UEL 2003 · CE — Questões de Física comentadas — Método TEF
Universidade Estadual de Londrina
Física · 2ª fase (Conhecimentos Específicos, objetiva) · 07/01/2003 · Respostas e resoluções comentadas.
Dados da prova
UEL — Vestibular 2003 · ingresso em 2003.
2ª fase — Conhecimentos Específicos (CE): prova objetiva aplicada em 07/01/2003, com questões de Física (1 a 20) e de Matemática. Esta página traz a Física, com enunciados preservados; gabarito: gabarito oficial (COPS), conferido pela resolução de cada questão.
Na questão 11, a alternativa gabaritada traz a expressão “dependendo da energia dos elétrons”, que é imprecisa; mantivemos o gabarito oficial e comentamos na resolução.
A 1ª fase (Conhecimentos Gerais, objetiva) está em página própria: use o botão CG. O restante do caderno contém outras disciplinas e não integra esta seção de Física.
Q1
Mecânica — Gravitação — Satélite estacionário: Altitude da órbita
Observe a figura e responda às questões de números 1 a 7.
(Revista Veja, n. 1773, 16 out. 2002.)
Se o satélite americano for estacionário, isto é, se seu período de rotação for igual a 24 horas (86 400 s), qual é a sua altitude?
Dados: $G=6{,}7\times10^{-11}\ \mathrm{N\,m^2/kg^2}$; massa da Terra: $M_T=6{,}0\times10^{24}$ kg; raio da Terra: $r_T=6{,}38\times10^{6}$ m
A)$36\times10^{4}$ m
B)$36\times10^{6}$ m
C)$36\times10^{8}$ m
D)$36\times10^{9}$ m
E)$36\times10^{10}$ m
Gabarito
B
Resolução
A força gravitacional faz o papel de resultante centrípeta: $\dfrac{GM_Tm}{r^2}=m\left(\dfrac{2\pi}{T}\right)^2 r$, o que dá $r^3=\dfrac{GM_T\,T^2}{4\pi^2}$.
Com os dados: $r^3=\dfrac{6{,}7\times10^{-11}\cdot6{,}0\times10^{24}\cdot(86\,400)^2}{4\pi^2}\approx7{,}6\times10^{22}\ \mathrm{m^3}$, logo $r\approx4{,}24\times10^{7}$ m.
A altitude é a distância à superfície: $h=r-r_T\approx4{,}24\times10^{7}-0{,}64\times10^{7}\approx3{,}6\times10^{7}$ m $=36\times10^{6}$ m. Alternativa B.
Q2
Mecânica — Gravitação — Energia mecânica: Satélite em órbita circular
Qual é a energia mecânica total do satélite americano, de massa $m$, cuja órbita circular em torno da Terra tem raio $r$? Considere a massa da Terra igual a $M$.
A)$E=\dfrac{GMm}{2r^2}$
B)$E=\dfrac{GMm}{r}$
C)$E=\dfrac{GMm}{3r}$
D)$E=-\dfrac{GMm}{r^2}$
E)$E=-\dfrac{GMm}{2r}$
Gabarito
E
Resolução
Em órbita circular, a gravidade é a resultante centrípeta: $\dfrac{GMm}{r^2}=\dfrac{mv^2}{r}$, de onde $E_c=\dfrac{mv^2}{2}=\dfrac{GMm}{2r}$.
A energia potencial gravitacional é $E_p=-\dfrac{GMm}{r}$. Somando: $E=E_c+E_p=\dfrac{GMm}{2r}-\dfrac{GMm}{r}=-\dfrac{GMm}{2r}$. Alternativa E.
Q3
Ondas — Acústica — Número de Mach: Onda de choque e explosão sônica
(Revista Veja, n. 1773, 16 out. 2002.)
Considere as afirmativas sobre características e fenômenos físicos relacionados ao antimíssil Arrow.
O antimíssil Arrow voa a uma velocidade de Mach 9, o que significa que a sua velocidade é de 9 vezes a velocidade do som no ar.
O antimíssil Arrow voa a uma velocidade de Mach 9, o que significa que a sua velocidade é de 9 vezes a velocidade da luz no ar.
A onda de choque gerada pelo antimíssil Arrow produz um efeito luminoso chamado de explosão sônica óptica.
A onda de choque gerada pelo antimíssil Arrow produz um efeito sonoro chamado de explosão sônica.
São corretas apenas as afirmativas:
A)I e III.
B)II e III.
C)I e IV.
D)II e IV.
E)III e IV.
Gabarito
C
Resolução
O número de Mach é a razão entre a velocidade do corpo e a velocidade do som no meio; Mach 9 significa nove vezes a velocidade do som. A afirmativa I é verdadeira e a II, falsa.
Quando um corpo se move com velocidade supersônica, forma-se uma onda de choque que o observador percebe como um estrondo, a explosão sônica (IV, verdadeira). Não existe “explosão sônica óptica” (III, falsa). Alternativa C.
Q4
Mecânica — Dinâmica — Lançamento oblíquo: Forças sobre um míssil
Os mísseis Scud, de origem russa, foram modernizados por engenheiros iraquianos, que aumentaram seu alcance. Os resultados foram o Al-Hussein, com 650 km de alcance e o Al-Abbas, com 900 km de alcance. O tempo de vôo deste último míssil entre o Iraque e Israel é de apenas seis a sete minutos. Sobre o movimento de qualquer desses mísseis, após um lançamento bem-sucedido, é correto afirmar:
A)Quando lançado, as forças que atuam no míssil são a força de propulsão e a força peso. Após o lançamento, as forças peso e de resistência do ar atuam em toda a trajetória, ambas na mesma direção e com sentidos contrários.
B)A força propulsora atua durante o lançamento e, em seguida, o míssil fica apenas sob a ação da força gravitacional, que o faz descrever uma trajetória parabólica.
C)A força de resistência do ar, proporcional ao quadrado da velocidade do míssil, reduz o alcance e a altura máxima calculados quando são desprezadas as forças de resistência.
D)Durante o lançamento, a única força que atua no míssil é a força de propulsão.
E)Durante toda a trajetória, há uma única força que atua no míssil: a força peso.
Gabarito
C
Resolução
A resistência do ar tem a direção da velocidade e sentido oposto, que muda ao longo da trajetória; o peso é sempre vertical. As duas só têm a mesma direção no movimento vertical, o que torna A falsa.
B é falsa porque a resistência do ar atua durante todo o voo (a trajetória não é parabólica); D e E ignoram, respectivamente, o peso e a resistência. Como a resistência do ar se opõe ao movimento e cresce com $v^2$, ela reduz alcance e altura máxima em relação ao cálculo sem atrito. Alternativa C.
Q5
Mecânica — Dinâmica — Sistemas de massa variável: Equação do foguete
Durante o lançamento de um míssil (Scud ou Arrow), há uma queima de combustível para que os gases, provenientes dessa queima, sejam ejetados para fora do míssil, provocando uma variação da velocidade. A variação da velocidade do míssil $\Delta\vec v$, devido exclusivamente à queima do combustível, depende da massa inicial $m_i$; da massa final $m_f$, que atinge após a queima do combustível; e de $\vec v_e$, a velocidade de ejeção dos gases em relação ao foguete, dada pela relação: $\Delta\vec v=-\vec v_e\ln\left(\dfrac{m_i}{m_f}\right)$.
Sobre o lançamento desses mísseis, considere as seguintes afirmativas:
A relação de massas, representada pelo quociente $\dfrac{m_i}{m_f}$, cresce exponencialmente à medida que se procura aumentar a velocidade final atingida pelo míssil.
A velocidade final atingida pelo míssil é muito inferior à que resultaria da relação $\vec v_f-\vec v_i=-\vec v_e\ln\left(\dfrac{m_i}{m_f}\right)$, pois não estão sendo consideradas as forças externas, tais como a resistência do ar e a força-peso gravitacional.
Durante o lançamento do míssil, o momento linear do míssil se conserva.
As leis de Newton não se aplicam ao movimento de um míssil, pois trata-se de um sistema de massa variável.
São corretas apenas as afirmativas:
A)I e II.
B)III e IV.
C)I e III.
D)II e IV.
E)I e IV.
Gabarito
A
Resolução
I) Invertendo a relação, $\dfrac{m_i}{m_f}=e^{\Delta v/v_e}$: para obter maior velocidade, a razão de massas precisa crescer exponencialmente. Verdadeira.
II) A equação considera só a ejeção dos gases; a resistência do ar e o peso reduzem a velocidade real. Verdadeira.
III) O momento linear do míssil não se conserva, pois ele ejeta massa e recebe o impulso dos gases; só o momento do sistema míssil + gases se conservaria, na ausência de forças externas. Falsa.
IV) As leis de Newton valem sempre; o que muda é que, com massa variável, é preciso aplicá-las ao sistema correto. Falsa. Alternativa A.
O radar (Radio Detection and Ranging) é empregado de várias formas. Ora está presente, por exemplo, em complexas redes de defesa aérea, destinado ao controle de disparo de armas, ora é usado como altímetro. Seu princípio de funcionamento baseia-se na emissão de ondas eletromagnéticas, na reflexão pelo objeto a ser detectado e na posterior recepção da onda emitida. Sobre o radar no solo, mostrado na figura, é correto afirmar:
A)A freqüência da onda refletida pelos aviões que voam de Israel para o Iraque é maior que a freqüência da onda emitida pelo radar, pois esses aviões, ao refletirem as ondas, são fontes que se afastam do radar.
B)A freqüência da onda refletida pelos aviões que voam de Israel para o Iraque é menor que a freqüência da onda emitida pelo radar, pois esses aviões, ao refletirem as ondas, são fontes que se afastam do radar.
C)O radar identifica os aviões que saem do Iraque para atacar Israel porque a freqüência da onda refletida por eles é menor que a emitida pelo radar que os detectou.
D)O radar não detecta o míssil Scud, pois este é lançado com velocidade maior que a faixa de freqüência em que aquele opera.
E)A freqüência de operação do radar tem que estar ajustada à velocidade de lançamento do míssil; por isso o radar opera na faixa de Mach 8 - 10.
Gabarito
B
Resolução
O radar israelense está em Israel. Um avião que voa de Israel para o Iraque afasta-se dele; pelo efeito Doppler, a onda refletida volta com frequência menor que a emitida, pois o avião, ao refletir, atua como fonte em afastamento. Alternativa B.
A alternativa A inverte o efeito; em C o avião que sai do Iraque se aproxima do radar, e a frequência refletida seria maior; D e E confundem velocidade do alvo com frequência de operação do radar.
Q7
Ondas — Acústica — Propagação do som: Velocidade do avião pelo ângulo de visada
(Revista Veja, n. 1773, 16 out. 2002.)
Um observador em repouso no solo ouve o som emitido pelo avião enviado para atacar o Iraque (conforme sugere a figura) e, ao olhar para cima, vê o avião segundo um ângulo com a vertical de $35^\circ$. Se o som ouvido foi emitido pelo avião quando este se encontrava na linha vertical perpendicular ao observador, e a temperatura na região é de $20\,{}^\circ\mathrm{C}$, qual é a velocidade do avião?
Dados: $\operatorname{sen}35^\circ=0{,}57$; $\cos35^\circ=0{,}82$; $\operatorname{tg}35^\circ=0{,}70$; velocidade do som no ar a $20\,{}^\circ\mathrm{C}$: $v_s=340$ m/s
A)223 m/s
B)227 m/s
C)235 m/s
D)238 m/s
E)243 m/s
Gabarito
D
Resolução
Seja $h$ a altura do avião quando emitiu o som, na vertical do observador. O som percorre $h$ com velocidade $v_s$ no tempo $t=h/v_s$.
Nesse mesmo intervalo o avião avançou $d=vt$ na horizontal. No instante em que o som chega, o avião é visto sob $35^\circ$ com a vertical: $\operatorname{tg}35^\circ=\dfrac{d}{h}=\dfrac{vt}{v_st}=\dfrac{v}{v_s}$.
Logo $v=v_s\operatorname{tg}35^\circ=340\times0{,}70=238$ m/s. Alternativa D.
Q8
Física moderna — Radiação térmica — Cor, temperatura e frequência: Galáxias
A luz emitida pelo vapor incandescente de um elemento químico pode ser separada em raias de diferentes cores, com o uso de um prisma de cristal, revelando uma série de linhas que caracterizam a substância. Quando observamos o céu a olho nu, a nossa galáxia, Via Láctea, é apenas um borrão. Se utilizarmos um binóculo comum, observamos que esse borrão é constituído por milhões de pontos de luz separados. Se utilizarmos instrumentos cada vez mais potentes, observaremos que as galáxias apresentam uma grande variedade de cores e luminosidades. Por exemplo: as galáxias elípticas são vermelhas, e as galáxias espirais são azuis. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta:
A)A luz azulada das galáxias espirais, cuja temperatura é mais baixa, tem freqüência mais elevada se comparada à luz das galáxias elípticas, que é avermelhada.
B)A luz azulada das galáxias espirais, cuja temperatura é mais alta, tem freqüência mais elevada se comparada à luz das galáxias elípticas, que é avermelhada.
C)A luz azulada das galáxias espirais, cuja temperatura é mais alta, tem freqüência mais baixa se comparada à luz das galáxias elípticas, que é avermelhada.
D)A luz azulada das galáxias espirais, cuja temperatura é mais baixa, tem freqüência mais baixa se comparada à luz das galáxias elípticas, que é avermelhada.
E)A luz azulada das galáxias espirais, cuja temperatura é mais alta, tem a mesma freqüência da luz das galáxias elípticas, que é avermelhada.
Gabarito
B
Resolução
No espectro visível, o azul tem frequência maior que o vermelho. Pela radiação térmica (lei de Wien), quanto mais quente o corpo, mais o pico de emissão se desloca para frequências altas: estrelas azuis são mais quentes que estrelas vermelhas.
Portanto, as galáxias espirais (azuis) têm temperatura mais alta e luz de frequência mais elevada que as elípticas (vermelhas). Alternativa B.
Q9
Ondas — Ondas eletromagnéticas — Telecomunicações: Transmissão e recepção
Há 101 anos, Marconi fez a primeira transmissão telegráfica através do Atlântico. Leia o texto sobre o assunto.
“A leitura de um artigo que sugeria o uso de ondas eletromagnéticas para transmitir sinais telegráficos motivou o jovem Guglielmo Marconi (1874-1937) a pôr em prática essa proposta revolucionária. Tais ondas haviam sido previstas pelo físico escocês James Clerk Maxwell (1831-1879), e sua existência foi comprovada experimentalmente pelo físico alemão Heinrich Hertz (1857-1894). Com visão de longo alcance, inventividade e determinação, Marconi construiu e aperfeiçoou equipamentos que lhe permitiram demonstrar a realidade da transmissão sem fio a distâncias cada vez maiores, culminando, em 1901, com a primeira transmissão telegráfica através do Atlântico.” (Ciência Hoje, vol. 28, n. 68.)
Sobre as telecomunicações, é correto afirmar:
A)Os sinais são gerados através da indução magnética e recebidos através da indução elétrica.
B)A transmissão nas telecomunicações ocorre através de sinais de corrente elétrica emitidos pelas antenas.
C)A propagação das ondas eletromagnéticas sofre influência das condições atmosféricas e, quando há ventania, o sinal é danificado.
D)Os sinais são gerados através de correntes estacionárias em circuitos de corrente contínua.
E)A transmissão e recepção nas telecomunicações são realizadas em circuitos elétricos, cuja corrente oscila com a freqüência característica da estação retransmissora.
Gabarito
E
Resolução
As ondas eletromagnéticas são geradas por cargas aceleradas, isto é, por correntes que oscilam em circuitos ligados às antenas. No receptor, o circuito é sintonizado na frequência da estação e passa a oscilar com ela. É o que diz a alternativa E.
Correntes contínuas e estacionárias não irradiam (D); a antena emite ondas, não “sinais de corrente” (B); a ventania não danifica o sinal por si só (C); e A descreve um processo que não corresponde à geração e recepção de ondas.
Q10
Eletromagnetismo — Campo magnético — Força magnética: Deflexão do feixe no tubo de TV
O tubo de imagem dos aparelhos de televisão possui um filamento que libera elétrons por efeito termiônico. Esses elétrons são acelerados por campos elétricos em direção à parte interna da tela, formando um feixe de elétrons que atravessa uma região de campo magnético e que é defletido nas direções horizontal e vertical, proporcionando a varredura da tela. No Brasil, a tela de TV é composta por 525 linhas por quadro, e a velocidade de varredura do feixe eletrônico é de 30 quadros por segundo. Sobre a deflexão do feixe, é correto afirmar:
A)A deflexão vertical do feixe é provocada pela componente vertical do campo magnético.
B)A deflexão vertical do feixe é provocada pela componente vertical do campo elétrico.
C)A deflexão horizontal do feixe é provocada pela componente vertical do campo elétrico.
D)A deflexão horizontal do feixe é provocada pela componente vertical do campo magnético.
E)A deflexão horizontal do feixe é provocada pela componente horizontal do campo magnético.
Gabarito
D
Resolução
O enunciado diz que o feixe é defletido ao atravessar uma região de campo magnético. A força magnética $\vec F=q\vec v\times\vec B$ é perpendicular tanto à velocidade quanto ao campo.
O feixe viaja ao longo do eixo do tubo. Para ser desviado na horizontal, a força deve ser horizontal e, portanto, perpendicular a ela: o campo responsável é o vertical. Analogamente, o desvio vertical exige componente horizontal de $\vec B$. Alternativa D.
Q11
Óptica — Cores e luz — Formação da imagem: Tela de TV
A tela da televisão é recoberta por um material que emite luz quando os elétrons do feixe incidem sobre ela. O feixe de elétrons varre a tela linha por linha, da esquerda para a direita e de cima para baixo, formando assim a imagem da cena transmitida. Sobre a formação da imagem na tela fotoluminescente, é correto afirmar:
A)Na televisão em preto-e-branco, há apenas a emissão de duas cores: a branca e a preta; e as diferentes tonalidades de cinza são proporcionadas pela variação da intensidade do feixe eletrônico.
B)Na televisão em cores há três feixes eletrônicos com intensidades diferentes, que ao incidirem na tela proporcionam a emissão das três cores primárias de luz: azul, vermelho e verde.
C)Cada região da tela da televisão em cores é um emissor de luz, constituído por três partes diferentes de material fotoluminescente, que emitem as cores primárias de luz – azul, vermelho e verde – dependendo da energia dos elétrons incidentes.
D)Na televisão em preto-e-branco, cada região da tela é composta por dois emissores de luz, que emitem nas cores preta e branca, conforme a intensidade do feixe eletrônico.
E)A emissão das três cores primárias da tela de televisão em cores depende da energia cinética com que os elétrons incidem: o vermelho corresponde à incidência de elétrons de baixa energia cinética, e o azul, à incidência de elétrons de alta energia cinética.
Gabarito
C
Resolução
Preto não é luz emitida, é ausência de emissão: não há emissor “preto” (A e D). Os tons de cinza vêm da intensidade do feixe sobre o material emissor de luz branca.
Na TV em cores, cada ponto da tela tem três materiais fotoluminescentes (vermelho, verde e azul), cuja emissão combinada forma as demais cores. A alternativa C descreve essa estrutura, que é o ponto central da questão; B e E trazem erros mais graves.
Observação: a expressão “dependendo da energia dos elétrons” é imprecisa, já que o que seleciona a cor é qual material o feixe atinge. Mesmo assim, C é a única que descreve a estrutura correta; é o gabarito oficial.
Q12
Eletricidade — Eletrostática — Indução eletrostática: Câmara de TV
A câmara de TV é o dispositivo responsável pela captação da imagem e pela transformação desta em corrente elétrica. A imagem é formada num mosaico constituído por grânulos de césio, que se carregam positivamente quando atingidos pela luz. Separada desse mosaico por uma lâmina de mica, encontra-se uma placa constituída por um material condutor de eletricidade denominada placa de sinal. Nessa placa, forma-se uma réplica eletrostática da imagem, formada no mosaico, constituída de cargas negativas. Sobre a réplica da imagem eletrostática na placa de sinal, é correto afirmar:
A)As regiões mais claras da imagem correspondem às regiões eletrizadas com maior quantidade de cargas positivas na réplica da imagem eletrostática.
B)As regiões mais escuras da imagem correspondem às regiões eletrizadas com maior quantidade de cargas positivas na réplica da imagem eletrostática.
C)A réplica da imagem eletrostática é produzida através da eletrização por contato com grânulos de césio do mosaico.
D)A réplica da imagem eletrostática é um conjunto de minicapacitores formados por efeito de indução eletrostática.
E)A réplica da imagem eletrostática é um conjunto de mini-indutores formados por efeito de indução eletromagnética.
Gabarito
D
Resolução
Mosaico (cargas positivas), lâmina de mica (isolante) e placa condutora (cargas negativas induzidas) formam, em cada ponto, um capacitor: dois condutores separados por um dielétrico. A carga negativa na placa surge por indução eletrostática, sem contato.
Descartamos C (não há contato, a mica isola) e E (não há indução eletromagnética nem indutores). Em A e B, a placa tem cargas negativas na réplica; não há “cargas positivas” nela. Alternativa D.
Q13
Termologia — Transmissão de calor — Radiação: Forro “longa vida” sob telhas
Embalagens tipo “longa vida” (abertas, com a parte interna voltada para cima, embaixo das telhas) podem ser utilizadas como material isolante em telhados de amianto, que no verão atingem temperaturas de $70\,{}^\circ\mathrm{C}$. Sobre essa utilização do material, é correto afirmar:
A)O calor emitido pelas telhas de amianto é absorvido integralmente pelo “forro longa vida”.
B)O calor específico do “forro longa vida” é muito pequeno, e por isso sua temperatura é constante, independentemente da quantidade de calor que recebe da telha de amianto.
C)A superfície de alumínio do “forro longa vida” reflete o calor emitido pelas telhas de amianto.
D)A camada de papelão da embalagem tipo “longa vida” isola o calor emitido pelas telhas de amianto, pois sua capacidade térmica absorve a temperatura.
E)A superfície de alumínio do “forro longa vida” é um isolante térmico do calor emitido pelas telhas de amianto, pois está revestida por uma camada de plástico.
Gabarito
C
Resolução
A telha quente irradia calor (radiação infravermelha) para baixo. A face de alumínio, voltada para cima, é uma superfície metálica polida que reflete a maior parte dessa radiação, o que reduz o calor que chega ao ambiente. Alternativa C.
A: nenhum material absorve “integralmente”; B: calor específico pequeno faz a temperatura variar muito; D: capacidade térmica não “absorve temperatura”; E: o metal é bom condutor e a reflexão, não o plástico, é que protege.
Q14
Mecânica — Hidrostática — Teorema de Stevin: Pressão sobre a barragem de Itaipu
A barragem principal da Usina Hidrelétrica de Itaipu é do tipo “gravidade aliviada”. Tem 612 m de comprimento, 196 m de altura máxima e sua base tem 273 m de largura. Sua estrutura está representada na figura.
Dados: densidade da água: $\rho=1\times10^{3}\ \mathrm{kg/m^3}$; pressão atmosférica: $p_{atm}=1{,}013\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$; aceleração da gravidade: $g=9{,}8\ \mathrm{m/s^2}$
Sobre a pressão que a água exerce sobre a barragem, é correto afirmar:
A)A pressão exercida pela água sobre o fundo da barragem é igual a $20{,}221\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$ e, à meia altura, é igual a $10{,}617\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$.
B)A pressão exercida pela água sobre o fundo da barragem é igual a $19{,}208\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$ e, à meia altura, é igual a $9{,}604\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$.
C)A pressão exercida pela água em qualquer ponto da barragem é igual a $20{,}221\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$.
D)A pressão exercida pela água em qualquer ponto da barragem é igual a $19{,}208\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$.
E)A pressão exercida pela água sobre o fundo da barragem é igual a $19{,}208\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$ e, a três quartos de altura, é igual a $14{,}406\times10^{5}\ \mathrm{N/m^2}$.
Gabarito
A
Resolução
A pressão varia com a profundidade (Stevin): $p=p_{atm}+\rho gh$. No fundo, $h=196$ m: $\rho gh=10^3\cdot9{,}8\cdot196=19{,}208\times10^{5}$ Pa; somando $p_{atm}=1{,}013\times10^{5}$ Pa, $p=20{,}221\times10^{5}$ Pa.
À meia altura, a profundidade é $98$ m: $\rho gh=9{,}604\times10^{5}$ Pa, e $p=9{,}604\times10^{5}+1{,}013\times10^{5}=10{,}617\times10^{5}$ Pa. Alternativa A.
As demais esquecem a pressão atmosférica ou supõem pressão uniforme.
Q15
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Transformadores: Transmissão de energia
A potência instalada da Usina Hidrelétrica de Itaipu é de 12.600 MW com 18 unidades geradoras de 700 MW. A tensão de saída do gerador é 18 kV e nos fios de alta tensão é 750 kV. Nos centros de consumo, a tensão doméstica encontra-se na faixa de 110 V/190 V ou 127 V/220 V e a tensão no consumo comercial/industrial varia de 110 V/220 V até 550 V. Diante de tais diferenças, considere as seguintes afirmativas:
A energia elétrica é transmitida da usina até os centros de consumo por fios condutores, e por isso parte dela é dissipada na forma de calor. A perda de energia é proporcional ao quadrado da intensidade da corrente elétrica.
Como a potência é proporcional à tensão e à corrente, uma mesma quantidade de energia pode ser transmitida aumentando-se a tensão.
As alterações na tensão são realizadas por transformadores constituídos basicamente por um único fio enrolado em dois núcleos de ferro.
A transformação da tensão é feita por indução eletromagnética tanto em circuitos de corrente contínua, como em circuitos de corrente alternada.
São corretas apenas as afirmativas:
A)I, III e IV.
B)I e IV.
C)II, III e IV.
D)I e II.
E)III e IV.
Gabarito
D
Resolução
I) A dissipação nos fios é efeito Joule: $P_{perd}=Ri^2$, proporcional ao quadrado da corrente. Verdadeira.
II) Como $P=Ui$, é possível transmitir a mesma potência com tensão alta e corrente baixa, o que diminui as perdas. Verdadeira.
III) O transformador tem dois enrolamentos (primário e secundário) em torno de um mesmo núcleo de ferro, não um único fio em dois núcleos. Falsa.
IV) A indução exige fluxo magnético variável: ocorre com corrente alternada, não com corrente contínua constante. Falsa. Alternativa D.
Q16
Física moderna — Física nuclear — Fissão nuclear: Usina de Angra II
A Usina Nuclear de Angra dos Reis – Angra II – está projetada para uma potência de 1309 MW. Apesar de sua complexidade tecnológica, é relativamente simples compreender o princípio de funcionamento de uma usina nuclear, pois ele é similar ao de uma usina térmica convencional. Sobre o assunto, considere as afirmativas apresentadas abaixo.
Na usina térmica, o calor gerado pela combustão do carvão, do óleo ou do gás vaporiza a água em uma caldeira. Esse vapor aciona uma turbina acoplada a um gerador e este produz eletricidade.
O processo de fusão nuclear utilizado em algumas usinas nucleares é semelhante ao processo da fissão nuclear. A diferença entre os dois está na elevada temperatura para fundir o átomo de Urânio-235.
Na usina nuclear, o calor é produzido pela fissão do átomo do Urânio-235 por um nêutron no núcleo do reator.
Na usina nuclear, o calor é produzido pela reação em cadeia da fusão do átomo do Urânio-235 com um nêutron.
São corretas apenas as afirmativas:
A)I e III.
B)II, III e IV.
C)I, II e IV.
D)II e III.
E)III e IV.
Gabarito
A
Resolução
I) Descreve corretamente o ciclo de uma usina térmica convencional. Verdadeira.
III) Nas usinas nucleares atuais, o calor vem da fissão do núcleo de urânio-235 após a absorção de um nêutron, liberando energia e novos nêutrons. Verdadeira.
II e IV) A fusão une núcleos leves e não é usada em usinas comerciais; o urânio-235 sofre fissão (divisão), não fusão. Falsas. Alternativa A.
O reator utilizado na Usina Nuclear de Angra dos Reis – Angra II – é do tipo PWR (Pressurized Water Reactor). O sistema PWR é constituído de três circuitos: o primário, o secundário e o de água de refrigeração. No primeiro, a água é forçada a passar pelo núcleo do reator a pressões elevadas, 135 atm, e à temperatura de $320\,{}^\circ\mathrm{C}$. Devido à alta pressão, a água não entra em ebulição e, ao sair do núcleo do reator, passa por um segundo estágio, constituído por um sistema de troca de calor, onde se produz vapor de água que vai acionar a turbina que transfere movimento ao gerador de eletricidade. Na figura estão indicados os vários circuitos do sistema PWR.
Considerando as trocas de calor que ocorrem em uma usina nuclear como Angra II, é correto afirmar:
A)O calor removido do núcleo do reator é utilizado integralmente para produzir trabalho na turbina.
B)O calor do sistema de refrigeração é transferido ao núcleo do reator através do trabalho realizado pela turbina.
C)Todo o calor fornecido pelo núcleo do reator é transformado em trabalho na turbina e, por isso, o reator nuclear tem eficiência total.
D)O calor do sistema de refrigeração é transferido na forma de calor ao núcleo do reator e na forma de trabalho à turbina.
E)Uma parte do calor fornecido pelo núcleo do reator realiza trabalho na turbina, e outra parte é cedida ao sistema de refrigeração.
Gabarito
E
Resolução
A usina é uma máquina térmica: recebe calor $Q_q$ da fonte quente (reator), converte parte em trabalho $W$ na turbina e rejeita o restante $Q_f$ para a fonte fria (água refrigeradora), com $W=Q_q-Q_f$.
Pela segunda lei da termodinâmica, nenhuma máquina térmica converte todo o calor em trabalho; o rendimento é sempre menor que 1 e o circuito de refrigeração é indispensável. Alternativa E.
Q18
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e equilíbrio: Navio-plataforma adernado
“Acidente anunciado” é o título de uma das chamadas da Revista Isto É de 23/10/2002. Não foi por falta de aviso que a Petrobrás não evitou o acidente com o navio-plataforma “Presidente Prudente de Morais”, mais conhecido por P-34, situado no campo de Barracuda-Caratinga, da Bacia de Campos. A plataforma P-34 vinha apresentando falhas na geração de energia desde maio, quando o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro alertou a Petrobrás. A plataforma P-34 começou a adernar no domingo, dia 13/10/2002, atingindo uma inclinação de $32^\circ$ e parecia condenada. Numa operação de emergência, a Petrobrás reduziu gradativamente a inclinação para $5^\circ$, adicionando água no lado oposto ao que adernou, e a P-34 foi salva. Quando um navio aderna, a força de empuxo tem maior intensidade no lado submerso devido ao deslocamento de maior massa de água, provocando um torque que faz com que o navio retorne à posição de equilíbrio. Se a P-34 é um navio-plataforma, por que foi necessário adicionar água para reduzir a inclinação de submersão?
A)Porque, ao adernar, o petróleo foi deslocado, provocando uma mudança no centro de gravidade da P-34 e, por conseqüência, o torque resultante da força de empuxo e da força peso tornou-se nulo.
B)Porque, com a adição de água, surge uma força de empuxo que atua de cima para baixo na parte oposta à submersão.
C)Porque a força de empuxo que atua na P-34 depende da densidade do petróleo que está contido na plataforma. A adição de água foi necessária para aumentar a densidade do petróleo.
D)Porque a força de empuxo depende apenas da densidade da água do mar e, conseqüentemente, quanto mais água houver na plataforma, maior é a força de empuxo que atua.
E)Porque a força de empuxo depende do peso do navio, e a adição de água aumentou a sua intensidade.
Gabarito
A
Resolução
O peso (aplicado no centro de gravidade) e o empuxo (aplicado no centro de empuxo, o centro do volume deslocado) formam um binário. Com o navio na posição normal, o torque restaurador o mantém em pé.
Ao adernar, o petróleo se deslocou e o centro de gravidade mudou de lugar; na posição inclinada, o torque resultante do peso e do empuxo chegou a se anular, e o navio ficou em equilíbrio inclinado. Adicionar água do lado oposto devolve o centro de gravidade à posição inicial e reduz a inclinação.
O empuxo atua sempre para cima e depende do volume deslocado, não do petróleo nem de “água na plataforma” (B, C, D, E). Alternativa A.
Q19
Mecânica — Trabalho e energia — Conservação de energia: “Moto perpétuo”
Crises energéticas como a que o Brasil viveu há poucos meses poderiam ser amenizadas se fosse possível construir os “motos perpétuos”, máquinas que trabalham sem utilizar energia externa. A máquina apresentada na figura é um exemplo hipotético de “moto perpétuo”. Sobre o funcionamento dessa máquina, é correto afirmar:
A)Sobre os blocos que estão imersos na água atua uma força de empuxo de sentido contrário à força peso; portanto, a força resultante no lado direito da máquina é menor que a força resultante no lado esquerdo. Por isso, os blocos que não estão imersos em água caem acelerados, proporcionando um movimento contínuo.
B)Há necessidade de fornecer energia para que essa máquina comece a funcionar. Uma vez em movimento, os blocos se movem ininterruptamente por inércia, pois estão interligados.
C)A máquina não funciona sozinha, pois a força de resistência da água sobre os blocos é maior que a força de resistência do ar; portanto, a força resultante atua no sentido contrário ao da velocidade de rotação.
D)O bloco, ao sair da roda superior, entra em queda livre; então, sua energia potencial transforma-se em energia cinética. Quando ele volta a subir, a energia cinética transforma-se em energia potencial. Como a energia potencial do bloco imerso em água é menor que a energia fora da água, o bloco chega no topo da máquina com uma parte da energia cinética que adquiriu na queda.
E)A máquina é construída para permitir a transformação de energia potencial gravitacional em energia cinética e vice-versa; se não há movimento contínuo na máquina, isso ocorre porque parte da energia é degradada em razão das forças de resistência.
Gabarito
E
Resolução
Um moto perpétuo exigiria produzir trabalho sem fonte externa, o que contraria a conservação da energia. Na máquina, a energia potencial gravitacional dos blocos se converte em cinética e vice-versa, mas, a cada ciclo, parte dela é dissipada pelo atrito nos eixos e pela resistência da água e do ar.
Por isso a máquina para: não há “ganho” de energia que sustente o movimento. As alternativas A, B, D e C atribuem o funcionamento (ou a falha) a mecanismos que não explicam o balanço de energia. Alternativa E.
Q20
Mecânica — Gravitação — Campo gravitacional: “Gaiola de gravidade nula”
Uma constante da ficção científica é a existência de regiões na superfície da Terra em que a gravidade seria nula. Seriam regiões em que a gravidade seria bloqueada da mesma forma que uma gaiola metálica parece “bloquear” o campo elétrico, pois dentro dela não atuam forças elétricas. Pensando na diferença entre a origem da gravitação e as fontes do campo elétrico, o que seria necessário para se construir uma “gaiola de gravidade nula”?
A)Para cancelar a força gravitacional, seria necessário construir do lado oposto à superfície da Terra um bloco que tivesse a mesma massa da região onde existiria a “gaiola de gravidade”.
B)Seria necessário que o campo gravitacional também fosse repulsivo, pois a gaiola metálica parece “bloquear” o campo elétrico, em razão de a resultante da superposição dos campos elétricos das cargas positivas e negativas, distribuídas na superfície metálica, ser nula.
C)Seria necessário que o campo gravitacional interagisse com o campo elétrico, de modo que essa superposição anulasse o campo.
D)Seria necessário haver interação entre os quatro campos que existem, ou seja, entre o campo elétrico, o campo magnético, o campo nuclear e o campo gravitacional.
E)Seria necessário haver ondas gravitacionais, pois, diferentemente da gravidade, elas oscilam e podem ter intensidade nula.
Gabarito
B
Resolução
A blindagem eletrostática de uma gaiola metálica ocorre porque o condutor tem cargas de dois sinais, que se rearranjam na superfície de modo que seus campos se anulem no interior. A força elétrica pode ser atrativa ou repulsiva.
A gravidade é sempre atrativa: só existe “carga gravitacional” de um sinal (a massa). Não há como distribuir massas de modo a cancelar o campo por superposição de efeitos opostos; para isso o campo gravitacional teria de também ser repulsivo. Alternativa B.