OBF 2005

3ª fase · 1ª e 2ª séries

Olimpíada Brasileira de Física · 20 questões discursivas · arquivo histórico.

Q01
Força média — Cronômetros com diferença de horário

Ao longo de uma estrada retilínea existem dois observadores, A e B, providos de cronômetros. Um corpo móvel passa pelo observador A no instante 10 h 30 m 40 s com velocidade v = 36 km/h, e pelo observador B no instante 10 h 42 m e 22 s com velocidade 108 km/h. Sabendo-se que o cronômetro do observador B encontra-se adiantado de 3 min e 22 s em relação ao cronômetro do observador A, determine a força média resultante que atuou sobre o corpo móvel se este possui massa igual a 2 × 10⁷ g.

Resposta TEF: 800 N, no sentido do aumento da velocidade.

Resolução comentada · Método TEF

Primeiro corrija o adiantamento do cronômetro de B.

$$t_B=10\mathrm h42\mathrm{min}22\mathrm s-3\mathrm{min}22\mathrm s=10\mathrm h39\mathrm{min}$$

$$\Delta t=8\mathrm{min}20\mathrm s=500\ \mathrm s$$

Converta a massa e as velocidades antes de calcular o impulso por unidade de tempo.

$$m=2\times10^7\ \mathrm g=2\times10^4\ \mathrm{kg}$$

$$v_A=10\ \mathrm{m/s}$$

$$v_B=30\ \mathrm{m/s}$$

$$F_m=m\frac{v_B-v_A}{\Delta t}=20000\frac{20}{500}=800\ \mathrm N$$

A força é a média no intervalo, sem exigir aceleração constante em cada instante.

Q02
Velocidade por trechos — Atraso em viagem aérea

Um avião parte de uma cidade A para outra cidade B, mantendo a velocidade constante igual a 250 km/h. Ao alcançar metade do caminho é forçado a diminuir a velocidade, mantendo-a constante em 200 km/h; conseqüentemente, chega ao destino com 15 minutos de atraso. Considerando que o tempo de mudança de velocidade é desprezível, qual a distância entre as cidades A e B?

Resposta TEF: 500 km.

Resolução comentada · Método TEF

Se D é a distância total, só a segunda metade do percurso gera atraso em relação ao plano de voar todo o caminho a 250 km/h.

$$\frac{D/2}{200}-\frac{D/2}{250}=\frac{15}{60}$$

$$\frac D2\left(\frac1{200}-\frac1{250}\right)=\frac14$$

$$D=500\ \mathrm{km}$$

O tempo efetivo é 2 h 15 min, contra 2 h do plano inicial.

Q03
Movimento de barco — Travessia perpendicular à corrente
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Uma lancha navegando em um rio tem, em relação às margens, uma velocidade de 11 m/s quando desce, e de 9 m/s quando sobe esse rio. Considere que a velocidade da lancha em relação à água é sempre a mesma. Sabendo que a largura do rio é de 50 m e que a lancha é mantida perpendicular à direção da corrente, em quanto tempo será feita a travessia de margem à margem?

Resposta TEF: 5 s.

Resolução comentada · Método TEF

Some as velocidades de descida e subida para eliminar a corrente.

$$v_{lancha/agua}=\frac{11+9}{2}=10\ \mathrm{m/s}$$

$$v_{corrente}=\frac{11-9}{2}=1\ \mathrm{m/s}$$

Com a proa perpendicular às margens, a componente transversal é 10 m/s.

$$t=\frac{50}{10}=5\ \mathrm s$$

A corrente provoca deriva de 5 m, mas não altera o tempo necessário para cruzar a largura nessa orientação.

Q04
Forças opostas — Tração inferida pela fase de frenagem
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Sobre um corpo de massa 100 kg, inicialmente em repouso, atuam duas forças na direção do movimento, mas de sentidos opostos, dando como resultante o valor 500 N. Considerando que elas atuam juntas durante 10 s e que após esse tempo apenas a força retardadora atua levando o corpo a parar após 5 s, qual o valor da força que estava atuando sobre o corpo no sentido do movimento?

Resposta TEF: 1500 N.

Resolução comentada · Método TEF

Na primeira fase, a força resultante de 500 N acelera a massa de 100 kg.

$$a_1=\frac{500}{100}=5\ \mathrm{m/s^2}$$

$$v=5(10)=50\ \mathrm{m/s}$$

A força retardadora sozinha leva essa velocidade a zero em 5 s.

$$f=100\frac{50}{5}=1000\ \mathrm N$$

Na fase inicial, a força propulsora vence essa resistência e ainda produz 500 N de resultante.

$$F-f=500$$

$$F=1500\ \mathrm N$$

O cálculo pressupõe os valores constantes de força indicados pelo modelo do problema.

Q05
Atrito estático e rotação — Garoto em disco horizontal

Um garoto de massa m está sentado sobre um disco horizontal que gira com velocidade constante em torno do eixo. Sabendo que o garoto encontra-se a 3,0 m do centro do disco e que o coeficiente de atrito entre ele e o disco é 0,3, determine a maior velocidade angular do disco capaz de manter o garoto sentado nessa mesma posição

Resposta TEF: 1 rad/s.

Resolução comentada · Método TEF

O atrito estático fornece a força centrípeta necessária para o garoto girar sem escorregar.

$$m\omega^2r\leq\mu mg$$

$$\omega_{max}=\sqrt{\frac{\mu g}{r}}$$

$$\omega_{max}=\sqrt{\frac{0{,}3(10)}3}=1\ \mathrm{rad/s}$$

A massa cancela. O valor µmg é o máximo disponível, não uma força que atua sempre com esse módulo.

Q06
Força aplicada e resistência — Trabalho em deslocamento acelerado

Um sólido de massa m = 100 kg desliza sobre um plano horizontal sob a ação de uma força constante paralela ao plano. O coeficiente de atrito entre o móvel e o plano é 0,10. O corpo passa por um ponto A com velocidade 2,0 m/s e, após o intervalo de 10 s, passa por um ponto B com a velocidade de 22,0 m/s.

a) Qual o módulo da força?

b) Qual o trabalho realizado pela força durante o deslocamento de A para B?

Resposta TEF: a) 300 N. b) 3,6 × 10⁴ J.

Resolução comentada · Método TEF

A aceleração é a variação de velocidade por unidade de tempo.

$$a=\frac{22-2}{10}=2\ \mathrm{m/s^2}$$

$$f=0{,}10(100)(10)=100\ \mathrm N$$

$$F-f=ma$$

$$F=300\ \mathrm N$$

O deslocamento é obtido pela velocidade média do movimento uniformemente acelerado.

$$\Delta x=\frac{2+22}{2}(10)=120\ \mathrm m$$

$$W_F=300(120)=36000\ \mathrm J$$

O trabalho resultante seria 24000 J; a diferença é dissipada pelo atrito.

Q07
Potência mecânica — Ciclista em velocidade constante

A soma das massas de um ciclista e de sua bicicleta é de 98 kg. As diversas forças retardadoras do movimento possuem um efeito médio de uma força atuando na direção do movimento e em sentido contrário, de intensidade igual a 10 N, independentemente da velocidade. Sabendo que a pista é horizontal e o ciclista desloca-se com uma velocidade constante de 18 km/h, determine:

a) A força de tração que ele exerce;

b) A potência desenvolvida por ele.

Resposta TEF: a) 10 N. b) 50 W.

Resolução comentada · Método TEF

Velocidade constante implica resultante horizontal nula. A tração equilibra a resistência média de 10 N.

$$F_{tracao}=10\ \mathrm N$$

$$v=\frac{18}{3{,}6}=5\ \mathrm{m/s}$$

$$P=Fv=10(5)=50\ \mathrm W$$

A massa não entra no resultado porque não há aceleração nem ganho de altura nesse trecho.

Q08
Colisão inelástica — Bala encravada em bloco

Uma bala, de massa 10 g, atinge e se encrava em um bloco de chumbo de massa igual a 990 g que se encontra em repouso sobre uma superfície sem atrito. Após a penetração da bala no bloco, este se move com velocidade constante igual a 2 m/s. Qual era a velocidade da bala antes de penetrar no bloco?

Resposta TEF: 200 m/s.

Resolução comentada · Método TEF

Durante o impacto, despreze impulso externo horizontal. A bala permanece dentro do bloco e ambos passam a ter a mesma velocidade.

$$0{,}010v=(0{,}010+0{,}990)(2)$$

$$v=200\ \mathrm{m/s}$$

A energia cinética não se conserva: parte é convertida em deformação, aquecimento e outras formas durante a penetração.

Q09
Gráfico força-deslocamento — Velocidade depois de força variável

Sobre um corpo de massa 1 kg, inicialmente em repouso, atua uma força que varia conforme o gráfico abaixo. Qual a velocidade do corpo na posição d = 12 m?

Força por posição: 5 N de 0 a 4 m; crescimento linear até 10 N em 8 m; queda a zero e força nula até 12 m.

Resposta TEF: 10 m/s.

Resolução comentada · Método TEF

O trabalho é a área sob F × d. Há um retângulo de 0 a 4 m, um trapézio de 4 a 8 m e força nula de 8 a 12 m.

$$W_1=5(4)=20\ \mathrm J$$

$$W_2=\frac{5+10}{2}(4)=30\ \mathrm J$$

$$W=50\ \mathrm J$$

$$\frac12(1)v^2=50$$

$$v=10\ \mathrm{m/s}$$

Nos últimos quatro metros, a velocidade permanece constante porque não há trabalho adicional dessa força.

Q10
Colunas em tubo U — Densidade com superfícies livres alinhadas
Exclusiva da 1ª série no caderno original

Um tubo em U contém inicialmente mercúrio de densidade igual a 13,6 g/cm³. Derrama-se, em um dos ramos, álcool de densidade 0,8 g/cm³ e no outro uma substância líquida desconhecida. As alturas dos líquidos em cada ramo, em relação ao nível de mercúrio, são, respectivamente, 80 e 81 cm, mantendo a parte superior dos níveis dos líquidos a uma mesma altura. Qual a densidade da substância desconhecida?

Resposta TEF: Aproximadamente 0,958 g/cm³.

Resolução comentada · Método TEF

A coluna de álcool mede 80 cm e a desconhecida 81 cm. Como as superfícies livres têm a mesma altura, a interface do líquido desconhecido com o mercúrio fica 1 cm mais baixa.

$$\rho_xg(81)=0{,}8g(80)+13{,}6g(1)$$

$$\rho_x=\frac{64+13{,}6}{81}\approx0{,}958\ \mathrm{g/cm^3}$$

As alturas podem ser mantidas em centímetros porque o mesmo fator de conversão aparece em todos os termos. O líquido desconhecido é mais denso que o álcool, mas menos que o mercúrio.

Q11
Esferas unidas por fio — Densidades antes e depois do corte

Duas bolas maciças, feitas de materiais diferentes, são unidas por um fio de massa desprezível e colocadas dentro de um recipiente com água. A bola 1 fica com 80% de seu volume submerso, enquanto a bola 2 fica completamente submersa, não tocando no fundo do recipiente. Cortandose o fio, a bola 1 fica com 30% de seu volume submerso e a bola 2 vai para o fundo. Sabendo que o volume da bola 1 é o dobro do volume da bola 2, determine as densidades de ambas as bolas expressando os resultados em função da densidade da da água.

Esferas ligadas por fio: a superior inicialmente com 80% imerso e inferior totalmente submersa; depois do corte a superior fica com 30% imerso e a inferior afunda.

Resposta TEF: ρ₁ = 0,30ρa e ρ₂ = 2ρa.

Resolução comentada · Método TEF

Depois do corte, a esfera 1 flutua sozinha com 30% do volume imerso.

$$\rho_1=0{,}30\rho_a$$

Antes do corte, o empuxo de 80% do volume precisa sustentar seu peso e a tração para baixo.

$$T=(0{,}80-0{,}30)\rho_aV_1g$$

$$T=0{,}50\rho_aV_1g$$

Na esfera 2, a tração compensa a diferença entre peso e empuxo.

$$(\rho_2-\rho_a)V_2g=T$$

Como V₁ = 2V₂:

$$\rho_2=\rho_a+0{,}50\rho_a\frac{V_1}{V_2}=2\rho_a$$

O fio não muda a densidade dos corpos; apenas transmite a força adicional.

Q12
Dilatação do instrumento — Leitura por régua quente e fria

A medida de uma barra retilínea é de 100,00 m quando feita por uma régua de latão em um local cuja temperatura é de 0 °C. Quando a medida é realizada em um local cuja temperatura é de 50 °C, o valor lido é 100,10 m. Qual será a leitura do comprimento da barra a 50 °C, medida pela mesma régua se esta permanecer a 0 °C? Considere que o coeficiente de dilatação linear do latão vale 2,0 × 10⁻⁵ °C⁻¹.

Resposta TEF: Aproximadamente 100,20 m.

Resolução comentada · Método TEF

A 50 °C, cada unidade da régua de latão é maior por um fator 1 + αΔT. Portanto a leitura 100,10 na régua quente corresponde a:

$$L=100{,}10[1+(2\times10^{-5})(50)]$$

$$L=100{,}2001\ \mathrm m$$

Uma régua mantida a 0 °C leria aproximadamente 100,20 m. O pequeno termo adicional de 0,0001 m fica abaixo da precisão das leituras fornecidas.

Q13
Mistura de água e gelo frio — Massa líquida no equilíbrio
Exclusiva da 1ª série no caderno original

No interior de um vaso adiabático colocamos 400 g de água a 20°C e 160 g de gelo a –10°C. Qual a massa de água que existirá no equilíbrio térmico?

Resposta TEF: 490 g de água líquida, a 0 °C.

Resolução comentada · Método TEF

A água fornece calor ao resfriar até 0 °C. Primeiro é preciso aquecer o gelo de −10 °C a 0 °C.

$$Q_{agua}=400(1)(20)=8000\ \mathrm{cal}$$

$$Q_{aquec,gelo}=160(0{,}5)(10)=800\ \mathrm{cal}$$

Restam 7200 cal para a fusão.

$$m_{fundida}=\frac{8000-800}{80}=90\ \mathrm g$$

$$m_{agua,final}=400+90=490\ \mathrm g$$

Ainda restam 70 g de gelo, portanto a temperatura final é 0 °C.

Q14
Condução térmica — Fusão de gelo em caixa de isopor

Uma caixa de isopor cúbica, cujo interior tem aresta de 50 cm, tem paredes de 1 cm de espessura e está completamente preenchida com água e com 10 kg de gelo, a 0 °C. Se a caixa permanecer durante 5 horas em um local cuja temperatura é 40 °C, que quantidade de gelo será derretida? Considere que a diferença de temperatura entre o exterior e o interior da caixa permaneça constante durante esse tempo e que a condutividade térmica do isopor é k = 0,01 W/(m. °C).

Resposta TEF: Aproximadamente 3,23 kg de gelo.

Resolução comentada · Método TEF

Na aproximação de paredes finas, use a área das seis faces internas da caixa.

$$A=6(0{,}50)^2=1{,}5\ \mathrm{m^2}$$

$$P=\frac{kA\Delta T}{e}=\frac{0{,}01(1{,}5)(40)}{0{,}01}=60\ \mathrm W$$

$$Q=P\Delta t=60(5\times3600)=1{,}08\times10^6\ \mathrm J$$

$$m_{fundida}=\frac{1{,}08\times10^6}{3{,}34\times10^5}\approx3{,}23\ \mathrm{kg}$$

A massa é menor que os 10 kg iniciais; assim ainda há gelo para manter o interior a 0 °C, coerente com a hipótese do enunciado.

Q15
Isotermas e calor — Temperaturas trocadas no diagrama

Para a resolução do problema a seguir considere as seguintes afirmações:

A energia interna U de um gás ideal depende apenas de sua temperatura T.

Para um gás ideal, o trabalho realizado (ou recebido), em uma expansão (ou contração) isotérmica, ao passar de um volume Vi para Vf é dado por Wif = 2,3nRT log₁₀(Vf/Vi), onde n é o número de moles e R é a constante dos gases ideais.

O diagrama PV a seguir mostra duas isotermas à temperatura T₁ = 600 K e T₂ = 300 K. Se há uma expansão isotérmica entre A e B, o calor trocado é QAB. Se o gás sofre uma contração isotérmica entre C e D, o calor trocado é QCD. Calcule a razão QAB/QCD, explicitando se em cada processo o calor é fornecido ao gás ou retirado do mesmo.

Diagrama PV: AB está na isoterma superior rotulada T₂ e vai de V₁ a V₂; CD está na inferior T₁ e volta de V₂ a V₁. O texto fornece T₁ = 600 K e T₂ = 300 K, incompatíveis com essa ordem.

Resposta TEF: Pelos rótulos e valores publicados: QAB/QCD = −1/2; calor entra em AB e sai em CD. Os dados do diagrama são incompatíveis.

Resolução comentada · Método TEF

O comentário oficial reconhece as temperaturas trocadas e aceita −1/2 quando usados os dados publicados. A inconsistência é mantida explícita.

Em uma transformação isotérmica de gás ideal, a energia interna não varia e Q = W. O trecho AB está desenhado na isoterma T₂; o trecho CD está na isoterma T₁.

$$Q_{AB}=nRT_2\ln\frac{V_2}{V_1}>0$$

$$Q_{CD}=nRT_1\ln\frac{V_1}{V_2}<0$$

$$\frac{Q_{AB}}{Q_{CD}}=-\frac{T_2}{T_1}$$

Usando literalmente os rótulos e os valores do enunciado:

$$\frac{Q_{AB}}{Q_{CD}}=-\frac{300}{600}=-\frac12$$

Há um conflito: a isoterma superior, T₂ no desenho, deve ter temperatura maior que a inferior para o mesmo gás. O comentário oficial reconhece esse erro e aceita o cálculo literal. Trocar as temperaturas numéricas para tornar o diagrama coerente daria razão −2, mas isso é uma correção condicional, não os dados originais.

Q16
Ângulos críticos em duas interfaces — Vidro semicircular e placa plástica
Exclusiva da 1ª série no caderno original

A figura abaixo mostra um cilindro de vidro, de seção reta semicircular e índice de refração nv. Colado a esse cilindro existe uma placa de plástico, de seção reta retangular e índice de refração np. Considere um feixe de luz incidindo na direção do centro de curvatura O do vidro, formando um ângulo θ com a normal à placa de plástico. Se θ = 30° o feixe emergente tangencia a superfície AB. Contudo, se θ = 60° o feixe emerge tangenciando a superfície CD. Determine nv e np.

Semicírculo de vidro abaixo da placa plástica retangular. CD é a interface vidro-plástico; AB a face externa superior. Luz entra radialmente no vidro, formando θ com a normal em O.

Resposta TEF: nv = 2 e np = √3.

Resolução comentada · Método TEF

O raio entra pelo vidro na direção do centro de curvatura, sem desvio. Na interface vidro-plástico:

$$n_v\sin\theta=n_p\sin\theta_1$$

Na face externa AB, paralela a CD, a refração para o ar fornece np senθ₁ = senθ₂. Para θ = 30°, a saída é rasante.

$$n_v\sin30^\circ=1$$

$$n_v=2$$

Para θ = 60°, o raio tangencia a interface CD, de modo que θ₁ = 90°.

$$n_p=n_v\sin60^\circ=\sqrt3$$

As duas condições rasantes ocorrem em interfaces diferentes e determinam índices distintos.

Q17
Lentes em contato — Altura da imagem do dubleto

Um sistema é formado por duas lentes finas coladas, sendo uma bicôncava, de índice de refração 1,5 e raios de curvatura 20 cm e 1 m, a outra plano-convexa de índice de refração igual a 1,7 e raio de curvatura 20 cm. Calcular a altura da imagem de um objeto de 10 cm de altura situado a 40 cm do conjunto de lentes.

Resposta TEF: 12,5 cm; imagem virtual e direita.

Resolução comentada · Método TEF

Some as vergências das lentes delgadas em contato, usando os raios em metros.

$$C_1=-(1{,}5-1)\left(\frac1{0{,}20}+\frac11\right)=-3\ \mathrm D$$

$$C_2=(1{,}7-1)\frac1{0{,}20}=3{,}5\ \mathrm D$$

$$C=C_1+C_2=0{,}5\ \mathrm D$$

$$f=2\ \mathrm m$$

Para o objeto a 0,40 m:

$$\frac1{p'}=\frac12-\frac1{0{,}40}=-2$$

$$p'=-0{,}50\ \mathrm m$$

$$A=-\frac{-0{,}50}{0{,}40}=1{,}25$$

$$h'=1{,}25(10)=12{,}5\ \mathrm{cm}$$

A imagem é virtual e direita. As vergências somam; as distâncias focais não.

Q18
Lente imersa em água — Mudança do índice relativo

A distância focal de certa lente de vidro tem um valor igual a 10 cm, quando a lente está imersa no ar. Qual a distância focal desta lente, quando imersa na água? Os índices de refração da água e do vidro são, respectivamente, 4/3 e 3/2.

Resposta TEF: 40 cm.

Resolução comentada · Método TEF

A forma da lente não muda. Pela equação do fabricante, sua vergência é proporcional a nvidro/nmeio − 1.

$$\frac{C_{agua}}{C_{ar}}=\frac{(3/2)/(4/3)-1}{3/2-1}$$

$$\frac{C_{agua}}{C_{ar}}=\frac{1/8}{1/2}=\frac14$$

A distância focal, inversa da vergência, quadruplica.

$$f_{agua}=4(10)=40\ \mathrm{cm}$$

A lente continua convergente, mas com menor contraste de índices entre vidro e meio externo.

Q19
Espelhos frente a frente — Imagens de mesmo tamanho

Dois espelhos esféricos, um côncavo e outro convexo, de mesma distância focal igual a 36 cm são colocados um em frente ao outro, com seus vértices separados por uma distância de 2,0 m e com seus eixos principais coincidentes. A que distância do espelho côncavo e sobre o eixo principal deve ser colocado um objeto para que a primeira imagem formada pelo espelho convexo tenha o mesmo tamanho da primeira imagem formada pelo espelho côncavo?

Resposta TEF: 136 cm do espelho côncavo, entre os espelhos.

Resolução comentada · Método TEF

Considere o objeto entre os espelhos, a uma distância p do côncavo e 200 − p do convexo, em centímetros. As distâncias focais são +36 e −36 cm.

$$|A_{cc}|=\frac{36}{|p-36|}$$

$$A_{cv}=\frac{36}{236-p}$$

O convexo sempre reduz um objeto real. Logo o côncavo também precisa formar imagem reduzida, o que exige p > 72 cm e permite retirar o módulo como p − 36.

$$\frac{36}{p-36}=\frac{36}{236-p}$$

$$p-36=236-p$$

$$p=136\ \mathrm{cm}$$

As imagens têm o mesmo módulo de altura, mas a do côncavo é invertida e a do convexo é direita.

Q20
Aberração cromática — Manchas no foco da luz amarela

Uma lente convergente de diâmetro 2 L é construída com diamante, cujo índice de refração varia com o comprimento de onda da luz incidente. Para a luz violeta o índice de refração é 2,50, para o amarelo é 2,43 e para o vermelho é de 2,40. Suponha que um feixe de luz paralela, constituída por apenas estas três cores, incida sobre esta lente cobrindo-a completamente e que um anteparo seja colocado perpendicularmente ao eixo ótico da lente, no ponto focal determinado usando a luz amarela. Calcule a razão entre os raios das manchas vermelha e violeta formadas no anteparo.

Resposta TEF: 3/7.

Resolução comentada · Método TEF

Para a mesma lente, a vergência é proporcional a n − 1. No plano do foco amarelo, a semelhança dos cones de raios dá os raios das manchas.

$$r_{vm}=L\left(1-\frac{f_{am}}{f_{vm}}\right)$$

$$r_{vi}=L\left(\frac{f_{am}}{f_{vi}}-1\right)$$

Como fam/fcor = (ncor − 1)/(nam − 1):

$$\frac{r_{vm}}{r_{vi}}=\frac{n_{am}-n_{vm}}{n_{vi}-n_{am}}$$

$$\frac{r_{vm}}{r_{vi}}=\frac{2{,}43-2{,}40}{2{,}50-2{,}43}=\frac37$$

O vermelho ainda está convergindo nesse plano; o violeta já passou pelo próprio foco e está divergindo.

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