UFG · 2014 — 1ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Federal de Goiás

Processo Seletivo 2014-1 · Prova aplicada em 10/11/2013 · Física — questões 41 a 50.

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Q41
Mecânica — Trabalho e Energia — Trabalho Mecânico a partir de Energia Química

Leia o texto a seguir para responder às questões 41 e 42.

Na digestão, os alimentos são modificados quimicamente pelo organismo, transformando-se em moléculas que reagem no interior das células para que energia seja liberada. A equação química, não balanceada, a seguir representa a oxidação completa de um mol da substância tributirina, também conhecida como butirina, presente em certos alimentos.

$C_{15}H_{26}O_6+O_2\rightarrow CO_2+H_2O\qquad \Delta H=-8120\,\text{kJ/mol}$

Considerando-se que toda a energia da reação esteja disponível para a realização de trabalho mecânico, quantos mols de $O_2$ são necessários para que uma pessoa levante uma caixa de 20,3 kg do chão até uma altura $h=2{,}0\,\text{m}$?

Dado: $g=10\,\text{m/s}^2$.

A)$2{,}03\times10^{-4}$
B)$4{,}06\times10^{-4}$
C)$9{,}25\times10^{-4}$
D)$18{,}50\times10^{-4}$
E)$20{,}00\times10^{-4}$

Gabarito oficial — UFG 2014-1

C
Resolução comentada

Repare no enunciado: “toda a energia da reação esteja disponível para a realização de trabalho mecânico”. Isso transforma o problema em uma regra de três entre energias: a reação libera $8120\ \text{kJ}$ para cada mol de tributirina queimada, e a caixa exige um certo trabalho.

1) Balancear a equação (pelos átomos de oxigênio): $\text{C}_{15}\text{H}_{26}\text{O}_6+x\,\text{O}_2\rightarrow15\,\text{CO}_2+13\,\text{H}_2\text{O}$. À direita há $30+13=43$ átomos de O; à esquerda, $6+2x$. Logo $x=18{,}5$. Ou seja, 18,5 mol de $\text{O}_2$ liberam $8120\ \text{kJ}$.

2) Trabalho para erguer a caixa. $W=m\,g\,h=20{,}3\times10\times2{,}0=406\ \text{J}=0{,}406\ \text{kJ}$.

3) Regra de três. $n=18{,}5\times\dfrac{0{,}406}{8120}=18{,}5\times5{,}0\times10^{-5}=9{,}25\times10^{-4}\ \text{mol}$.

Um lembrete importante: o problema pede mols de $\text{O}_2$ (e não de tributirina), e por isso o fator $18{,}5$ entra na conta. A alternativa B ($4{,}06\times10^{-4}$), por exemplo, sai de usar $\Delta H$ sem passar pelo coeficiente do oxigênio.

Q42
Termologia — Calorimetria — Energia Metabólica

A butirina está presente na manteiga e é utilizada na produção de margarina. Suponha que, nos processos metabólicos, toda a energia liberada na oxidação da butirina seja convertida em calor. Nessa situação, quantos mols de butirina são necessários para aumentar de 2 °C a temperatura corporal de um homem de 101,5 kg e a que classe de moléculas pertence a butirina?

Dados: $c_{homem}=1{,}0\,\text{cal/(g}\cdot\text{°C)}$ e $1\,\text{cal}\approx4{,}0\,\text{J}$.

A)0,1 e lipídio.
B)0,4 e lipídio.
C)0,1 e proteína.
D)0,4 e proteína.
E)0,4 e carboidrato.

Gabarito oficial — UFG 2014-1

A
Resolução comentada

Aqui a energia química da butirina vira calor, e o calor eleva a temperatura do corpo. A calorimetria fornece a conta: $Q=m\,c\,\Delta T$.

1) Calor necessário. $m=101{,}5\ \text{kg}=101\,500\ \text{g}$ e $c=1{,}0\ \text{cal/(g·°C)}$. Então $Q=101\,500\times1{,}0\times2=203\,000\ \text{cal}$. Com $1\ \text{cal}\approx4{,}0\ \text{J}$, temos $Q\approx812\,000\ \text{J}=812\ \text{kJ}$.

2) Mols de butirina. Cada mol libera $8120\ \text{kJ}$ (valor da questão anterior), então $n=\dfrac{812}{8120}=0{,}1\ \text{mol}$.

3) Classe da molécula. A butirina (tributirina) é um triglicerídeo, ou seja, um lipídio: três ácidos graxos ligados a uma molécula de glicerol. Como ela aparece “na manteiga e na margarina”, a dica do enunciado também aponta para gordura. Proteínas são formadas por aminoácidos (com nitrogênio), e carboidratos, por açúcares; a fórmula $\text{C}_{15}\text{H}_{26}\text{O}_6$ não tem nitrogênio.

Uma conferência de bom senso: $0{,}1\ \text{mol}$ de tributirina ($M\approx302\ \text{g/mol}$) é cerca de $30\ \text{g}$ de gordura, e 812 kJ são algo em torno de 190 kcal. É pouco, porque estamos elevando a temperatura do corpo em apenas $2\,^\circ\text{C}$, e sem contar as perdas de calor para o ambiente.

Q43
Eletricidade — Eletrostática — Capacitor: Energia e Carga (Desfibrilador)

Um desfibrilador é um dispositivo capacitivo que, tipicamente, tem uma ddp de 6000 V e armazena uma energia de 180 J, fornecendo um pulso de corrente da ordem de 5 ms. Para atingir seus objetivos, em geral são necessários vários pulsos de descarga. Conforme o exposto, a função biológica desse dispositivo, sua capacitância em μF e a corrente média que flui durante o pulso, em ampère, são, respectivamente:

A)restabelecer os discos intercalares, 10 e 12.
B)restabelecer os discos intercalares, 0,10 e 12.
C)restabelecer as interdigitações, 0,10 e 0,12.
D)restabelecer a atividade do nó sinoatrial, 0,10 e 0,12.
E)restabelecer a atividade do nó sinoatrial, 10 e 12.

Gabarito oficial — UFG 2014-1

E
Resolução comentada

O desfibrilador é, fisicamente, um capacitor que armazena energia e a descarrega em um pulso curtíssimo. Vamos usar as duas fórmulas do capacitor.

1) Capacitância. $E=\dfrac{C\,U^2}{2}\ \Rightarrow\ C=\dfrac{2E}{U^2}=\dfrac{2\times180}{(6000)^2}=\dfrac{360}{3{,}6\times10^{7}}=1{,}0\times10^{-5}\ \text{F}=10\ \mu\text{F}$.

2) Corrente média. A carga liberada é $Q=C\,U=10^{-5}\times6000=0{,}06\ \text{C}$. Dividindo pelo tempo do pulso, $i_m=\dfrac{Q}{\Delta t}=\dfrac{0{,}06}{5\times10^{-3}}=12\ \text{A}$. É uma corrente altíssima, mas por um intervalo muito curto (5 ms), o que dá os 180 J.

Isso elimina as alternativas com $0{,}10\ \mu\text{F}$ ou $0{,}12\ \text{A}$: são erros de duas ou três ordens de grandeza, típicos de quem esquece o fator 2 ou os prefixos.

3) Parte de Biologia. Na fibrilação, as células do coração se contraem de forma desordenada. O choque despolariza o músculo cardíaco todo ao mesmo tempo e permite que o nó sinoatrial, o marca-passo natural do coração, reassuma o comando do ritmo. Os discos intercalares e as interdigitações são estruturas de junção entre as células cardíacas, que o aparelho não “restabelece”.

Q44
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência e energia de um relâmpago

No clima tropical, que abrange a maior parte do Brasil, há com frequência a ocorrência de relâmpagos com maior ou menor sazonalidade. Tipicamente, esta descarga elétrica ocorre sob uma diferença de potencial de $10^8\,\text{V}$, com intensidade da ordem de $10^5\,\text{A}$, e dura cerca de 0,5 s. Considerando-se a região Centro-Sul do Brasil, quais são os três fatores mais relevantes para a ocorrência de relâmpagos e qual é a energia, em joule, associada a um relâmpago para os dados apresentados?

A)O relevo, o encontro de massas de ar frias e quentes e o espaço urbano, e $5\times10^{12}$.
B)Maritimidade, o deslocamento das massas de ar frias e a proximidade de grandes rios, e $2\times10^{13}$.
C)Maritimidade, a existência de uma serra e as massas de ar frias, e $2\times10^{12}$.
D)O relevo, o encontro de massas de ar frias e quentes e o espaço urbano, e $2\times10^{13}$.
E)O relevo, o espaço urbano e o estacionamento das massas de ar frias, e $5\times10^{12}$.

Gabarito oficial — UFG 2014-1

A
Resolução comentada

A parte de Física é uma aplicação direta de potência e energia elétricas: $P=U\,i$ e $E=P\,\Delta t$, isto é, $E=U\,i\,\Delta t$.

$E=(10^{8}\ \text{V})(10^{5}\ \text{A})(0{,}5\ \text{s})=5\times10^{12}\ \text{J}$.

É uma energia gigantesca. Vale notar que os números do enunciado são idealizados: na prática, a corrente de pico de um raio dura milésimos de segundo e não se mantém constante durante meio segundo.

A parte de Geografia pede os fatores que favorecem os relâmpagos no Centro-Sul do Brasil. Tempestades elétricas precisam de ar quente e úmido subindo com força (convecção intensa), o que é favorecido pelo relevo (que força a ascensão do ar), pelo encontro de massas de ar frias e quentes (as frentes) e pelas áreas urbanas (ilhas de calor e aerossóis). É a combinação apresentada nas alternativas A e D. Como a energia calculada é $5\times10^{12}\ \text{J}$, e não $2\times10^{13}\ \text{J}$, só a A fecha.

Q45
Óptica — Óptica da Visão — Defeitos Visuais

Ao realizar exames oftalmológicos, em um ambiente pouco iluminado, os jovens J1 e J2 descobriram que o diâmetro do corpo vítreo de seus olhos é de 18 mm. Nesse exame, descobriu-se que, para J1, as imagens dos objetos são formadas 13 mm após o cristalino, enquanto, para J2, o diagnóstico atestou que ele não visualiza nitidamente objetos a 25 cm do olho. Conforme o exposto, quais são, respectivamente, os tipos de lentes corretivas que J1 e J2 devem utilizar e quais células responderam mais eficientemente ao estímulo luminoso?

A)Divergente e convergente, e bastonetes na córnea.
B)Divergente e divergente, e bastonetes na retina.
C)Convergente e divergente, e cones na córnea.
D)Divergente e divergente, e cones na retina.
E)Divergente e convergente, e bastonetes na retina.

Gabarito oficial — UFG 2014-1

E
Resolução comentada

A questão junta três ideias de óptica da visão: a posição da imagem, o tipo de defeito e a lente corretiva.

J1. O globo ocular tem $18\ \text{mm}$ de diâmetro, então a retina está a $18\ \text{mm}$ do cristalino. Se a imagem se forma a $13\ \text{mm}$, ou seja, antes da retina, a luz está convergindo demais. É a miopia. A correção precisa fazer a luz convergir menos: lente divergente.

J2. Ele não vê nitidamente objetos a $25\ \text{cm}$, que é a distância normal de leitura (ponto próximo de um olho sadio). Isso indica que o ponto próximo dele está mais longe: é a hipermetropia (ou vista cansada), em que a imagem se formaria “atrás” da retina. A correção exige mais convergência: lente convergente.

Células. Em ambiente pouco iluminado, quem responde melhor são os bastonetes, muito sensíveis à luz fraca (porém sem distinguir cores). Os cones funcionam em boa iluminação e dão a visão colorida. E as células fotossensíveis ficam na retina, e não na córnea, que é a parte transparente na frente do olho.

Uma dica de memória: miopia $\rightarrow$ divergente e hipermetropia $\rightarrow$ convergente. Em J1, a distância imagem-cristalino (13 mm) menor que o comprimento do olho (18 mm) mostra que o olho é “forte demais”.

Q46
Ondulatória — Ondas Eletromagnéticas — Micro-ondas e Grade Metálica

O princípio de funcionamento do forno de micro-ondas é a excitação ressonante das vibrações das moléculas de água contidas nos alimentos. Para evitar a fuga de radiação através da porta de vidro, os fabricantes colocam na parte interna do vidro uma grade metálica. Uma condição para que uma onda eletromagnética seja especularmente refletida é que seu comprimento de onda seja maior que o tamanho das irregularidades da superfície refletora. Considerando-se que a frequência de vibração da molécula de água é aproximadamente 2,40 GHz e que o espaçamento da grade é da ordem de 1,0% do comprimento de onda da micro-onda usada, conclui-se que o espaçamento, em mm, é:

Dado: $c=3{,}00\times10^8\,\text{m/s}$.

A)0,8
B)1,25
C)8
D)80
E)125

Gabarito oficial — UFG 2014-1

B
Resolução comentada

Toda onda obedece a $v=\lambda f$; para a luz e demais ondas eletromagnéticas no ar, $v=c$. Assim:

$\lambda=\dfrac{c}{f}=\dfrac{3{,}00\times10^{8}}{2{,}40\times10^{9}}=0{,}125\ \text{m}=125\ \text{mm}$.

O enunciado diz que o espaçamento da grade é $1{,}0\%$ desse comprimento de onda: $0{,}01\times125\ \text{mm}=1{,}25\ \text{mm}$.

O sentido físico: as aberturas da grade são bem menores que $\lambda$. Como a condição para haver reflexão é que o comprimento de onda seja maior que as irregularidades da superfície, para as micro-ondas (de 12,5 cm) a grade funciona como uma parede contínua e reflete a radiação de volta. Já a luz visível ($\lambda\approx500\ \text{nm}$) é muito menor que esses furos e passa, o que permite enxergar a comida através da porta.

Cuidado com os prefixos: $125\ \text{mm}$ (alternativa E) é o próprio comprimento de onda, e não o espaçamento; e o erro de vírgula é fácil, por isso vale conferir se a unidade final é mm, como pedido.

Q47
Termologia — Dilatação Térmica — Juntas de Expansão

Uma longa ponte foi construída e instalada com blocos de concreto de 5 m de comprimento a uma temperatura de 20 °C, em uma região na qual a temperatura varia ao longo do ano entre 10 °C e 40 °C. O concreto desses blocos tem coeficiente de dilatação linear de $10^{-5}\,°\text{C}^{-1}$. Nessas condições, qual distância, em cm, deve ser resguardada entre os blocos na instalação para que, no dia mais quente do verão, a separação entre eles seja de 1 cm?

A)1,01
B)1,10
C)1,20
D)2,00
E)2,02

Gabarito oficial — UFG 2014-1

B
Resolução comentada

Este é o problema clássico da junta de dilatação de pontes e calçadas. O concreto expande no calor, e sem um vão entre os blocos eles se pressionariam e trincariam.

A ponte foi instalada a $20\,^\circ\text{C}$, e o dia mais quente chega a $40\,^\circ\text{C}$, portanto $\Delta T=20\,^\circ\text{C}$. A dilatação de cada bloco é

$\Delta L=\alpha\,L_0\,\Delta T=10^{-5}\times5\times20=1{,}0\times10^{-3}\ \text{m}=0{,}10\ \text{cm}$.

Esse $0{,}10\ \text{cm}$ é o quanto fecha o vão entre dois blocos vizinhos (cada bloco cresce $0{,}10\ \text{cm}$, dividido igualmente entre suas duas extremidades). Para sobrar $1\ \text{cm}$ no dia mais quente, é preciso instalar com $1{,}00+0{,}10=1{,}10\ \text{cm}$.

Duas pegadinhas: a temperatura mínima ($10\,^\circ\text{C}$) não importa para o vão que se fecha, pois no frio os blocos encolhem e o vão só aumenta; e é o dia mais quente que define a condição crítica. Outro erro comum é somar a dilatação de dois blocos ($1{,}20\ \text{cm}$, alternativa C).

Q48
Mecânica — Dinâmica — Gráficos de Velocidade e Força

Um objeto de 5 kg move-se em linha reta sob a ação de uma força. O gráfico a seguir representa sua velocidade em função do tempo.

Gráfico da velocidade em m/s em função do tempo em s: reta decrescente de 6 m/s em t = -2 s a -2 m/s em t = 2 s

Considerando-se os dados apresentados, conclui-se que o gráfico que representa a força que atua no objeto em função do tempo é o seguinte:

Cinco gráficos de força em função do tempo: (A) parábola voltada para baixo com máximo de 10 N, (B) parábola voltada para cima com mínimo de -10 N, (C) constante em +10 N, (D) constante em -10 N, (E) reta crescente de -10 N a +10 N
A)A
B)B
C)C
D)D
E)E

Gabarito oficial — UFG 2014-1

D
Resolução comentada

Como o enunciado dá a massa e o gráfico da velocidade, a ligação é a 2ª lei de Newton: $F=m\,a$. A aceleração, por sua vez, é a inclinação do gráfico $v\times t$.

1) Aceleração. Lendo dois pontos do gráfico, $a=\dfrac{\Delta v}{\Delta t}=\dfrac{-2-6}{2-(-2)}=\dfrac{-8}{4}=-2\ \text{m/s}^2$. Como o gráfico é uma reta, a aceleração é constante em todo o intervalo.

2) Força. $F=m\,a=5\times(-2)=-10\ \text{N}$. Sendo a aceleração constante e a massa também, a força é constante e negativa: no gráfico $F\times t$, uma reta horizontal abaixo do eixo, em $-10\ \text{N}$.

Repare que o objeto continua se movendo mesmo com velocidade negativa: velocidade e força têm o mesmo sinal no trecho final (o objeto acelera no sentido negativo) e sinais opostos no início (ele freia). Mas a força não muda de sinal, porque a inclinação do gráfico não muda. Esse é o erro comum de quem acha que a força deveria “trocar de sinal” quando a velocidade cruza o zero.

Q49
Óptica — Reflexão e Espelhos — Reflexão em Espelhos Planos

A figura a seguir representa um dispositivo óptico constituído por um laser, um espelho fixo, um espelho giratório e um detector. A distância entre o laser e o detector é $d=1{,}0\,\text{m}$, entre o laser e o espelho fixo é $h=\sqrt3\,\text{m}$ e entre os espelhos fixo e giratório é $D=2{,}0\,\text{m}$.

Dispositivo óptico com laser, espelho fixo, espelho giratório e detector, com as distâncias h, d e D indicadas

Sabendo-se que $\alpha=45°$, o valor do ângulo $\beta$ para que o feixe de laser chegue ao detector é:

A)15°
B)30°
C)45°
D)60°
E)75°

Gabarito oficial — UFG 2014-1

D
Resolução comentada

Em problemas de espelho, desenhe o percurso do feixe. Com as medidas da figura, dá para seguir o raio passo a passo.

1) Primeiro espelho (fixo, $\alpha=45^\circ$). O laser emite verticalmente. Um espelho inclinado a $45^\circ$ desvia o feixe em $90^\circ$, deixando-o na horizontal, por uma distância $D=2{,}0\ \text{m}$ até o espelho giratório.

2) O que o segundo espelho precisa fazer. Do espelho giratório ao detector, o deslocamento é de $1{,}0\ \text{m}$ na horizontal (a distância $d$ entre laser e detector, dada) por $\sqrt3\ \text{m}$ na vertical (a altura $h$). Portanto, o raio refletido deve formar com a horizontal um ângulo $\theta$ tal que $\tan\theta=\dfrac{\sqrt3}{1}$, isto é, $\theta=60^\circ$. Note que a hipotenusa vale $\sqrt{1+3}=2\ \text{m}$, um triângulo 30°-60°-90° bem conhecido.

3) Da direção do raio ao ângulo do espelho. Na chegada ao segundo espelho, o feixe vem pela horizontal. Para chegar ao detector, ele precisa sair apontando para baixo e para trás, ou seja, virar $120^\circ$ em relação à direção original (o raio que sai forma $60^\circ$ com o raio que chegou, se você o inverter). Pela lei da reflexão, a normal ao espelho é a bissetriz desse ângulo de $60^\circ$, então o ângulo de incidência vale $30^\circ$. O espelho é perpendicular à normal, de modo que ele faz $90^\circ-30^\circ=60^\circ$ com o feixe que chega. Esse é o valor de $\beta$, alternativa D.

Uma verificação: com $\beta=45^\circ$, o feixe viraria apenas $90^\circ$, e com $\beta=30^\circ$, $60^\circ$. O desvio necessário é de $120^\circ$, e é isso que $\beta=60^\circ$ produz, já que o desvio do raio é $180^\circ-2\times(90^\circ-\beta)=2\beta$.

Q50
Física Moderna — Física Quântica — Modelo Atômico de Bohr

Em 1913, há cem anos, Niels Bohr, para resolver o problema da emissão de radiação por partículas carregadas que se movem em uma órbita circular, formulou a hipótese de que o momento angular do elétron no átomo de hidrogênio era quantizado, ou seja, $mvr=n\hbar$, com $n=1,2,3,\ldots$. Essa hipótese foi necessária, pois, de acordo com a Física clássica, o elétron colapsaria no núcleo, o que seria explicado

A)pela perda discreta de energia potencial e diminuição do raio da órbita por saltos quânticos.
B)pela conservação da energia mecânica com perda de energia potencial e ganho de energia cinética.
C)pela perda contínua de energia cinética e de quantidade de movimento.
D)pela conservação do momento angular e diminuição do raio da órbita.
E)pelo aumento da força centrípeta e aumento da velocidade.

Gabarito oficial — UFG 2014-1

C
Resolução comentada

Para entender a questão, vamos voltar ao problema que Bohr enfrentava. Pela Física clássica, um elétron em órbita circular em torno do núcleo tem aceleração centrípeta. Uma carga acelerada, segundo o eletromagnetismo de Maxwell, emite radiação continuamente. Logo, o elétron perderia energia sem parar, o raio diminuiria e ele espiralaria até cair no núcleo em cerca de $10^{-10}\ \text{s}$. Um átomo clássico não seria estável.

Bohr resolveu isso com um postulado: existem órbitas especiais, com $m v r=n\hbar$, nas quais o elétron não irradia. Ele só emite ou absorve energia ao pular de uma órbita para outra.

Analisando as alternativas. O que se pede é a explicação clássica do colapso. A traz a ideia de “saltos quânticos”, que pertence à teoria de Bohr, e não à clássica. B e D falam em conservação de energia e de momento angular, o que contraria a emissão contínua de radiação, que retira energia e momento angular do elétron. E fala das consequências (força e velocidade aumentam quando o raio diminui), mas não da causa. A alternativa que descreve a causa clássica, a perda contínua, por radiação, é a C.

Nota de professor. Se formos rigorosos, a energia cinética de uma órbita circular coulombiana é $E_c=\dfrac{k e^{2}}{2r}$ e aumenta quando $r$ diminui; o que diminui continuamente é a energia total (e o momento angular). A redação da C, portanto, é um pouco imprecisa, mas ela é a única que traz a ideia central de perda contínua por radiação, e é a indicada no gabarito oficial.

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