UEL 2012 · CE — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual de Londrina

Física · 2ª fase (Conhecimentos Específicos, discursiva) · 21/11/2011 · Respostas e resoluções comentadas.

Q1
Radiação de uma carga acelerada

É conhecido e experimentalmente comprovado que cargas elétricas aceleradas emitem radiação eletromagnética. Este efeito é utilizado na geração de ondas de rádio, telefonia celular, nas transmissões via satélite etc.

Quando o módulo da velocidade de uma partícula com carga elétrica $e$ for pequeno comparado ao módulo da velocidade da luz $c$ no vácuo, prova-se, utilizando a eletrodinâmica clássica, que a potência com a qual a carga elétrica com aceleração constante $a$ irradia ondas eletromagnéticas é

$$P_{\mathrm{irr}}=\frac{1}{4\pi\varepsilon_0}\frac{2e^2a^2}{3c^3},$$

onde $\varepsilon_0$ é a constante de permissividade elétrica.

Desprezando-se efeitos relativísticos, considera-se um próton com massa $m_p=2\times10^{-27}\,\mathrm{kg}$ com carga elétrica $e=2\times10^{-19}\,\mathrm C$ abandonado em repouso em um campo elétrico uniforme de intensidade $E=14\times10^{19}\,\mathrm{N/C}$ produzido por um capacitor de placas paralelas uniformemente carregadas com cargas de sinais opostos como esquematizado na figura a seguir:

Placa positiva acima e negativa abaixo, separadas por d=4 × 10⁻¹⁵ m; campo elétrico E aponta para baixo e o próton parte junto à placa positiva.

A distância entre as placas é $d=4\times10^{-15}\,\mathrm m$, o meio entre elas é o vácuo, o campo gravitacional é desprezado e o tempo necessário para o próton percorrer a distância entre as duas placas é $T=10^{-19}\,\mathrm s$.

a) Calcule a energia irradiada durante todo o percurso entre as placas, considerando que a potência de irradiação é $P_{\mathrm{irr}}=\alpha a^2$, onde

$$\alpha=\frac{1}{4\pi\varepsilon_0}\frac{2e^2}{3c^3}=6\times10^{-52}\,\mathrm{kg\cdot s}.$$

Apresente os cálculos.

b) Calcule a velocidade final com que o próton atinge a placa negativa do capacitor. Apresente os cálculos.

Nota sobre o original: os dados de campo, distância e tempo não são compatíveis com uma única aceleração constante. A resolução apresenta o cálculo esperado pela UEL e explica essa ressalva.

Resposta comentada

a) $E_{\mathrm{irr}}\approx1{,}2\times10^{-14}\,\mathrm J$.

b) $v_f\approx1{,}0\times10^7\,\mathrm{m/s}$.

Resultados da expectativa da UEL; veja a ressalva sobre os dados.

Resolução TEF

a) Energia irradiada — cálculo empregado na expectativa da UEL. A força elétrica tem módulo $F=eE=28\,\mathrm N$. A aceleração usada pela banca é

$$a=\frac{eE}{m_p}=\frac{28}{2\times10^{-27}}=1{,}4\times10^{28}\,\mathrm{m/s^2}.$$

Com a potência constante no cálculo proposto,

$$P_{\mathrm{irr}}=\alpha a^2=6\times10^{-52}(1{,}4\times10^{28})^2=1{,}176\times10^5\,\mathrm W.$$

Logo, $E_{\mathrm{irr}}=P_{\mathrm{irr}}T=1{,}176\times10^{-14}\,\mathrm J\approx1{,}2\times10^{-14}\,\mathrm J$.

b) Velocidade final — balanço energético da banca. O trabalho elétrico é $W_e=eEd=1{,}12\times10^{-13}\,\mathrm J$. A energia que não foi irradiada fica como energia cinética:

$$\frac{m_pv_f^2}{2}=eEd-E_{\mathrm{irr}}.$$

Usando o arredondamento $E_{\mathrm{irr}}\approx1{,}2\times10^{-14}\,\mathrm J$, obtemos

$$v_f=\sqrt{\frac{2(1{,}12\times10^{-13}-1{,}2\times10^{-14})}{2\times10^{-27}}}\approx1{,}0\times10^7\,\mathrm{m/s}.$$

Ressalva física. Esses são os resultados numéricos da expectativa da UEL. Contudo, aplicar a mesma aceleração durante o tempo fornecido daria $d_{\mathrm{calc}}=aT^2/2=7\times10^{-11}\,\mathrm m$, em vez de $4\times10^{-15}\,\mathrm m$, e $v=aT=1{,}4\times10^9\,\mathrm{m/s}$, acima de $c$. O modelo numérico do enunciado é inconsistente. Não se deve usar esses dados como uma descrição física autoconsistente nem corrigir silenciosamente seus expoentes.

Referência de conferência: COPS/UEL — expectativa de resposta de Física, 2ª fase de 2012. Resolução e observações redigidas pelo TEF.

Q2
Indução por variação da área de um anel

Um anel condutor de raio $a$ e resistência $R$ é colocado em um campo magnético homogêneo no espaço e no tempo. A direção do campo de módulo $B$ é perpendicular à superfície gerada pelo anel e o sentido está indicado no esquema da figura a seguir.

Anel circular de raio a em campo magnético perpendicular entrando no plano da página, indicado por cruzes.

No intervalo $\Delta t=1\,\mathrm s$, o raio do anel varia de metade de seu valor.

Calcule a intensidade e indique o sentido da corrente induzida no anel. Apresente os cálculos.

Resposta comentada

$|i_m|=\dfrac{3B\pi a^2}{4R\Delta t}$, com $\Delta t=1\,\mathrm s$, no sentido horário, considerando $a_f=a/2$.

Resolução TEF

A expectativa da UEL interpreta a frase “varia de metade” como uma redução do raio de $a$ para $a/2$. Com $R$ constante, as áreas inicial e final são $A_i=\pi a^2$ e $A_f=\pi a^2/4$.

Como o campo permanece constante,

$$|\DeltaPhi|=B|A_f-A_i|=\frac34B\pi a^2.$$

Pela lei de Faraday e pela lei de Ohm, o módulo médio da corrente no intervalo é

$$|i_m|=\frac{|\DeltaPhi|}{R\Delta t}=\frac{3B\pi a^2}{4R\Delta t},\qquad\Delta t=1\,\mathrm s.$$

O fluxo magnético para dentro da página diminui. Pela lei de Lenz, a corrente cria campo também para dentro da página, opondo-se a essa diminuição. Pela regra da mão direita, seu sentido é horário na vista da figura.

O texto não explicita o sinal da variação do raio. Se o raio aumentasse para $3a/2$, o resultado seria $|i_m|=5B\pi a^2/(4R\Delta t)$, anti-horário. Além disso, sem uma função $a(t)$, o intervalo permite determinar a corrente média, não toda a corrente instantânea.

Referência de conferência: COPS/UEL — expectativa de resposta de Física, 2ª fase de 2012. Resolução e observações redigidas pelo TEF.

Q3
Tração, atrito estático e equilíbrio

Uma pessoa, de massa 80,0 kg, consegue aplicar uma força de tração máxima de 800,0 N. Um corpo de massa $M$ necessita ser levantado como indicado na figura a seguir. O coeficiente de atrito estático entre a sola do sapato da pessoa e o chão de concreto é $\mu_e=1{,}0$.

Faça um esboço de todas as forças que atuam em todo o sistema e determine qual a maior massa $M$ que pode ser levantada pela pessoa sem que esta deslize, para um ângulo $\theta=45^\circ$.

Pessoa no chão puxa uma corda inclinada a 45° com a horizontal; a corda passa por uma polia fixa no teto e sustenta o corpo de massa M.

Resposta comentada

$M_{\max}=40\sqrt2\,\mathrm{kg}\approx56{,}6\,\mathrm{kg}$.

A restrição de atrito é mais forte que o limite muscular de 800 N.

Resolução TEF

Adotamos corda e polia ideais, com a mesma tração $T$ nos dois trechos. No limiar de levantar o corpo, sua normal com o chão é nula e $T=Mg$.

Diagrama de forças. Na pessoa atuam peso $P=mg$ para baixo, normal $N$ para cima, tração inclinada para cima e para a direita e atrito estático $f_e$ para a esquerda. Na carga atuam o peso $P_M=Mg$ e a tração para cima. A polia recebe as trações dos dois trechos e a reação do suporte.

Peso, normal, tração a 45 graus e atrito na pessoa.
Tração para cima, peso para baixo; normal nula no limiar de levantamento.
Duas trações para baixo e reação do suporte sobre a polia ideal.

Para a pessoa permanecer em equilíbrio,

$$f_e=T\cos\theta,\qquad N=mg-T\sin\theta.$$

A condição de não deslizamento é $f_e\leq\mu_eN$. Assim,

$$T(\cos\theta+\mu_e\sin\theta)\leq\mu_emg.$$

Com $m=80\,\mathrm{kg}$, $g=10\,\mathrm{m/s^2}$, $\mu_e=1$ e $\theta=45^\circ$:

$$T_{\mathrm{atrito}}=\frac{800}{\sqrt2}=400\sqrt2\,\mathrm N\approx565{,}7\,\mathrm N.$$

Esse limite é menor que a capacidade muscular de 800 N. Portanto o atrito limita o levantamento:

$$M_{\max}=\frac{T_{\mathrm{atrito}}}{g}=40\sqrt2\,\mathrm{kg}\approx56{,}6\,\mathrm{kg}.$$

No limite, $N=400\,\mathrm N$ e $f_e=400\,\mathrm N$, confirmando $f_e=\mu_eN$. A polia fixa apenas muda a direção da corda; ela não duplica a força sobre a carga.

Referência de conferência: COPS/UEL — expectativa de resposta de Física, 2ª fase de 2012. Resolução e observações redigidas pelo TEF.

Q4
Variação de energia interna e processo adiabático

Um bloco de alumínio de massa 1 kg desce uma rampa sem atrito, de A até B, a partir do repouso, e entra numa camada de asfalto (de B até C) cujo coeficiente de atrito cinético é $\mu_c=1{,}3$, como apresentado na figura a seguir.

Bloco parte de A a 5 m de altura, desce sem atrito até B e percorre o trecho horizontal áspero BC até parar.

O bloco atinge o repouso em C. Ao longo do percurso BC, a temperatura do bloco de alumínio se eleva até 33 °C. Sabendo-se que a temperatura ambiente é de 32 °C e que o processo de aumento de temperatura do bloco de alumínio ocorreu tão rápido que pode ser considerado como adiabático, qual é a variação da energia interna do bloco de alumínio quando este alcança o ponto C? Apresente os cálculos.

Dado: $c_{\mathrm{al}}=0{,}22\,\mathrm{cal/(g\cdot{}^\circ C)}$.

Nota sobre o original: há divergência entre o cálculo térmico, os dados mecânicos e versões da resposta da banca. O enunciado foi preservado e a resolução distingue esses resultados.

Resposta comentada

Pelo aumento de temperatura: $\Delta U=220\,\mathrm{cal}=921{,}8\,\mathrm J$.

A expectativa inicial em PDF apresenta 971,8 J. Consulte a resolução para a distinção e as incompatibilidades dos dados.

Resolução TEF

Variação da energia interna a partir da temperatura. Para o bloco sólido, desprezando outros efeitos, $\Delta U=mc_{\mathrm{al}}\Delta T$. A massa deve estar em gramas:

$$\Delta U=(1000)(0{,}22)(33-32)=220\,\mathrm{cal}.$$

Com a conversão do formulário, $1\,\mathrm{cal}=4{,}19\,\mathrm J$:

$$\Delta U=220\times4{,}19=921{,}8\,\mathrm J.$$

Adiabático não significa energia interna constante. A condição adiabática é $Q=0$: não há transferência de energia por calor através da fronteira. A energia interna ainda pode mudar por trabalho e dissipação. Aqui, $mc\Delta T$ calcula a mudança de estado térmico; não representa calor recebido no percurso adiabático.

Conferência das fontes. A expectativa de resposta em PDF apresenta 971,8 J ao somar 50 J aos 921,8 J obtidos de $\Delta T$. Isso conta novamente uma contribuição depois de a mudança de temperatura já determinar $\Delta U$. A publicação posterior Diálogos Pedagógicos — Vestibular 2012 explicita o resultado 921,8 J pelo aumento de temperatura.

Incompatibilidade adicional dos dados. Na rampa, a energia mecânica inicial é somente $mgh=1\times10\times5=50\,\mathrm J$. Sem outra fonte de energia, o conjunto bloco–pista não pode produzir um aumento de 921,8 J na energia interna do bloco. A elevação de 1 °C informada não fecha com os dados mecânicos. O resultado 220 cal é o cálculo térmico solicitado, preservando a temperatura do original; ele não torna todos os dados fisicamente compatíveis.

Referência de conferência: COPS/UEL — Diálogos Pedagógicos — Vestibular 2012. Resolução e observações redigidas pelo TEF.

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