UFG · 2013 — 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de Goiás

Processo Seletivo 2013-1 · Prova aplicada em 13/01/2013 · Física — questões 41 a 50.

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Q41
Ondulatória — Acústica — Ultrassom e Eco

Baseado nas propriedades ondulatórias de transmissão e reflexão, as ondas de ultrassom podem ser empregadas para medir a espessura de vasos sanguíneos. A figura a seguir representa um exame de ultrassonografia obtido de um homem adulto, onde os pulsos representam os ecos provenientes das reflexões nas paredes anterior e posterior da artéria carótida.

Gráfico da intensidade dos pulsos de ultrassom em função do tempo, com um pico em 2 µs e outro em 16 µs

Suponha que a velocidade de propagação do ultrassom seja de 1.500 m/s. Nesse sentido, a espessura e a função dessa artéria são, respectivamente:

A)1,05 cm – transportar sangue da aorta para a cabeça.
B)1,05 cm – transportar sangue dos pulmões para o coração.
C)1,20 cm – transportar sangue dos pulmões para o coração.
D)2,10 cm – transportar sangue da cabeça para o pulmão.
E)2,10 cm – transportar sangue da aorta para a cabeça.

Gabarito oficial — UFG 2013-1

A
Resolução comentada

A ultrassonografia funciona como um sonar. O aparelho emite um pulso, que atravessa a parede anterior da artéria e reflete parcialmente nela (primeiro eco), segue pelo interior, reflete na parede posterior (segundo eco) e volta. Cada “pulso” do gráfico é um eco, e o que interessa é o intervalo de tempo entre os dois.

Pelo gráfico, os ecos chegam em torno de $2\ \mu\text{s}$ e $16\ \mu\text{s}$, então $\Delta t=14\ \mu\text{s}$. Nesse intervalo, o pulso foi da parede anterior à posterior e voltou. Por isso a distância entre as paredes é metade do que o som percorreu:

$d=\dfrac{v\,\Delta t}{2}=\dfrac{1500\times14\times10^{-6}}{2}=1{,}05\times10^{-2}\ \text{m}=1{,}05\ \text{cm}$.

Esquecer o “dividir por 2” é o erro clássico e leva a $2{,}10\ \text{cm}$ (alternativas D e E).

Parte de Biologia: a artéria carótida leva sangue oxigenado da aorta para a cabeça e o pescoço. O caminho pulmões $\to$ coração é feito pelas veias pulmonares, e a ligação cabeça $\to$ pulmão não é função de nenhuma artéria carótida. Entre as duas alternativas com $1{,}05\ \text{cm}$, só a A traz a função correta.

Q42
Mecânica — Gravitação — Conservação do Momento Angular

As estações do ano devem-se basicamente à inclinação do eixo de rotação da Terra, a qual possui um período de precessão próximo de 26.000 anos. Na época atual, os solstícios ocorrem próximos ao afélio e ao periélio. Dessa maneira, o periélio ocorre no mês de dezembro, quando a distância Terra-Sol é de $145\times10^6\,\text{km}$, e a velocidade orbital da Terra é de $30\,\text{km/s}$. Considere que, no afélio, a distância Terra-Sol é de $150\times10^6\,\text{km}$. Nesse sentido, a velocidade de translação da Terra no afélio e o momento astronômico que caracteriza o início da respectiva estação do ano devem ser:

A)28 km/s durante o solstício de verão do hemisfério Norte.
B)29 km/s durante o solstício de inverno do hemisfério Sul.
C)29 km/s durante o equinócio de outono do hemisfério Sul.
D)31 km/s durante o equinócio de primavera do hemisfério Sul.
E)31 km/s durante o solstício de verão do hemisfério Norte.

Gabarito oficial — UFG 2013-1

B
Resolução comentada

Uma pista de leitura é a palavra afélio: ponto mais distante do Sol. Pensando em movimento orbital, quanto mais longe do Sol, mais devagar a Terra anda (2ª lei de Kepler). Como a velocidade no periélio é de $30\ \text{km/s}$, no afélio ela precisa ser menor que isso. Isso já elimina D e E, que dão $31\ \text{km/s}$.

Para o número exato, use a conservação do momento angular. A força gravitacional do Sol é central, então não produz torque sobre a Terra em relação ao Sol. Nos pontos de afélio e periélio, a velocidade é perpendicular ao raio, e por isso $L=m\,r\,v$ se conserva: $r_p\,v_p=r_a\,v_a$.

$v_a=\dfrac{r_p\,v_p}{r_a}=\dfrac{145\times10^{6}\times30}{150\times10^{6}}=29\ \text{km/s}$.

E a estação? O periélio ocorre em dezembro, por volta do solstício, então o afélio ocorre seis meses depois, perto do solstício de junho. Em junho, o hemisfério Sul começa o inverno (e o Norte, o verão). Só a B combina $29\ \text{km/s}$ com o solstício de inverno no Sul.

Um detalhe que costuma surpreender: a Terra está mais próxima do Sol em pleno inverno do hemisfério Norte. As estações não dependem da distância, e sim da inclinação do eixo, como o próprio enunciado começa dizendo.

Q43
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência Elétrica e Corrente Iônica (Bomba de Sódio-Potássio)

O transporte ativo de íons por meio de bombas de sódio-potássio presentes nas membranas celulares desempenha uma função vital para manutenção do potencial de repouso das células. Essas bombas também estão ativas durante o potencial de ação. Na propagação de um potencial de ação de um neurônio, que possui cerca de $10^6$ dessas bombas e potencial de repouso de $-80\,\text{mV}$, cada bomba transporta cerca de 190 íons de sódio $(Na^+)$ e 140 íons de potássio $(K^+)$ a cada $1{,}0\,\text{ms}$. O gráfico a seguir apresenta o potencial elétrico da membrana de uma fibra nervosa, durante um potencial de ação, que parte do potencial de repouso.

Potencial da membrana em mV em função do tempo em ms, com os processos I (subida) e II (descida)

Considere que a diferença de potencial efetiva média através da membrana, entre os processos I e II, é de 60 mV. Diante do exposto, a potência elétrica média das bombas em um neurônio e os processos I e II são, respectivamente:

Dado: $e=1{,}6\times10^{-19}\,\text{C}$.

A)$4{,}8\times10^{-10}\,\text{W}$, despolarização da membrana com entrada de $Na^+$ e repolarização com saída de $K^+$.
B)$4{,}8\times10^{-10}\,\text{W}$, despolarização da membrana com saída de $K^+$ e repolarização com entrada de $Na^+$.
C)$9{,}6\times10^{-11}\,\text{W}$, repolarização da membrana com entrada de $K^+$ e despolarização com saída de $Na^+$.
D)$3{,}1\times10^{-15}\,\text{W}$, ativação do potencial de ação com difusão de $Na^+$ e do potencial de repouso pela entrada de $K^+$.
E)$3{,}1\times10^{-15}\,\text{W}$, polarização da membrana com entrada de $K^+$ e despolarização com saída de $Na^+$.

Gabarito oficial — UFG 2013-1

A
Resolução comentada

Questão longa, mas a Física dela é curta: $P=U\cdot i$. O truque está em descobrir qual é a corrente.

1) Carga líquida. A bomba de sódio-potássio joga $\text{Na}^+$ para fora e traz $\text{K}^+$ para dentro. Os dois íons são positivos, mas atravessam a membrana em sentidos opostos. Então a carga que atravessa a membrana, na prática, é a diferença: $(190-140)\,e=50\,e$ por bomba a cada $1{,}0\ \text{ms}$. Somar 190 com 140 seria contar cargas que se compensam.

2) Corrente total. Com $10^{6}$ bombas: $Q=10^{6}\times50\times1{,}6\times10^{-19}=8{,}0\times10^{-12}\ \text{C}$ a cada $10^{-3}\ \text{s}$, ou seja, $i=\dfrac{Q}{\Delta t}=8{,}0\times10^{-9}\ \text{A}$.

3) Potência. $P=U\,i=(60\times10^{-3})(8{,}0\times10^{-9})=4{,}8\times10^{-10}\ \text{W}$. Isso deixa A e B como candidatas.

4) Os processos I e II. No potencial de ação, a fase de subida do potencial (despolarização) acontece porque canais abrem e o $\text{Na}^+$ entra na célula, tornando o interior menos negativo. Em seguida, a fase de descida (repolarização) ocorre com a saída de $\text{K}^+$, que devolve a célula ao potencial de repouso. A alternativa A descreve exatamente essa sequência; a B troca os íons.

Q44
Termologia — Calorimetria — Calor de Combustão (Bomba Calorimétrica)

Uma bomba calorimétrica, usada para determinar o poder calorífico de combustíveis, é composta de uma câmara de combustão imersa em um tanque de paredes adiabáticas contendo 800 litros de água, conforme ilustrado na figura a seguir.

Bomba calorimétrica: câmara de combustão imersa em água, com ignição e termômetro

No experimento de combustão de 4,6 kg de etanol $(C_2H_6O)$ são produzidos dióxido de carbono e água. Sabendo-se que a entalpia de combustão do etanol é de $-1376\,\text{kJ/mol}$ e que a água do tanque permanece líquida, a variação de temperatura da água do tanque em graus Celsius e a massa total dos produtos da combustão em kg são, respectivamente:

Dados: $c_{água}=1{,}0\,\text{cal/(g}\cdot\text{°C)}$ e $1\,\text{cal}\approx4{,}0\,\text{J}$.

A)6,9 e 19,0.
B)43 e 14,2.
C)43 e 4,6.
D)172 e 4,6.
E)172 e 14,2.

Gabarito oficial — UFG 2013-1

B
Resolução comentada

Esse exercício mistura Química e Física: primeiro descobrimos quanta energia a queima libera, depois quanto a água esquenta com ela, e por fim usamos a conservação da massa nos produtos.

1) Quantos mols? $\text{C}_2\text{H}_6\text{O}$: $M=2(12)+6(1)+16=46\ \text{g/mol}$. Assim, $4{,}6\ \text{kg}=4600\ \text{g}\ \Rightarrow\ n=100\ \text{mol}$.

2) Energia liberada. $|\Delta H|=1376\ \text{kJ/mol}$ (o sinal negativo diz que a reação libera calor), então $Q=100\times1376=1{,}376\times10^{5}\ \text{kJ}=1{,}376\times10^{8}\ \text{J}$, todo absorvido pela água, já que o tanque é adiabático.

3) Quanto a água esquenta. $800\ \text{L}$ de água $=800\ \text{kg}=8\times10^{5}\ \text{g}$, e $c=1\ \text{cal/(g·°C)}=4\ \text{J/(g·°C)}$. Então $\Delta T=\dfrac{Q}{m\,c}=\dfrac{1{,}376\times10^{8}}{8\times10^{5}\times4}=43\,^\circ\text{C}$.

4) Massa dos produtos. A reação balanceada é $\text{C}_2\text{H}_6\text{O}+3\,\text{O}_2\rightarrow2\,\text{CO}_2+3\,\text{H}_2\text{O}$. Para 100 mol de etanol formam-se $200\ \text{mol}$ de $\text{CO}_2$ ($200\times44=8{,}8\ \text{kg}$) e $300\ \text{mol}$ de $\text{H}_2\text{O}$ ($300\times18=5{,}4\ \text{kg}$), totalizando $14{,}2\ \text{kg}$. Confira pela lei de Lavoisier: etanol + oxigênio consumido $=4{,}6+(300\times32\ \text{g})=4{,}6+9{,}6=14{,}2\ \text{kg}$.

Alguns erros ficam à espreita: $172\,^\circ\text{C}$ sai de usar $c=1\ \text{J/(g·°C)}$ em vez de $4\ \text{J/(g·°C)}$; e $4{,}6\ \text{kg}$ é apenas a massa do reagente, não a dos produtos, que é maior porque o oxigênio do ar também é consumido.

Q45
Física Moderna — Relatividade — Equivalência Massa-Energia

Em 1964, o físico britânico Peter Higgs propôs a existência de um campo, o qual, ao interagir com uma partícula, conferia a ela a sua massa. A unidade básica desse campo foi chamada de bóson de Higgs. Em julho de 2012, os cientistas do CERN anunciaram terem identificado o bóson de Higgs, com uma massa de 125 GeV. O valor dessa massa, em kg, é de:

Dados: $1\,\text{eV}=1{,}6\times10^{-19}\,\text{J}$ e $c=3{,}0\times10^8\,\text{m/s}$.

A)$4{,}50\times10^{24}$
B)$6{,}66\times10^{-18}$
C)$2{,}22\times10^{-25}$
D)$6{,}66\times10^{-27}$
E)$2{,}22\times10^{-34}$

Gabarito oficial — UFG 2013-1

C
Resolução comentada

A famosa relação de Einstein, $E=mc^2$, diz que massa e energia são faces da mesma moeda. Em Física de partículas, é comum expressar massa em eV/$c^2$: “125 GeV” é a energia de repouso do bóson de Higgs, e o exercício pede a massa em kg.

1) De GeV para joules. $125\ \text{GeV}=125\times10^{9}\ \text{eV}=125\times10^{9}\times1{,}6\times10^{-19}\ \text{J}=2{,}0\times10^{-8}\ \text{J}$.

2) Da energia à massa. $m=\dfrac{E}{c^2}=\dfrac{2{,}0\times10^{-8}}{(3{,}0\times10^{8})^2}=\dfrac{2{,}0\times10^{-8}}{9{,}0\times10^{16}}\approx2{,}22\times10^{-25}\ \text{kg}$.

Para dar noção: a massa de um próton é $1{,}67\times10^{-27}\ \text{kg}$; o Higgs tem cerca de 133 vezes essa massa, ou seja, é uma partícula pesada, com massa comparável à de um átomo de iodo ou de xenônio. O erro típico é esquecer de elevar $c$ ao quadrado, ou errar as potências de dez do prefixo “giga”.

Q46
Óptica — Lentes — Lente em Meio de Mesmo Índice

Uma lente convergente de vidro possui distância focal $f$ quando imersa no ar. Essa lente é mergulhada em glicerina, um tipo de álcool com índice de refração maior que o do ar. Considerando-se que o índice de refração do vidro é o mesmo da glicerina, iguais a 1,5, conclui-se que o diagrama que representa o comportamento de um feixe de luz incidindo sobre a lente imersa na glicerina é o seguinte:

Cinco diagramas (A a E) de raios paralelos incidindo sobre uma lente convergente imersa em glicerina
A)A
B)B
C)C
D)D
E)E

Gabarito oficial — UFG 2013-1

E
Resolução comentada

O que faz uma lente convergente desviar a luz? A diferença entre o índice de refração dela e o do meio onde está. Isso está resumido na equação dos fabricantes de lentes:

$\dfrac{1}{f}=\left(\dfrac{n_{lente}}{n_{meio}}-1\right)\left(\dfrac{1}{R_1}+\dfrac{1}{R_2}\right)$.

No ar, $n_{lente}/n_{meio}=1{,}5$, e a lente tem foco $f$ finito. Mergulhada na glicerina, $n_{lente}=n_{meio}=1{,}5$: a razão vale $1$, o parêntese se anula e $\dfrac{1}{f}=0$, ou seja, $f\to\infty$. A lente deixa de convergir, e é como se ela “desaparecesse”.

Pela lei de Snell, isso equivale a dizer que os raios não mudam de direção ao passar do meio para o vidro nem ao sair dele: a luz atravessa a lente em linha reta, como se ali houvesse apenas glicerina. O diagrama correto é aquele em que o feixe incidente segue sem desvio (alternativa E).

Uma curiosidade: é por isso que um bastão de vidro mergulhado em óleo de mesmo índice de refração fica praticamente invisível.

Q47
Termologia — Mudanças de Fase — Evaporação e Resfriamento do Corpo

Umidade é o conteúdo de água presente em uma substância. No caso do ar, a água na forma de vapor pode formar um gás homogêneo e incolor se sua concentração no ar estiver abaixo do limite de absorção de vapor de água pelo ar. Este limite é chamado de ponto de orvalho e caracteriza a saturação a partir da qual ocorre a precipitação de neblina ou gotículas de água. O ponto de saturação de vapor de água no ar aumenta com a temperatura. Um fato interessante ligado à umidade do ar é que, em um dia muito quente, o ser humano sente-se termicamente mais confortável em um ambiente de baixa umidade. Esse fato se deve ao calor

A)recebido pelo corpo por irradiação.
B)cedido para a água por convecção.
C)recebido do vapor por condução.
D)cedido para o vapor por convecção.
E)cedido pelo corpo por condução.

Gabarito oficial — UFG 2013-1

E
Resolução comentada

Pense no que acontece com o suor. Em um dia quente, o corpo transpira para se resfriar. Mas o suor só resfria de verdade se evaporar, e isso depende de o ar ter espaço para receber mais vapor de água.

Ar seco (baixa umidade). Está longe do ponto de saturação, então o suor evapora rápido. Evaporar exige uma grande quantidade de energia (calor latente, cerca de $2{,}4\ \text{kJ}$ por grama de água), e essa energia vem da pele. Ela passa do corpo para a fina camada de suor em contato com ele, por condução. O corpo perde calor e se sente mais fresco.

Ar úmido. O ar já está perto da saturação, a evaporação é lenta, quase nenhum calor é retirado, e a sensação é de abafamento, mesmo com a mesma temperatura do ar.

Por isso, entre as alternativas, o calor é cedido pelo corpo por condução (E). A irradiação (A) e o recebimento de calor do vapor (C) descrevem ganho de calor, o contrário do que ocorre. A convecção (B e D) até ajuda a renovar o ar em torno do corpo, levando o vapor embora, mas a transferência do corpo para a água do suor é condução.

Q48
Mecânica — Cinemática — Velocidade Média em Corrida

Nos jogos paraolímpicos de Londres, o sul-africano biamputado Oscar Pistorius, após perder a medalha de ouro para o brasileiro Alan Fonteles, indignado, reclamou do tamanho das próteses de Fonteles. Antes dos jogos, elas foram trocadas por um par 5,0 cm maior que, no entanto, estavam dentro do limite estabelecido pelo regulamento. Porém, mesmo com próteses mais longas, as amplitudes de passada de Fonteles foram menores do que as de Pistorius, conforme o quadro da prova de 200 metros rasos apresentado a seguir:

Dados da corridaFontelesPistorius
Altura1,82 m1,86 m
Altura máxima permitida1,85 m1,93 m
Amplitude média da passada2,04 m2,17 m
Número de passadas9892
Tempo21,45 s21,52 s

Considere que Fonteles consiga aumentar a amplitude média de sua passada em 1,0 cm, mantendo a mesma frequência de passadas. Nessas circunstâncias, quantos segundos, aproximadamente, será a nova vantagem de Fonteles?

A)0,05
B)0,07
C)0,10
D)0,17
E)0,35

Gabarito oficial — UFG 2013-1

D
Resolução comentada

O enunciado tem muitos dados, mas só três importam: número de passadas de Fonteles (98), amplitude da passada (2,04 m) e tempo (21,45 s). O resto é ruído (altura, próteses, dados de Pistorius, exceto o tempo dele).

Frequência de passadas de Fonteles: $f=\dfrac{98}{21{,}45}\approx4{,}57\ \text{passadas/s}$. Mantida a frequência e ampliando a passada em $1{,}0\ \text{cm}$ (de $2{,}04\ \text{m}$ para $2{,}05\ \text{m}$), a velocidade passa a ser $v=2{,}05\times4{,}57\approx9{,}37\ \text{m/s}$.

Novo tempo: $t=\dfrac{200}{9{,}37}\approx21{,}35\ \text{s}$. Fonteles ganharia então $21{,}52-21{,}35\approx0{,}17\ \text{s}$ de Pistorius.

Um atalho pelo bom senso. A passada aumentou de $2{,}04$ para $2{,}05$, ou seja, cerca de $0{,}5\%$. Com a mesma frequência, a velocidade sobe $0{,}5\%$ e o tempo cai cerca de $0{,}5\%$ de $21{,}45\ \text{s}$, isto é, aproximadamente $0{,}10\ \text{s}$. Como a vantagem original era $21{,}52-21{,}45=0{,}07\ \text{s}$, a nova vantagem é $0{,}07+0{,}10=0{,}17\ \text{s}$. As duas contas concordam, o que é sempre bom sinal.

Q49
Mecânica — Hidrostática — Pressão de Contato (Pneus e Pavimento)

Os caminhões ficam maiores a cada dia devido à necessidade de se transportar cargas cada vez maiores em menor tempo. Por outro lado, o pavimento precisa ser dimensionado para que sua resistência seja compatível com a carga suportada repetidamente. Para um pavimento de boa durabilidade, a pressão de 2,0 MPa deve ser suportada. Nessa situação, qual é a máxima massa, em kg, permitida para um caminhão que possui cinco eixos com dois pneus em cada eixo, cuja área de contato de um pneu é de 0,02 m²?

Dado: $g=10\,\text{m/s}^2$.

A)$1{,}0\times10^6$
B)$2{,}0\times10^5$
C)$1{,}2\times10^5$
D)$4{,}0\times10^4$
E)$4{,}0\times10^3$

Gabarito oficial — UFG 2013-1

D
Resolução comentada

Pressão é força por área, $P=\dfrac{F}{A}$, e aqui a força que o caminhão exerce sobre o chão é o seu peso, $F=mg$. Vamos ao passo a passo.

1) Área total de contato. São 5 eixos com 2 pneus cada, isto é, $10$ pneus. A área total é $A=10\times0{,}02=0{,}20\ \text{m}^2$.

2) Força máxima. Com $P_{máx}=2{,}0\ \text{MPa}=2{,}0\times10^{6}\ \text{Pa}$: $F=P\,A=2{,}0\times10^{6}\times0{,}20=4{,}0\times10^{5}\ \text{N}$.

3) Massa máxima. $m=\dfrac{F}{g}=\dfrac{4{,}0\times10^{5}}{10}=4{,}0\times10^{4}\ \text{kg}$, isto é, 40 toneladas.

A alternativa E ($4{,}0\times10^{3}\ \text{kg}$) é o que você obtém usando a área de um único pneu; por isso vale sempre reler o que o enunciado diz sobre a quantidade de pneus. Note ainda que $2{,}0\ \text{MPa}$ equivalem a cerca de 20 vezes a pressão atmosférica: o pavimento é bem exigido!

Q50
Física Moderna — Física Nuclear — Atenuação Exponencial

Para a segurança da população, o lixo radioativo produzido pelo acidente com o césio-137, na cidade de Goiânia, foi revestido com paredes de concreto e chumbo. A intensidade da radiação $I$ decai exponencialmente quando atravessa essas paredes, de acordo com a relação $I(x)=I_0e^{-\alpha x}$, onde $I_0$ é a intensidade que incide sobre a parede de espessura $x$ e $\alpha$ é o coeficiente de atenuação, conforme esboçado no gráfico a seguir.

Gráfico de I/I0 em função da espessura x em cm, curva exponencial decrescente

De acordo com estas informações, o valor do coeficiente de atenuação da parede que reveste o lixo é:

Dados: $\ln e=1$, $\ln2=0{,}69$, $\ln3=1{,}10$ e $\ln10=2{,}30$.

A)$0{,}552\,\text{cm}^{-1}$
B)$0{,}825\,\text{cm}^{-1}$
C)$1{,}275\,\text{cm}^{-1}$
D)$1{,}533\,\text{cm}^{-1}$
E)$2{,}707\,\text{cm}^{-1}$

Gabarito oficial — UFG 2013-1

C
Resolução comentada

A atenuação exponencial aparece em muitos contextos: raios X e gama passando por blindagens, luz em meios absorventes, e até em decaimento radioativo. A lei é $I(x)=I_0\,e^{-\alpha x}$, e o problema é descobrir o $\alpha$ a partir de um ponto do gráfico.

O método. Escolha no gráfico um ponto de leitura fácil, um par $(x,\ I/I_0)$. Isolando, $\dfrac{I}{I_0}=e^{-\alpha x}$. Aplicando $\ln$ dos dois lados, $\ln\!\left(\dfrac{I}{I_0}\right)=-\alpha x$, e portanto

$\alpha=\dfrac{\ln\!\left(I_0/I\right)}{x}$.

Os logaritmos fornecidos no enunciado ($\ln2$, $\ln3$, $\ln10$) servem para calcular $\ln(I_0/I)$ quando a razão é escrita como produto e quociente de 2, 3 e 10. Uma boa dica de prova: se a razão lida for algo como $1/10$, então $\ln 10=2{,}30$ entra direto; se for $1/6$, use $\ln 2+\ln 3$.

Lendo o gráfico. O ponto mais limpo da curva é $x=0{,}4\ \text{cm}$, onde ela cruza $I/I_0=0{,}6$ bem em cima de uma linha da grade. Então $\dfrac{I_0}{I}=\dfrac{1}{0{,}6}=\dfrac{5}{3}$, e o $\ln$ dessa razão se monta com os dados do enunciado: $\ln\dfrac{5}{3}=\ln5-\ln3=(\ln10-\ln2)-\ln3=2{,}30-0{,}69-1{,}10=0{,}51$.

Portanto $\alpha=\dfrac{0{,}51}{0{,}4\ \text{cm}}\approx1{,}275\ \text{cm}^{-1}$. Repare que o $\ln5$ não estava na lista, e o truque foi escrever $5=10/2$. Repare também na unidade: como $x$ está em cm, $\alpha$ sai em $\text{cm}^{-1}$, e o expoente $\alpha x$ é adimensional, como precisa ser.

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