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UFAM PSC 2025 | 2ª Etapa — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal do Amazonas

Processo Seletivo Contínuo — PSC 2025 · 2ª Etapa · Prova de Conhecimentos Gerais · Prova de Física (Q41-46) — resolução comentada Método TEF.

Q41
Termologia — Termodinâmica — Ciclos Termodinâmicos

O gráfico abaixo representa o diagrama $P\times V$ (Pressão em função do Volume) de uma máquina térmica contendo um gás ideal retido em um recipiente sem vazamentos e contendo um êmbolo que pode se mover livremente sem atrito.

Diagrama P versus V com três pontos: A (V = 2,0 e P = 1,0), B (V = 2,0 e P = 4,0) e C (V = 4,0 e P = 1,0), com P em 10 elevado a 4 pascal e V em 10 elevado a menos 2 metros cúbicos. O ciclo vai de A para B na vertical, de B para C em reta inclinada e de C para A na horizontal

Baseado nas informações contidas nesse gráfico, marque a alternativa CORRETA:

(A)A transformação térmica indicada no trecho BC é isotérmica.
(B)Na transformação térmica indicada no trecho AB a máquina cede calor para o ambiente.
(C)O trabalho total realizado pela máquina térmica em um ciclo completo é de $+300\text{ J}$.
(D)A variação de energia interna total da máquina térmica em um ciclo completo é positiva.
(E)O trabalho realizado pela máquina térmica no trecho AB é de $+6\text{ J}$.

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C
Resolução comentada

Lendo o gráfico (com $P$ em $10^{4}\text{ Pa}$ e $V$ em $10^{-2}\text{ m}^3$): A $(2{,}0;\,1{,}0)$, B $(2{,}0;\,4{,}0)$ e C $(4{,}0;\,1{,}0)$. O ciclo é A → B → C → A.

(A) Falsa. Em uma isoterma o produto $PV$ é constante. Em B, $PV = 4\times10^{4}\times2\times10^{-2} = 800\text{ J}$; em C, $PV = 1\times10^{4}\times4\times10^{-2} = 400\text{ J}$. Como são diferentes, BC não é isotérmica.

(B) Falsa. AB é vertical: o volume é constante (isocórica) e a pressão aumenta, logo a temperatura aumenta. Com $W = 0$, a primeira lei dá $Q = \Delta U \gt 0$: o gás recebe calor, não cede.

(C) Verdadeira. O trabalho no ciclo é a área do triângulo ABC. A base é $\Delta V = (4{,}0 - 2{,}0)\times10^{-2} = 2{,}0\times10^{-2}\text{ m}^3$ e a altura é $\Delta P = (4{,}0 - 1{,}0)\times10^{4} = 3{,}0\times10^{4}\text{ Pa}$:

\[|W| = \frac{1}{2}\,\Delta V\,\Delta P = \frac{1}{2}\times2{,}0\times10^{-2}\times3{,}0\times10^{4} = 300\text{ J}\]

Para saber o sinal, vemos o sentido: A (embaixo, à esquerda) sobe até B, desce em diagonal até C e volta à esquerda por CA. O percurso é horário, e o ciclo horário realiza trabalho positivo: $W = +300\text{ J}$.

(D) Falsa. A energia interna é função de estado: ao completar o ciclo, o gás volta ao estado inicial e $\Delta U_{ciclo} = 0$.

(E) Falsa. Em AB o volume não varia, então o trabalho é nulo: $W_{AB} = 0$.

Q42
Eletricidade — Eletrostática — Indução Eletrostática

Uma esfera metálica maciça é carregada eletrostaticamente com carga positiva. Uma segunda esfera eletricamente neutra e idêntica à primeira é colocada próxima à primeira, mas sem se tocarem. Posteriormente, um fio condutor é ligado ao lado oposto da segunda esfera e aterrado no solo, conforme indicado na figura abaixo.

Duas esferas metálicas lado a lado: a da esquerda com sinais positivos distribuídos; a da direita sem cargas, com um fio ligado ao seu lado direito e aterrado

Após o conjunto adquirir o equilíbrio eletrostático, o fio condutor de aterramento é finalmente cortado e as esferas são posteriormente afastadas uma da outra a uma distância muito grande.
Considerando a situação descrita acima, indique a alternativa que mostra a CORRETA distribuição de cargas nas duas esferas após serem afastadas:

(A)
Alternativa A: esfera da esquerda com cargas positivas distribuídas; esfera da direita sem cargas
(B)
Alternativa B: as duas esferas com cargas positivas distribuídas
(C)
Alternativa C: esfera da esquerda com cargas positivas; esfera da direita com cargas negativas e positivas misturadas
(D)
Alternativa D: esfera da esquerda com cargas positivas; esfera da direita com cargas positivas e negativas em lados opostos
(E)
Alternativa E: esfera da esquerda com cargas positivas; esfera da direita com cargas negativas distribuídas

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E
Resolução comentada

Vamos acompanhar a sequência de eventos com atenção à ordem.

1) Indução com a esfera aterrada. A esfera A tem carga positiva e atrai os elétrons da esfera B. Como B está ligada à terra por um fio condutor, elétrons sobem do solo e se acumulam em B, atraídos por A. No equilíbrio, B tem excesso de elétrons: está carregada negativamente (a carga fica concentrada no lado mais próximo de A, e a terra fornece o que faltar).

2) Corte do fio. Com o fio cortado, B fica isolada, mas mantém o excesso de elétrons que a terra lhe forneceu. A carga total de B é negativa.

3) Afastamento. Quando as esferas ficam muito distantes, a influência de A desaparece e os elétrons em excesso em B se redistribuem de modo uniforme pela superfície (as cargas de mesmo sinal se repelem). A esfera A continua positiva, com carga distribuída uniformemente.

Resultado final: A positiva, com cargas distribuídas, e B negativa, também com cargas distribuídas. É o que mostra a alternativa em que a esfera da esquerda tem sinais “+” e a da direita tem sinais “−” espalhados de modo uniforme.

As demais figuras mostram uma esfera B neutra (aterramento ignorado), positiva (sinal trocado) ou ainda polarizada, com cargas dos dois sinais (como se as esferas ainda estivessem próximas).

Q43
Ondulatória — Acústica — Qualidades do Som

Ondas sonoras são ondas mecânicas longitudinais produzidas por deformações provocadas pela diferença de pressão em um meio elástico. Em relação a esse tipo de perturbação, é CORRETO afirmar que:

(A)ondas sonoras de mesma frequência podem ter timbres diferentes.
(B)quando uma onda sonora é emitida no ar e passa a propagar-se na água, ela tem sua frequência diminuída.
(C)na refração de ondas sonoras não ocorre mudança do comprimento de onda.
(D)ondas sonoras propagam-se mais rapidamente no vácuo do que na matéria.
(E)quanto maior a frequência de uma onda sonora, mais grave é o som produzido.

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A
Resolução comentada

(A) Verdadeira. O timbre depende da forma da onda, isto é, do conjunto de harmônicos que acompanha a frequência fundamental. Um violino e um piano tocando a mesma nota (mesma frequência) têm timbres diferentes.

(B) Falsa. Na passagem de um meio para outro, a frequência é determinada pela fonte e não muda. O que muda são a velocidade e o comprimento de onda.

(C) Falsa. Como a frequência se conserva e a velocidade muda na refração, a relação $v = \lambda f$ mostra que o comprimento de onda também muda.

(D) Falsa. O som é uma onda mecânica e precisa de um meio material; no vácuo, ele não se propaga.

(E) Falsa. Quanto maior a frequência, mais agudo é o som. Os sons graves têm baixa frequência.

Q44
Termologia — Calorimetria — Trocas de Calor

Para responder a esta questão, use os seguintes dados:

Calor específico da água $= 1{,}0\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$, calor específico do metal $= 0{,}1\text{ cal/g}\cdot{}^\circ\text{C}$.

Um bloco metálico de $100\text{ g}$ é retirado de um forno e imediatamente mergulhado em um recipiente que contém $20\text{ g}$ de água. A temperatura da água varia de $25^\circ\text{C}$ para $60^\circ\text{C}$, após o conjunto (água + bloco metálico) atingir o equilíbrio térmico. Considerando-se que não houve perdas de calor para o ambiente durante o processo, marque a alternativa que CORRETAMENTE indica a temperatura do forno:

(A)$10^\circ\text{C}$
(B)$130^\circ\text{C}$
(C)$85^\circ\text{C}$
(D)$35^\circ\text{C}$
(E)$230^\circ\text{C}$

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B
Resolução comentada

Como não há perdas, o calor cedido pelo bloco é inteiramente absorvido pela água. O equilíbrio ocorre a $60^\circ\text{C}$ (temperatura final do bloco e da água).

Calor absorvido pela água (de $25^\circ\text{C}$ a $60^\circ\text{C}$):

\[Q_{água} = m_a\,c_a\,\Delta T = 20\times1{,}0\times(60 - 25) = 700\text{ cal}\]

Calor cedido pelo bloco (de $T_f$, a temperatura do forno, até $60^\circ\text{C}$):

\[Q_{bloco} = m_b\,c_b\,(T_f - 60) = 100\times0{,}1\times(T_f - 60) = 10\,(T_f - 60)\]

Igualando as trocas ($Q_{bloco} = Q_{água}$):

\[10\,(T_f - 60) = 700 \implies T_f - 60 = 70\]

\[T_f = 130^\circ\text{C}\]

Q45
Física Moderna — Quântica — Efeito Fotoelétrico

Em 1905, Einstein propôs uma teoria simples e revolucionária para explicar o efeito fotoelétrico: a luz é constituída por partículas sem massa, chamadas de fótons. Sua explicação para o fenômeno confirmou o modelo de Plank para a quantização da energia da radiação. O efeito fotoelétrico ocorre quando elétrons são arrancados de um metal exposto a uma radiação eletromagnética com uma frequência maior ou igual a uma frequência mínima, que é característica de cada metal. Sobre o efeito fotoelétrico, é CORRETO afirmar que:

(A)a interação da luz com os elétrons pode ser interpretada como uma colisão entre os fótons e os elétrons. Assim, quanto maior a energia dos fótons, maior é a energia cinética dos elétrons ejetados.
(B)no átomo, os elétrons são mantidos em suas órbitas por forças de repulsão. Assim, fótons incidentes de qualquer energia conseguem extrair esses elétrons.
(C)com a incidência de radiação eletromagnética de cor vermelha, que é mais energética que a ultravioleta, elétrons mais próximos ao núcleo podem ser ejetados.
(D)quando se aumenta a intensidade de luz incidente sobre o material, elétrons mais próximos ao núcleo do átomo podem ser extraídos.
(E)Quanto maior a intensidade da luz incidente, maior é a velocidade dos elétrons emitidos.

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A
Resolução comentada

A explicação de Einstein é resumida pela equação do efeito fotoelétrico:

\[E_c = hf - \phi\]

em que $hf$ é a energia de cada fóton e $\phi$ é a função trabalho do metal. Cada fóton cede toda a sua energia a um elétron, como numa colisão.

(A) Verdadeira. Interação fóton–elétron como colisão: quanto maior $hf$, maior é a energia cinética $E_c$ do elétron ejetado.

(B) Falsa. Os elétrons são mantidos no átomo por forças de atração do núcleo, e só fótons com energia suficiente ($hf \geq \phi$) conseguem arrancá-los.

(C) Falsa. A luz vermelha é menos energética que a ultravioleta (menor frequência).

(D) Falsa. Aumentar a intensidade apenas aumenta o número de fótons por segundo, não a energia de cada um. Se a frequência é insuficiente, nenhum elétron é ejetado, por mais intensa que seja a luz.

(E) Falsa. A intensidade controla a quantidade de elétrons emitidos, não a velocidade deles; esta depende da frequência da luz.

Q46
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Corrente Induzida

Muitos dispositivos elétricos tais como cartões magnéticos, sensores, tags por aproximação (RFID), fogões de indução, entre muitos outros, usam o conceito da corrente induzida como princípio fundamental de seu funcionamento. A figura abaixo representa três posições, P1, P2 e P3, de um anel condutor que se desloca com velocidade $\vec{v}$ constante numa região limitada no espaço (definida pela linha pontilhada) em que há um campo magnético $\vec{B}$, perpendicular ao plano da página. O campo magnético é nulo fora dessa região.

Região retangular pontilhada com campo magnético B entrando na página (símbolos x). Um anel condutor com velocidade v para a direita aparece em três posições: P1 cruzando a borda esquerda da região, P2 inteiramente dentro e P3 cruzando a borda direita

Assinale a alternativa que indica CORRETAMENTE qual(is) a(s) posição(ões) em que surge uma corrente induzida no anel:

(A)Apenas em P3.
(B)Apenas em P2.
(C)Em P1, P2 e P3.
(D)Em P1 e P3.
(E)Apenas em P1.

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D
Resolução comentada

Pela lei de Faraday, a corrente é induzida em uma espira quando há variação do fluxo magnético $\Phi = B\,A\cos\theta$ através dela. Com $\vec{B}$ perpendicular ao plano do anel, o fluxo é proporcional à área do anel que está dentro da região de campo.

P1: o anel está atravessando a borda esquerda da região e entrando no campo. A área sob o campo cresce, o fluxo aumenta e surge corrente induzida.

P2: o anel está inteiramente dentro da região, com velocidade constante. O campo é uniforme e a área sob o campo não varia; o fluxo é constante e não há corrente induzida, apesar de o anel estar em movimento.

P3: o anel está atravessando a borda direita e saindo do campo. A área sob o campo diminui, o fluxo diminui e surge corrente induzida (em sentido oposto ao de P1).

Há corrente induzida em P1 e em P3.

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