OBF 2003

3ª fase · 1ª e 2ª séries

Olimpíada Brasileira de Física · 16 questões discursivas · arquivo histórico.

Q01
Trajeto e deslocamento — Ambulância em ruas de mão única

A figura abaixo representa o mapa de uma cidade o qual indica as direções das mãos de tráfego. Devido ao congestionamento, os veículos trafegam com a velocidade média de 18 km/h. Cada quadra desta cidade mede 200 x 200 m (do centro de uma rua ao centro da outra rua). Uma ambulância localizada em A precisa pegar um doente localizado bem no meio da quadra em B, sem andar na contramão.

a) Qual o menor intervalo de tempo gasto em minutos no percurso de A até B?

b) Qual é o módulo do vetor velocidade média (em km/h) entre os pontos A e B?

Malha de ruas de mão única em quadrados de 200 m. A na interseção x=1, y=3; B na rua x=3, y=1,5, com y crescendo para baixo. Colunas x=0,2,4 têm tráfego para cima e x=1,3 para baixo; linhas y=0,2,4 para esquerda e y=1,3 para direita.

Resposta TEF: a) 3 minutos. b) 10 km/h.

Resolução comentada · Método TEF

No mapa, A e B estão separados horizontalmente por duas quadras e verticalmente por uma quadra e meia. Para respeitar as mãos, um menor caminho segue uma quadra à direita, duas para cima, uma à direita e meia para baixo.

$$s_{min}=4{,}5(200)=900\ \mathrm m$$

$$v=\frac{18}{3{,}6}=5\ \mathrm{m/s}$$

$$t_{min}=\frac{900}{5}=180\ \mathrm s=3\ \mathrm{min}$$

O módulo do deslocamento é a distância em linha reta.

$$|\Delta\vec r|=\sqrt{400^2+300^2}=500\ \mathrm m$$

$$|\vec v_m|=\frac{500}{180}(3{,}6)=10\ \mathrm{km/h}$$

A rota mais curta em distância euclidiana não é uma rota permitida pelo mapa.

Q02
Velocidade relativa — Chuva e inclinação do guarda-chuva

Num dia de chuva, um garoto consegue abrigar-se perfeitamente mantendo a haste do seu guarda-chuva na vertical, conforme mostra a figura a seguir. Movimentando-se para a direita com velocidade constante e de módulo 4,0 m/s, entretanto, ele só consegue abrigar-se mantendo a haste do guarda-chuva inclinada 60° com a horizontal como mostra a figura a seguir. Admitindo que as gotas de chuva tenham movimento uniforme, calcule a intensidade da sua velocidade em relação ao garoto: (use se necessário sen 60º = 0,87 e cos 60º = 0,5)

a) nas condições da figuras (I);

b) nas condições da figura (II).

Garoto parado com guarda-chuva vertical e garoto correndo à direita com haste inclinada 60° em relação à horizontal.

Resposta TEF: a) Aproximadamente 7,0 m/s. b) 8,0 m/s.

Resolução comentada · Método TEF

Com o garoto parado, a chuva tem velocidade vertical. Quando ele corre, a componente horizontal relativa tem módulo 4 m/s. A haste faz 60° com a horizontal.

$$\tan60^\circ=\frac{v_{chuva}}4$$

$$v_{chuva}=4\frac{0{,}87}{0{,}50}=6{,}96\ \mathrm{m/s}$$

Na corrida, use a componente horizontal do vetor relativo.

$$v_{rel}=\frac4{\cos60^\circ}=8\ \mathrm{m/s}$$

Assim, a rapidez relativa em repouso é aproximadamente 7 m/s e, em movimento, 8 m/s.

Q03
Movimento por trechos — Metrô com aceleração e frenagem

Um trem de metrô parte de uma estação com aceleração uniforme até atingir, após 10 s, a velocidade de 90 km/h, que é mantida durante 30 s. A partir de 30 s, desacelera uniformemente durante 10 s, até parar na estação seguinte.

a) determine analiticamente a distância entre as duas estações, utilizando as equações de movimento;

b) represente graficamente a velocidade em função do tempo;

c) Determine a distância entre as duas estações a partir do gráfico obtido em b).

Resposta TEF: 1000 m se o cruzeiro dura 30 s; 750 m se a frenagem começa no instante absoluto t = 30 s.

Resolução comentada · Método TEF

O caderno informa 30 s de velocidade mantida e, em seguida, frenagem a partir de 30 s. As duas cronologias são incompatíveis e são analisadas separadamente.

A rapidez máxima é 25 m/s. Interpretando literalmente a manutenção dessa rapidez durante 30 s, há aceleração de 0 a 10 s, cruzeiro de 10 a 40 s e frenagem de 40 a 50 s.

$$s_1=\frac{0+25}{2}(10)=125\ \mathrm m$$

$$s_2=25(30)=750\ \mathrm m$$

$$s_3=\frac{25+0}{2}(10)=125\ \mathrm m$$

$$s_{total}=1000\ \mathrm m$$

O gráfico v(t) é o trapézio pelos pontos (0;0), (10;25), (40;25), (50;0). Sua área é a mesma soma acima. O texto também diz a partir de 30 s, o que contradiz a duração anterior: se essa indicação fosse adotada como tempo absoluto, o cruzeiro duraria 20 s e o total seria 750 m.

Gráfico para a interpretação de cruzeiro de 30 s: aceleração até 25 m/s em 10 s, patamar até 40 s e frenagem até 50 s; área total de 1000 m.
Esboço da resolução · Método TEF
Q04
Frenagem — Reconstrução da velocidade anterior ao acidente

Um automóvel movia-se numa avenida quando seu motorista percebeu que o semáforo do cruzamento, logo adiante, estava fechado. O motorista freou, mas não conseguiu parar antes do cruzamento, atingindo outro veículo. Baseados nos danos causados, técnicos da polícia estimaram que a velocidade do motorista infrator era de 36 km/h no momento da colisão. A 50 m, antes do local do acidente, foi encontrada a marca no asfalto, que corresponde ao local em que o motorista pisou desesperadamente no freio. Sabendo que os freios do veículo conseguem produzir uma aceleração escalar praticamente constante, de módulo igual a 8 m/s², calcule a sua velocidade em km/h, imediatamente antes do motorista pisar no freio.

Resposta TEF: 108 km/h.

Resolução comentada · Método TEF

A rapidez no impacto é 36 km/h = 10 m/s. A frenagem produz aceleração −8 m/s² ao longo de 50 m.

$$v_f^2=v_i^2+2a\Delta s$$

$$10^2=v_i^2-2(8)(50)$$

$$v_i^2=900$$

$$v_i=30\ \mathrm{m/s}=108\ \mathrm{km/h}$$

O carro ainda possuía velocidade ao final da marca; não se trata de distância de parada completa.

Q05
Lançamento horizontal — Altura de partida em trilho

Uma bola é abandonada do ponto de um trilho perfeitamente liso, AB, e atinge o solo no ponto C. Supondo que a velocidade da bola no ponto B tem componente somente na direção horizontal, determine a altura h que a bola é abandonada (ver figura a seguir).

Queda h entre A e saída horizontal B; B a 3,20 m do solo e alcance BC horizontal de 4,00 m.

Resposta TEF: h = 1,25 m acima de B, ou 4,45 m em relação ao solo.

Resolução comentada · Método TEF

A saída B está 3,20 m acima do chão e o alcance horizontal é 4,00 m.

$$t=\sqrt{\frac{2(3{,}20)}{10}}=0{,}80\ \mathrm s$$

$$v_B=\frac{4{,}00}{0{,}80}=5\ \mathrm{m/s}$$

No trilho liso, a queda vertical h entre A e B fornece a energia cinética de saída.

$$mgh=\frac12mv_B^2$$

$$h=\frac{25}{20}=1{,}25\ \mathrm m$$

A altura em relação ao solo é 1,25 + 3,20 = 4,45 m; o h da figura está medido a partir de B.

Q06
Impulso — Força variável com mudança de sinal

Um carrinho de massa 2,0 kg encontra-se inicialmente em repouso sobre um plano horizontal sem atrito. A partir do instante t = 0 s, passa a agir sobre o carrinho uma força F de direção constante, paralela ao plano, cujo módulo varia em função do tempo, conforme o gráfico abaixo. Determine as velocidades escalares do carrinho nos instantes: T1 = 2,0 s, T2 = 4,0 s e T3 = 6,0 s.

Força em newtons por tempo em segundos: segmentos entre (0,2), (2,6), (4,0) e (6,−6).

Resposta TEF: v(2 s) = 4 m/s; v(4 s) = 7 m/s; v(6 s) = 4 m/s.

Resolução comentada · Método TEF

A variação do momento é a área algébrica sob F(t). A massa é 2 kg e a velocidade inicial é zero.

$$J_{0,2}=\frac{2+6}{2}(2)=8\ \mathrm{N\,s}$$

$$v(2)=\frac8{2}=4\ \mathrm{m/s}$$

$$J_{2,4}=\frac{6(2)}2=6\ \mathrm{N\,s}$$

$$v(4)=\frac{8+6}{2}=7\ \mathrm{m/s}$$

$$J_{4,6}=-\frac{6(2)}2=-6\ \mathrm{N\,s}$$

$$v(6)=\frac{8+6-6}{2}=4\ \mathrm{m/s}$$

A força negativa no último intervalo reduz a velocidade, mas não a torna negativa.

Q07
Calorimetria e impacto — Fusão de gelo por projétil quente

Uma arma dispara um projétil de chumbo (calor específico cPb= 0,031 cal/g °C) de massa 20 g, que se move de encontro a um grande bloco de gelo fundente (calor latente de fusão L= 80 cal/g). No impacto, o projétil tem sua velocidade reduzida de 100 m/s para 0 m/s, entrando em equilíbrio térmico com o gelo. Não havendo dissipação de energia, ocorre a fusão de 2,25 g de gelo. Qual era a temperatura do projétil no momento do impacto?

Resposta TEF: Aproximadamente 252 °C.

Resolução comentada · Método TEF

A energia de fusão provém tanto da energia cinética quanto do resfriamento do projétil até 0 °C. Use 1 cal = 4,18 J.

$$Q_f=2{,}25(80)=180\ \mathrm{cal}$$

$$E_c=\frac12(0{,}020)(100)^2=100\ \mathrm J$$

$$E_c\approx23{,}92\ \mathrm{cal}$$

$$20(0{,}031)T_i+23{,}92=180$$

$$T_i=\frac{180-23{,}92}{0{,}62}\approx251{,}7\ ^\circ\mathrm C$$

Desconsiderar a energia de movimento superestimaria a temperatura inicial.

Q08
Câmara de orifício — Diâmetro do Sol e erro de unidade

Um dos métodos para medir o diâmetro do Sol consiste em determinar o diâmetro de sua imagem nítida, produzida sobre um anteparo, por um orifício pequeno feito em um cartão paralelo a este anteparo, conforme ilustra a figura a seguir. Em um experimento realizado por esse método foram obtidos os seguintes dados: - Diâmetro da imagem = 9 mm - Distância do orifício até a imagem = 1 mm - Distância do Sol a Terra = 1,5 × 10¹¹ m Qual é aproximadamente o diâmetro do Sol medido por esse método?

Sol, orifício e imagem no anteparo, com triângulos semelhantes definidos pelos raios de borda.

Resposta TEF: Dados literais: 1,35 × 10¹² m. Se a distância pretendida era 1 m: 1,35 × 10⁹ m.

Resolução comentada · Método TEF

Possível erro de unidade no caderno: distância do orifício à imagem impressa como 1 mm. A resolução distingue a leitura literal da hipótese de 1 m.

A semelhança dos triângulos fornece a razão entre diâmetro e distância.

$$\frac{D_S}{1{,}5\times10^{11}}=\frac{9\ \mathrm{mm}}{1\ \mathrm{mm}}$$

$$D_S=1{,}35\times10^{12}\ \mathrm m$$

Esse é o resultado literal dos dados impressos e é incompatível com a escala do Sol. Se a distância orifício-anteparo pretendida fosse 1 m, obteríamos:

$$D_S=1{,}5\times10^{11}\frac{0{,}009}{1}=1{,}35\times10^9\ \mathrm m$$

A troca de 1 mm por 1 m é uma hipótese editorial, não uma correção confirmada por gabarito disponível.

Q09
Lentes convergentes — Imagem virtual de uma lupa

Uma lupa, com 5,0 cm de distância focal, é utilizada por um estudante para observar um inseto de 2,0 mm de comprimento, situado sobre uma superfície luminosa. O inseto é colocado a 4,0 cm da lupa. Determine:

a) o tipo de lente utilizada (convergente ou divergente), o aumento linear da lupa e o tamanho da imagem do inseto;

b) graficamente as características da imagem do inseto (natureza, tamanho, orientação) fornecida pela lupa.

Resposta TEF: Lente convergente; aumento +5; imagem de 10 mm, virtual e direita, a 20 cm da lente no lado do objeto.

Resolução comentada · Método TEF

A lupa é convergente e o objeto está entre a lente e o foco.

$$\frac1{p'}=\frac15-\frac14=-\frac1{20}$$

$$p'=-20\ \mathrm{cm}$$

$$A=-\frac{p'}p=5$$

$$h'=5(2)=10\ \mathrm{mm}$$

A imagem é virtual, direita e cinco vezes maior, do mesmo lado do inseto. No traçado, o raio paralelo emerge passando pelo foco oposto e o raio pelo centro não desvia; seus prolongamentos para trás se encontram em p′.

Diagrama de raios da lupa: objeto a 4 cm, foco de 5 cm e imagem virtual a 20 cm do mesmo lado, direita e cinco vezes maior.
Esboço da resolução · Método TEF
Q10
Movimento circular da Terra — Avião acompanhando o pôr do Sol

Um avião supersônico Concorde levanta vôo no final de tarde de um ponto sobre a linha do equador e viaja sempre para o oeste (do oriente para o ocidente). Os passageiros vêem inicialmente o pôr do Sol e após um curto período de tempo depois vêem o Sol nascendo à sua frente. Faça uma estimativa da velocidade mínima (em relação à velocidade do som) que o Concorde deve ter para que o fenômeno descrito acima possa ser observado. (dados: raio da Terra = 6.400 km e velocidade do som no ar = 340 m/s).

Resposta TEF: Rapidez para oeste superior a aproximadamente 444 m/s, ou 1,3 vez a velocidade do som.

Resolução comentada · Método TEF

No modelo que despreza a translação terrestre durante o voo, o avião precisa deslocar-se para oeste mais depressa do que o solo gira para leste no equador.

$$v_{eq}=\frac{2\pi R_T}{24\ \mathrm h}$$

$$v_{eq}=\frac{6(6{,}4\times10^6)}{86400}\approx444\ \mathrm{m/s}$$

$$\frac{v_{min}}{v_{som}}\approx\frac{444}{340}\approx1{,}31$$

Para ver o Sol voltar a subir, a rapidez deve superar esse limiar, aproximadamente Mach 1,3. A estimativa usa π = 3 como solicitado no caderno.

Q11
Órbita terrestre — Estimativa da massa do Sol

Sabendo-se que a distância Terra-Sol é de 1,5 × 10¹¹ m, faça uma estimativa da massa do Sol (dado: G= 6,7 × 10⁻¹¹ N m2 kg⁻²).

Resposta TEF: Aproximadamente 2 × 10³⁰ kg, usando um ano ≈ 3 × 10⁷ s.

Resolução comentada · Método TEF

A atração solar fornece a resultante centrípeta da órbita terrestre. Use a órbita circular e um ano de aproximadamente 3 × 10⁷ s.

$$\frac{GM_Sm}{r^2}=m\frac{4\pi^2r}{T^2}$$

$$M_S=\frac{4\pi^2r^3}{GT^2}$$

$$M_S=\frac{36(1{,}5\times10^{11})^3}{6{,}7\times10^{-11}(3\times10^7)^2}$$

$$M_S\approx2{,}0\times10^{30}\ \mathrm{kg}$$

A massa terrestre cancela; o dado temporal de um ano é necessário e está sendo explicitado.

Q12
Sombras — Fonte pontual e fonte extensa

Uma placa retangular de madeira tem dimensões 40 cm x 25 cm. Através de um fio que passa pelo ser baricentro, ela é presa ao teto de uma sala, permanecendo horizontalmente a 2,0 m do assoalho e a 1,0 m do teto. Bem junto ao fio no teto, há uma lâmpada cujo filamento tem dimensões desprezíveis. Qual a área projetada pela placa no assoalho, em metros quadrados? O que aconteceria com a área projetada no assoalho se lâmpada utilizada fosse uma lâmpada fluorescente de 40 cm de comprimento?

Resposta TEF: Fonte pontual: 0,90 m². Fonte extensa: surgem umbra e penumbra; áreas dependem da orientação da lâmpada.

Resolução comentada · Método TEF

A fonte está a 1 m da placa e a 3 m do chão. A projeção linear aumenta por três.

$$A_{placa}=0{,}40(0{,}25)=0{,}10\ \mathrm{m^2}$$

$$A_{sombra}=3^2(0{,}10)=0{,}90\ \mathrm{m^2}$$

Com a lâmpada extensa, cada ponto da fonte projeta uma sombra deslocada. A interseção gera umbra e a região parcialmente iluminada gera penumbra. Não há mais uma área única de sombra com borda nítida.

Por exemplo, uma fonte linear de 40 cm paralela ao lado de 40 cm desloca as projeções em um intervalo de 80 cm no chão. Nesse caso ideal, a umbra mede (1,20 − 0,80) × 0,75 = 0,30 m², e a união das sombras mede (1,20 + 0,80) × 0,75 = 1,50 m². Outra orientação muda esses valores.

Q13
Trabalho e aceleração — Tijolo impulsionado por uma pá

Um servente de pedreiro atira um tijolo, com uma pá, verticalmente para cima, para o colega que está em cima da construção. Inicialmente ele acelera o tijolo uniformemente de A até B, utilizando a pá; a partir de B, o tijolo se desprende da pá, e prossegue de B até C em lançamento vertical. Despreze a resistência do ar. Considerando como dados a aceleração da gravidade, g, a massa do tijolo, m, as distâncias, AB e BC, determine a aceleração do tijolo, a, durante o percurso AB e a força, N com a qual a pá impulsiona o tijolo.

Tijolo acelerado pela pá de A até B; depois sobe livremente de B até C.

Resposta TEF: Com repouso em A e C: a = g·BC/AB e N = mg(1 + BC/AB).

Resolução comentada · Método TEF

A resposta usual pressupõe que C seja o ponto mais alto alcançado. Se o tijolo chega ao colega ainda com velocidade, o enunciado precisa fornecer esse valor.

Adote a interpretação de que o tijolo parte do repouso em A e chega a C com velocidade nula. Seja d = AB e H = BC.

$$v_B^2=2gH$$

$$v_B^2=2ad$$

$$a=g\frac Hd$$

Durante o contato com a pá, a força normal supera o peso.

$$N-mg=ma$$

$$N=mg\left(1+\frac Hd\right)$$

Se a velocidade em C não for nula, acrescente vC²/(2d) à expressão de a. O texto não explicita essa velocidade terminal.

Q14
Órbita e escape — Impulso mínimo a partir de estação orbital

Uma estação espacial esta em órbita circular em relação à Terra (raio R) e a uma distância de R/2 de sua superfície.

a) Qual é a sua velocidade?

b) Qual deve ser a velocidade mínima com relação à própria estação que um foguete deve empregar para retirá-la da influência da gravidade da Terra.

Resposta TEF: a) √(2gR/3). b) Δv mínimo = (√2 − 1)√(2gR/3), aplicado no sentido do movimento orbital.

Resolução comentada · Método TEF

O raio orbital é a soma do raio da Terra com a altitude.

$$r=R+\frac R2=\frac{3R}{2}$$

$$v_{orb}=\sqrt{\frac{GM_T}{r}}=\sqrt{\frac{2gR}{3}}$$

A rapidez de escape nesse mesmo ponto é:

$$v_{esc}=\sqrt{\frac{2GM_T}{r}}=\sqrt2\,v_{orb}$$

O menor acréscimo instantâneo ocorre no sentido da velocidade orbital.

$$\Delta v_{min}=v_{esc}-v_{orb}$$

$$\Delta v_{min}=(\sqrt2-1)\sqrt{\frac{2gR}{3}}$$

O resultado pressupõe impulso tangencial prógrado e despreza outras atrações e perdas.

Q15
Expansão e escoamento — Resfriamento durante despressurização

Os pneus de bicicletas utilizadas em corridas são calibrados com pressões que chegam a 6 atm. Quando sua válvula é acionada rapidamente, deixando todo o ar escapar, observa-se a formação de gelo ao redor da parte metálica da válvula. Porque isto ocorre?

Resposta TEF: A descarga rápida resfria o gás e a válvula; a umidade presente pode condensar e congelar na superfície metálica.

Resolução comentada · Método TEF

A saída rápida de ar ocorre com pouca troca de calor com o ambiente. O escoamento transporta energia e o gás remanescente no pneu pode esfriar durante a despressurização. O gás frio em contato com a válvula retira calor do metal; a umidade pode condensar e congelar.

O efeito real também depende da expansão local e das propriedades do ar. Não basta afirmar que toda queda de pressão resfria um gás: no modelo de estrangulamento de um gás ideal, a temperatura não muda. O pneu é um reservatório que perde massa, e não um sistema fechado em expansão quase estática.

Q16
Biomecânica — Torque no cotovelo e força do bíceps

Uma mulher segura uma massa M através de um fio, ligado a uma polia, conforme a figura abaixo. O fio chega a sua mão na horizontal. Seu antebraço tem um comprimento de 24 cm, e seu bíceps (músculo) está preso ao antebraço a 3 cm do cotovelo.

a) faça uma estimativa da tensão T que atua no seu bíceps, considerando a geometria proposta na figura;

b) Faça um estudo do comportamento de como varia a força T na condição em que θ = φ.

Cotovelo como pivô; mão a 24 cm e inserção do bíceps a 3 cm. Antebraço faz φ com a vertical e bíceps faz θ do outro lado; fio na mão é horizontal e passa por polia até massa M.

Resposta TEF: T = 8Mg cosφ/sen(θ + φ). Se θ = φ, T = 4Mg/senφ no intervalo não degenerado.

Resolução comentada · Método TEF

Despreze o peso do antebraço e use a geometria da figura: o antebraço faz ângulo φ com a vertical e o bíceps faz θ com a vertical do lado oposto. O fio horizontal exerce força Mg na mão.

$$T(0{,}03)\sin(\theta+\varphi)=Mg(0{,}24)\cos\varphi$$

$$T=\frac{8Mg\cos\varphi}{\sin(\theta+\varphi)}$$

Para θ = φ:

$$T=\frac{8Mg\cos\varphi}{2\sin\varphi\cos\varphi}=\frac{4Mg}{\sin\varphi}$$

No intervalo 0 < φ < 90°, a força diminui quando φ aumenta; diverge quando φ tende a zero e tende formalmente a 4Mg quando φ se aproxima de 90°. Na configuração exatamente horizontal, os torques se anulam e o equilíbrio de momentos sozinho não determina T. Sem valores dos ângulos, não há estimativa numérica única.

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