UEL 2005 · CE — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual de Londrina

Física · 2ª fase (Conhecimentos Específicos, objetiva) · 18/01/2005 · Respostas e resoluções comentadas.

Q1
Mecânica — Trabalho e energia — Potência: Locomotiva e vagões acrescentados

Partindo do repouso, e utilizando sua potência máxima, uma locomotiva sai de uma estação puxando um trem de 580 toneladas. Somente após 5 minutos, o trem atinge sua velocidade máxima, 50 km/h. Na estação seguinte, mais vagões são agregados e, desta vez, o trem leva 8 minutos para atingir a mesma velocidade limite. Considerando que, em ambos os casos, o trem percorre trajetórias aproximadamente planas e que as forças de atrito são as mesmas nos dois casos, é correto afirmar que a massa total dos novos vagões é:

A)238 ton.
B)328 ton.
C)348 ton.
D)438 ton.
E)728 ton.

Gabarito

C
Resolução

Com potência $P$ constante, a energia fornecida em um tempo $t$ é $P\,t$. Nesta resolução, como no gabarito oficial, essa energia é tomada como a que aumenta a energia cinética até a mesma velocidade final: $P\,t=\tfrac12 M v^2$. Como $P$ e $v$ são iguais nos dois casos, a massa é proporcional ao tempo.

$\dfrac{M_2}{M_1}=\dfrac{t_2}{t_1}=\dfrac{8}{5}$, portanto $M_2=580\cdot\dfrac85=928\ \mathrm{ton}$. Os vagões acrescentados têm $928-580=348\ \mathrm{ton}$. Alternativa C.

Q2
Mecânica — Cinemática — Movimento uniforme: Cão perseguindo a lebre

Um cão persegue uma lebre de forma que enquanto ele dá 3 saltos ela dá 7 saltos. Dois saltos do cão equivalem a cinco saltos da lebre. A perseguição inicia-se em um instante em que a lebre está a 25 saltos à frente do cão. Considerando-se que ambos deslocam-se em linha reta, é correto afirmar que o cão alcança a lebre após ele ter:

A)Percorrido 30 m e a lebre 70 m.
B)Percorrido 60 m e a lebre 140 m.
C)Dado 70 saltos.
D)Percorrido 50 m.
E)Dado 150 saltos.

Gabarito

E
Resolução

Tome o salto da lebre como unidade ($1\ \text{sl}$). Como 2 saltos do cão valem 5 saltos da lebre, cada salto do cão vale $2{,}5\ \text{sl}$.

Em um mesmo intervalo, o cão dá 3 saltos ($3\cdot2{,}5=7{,}5\ \text{sl}$) e a lebre dá 7 ($7\ \text{sl}$). O cão ganha $0{,}5\ \text{sl}$ a cada intervalo. Para fechar a vantagem de $25\ \text{sl}$ são necessários $25/0{,}5=50$ intervalos, nos quais o cão dá $50\cdot3=150$ saltos. Alternativa E.

Q3
Mecânica — Gravitação — Peso aparente: Confeitos flutuando na nave em órbita

Em 21 de junho de 2004, a nave espacial SpaceShipOne realizou um fato memorável: foi o primeiro veículo espacial concebido pela iniciativa privada a entrar em órbita em torno da Terra, em uma altura pouco superior a 100 km. Durante o intervalo de tempo em que a nave alcançou sua máxima altitude, e com os motores praticamente desligados, seu piloto abriu um pacote de confeitos de chocolates para vê-los flutuar no interior da nave. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a explicação da flutuação dos confeitos.

A)A gravidade é praticamente zero na altitude indicada.
B)Não há campo gravitacional fora da atmosfera da Terra.
C)A força gravitacional da Terra é anulada pela gravidade do Sol e da Lua.
D)As propriedades especiais do material de que é feita a nave espacial blindam, em seu interior, o campo gravitacional da Terra.
E)Nave e objetos dentro dela estão em “queda livre”, simulando uma situação de ausência de gravidade.

Gabarito

E
Resolução

A 100 km de altura a gravidade ainda vale cerca de $97\%$ do valor na superfície: ela não é nula (A e B são falsas), nem anulada pelo Sol ou pela Lua (C), nem blindada (D).

Com os motores desligados, a nave e tudo o que está nela caem juntos com a mesma aceleração. Sem força de contato entre eles, os confeitos “flutuam”: é a queda livre, que simula a ausência de peso. Alternativa E.

Q4
Mecânica — Gravitação — Leis de Kepler: Lei das áreas em duas trajetórias

Observe a figura a seguir. Os eixos cartesianos representam dois sistemas de referência independentes e isolados. O sistema da esquerda apresenta uma partícula com massa $m_1$ em movimento retilíneo e de velocidade constante, com trajetória dada por $Y=b$; $x=x_0+vt$. O sistema da direita representa uma outra partícula com massa $m_2$, percorrendo uma trajetória elíptica sob ação do campo gravitacional gerado por uma massa $M\gg m_2$ estacionária em um dos focos.

Dois sistemas de eixos: à esquerda, uma reta horizontal à altura y = b; à direita, uma elipse com centro próximo à origem, cruzando o eixo y em c.

Com base no texto, na figura e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:

A)Os raios vetores que ligam as origens às partículas, nos dois sistemas, varrem áreas iguais em tempos iguais.
B)Somente no sistema da direita, o raio vetor, que liga a origem à partícula, varre áreas iguais em tempos iguais.
C)Somente no sistema da esquerda, o raio vetor, que liga a origem à partícula, varre áreas iguais em tempos iguais.
D)Se a massa da partícula $m_2$ do sistema da direita for dobrada, mas permanecer girando na mesma trajetória elíptica, o seu período de revolução mudará.
E)O período de revolução da partícula do sistema da direita é proporcional ao cubo da distância média entre as duas massas.

Gabarito

A
Resolução

A lei das áreas (momento angular constante) vale sempre que a força resultante é nula ou central. À direita, a força gravitacional é central em relação à massa $M$, e o raio vetor varre áreas iguais em tempos iguais.

À esquerda, a força é nula, e a velocidade é constante: em $\Delta t$ a área do triângulo formado pela origem e pelo deslocamento é $\tfrac12\,b\,v\,\Delta t$, a mesma para qualquer intervalo igual. Logo, a lei vale nos dois sistemas.

(D) é falsa, pois o período não depende da massa da partícula; (E) é falsa, pois $T^2\propto a^3$, e não $T\propto a^3$. Alternativa A.

Q5
Mecânica — Estática — Equilíbrio de forças: Tensão no barbante e ângulo de amarração

Um estudante resolve transportar, de um quarto para outro, os seus livros de estudo. Ele os organiza em duas pilhas de mesmo peso, amarrando-os da mesma maneira e com barbantes do mesmo carretel. No entanto, ao final, ele percebe que uma das amarrações está um pouco mais frouxa que a outra. Na figura a seguir representações das forças envolvidas nas duas amarrações são mostradas. Assim que o estudante pega as pilhas, pela extremidade superior da amarração, o barbante de uma das pilhas se rompe.

Três diagramas de forças: na amarração frouxa, as duas tensões T1 formam um ângulo Θ pequeno com a vertical; na amarração rente, as duas tensões T2 são quase horizontais e Θ é grande; o terceiro mostra a decomposição das tensões T com o ângulo Θ. Em ambas há o peso Mg para baixo.

Com base no texto e nos conhecimentos de mecânica, é correto afirmar:

A)O barbante da amarração mais frouxa arrebentou.
B)Em condições de equilíbrio, o aumento da componente vertical da tensão no barbante, com a diminuição do ângulo $\Theta$, determina a ruptura na amarração mais frouxa.
C)Em condições de equilíbrio, a dependência da tensão no barbante com o ângulo $\Theta$ determina a ruptura na amarração mais rente.
D)Em condições de equilíbrio, a dependência da tensão no barbante com o ângulo $\Theta$ determina a ruptura na amarração mais frouxa.
E)O rompimento foi totalmente acidental.

Gabarito

C
Resolução

No equilíbrio, a componente vertical das duas tensões equilibra o peso: $2T\cos\Theta=Mg$ (com $\Theta$ medido em relação à vertical), de modo que $T=\dfrac{Mg}{2\cos\Theta}$.

Na amarração mais rente (barbante quase horizontal), $\Theta$ é grande e $\cos\Theta$ é pequeno, de modo que a tensão $T$ cresce muito para o mesmo peso. Ali o barbante rompe primeiro; na amarração frouxa, $\Theta$ é menor e a tensão é menor. Alternativa C.

Q6
Óptica — Óptica geométrica — Semelhança de triângulos: Barco encoberto pelas palmeiras

Sentado em um banco, de frente para a praia, um estudante observa um pequeno barco de pesca que se move lentamente no mar. Entre o seu banco e a praia, existe uma fileira de palmeiras que, aparentemente, foram plantadas na mesma época e, portanto, possuem aproximadamente o mesmo diâmetro. O estudante percebe que, quando a vista do barco é encoberta pelo tronco de uma palmeira, seu comprimento aparente corresponde exatamente ao diâmetro da árvore. Ele resolve então medir, para cada árvore, o tempo transcorrido entre o instante em que o barco começa a ser encoberto até o instante em que ele fica completamente encoberto, e verifica que para todas as palmeiras ele é praticamente o mesmo, 4 s. A seguir, olhando ao seu redor, o estudante verifica que, ancorados num porto próximo à praia, estão outros barcos iguais ao que ele observa no mar e resolve medir seu comprimento, obtendo 10 m. Finalmente, medindo a distância entre o ponto de observação e as palmeiras, bem como o diâmetro das árvores, ele obtém, respectivamente, 16 m e 25 cm. A partir destes dados, ele pôde calcular a distância entre o barco e a sua posição de observação, bem como a velocidade com que o barco se deslocava no mar. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, os resultados encontrados pelo estudante.

A)450 m e 2,1 m/s.
B)640 m e 2,5 m/s.
C)640 m e 8,0 m/s.
D)1100 m e 2,5 m/s.
E)1100 m e 7,0 m/s.

Gabarito

B
Resolução

O tronco e o barco ocupam o mesmo ângulo de visão a partir do observador; os triângulos são semelhantes: $\dfrac{D_{barco}}{d_{barco}}=\dfrac{\text{comprimento do barco}}{\text{diâmetro do tronco}}$, ou seja, $\dfrac{D}{16}=\dfrac{10}{0{,}25}=40$, e $D=640\ \mathrm{m}$.

Do instante em que o barco começa a ser encoberto até ficar totalmente encoberto, ele se desloca o seu próprio comprimento: $v=\dfrac{10\ \mathrm{m}}{4\ \mathrm{s}}=2{,}5\ \mathrm{m/s}$. Alternativa B.

Q7
Mecânica — Hidrodinâmica — Princípio de Bernoulli: Sustentação das asas

O voo de um avião depende do acoplamento de vários fatores, dentre os quais se destaca o formato de suas asas, responsáveis por sua sustentação no ar. O projeto das asas é concebido de tal maneira que, em um mesmo intervalo de tempo, uma corrente de ar passando acima da asa tem que percorrer um caminho maior que uma corrente de ar que passa abaixo dela. Desde que a velocidade do avião seja adequada, isso permite que ele se mantenha no ar. Assinale a alternativa que identifica corretamente a razão para que isso aconteça.

A)A velocidade do ar acima da asa é maior do que abaixo da asa, ocasionando uma pressão maior acima da asa.
B)A velocidade do ar acima da asa é menor do que abaixo da asa, ocasionando uma pressão menor acima da asa.
C)A velocidade do ar acima da asa é maior do que abaixo da asa, ocasionando uma pressão maior abaixo da asa.
D)A densidade do ar acima da asa é menor do que abaixo da asa, ocasionando uma pressão menor abaixo da asa.
E)A densidade do ar acima da asa é maior do que abaixo da asa, ocasionando uma pressão maior abaixo da asa.

Gabarito

C
Resolução

Sobre a asa o ar percorre caminho maior no mesmo tempo, então sua velocidade é maior. Pelo princípio de Bernoulli, maior velocidade corresponde a menor pressão: a pressão acima é menor que a pressão abaixo.

A diferença de pressão gera uma força líquida para cima (sustentação). Alternativa C.

Q8
Termologia — Termodinâmica — Segunda lei: Enunciado de Carnot

Uma das grandes contribuições para a ciência do século XIX foi a introdução, por Sadi Carnot, em 1824, de uma lei para o rendimento das máquinas térmicas, que veio a se transformar na lei que conhecemos hoje como Segunda Lei da Termodinâmica. Na sua versão original, a afirmação de Carnot era: todas as máquinas térmicas reversíveis ideais, operando entre duas temperaturas, uma maior e outra menor, têm a mesma eficiência, e nenhuma máquina operando entre essas temperaturas pode ter eficiência maior do que uma máquina térmica reversível ideal. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:

A)A afirmação, como formulada originalmente, vale somente para máquinas a vapor, que eram as únicas que existiam na época de Carnot.
B)A afirmação de Carnot introduziu a ideia de Ciclo de Carnot, que é o ciclo em que operam, ainda hoje, nossas máquinas térmicas.
C)A afirmação de Carnot sobre máquinas térmicas pode ser encarada como uma outra maneira de dizer que há limites para a possibilidade de aprimoramento técnico, sendo impossível obter uma máquina com rendimento maior do que a de uma máquina térmica ideal.
D)A afirmação de Carnot introduziu a ideia de Ciclo de Carnot, que veio a ser o ciclo em que operam, ainda hoje, nossos motores elétricos.
E)Carnot viveu em uma época em que o progresso técnico era muito lento, e sua afirmação é hoje desprovida de sentido, pois o progresso técnico é ilimitado.

Gabarito

C
Resolução

O enunciado de Carnot vale para qualquer máquina térmica, não só a vapor (A é falsa). O ciclo de Carnot é um modelo ideal que fixa o limite máximo de rendimento, $\eta_{máx}=1-T_{fria}/T_{quente}$; as máquinas reais não operam nesse ciclo (B e D são falsas).

Nenhum aprimoramento técnico supera esse limite, que depende só das temperaturas: o progresso técnico não é ilimitado (E é falsa). Alternativa C.

Q9
Termologia — Dilatação térmica — Dilatação anômala: Congelamento da superfície dos lagos

Normalmente, os materiais dilatam-se com o aumento da temperatura, inclusive os líquidos. A água, contudo, apresenta um comportamento anômalo, sofre contração de seu volume quando sua temperatura aumenta no intervalo de $0\,{}^\circ\mathrm{C}$ a $4\,{}^\circ\mathrm{C}$, voltando a expandir-se para temperaturas maiores de $4\,{}^\circ\mathrm{C}$. Assim, o volume mínimo de uma certa quantidade de água ocorre à temperatura de $4\,{}^\circ\mathrm{C}$. A massa específica da água a $4\,{}^\circ\mathrm{C}$ é $\rho=1\ \mathrm{g/cm^3}$, a $0\,{}^\circ\mathrm{C}$ é $\rho=0{,}99985\ \mathrm{g/cm^3}$ e a $10\,{}^\circ\mathrm{C}$ é $\rho=0{,}9997\ \mathrm{g/cm^3}$. Devido a esta propriedade, nas regiões de clima frio, apenas as superfícies de lagos se congelam no inverno, formando uma capa protetora e isolante que conserva a água, sob ela, no estado líquido, a $4\,{}^\circ\mathrm{C}$, a grandes profundidades. Isto permite a sobrevivência da flora e da fauna destas regiões. Assinale a alternativa que explica corretamente o fato de somente a superfície dos lagos se congelar a temperaturas ambientes inferiores a $0\,{}^\circ\mathrm{C}$.

A)Quando a temperatura ambiente fica menor que 0 °C, uma camada da superfície do lago congela-se, fazendo o volume (nível) do lago aumentar. Como a pressão atmosférica é constante, da equação de Clapeyron decorre que a temperatura debaixo da camada de gelo deve ser maior que 0 °C. A grandes profundidades, devido ao isolamento da camada superficial de gelo, a água tende à temperatura de equilíbrio, ou seja, 4 °C.
B)Quando a temperatura ambiente diminui até 0 °C, toda a água do lago também atinge a temperatura de 0 °C, uniformemente. Começa-se a formar uma camada de gelo na superfície, que devido ao calor latente de solidificação da água, aquece a água debaixo da camada de gelo. Este processo entra em equilíbrio térmico quando o calor latente, fornecido pela camada de gelo que se formou, aquece a água debaixo desta à temperatura de equilíbrio de 4 °C.
C)Quando a temperatura ambiente fica menor que 0 °C, uma camada da superfície do lago congela-se, fazendo o volume (nível) do lago aumentar. Como a pressão a grandes profundidades aumenta, devido à camada de gelo que se formou, da equação de Clapeyron decorre que a temperatura também aumenta. O equilíbrio é atingido quando a temperatura a grandes profundidades atinge 4 °C, fazendo com que o volume do lago diminua novamente. Temos um equilíbrio dinâmico.
D)Quando a temperatura ambiente fica menor que 0 °C, uma camada da superfície do lago congela-se, fazendo o volume (nível) do lago diminuir. Como a pressão a grandes profundidades diminui, devido à camada de gelo que se formou, vemos da equação de Clapeyron que a temperatura também aumenta. O equilíbrio é atingido quando a temperatura a grandes profundidades atinge 4 °C, fazendo com que o volume do lago diminua novamente. Temos um equilíbrio dinâmico.
E)Quando a temperatura ambiente cai abaixo de 4 °C, a água a 4 °C é mais densa e se acumula no fundo do lago. Quando a temperatura ambiente fica menor que 0 °C, a água da superfície congela-se e flutua, isolando a água ainda no estado líquido, com temperatura acima da temperatura da superfície do lago.

Gabarito

E
Resolução

A água é mais densa a $4\,{}^\circ\mathrm{C}$ ($1\ \mathrm{g/cm^3}$) que a $0\,{}^\circ\mathrm{C}$ ou a $10\,{}^\circ\mathrm{C}$. Quando o ambiente esfria abaixo de $4\,{}^\circ\mathrm{C}$, a água superficial mais fria é menos densa e permanece em cima, enquanto a de $4\,{}^\circ\mathrm{C}$ afunda e se acumula no fundo.

Ao chegar a $0\,{}^\circ\mathrm{C}$, a superfície congela, e o gelo ($\rho\approx0{,}92\ \mathrm{g/cm^3}$) flutua e isola termicamente a água líquida abaixo, que fica mais quente que a superfície. As demais alternativas aplicam a equação de Clapeyron de forma indevida ou invocam calor latente de modo incoerente. Alternativa E.

Q10
Termologia — Termodinâmica — Mudanças de fase: Diagrama de fases

Nas condições usualmente encontradas no ambiente em que vivemos, a matéria assume três estados: sólido, líquido e gasoso. A água, por exemplo, pode ser encontrada em qualquer desses estados de acordo com a pressão e temperatura do ambiente. Nosso domínio sobre o ambiente decorre, entre outras coisas, do fato de que sabemos controlar as mudanças entre esses estados. De maneira geral, fusão é a transformação que leva uma substância do estado sólido para o estado líquido. Vaporização é a transformação que leva uma substância do estado líquido para o estado gasoso. Sublimação é a transformação que leva uma substância diretamente do estado sólido para o estado gasoso. O diagrama de fases reúne em um diagrama da pressão × temperatura, as curvas de fusão, de vaporização e de sublimação de uma dada substância, conforme a figura a seguir.

Diagrama de fases pressão × temperatura com três curvas que se encontram num ponto triplo e definem as regiões I (embaixo, à direita), II (acima, à direita) e III (à esquerda); os pontos 1, 2 e 3 estão sobre as curvas de sublimação, de vaporização e de fusão, respectivamente.

Com base no diagrama e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar:

A)Na região I, a substância está no estado gasoso. Na região II, a substância está no estado líquido. Na região III, a substância está no estado sólido. No ponto 1, a substância está em um estado de coexistência de estados sólido e gasoso. No ponto 2, a substância está em um estado de coexistência de estados líquido e gasoso. No ponto 3, a substância está em um estado de coexistência de estados líquido e sólido.
B)Na região I, a substância está no estado líquido. Na região II, a substância está no estado gasoso. Na região III a substância está no estado sólido. No ponto 1 a substância está num estado de coexistência de estados sólido e líquido. No ponto 2 a substância está num estado de coexistência de estados líquido e gasoso. No ponto 3 a substância está num estado de coexistência de estados sólido e gasoso.
C)Na região I a substância está no estado gasoso. Na região II a substância está no estado sólido. Na região III, a substância está no estado líquido. No ponto 1, a substância está em um estado de coexistência de estados líquido e gasoso. No ponto 2, a substância está em um estado de coexistência de estados sólido e gasoso. No ponto 3, a substância está em um estado de coexistência de estados líquido e sólido.
D)Na região I, a substância está no estado sólido. Na região II, a substância está no estado líquido. Na região III, a substância está no estado gasoso. No ponto 1, a substância está em um estado de coexistência de estados sólido e gasoso. No ponto 2, a substância está em um estado de coexistência de estados sólido e líquido. No ponto 3, a substância está em um estado de coexistência de estados líquido e gasoso.
E)Na região I, a substância está no estado líquido. Na região II, a substância está no estado sólido. Na região III, a substância está no estado gasoso. No ponto 1, a substância está em um estado de coexistência de estados líquido e gasoso. No ponto 2, a substância está em um estado de coexistência de estados sólido e líquido. No ponto 3, a substância está em um estado de coexistência de estados sólido e gasoso.

Gabarito

A
Resolução

Em um diagrama $P\times T$, a região de baixa pressão e alta temperatura (I) é o gás; a de alta pressão e baixa temperatura (III) é o sólido; e a região intermediária (II) é o líquido.

Os pontos sobre as curvas indicam coexistência das duas fases vizinhas: o ponto 1 está na curva de sublimação (sólido e gás); o ponto 2, na curva de vaporização (líquido e gás); e o ponto 3, na curva de fusão (líquido e sólido). Alternativa A.

Q11
Eletromagnetismo — Campo magnético — Força magnética: Fio suspenso pela força magnética

“Trem magnético japonês bate seu próprio recorde de velocidade (da Agência Lusa). Um trem japonês que levita magneticamente, conhecido por "Maglev", bateu hoje o seu próprio recorde de velocidade ao atingir 560 km/h durante um teste de via. O comboio de cinco vagões MLX01, cujo recorde anterior de 552 km/h fora alcançado em abril de 1999 com 13 pessoas a bordo, alcançou sua nova marca sem levar passageiros. O trem japonês fica ligeiramente suspenso da via pela ação de magnetos, o que elimina a redução da velocidade causada pelo atrito com os trilhos”. (Disponível em folha.uol.com.br/folha/ciencia, acesso em 13 set. 2004.)

É possível deixar suspenso um corpo condutor criando uma força magnética contrária à força gravitacional que atua sobre ele. Para isso, o corpo deve estar imerso em um campo magnético e por ele deve passar uma corrente elétrica. Considerando um fio condutor retilíneo como uma linha horizontal nesta folha de papel que você lê, que deve ser considerada como estando posicionada com seu plano paralelo à superfície terrestre e à frente do leitor. Quais devem ser as orientações do campo magnético e da corrente elétrica, de modo que a força magnética resultante esteja na mesma direção e no sentido contrário à força gravitacional que atua sobre o fio? Ignore as ligações do fio com a fonte de corrente elétrica.

A)A corrente deve apontar para a esquerda ao longo do fio, e o campo magnético deve estar perpendicular ao fio, apontando para o leitor.
B)A corrente deve apontar para a esquerda ao longo do fio, e o campo magnético deve estar paralelo ao fio, apontando para a direita.
C)A corrente deve apontar para a direita ao longo do fio, e o campo magnético deve estar perpendicular ao fio, apontando para fora do plano da folha.
D)A corrente deve apontar para a direita ao longo do fio, e o campo magnético deve estar paralelo ao fio, apontando para a direita.
E)A corrente deve apontar para a esquerda ao longo do fio, e o campo magnético deve estar perpendicular ao fio, apontando para dentro do plano da folha.

Gabarito

A
Resolução

A força magnética sobre o fio é $\vec F=I\,\vec L\times\vec B$, perpendicular tanto ao fio quanto ao campo. Campo paralelo ao fio (B e D) não produz força.

Tratando a folha como um plano vertical na frente do leitor (sentido contrário à gravidade = “para cima na folha”): com corrente para a esquerda ($-\hat x$) e campo apontando para o leitor ($+\hat z$), $(-\hat x)\times(+\hat z)=+\hat y$, para cima. Com o campo para dentro (E) a força seria para baixo, e com corrente para a direita (C), idem. Alternativa A (gabarito oficial).

Q12
Eletromagnetismo — Campo magnético — Interação ímã–espira: Forças e acelerações

Um anel condutor de massa $M$ e um ímã com o dobro de sua massa, encontram-se frente a frente e em repouso, em uma superfície em que pode ser desprezado o atrito do movimento do ímã e do anel. A face do polo norte do ímã fica confrontando o plano do anel. Em um determinado instante, estabelece-se uma corrente no anel de tal forma que o seu sentido é anti-horário, visto por um observador posicionado além do polo sul do ímã sobre a reta que une o ímã e a espira.

Com base no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. A força de repulsão sobre o ímã é de igual intensidade à força de repulsão sobre o anel.
II. A força de atração sobre o ímã é de igual intensidade à força de atração sobre o anel.
III. O módulo da aceleração do anel será o dobro do módulo da aceleração do ímã.
IV. O torque mecânico da espira cancela a energia magnética do ímã.

Estão corretas apenas as afirmativas:

A)I e III.
B)I e IV.
C)II e III.
D)I, II e IV.
E)II, III, IV.

Gabarito

A
Resolução

Visto do lado do polo sul, uma corrente anti-horária cria na espira um campo dirigido para o observador, de modo que a face da espira voltada para o ímã comporta-se como um polo norte. Ela fica frente a frente com o polo norte do ímã: há repulsão. Logo, II é falsa.

I) Correta: pela terceira lei de Newton, as forças sobre o ímã e sobre o anel têm o mesmo módulo. III) Correta: com forças iguais, $a=F/m$, e o anel (massa $M$) tem o dobro da aceleração do ímã (massa $2M$). IV) Falsa: não existe tal cancelamento.

Portanto, I e III: alternativa A.

Q13
Eletromagnetismo — Indução eletromagnética — Força eletromotriz de movimento: Cabo eletrodinâmico

A utilização de cabos eletrodinâmicos no espaço tem sido considerada como uma das alternativas para a geração da energia elétrica necessária em satélites e estações espaciais. Isso pode ser conseguido com a utilização de duas massas, separadas por um cabo metálico de alguns quilômetros. Os satélites devem se mover em uma órbita baixa, situada entre 200 e 2000 km da superfície terrestre. Nessa região, existe um campo magnético terrestre suficientemente forte para induzir corrente elétrica no cabo, a atmosfera é muito rarefeita e perdas por atrito são mínimas. Desconsiderando-se detalhes técnicos do processo, alguns elementos fundamentais a um projeto deste tipo podem ser visualizados na figura a seguir. Nesta, as duas massas ligadas por um fio vertical descrevem órbitas com mesma velocidade angular no plano equatorial. O vetor campo magnético terrestre e o vetor velocidade do fio, em um de seus pontos, estão representados.

(a) A Terra com as linhas do campo magnético e a órbita equatorial, com o cabo vertical entre duas massas; (b) região ampliada: o fio vertical, com os vetores velocidade e campo magnético perpendiculares entre si e ao fio.

Com base na figura e nos conhecimentos sobre o tema, é correto afirmar que estabelecer-se-á uma corrente para:

A)Cima e o fio condutor sofrerá a influência de uma força magnética na direção e sentido de sua velocidade.
B)Baixo e o fio condutor sofrerá a influência de uma força magnética na direção e sentido de sua velocidade.
C)Cima e o fio condutor sofrerá a influência de uma força magnética na direção de sua velocidade e de sentido contrário a esta.
D)Baixo e o fio condutor sofrerá a influência de uma força magnética na direção de sua velocidade e de sentido contrário a esta.
E)Baixo e o fio condutor não sofrerá a influência de nenhuma força magnética na direção de sua velocidade.

Gabarito

D
Resolução

Ao se mover com velocidade $\vec v$ em um campo $\vec B$, as cargas livres do fio sofrem força $q\,\vec v\times\vec B$. Pela regra da mão direita, com os vetores da figura, essa força aponta ao longo do fio, para baixo; logo, a corrente convencional circula para baixo.

Essa corrente, por sua vez, sofre uma força magnética $I\,\vec L\times\vec B$ que, pela lei de Lenz, se opõe ao movimento: tem a direção da velocidade e sentido contrário a ela (é a origem do arrasto eletrodinâmico, que converte energia orbital em elétrica). Alternativa D.

Q14
Eletricidade — Eletrodinâmica — Resistência elétrica: Temperatura do filamento da lâmpada

O físico alemão Georg Simon Ohm (1787-1854) constatou que a intensidade da corrente elétrica $i$ que percorre um fio condutor é diretamente proporcional à ddp $V$ que a ocasionou, ou seja, $V=Ri$, onde esta constante de proporcionalidade $R$ é chamada resistência elétrica do condutor. Entretanto, para vários condutores, a resistência varia com a temperatura, como em uma lâmpada de filamento, ou em um gás ionizado. Esses condutores são ditos não-lineares ou não-ôhmicos. Embora a razão entre a ddp e a intensidade da corrente não seja constante para os condutores não-lineares, usa-se, assim mesmo, o termo resistência para essa razão. Para estes materiais, a variação da resistência com a temperatura, dentro de uma larga faixa de temperaturas, é dada por $R=R_0[1+\alpha(T-T_0)]$, onde $R$ é a resistência à temperatura $T$, $R_0$ a resistência à temperatura $T_0$, e $\alpha$ o coeficiente de variação térmica da resistência.

Uma lâmpada de filamento é constituída de um bulbo de vidro, no interior do qual existe vácuo ou gás inerte, e de um fio fino, quase sempre de tungstênio, que se aquece ao ser percorrido por uma corrente elétrica. A lâmpada de uma lanterna alimentada por uma bateria de 3 V tem um filamento de tungstênio ($\alpha=4{,}5\times10^{-3}\ {}^\circ\mathrm{C}^{-1}$), cuja resistência à temperatura ambiente ($20\,{}^\circ\mathrm{C}$) é de $1{,}0\ \Omega$. Se, quando acesa, a corrente for de 0,3 A, a temperatura do filamento será:

A)$1500\ {}^\circ\mathrm{C}$
B)$2020\ {}^\circ\mathrm{C}$
C)$2293\ {}^\circ\mathrm{C}$
D)$5400\ {}^\circ\mathrm{C}$
E)$6465\ {}^\circ\mathrm{C}$

Gabarito

B
Resolução

Acesa, a resistência é $R=\dfrac{V}{i}=\dfrac{3}{0{,}3}=10\ \Omega$.

Então $10=1\,[1+4{,}5\times10^{-3}(T-20)]$, isto é, $4{,}5\times10^{-3}(T-20)=9$ e $T-20=2000$, portanto $T=2020\ {}^\circ\mathrm{C}$. Alternativa B.

Q15
Termologia — Transmissão de calor — Radiação térmica: Lâmpadas incandescentes e fluorescentes

Uma alternativa para reduzir o consumo de energia elétrica, sem prejudicar o conforto do consumidor, é a troca de lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes. Isto se deve ao fato de que as lâmpadas fluorescentes são chamadas também de lâmpadas frias, emitindo luz com comprimentos de onda específicos na região espectral da luz visível, enquanto que as lâmpadas incandescentes emitem um espectro largo e contínuo, que atinge comprimentos de onda bem acima dos da luz visível. Considerando o exposto, é correto afirmar que as lâmpadas incandescentes consomem mais energia produzindo a mesma quantidade de luz visível que uma fluorescente porque emitem:

A)Muita radiação infravermelha.
B)Muita radiação beta.
C)Muita radiação azul.
D)Muita radiação ultravioleta.
E)Muita radiação gama.

Gabarito

A
Resolução

O texto diz que o espectro da incandescente atinge comprimentos de onda “bem acima dos da luz visível”, isto é, o infravermelho (calor). Essa energia emitida em forma de radiação infravermelha não se converte em luz, e por isso a incandescente gasta mais energia para a mesma luz visível. Beta e gama não são emitidas por filamentos aquecidos. Alternativa A.

Q16
Ondas — Acústica — Intensidade sonora: Escala logarítmica (bel e decibel)

No século XIX, o trabalho dos fisiologistas Ernst e Gustav Fechner levou à quantificação da relação entre as sensações percebidas pelos sentidos humanos e as intensidades dos estímulos físicos que as produziram. Eles afirmaram que não existe uma relação linear entre elas, mas logarítmica; o aumento da sensação $S$, produzido por um aumento de um estímulo $I$, é proporcional ao logaritmo do estímulo, isto é, $S-S_0=K\log_{10}\!\left(\dfrac{I}{I_0}\right)$, onde $S_0$ é a intensidade auditiva adotada como referência, $I_0$ é a intensidade física adotada como referência associada a $S_0$ e $K$ é uma constante de proporcionalidade. Quando aplicada à intensidade auditiva, ou sonoridade, a unidade de intensidade auditiva $S$ recebeu o nome de bel (1 decibel = 0,1 bel), em homenagem a Alexander Graham Bell, inventor do telefone, situação em que foi assumido que $K=1$. Com base nesta relação, é correto afirmar que se um som é 1000 vezes mais intenso que a intensidade $I_0$ do menor estímulo perceptível, a diferença de intensidade auditiva destes sons corresponde a:

A)1000 decibéis
B)33,33 decibéis
C)30 decibéis
D)3 decibéis
E)0,3 decibéis

Gabarito

C
Resolução

Com $K=1$: $S-S_0=\log_{10}(1000)=3\ \mathrm{bels}$. Como $1\ \mathrm{bel}=10\ \mathrm{decibéis}$, isso vale $30\ \mathrm{dB}$. Alternativa C.

Q17
Física moderna — Física quântica — Fótons e semicondutores: Energia de gap dos LEDs

Alguns semicondutores emissores de luz, mais conhecidos como LEDs, estão sendo introduzidos na sinalização de trânsito das principais cidades do mundo. Isto se deve ao tempo de vida muito maior e ao baixo consumo de energia elétrica dos LEDs em comparação com as lâmpadas incandescentes, que têm sido utilizadas para esse fim. A luz emitida por um semicondutor é proveniente de um processo físico, onde um elétron excitado para a banda de condução do semicondutor decai para a banda de valência, emitindo um fóton de energia $E=h\nu$. Nesta relação, $h$ é a constante de Planck, $\nu$ é a frequência da luz emitida ($\nu=c/\lambda$, onde $c$ é a velocidade da luz e $\lambda$ o seu comprimento de onda), e $E$ equivale à diferença em energia entre o fundo da banda de condução e o topo da banda de valência, conhecida como energia de “gap” do semicondutor. Com base nessas informações e no conhecimento sobre o espectro eletromagnético, é correto afirmar:

A)A energia de “gap” de um semicondutor será maior quanto maior for o comprimento de onda da luz emitida por ele.
B)Para que um semicondutor emita luz verde, ele deve ter uma energia de “gap” maior que um semicondutor que emite luz vermelha.
C)O semicondutor que emite luz vermelha tem uma energia de “gap” cujo valor é intermediário às energias de “gap” dos semicondutores que emitem luz verde e amarela.
D)A energia de “gap” de um semicondutor será menor quanto menor for o comprimento de onda da luz emitida por ele.
E)O semicondutor emissor de luz amarela tem energia de “gap” menor que o semicondutor emissor de luz vermelha.

Gabarito

B
Resolução

Como $E=h\nu=\dfrac{hc}{\lambda}$, a energia do fóton (igual à energia de gap) é inversamente proporcional ao comprimento de onda: menor $\lambda$, maior $E$ (A e D são falsas).

A luz verde ($\lambda\approx550\ \mathrm{nm}$) tem comprimento de onda menor que o da vermelha ($\approx700\ \mathrm{nm}$), logo exige gap maior. Na ordem crescente de energia: vermelho, amarelo, verde, de modo que o vermelho não é intermediário (C) e o amarelo tem gap maior que o vermelho (E). Alternativa B.

Q18
Óptica — Refração e lentes — Reflexão total: Fibras ópticas

As fibras ópticas são largamente utilizadas nas telecomunicações para a transmissão de dados. Nesses materiais, os sinais são transmitidos de um ponto ao outro por meio de feixes de luz que se propagam no interior da fibra, acompanhando sua curvatura. A razão pela qual a luz pode seguir uma trajetória não retilínea na fibra óptica é consequência do fenômeno que ocorre quando da passagem de um raio de luz de um meio, de índice de refração maior, para outro meio, de índice de refração menor. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que apresenta os conceitos ópticos necessários para o entendimento da propagação “não retilínea” da luz em fibras ópticas.

A)Difração e foco.
B)Reflexão total e ângulo limite.
C)Interferência e difração.
D)Polarização e plano focal.
E)Imagem virtual e foco.

Gabarito

B
Resolução

Quando a luz passa de um meio mais refringente para outro menos refringente e incide com ângulo maior que o ângulo limite ($\operatorname{sen}\theta_L=n_{menor}/n_{maior}$), ela sofre reflexão total. É essa reflexão sucessiva na interface núcleo–casca que mantém a luz presa e a faz acompanhar a curvatura da fibra. Alternativa B.

Q19
Eletricidade — Eletrostática — Indução: Cilindro metálico em um plano eletrizado

A figura a seguir representa um plano, feito de material dielétrico, cuja superfície é uniformemente eletrizada com uma densidade superficial de carga $\sigma$. Sobre um segmento retilíneo de material dielétrico, que atravessa o plano em um orifício, e em direção perpendicular a este, pode deslizar um pequeno cilindro metálico cujo raio é menor que o raio do orifício. O dispositivo metálico, com carga total nula, tem seu centro colocado a uma distância $h$ do plano, e é abandonado com velocidade inicial nula. A distância $h$ é muito menor que as dimensões do plano, que tem coordenada $z=0$. Desprezando-se quaisquer outras forças sobre o metal, que não as originárias da distribuição de cargas, é correto afirmar:

Plano horizontal com sinais + (superfície eletrizada) e um orifício central; um cilindro metálico escuro, a uma altura h acima do plano, desliza sobre um eixo vertical z que atravessa o orifício.
A)Como a carga do cilindro metálico é nula, ele não será afetado por qualquer força e permanecerá em repouso.
B)O cilindro oscilará entre as posições $z=\pm h$, com a energia do sistema sendo trocada entre as formas potencial elétrica e cinética, indefinidamente.
C)Cargas induzidas no cilindro produzirão uma força para baixo, a qual o fará ir para baixo do plano e permanecer com seu centro na posição $z=-h$.
D)O centro do cilindro oscilará entre os dois lados do plano, com uma amplitude decrescente com o tempo, devido a perdas de energia por correntes no plano.
E)O centro do cilindro oscilará entre os dois lados do plano, com sua amplitude decrescendo até parar na posição $z=0$, devido a perdas de energia por correntes no cilindro metálico.

Gabarito

E
Resolução

O campo do plano é uniforme em cada lado e tem sentidos opostos acima e abaixo ($\pm\sigma/2\varepsilon_0$). O cilindro neutro polariza-se por indução, e a carga induzida mais próxima do plano (negativa) fica sujeita a uma força maior, de modo que o cilindro é atraído em direção ao plano.

Ao passar pelo orifício, o campo muda de sentido e a força passa a puxá-lo de volta, de forma que ele oscila em torno de $z=0$. Como as cargas induzidas se movem dentro do metal, ocorrem correntes e dissipação de energia por efeito Joule no cilindro, e a amplitude diminui até o repouso em $z=0$. Alternativa E.

Q20
Eletricidade — Eletrostática — Campo elétrico: Cargas simétricas sobre uma circunferência

A figura a seguir apresenta quatro distribuições de cargas simetricamente distribuídas sobre uma circunferência de raio $a$ com centro em $O$. A carga total em cada distribuição é positiva e igual a $Q$. O segmento $OP$ é perpendicular ao plano do círculo, e tem altura $h$. Na distribuição c, a carga $Q$ está distribuída em $N$ cargas iguais e o ângulo $\beta$ é dado por $\beta=2\pi/N$, somente algumas cargas estão representadas neste caso. No diagrama d, a carga $Q$ está uniformemente distribuída na forma de um anel, que pode ser compreendido como a configuração c com $N$ tendendo a infinito. No diagrama a, está representado no ponto $P$ o vetor campo elétrico $\vec E$ neste ponto, devido à carga da esquerda, assim como suas componentes, paralela, $E_{\parallel}$, e perpendicular, $E_{\perp}$, ao plano do círculo. Considere o Sistema de Unidades Internacional.

Quatro configurações de carga sobre uma circunferência: (a) duas cargas Q/2 diametralmente opostas; (b) três cargas Q/3 nos vértices de um triângulo equilátero; (c) N cargas Q/N igualmente espaçadas; (d) anel uniformemente carregado. Em cada uma, o ponto P está sobre o eixo, à altura h.

Dados: $|E_\parallel|=|\vec E|\operatorname{sen}\theta$ e $|E_\perp|=|\vec E|\cos\theta$.

Com base na figura e nos conhecimentos sobre eletricidade, considere as afirmativas a seguir.
I. No diagrama a, o campo elétrico em $P$, devido às duas cargas, tem módulo $\dfrac{Qh}{4\pi\varepsilon_0(h^2+a^2)^{3/2}}$ e é perpendicular ao plano do círculo.
II. Nos diagramas b e c, as componentes de $\vec E$ em $P$, devido às distribuições de cargas, paralelas ao plano do círculo, são diferentes de zero.
III. Para todas as configurações, a componente de $\vec E$ em $P$, paralelas ao plano do círculo, devido às distribuições de carga, são nulas.
IV. Com exceção da distribuição em forma de anel, todas as distribuições produzem em $P$ um campo resultante, cujo módulo é $\dfrac{Qh}{4\pi\varepsilon_0(h^2+a^2)^{3/2}}$ e que é perpendicular ao plano do círculo.

Estão corretas apenas as afirmativas:

A)I e II.
B)I e III.
C)II e IV.
D)I, III e IV.
E)II, III e IV.

Gabarito

B
Resolução

Cada carga $q$ à distância $r=\sqrt{h^2+a^2}$ de $P$ produz $E=\dfrac{q}{4\pi\varepsilon_0 r^2}$. A componente perpendicular ao plano é $E\cos\theta$ com $\cos\theta=h/r$: $E_\perp=\dfrac{q\,h}{4\pi\varepsilon_0(h^2+a^2)^{3/2}}$.

III) Verdadeira: pela simetria, as componentes paralelas ao plano de cargas simetricamente opostas se cancelam (nos diagramas a, b, c e d). Logo, II é falsa. I) Verdadeira: somando as duas cargas ($Q/2+Q/2=Q$), as componentes perpendiculares dão $\dfrac{Qh}{4\pi\varepsilon_0(h^2+a^2)^{3/2}}$, perpendicular ao plano. IV) Falsa: o resultado vale para todas as distribuições, inclusive o anel (todas têm a mesma carga total $Q$ à mesma distância).

Portanto, I e III: alternativa B.

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