← Voltar à EsPCEx

EsPCEx · 2027 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Escola Preparatória de Cadetes do Exército

Concurso de Admissão 2026/2027 · Exame Intelectual — 1º dia · Física Q21–Q33 · resoluções comentadas pelo Método TEF.

Q21
Mecânica — Cinemática — Velocidade escalar média

Na página oficial da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, constam as seguintes informações a respeito das tarefas do exame de aptidão física realizado por candidatos a ingressar nessa escola, com os índices mínimos a serem atingidos em cada tarefa.

Tabela com índices mínimos da corrida de 12 minutos e da flexão de braços para candidatos à EsPCEx

Considere que dois candidatos, um do sexo masculino (candidato M) e outro sexo feminino (candidata F), tenham feito a corrida desse exame de aptidão física e percorrido as distâncias correspondentes aos índices mínimos. Nessas condições, as velocidades escalares médias do candidato M e da candidata F foram, respectivamente,

A)12,25 km/h e 10,50 km/h.
B)11,25 km/h e 10,50 km/h.
C)12,25 km/h e 11,25 km/h.
D)12,25 km/h e 8,50 km/h.
E)10,50 km/h e 8,50 km/h.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

A
Resolução

A questão pede a velocidade escalar média de cada candidato durante a corrida. Essa grandeza relaciona a distância total percorrida com o tempo gasto, sem exigir que o ritmo tenha sido constante em cada trecho. Na tabela, o candidato M percorre 2.450 m e a candidata F, 2.100 m, ambos em 12 minutos.

Como as respostas estão em quilômetros por hora, vamos converter as distâncias para quilômetros e o tempo para horas antes de dividir: \[d_M=2{,}450\,\text{km},\qquad d_F=2{,}100\,\text{km},\qquad \Delta t=\frac{12}{60}=0{,}20\,\text{h}.\]

Aplicando a definição separadamente para cada candidato, temos: \[v_M=\frac{d_M}{\Delta t}=\frac{2{,}450}{0{,}20}=12{,}25\,\text{km/h},\] \[v_F=\frac{d_F}{\Delta t}=\frac{2{,}100}{0{,}20}=10{,}50\,\text{km/h}.\]

O resultado é coerente: como os dois correram pelo mesmo tempo, quem percorreu a maior distância teve a maior velocidade média. A ordem pedida no enunciado é M e depois F; portanto, os valores procurados são 12,25 km/h e 10,50 km/h, respectivamente.

Cuidado, armadilha! Doze minutos não equivalem a 0,12 hora. A conversão usa 60 minutos por hora. Dividir a distância em metros pelo tempo em minutos também é possível, mas o resultado inicial estará em m/min, exigindo outra conversão.

Alternativa correta: A

Q22
Ondulatória — Conceitos Básicos — Frequência

Na tarefa de flexão de braços sobre o solo, uma candidata atingiu o índice mínimo de repetições em um intervalo de tempo de 50 s, mantendo um ritmo constante durante a execução dessa tarefa. Nessas condições, as flexões foram realizadas com uma frequência aproximada de

A)0,33 Hz.
B)0,12 Hz.
C)0,45 Hz.
D)0,75 Hz.
E)0,24 Hz.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

E
Resolução

A frequência informa quantas repetições completas acontecem por unidade de tempo. Aqui, cada flexão completa representa um ciclo do movimento. A tabela do exame fornece o índice mínimo feminino de 12 repetições, realizadas em 50 segundos.

Como o ritmo é constante, podemos dividir o número de ciclos pelo intervalo total: \[f=\frac{N}{\Delta t}=\frac{12}{50}=0{,}24\,\text{s}^{-1}=0{,}24\,\text{Hz}.\] A unidade hertz corresponde a um ciclo por segundo. Assim, uma frequência inferior a 1 Hz significa que cada repetição leva mais de um segundo, o que faz sentido para uma flexão de braços.

Podemos conferir calculando o período, isto é, o tempo de uma repetição: \[T=\frac{\Delta t}{N}=\frac{50}{12}\approx4{,}17\,\text{s}.\] Como frequência e período são inversos, $f=1/T$, recuperamos aproximadamente 0,24 Hz.

Cuidado, armadilha! A conta $50/12$ fornece o período em segundos, não a frequência em hertz. Conte cada flexão completa como uma repetição, sem separar a descida e a subida em dois ciclos.

Alternativa correta: E

Q23
Mecânica — Trabalho e Energia — Energia potencial elástica

Um canhão de brinquedo fixo no solo utiliza uma mola ideal para lançar verticalmente uma esfera de borracha, inicialmente em repouso dentro do canhão e encostada na mola comprimida e travada.

Canhão de brinquedo com mola comprimida lançando uma esfera verticalmente até a altura máxima

Desprezando os atritos e a resistência do ar, quando a mola for liberada, a altura máxima ($h_{\max}$) atingida pela esfera dependerá, apenas,

A)da massa da esfera, da resistência da mola à deformação e da aceleração da gravidade local.
B)da massa do canhão, de quanto a mola estava comprimida e da resistência da mola à deformação.
C)da massa da esfera, da massa do canhão e de quanto a mola estava comprimida.
D)da massa da esfera, de quanto a mola estava comprimida, da resistência da mola à deformação e da aceleração da gravidade local.
E)da massa do canhão, de quanto a mola estava comprimida, da resistência da mola à deformação e da aceleração da gravidade local.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

D
Resolução

A mola comprimida armazena energia e, quando é liberada, empurra a esfera para cima. A questão pede quais grandezas determinam a altura máxima alcançada. Para responder, vamos acompanhar a transformação da energia desde a liberação da mola até o instante em que a esfera para de subir.

Como o enunciado despreza os atritos e a resistência do ar, podemos usar a conservação da energia mecânica. Durante o lançamento, a energia potencial elástica diminui enquanto a esfera ganha velocidade e altura. Depois que perde contato com a mola, ela continua subindo, transformando sua energia cinética em energia potencial gravitacional.

Chamando de $k$ a constante elástica da mola e de $x$ sua compressão inicial, a energia armazenada é: \[E_{\mathrm{el}}=\frac{kx^2}{2}.\] A constante $k$ representa a resistência da mola à deformação: para uma mesma compressão, uma mola com maior $k$ armazena mais energia.

Vamos tomar a posição inicial da esfera como referência para a energia potencial gravitacional. A esfera parte do repouso e, no ponto mais alto, sua velocidade volta a ser zero. Nesse instante, ela já não está em contato com a mola. Assim, a energia inicialmente armazenada na mola corresponde ao ganho de energia potencial gravitacional: \[\frac{kx^2}{2}=mgh_{\max}.\] Isolando a altura máxima: \[\boxed{h_{\max}=\frac{kx^2}{2mg}}.\]

Essa expressão mostra a dependência das quatro grandezas: massa da esfera, compressão inicial da mola, constante elástica e aceleração da gravidade. Uma compressão maior ou uma mola mais rígida fornece mais energia ao lançamento. Já uma esfera mais pesada, ou uma gravidade maior, exige mais energia para atingir a mesma altura.

A massa do canhão não aparece porque ele está fixo ao solo: não há recuo do canhão que receba parte da energia liberada pela mola. Como conferência, mantendo as outras grandezas constantes, dobrar a compressão multiplica a energia armazenada — e a altura máxima — por quatro.

Cuidado, armadilha! No ponto mais alto, a velocidade da esfera é zero, mas sua aceleração continua sendo a da gravidade, dirigida para baixo. Outro erro é considerar apenas a rigidez da mola e esquecer a compressão inicial: a energia elástica depende de $kx^2/2$, portanto ambas influenciam a altura.

Alternativa correta: D

Q24
Mecânica — Gravitação — Satélite em órbita circular

A escolha da órbita de um satélite artificial pelas agências espaciais é fundamental para a missão à qual ele se destina e depende de fatores como a área da superfície da Terra que se pretende cobrir e a resolução pretendida das imagens obtidas pelo satélite. Considere um satélite artificial que esteja em órbita circular com velocidade escalar constante em torno da Terra, em uma altitude $h$. Sendo $M$ e $R$ a massa e o raio da Terra, respectivamente, e $G$ a constante universal da gravitação, a expressão que determina o período de revolução $T$ desse satélite em torno da Terra é:

A)$T=\pi\sqrt{\dfrac{R^3}{GM}}$
B)$T=2\pi\sqrt{\dfrac{R^3+h^3}{GM}}$
C)$T=2\pi\sqrt{\dfrac{(R+h)^3}{GM}}$
D)$T=\pi\sqrt{\dfrac{h^3}{GM}}$
E)$T=2\pi\sqrt{\dfrac{(R-h)^3}{GM}}$
Abrir questão em página própria ↗

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

C
Resolução

O satélite descreve uma circunferência em torno do centro da Terra. A altitude $h$ é medida a partir da superfície, enquanto o raio da trajetória é medido a partir do centro. Por isso, a primeira informação que devemos organizar é \[r=R+h.\]

A força gravitacional mantém o satélite nessa trajetória: ela desempenha o papel de resultante centrípeta. Não são duas forças diferentes que se equilibram. Igualando a expressão da gravitação ao valor necessário para o movimento circular, \[\frac{GMm}{r^2}=\frac{mv^2}{r}\quad\Rightarrow\quad v^2=\frac{GM}{r}.\] A massa $m$ do satélite cancela, pois aparece nos dois lados.

O período $T$ é o tempo de uma volta completa. Como a velocidade escalar é constante, a distância percorrida em uma volta é $2\pi r$, e \[v=\frac{2\pi r}{T}.\] Substituindo na relação anterior: \[\frac{4\pi^2r^2}{T^2}=\frac{GM}{r}\quad\Rightarrow\quad T^2=\frac{4\pi^2r^3}{GM}.\]

Como o período é positivo, \[\boxed{T=2\pi\sqrt{\frac{(R+h)^3}{GM}}}.\] A expressão indica que órbitas de maior raio têm períodos maiores. Isso é coerente com a terceira lei de Kepler: para satélites do mesmo astro, $T^2$ é proporcional a $r^3$.

Cuidado, armadilha! Usar apenas $h$ como raio ignora o raio terrestre. Além disso, $(R+h)^3$ não é igual a $R^3+h^3$: a soma deve ser feita antes de elevar ao cubo.

Alternativa correta: C

Q25
Termologia — Termodinâmica — Diagrama $P\times V$ e primeira lei

No diagrama pressão × volume apresentado na figura, estão representadas três isotermas, 1, 2 e 3, e a transformação XYZW sofrida por determinada massa de gás ideal.

Diagrama pressão por volume com três isotermas e transformação XYZW

Considerando as informações do diagrama, tem-se que essa massa de gás recebeu calor

A)nas transformações YZ e ZW, apenas.
B)nas transformações XY, YZ e ZW.
C)nas transformações XY e ZW, apenas.
D)na transformação ZW, apenas.
E)na transformação XY, apenas.
Abrir questão em página própria ↗

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

E
Resolução

Para descobrir em quais etapas o gás recebe calor, precisamos analisar simultaneamente a variação da energia interna e o trabalho. Vamos usar a convenção em que $W$ é o trabalho realizado pelo gás: \[Q=\Delta U+W.\] Assim, expansão corresponde a $W>0$, compressão a $W<0$ e volume constante a $W=0$. Para uma quantidade fixa de gás ideal, a energia interna depende apenas da temperatura.

No trecho XY, a linha é vertical: o volume não muda, mas a pressão aumenta. Pela relação $pV=nRT$, a temperatura aumenta quando a pressão cresce a volume constante. Portanto, $\Delta U>0$ e $W=0$, de modo que \[Q_{XY}=\Delta U_{XY}>0.\] Nessa etapa, o gás recebe calor.

No trecho YZ, o volume diminui e o gás passa da isoterma 1 para a isoterma 3, de menor temperatura. Há, portanto, compressão e resfriamento: $W<0$ e $\Delta U<0$. A soma também é negativa, \[Q_{YZ}=\Delta U_{YZ}+W_{YZ}<0,\] indicando liberação de calor.

No trecho ZW, os estados estão na mesma isoterma. A temperatura inicial e a final são iguais, logo $\Delta U=0$. Como o volume diminui, o trabalho do gás é negativo. Assim, \[Q_{ZW}=W_{ZW}<0.\] O gás também libera calor nesse trecho; apenas XY apresenta recebimento de calor.

Cuidado, armadilha! Aumento de pressão não significa, por si só, recebimento de calor. Em ZW a pressão aumenta durante a compressão, mas a temperatura permanece constante e o gás cede calor. Observe pressão, volume e isotermas em conjunto.

Alternativa correta: E

Q26
Termologia — Calorimetria — Aquecimento e mudança de fase

Um bloco de gelo de 200 g foi retirado de um freezer à temperatura de −15 °C e deixado dentro de um copo de vidro, sobre a pia de uma cozinha, até que derretesse completamente. O gráfico mostra como variou a temperatura desse bloco de gelo desde o instante em que foi retirado do freezer até o momento em que, depois de derretido, a água proveniente desse bloco entrasse em equilíbrio térmico com o ambiente da cozinha.

Gráfico da temperatura do gelo e da água em função do calor recebido até 21100 calorias

Adotando os valores 0,5 cal/(g · °C) para o calor específico do gelo, 1,0 cal/(g · °C) para o calor específico da água líquida e 80 cal/g para o calor latente de fusão do gelo, a temperatura ambiente da cozinha ($\theta_{amb}$) era de

A)20 °C.
B)24 °C.
C)18 °C.
D)16 °C.
E)22 °C.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

C
Resolução

O gelo passa por três etapas: aquece de $-15\,{}^\circ\text{C}$ até $0\,{}^\circ\text{C}$, derrete a temperatura constante e, finalmente, a água líquida aquece até a temperatura ambiente. O gráfico informa que o calor total recebido até o equilíbrio é 21.100 cal. Vamos separar essa energia entre as três etapas.

No aquecimento do gelo, usamos calor sensível: \[Q_1=mc_g\Delta T=200\cdot0{,}5\cdot[0-(-15)]=1.500\,\text{cal}.\] A variação de temperatura é positiva, pois o gelo aquece, embora sua temperatura inicial seja negativa.

Durante a fusão, a temperatura permanece em $0\,{}^\circ\text{C}$, mas o gelo continua recebendo energia para mudar de estado. Essa parcela é o calor latente: \[Q_2=mL_f=200\cdot80=16.000\,\text{cal}.\] Até obter apenas água líquida a zero grau, foram consumidas $1.500+16.000=17.500\,\text{cal}$.

Restam, portanto, \[Q_3=21.100-17.500=3.600\,\text{cal}.\] Essa parcela aquece os mesmos 200 g, agora de água líquida, cujo calor específico é $1{,}0\,\text{cal/(g}\cdot{}^\circ\text{C)}$: \[3.600=200\cdot1{,}0\cdot(\theta_{amb}-0)\quad\Rightarrow\quad\boxed{\theta_{amb}=18\,{}^\circ\text{C}}.\]

Cuidado, armadilha! Não use um único $mc\Delta T$ para todo o processo. O calor específico muda após a fusão, e o patamar de temperatura constante também consome energia. A maior parte do calor recebido é utilizada para derreter o gelo.

Alternativa correta: C

Q27
Óptica — Lentes — Sistemas de lentes

As miras telescópicas são dispositivos que contêm uma série de lentes combinadas e algum tipo de instrumento de mira que indica onde o projétil deve atingir o alvo.

Os componentes ópticos mais importantes de uma mira telescópica são, simplificadamente, as lentes objetivas, as lentes inversoras e as lentes oculares. As lentes objetivas estão posicionadas na parte frontal do tubo; elas transmitem a luz para as lentes inversoras, que invertem a imagem. De lá, a luz se propaga para as lentes oculares, próximas do olho do usuário. A figura mostra o caminho dos raios de luz no interior de uma mira telescópica de ampliação variável.

Caminho dos raios de luz em uma mira telescópica com lentes objetivas, inversoras e oculares

No funcionamento dessa mira, as lentes objetivas, inversoras e oculares devem ter, respectivamente, comportamentos ópticos

A)convergente, convergente e convergente.
B)divergente, convergente e divergente.
C)divergente, divergente e divergente.
D)convergente, divergente e convergente.
E)convergente, convergente e divergente.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

A
Resolução

A figura mostra três funções ópticas sucessivas: captar a luz do alvo, corrigir a orientação da imagem e permitir sua observação ampliada. Para identificar o comportamento de cada conjunto de lentes, devemos acompanhar o que acontece com os raios em cada etapa.

A objetiva recebe a luz do alvo distante e reúne os raios para formar uma imagem real dentro do instrumento. Raios que chegam aproximadamente paralelos precisam convergir para formar essa imagem; portanto, a objetiva tem comportamento convergente.

O conjunto inversor recebe a imagem produzida pela objetiva como objeto e forma outra imagem real. Nessa nova formação de imagem ocorre outra inversão, corrigindo a orientação da primeira. No esquema apresentado, isso é feito por um conjunto com comportamento convergente, com o objeto situado além de seu foco.

A ocular, próxima ao olho, permite observar a imagem intermediária sob maior ângulo, funcionando como uma lupa. Uma lente convergente pode desempenhar essa função quando a imagem intermediária está junto ao seu plano focal ou dentro da distância focal. Assim, os três conjuntos apresentam comportamento convergente.

Cuidado, armadilha! O nome “inversora” descreve a função do conjunto, não significa que ele seja divergente. Uma lente convergente pode formar uma imagem real e invertida ou uma imagem virtual e direita, dependendo da posição do objeto.

Alternativa correta: A

Q28
Óptica — Refração — Reflexão total

A imagem mostra um feixe de laser que, após penetrar na água pela face direita de um aquário, sofre refração rasante no ponto P, na superfície livre da água.

Feixe de laser no interior de um aquário atingindo o ponto P na superfície da água

Considerando os índices de refração absolutos do ar e da água iguais a 1 e a $\dfrac43$, respectivamente, e $\operatorname{sen}(60^\circ)=0{,}87$, se o mesmo feixe de laser incidir no ponto P com ângulo de incidência $i=60^\circ$, esse feixe

A)sofrerá refração e passará a se propagar pelo ar com ângulo de refração $r$, tal que $r=0^\circ$.
B)sofrerá reflexão total e voltará a se propagar pelo interior da água.
C)sofrerá refração e passará a se propagar pelo ar com ângulo de refração $r$, tal que $0^\circ\mathrel{<}r\mathrel{<}90^\circ$.
D)sofrerá refração e passará a se propagar pelo ar com ângulo de refração $r$, tal que $r=45^\circ$.
E)também sofrerá refração rasante.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

B
Resolução

O feixe chega à superfície passando da água para o ar, isto é, de um meio de maior índice de refração para outro de menor índice. Essa é a situação em que pode ocorrer reflexão total. Precisamos comparar o ângulo de incidência de 60° com o ângulo limite dessa interface.

Na refração rasante, o raio refratado forma 90° com a normal. Pela lei de Snell, \[n_{\mathrm{água}}\sin i_c=n_{\mathrm{ar}}\sin90^\circ.\] Como $\sin90^\circ=1$, \[\sin i_c=\frac{n_{\mathrm{ar}}}{n_{\mathrm{água}}}=\frac{1}{4/3}=\frac34=0{,}75.\]

O enunciado fornece $\sin60^\circ=0{,}87$. Entre 0° e 90°, o seno cresce com o ângulo; portanto, $0{,}87>0{,}75$ mostra que a incidência de 60° está acima do limite. O feixe sofre reflexão total e permanece no interior da água.

Uma conferência é tentar aplicar Snell para uma refração comum: \[\sin r=\frac43\cdot0{,}87=1{,}16.\] Como o seno de um ângulo real não pode superar 1, não existe raio refratado propagando-se pelo ar nessa condição.

Cuidado, armadilha! Refração rasante ocorre exatamente no ângulo crítico. Acima dele, ocorre reflexão total. Os ângulos da lei de Snell são medidos em relação à normal à superfície, não em relação à superfície.

Alternativa correta: B

Q29
Ondulatória — Conceitos Básicos — Ondas longitudinais

Por possuir um motor potente e massa de dezenas de toneladas, quando um tanque do Exército se movimenta, o impacto repetitivo das esteiras metálicas no solo produz ondas mecânicas de baixas frequências. A velocidade de propagação dessas ondas depende da geologia do solo, sendo maior em rochas consolidadas e menor em solos soltos ou em sedimentos. Os comprimentos de onda dessas ondas também dependem do tipo de terreno.

A figura representa um desses tanques movimentando-se sobre um solo horizontal e as ondas que se propagam pelo solo devido a esse movimento, com suas regiões de compressão e de descompressão.

Tanque do Exército produzindo onda longitudinal no solo, com compressões, descompressões e distância de 1200 metros

Sabendo que a frequência dessas ondas é de 10 Hz, a velocidade com que elas se propagam pelo solo é de

A)15 km/s.
B)8 km/s.
C)4 km/s.
D)6 km/s.
E)10 km/s.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

D
Resolução

A onda representada é longitudinal: as regiões do solo alternam compressão e descompressão ao longo da direção de propagação. Para calcular a velocidade, precisamos primeiro reconhecer o comprimento de onda no desenho.

Um comprimento de onda é a distância entre duas regiões consecutivas que estão na mesma fase, como duas compressões vizinhas. A marca de 1.200 m vai da primeira à terceira compressão. Entre três compressões consecutivas existem dois intervalos completos, portanto: \[2\lambda=1.200\,\text{m}\quad\Rightarrow\quad\lambda=600\,\text{m}.\]

A frequência de 10 Hz indica que dez ciclos passam por um ponto em cada segundo. Em um período, a onda avança um comprimento de onda; por isso, sua velocidade é \[v=\lambda f=600\cdot10=6.000\,\text{m/s}.\] Convertendo metros para quilômetros: \[\boxed{v=6\,\text{km/s}}.\]

O valor calculado é a velocidade com que a perturbação se propaga pelo solo. Ele não representa a velocidade do tanque nem a velocidade de transporte de uma porção de terra por 600 m: as partículas do meio oscilam enquanto a perturbação se desloca.

Cuidado, armadilha! Conte os intervalos entre as compressões, e não a quantidade de compressões. A distância de uma compressão à descompressão seguinte corresponde a meio comprimento de onda.

Alternativa correta: D

Q30
Eletricidade — Eletrostática — Eletrização e polarização

Na técnica de pintura eletrostática de viaturas, as partículas da tinta em pó, inicialmente neutras, adquirem carga elétrica negativa ao passarem por uma pistola de pulverização. Eletrizadas, essas partículas de tinta são atraídas pela peça a ser pintada, que se encontrava eletricamente neutra ou que estava eletrizada com cargas de sinal positivo. Após a aplicação da tinta, a peça pintada é colocada em um forno onde o pó derrete e forma uma película resistente, uniforme e durável.

Nessa técnica, as partículas da tinta em pó, ao serem pulverizadas, adquirem carga elétrica negativa porque ____________, e a atração entre essas partículas e a peça a ser pintada é descrita pela lei de ____________. Se a peça estiver eletricamente neutra, a atração pode ser explicada pela ____________ induzida na superfície a ser pintada, que provoca a separação das cargas nessa superfície.

As lacunas do texto são preenchidas, respectivamente, por:

A)perdem prótons – Coulomb – magnetização.
B)ganham elétrons – Coulomb – polarização.
C)ganham elétrons – Lenz – imantação.
D)perdem prótons – Coulomb – polarização.
E)ganham elétrons – Faraday – magnetização.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

B
Resolução

A questão reúne três ideias: como uma partícula fica eletrizada negativamente, qual lei descreve a interação entre cargas e por que uma peça neutra também pode atrair a tinta. Vamos analisar cada lacuna pelo fenômeno físico correspondente.

Uma partícula inicialmente neutra tem cargas positivas e negativas que se compensam. Ao ganhar elétrons, ela passa a ter excesso de carga negativa. Nos processos usuais de eletrização, são os elétrons que podem ser transferidos; os prótons permanecem nos núcleos atômicos.

A interação eletrostática entre cargas é descrita pela lei de Coulomb. Para cargas puntiformes, o módulo da força é \[F=k\frac{|q_1q_2|}{r^2}.\] Cargas de sinais opostos se atraem. Assim, uma peça positiva atrai diretamente as partículas negativas da tinta.

Se a peça estiver neutra, o campo elétrico das partículas negativas provoca uma redistribuição de cargas na peça. A região mais próxima da tinta fica com excesso relativo de carga positiva, enquanto as cargas negativas são afastadas. Essa separação, descrita no enunciado como polarização, permite a atração mesmo sem carga líquida inicial na peça. A interação com as cargas opostas mais próximas predomina sobre a repulsão das cargas mais distantes.

Cuidado, armadilha! Neutro não significa “sem cargas”, e sim carga total nula. Também não confunda polarização elétrica com magnetização: o mecanismo descrito envolve a distribuição das cargas elétricas na peça.

Alternativa correta: B

Q31
Eletricidade — Eletrostática — Associação de capacitores: inconsistência gráfica no circuito

A figura mostra quatro capacitores, $C_1=12\mu\text{F}$, $C_2=18\mu\text{F}$, $C_3=18\mu\text{F}$ e $C_4=9\mu\text{F}$ associados e conectados a um gerador ideal de força eletromotriz constante $E$.

Circuito impresso da questão 31, com quatro capacitores C1, C2, C3 e C4 ligados a um gerador ideal E

Considerando desprezíveis as resistências de todos os fios de ligação e sabendo que essa associação de capacitores armazena uma carga total de $1{,}8\times10^{-4}\text{C}$, o valor de $E$ é

Observação TEF: na figura impressa, o fio horizontal liga diretamente os nós situados à esquerda e à direita do conjunto $C_2$–$C_3$. Assim, esse trecho ideal constitui um curto-circuito sobre o ramo dos dois capacitores.

A)52 V.
B)64 V.
C)40 V.
D)72 V.
E)90 V.

Gabarito da banca (versão 1)

C

Ressalva física: com o fio impresso, a tensão calculada é 35 V. Veja a resolução.

Resolução

Antes de associar capacitores, devemos identificar quais pontos do circuito estão ligados por fios ideais. Na figura, o fio horizontal une diretamente os dois lados do conjunto $C_2$–$C_3$. Esses lados pertencem ao mesmo nó elétrico e têm o mesmo potencial.

Consequentemente, a tensão nos capacitores desse conjunto é nula. Pela relação $Q=CU$, eles não armazenam carga devida à tensão do gerador e não contribuem para a capacitância equivalente entre seus terminais. Restam $C_1=12\,\mu\text{F}$ e $C_4=9\,\mu\text{F}$ em série.

Em série, as tensões somam e a carga da associação equivalente é a carga de cada capacitor. Portanto: \[\frac1{C_{eq}}=\frac1{12}+\frac1{9}=\frac7{36}\quad\Rightarrow\quad C_{eq}=\frac{36}{7}\,\mu\text{F}.\] Interpretando a carga total informada como a carga da associação equivalente, \[E=\frac{Q}{C_{eq}}=\frac{1{,}8\times10^{-4}}{(36/7)\times10^{-6}}=35\,\text{V}.\]

Esse resultado não aparece entre os valores oferecidos. É possível identificar a origem dos 40 V: se o fio horizontal não existisse, $C_2$ e $C_3$ formariam um paralelo de $36\,\mu\text{F}$, em série com os outros dois capacitores. Nesse circuito diferente, \[\frac1{C_{eq}}=\frac1{12}+\frac1{36}+\frac1{9}=\frac29,\qquad C_{eq}=4{,}5\,\mu\text{F},\] e a tensão seria 40 V. Essa conta exige retirar uma conexão do desenho e, portanto, não resolve o circuito tal como apresentado.

Cuidado, armadilha! A posição visual dos capacitores não basta para definir a associação: siga os fios e identifique os nós. A ressalva aqui é técnica, baseada no circuito impresso; ela não equivale à confirmação de uma anulação oficial.

Gabarito da banca: C. Pela figura impressa: 35 V, sem alternativa correspondente.

Q32
Eletricidade — Eletrodinâmica — Geradores e receptores reais

Uma bateria $B_1$, de força eletromotriz constante $\varepsilon_1=12\text{V}$ e resistência interna $r_1$, é percorrida por uma corrente de intensidade $i_1$ e é utilizada para carregar outra bateria, $B_2$, descarregada, de força eletromotriz $\varepsilon_2$, também constante, e resistência interna $r_2=1\Omega$, percorrida por uma corrente de intensidade $i_2=1{,}5\text{A}$. A mesma bateria $B_1$ também é utilizada para manter acesa uma lâmpada $L$ de resistência $R_L=20\Omega$, que é percorrida por uma corrente $i_L=0{,}5\text{A}$. A figura mostra o circuito elétrico que representa a situação descrita.

Circuito em paralelo com bateria B1, bateria B2 sendo carregada e lâmpada L

Desprezando as resistências dos fios e das conexões utilizadas, os valores de $\varepsilon_2$ e de $r_1$ são, respectivamente,

A)8,5 V e 2,0 $\Omega$.
B)8,5 V e 1,0 $\Omega$.
C)10,5 V e 1,0 $\Omega$.
D)10,5 V e 2,0 $\Omega$.
E)8,5 V e 0,5 $\Omega$.
Abrir questão em página própria ↗

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

B
Resolução

A bateria $B_1$ fornece energia simultaneamente à lâmpada e à bateria $B_2$, que está sendo carregada. Como esses dois ramos estão em paralelo, a tensão em seus terminais é a mesma. A lâmpada fornece a maneira mais direta de descobrir essa tensão.

Pela lei de Ohm, \[U=R_Li_L=20\cdot0{,}5=10\,\text{V}.\] Na bifurcação, a corrente fornecida por $B_1$ se divide entre os dois ramos. Pela conservação da carga elétrica, \[i_1=i_2+i_L=1{,}5+0{,}5=2{,}0\,\text{A}.\]

A bateria $B_2$ recebe energia para ser carregada, funcionando como receptor. A tensão aplicada precisa superar sua força eletromotriz e a queda de tensão interna: \[U=\varepsilon_2+r_2i_2.\] Substituindo, \[10=\varepsilon_2+1\cdot1{,}5\quad\Rightarrow\quad\varepsilon_2=8{,}5\,\text{V}.\]

Já $B_1$ funciona como gerador: sua tensão terminal é menor que a força eletromotriz por causa da resistência interna. Assim, \[U=\varepsilon_1-r_1i_1\quad\Rightarrow\quad10=12-2r_1\quad\Rightarrow\quad r_1=1{,}0\,\Omega.\] Os valores procurados são, respectivamente, 8,5 V e 1,0 Ω. A diferença de 2 V entre a força eletromotriz e a tensão externa de $B_1$ corresponde à queda interna $r_1i_1$.

Cuidado, armadilha! As duas baterias não desempenham o mesmo papel. Usar a equação de gerador para a bateria que está sendo carregada troca o sinal da queda interna. Além disso, a corrente em $B_1$ é a soma das correntes dos ramos.

Alternativa correta: B

Q33
Física Moderna — Física Quântica — Níveis de energia atômicos

Recobrir veículos elétricos com painéis solares pode aumentar a autonomia desses veículos, mas a área disponível para captar a luz do Sol é limitada. Uma alternativa promissora é o uso de células solares de perovskita semitransparentes, que podem ser aplicadas em vidros e tetos solares do veículo, aumentando, assim, a área de captação da luz solar sem afetar significativamente a visibilidade em seu interior.

As perovskitas usadas em células solares são materiais semicondutores. Um exemplo famoso dessas perovskitas é o composto $\mathrm{CH_3NH_3PbI_3}$. Quando a luz incide sobre a superfície desse material, ocorre uma movimentação de cargas elétricas no semicondutor, gerando corrente elétrica. Essa movimentação de cargas elétricas teve sua compreensão iniciada pelos estudos de

A)Arnold Sommerfeld, que aperfeiçoou o modelo de Bohr ao propor órbitas eletrônicas elípticas para explicar transições eletrônicas em materiais sólidos.
B)Marie Curie, que relacionou a emissão espontânea de radiação pelos materiais à geração de correntes elétricas em dispositivos sólidos.
C)Ernest Rutherford, que previu a existência de prótons livres que poderiam saltar do núcleo para a eletrosfera, gerando um movimento de cargas elétricas.
D)Joseph J. Thomson, que previu a existência de elétrons se movimentando em feixes luminosos.
E)Niels Bohr, que explicou os saltos de elétrons para níveis superiores ao receberem uma energia externa.

Gabarito TEF — EsPCEx 2027

E
Resolução

A luz transfere energia ao material da célula solar e pode produzir excitação eletrônica. A pergunta busca, entre as propostas históricas apresentadas, a ideia de que um elétron pode passar a um estado de maior energia ao absorver energia externa.

No modelo de Bohr, os elétrons ocupam níveis de energia permitidos. Para passar de um nível de energia $E_i$ para outro de maior energia $E_f$, o elétron precisa absorver a diferença: \[\Delta E=E_f-E_i>0.\] Quando essa energia é fornecida pela absorção de um fóton, ela se relaciona à frequência da luz por $\Delta E=hf$.

Essa associação entre absorção de energia e mudança de estado eletrônico é a ideia explorada pela questão. Ela permite distinguir o mecanismo descrito de radioatividade nuclear, emissão de prótons ou da hipótese de que a própria luz seja um feixe de elétrons. O nome associado, entre os cientistas listados, é Niels Bohr.

É importante delimitar a interpretação: o modelo atômico de Bohr não descreve sozinho uma célula solar de perovskita. A explicação dos semicondutores envolve estados eletrônicos em bandas e a separação das cargas excitadas. Aqui, o modelo histórico serve para reconhecer a noção de transição eletrônica por absorção de energia.

Cuidado, armadilha! Absorver luz não significa retirar prótons do núcleo. O processo relevante para a questão envolve os estados de energia dos elétrons, e não uma reação nuclear no material.

Alternativa correta: E

↑ Voltar ao topo