UFG · 2013 — 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de Goiás

Processo Seletivo 2013-2 · Prova aplicada em 19/05/2013 · Física — questões 41 a 50.

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Q41
Física Moderna — Física Quântica — Energia de Fótons e Fotossíntese

O texto a seguir deverá ser utilizado para responder às questões 41 e 42.

A fotossíntese é um processo pelo qual as plantas e alguns micro-organismos utilizam energia luminosa para produzir carboidratos, de acordo com a equação química não balanceada a seguir.

$CO_2+H_2O+\text{energia luminosa}\rightarrow C_6H_{12}O_6+O_2$

Nas plantas, a fotossíntese ocorre nos cloroplastos devido à absorção da luz. Em laboratório, é possível reproduzir a fotossíntese empregando luz vermelha monocromática $(\lambda=700\,\text{nm})$. Nesse processo, 8 fótons são consumidos para cada molécula de dióxido de carbono.

Quantos fótons, em mols, são necessários para consumir 1 mol de $CO_2$ e qual é o carboidrato produzido nesse processo?

A)48 mol e clorofila.
B)48 mol e glicose.
C)8 mol e glicose.
D)6 mol e celulose.
E)6 mol e clorofila.

Gabarito — UFG 2013-2

C
Resolução comentada

A leitura do enunciado é o principal trabalho aqui. Ele diz que, no processo de laboratório, 8 fótons são consumidos para cada molécula de $\text{CO}_2$.

Agora é só mudar de escala: se cada molécula consome 8 fótons, então $N_A$ moléculas (1 mol) consomem $8N_A$ fótons, isto é, 8 mol de fótons. Não precisa de conta com $h$ nem com $\lambda$: o comprimento de onda de 700 nm só será usado na questão seguinte.

O carboidrato da equação é o produto $\text{C}_6\text{H}_{12}\text{O}_6$: a glicose. A celulose (D) é um polissacarídeo, um polímero da glicose, e a clorofila (A e E) é o pigmento que absorve a luz, não um carboidrato.

O número 48 (A e B) é uma isca: ele só aparece na questão 42, para uma molécula de glicose (que exige 6 moléculas de $\text{CO}_2$, isto é, $6\times8=48$ fótons).

Q42
Física Moderna — Física Quântica — Energia do fóton

A quantidade de energia, em joule, fornecida para a produção de 1 mol desse carboidrato é, aproximadamente:

Dados: $h=6{,}6\times10^{-34}\,\text{J}\cdot\text{s}$, $c=3{,}0\times10^8\,\text{m/s}$ e $N_A=6{,}0\times10^{23}\,\text{mol}^{-1}$.

A)$8{,}1\times10^6$
B)$2{,}8\times10^{-19}$
C)$2{,}6\times10^4$
D)$1{,}7\times10^4$
E)$1{,}4\times10^{-17}$

Gabarito — UFG 2013-2

A
Resolução comentada

Continuação da questão anterior. Vamos percorrer a energia em quatro passos.

1) Fótons por molécula de glicose. Na equação balanceada, $6\,\text{CO}_2+6\,\text{H}_2\text{O}\rightarrow\text{C}_6\text{H}_{12}\text{O}_6+6\,\text{O}_2$, cada glicose consome 6 moléculas de $\text{CO}_2$. Com 8 fótons por $\text{CO}_2$, isso dá $6\times8=48$ fótons por molécula de glicose.

2) Energia de um fóton de 700 nm. $E=\dfrac{hc}{\lambda}=\dfrac{(6{,}6\times10^{-34})(3{,}0\times10^{8})}{700\times10^{-9}}\approx2{,}8\times10^{-19}\ \text{J}$.

3) Energia de um mol de fótons. $N_A\,E=6{,}0\times10^{23}\times2{,}8\times10^{-19}\approx1{,}7\times10^{5}\ \text{J}$ (esse número, por sinal, é a alternativa D com o expoente errado, uma isca típica).

4) Para um mol de glicose. São necessários $48$ mol de fótons: $E_T=48\times1{,}7\times10^{5}\approx8{,}1\times10^{6}\ \text{J}$.

Para ter uma ideia do que esse número significa: queimar 1 mol de glicose libera cerca de $2{,}8\times10^{6}\ \text{J}$, e a conta acima mostra que a luz forneceu $8{,}1\times10^{6}\ \text{J}$ para produzi-lo. Ou seja, cerca de 35% da energia luminosa fica armazenada como energia química, um rendimento bem razoável.

Q43
Óptica — Reflexão e Espelhos — Espelho Côncavo

O sistema óptico encontrado no farol de um automóvel é constituído por um espelho côncavo e uma lâmpada posicionada sobre o seu eixo de simetria. Considerando-se que o feixe de luz proveniente desse farol seja divergente, a posição da lâmpada deve ser

A)sobre a posição focal.
B)entre a posição focal e o centro de curvatura.
C)entre o vértice e a posição focal.
D)após o centro de curvatura.
E)sobre a posição do centro de curvatura.

Gabarito — UFG 2013-2

C
Resolução comentada

O que caracteriza a posição da fonte em um espelho côncavo, pela equação de Gauss, $\dfrac{1}{f}=\dfrac{1}{p}+\dfrac{1}{p^{\prime}}$?

Fonte no foco ($p=f$): os raios saem paralelos, formando um feixe cilíndrico. Seria o caso de um holofote de longo alcance.

Fonte entre o foco e o centro de curvatura ou além do centro: a imagem é real e os raios refletidos convergem para ela, formando um feixe convergente.

Fonte entre o vértice e o foco ($pdivergem, como se saíssem daquela imagem. É o que o farol precisa para iluminar uma região larga na frente do carro.

Uma dica de prova: a palavra-chave “divergente” é o convite para lembrar que, no espelho côncavo, feixe divergente só existe com a fonte dentro da distância focal.

Q44
Óptica — Óptica da Visão — Olho em Meios Diferentes (Ar e Água)

Anableps, um animal aquático, possui a capacidade incomum de ver acima e abaixo da superfície da água simultaneamente. O seu olho é adaptado para essa finalidade e funciona como dois olhos em um único globo ocular, cujo corte transversal é mostrado a seguir.

Corte transversal do olho do peixe Anableps

Que adaptação física ocorrida no olho desse animal aquático explica o fenômeno relatado?

A)O achatamento do cristalino.
B)A duplicidade da córnea.
C)A circularidade do cristalino.
D)A curvatura da retina.
E)O achatamento da córnea.

Gabarito — UFG 2013-2

B
Resolução comentada

O ponto físico é este: a refração depende da diferença de índices de refração. No olho humano, a maior parte do poder de focalização vem do encontro do ar ($n\approx1{,}0$) com a córnea ($n\approx1{,}38$).

Debaixo d’água, a história muda. Como o índice da água ($n\approx1{,}33$) é quase igual ao da córnea, quase não há desvio na interface água-córnea, e o resultado é uma imagem desfocada (é por isso que enxergamos mal de olhos abertos dentro da piscina). Animais aquáticos, por isso, usam um cristalino mais esférico para fazer o trabalho de focalização.

Um olho que precisa enxergar nos dois meios ao mesmo tempo, portanto, não pode ter um único sistema óptico. A solução do Anableps é ter duas regiões ópticas na frente do olho, uma para receber a luz vinda do ar e outra para a luz vinda da água, formando dois conjuntos de imagem sobre a retina. É uma adaptação parecida com dois olhos em um só globo, como o enunciado descreve. Pela figura e pelo gabarito oficial, isso é a duplicidade da córnea (B).

Os elementos de outras alternativas (achatamento ou circularidade do cristalino, curvatura da retina, achatamento da córnea) descrevem ajustes de um único sistema óptico, mas não explicam a visão simultânea acima e abaixo da superfície.

Q45
Ondulatória — MHS — Dissipação de Energia

Um pêndulo é posto para oscilar quando sua haste forma um ângulo reto com a vertical. Após seis oscilações, o ângulo de amplitude máxima é de 60° com a vertical, conforme ilustrado na figura.

Pêndulo nas amplitudes inicial de 90 graus e final de 60 graus

Considerando-se que, a cada oscilação completa, a taxa de perda de energia pelo sistema seja constante, o valor dessa taxa será então de:

A)$12^{-1}$
B)$1-2^{-1/6}$
C)$2^{-1/6}$
D)$6^{-1}$
E)$1-12^{-1}$

Gabarito — UFG 2013-2

B
Resolução comentada

A estratégia é falar em energia e não em ângulo, porque o enunciado diz que é a energia que se perde a uma taxa constante.

Energia do pêndulo. Nos extremos da oscilação, a velocidade é zero e toda a energia é potencial: $E=mgh$, com $h=L(1-\cos\theta)$. Então $E\propto1-\cos\theta$.

Valores. Em $\theta=90^\circ$: $E_0\propto1-0=1$. Em $\theta=60^\circ$: $E_6\propto1-\tfrac12=\tfrac12$. Portanto, em 6 oscilações a energia caiu à metade: $E_6=\tfrac12E_0$.

Taxa constante. Se a cada oscilação a energia é multiplicada por um fator $r$ (fração que sobra), então $r^{6}=\tfrac12$, o que dá $r=2^{-1/6}$. A taxa de perda é o que falta para 1: $1-r=1-2^{-1/6}$.

Um cuidado importante: como $\theta=90^\circ$ é um ângulo grande, não vale a aproximação de pequenas oscilações, em que a energia seria proporcional a $\theta^2$ (o que daria $\tfrac{4}{9}$ no lugar de $\tfrac{1}{2}$). A expressão exata com o cosseno é a correta. Outro erro comum é confundir “taxa de perda” com o fator que sobra, o que leva à alternativa C.

Q46
Ondulatória — Acústica — Eco e Frequência

Um ferreiro molda uma peça metálica sobre uma bigorna (A) com marteladas a uma frequência constante de 2 Hz. Um estudante (B) pode ouvir os sons produzidos pelas marteladas, bem como os ecos provenientes da parede (C), conforme ilustra a figura.

Ferreiro, estudante e parede refletora separados por distâncias indicadas

Considerando-se o exposto, qual deve ser a menor distância $d$, entre a bigorna e a parede, para que o estudante não ouça os ecos das marteladas?

Dado: velocidade do som no ar $=340\,\text{m/s}$.

A)340 m
B)170 m
C)128 m
D)85 m
E)42 m

Gabarito — UFG 2013-2

D
Resolução comentada

Se o ferreiro bate 2 vezes por segundo, o intervalo entre duas marteladas é $T=\dfrac{1}{2}=0{,}5\ \text{s}$.

O eco de uma martelada faz o caminho bigorna $\to$ parede $\to$ estudante. Se a parede está a uma distância $d$ (e o estudante está perto da bigorna), o som percorre $2d$ e chega com atraso $\Delta t=\dfrac{2d}{v}$.

A ideia do problema: para o estudante não ouvir eco separado, o eco de uma martelada deve chegar exatamente junto com o som direto da martelada seguinte. Nesse caso o eco “cai em cima” da próxima batida e se confunde com ela. Isso acontece quando o atraso é igual ao período: $\dfrac{2d}{v}=T$.

$d=\dfrac{v\,T}{2}=\dfrac{340\times0{,}5}{2}=85\ \text{m}$.

Pergunta natural: e se a parede estivesse a $42\ \text{m}$ (E)? Aí o atraso seria de $0{,}25\ \text{s}$, exatamente no meio do intervalo entre duas marteladas, e o eco seria ouvido com toda nitidez. Como se pede a menor distância em que o eco desaparece, a resposta é o primeiro valor de sincronismo.

Q47
Eletricidade — Eletrodinâmica — Energia Elétrica e Carga da Bateria (Bicicleta Elétrica)

É crescente o número de bicicletas elétricas circulando nas ruas das cidades. Essas bicicletas possuem uma bateria eletrolítica de 12,5 V semelhante às baterias automotivas, que proporciona uma potência constante para iniciar e manter o movimento do sistema ciclista-bicicleta. Suponha uma situação sem qualquer atrito em que um sistema de 100 kg sobre uma rua plana é acelerado do repouso até a velocidade de 18 km/h. Nessas condições, qual é a quantidade de carga, em coulomb, fornecida pela bateria?

A)1250
B)1000
C)200
D)130
E)100

Gabarito — UFG 2013-2

E
Resolução comentada

O caminho é uma cadeia de conversões de energia: bateria $\to$ energia cinética. Como o problema manda desprezar atritos, toda a energia elétrica entregue pela bateria vira energia cinética do sistema ciclista-bicicleta.

1) Energia cinética final. $18\ \text{km/h}=5\ \text{m/s}$, e então $E_c=\dfrac{m\,v^{2}}{2}=\dfrac{100\times5^{2}}{2}=1250\ \text{J}$.

2) Energia e carga na bateria. Uma carga $Q$ que atravessa uma diferença de potencial $U$ libera energia $E=Q\,U$. Então $Q=\dfrac{E}{U}=\dfrac{1250}{12{,}5}=100\ \text{C}$.

Duas armadilhas: a alternativa A ($1250$) é a própria energia em joules, sem dividir pela tensão; e a informação de que a potência é constante é irrelevante para o cálculo, pois o que importa é a energia total, e não o ritmo com que ela é entregue.

Q48
Eletromagnetismo — Indução Eletromagnética — Lei de Faraday (Fogão de Indução)

Uma nova tecnologia vem sendo desenvolvida para cozinhar alimentos com maior eficiência no aproveitamento da energia fornecida. Estima-se que esse novo fogão aproveite 90% da energia, em comparação com 55% do fogão a gás e 65% do fogão elétrico. Entretanto, para o seu funcionamento, deve-se usar apenas panelas de metais ferromagnéticos, tais como ferro fundido ou aço. Essas panelas são aquecidas por meio de correntes induzidas quando colocadas sobre uma plataforma de vitrocerâmica. De acordo com o exposto, conclui-se que o princípio físico que fundamenta o funcionamento desse novo fogão é

A)o efeito fotoelétrico da interação da radiação com a matéria.
B)a lei de Stefan-Boltzmann da emissão de radiação de um corpo negro.
C)a lei de Ohm.
D)a lei de Ampère.
E)a lei de Faraday.

Gabarito — UFG 2013-2

E
Resolução comentada

Repare na frase-chave do enunciado: as panelas são aquecidas “por meio de correntes induzidas”. Quando aparece “corrente induzida”, o princípio é a indução eletromagnética, ou seja, a lei de Faraday.

Funciona assim: sob a plataforma de vitrocerâmica existe uma bobina percorrida por corrente alternada. Essa corrente cria um campo magnético que varia no tempo. O fluxo magnético variável através do fundo da panela (metálica) induz nela uma força eletromotriz, que gera correntes circulares (as correntes de Foucault). Essas correntes aquecem a panela por efeito Joule, $P=R\,i^2$. O aquecimento acontece na própria panela e não no fogão, o que explica a alta eficiência de 90% informada.

Por que as outras não: a lei de Ampère (D) relaciona corrente a campo magnético, e não corrente induzida; a lei de Ohm (C) só relaciona $U$, $R$ e $i$; o efeito fotoelétrico (A) e a lei de Stefan-Boltzmann (B) envolvem radiação, que não é o mecanismo aqui.

Q49
Termologia — Transmissão de Calor — Equilíbrio Radiativo da Terra (Stefan-Boltzmann)

A temperatura média da Terra pode ser estimada por meio do equilíbrio entre a radiação absorvida pela área da sua seção transversal $(A_t)$ e a radiação emitida por toda sua superfície. Conforme a lei de Stefan-Boltzmann, a Terra emite radiação numa intensidade $I_{Terra}=\sigma T^4$, em que $T$ é sua temperatura média e $\sigma$ é uma constante. O deserto do Saara possui uma área de 4% de $A_t$ e ajuda a diminuir a temperatura média da Terra ao refletir a radiação solar, de intensidade média $I_S$, que nela incide.

Diante do exposto, alguns dos motivos dos atuais conflitos regionais naquela região e a expressão para a temperatura média da Terra, considerando-se que o Saara reflete toda a radiação que nele incide, são, respectivamente:

A)intolerância religiosa, interesses nas grandes reservas de diamante e petróleo e $T=\left(\dfrac{0{,}96I_S}{\sigma}\right)^{1/4}$.
B)disputas territoriais entre etnias rivais, interesses nas grandes reservas de ouro e petróleo e $T=\left(\dfrac{0{,}96I_S}{4\sigma}\right)^{1/4}$.
C)disputas territoriais entre etnias rivais, interesses nas grandes reservas de diamante e ouro e $T=\left(\dfrac{I_S}{\sigma}\right)^{1/4}$.
D)intolerância religiosa, interesses nas grandes reservas de diamante e petróleo e $T=\left(\dfrac{0{,}96I_S}{4\sigma}\right)^{1/4}$.
E)disputas territoriais entre etnias rivais, interesses nas grandes reservas de diamante e ouro e $T=\left(\dfrac{0{,}96I_S}{\sigma}\right)^{1/4}$.

Gabarito — UFG 2013-2

D
Resolução comentada

Esta questão tem duas partes: um pedaço de Geografia/atualidades (causas dos conflitos no Saara) e um modelo simples de balanço de energia da Terra. Comecemos pela Física, que restringe as opções.

Balanço de energia. Em equilíbrio térmico, a potência que a Terra absorve iguala a potência que emite. A Terra intercepta a radiação solar pela área de seu disco, $A_t=\pi R^2$, e não pela superfície toda. O Saara, com 4% de $A_t$, reflete tudo que recebe, de modo que a área efetiva de absorção é $0{,}96\,\pi R^2$. Assim: $P_{abs}=0{,}96\,I_S\,\pi R^2$.

A emissão ocorre por toda a superfície esférica, $4\pi R^2$, com intensidade $\sigma T^4$: $P_{emit}=\sigma T^{4}\cdot4\pi R^2$.

Igualando: $0{,}96\,I_S\,\pi R^2=4\pi R^2\,\sigma T^{4}$. O $\pi R^2$ se cancela e sobra $T=\left(\dfrac{0{,}96\,I_S}{4\,\sigma}\right)^{1/4}$.

O fator 4 é a essência do problema: a Terra recebe pela área de um disco e irradia pela de uma esfera (4 vezes maior). Sem ele (alternativas A e E) a temperatura sairia altíssima. Só B e D trazem a expressão correta.

Parte de Geografia. Entre B e D, a primeira metade da pergunta decide. O gabarito oficial associa os conflitos regionais à opção que fala em intolerância religiosa e interesse em diamante e petróleo, isto é, a D.

Q50
Termologia — Termodinâmica — Gás Aquecido em Recipiente Fechado (Cafeteira Italiana)

A figura a seguir ilustra a estrutura e o funcionamento de uma cafeteira italiana. Na sua parte inferior, uma fração do volume é preenchida com água e o restante por um gás contendo uma mistura de ar e vapor de água, todos à temperatura ambiente. Quando a cafeteira é colocada sobre a chama do fogão, o café produzido é armazenado no compartimento superior da cafeteira em poucos minutos.

Estrutura e funcionamento de uma cafeteira italiana

O processo físico responsável diretamente pelo funcionamento adequado da cafeteira é:

A)o isolamento adiabático da água.
B)a condensação do gás.
C)a expansão adiabática do gás.
D)o trabalho realizado sobre a água.
E)o aumento da energia interna do gás.

Gabarito — UFG 2013-2

E
Resolução comentada

O funcionamento da cafeteira italiana (a moka) é um belo exemplo de termodinâmica no dia a dia. Sigamos a sequência de eventos.

1) O compartimento inferior está fechado e contém água e, acima dela, uma mistura de ar e vapor. Ao pôr sobre a chama, a cafeteira recebe calor.

2) Esse calor aumenta a energia interna do gás, ou seja, sua temperatura. Como o volume do recipiente é praticamente fixo, o aumento de temperatura eleva a pressão do gás (com o ar se aquecendo e mais água evaporando, o que aumenta a pressão parcial do vapor).

3) A pressão do gás sobre a água ficando maior que a atmosférica no compartimento superior, a água quente é empurrada pelo tubo, atravessa o pó de café e chega à parte de cima.

Ou seja: o “motor” do processo é o gás aquecido que aumentou de energia interna e de pressão. As demais alternativas erram porque o sistema não é isolado (recebe calor da chama, então A e C, que falam em adiabático, ficam de fora); a condensação (B) ocorreria no gás que esfria, e não no que aquece; e o trabalho sobre a água (D) é consequência da pressão maior, e não a causa do funcionamento.

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