2001.1CG — FMTM — Questões de Física comentadas — Método TEF

Concurso Vestibular FMTM 2001 · CG · Questões 12 a 22 — resolução comentada e auditoria de nível pelo Método TEF.

Q12
Mecânica — Estática — Composição de forças

Duas forças concorrentes $\vec{F}_1$ e $\vec{F}_2$, de mesmo módulo, têm como resultante uma força cujo módulo é, também, o mesmo de $\vec{F}_1$ e $\vec{F}_2$. Essa situação física

A)só ocorre quando o ângulo entre $\vec{F}_1$ e $\vec{F}_2$ é nulo.
B)só ocorre quando o ângulo entre $\vec{F}_1$ e $\vec{F}_2$ é $45^\circ$.
C)só ocorre quando o ângulo entre $\vec{F}_1$ e $\vec{F}_2$ é $60^\circ$.
D)só ocorre quando o ângulo entre $\vec{F}_1$ e $\vec{F}_2$ é $120^\circ$.
E)é impossível.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

D
Resolução

Seja $F$ o módulo das duas forças e $\theta$ o ângulo entre elas. O módulo da resultante é dado pela lei dos cossenos: $R^{2}=F^{2}+F^{2}+2F\cdot F\cos\theta=2F^{2}(1+\cos\theta)$.

Impondo $R=F$: $F^{2}=2F^{2}(1+\cos\theta)\Rightarrow1+\cos\theta=\dfrac12\Rightarrow\cos\theta=-\dfrac12$.

O único ângulo entre $0^\circ$ e $180^\circ$ que satisfaz essa condição é $\theta=120^\circ$. Geometricamente, as duas forças e a resultante formam um triângulo equilátero.

Q13
Mecânica — Cinemática — Movimento circular uniforme

Uma partícula executa um movimento em trajetória circular de raio $r$. Pode-se afirmar que, no intervalo de tempo igual ao período desse movimento, o módulo do deslocamento e o espaço percorrido por essa partícula são, respectivamente, iguais a

A)zero e zero.
B)zero e $\pi r$.
C)zero e $2\pi r$.
D)$\pi r$ e $2\pi r$.
E)$2\pi r$ e $2\pi r$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

C
Resolução

Em um período, a partícula completa uma volta e retorna ao ponto de partida. O deslocamento é o vetor que liga a posição inicial à final; como são a mesma, o módulo do deslocamento é zero.

O espaço percorrido é o comprimento da trajetória, ou seja, o da circunferência: $2\pi r$.

Q14
Mecânica — Dinâmica — Tração em sistemas de blocos

A figura representa dois blocos, A e B, ligados por uma vareta rígida, de massa não desprezível. O conjunto está apoiado sobre um plano horizontal sem atrito e sobre ele atua a força horizontal $\vec{F}$, de módulo $F$.

Blocos B (à esquerda) e A (à direita) ligados por uma vareta, sobre um plano horizontal sem atrito, com seta indicando a direção para a direita

Sendo $T_{AV}$ o módulo da tração exercida pelo bloco A sobre a vareta e $T_{BV}$ o módulo da tração exercida pelo bloco B sobre a vareta, pode-se afirmar que

A)$T_{AV}=T_{BV}=F$
B)$T_{AV}=T_{BV}<F$
C)$T_{AV}=T_{BV}>F$
D)$F>T_{AV}>T_{BV}$
E)$F<T_{AV}<T_{BV}$

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

D
Resolução

O conjunto acelera para a direita, puxado pela força $\vec{F}$ aplicada na frente (bloco A, o da direita). Como o plano não tem atrito, a única força externa horizontal é $F$ e a aceleração é $a=\dfrac{F}{m_A+m_V+m_B}$.

Bloco A: $F-T_{AV}=m_Aa>0$, portanto $F>T_{AV}$.

Vareta (massa não desprezível): sobre ela atuam $T_{AV}$ (para a direita) e $T_{BV}$ (para a esquerda), e $T_{AV}-T_{BV}=m_Va>0$, portanto $T_{AV}>T_{BV}$.

Se a vareta tivesse massa desprezível, as duas trações seriam iguais; como a massa não é desprezível, a tração diminui ao longo da vareta, no sentido contrário ao do movimento: $F>T_{AV}>T_{BV}$.

Q15
Mecânica — Quantidade de movimento — Variação da quantidade de movimento

A figura mostra a trajetória de uma esfera de massa $0{,}10\text{ kg}$, chocando-se contra uma parede.

Trajetória de uma esfera que chega a uma parede vertical a 45 graus e é refletida, também a 45 graus

Sabendo-se que a esfera atinge a parede com velocidade de módulo $v_1=4{,}0\text{ m/s}$ e abandona a parede com velocidade de módulo $v_2=3{,}0\text{ m/s}$, pode-se afirmar que o módulo da variação da quantidade de movimento da esfera, em $\text{kg}\cdot\text{m/s}$, é

A)$0{,}10$.
B)$0{,}20$.
C)$0{,}30$.
D)$0{,}40$.
E)$0{,}50$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

E
Resolução

Pela figura, a esfera incide e é refletida formando $45^\circ$ com a normal à parede (o ângulo reto marcado indica a normal). Adotando $x$ perpendicular à parede (positivo em direção a ela) e $y$ paralelo a ela:

$\vec{v}_1=(4\cos45^\circ,\;-4\operatorname{sen}45^\circ)$ e $\vec{v}_2=(-3\cos45^\circ,\;-3\operatorname{sen}45^\circ)$.

$\Delta\vec{v}=\vec{v}_2-\vec{v}_1=\big(-7\cos45^\circ,\;+1\cdot\operatorname{sen}45^\circ\big)=\left(-\dfrac{7\sqrt2}{2},\;\dfrac{\sqrt2}{2}\right)$.

$|\Delta\vec{v}|=\sqrt{\dfrac{49}{2}+\dfrac12}=\sqrt{25}=5{,}0\text{ m/s}$.

$|\Delta\vec{Q}|=m|\Delta\vec{v}|=0{,}10\times5{,}0=0{,}50\text{ kg}\cdot\text{m/s}$.

Q16
Mecânica — Trabalho e energia — Conservação da energia mecânica

A figura mostra um pêndulo simples, abandonado à altura $h$ do ponto mais baixo da trajetória. Na vertical que passa pelo ponto de sustentação, o pino P faz o fio curvar-se e o pêndulo passa a descrever uma trajetória circular de raio $r$ e centro P.

Pêndulo abandonado a uma altura h do ponto mais baixo; ao passar pela vertical, o fio se apoia no pino P e a esfera passa a descrever uma circunferência de raio r

O menor valor de $h$ para que esse pêndulo descreva uma circunferência completa é igual a

A)$1{,}0r$.
B)$1{,}5r$.
C)$2{,}0r$.
D)$2{,}5r$.
E)$3{,}0r$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

D
Resolução

Para completar a circunferência de raio $r$ com um fio (que não pode afrouxar), a tração no ponto mais alto deve ser no mínimo nula. Nesse caso, a resultante centrípeta é só o peso: $mg=\dfrac{mv^{2}}{r}\Rightarrow v^{2}=gr$.

O ponto mais alto da circunferência está a $2r$ do ponto mais baixo. Conservando a energia mecânica entre o ponto de abandono (altura $h$, repouso) e o topo (altura $2r$, velocidade $v$): $mgh=mg(2r)+\dfrac12mv^{2}=2mgr+\dfrac12mgr$.

$h=2{,}5r$.

Q17
Mecânica — Hidrostática — Empuxo e flutuação

A figura mostra um recipiente cilíndrico flutuando na água, em repouso, num plano horizontal.

Recipiente cilíndrico flutuando; a parte imersa tem altura h e contém água até a altura h/5

A espessura das paredes do recipiente é desprezível e a parte imersa do recipiente, de altura $h$, contém certa quantidade de água que atinge a altura $h/5$. Nessas condições, pode-se afirmar que a razão entre a massa desse recipiente vazio, $m_r$, e a massa de água nele contida, $m_a$, é

A)$5$.
B)$4$.
C)$3$.
D)$2$.
E)$1$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

B
Resolução

O conjunto (recipiente mais a água dentro dele) flutua em equilíbrio: o empuxo iguala o peso total. Como a espessura das paredes é desprezível, o volume deslocado é $V=A\,h$, em que $A$ é a área da base.

Empuxo: $E=\rho_{\text{água}}\,A\,h\,g$. Peso total: $(m_r+m_a)g$.

A água no interior tem altura $h/5$, logo $m_a=\rho_{\text{água}}A\dfrac{h}{5}$, ou seja, $\rho_{\text{água}}Ah=5m_a$.

Do equilíbrio: $m_r+m_a=5m_a\Rightarrow m_r=4m_a$, e a razão procurada é $\dfrac{m_r}{m_a}=4$.

Q18
Termologia — Dilatação — Dilatação térmica dos sólidos

Uma dona de casa lava dois copos de materiais diferentes e, logo em seguida, coloca um dentro do outro. Depois de algum tempo em que a temperatura ambiente permanece constante, ela nota que eles estão presos e não consegue separá-los. Dentre as muitas explicações possíveis para esse fato, uma delas é que a temperatura da água com a qual os copos foram lavados

A)era mais baixa que a temperatura ambiente e o copo de dentro tem coeficiente de dilatação maior que o de fora.
B)era mais alta que a temperatura ambiente e o copo de dentro tem coeficiente de dilatação maior que o de fora.
C)era mais baixa que a temperatura ambiente e o copo de dentro tem coeficiente de dilatação menor que o de fora.
D)era igual à temperatura ambiente, mas o copo de dentro tem coeficiente de dilatação maior que o de fora.
E)era igual à temperatura ambiente, mas o copo de dentro tem coeficiente de dilatação menor que o de fora.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

A
Resolução

Os copos só podem ficar presos se, após serem encaixados, a temperatura variar: se a água for da temperatura ambiente, nada muda e os copos não se prendem (o que descarta D e E).

Para que fiquem presos, o copo de dentro precisa tender a ficar maior que o de fora. Se a água estava mais fria que o ambiente, os copos se encaixaram contraídos e, ao se aquecerem até a temperatura ambiente, ambos dilatam; se o copo de dentro tiver o maior coeficiente de dilatação, ele aumenta mais que o de fora e fica comprimido contra ele.

Se a água estivesse mais quente, ocorreria o inverso: ao resfriar até o ambiente, o copo de dentro, de maior coeficiente, contrairia mais e ficaria folgado; o que ficaria preso seria o de dentro com coeficiente menor, caso que não aparece com água quente nas alternativas. Com água mais fria e coeficiente menor no copo de dentro, ele dilataria menos e ficaria solto.

A única combinação das alternativas que prende os copos é, portanto, água mais fria que o ambiente e copo de dentro de maior coeficiente.

Q19
Óptica — Reflexão e espelhos — Espelhos esféricos

Uma estudante, em sua casa, observa um vaso de vidro transparente esférico vazio e nele vê duas imagens da mesma janela, localizada à frente do vaso. Isso ocorre porque as superfícies do vaso funcionam como espelhos esféricos. A externa, mais próxima da janela, equivale a um espelho convexo; a interna, mais afastada, equivale a um espelho côncavo. Pode-se afirmar que essas imagens estão localizadas

A)fora do vaso e são, ambas, direitas.
B)fora do vaso e são, ambas, invertidas.
C)dentro do vaso e são, ambas, direitas.
D)dentro do vaso e são, ambas, invertidas.
E)dentro do vaso, uma é direita e outra é invertida.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

E
Resolução

Superfície externa (espelho convexo): forma, de qualquer objeto real, uma imagem virtual, direita e menor, situada atrás do espelho, isto é, dentro do vaso.

Superfície interna (espelho côncavo): a janela está muito longe, além do centro de curvatura, e a imagem é real, invertida e menor, formada na frente do espelho côncavo (lado do espelho voltado para o interior do vaso), ou seja, também dentro do vaso.

As duas imagens ficam, portanto, dentro do vaso: a do espelho convexo é direita e a do côncavo é invertida.

Q20
Eletricidade — Eletrostática — Campo e potencial elétrico

A figura representa duas esferas condutoras idênticas, com cargas elétricas de mesmo valor e de sinais contrários, apoiadas em suportes isolantes.

Duas esferas condutoras sobre suportes isolantes, com o ponto médio M entre seus centros

Considere o ponto médio M que se mantém eqüidistante de seus centros e suponha que as esferas sejam aproximadas, mas não se tocam. Nessas condições, sendo $E_M$ o módulo do vetor campo elétrico em M e $V_M$ o valor do potencial elétrico em M, pode-se afirmar que

A)$E_M$ e $V_M$ aumentam.
B)$E_M$ e $V_M$ diminuem.
C)$E_M$ e $V_M$ não se alteram.
D)$E_M$ aumenta e $V_M$ não se altera.
E)$E_M$ não se altera e $V_M$ aumenta.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

D
Resolução

Campo elétrico em M: o campo de cada esfera (tratada como carga puntiforme em seu centro) tem módulo $E=\dfrac{kQ}{d^{2}}$, em que $d$ é a distância do centro até M. Como as cargas têm sinais opostos, o campo da positiva (afastando-se dela) e o da negativa (aproximando-se dela) têm o mesmo sentido em M, e os módulos se somam: $E_M=\dfrac{2kQ}{d^{2}}$. Ao aproximar as esferas, $d$ diminui e $E_M$ aumenta.

Potencial elétrico em M: $V_M=\dfrac{kQ}{d}+\dfrac{k(-Q)}{d}=0$, qualquer que seja $d$. O potencial em M permanece nulo.

Q21
Eletricidade — Eletrodinâmica — Ponte de Wheatstone

No trecho de circuito representado a seguir, o voltímetro marca $10\text{ V}$ e o galvanômetro G garante que não há passagem de corrente no ramo em que está inserido.

Circuito em ponte: resistores de 6,0 ohms e 3,0 ohms na parte de cima, 4,0 ohms e R na parte de baixo, galvanômetro G ligando os pontos centrais e voltímetro nos extremos

Pode-se afirmar que o valor da resistência $R$, em ohms, é

A)$1{,}0$.
B)$2{,}0$.
C)$3{,}0$.
D)$4{,}0$.
E)$5{,}0$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

B
Resolução

Como o galvanômetro indica que não passa corrente por ele, a ponte está equilibrada: os produtos dos resistores opostos são iguais (ou, equivalentemente, as razões em cada ramo são iguais).

$\dfrac{6{,}0}{4{,}0}=\dfrac{3{,}0}{R}\Rightarrow R=\dfrac{3{,}0\times4{,}0}{6{,}0}=2{,}0\ \Omega$.

A leitura do voltímetro ($10\text{ V}$) não é necessária para determinar $R$.

Q22
Eletricidade — Magnetismo — Ímãs e polos magnéticos

A figura representa um ímã em forma de barra, com os pólos magnéticos nas extremidades.

Ímã em barra com polo S à esquerda e polo N à direita, com uma linha horizontal tracejada (l) ao longo do comprimento e uma linha vertical (n) pelo meio

Suponha que se pretenda dividir esse ímã em dois e que haja duas sugestões para fazer essa divisão. A primeira, de efetuá-la na direção longitudinal, da linha $\ell$; a segunda, na direção normal, da linha $n$. Logo em seguida a essa divisão, em relação aos ímãs resultantes, pode-se afirmar que

A)ambos vão se repelir, em quaisquer das duas sugestões.
B)ambos vão se atrair, em quaisquer das duas sugestões.
C)vão se repelir na primeira sugestão e se atrair na segunda.
D)vão se atrair na primeira sugestão e se repelir na segunda.
E)perdem a imantação na primeira sugestão e se atraem na segunda.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2001.1 · CG

C
Resolução

Os ímãs não têm polos isolados: ao se dividir um ímã, cada pedaço continua sendo um ímã completo, com norte e sul.

Primeira sugestão (corte longitudinal, ao longo de $\ell$): obtêm-se duas metades, uma em cima e outra embaixo, cada uma com o polo S à esquerda e o N à direita. Ao se aproximarem pelas faces do corte, ficam lado a lado polos de mesmo nome (S com S e N com N): repelem-se.

Segunda sugestão (corte normal, ao longo de $n$): obtêm-se duas metades, uma à esquerda (S–N) e outra à direita (S–N). Pelas faces do corte ficam frente a frente o N da metade esquerda e o S da metade direita: atraem-se.

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