UEL 2010 · CE — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual de Londrina

Física · 2ª fase (Conhecimentos Específicos, objetiva) · 08/12/2009 · 20 questões objetivas · Respostas e resoluções comentadas.

Q1
Mecânica — Gravitação — Curvas de rotação das galáxias

Analise a figura a seguir e responda à questão 1.

Gráfico de velocidade de rotação de estrelas em função da distância ao centro da galáxia. No raio solar, a curva observada indica cerca de 220 km/s e a prevista apenas pela matéria visível, cerca de 160 km/s.

Um dos grandes e fundamentais problemas da Física atual é explicar as curvas de rotação das galáxias. Este nome é dado ao gráfico no qual se esboça a velocidade de rotação das estrelas que compõem uma dada galáxia, em função da distância ao núcleo galáctico, como mostrado na figura anterior. A curva superior representa as medidas astronômicas das velocidades das estrelas orbitando o núcleo galáctico; a inferior representa o resultado esperado usando a Lei da Gravitação Universal de Newton e a distribuição de matéria visível.

Numa primeira aproximação, pode-se estimar a massa da galáxia com um modelo simplificado, considerando o equilíbrio entre as forças gravitacional e centrípeta que atuam numa estrela e o material galáctico no interior de sua órbita. A compreensão dessas curvas proporciona informações sobre a distribuição da massa das galáxias. Com radiotelescópios, constatou-se que frequentemente as curvas de rotação ficam constantes a grandes distâncias do núcleo galáctico, contrariando a previsão que considera apenas a matéria visível. Duas explicações discutidas são a modificação da gravitação newtoniana e a existência de matéria escura.

Valores fornecidos: $G\approx 7\times 10^{-11}\ \mathrm{m^3/(kg\,s^2)}$; $1\ \mathrm{pc}=3\times10^{16}\ \mathrm m$; massa do Sol: $M_{\odot}=2\times10^{30}\ \mathrm{kg}$.

Com base na figura, no texto, nos conhecimentos sobre o assunto e considerando que as estrelas, inclusive o Sol, movem-se em órbitas circulares ao redor do núcleo galáctico, considere as afirmativas:

I. A massa da galáxia, no interior da órbita do Sol, utilizando-se a velocidade observada do Sol, é 1,2 vez maior que a massa obtida utilizando-se a velocidade prevista pela teoria da gravitação de Newton. A explicação dessa diferença é um dos principais problemas da Física atual.
II. A dificuldade na estimativa do número de estrelas nas galáxias é o fator que gera a discrepância entre os valores dessas duas velocidades.
III. A diferença entre a velocidade medida e a calculada do modelo teórico deve-se às imprecisões nos cálculos computacionais, dado que o modelo teórico é exato.
IV. O equilíbrio entre a força centrífuga e a gravitacional fornece uma estimativa aproximada para a massa da galáxia no interior da órbita solar de $\sim10^{11}M_{\odot}$ massas solares.

Assinale a alternativa correta.

A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Gabarito publicado — UEL 2010

B
Resolução TEF

Gabarito publicado: B. O método consiste em igualar a força gravitacional à resultante centrípeta:

$$\frac{GMm}{r^2}=\frac{mv^2}{r}\quad\Longrightarrow\quad M=\frac{rv^2}{G}.$$

Para $r\approx 8\ \mathrm{kpc}=2{,}4\times10^{20}\ \mathrm m$ e $v\approx220\ \mathrm{km/s}$, resulta $M\approx1{,}66\times10^{41}\ \mathrm{kg}\approx8{,}3\times10^{10}M_{\odot}$. Assim, IV é compatível com a ordem de grandeza. As hipóteses II e III não explicam a discrepância observada.

Ressalva matemática importante: a razão entre as massas inferidas pelas duas velocidades é $M_{\rm obs}/M_{\rm vis}=(220/160)^2\approx1{,}89$, e não 1,2 como diz a afirmativa I. Por isso, o gabarito B só pode ser apresentado como a resposta publicada pela banca, com esse erro numérico explicitado.

Ressalva editorial / física: A afirmativa I informa uma razão de massas 1,2, mas o próprio gráfico implica aproximadamente 1,89. A alternativa B é a resposta publicada, embora matematicamente inconsistente.
Q2
Física moderna — Cosmologia — Lei de Hubble e idade do Universo

Leia o texto a seguir.

A análise do espectro de muitas galáxias distantes conduziu Edwin Hubble a uma importante descoberta: a velocidade de recessão $v$ de uma galáxia é proporcional à distância $r$ à Terra. Essa relação linear, conhecida como lei de Hubble, é escrita como $v=rH_0$, onde $H_0$ é a constante de Hubble, cujo valor indicado no caderno é $H_0=2{,}3\times10^{-18}\ \mathrm{s^{-1}}$.

Essa lei sugere que, em algum tempo no passado, toda a matéria do Universo estava concentrada numa região muito pequena, origem da expansão cosmológica associada ao Big Bang.

Com base no texto e nos conhecimentos de Física básica, considere as afirmativas:

I. A lei de Hubble não é uma equação linear.
II. A análise dimensional da lei de Hubble afirma que a variável calculada deve ser a aceleração e não a velocidade.
III. De acordo com a lei de Hubble, para uma galáxia que se encontra a uma distância $r$ da Terra, o tempo $t$ necessário para percorrer essa distância à velocidade constante $v$ é $t=r/v=1{,}4\times10^{10}$ anos.
IV. Se considerarmos que, após o Big Bang, todas as velocidades permaneceram constantes, podemos estimar que a idade do Universo é de aproximadamente 14 bilhões de anos.
V. Se considerarmos que, após o Big Bang, todas as velocidades permaneceram constantes, podemos estimar que a idade do Universo é de aproximadamente 140 bilhões de anos.

Assinale a alternativa correta.

A)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
B)Somente as afirmativas II e III são corretas.
C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E)Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.

Gabarito publicado — UEL 2010

C
Resolução TEF

I é falsa: $v=H_0r$ é linear. II é falsa: $[H_0]=\mathrm{s^{-1}}$, de modo que $[H_0r]=\mathrm{m/s}$. III e IV são verdadeiras no modelo simplificado de expansão a velocidade constante:

$$t=\frac rv=\frac1{H_0}=\frac1{2{,}3\times10^{-18}}\approx4{,}35\times10^{17}\ \mathrm s\approx1{,}38\times10^{10}\ \mathrm{anos}.$$

V é falsa: o valor está dez vezes maior. Trata-se de uma estimativa cinemática histórica, não de uma descrição cosmológica completa.

Q3
Mecânica — Hidrostática — Empuxo em uma bolinha de isopor

Analise as figuras a seguir.

Esquema de uma esfera de isopor inicialmente submersa, com centro a profundidade h, e posteriormente com centro a altura y acima da superfície.

Uma bolinha de isopor é mantida submersa em um tanque por um fio preso ao fundo. O tanque contém água de densidade $\rho=1\ \mathrm{g/cm^3}$. A bolinha, de volume $V=200\ \mathrm{cm^3}$ e massa $m=40\ \mathrm g$, tem seu centro mantido a uma distância $h=50\ \mathrm{cm}$ da superfície. Cortando o fio, observa-se que a bolinha sobe, salta do líquido e seu centro atinge uma altura $y$ acima da superfície.

Desprezando os atritos do ar e da água e a tensão superficial, determine a altura $y$ que o centro da bolinha atingirá.

A)$100\ \mathrm{cm}$
B)$150\ \mathrm{cm}$
C)$200\ \mathrm{cm}$
D)$250\ \mathrm{cm}$
E)$300\ \mathrm{cm}$

Gabarito publicado — UEL 2010

C
Resolução TEF

O empuxo é $E=\rho Vg$ e o peso vale $P=mg$. Na subida dentro do líquido, a força resultante é $F=E-P$.

Desprezando os efeitos do atravessamento da superfície pela esfera, a energia cinética adquirida ao subir uma altura $h$ é $(\rho V-m)gh$, convertendo-se em energia potencial gravitacional $mgy$ após a saída da água:

$$mgy=(\rho V-m)gh\quad\Rightarrow\quad y=\left(\frac{\rho V}{m}-1\right)h.$$

Com $\rho V=200\ \mathrm g$ e $m=40\ \mathrm g$, $y=(5-1)50=200\ \mathrm{cm}$.

Hipótese do modelo: a questão trata a esfera como submersa durante a distância $h$ e despreza a transição parcial na interface. Para uma esfera de tamanho finito, a variação do empuxo durante a emersão altera o resultado.

Ressalva editorial / física: A emersão de uma esfera finita produz empuxo variável. O resultado da banca usa idealização de empuxo constante até a superfície.
Q4
Mecânica — Dinâmica de rotação — Esfera sólida que se transforma em casca

Considere uma esfera sólida de raio $r_i$ e momento de inércia inicial $I_i=\dfrac25mr_i^2$, que gira com período $T$ em torno de um eixo vertical que passa por seu centro. A matéria da esfera é inicialmente distribuída de modo uniforme em seu volume. Devido a um desequilíbrio de forças, essa matéria rearranja-se em uma nova configuração de equilíbrio, de geometria semelhante à de uma casca esférica, com momento de inércia final $I_f=\dfrac23mr_f^2$.

Sob que condições o período de rotação da esfera permanecerá inalterado?

A)Aumento na velocidade de rotação $\omega$.
B)Raios iguais $r_i=r_f$, porque assim o momento angular será conservado.
C)Diminuição na velocidade angular, com aumento do raio de forma que $r_f=\sqrt{5/3}\,r_i$.
D)Diminuição do raio de forma que $r_f=\sqrt{2/3}\,r_i$.
E)Diminuição do raio de forma que $r_f=\sqrt{3/5}\,r_i$.

Gabarito publicado — UEL 2010

E
Resolução TEF

Sem torque externo resultante, conserva-se o momento angular $L=I\omega$. Para o período não variar, $\omega=2\pi/T$ também não varia, portanto $I_i=I_f$.

$$\frac25mr_i^2=\frac23mr_f^2\;\Rightarrow\;r_f^2=\frac35r_i^2\;\Rightarrow\;r_f=\sqrt{\frac35}\,r_i.$$

A casca possui coeficiente de inércia maior, por isso seu raio deve diminuir para que o momento de inércia se mantenha.

Q5
Mecânica — Hidrodinâmica — Venturi e compressão de gases

Dois recipientes cilíndricos idênticos, de paredes termicamente isoladas, com êmbolos móveis sem atrito e de pesos desprezíveis, contêm volumes idênticos $V_0$ de gás ideal à mesma pressão atmosférica $P_0$ e temperatura $T_0$. No instante $t_0$, um dos recipientes é colocado na posição $p_1$ e o outro na posição $p_2$ no interior de um tubo de Venturi, como esquematizado na figura.

Tubo de Venturi com seção larga A1 à esquerda e estreita A2 à direita, com recipientes C1 e C2 e o líquido escoando da esquerda para a direita.

No tubo de Venturi de seções $A_1\mathrel{>}A_2$, um líquido com densidade igual à da água escoa em regime laminar com velocidade $v_2=2v_1$. No instante $t_1\mathrel{>}t_0$, os dois cilindros atingem novas configurações de equilíbrio.

Assinale o esquema que melhor representa a configuração de equilíbrio dos cilindros.

A)
Alternativa A: configuração dos recipientes com êmbolos no tubo de Venturi.
B)
Alternativa B: configuração dos recipientes com êmbolos no tubo de Venturi.
C)
Alternativa C: configuração dos recipientes com êmbolos no tubo de Venturi.
D)
Alternativa D: configuração dos recipientes com êmbolos no tubo de Venturi.
E)
Alternativa E: configuração dos recipientes com êmbolos no tubo de Venturi.

Gabarito publicado — UEL 2010

D
Resolução TEF

Continuidade: $A_1v_1=A_2v_2$, portanto o fluido se move mais rapidamente na região estreita. Pela equação de Bernoulli, a pressão estática é menor onde a velocidade é maior:

$$p_1+\frac{\rho v_1^2}{2}=p_2+\frac{\rho v_2^2}{2}\quad\Rightarrow\quad p_2\mathrel{<}p_1.$$

O gás em $C_2$ fica sujeito à menor pressão externa e ocupa, por isso, um volume maior que o de $C_1$ na comparação entre as configurações; a alternativa correspondente é D, conforme o gabarito do caderno.

O modelo idealizado requer equilíbrio mecânico e uma hipótese termodinâmica para o comportamento detalhado dos volumes. A afirmação segura é a desigualdade $p_2\mathrel{<}p_1$.

Q6
Termologia — Gases ideais — Cilindro de gás submerso

Um recipiente cilíndrico, de paredes termicamente isoladas, com tampa móvel sem atrito e de peso desprezível (êmbolo), contém volume $V_0$ de gás ideal, em equilíbrio à pressão atmosférica $P_0=10^5\ \mathrm{N/m^2}$ e temperatura $T_0=27\ ^\circ\mathrm C$.

O recipiente é colocado no fundo de um tanque com água de densidade $\rho=10^3\ \mathrm{kg/m^3}$. Após certo tempo, o sistema atinge uma configuração de equilíbrio com volume gasoso $V_1=\dfrac3{10}V_0$ e êmbolo a uma profundidade $y=40\ \mathrm m$ da superfície, como esquematizado na figura.

Recipiente com gás inicialmente na atmosfera e, depois, submerso sob 40 m de água, com êmbolo móvel.

A temperatura do gás no interior do cilindro submerso:

A)aumentará, atingindo $T_1=\dfrac32T_0$.
B)permanecerá a mesma, já que o recipiente é termicamente isolado: $T_1=T_0$.
C)diminuirá devido ao peso da coluna de água acima do êmbolo, de modo que $T_1\mathrel{<}T_0$.
D)diminuirá, atingindo $T_1=\dfrac3{10}T_0$, por transformação isobárica.
E)aumentará, atingindo $T_1=\dfrac52T_0$.

Gabarito publicado — UEL 2010

A
Resolução TEF

No equilíbrio à profundidade $y$, a pressão externa é

$$P_1=P_0+\rho gy=10^5+(10^3)(10)(40)=5\times10^5\ \mathrm{Pa}=5P_0.$$

Pela equação de estado do gás ideal, com quantidade de matéria fixa,

$$\frac{P_0V_0}{T_0}=\frac{P_1V_1}{T_1}\quad\Rightarrow\quad\frac{T_1}{T_0}=5\cdot\frac3{10}=\frac32.$$

Portanto $T_1=450\ \mathrm K$ e a resposta publicada é A. Ressalva: isolamento térmico significa $Q=0$, não $T$ constante. Se a compressão fosse adiabática e reversível de um gás ideal com razão $\gamma$ fixa, a trajetória também teria de obedecer à lei adiabática, condição não fornecida; o enunciado determina apenas estados inicial e final.

Ressalva editorial / física: O problema informa paredes adiabáticas, mas não especifica o processo que produziria exatamente o par de estados apresentado. A relação de estados do gás ideal é suficiente para a resposta pedida.
Q7
Óptica — Espelhos esféricos — Imagem em espelho côncavo

A imagem de um objeto formada por um espelho côncavo mede metade do tamanho do objeto. Se o objeto é deslocado $15\ \mathrm{cm}$ em direção ao espelho, o tamanho da imagem terá o dobro do tamanho do objeto.

Estime a distância focal do espelho e assinale a alternativa correta.

A)$\sqrt{0{,}1}\ \mathrm{cm}$
B)$0{,}1\ \mathrm{cm}$
C)$10\ \mathrm{cm}$
D)$15\ \mathrm{cm}$
E)$20\ \mathrm{cm}$

Gabarito publicado — UEL 2010

C
Resolução TEF

No espelho esférico, o módulo do aumento é $|A|=|q/p|$. Com a equação conjugada, $1/f=1/p+1/q$.

Para a primeira imagem real invertida, $|A_1|=1/2$, então $q_1=p_1/2$ e $p_1=3f$. Na segunda imagem real invertida, $|A_2|=2$, então $q_2=2p_2$ e $p_2=3f/2$.

O deslocamento de $15\ \mathrm{cm}$ dá $p_1-p_2=3f-3f/2=15$, de onde $f=10\ \mathrm{cm}$.

Q8
Óptica — Espelhos planos — Reflexão em espelho horizontal

Um raio de luz de uma fonte luminosa em A ilumina o ponto B ao ser refletido por um espelho horizontal sobre uma semirreta DE, como esquematizado a seguir.

Fonte A situada 2 m acima de D, ponto B 3 m acima de E, e distância horizontal DE igual a 5 m; espelho sobre a semirreta DE.

Todos os pontos estão no mesmo plano vertical. Considere $AD=2\ \mathrm m$, $BE=3\ \mathrm m$ e $DE=5\ \mathrm m$.

A distância entre a imagem virtual da fonte e o ponto B, em metros, será:

A)$5$
B)$5\sqrt2$
C)$5\sqrt3$
D)$6\sqrt2$
E)$6\sqrt3$

Gabarito publicado — UEL 2010

B
Resolução TEF

A imagem virtual A' fica simétrica à fonte em relação ao espelho, $2\ \mathrm m$ abaixo do plano refletor. O ponto B fica $3\ \mathrm m$ acima, de modo que a separação vertical é $5\ \mathrm m$. A distância horizontal também é $5\ \mathrm m$.

$$A'B=\sqrt{5^2+(2+3)^2}=\sqrt{50}=5\sqrt2\ \mathrm m.$$

Q9
Ondulatória — Ondas em cordas — Frequência de uma corda de violoncelo

Uma das cordas de um violoncelo é afinada em lá ($\nu=440\ \mathrm{Hz}$) quando não pressionada com o dedo, isto é, quando apresenta comprimento máximo de $60\ \mathrm{cm}$ entre o cavalete e a pestana.

Qual deve ser o comprimento da corda para produzir uma nota de frequência $\nu=660\ \mathrm{Hz}$?

A)$10\ \mathrm{cm}$
B)$20\ \mathrm{cm}$
C)$30\ \mathrm{cm}$
D)$40\ \mathrm{cm}$
E)$50\ \mathrm{cm}$

Gabarito publicado — UEL 2010

D
Resolução TEF

Na corda com tensão e densidade linear constantes, a velocidade da onda não muda. Para o modo fundamental, $f=v/(2L)$, portanto $f_1L_1=f_2L_2$.

$$L_2=60\frac{440}{660}=40\ \mathrm{cm}.$$

Q10
Ondulatória — Acústica — Nível sonoro e distância à fonte

O nível sonoro $S$ é medido em decibéis (dB) de acordo com $S=(10\ \mathrm{dB})\log_{10}\left(I/I_0\right)$, onde $I$ é a intensidade da onda sonora e $I_0=10^{-12}\ \mathrm{W/m^2}$ é a intensidade de referência correspondente ao limiar da audição humana.

Em uma indústria metalúrgica, o operador de uma seção de prensas, a $1\ \mathrm m$ do equipamento, está exposto a $80\ \mathrm{dB}$. Dentro do mesmo barracão, um escritório deve ficar distante das prensas o suficiente para que o nível sonoro seja de $40\ \mathrm{dB}$.

Dado: $P=4\pi r^2I$.

É correto afirmar que a distância do escritório à seção de prensas é aproximadamente:

A)$100\ \mathrm m$
B)$200\ \mathrm m$
C)$100\sqrt{100}\ \mathrm m$
D)$1\ \mathrm{km}$
E)$100\sqrt{10}\ \mathrm{km}$

Gabarito publicado — UEL 2010

A
Resolução TEF

A diferença de níveis é $\Delta S=40-80=-40\ \mathrm{dB}$. Portanto,

$$\frac{I_2}{I_1}=10^{-40/10}=10^{-4}.$$

Como o nível diminui pelo espalhamento geométrico de uma fonte ideal, $I\propto1/r^2$, logo

$$\left(\frac{r_1}{r_2}\right)^2=10^{-4}\quad\Rightarrow\quad r_2=100r_1=100\ \mathrm m.$$

A aproximação desconsidera absorção, reverberação e barreiras, comuns em galpões industriais.

Q11
Mecânica — Cinemática — Ciclista em pista com curvas

Um ciclista descreve uma volta completa numa pista composta por duas retas de comprimento $L$ e duas semicircunferências de raio $R$, conforme a figura.

Pista oval com duas retas de comprimento L e duas semicircunferências de raio R.

A volta é percorrida com velocidade escalar média $\bar v$ nos trechos retos e $\dfrac23\bar v$ nos trechos curvos. A velocidade escalar média da volta completa é $\dfrac45\bar v$.

A partir dessas informações, é correto afirmar que:

A)$L=\pi R$
B)$L=\dfrac{\pi R}{2}$
C)$L=\dfrac{\pi R}{3}$
D)$L=\dfrac{\pi R}{4}$
E)$L=\dfrac{3\pi R}{2}$

Gabarito publicado — UEL 2010

A
Resolução TEF

O percurso total mede $2L+2\pi R$. O tempo gasto é a soma dos tempos parciais:

$$t=\frac{2L}{\bar v}+\frac{2\pi R}{(2/3)\bar v}=\frac{2L+3\pi R}{\bar v}.$$

Como a velocidade média da volta é $4\bar v/5$,

$$\frac{2L+2\pi R}{2L+3\pi R}=\frac45\quad\Rightarrow\quad10L+10\pi R=8L+12\pi R,$$

portanto $L=\pi R$.

Q12
Mecânica — Cinemática — Altura máxima e alcance máximo

Um sistema mecânico, composto de pequeno tubo com mola, consegue lançar uma esfera de massa $m$ com velocidade fixa $v_0$. Primeiro, lança-a verticalmente para cima, atingindo a altura máxima $h$; depois, lança-a obliquamente de modo a maximizar o alcance horizontal $R$.

Comparação entre lançamento vertical, atingindo altura h, e lançamento oblíquo, atingindo alcance horizontal R.

Os experimentos ocorrem em local onde a aceleração gravitacional $g'$ é um pouco menor que seu valor na superfície terrestre $g=9{,}8\ \mathrm{m/s^2}$.

Com base nas equações dos movimentos de queda livre e de lançamento oblíquo, é correto afirmar:

A)A razão $h/R$ obedece a $h/R=g/(2g\prime)$.
B)A razão $h/R$ obedece a $h/R=2g/g\prime$.
C)A razão $h/R$ obedece a $h/R=g\prime/(2g)$.
D)O alcance $R$ é o mesmo que na superfície, pois depende só de $v_0\cos\theta$.
E)O alcance $R$ e a altura $h$ diferem dos valores medidos na superfície, mas a razão $h/R=1/2$ permanece, pois independe de $g\prime$.

Gabarito publicado — UEL 2010

E
Resolução TEF

Para o lançamento vertical, $h=v_0^2/(2g')$. O alcance máximo no lançamento oblíquo a partir e até a mesma altura ocorre para $45^\circ$ e vale $R=v_0^2/g'$.

$$\frac hR=\frac{v_0^2/(2g')}{v_0^2/g'}=\frac12.$$

O menor $g'$ aumenta tanto $h$ quanto $R$ pelo mesmo fator. A razão não muda.

Q13
Eletromagnetismo — Eletrostática — Campo elétrico de três cargas idênticas

Analise as figuras a seguir.

Figura A: três cargas em triângulo equilátero, com P situado na perpendicular ao plano pelo centro C; figura B: componentes de campo elétrico no plano do triângulo.

Três cargas puntiformes idênticas encontram-se nos vértices de um triângulo de lado $a$ (figura A). O ponto P situa-se sobre a reta perpendicular ao plano do triângulo que passa por seu centro C e está a uma distância $CP=h$. O segmento ligando P a qualquer vértice forma com CP um ângulo $\theta$.

Na figura B estão representadas as componentes dos vetores campo elétrico paralelas ao plano do triângulo, geradas pelas cargas. Cada componente tem módulo $E_{\parallel}$.

Com base nas informações e na soma vetorial, é correto afirmar:

A)O campo elétrico em P é nulo.
B)O campo elétrico em P é perpendicular ao plano e tem módulo $3E_{\parallel}\sin\theta$.
C)O campo elétrico em P é perpendicular ao plano e tem módulo $3E_{\parallel}\cos\theta$.
D)O campo elétrico em P é perpendicular ao plano e tem módulo $3E_{\parallel}\cot\theta$.
E)O sinal das três cargas não pode ser determinado pelas componentes paralelas mostradas na figura B.

Gabarito publicado — UEL 2010

D
Resolução TEF

Por simetria, as componentes paralelas ao plano do triângulo se anulam. As componentes normais ao plano têm mesmo módulo e sentido, somando-se.

Para o campo de uma das cargas, $E_{\parallel}=E\sin\theta$ e $E_{\perp}=E\cos\theta$. Assim,

$$E_{\rm total}=3E_{\perp}=3E\cos\theta=3E_{\parallel}\frac{\cos\theta}{\sin\theta}=3E_{\parallel}\cot\theta.$$

Q14
Mecânica — Hidrostática — Pressão numa torneira

Numa residência, o reservatório de água está situado $10\ \mathrm m$ acima de uma torneira. Assinale a alternativa que apresenta a pressão exercida na válvula da torneira quando esta permanece fechada.

Dados: $\rho_{\rm água}=1\times10^3\ \mathrm{kg/m^3}$; $g=10\ \mathrm{m/s^2}$; pressão atmosférica $1\ \mathrm{atm}=1{,}05\times10^5\ \mathrm{N/m^2}$.

A)$1\ \mathrm{atm}$
B)$10\ \mathrm{atm}$
C)$15\ \mathrm{N/m^2}$
D)$2500\ \mathrm{N/m^2}$
E)$2{,}05\times10^5\ \mathrm{N/m^2}$

Gabarito publicado — UEL 2010

E
Resolução TEF

A pressão absoluta na torneira resulta da soma da pressão atmosférica à pressão da coluna de água:

$$p=p_{\rm atm}+\rho gh=1{,}05\times10^5+10^3\cdot10\cdot10=2{,}05\times10^5\ \mathrm{Pa}.$$

A pressão manométrica seria apenas $10^5\ \mathrm{Pa}$, mas essa não é a opção fornecida.

Q15
Ondulatória — Acústica — Reflexão e propagação do som

O processo de reflexão do som pode ser evidenciado:

I. na produção de ecos.
II. na alteração percebida no som de uma ambulância que se aproxima com a sirene ligada.
III. quando o som se propaga no vácuo.
IV. em ondas sonoras estacionárias num tubo.

Assinale a alternativa correta.

A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Gabarito publicado — UEL 2010

B
Resolução TEF

I é verdadeira: o eco é produzido pela reflexão sonora. II é falsa: a mudança de frequência percebida com a aproximação de uma ambulância resulta do efeito Doppler. III é falsa: o som é onda mecânica e não se propaga no vácuo. IV é verdadeira: reflexões em extremidades e a superposição de ondas incidentes e refletidas possibilitam a formação de ondas estacionárias em tubos.

Q16
Termologia — Termodinâmica — Diagramas pressão × volume

Os diagramas $P\times V$ a seguir representam o comportamento de um gás.

Diagrama a: processo isovolumétrico seguido de expansão isobárica em pressão baixa
a)
Diagrama b: expansão isobárica em pressão alta seguida de processo isovolumétrico
b)
Diagrama c: expansão com pressão decrescente entre Vi e Vf
c)

É correto afirmar:

A)O diagrama (a) representa um processo isotérmico com a temperatura inicial maior que a final.
B)Os diagramas (a) e (b) resultam no mesmo trabalho realizado pelo sistema após a expansão.
C)O diagrama (b) representa um processo adiabático.
D)O diagrama (c) representa um processo isobárico.
E)O diagrama (c) representa um processo de expansão.

Gabarito publicado — UEL 2010

E
Resolução TEF

O trabalho num diagrama $P\times V$ é a área sob o trecho percorrido com variação de volume.

No diagrama (a), a transformação tem uma etapa isovolumétrica e outra isobárica de pressão baixa; no (b), a expansão ocorre em pressão alta. Logo, os trabalhos são diferentes. Nenhum dos dois é integralmente isotérmico ou adiabático. No (c), a pressão varia, portanto não há processo isobárico.

Como $V_f\mathrel{>}V_i$, o diagrama (c) descreve uma expansão, independentemente da forma precisa da curva.

Q17
Óptica — Refração da luz — Refração em ar, água e vidro

Sobre uma lâmina fina de vidro, acumulou-se uma pequena quantidade de água após uma chuva, formando uma sequência de três meios, como mostra a figura.

Três trajetórias possíveis I, II, III atravessam interfaces ar-água e água-vidro; somente I se aproxima da normal nas duas interfaces.

Sabendo que os índices de refração do ar, da água e do vidro são, respectivamente, $1{,}00$, $1{,}33$ e $1{,}52$, assinale a trajetória correta de um raio de luz que sofre refração ao atravessar os três meios.

A)trajetória I.
B)trajetória II.
C)trajetória III.
D)trajetórias I e II.
E)trajetórias II e III.

Gabarito publicado — UEL 2010

A
Resolução TEF

Pela lei de Snell, $n_1\sin\theta_1=n_2\sin\theta_2$. Como $n_{\rm ar}\mathrel{<}n_{\rm água}\mathrel{<}n_{\rm vidro}$, o ângulo com a normal diminui a cada interface. A trajetória I é a única que se aproxima da normal nas duas refrações.

Q18
Física moderna — Radiação térmica — Radiação solar e corpo negro

Leia o texto e analise a figura.

Planck estudou, no final do século XIX e início do XX, a radiação térmica de corpos negros. A descrição termodinâmica do gás de fótons fornece a lei de Planck e propriedades termodinâmicas, incluindo a entropia:

$$S=\frac{16\sigma VT^3}{3c},$$

em que $\sigma=5{,}670400\times10^{-8}\ \mathrm{J/(s\,m^2\,K^4)}$, $V$ é o volume ocupado, $c$ é a velocidade da luz e $T$ a temperatura em kelvins.

A figura mostra um esboço da distribuição espectral da energia irradiada pelo Sol e que atinge a Terra, comparada com uma curva de emissão de corpo negro.

Gráfico do espectro solar, radiação no topo da atmosfera, ao nível do mar e curva de corpo negro de 6900 K. Absorções por gases atmosféricos.

Com base no texto, na figura e nos conhecimentos sobre o assunto, considere:

I. A curva de irradiação do Sol não pode ser comparada à de um corpo negro, porque o Sol é uma estrela.
II. A radiação solar que atinge a Terra também é composta de fótons.
III. A luz solar que atinge a Terra é composta somente de partículas sem massa e spin semi-inteiro denominadas neutrinos.
IV. Devido à boa aproximação da emissão solar por uma curva de corpo negro, podemos estimar que a correspondente entropia do Sol é da ordem de $10^{23}\ \mathrm{J/K}$.

Assinale a alternativa correta.

A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
B)Somente as afirmativas II e IV são corretas.
C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E)Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.

Gabarito publicado — UEL 2010

B
Resolução TEF

I é falsa: o Sol é aproximadamente descrito como emissor térmico de corpo negro, embora haja absorções atmosféricas e estruturas espectrais. II é verdadeira: luz eletromagnética é constituída de fótons, que são bósons de spin inteiro. III é falsa: neutrinos não são fótons e não compõem a luz solar.

IV é compatível com uma estimativa por ordem de grandeza do conteúdo entrópico da radiação em volume solar: adotando $V\sim10^{27}\ \mathrm{m^3}$, $T\sim6\times10^3\ \mathrm K$ e $c\sim3\times10^8\ \mathrm{m/s}$, a expressão fornecida conduz a $S\sim10^{23}$–$10^{24}\ \mathrm{J/K}$. A afirmação segue a ordem de grandeza considerada pela banca.

Ressalva: a entropia dada é a do gás de fótons no modelo, não necessariamente a entropia termodinâmica total do Sol. O enunciado não fornece explicitamente $V$ e $T$ para calcular o valor numérico.

Ressalva editorial / física: O texto mistura entropia da radiação e entropia da estrela; o volume e a temperatura para o cálculo numérico não são especificados. O valor de IV é uma estimativa modelar, não consequência única dos dados.
Q19
Mecânica — Oscilações — Oscilador massa–mola em queda livre

Observe a figura e responda às questões 19 e 20.

Mola vertical fixada à base de massa M, com partícula m suspensa, altura H do suporte e comprimento natural l.

Texto e figura para as questões 19 e 20. A figura representa um oscilador harmônico simples: uma partícula de massa $m$ presa a uma mola de comprimento natural $l$, constante elástica $\kappa$ e massa desprezível, ligada verticalmente a uma base de altura $h$ e massa $M\gg m$. A base e o oscilador estão colocados sobre um suporte de altura $H$, em equilíbrio num campo gravitacional uniforme $g$. Despreza-se a resistência do ar.

O suporte de altura $H$ é removido subitamente. O conjunto base-oscilador cai sem resistência do ar, mantendo-se vertical antes e depois de atingir o solo. Considere:

I. O conjunto cairá em queda livre sem oscilar, porque base e partícula ficam submetidas à mesma aceleração $g$.
II. A resultante das forças que atuam no sistema é nula, portanto não haverá oscilação.
III. Após a remoção do suporte, a força normal que atua no sistema base-oscilador será nula.
IV. O conjunto cai em queda livre, e a partícula $m\ll M$ executará movimento harmônico simples de frequência angular $\omega=\sqrt{\kappa/m}$ e amplitude $A=mg/\kappa$.

Assinale a alternativa correta.

A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Gabarito publicado — UEL 2010

C
Resolução TEF

No referencial em queda livre com a base, o campo gravitacional efetivo desaparece: a posição de equilíbrio relativo da mola passa a ser o seu comprimento natural $l$. Antes da queda, ela estava alongada de $x_0=mg/\kappa$. Como a remoção é súbita, esse alongamento se torna a amplitude inicial das oscilações relativas, $A=mg/\kappa$.

$$\omega=\sqrt{\frac\kappa m},\qquad A=\frac{mg}\kappa.$$

I e II são falsas: há oscilação relativa, embora o centro de massa do conjunto caia livremente. III é verdadeira: cessa a reação normal do suporte. IV é verdadeira no modelo $M\gg m$.

Q20
Mecânica — Oscilações — Altura mínima do oscilador após a queda

Considere a montagem da questão anterior:

Oscilador vertical preso a uma base de massa M, inicialmente em suporte de altura H.

Na figura, após a remoção súbita do suporte de altura $H$, no momento imediatamente posterior ao contato da base com o solo, o conjunto base-oscilador permanece na vertical, com a mola maximamente comprimida e a partícula em repouso. A altura mínima da partícula com relação ao solo, desprezando-se a resistência do ar, será:

A)$l-\dfrac{mg}{\kappa}-\dfrac{2mgH}{\kappa}$
B)$l+\dfrac{mg}{\kappa}+\dfrac{2mgH}{\kappa}$
C)$l-\dfrac{mg}{\kappa}+\dfrac{2mgH}{\kappa}$
D)$l-\dfrac{mg}{\kappa}-\sqrt{\dfrac{2mgH}{\kappa}}$
E)$l-\dfrac{mg}{\kappa}+\sqrt{\dfrac{2mgH}{\kappa}}$

Gabarito publicado — UEL 2010

D
Resolução TEF

A resposta da banca é D. Sua expressão é

$$y_{\min}=l-\frac{mg}{\kappa}-\sqrt{\frac{2mgH}{\kappa}}.$$

O termo $mg/\kappa$ representa a deformação estática da mola, e o termo $\sqrt{2mgH/\kappa}$ corresponde à escala da compressão obtida pela igualdade idealizada $\kappa x^2/2=mgH$.

Ressalva física importante: uma análise rigorosa do impacto requer o estado dinâmico da mola e da partícula no instante em que a base toca o solo (fase da oscilação, velocidades relativas e natureza da colisão). Esses dados não são fornecidos. Portanto a expressão indicada pela banca depende de hipóteses adicionais e não constitui resultado geral do sistema físico descrito.

Ressalva editorial / física: A fase do oscilador no instante de impacto e as condições de colisão não estão especificadas; o enunciado não determina unicamente a compressão máxima em um modelo dinâmico completo.
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