substitua t = x/v₀.

$$v_0^2=gx\tan85^\circ$$

$$v_0=\sqrt{10(50)(11{,}4)}\approx75{,}5\ \mathrm{m/s}$$

Foi usado o valor 11,4 fornecido no caderno. A pequena diferença com o número impresso no gabarito decorre de arredondamento ou transcrição dos dados.

Q03
Leis de Newton — Tração inclinada entre skatistas

Você sai com sua irmã menor para passear de skate, cada um no seu. Como ela ainda não tem prática, você a segura pela mão e, para isto, seus braços fazem um ângulo de 45o com a horizontal. Batendo o pé no chão, você se impulsiona, horizontalmente, com uma aceleração de 2 m/s2, que é transferida para sua irmã. Sabendo que o peso de sua irmãzinha é 300 N, calcule a força que atua sobre o braço dela.

Força no braço aproximadamente 85 N.

Resolução comentada · Método TEF

A massa da irmã é obtida de seu peso.

$$m=\frac{300}{10}=30\ \mathrm{kg}$$

Desprezando resistência horizontal das rodas, a componente horizontal da força no braço fornece a aceleração.

$$T\cos45^\circ=ma$$

$$T=\frac{30(2)}{\sqrt2/2}=60\sqrt2\ \mathrm N\approx84{,}9\ \mathrm N$$

A componente vertical altera a normal sobre o skate, mas não entra na equação horizontal.

Q04
Atrito — Velocidade antes da frenagem

Um motorista dirige seu carro numa rua plana e horizontal de uma cidade quando, repentinamente, uma criança atravessa a rua correndo atrás de uma bola. O motorista pisa violentamente no freio, e o carro freia, com os pneus deixando uma marca no chão na forma de uma linha reta na direção do movimento original, de comprimento 10 m, até parar. A massa do carro (mais o motorista) era de 2000 kg, e o coeficiente de atrito entre os pneus do carro e o asfalto era de 0,60. A velocidade limite na área era 40 km/h. Ao frear, o motorista estava acima ou abaixo desta velocidade?

Aproximadamente 39,4 km/h, ligeiramente abaixo do limite no modelo proposto.

Resolução comentada · Método TEF

Durante o deslizamento, o atrito cinético retira a energia cinética do carro.

$$\frac12mv_0^2=\mu mgd$$

$$v_0=\sqrt{2(0{,}60)(10)(10)}=\sqrt{120}\ \mathrm{m/s}$$

$$v_0\approx10{,}95(3{,}6)=39{,}4\ \mathrm{km/h}$$

No modelo com os dados exatos fornecidos, estava ligeiramente abaixo de 40 km/h. Não se inclui um tempo de reação anterior ao início da marca, que não foi informado.

Q05
Potência — Energia diária em unidades elétricas

Diz-se que a energia mínima que um ser humano necessita para sobreviver é de 3000 kcal diárias. Se esta energia fosse gasta para manter uma lâmpada acesa, qual seria a potência (em watts) que ela dissiparia?

Potência equivalente de aproximadamente 145 W.

Resolução comentada · Método TEF

Converta quilocalorias em joules e o dia em segundos.

$$E=3000(1000)(4{,}18)=1{,}254\times10^7\ \mathrm J$$

$$\Delta t=24(3600)=86400\ \mathrm s$$

$$P=\frac{E}{\Delta t}\approx145{,}1\ \mathrm W$$

É uma comparação de energia por tempo; não pressupõe conversão biológica integral em eletricidade.

Q06
Conservação do momento — Recuo de astronauta

Um astronauta está no espaço sideral, a uma distância de 100 m de sua nave, quando descobre que a pistola de ar que usa para se locomover pára de funcionar. A única maneira dele retornar para a nave passa a ser atirar a pistola, de massa m = 2 kg, na direção oposta à nave. A massa do astronauta, mais equipamntos, descontando a pistola, é m = 120 kg.

a) se ele atirar a pistola com velocidade de 10 m/s, em relação à nave, qual a velocidade que ele irá adquirir?

b) Suponha que ele tenha ar para respirar por mais 10 min. Conseguirá ele chegar à nave, a tempo de se salvar?

a) 1/6 m/s para a nave; b) 10 minutos, exatamente no limite idealizado.

Resolução comentada · Método TEF

Adote o referencial da nave e a hipótese implícita de repouso relativo inicial. O astronauta lança a pistola no sentido oposto à nave.

$$120v_A=2(10)$$

$$v_A=\frac16\ \mathrm{m/s}$$

A velocidade de 10 m/s foi dada em relação à nave, não em relação ao astronauta.

Para percorrer os 100 m:

$$t=\frac{100}{1/6}=600\ \mathrm s=10\ \mathrm{min}$$

Ele alcança a nave exatamente no limite de ar informado, no modelo ideal. Não há margem para o tempo de arremesso, manobras ou imprecisões.

Q07
Órbitas circulares — Massa de uma estrela

Podemos “pesar” um corpo celeste caso ele tenha algum outro corpo girando em torno dele e saibamos a distância e a velocidade com que este gira em torno daquele.

a) Considere então que um planeta gira em movimento circular uniforme em torno de uma estrela devido à atração gravitacional desta. Encontre uma relação entre a massa M da estrela, a distância R e o módulo da velocidade V do planeta em relação à estrela (este resultado não vai depender da massa m do planeta, mas dependerá da constante da gravitação universal, G).

b) A Terra gira em torno do Sol com velocidade de módulo 30 km/s a uma distância de $1{,}50\times10^8\ \mathrm{km}$. Qual a massa do Sol?

a) M = RV²/G; b) aproximadamente 2,0 × 10³⁰ kg.

Resolução comentada · Método TEF

a) A gravitação fornece a resultante centrípeta, desprezando a massa do planeta em comparação com a da estrela.

$$\frac{GMm}{R^2}=\frac{mV^2}{R}$$

$$M=\frac{RV^2}{G}$$

b) Converta distância e velocidade para SI.

$$R=1{,}50\times10^{11}\ \mathrm m$$

$$V=3{,}0\times10^4\ \mathrm{m/s}$$

$$M=\frac{(1{,}50\times10^{11})(3{,}0\times10^4)^2}{6{,}7\times10^{-11}}$$

$$M\approx2{,}0\times10^{30}\ \mathrm{kg}$$

Q08
Momento de forças — Prancha com limite de fixação

A figura abaixo mostra uma situação em um filme de aventura. Nela, a mocinha está presa na extremidade de uma prancha horizontal, à esquerda, sobre um precipício. A outra extremidade da prancha está presa ao chão por uma braçadeira de ferro que suporta uma força máxima de 10000 N. . Para salvar a mocinha, o mocinho deve caminhar até ela, pela prancha. A parte da prancha apoiada sobre a superfície mede 5 m, a parte que está suspensa mede 50 m. A massa do mocinho é 80 kg, e a da mocinha, 60 kg. Desconsidere a massa da prancha. O mocinho, porém, somente pode caminhar pela prancha até uma distância em que a braçadeira de ferro não arrebente e a prancha comece a girar, pois senão ambos cairão no precipício.

a) Calcule o quanto ele pode andar na prancha (sobre o precipício) antes que ela comece a girar.

b) Como o valor do item anterior é menor que 50 m, o mocinho tem a seguinte idéia: colocar uma pedra bem pesada na extremidade da direita da prancha para ajudar a “contrabalançar” o peso. Calcule qual deve ser a massa mínima desta pedra para que ele possa caminhar até a mocinha sem correr riscos.

Figura original: Prancha com limite de fixação

a) 25 m além da borda; b) massa mínima teórica de 400 kg.

Resolução comentada · Método TEF

Tome a borda do precipício como eixo de rotação. A braçadeira, a 5 m para a direita, exerce força para baixo e seu momento equilibra os pesos à esquerda.

a) Na força máxima de 10000 N:

$$10000(5)=60(10)(50)+80(10)x$$

$$x=25\ \mathrm m$$

É a distância além da borda; atingir exatamente esse ponto já coloca a fixação em seu limite ideal.

b) Com os dois na ponta esquerda e uma pedra na ponta direita:

$$(60+80)(10)(50)=10000(5)+m_p(10)(5)$$

$$m_p=400\ \mathrm{kg}$$

Este é o mínimo teórico, sem margem de projeto ou peso da prancha, conforme a idealização.

Q09
Escoamento e lançamento — Alcance de jatos de água

A figura abaixo mostra uma caixa d’água no chão com três furos de igual diâmetro por onde saem jatos de água. A figura, porém, não representa corretamente as posições onde os jatos atingiriam o chão. Explique o porquê e esboce (qualitativamente) onde eles deveriam cair.

Figura original: Alcance de jatos de água

O alcance depende de h e H−h; o jato intermediário pode ir mais longe, com máximo em H/2.

Resolução comentada · Método TEF

O furo mais baixo tem maior velocidade de saída, mas também menor tempo de queda. Se H é a altura da superfície e h a altura do furo acima do chão, no modelo de grande reservatório:

$$v=\sqrt{2g(H-h)}$$

$$t=\sqrt{\frac{2h}{g}}$$

$$R=vt=2\sqrt{h(H-h)}$$

O alcance é máximo para h = H/2, pois o produto h(H−h) é máximo nessa altura. Furos complementares h e H−h têm alcances iguais.

O esboço deve mostrar trajetórias parabólicas: um furo intermediário pode atingir mais longe que os furos próximos da superfície e da base. Não se ordenam os alcances apenas pela pressão. Essa conclusão considera o nível da água praticamente constante durante a observação.

Q10
Expansão livre — Pressão e temperatura finais

Um recipiente termicamente isolado tem uma parede interna, provida de uma válvula A, que o divide em duas partes de volume igual V. Um dos lados contém gás ideal à pressão P e temperatura T. O outro lado está vazio. Ao abrirmos a válvula A, o gás expande-se ocupando o outro lado também. Explique o que ocorre com a pressão e a temperatura do gás ao realizar a expansão.

Figura original: Pressão e temperatura finais

Temperatura final T e pressão final P/2.

Resolução comentada · Método TEF

A expansão ocorre contra o vácuo e o recipiente é isolado.

$$W=0$$

$$Q=0$$

$$\Delta U=0$$

No gás ideal, a energia interna depende só da temperatura, portanto Tf = T. A quantidade de gás é constante e o volume dobra.

$$P_f(2V)=PV$$

$$P_f=\frac P2$$

A pressão é a do estado final de equilíbrio; durante a expansão não é necessariamente uniforme.

Q11
Calor latente — Fusão de cometa por dissipação

Um cometa de 500 toneladas de gelo precipita-se sobre a Terra em rota de colisão frontal (ou seja, ao longo de uma linha que passa pelo centro da Terra). Ao penetrar na atmosfera, a cerca de 100 Km de altura, a velocidade do cometa é de 10 km/s. Calcule a fração da energia mecânica do cometa que seria dissipada para fundir completamente o cometa. Suponha que a temperatura inicial do cometa seja de 0°C e considere constante a aceleração gravitacional g = 10m/s².

Cerca de 0,66% da energia mecânica, tomando energia potencial nula na superfície.

Resolução comentada · Método TEF

Escolha energia potencial zero na superfície terrestre, conforme a comparação pretendida. Converta massa e velocidade.

$$m=5\times10^5\ \mathrm{kg}$$

$$v=10^4\ \mathrm{m/s}$$

$$E_m=\frac12mv^2+mgh$$

$$E_m=2{,}5\times10^{13}+5\times10^{11}=2{,}55\times10^{13}\ \mathrm J$$

O gelo começa a 0 °C, portanto só é necessário calor latente.

$$L_f=80(4180)=334400\ \mathrm{J/kg}$$

$$Q=mL_f=1{,}672\times10^{11}\ \mathrm J$$

$$\frac Q{E_m}\approx6{,}56\times10^{-3}\approx0{,}66\%$$

A fração depende da referência de energia potencial escolhida; foi explicitada a referência ao solo usada nesta solução. O modelo não descreve aquecimento prévio, fragmentação ou vaporização.

Q12
Transferência de calor — Chama em microgravidade

A chama de uma vela sempre aponta para cima, qualquer que seja a orientação que se dê à vela. Um astronauta, em um ônibus espacial em órbita da Terra, decide acender uma vela para ver se as chamas que surgem têm o mesmo comportamento do que aqui na Terra. Descreva o que você acha que deve ocorrer, comparando as duas situações.

A chama tende a ser arredondada em microgravidade sem ventilação; a extinção não é consequência inevitável.

Resolução comentada · Método TEF

Na Terra, os gases quentes menos densos sobem por empuxo, e o ar mais frio os substitui. Essa convecção natural contribui para a chama alongada e apontada para cima.

Em órbita, nave e conteúdos estão em queda livre; a gravidade não desapareceu, mas há microgravidade aparente. A convecção por empuxo fica muito reduzida e, sem corrente de ar imposta, a chama tende a uma forma arredondada, aproximadamente esférica.

O gabarito histórico conclui que a chama se apaga por falta de renovação do oxigênio. Essa extinção não é inevitável: oxigênio pode chegar por difusão. A sustentação e a duração dependem da atmosfera, da ventilação e do combustível. Experimentos da NASA mostram chamas aproximadamente esféricas em microgravidade. Assim, a comparação robusta é a perda da orientação para cima por convecção natural, e não uma garantia universal de apagamento.

Referência complementar: NASA — Candle Flame in Microgravity.

Q13
Reflexão total — Disco sobre fonte submersa

Deseja-se esconder uma pequena fonte de luz no fundo de uma piscina, mantendo-se flutuando na superfície um disco circular opaco. Se a profundidade da piscina for 1m, e o índice de refração da água 1,33, qual deve ser o raio mínimo do disco para que isso seja possível?

Raio mínimo aproximadamente 1,14 m, com o disco centrado acima da fonte.

Resolução comentada · Método TEF

A luz só pode sair da água dentro do cone de incidência até o ângulo crítico. O disco deve cobrir toda a seção desse cone na superfície, centrado sobre a fonte.

$$\sin\theta_c=\frac{n_{ar}}{n_{água}}=\frac1{1{,}33}$$

$$R_{min}=h\tan\theta_c$$

$$R_{min}=\frac{h}{\sqrt{n_{água}^2-1}}$$

$$R_{min}=\frac1{\sqrt{1{,}33^2-1}}\approx1{,}14\ \mathrm m$$

Fora dessa área os raios sofrem reflexão total no modelo de superfície plana e água transparente.

Q14
Lentes delgadas — Projeção com ampliação e distância total

Uma lente delgada convergente é usada para projetar uma imagem ampliada de um slide sobre uma tela localizada a 10 m do slide. Se o slide tem dimensão 20X30 mm, e se sua imagem é 2X3 m, qual deve ser a distância da lente ao slide, e a distância focal da lente?

Lente a cerca de 9,90 cm do slide; distância focal cerca de 9,80 cm.

Resolução comentada · Método TEF

As dimensões lineares da imagem são cem vezes as do slide.

$$|A|=\frac{2}{0{,}020}=100$$

$$\frac{p'}p=100$$

A distância de 10 m é entre slide e tela, não entre lente e tela.

$$p+p'=10$$

$$p=\frac{10}{101}\approx0{,}0990\ \mathrm m$$

$$p'=\frac{1000}{101}\approx9{,}901\ \mathrm m$$

Pela equação das lentes:

$$f=\frac{pp'}{p+p'}\approx0{,}0980\ \mathrm m$$

A imagem projetada é real e invertida.

Q15
Reflexão e detecção — Leitura temporal de código de barras

O processo de leitura do código de barras utilizando laser consiste de um laser que incide no código de barras. Quando o laser incide no papel, o feixe pode ou não ser refletido, dependendo se incide na parte branca ou na parte preta. Quando há luz refletida, o detetor de luz acusa uma intensidade I = I₀ e quando não há luz refletida, acusa ausência de luz com I = 0. Usualmente estabelece-se que I = I₀ corresponde ao código 1 e que I = 0 corresponde ao código 0. Considerando que o laser está fixo e que o produto é movimentado da direita para a esquerda com velocidade constante, como deve ser o gráfico da intensidade de luz vista pelo detetor em função do tempo, e qual é o produto correspondente?

Códigos fornecidos no caderno
ProdutoCódigo
Açúcar100110010000100111
Feijão010110010010110010
Chocolate000111101010101011
Desodorante101001101101001101
Margarina100110110001011011
Figura original: Leitura temporal de código de barras

Produto: feijão; sinal binário 010110010010110010, alternando patamares em 0 e I₀.

Resolução comentada · Método TEF

Cada faixa branca fornece intensidade I₀ e código 1; cada faixa preta fornece intensidade zero e código 0. O código deve ser lido pela sequência que passa pelo ponto de iluminação a partir de t = 0.

A sequência da figura, na direção e no início indicados, é:

$$010110010010110010$$

Ela coincide com o código do feijão na tabela. O gráfico é uma sequência de patamares em 0 e I₀. Com velocidade constante, a duração de cada patamar é proporcional à largura da faixa; faixas consecutivas de mesma cor unem seus patamares.

O gráfico abaixo usa uma unidade de tempo por célula elementar; o enunciado não fornece velocidade para converter essa unidade em segundos.

Sinal temporal binário do feijão: 010110010010110010
Q16
Fibra óptica — Atenuação exponencial e leitura de gráfico

A potência $P_t$ que sai de um extremo de uma fibra óptica de comprimento $L$ é dada por $P_t=P_0\,10^{-\alpha L}$, onde $\alpha$ é o coeficiente de perda e $P_0$ é a potência incidente no outro extremo, conforme a figura. O valor do coeficiente de perda depende do comprimento de onda $\lambda$ da luz incidente, e o gráfico mostra essa dependência para uma dada fibra.

a) Que valor de $\lambda$ você escolheria para obter a maior potência transmitida?

b) Se $P_0=1\ \mathrm W$, para este comprimento de onda, quanto valeria $P_t$ para uma fibra de 10 km?

c) Você acha que esta fibra poderia ser usada para transmissão de sinais de uma cidade para outra? Justifique.

Figura original: Atenuação exponencial e leitura de gráfico
Figura original: Atenuação exponencial e leitura de gráfico

a) Aproximadamente 1,55 μm; b) 0,01 W; c) perda elevada, viabilidade depende do enlace e do receptor.

Resolução comentada · Método TEF

a) Para L e P₀ fixos, maximizar a potência transmitida exige minimizar α. O mínimo do gráfico fica próximo de λ = 1,54–1,55 μm, com α ≈ 0,2 km⁻¹.

b) Na equação fornecida:

$$P_t=P_0\,10^{-\alpha L}$$

$$P_t=1\cdot10^{-0{,}2(10)}=10^{-2}\ \mathrm W$$

$$P_t=0{,}01\ \mathrm W=10\ \mathrm{mW}$$

Somente 1% da potência inicial chega ao final de 10 km.

c) O gabarito considera a perda alta para ligações entre cidades sem recuperação. Uma conclusão absoluta de impossibilidade exigiria distância, sensibilidade do receptor e presença de amplificação ou repetidores. Os dados mostram a forte atenuação, mas não fixam sozinhos o limite de detecção de um sistema completo.

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