UEL 2004 · CE — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual de Londrina

Física · 2ª fase (Conhecimentos Específicos, objetiva) · dezembro de 2003 (3º dia de provas) · Respostas e resoluções comentadas.

Q1
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potência elétrica: Perdas na linha de transmissão

É comum haver uma enorme distância entre as usinas hidroelétricas e os principais centros consumidores de energia. A usina de Itaipu, por exemplo, está a milhares de quilômetros de algumas das grandes cidades brasileiras. Como a resistência elétrica é proporcional ao comprimento do condutor, uma indesejável e inevitável perda acumulada de energia é observada. Se a usina produz uma tensão $V$ na saída de seus geradores e até chegar ao centro de consumo a linha de transmissão tem uma resistência acumulada $R$, qual é a potência bruta ($P_b$) na usina e a potência efetiva ($P_e$) no final da linha de transmissão, se a corrente que passa pela linha é $I$?

A)$P_b=VI$ e $P_e=VI$
B)$P_b=I^2R$ e $P_e=VI$
C)$P_b=I(V-IR)$ e $P_e=VI-RI$
D)$P_b=VI$ e $P_e=I(V-IR)$
E)$P_b=VI-RI$ e $P_e=I^2R$

Gabarito

D
Resolução

A usina fornece tensão $V$ com corrente $I$: $P_b=VI$.

A linha dissipa $P_{perd}=RI^2$ (a queda de tensão na linha é $IR$). A potência que chega ao consumo é $P_e=P_b-RI^2=VI-RI^2=I(V-IR)$. Alternativa D.

Q2
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação de resistores: Chuveiro elétrico

Num chuveiro elétrico há, de modo geral, dois resistores internos iguais que podem ser usados isoladamente, em série ou em paralelo, resultando em diferentes níveis de aquecimento. Além disso, a potência dissipada num resistor é diretamente proporcional ao quadrado da tensão elétrica aplicada e inversamente proporcional à sua resistência. Considerando que a tensão elétrica a que está submetido o chuveiro não pode ser variada, é correto afirmar:

A)O menor aquecimento corresponde à situação na qual a corrente elétrica passa por apenas um resistor.
B)O aquecimento intermediário corresponde à situação na qual a corrente elétrica passa por uma associação em série dos dois resistores.
C)O maior aquecimento corresponde à situação na qual a corrente elétrica passa por uma associação em paralelo dos dois resistores.
D)O aquecimento intermediário corresponde à situação na qual a corrente elétrica passa por uma associação em paralelo dos dois resistores.
E)O maior aquecimento corresponde à situação na qual a corrente elétrica passa por uma associação em série dos dois resistores.

Gabarito

C
Resolução

Com $P=V^2/R$ e $V$ fixo, quanto menor a resistência equivalente, maior a potência. Com resistores iguais $R$: um só, $R_{eq}=R$ (potência intermediária); em série, $2R$ (menor potência); em paralelo, $R/2$ (maior potência, $2V^2/R$).

Logo, o maior aquecimento corresponde à associação em paralelo. Alternativa C.

Q3
Eletromagnetismo — Campo magnético — Força de Lorentz: Carga que não sofre deflexão

Segundo as leis da Mecânica Clássica, a observação de mudança no estado de movimento de um corpo implica, necessariamente, na existência de interações desse corpo com seu ambiente. Diz-se, genericamente, que tais interações definem campos de forças cuja natureza é determinada pelas características do ambiente onde o corpo está. Por exemplo, um campo gravitacional produz a aceleração da gravidade. No entanto, a existência de campos de força na região onde se encontra uma partícula não implica, necessariamente, na observação de acelerações. Com base nessas afirmações e nos conhecimentos sobre campos elétricos e magnéticos, analise a situação em que uma carga elétrica atravessa uma certa região do espaço com uma velocidade constante $v$ sem sofrer deflexão. Sobre esse fenômeno é correto afirmar:

A)A carga elétrica se movimenta numa direção perpendicular ao campo magnético.
B)Nesta região o campo elétrico tem sentido contrário ao do campo magnético.
C)Nesta região o campo magnético é perpendicular à velocidade da partícula e paralelo ao campo elétrico.
D)Nesta região, se houver campo elétrico, este tem direção perpendicular à velocidade da partícula.
E)Nesta região, se houver campo magnético, este tem a mesma direção da velocidade da partícula.

Gabarito

E
Resolução

Sem deflexão, a força resultante é nula. A força magnética $qvB\operatorname{sen}\theta$ é perpendicular à velocidade; só se anula sozinha se $\theta=0$ ou $180^\circ$, isto é, se $\vec B$ tiver a mesma direção da velocidade. A força elétrica $q\vec E$ só pode ser equilibrada pela magnética se ambas forem opostas, com $\vec E$ perpendicular a $\vec v$ e a $\vec B$ (como no seletor de velocidades).

O que vale em qualquer caso é a afirmativa E: se houver campo magnético, ele pode ter a direção da velocidade (força magnética nula). As demais impõem condições que não são necessárias (A, B, C, D). Alternativa E.

Q4
Eletromagnetismo — Campo magnético — Seletor de velocidades: Campos cruzados

Vários aparelhos de uso frequente em biologia, física e medicina têm o mesmo princípio de funcionamento utilizado num tubo de raios catódicos, ainda usado na maioria dos televisores. Essencialmente, eles dependem da obtenção de feixes de partículas iônicas com velocidade precisa. Na figura a seguir está representado um dispositivo exibindo a essência desses equipamentos. Uma fonte gera íons com várias velocidades. Uma primeira abertura permite a saída de um fino feixe que penetra numa região que contém um campo elétrico $E$ (gerado pelas placas $P_1$ e $P_2$) e um campo magnético $B$ (representado por XXXXXX na figura), ambos uniformes e perpendiculares entre si.

Feixe de partículas positivas entrando da esquerda entre duas placas: P2 (positiva) em cima e P1 (negativa) embaixo, campo elétrico E para baixo e campo magnético B para dentro da página (X); o feixe atravessa duas aberturas alinhadas em um anteparo à direita.

Somente íons com a velocidade desejada $v$ passam pela segunda abertura. Portanto, variando as intensidades $E$ e $B$ dos campos elétrico e magnético, respectivamente, pode-se selecionar as velocidades do feixe de íons através da segunda abertura. Se as duas aberturas encontram-se alinhadas, qual é a velocidade dos íons que passam pela segunda abertura?

A)$v=\dfrac{B}{E}$
B)$v=E\cdot B$
C)$v=\dfrac{qEd}{B}$
D)$v=\dfrac{qB}{dE}$
E)$v=\dfrac{E}{B}$

Gabarito

E
Resolução

Os íons que passam em linha reta pelas aberturas alinhadas têm força resultante nula: a força elétrica $qE$ (para baixo) é equilibrada pela magnética $qvB$ (para cima).

$qE=qvB$, portanto $v=\dfrac{E}{B}$, independentemente da carga e da massa dos íons. Alternativa E.

Q5
Eletricidade — Eletrodinâmica — Corrente e carga: Bateria de celular

Em telefones celulares são utilizadas, com frequência, baterias de níquel–metal hidreto onde são encontrados os seguintes dados técnicos: 4,8 V, 1200 mAh. Eles nos dão, respectivamente, a voltagem de operação da bateria e sua capacidade de carga. Considerando que tais baterias são compostas de 4 pilhas de 1,2 V cada, pode-se afirmar:

A)A bateria é composta de 2 celas que são ligadas em paralelo com 2 outras em série, tem uma carga disponível de 3.320 C que, se operada continuamente em 120 mA, duraria 1 h.
B)Na bateria, todas as celas estão ligadas em série, a carga disponível é de 4.320 C que, se operada continuamente em 120 mA, duraria 10 h.
C)Na bateria, todas as celas estão ligadas em paralelo, a carga disponível é de 3.320 C que, se operada continuamente em 120 mA, duraria 10 h.
D)A bateria é composta de 2 celas ligadas em paralelo com 2 outras em série, tem uma carga disponível de 4.320 C que, se operada continuamente em 120 mA, duraria 1 h.
E)Na bateria, 3 celas estão ligadas em série e 1 em paralelo, a carga disponível é de 3.320 C que, se operada continuamente em 120 mA, duraria 1 dia.

Gabarito

B
Resolução

Para obter $4{,}8\ \mathrm{V}$ com pilhas de $1{,}2\ \mathrm{V}$ são necessárias $4{,}8/1{,}2=4$ pilhas em série.

Carga: $1200\ \mathrm{mAh}=1{,}2\ \mathrm{A}\cdot3600\ \mathrm{s}=4320\ \mathrm{C}$. Operando a $120\ \mathrm{mA}$: $\Delta t=\dfrac{1200\ \mathrm{mAh}}{120\ \mathrm{mA}}=10\ \mathrm{h}$. Alternativa B.

Q6
Mecânica — Cinemática — Velocidade média: Lombada eletrônica

Popularmente conhecido como “lombada eletrônica”, o redutor eletrônico de velocidade é um sistema de controle de fluxo de tráfego que reúne equipamentos de captação e processamento de dados. Dois sensores são instalados na pista no sentido do fluxo, a uma distância de 4 m um do outro. Ao cruzar cada um deles, o veículo é detectado; um microprocessador recebe dois sinais elétricos consecutivos e, a partir do intervalo de tempo entre eles, calcula a velocidade média do veículo com alta precisão. Considerando que o limite máximo de velocidade permitida para o veículo é de 40 km/h, qual é o menor intervalo de tempo que o veículo deve levar para percorrer a distância entre os dois sensores, permanecendo na velocidade permitida?

A)0,066... s
B)0,10 h
C)0,36 s
D)11,11 s
E)900 s

Gabarito

C
Resolução

$40\ \mathrm{km/h}=\dfrac{40}{3{,}6}\approx11{,}11\ \mathrm{m/s}$. Para percorrer $4\ \mathrm{m}$ nessa velocidade: $\Delta t=\dfrac{4}{11{,}11}=0{,}36\ \mathrm{s}$. Um intervalo menor significaria velocidade maior que o limite. Alternativa C.

Q7
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Lei de Faraday: Laço indutivo

Um dos dispositivos utilizados como detector de veículos nas “lombadas eletrônicas” é conhecido como laço indutivo. Quando um veículo em movimento passa por um laço indutivo, a plataforma metálica inferior do veículo (chassi) interage com um campo magnético preexistente no local, induzindo uma corrente elétrica num circuito ligado ao processador de dados. O sistema laço indutivo e a plataforma metálica em movimento geram um sinal eletromagnético obedecendo à lei de Faraday, que pode ser enunciada da seguinte maneira:

A)Campo magnético que varia no tempo é fonte de campo elétrico.
B)Massa é fonte de campo gravitacional.
C)Campo elétrico que varia no tempo é fonte de campo magnético.
D)Carga elétrica é fonte de campo elétrico.
E)Corrente elétrica é fonte de campo magnético.

Gabarito

A
Resolução

A lei de Faraday diz que a variação do fluxo magnético induz uma força eletromotriz, $\varepsilon=-\dfrac{\Delta\Phi}{\Delta t}$; em termos de campos, um campo magnético que varia no tempo gera campo elétrico. As demais descrevem as leis de Newton–gravitação (B), de Ampère–Maxwell (C), de Gauss (D) e de Ampère/Oersted (E). Alternativa A.

Q8
Ondas — Ondas eletromagnéticas — Refração: Frente de onda entre dois meios

Segundo a teoria clássica, a luz é formada por ondas eletromagnéticas cuja velocidade, uma das constantes fundamentais da natureza, não depende do estado de movimento da fonte ou do observador. No entanto, o valor da velocidade da luz depende do meio material no qual se propaga, o que acarreta mudança na direção dos raios de luz quando da passagem de um meio para outro. É esse o princípio físico usado na construção de lentes ópticas. O diagrama a seguir representa uma frente de onda luminosa atravessando a superfície de separação de dois meios, denominados de 1 e 2. Se $v$ é a velocidade da luz no meio, $f$ sua frequência e $\lambda$ seu comprimento, é correto afirmar:

Frentes de onda planas inclinadas atravessando a superfície vertical que separa o meio 1 (à esquerda, branco) do meio 2 (à direita, cinza); no meio 1 a distância entre frentes (λ1) é maior que no meio 2 (λ2).
A)$v_1=v_2$ e $f_1>f_2$.
B)$v_1>v_2$ e $f_1=f_2$.
C)$v_1
D)$v_1>v_2$ e $f_1>f_2$.
E)$v_1=v_2$ e $f_1=f_2$.

Gabarito

B
Resolução

Na refração, a frequência é determinada pela fonte e não muda: $f_1=f_2$.

Pela figura, a distância entre frentes (comprimento de onda) é menor no meio 2: $\lambda_2<\lambda_1$. Como $v=\lambda f$ com $f$ igual, $v_2

Q9
Ondas — Ondas eletromagnéticas — Interferência: Película antirreflexo

Algumas lentes de óculos possuem películas chamadas de antirreflexo. A finalidade dessa película é suprimir a reflexão da luz. Para entender esse processo pode-se usar a teoria ondulatória da luz e supor que a luz incidente sobre essas lentes é monocromática, com comprimento de onda $\lambda$. Parte dessa luz é refletida na superfície da película e outra parte refratada. A luz refratada caminha dentro da película e é refletida ao incidir sobre a superfície de separação película/lente. Essa luz refletida emergirá da película ao atingir a superfície película/ar, como está mostrado na figura a seguir.

Raio de luz incidindo com ângulo θ sobre uma película de espessura L entre o ar e o vidro; parte reflete na superfície ar/película e parte refrata, reflete na interface película/vidro e emerge.

Sobre a luz refletida, é correto afirmar:

A)Se a luz que emerge da interface película/ar estiver defasada de $180^\circ$ em relação à luz refletida na superfície ar/película, ocorrerá interferência destrutiva, não havendo luz refletida.
B)Se a luz que emerge da interface película/ar estiver defasada de $90^\circ$ em relação à luz refletida na superfície ar/película, ocorrerá interferência construtiva, não havendo luz refletida.
C)Se a luz que emerge da interface película/ar estiver defasada de $180^\circ$ em relação à luz refletida na superfície ar/película, ocorrerá interferência construtiva, não havendo luz refletida.
D)Não haverá luz refletida se ocorrer interferência construtiva entre os feixes de luz refletidos.
E)Se a luz que emerge da interface película/ar estiver defasada de $90^\circ$ em relação à luz refletida na superfície ar/película, ocorrerá interferência destrutiva, não havendo luz refletida.

Gabarito

A
Resolução

Duas ondas de mesma frequência e amplitudes comparáveis se anulam (interferência destrutiva) quando estão defasadas de $180^\circ$ (meio comprimento de onda). Então a luz refletida desaparece e a película é antirreflexo.

Interferência construtiva reforça a reflexão (D, C e B são falsas), e defasagem de $90^\circ$ não leva a cancelamento total (B e E). Alternativa A.

Q10
Óptica — Óptica geométrica — Câmara escura: Registro da imagem em película

A fotografia é um processo óptico de registro de imagens geradas em uma câmara escura. Uma maneira de registrar as imagens geradas dessa forma está baseada no fato de que a presença de luz pode induzir algumas reações químicas. Por exemplo, usando o fato de que sais de prata decompõem-se na presença de luz, são introduzidas películas desse material numa câmara escura. As regiões mais claras da imagem na câmara escura induzem uma maior decomposição dos sais de prata, gerando maiores depósitos localizados desses sais, que se tornam visíveis após um ulterior tratamento químico, chamado de revelação. Sobre esse processo, é correto afirmar:

A)As regiões mais claras da película correspondem às regiões mais claras do objeto fotografado.
B)As regiões da película onde não houve decomposição de sais de prata correspondem às regiões mais claras do objeto fotografado.
C)As regiões mais escuras da película correspondem às regiões do objeto fotografado que mais absorvem luz.
D)As regiões mais escuras da película correspondem às regiões mais claras do objeto fotografado.
E)As regiões mais claras da película correspondem às regiões do objeto fotografado que mais refletem luz.

Gabarito

D
Resolução

As regiões mais claras do objeto enviam mais luz ao filme, decompondo mais sais de prata. Os depósitos de prata são escuros, portanto essas regiões ficam mais escuras no negativo. As regiões escuras do objeto, que enviam pouca luz, ficam transparentes (claras) na película. Alternativa D: o filme registra o negativo da cena.

Q11
Mecânica — Cinemática — Movimento circular: Velocidade de lançamento em Alcântara

O Brasil tem procurado desenvolver a tecnologia de lançamento de satélites artificiais. A base brasileira de lançamentos está situada em Alcântara, Maranhão, uma localização privilegiada. Considerando que o diâmetro equatorial da Terra é igual a 12.800 km e seu período de rotação é de 0,997 dias, a velocidade tangencial com que um satélite lançado de Alcântara deixa a base é:

A)7,8 m/s.
B)233,4 m/s.
C)322,4 m/s.
D)466,8 m/s.
E)933,6 m/s.

Gabarito

D
Resolução

Alcântara está praticamente sobre o equador (latitude ≈ $2^\circ$ S), de modo que o raio é $R=6400\ \mathrm{km}$. O período é $T=0{,}997\cdot86\,400\approx86\,140\ \mathrm{s}$.

$v=\dfrac{2\pi R}{T}=\dfrac{2\pi\cdot6{,}4\times10^{6}}{86\,140}\approx467\ \mathrm{m/s}$. Alternativa D.

Q12
Mecânica — Trabalho e energia — Conservação de energia: Boneco arremessado

Numa pista de teste de freios, um boneco é arremessado pela janela de um veículo com a velocidade de 72 km/h. Assinale, respectivamente, a energia cinética do boneco ao ser arremessado e a altura equivalente de uma queda livre que resulte da energia potencial de mesmo valor. Considere que o boneco tenha 10 kg e que a aceleração da gravidade seja $10\ \mathrm{m/s^2}$.

A)1.000 joules e 30 metros
B)2.000 joules e 20 metros
C)2.200 joules e 30 metros
D)2.400 joules e 15 metros
E)4.000 joules e 25 metros

Gabarito

B
Resolução

$72\ \mathrm{km/h}=20\ \mathrm{m/s}$. $E_c=\tfrac12mv^2=\tfrac12\cdot10\cdot20^2=2000\ \mathrm{J}$.

Altura equivalente: $mgh=E_c$, então $h=\dfrac{2000}{10\cdot10}=20\ \mathrm{m}$. Alternativa B.

Q13
Termologia — Transmissão de calor — Radiação térmica: Lei de Wien e radiação de fundo

O universo está imerso em radiações eletromagnéticas, chamadas de radiação de fundo que, supõe-se, tenham sido geradas no Big Bang, nome dado ao evento que resultou na formação do universo, há cerca de 15 bilhões de anos. Por volta de cem mil anos depois do Big Bang, a temperatura do universo era de aproximadamente 100 mil kelvin, com a radiação de fundo mais intensa tendo comprimento de onda igual a 29 nm. Medidas atuais mostram que o comprimento de onda da radiação de fundo mais intensa tem o valor de 1,1 mm. Por outro lado, é sabido que, devido à sua temperatura, todo corpo emite radiações eletromagnéticas numa faixa contínua de comprimentos de onda. Em 1893, Wilhelm Wien mostrou que o comprimento de onda $\lambda$ da radiação mais intensa dentre as emitidas por um corpo à temperatura $T$, em kelvin (K), pode ser expresso como: $\lambda\cdot T=2\,898\ \mu\mathrm{m\cdot K}$.

Com base no texto, é correto afirmar:

A)O universo se principiou pelo Big Bang na temperatura de cem mil kelvin e com a radiação de fundo mais intensa com um comprimento de onda igual a 29 nm. Atualmente a radiação de fundo fornece uma temperatura para o universo de 2.898 K.
B)O Big Bang deu origem ao universo, cuja temperatura, cem mil anos depois, era de cem mil kelvin. O universo foi esfriando e hoje sua temperatura é de 2.634,5 K.
C)O universo se principiou pelo Big Bang, quando altíssimas temperaturas e radiações eletromagnéticas foram geradas, e foi se esfriando ao longo do tempo. Atualmente a radiação de fundo mais intensa corresponde a uma temperatura de 2,6 K.
D)O universo se principiou pelo Big Bang, quando altíssimas temperaturas e radiações eletromagnéticas foram geradas, e foi se esfriando ao longo do tempo. Atualmente a temperatura correspondente à radiação de fundo é de 2,6 µK.
E)O Big Bang deu origem ao universo há cerca de cem mil anos, gerando uma temperatura de cem mil kelvin e uma radiação de fundo de 1,1 mm.

Gabarito

C
Resolução

Pela lei de Wien, $T=\dfrac{2898\ \mu\mathrm{m\cdot K}}{\lambda}$. Com $\lambda=1{,}1\ \mathrm{mm}=1100\ \mu\mathrm{m}$: $T=\dfrac{2898}{1100}\approx2{,}6\ \mathrm{K}$.

O universo esfriou desde o Big Bang até cerca de 2,6 K. Alternativa C. (A alternativa B usa a conta com erro de unidade, e a E erra a idade do universo.)

Q14
Física moderna — Relatividade — E = mc²: Massa transformada na queima de gasolina

Até o início do século XX, matéria e energia eram consideradas entidades distintas. A primeira caracterizaria uma das propriedades intrínsecas dos corpos e a segunda o estado dinâmico dos corpos em relação a um determinado meio. A partir dos trabalhos de A. Einstein, ficou claro que tal separação não deveria existir; matéria e energia poderiam transformar-se uma na outra. Essa nova visão dos conceitos de massa e energia celebrizou-se pela relação $E=mc^2$, onde $E$ é a energia, $m$ é a massa e $c$ é a velocidade da luz no vácuo (300.000 km/s). Assim, ao gerar energia, observa-se um equivalente desaparecimento de massa. Considere a queima de 1 litro de gasolina que gera a liberação de $5\times10^{7}$ joules de energia e indique a massa desaparecida (transformada em energia) nesse processo.

A)$\dfrac59\cdot10^{-9}\ \mathrm{kg}$
B)$\dfrac53\cdot10^{-9}\ \mathrm{kg}$
C)$\dfrac59\cdot10^{9}\ \mathrm{kg}$
D)$\dfrac53\cdot10^{-1}\ \mathrm{kg}$
E)$\dfrac59\cdot10^{-3}\ \mathrm{kg}$

Gabarito

A
Resolução

$c=3\times10^{8}\ \mathrm{m/s}$, então $c^2=9\times10^{16}\ \mathrm{m^2/s^2}$. $m=\dfrac{E}{c^2}=\dfrac{5\times10^{7}}{9\times10^{16}}=\dfrac59\times10^{-9}\ \mathrm{kg}$. Alternativa A.

Q15
Termologia — Termodinâmica — Máquinas térmicas: Potência × rendimento

Em geral, a qualidade das máquinas térmicas pode ser avaliada através de dois parâmetros, potência e rendimento, que medem diferentes aspectos da capacidade de um motor transformar a energia de um combustível em trabalho. É muito difícil produzir motores em que esses parâmetros atinjam um ajuste ótimo simultaneamente; existe um equilíbrio delicado entre eles, pois, em geral, ao aumentarmos a potência, observa-se uma redução do rendimento e vice-versa. Assim, quando dizemos que a máquina A proporciona uma potência superior à da máquina B, mas o seu rendimento é menor, significa que estamos afirmando que a máquina A realiza:

A)mais trabalho com a mesma quantidade de combustível, porém mais lentamente.
B)mais trabalho com a mesma quantidade de combustível e mais rapidamente.
C)menos trabalho com a mesma quantidade de combustível e mais lentamente.
D)mesmo trabalho com a mesma quantidade de combustível, porém mais lentamente.
E)menos trabalho com a mesma quantidade de combustível, porém mais rapidamente.

Gabarito

E
Resolução

Rendimento é a razão entre o trabalho obtido e a energia do combustível: rendimento menor significa menos trabalho com a mesma quantidade de combustível. Potência é trabalho por tempo: potência maior significa que o trabalho é realizado mais rapidamente. Logo, a máquina A realiza menos trabalho com o mesmo combustível, porém mais rapidamente. Alternativa E.

Q16
Termologia — Calorimetria — Conversão de energia: Aquecimento dos pneus na freada

Ao trafegar por uma estrada com uma velocidade de 120 km/h em um carro de passeio, de 750 kg, o condutor depara-se com uma placa advertindo que existe um radar na estrada e que a velocidade máxima permitida é de 80 km/h. Imediatamente freia o veículo e permanece com as rodas travadas até atingir a velocidade permitida. Considere que toda a energia cinética perdida pelo veículo seja convertida em calor, que a temperatura dos pneus, antes da freada, seja de $50\,{}^\circ\mathrm{C}$, que a massa de um pneu seja de 25 kg e que o seu calor específico seja de $506\ \mathrm{J/kg\,{}^\circ C}$. Ao término da freada, a temperatura do pneu aumentou para:

A)$21\ {}^\circ\mathrm{C}$
B)$54{,}5\ {}^\circ\mathrm{C}$
C)$89{,}3\ldots\ {}^\circ\mathrm{C}$
D)$100\ {}^\circ\mathrm{C}$
E)$125\ {}^\circ\mathrm{C}$

Gabarito

B
Resolução

Velocidades: $120\ \mathrm{km/h}=33{,}3\ \mathrm{m/s}$ e $80\ \mathrm{km/h}=22{,}2\ \mathrm{m/s}$. Energia cinética perdida: $\Delta E_c=\tfrac12\cdot750\,(33{,}3^2-22{,}2^2)\approx2{,}3\times10^{5}\ \mathrm{J}$.

Essa energia é dividida entre os quatro pneus: $\approx5{,}8\times10^{4}\ \mathrm{J}$ para cada um. Então $\Delta\theta=\dfrac{Q}{mc}=\dfrac{5{,}8\times10^{4}}{25\cdot506}\approx4{,}6\ {}^\circ\mathrm{C}$, e a temperatura final é $50+4{,}6\approx54{,}5\ {}^\circ\mathrm{C}$. Alternativa B.

Q17
Física moderna — Física quântica — Raios X: Atenuação exponencial na tomografia

A tomografia foi inventada por Godfrey N. Hounsfield e Allan McLeod Cormack que, em 1956, desenvolveram o modelo matemático de como a projeção de múltiplos feixes de raios X sobre um corpo poderia levar à construção de uma imagem mais completa que a obtida pela técnica até então utilizada, que gerava uma imagem radiográfica a partir de único feixe. O tomógrafo, construído por Hounsfield, usa uma fonte de raios X que, girando em torno do paciente, produz um feixe colimado que, ao emergir do corpo, atinge sensores que convertem a radiação numa corrente elétrica. Essa corrente é proporcional à energia dos raios recebidos, sendo, então, analisada por um computador e convertida numa imagem detalhada do corpo. A radiação que atinge cada detector $I$ está relacionada com a radiação na fonte $I_0$, por uma relação da forma $I=I_0\,e^{-\mu x}$, onde $\mu$ é um número real positivo que caracteriza a densidade de matéria encontrada ao longo do caminho percorrido pelo feixe, sendo tanto maior quanto maior for essa densidade, e $x$ é a distância percorrida pelo feixe. A partir desta relação, é correto afirmar:

A)A intensidade da radiação eletromagnética na forma de raios X detectada na fonte é tanto maior quanto maior for a densidade do corpo.
B)Como a relação apresentada no enunciado também pode ser escrita na forma $\log\!\left(\dfrac{I}{I_0}\right)=-\mu x$, vê-se que o logaritmo da intensidade de radiação eletromagnética detectada na fonte diminui linearmente com a distância percorrida pelo feixe.
C)Na situação em que $\mu=0$, o feixe percorrerá livremente toda a distância que separa a fonte dos sensores e não haverá detecção de radiação.
D)Como a relação apresentada no enunciado também pode ser escrita na forma $\log\!\left(\dfrac{I}{I_0}\right)=-\mu x$, temos que corpos muito densos, cujo $\mu\gg1$, produzirão correntes altíssimas nos detectores.
E)Os sensores não produzirão corrente elétrica quando a distância entre a fonte e os detectores for muito pequena.

Gabarito

B
Resolução

A relação $I=I_0e^{-\mu x}$ dá $\ln\dfrac{I}{I_0}=-\mu x$ (ou, em base 10, $\log\dfrac{I}{I_0}=-0{,}434\,\mu x$): o logaritmo da razão varia linearmente (decresce) com a distância $x$, com coeficiente proporcional a $\mu$. Isso corresponde à alternativa B (a “intensidade detectada” se refere à razão $I/I_0$).

Em A e D a conclusão é invertida: maior densidade ($\mu$ grande) leva a menor $I$; em C, com $\mu=0$ o feixe chega sem atenuação, e há detecção máxima; em E, distâncias pequenas dão $I\approx I_0$, com corrente máxima. Alternativa B.

Q18
Termologia — Gases — Lei de Boyle: Pressão × volume na seringa

Para o estudo da relação entre pressão e volume dos gases, o ar pode ser aprisionado em uma seringa hipodérmica com a ponta vedada. Pesos de massas conhecidas são então colocados sobre o êmbolo da seringa e os correspondentes volumes do gás anotados. Com base nessas informações, aponte a única hipótese que é fisicamente consistente para descrever a relação entre pressão e volume do gás na seringa.

A)$P+V=\text{constante}$.
B)$P-V=\text{constante}$.
C)$P=\text{constante}$.
D)$V=\text{constante}\cdot P$.
E)$P\cdot V=\text{constante}$.

Gabarito

E
Resolução

Com a temperatura mantida constante e a massa de gás fixa, vale a lei de Boyle: $PV=\text{constante}$ (pressão e volume inversamente proporcionais). Somar ou subtrair $P$ e $V$ não faz sentido físico (grandezas com unidades diferentes). Alternativa E.

Q19
Ondas — Acústica — Ressonância: Taça de cristal quebrada pela voz

Cantores e cantoras líricas chegam a ter tal controle sobre sua qualidade musical que não é incomum encontrar entre eles quem consiga quebrar taças de cristal usando a voz. Esse fenômeno é ocasionado por um efeito conhecido como ressonância. Assinale a alternativa que apresenta uma característica física essencial da ressonância.

A)Som muito intenso.
B)Som de frequência muito baixa.
C)Som de frequência específica.
D)Som de timbre agudo.
E)Som de frequência muito alta.

Gabarito

C
Resolução

A ressonância ocorre quando a frequência da força externa (a voz) coincide com uma frequência natural de vibração do sistema (a taça). A característica essencial é a frequência específica, e não a intensidade, a altura ou o timbre do som. Alternativa C.

Q20
Ondas — Acústica — Cordas vibrantes: Notas musicais e oitavas

Corpos em vibração podem levar à produção de sons, sendo que sons musicais são distinguidos dos sons ordinários pela sua periodicidade. Assim, as notas musicais foram convencionadas como os sons que correspondem a certas frequências fixas de vibração. Para os músicos, o intervalo entre duas notas de frequências $f_1$ e $f_2$ é determinado pela razão entre elas, $f_2/f_1$ e, quando uma frequência é o dobro da outra, dizemos que os dois sons correspondem à mesma nota, estando a frequência maior uma oitava acima. Num instrumento de cordas, a frequência das notas musicais produzidas é determinada pelas características materiais da corda, pelo seu comprimento de vibração e pela tensão a que está submetida. Considere as afirmativas a seguir.

I. Quando, através da mudança da posição do dedo, diminuirmos o comprimento de uma mesma corda de violão pela metade, haverá uma consequente diminuição da frequência de vibração do som resultante, acarretando um som de uma oitava abaixo.
II. Mesmo possuindo cordas com comprimentos diferentes, violão e cavaquinho podem produzir sons de frequências diferentes que, ainda assim, corresponderão à mesma nota musical.
III. A mesma nota musical será produzida quando, através da mudança da posição do dedo, quadruplicarmos o comprimento da mesma corda de um violão.
IV. Se fizermos com que duas cordas, uma num violão e outra num cavaquinho, assumam o mesmo comprimento de vibração elas produzirão, necessariamente, a mesma nota musical.
V. Quando, através de um toque com o dedo, dobramos o comprimento de vibração de uma corda de violão, estamos produzindo a mesma nota musical, mas uma oitava abaixo.

Estão corretas apenas as afirmativas:

A)I e II.
B)I e V.
C)III e IV.
D)I, II e IV.
E)II, III e V.

Gabarito

E
Resolução

Numa corda, $f\propto1/L$ (com tensão e material fixos). I) Falsa: metade do comprimento dobra a frequência (uma oitava acima). II) Correta: frequências na razão $2^n$ são a mesma nota, e cordas diferentes podem alcançá-las. III) Correta: $4L$ dá $f/4$, duas oitavas abaixo, a mesma nota. IV) Falsa: com mesmo comprimento mas materiais e tensões diferentes, as frequências diferem. V) Correta: dobrar o comprimento reduz a frequência à metade, mesma nota uma oitava abaixo.

Portanto, II, III e V: alternativa E.

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