2005.2CG — FMTM — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular de Inverno FMTM 2005 · CG · Questões 12 a 22 — resolução comentada e auditoria de nível pelo Método TEF.

Q12
Mecânica — Cinemática — Movimento uniforme

Partículas ejetadas de núcleos são observadas no laboratório pela impressão que deixam nas chapas fotográficas de seus detectores. Uma partícula, movendo-se à velocidade de $0{,}995\,c$, produz um rastro de $1{,}25\text{ mm}$. O tempo correspondente ao rastro deixado é, em segundos, aproximadamente igual a

Dado: $c=3\times10^{5}\text{ km/s}$

A)$5\times10^{-11}$.
B)$2\times10^{-11}$.
C)$6\times10^{-12}$.
D)$4\times10^{-12}$.
E)$3\times10^{-12}$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2005.2 · CG

D
Resolução

Com velocidade constante, o tempo é $\Delta t=\dfrac{\Delta s}{v}$. A velocidade da partícula vale $v=0{,}995\,c\approx0{,}995\times3\times10^{8}\text{ m/s}\approx3\times10^{8}\text{ m/s}$ (o dado vem em $\text{km/s}$: $3\times10^{5}\text{ km/s}=3\times10^{8}\text{ m/s}$).

O rastro mede $1{,}25\text{ mm}=1{,}25\times10^{-3}\text{ m}$. Então $\Delta t=\dfrac{1{,}25\times10^{-3}}{2{,}985\times10^{8}}\approx4{,}2\times10^{-12}\text{ s}$, ou seja, aproximadamente $4\times10^{-12}\text{ s}$.

Os erros mais comuns estão em converter km/s em m/s e milímetros em metros.

Q13
Mecânica — Trabalho e energia — Atrito e conservação da energia

Com o auxílio de seu carrinho, um senhor transportava alguns caixotes em um declive de inclinação constante de $6^\circ$. A $15{,}0\text{ m}$ de um muro no final da descida, percebeu que não mais podia controlar o carrinho, pondo-se a escorregar em linha reta, com seus sapatos firmemente mantidos em contato com o chão enquanto desenvolvia aceleração constante de $0{,}2\text{ m/s}^2$.

Homem escorregando em um declive, preso a um carrinho de carga

Supondo-se que o carrinho junto com sua carga totalizava uma massa de $200{,}0\text{ kg}$ e que o homem pesa $800{,}0\text{ N}$ e, desprezando as ações resistivas do ar e os atritos relativos ao carrinho, o módulo da energia dissipada por seus sapatos, do momento em que iniciou o escorregamento até o iminente acidente, foi, em $\text{J}$, de

Adotar: $g=10\text{ m/s}^2$; $\operatorname{sen}6^\circ=0{,}1$; $\cos6^\circ=1{,}0$

A)$3\,360$
B)$3\,270$
C)$2\,790$
D)$2\,480$
E)$2\,130$

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2005.2 · CG

A
Resolução

A energia dissipada pelos sapatos é o módulo do trabalho da força de atrito que o chão exerce sobre o homem. Vamos achar essa força aplicando a segunda lei de Newton ao conjunto homem + carrinho.

A massa do homem é $m_h=\dfrac{800}{10}=80\text{ kg}$; a massa total é $M=80+200=280\text{ kg}$.

Ao longo do plano inclinado: $Mg\operatorname{sen}6^\circ-f=Ma$, logo $f=280\times10\times0{,}1-280\times0{,}2=280-56=224\text{ N}$.

Em um deslocamento de $15\text{ m}$, o módulo do trabalho do atrito é $|\tau|=f\,d=224\times15=3\,360\text{ J}$.

Como o carrinho não tem atrito, é o atrito dos sapatos que impede que a aceleração seja a da queda livre no plano ($g\operatorname{sen}6^\circ=1\text{ m/s}^2$): a diferença entre as forças é a força dissipativa.

Q14
Mecânica — Quantidade de movimento — Conservação da quantidade de movimento

Um carrinho de massa $40{,}0\text{ kg}$ desliza horizontalmente sobre um trilho com velocidade $v=4{,}0\text{ m/s}$. Ao passar debaixo de um corpo C, de massa $5{,}0\text{ kg}$, corta-se o fio que o sustenta e ele cai verticalmente de uma altura de $2{,}0\text{ m}$ sobre o carrinho, ficando em repouso em relação a este.

Corpo C preso por um fio acima de um carrinho que se move para a esquerda com velocidade v

Desprezando-se os atritos e a resistência do ar, a velocidade do sistema, imediatamente após o impacto, é, em $\text{m/s}$, aproximadamente igual a

A)$1{,}2$.
B)$2{,}4$.
C)$3{,}6$.
D)$4{,}8$.
E)$6{,}0$.

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C
Resolução

Na direção horizontal não há forças externas (sem atrito), então a componente horizontal da quantidade de movimento do sistema carrinho + corpo C se conserva. O corpo C cai verticalmente, logo sua quantidade de movimento horizontal inicial é nula.

$m_{car}\,v=(m_{car}+m_C)\,v^{\prime}\Rightarrow40\times4{,}0=45\,v^{\prime}$.

Assim, $v^{\prime}=\dfrac{160}{45}\approx3{,}6\text{ m/s}$.

A altura de $2{,}0\text{ m}$ não interfere no resultado: ela afeta apenas a componente vertical, que é anulada pelo contato com o trilho durante o impacto.

Q15
Mecânica — Gravitação — Leis de Kepler

As novas teorias sugerem que Netuno tenha originalmente começado a se formar numa área mais interna do Sistema Solar, perto de onde estavam surgindo Júpiter e Saturno. A ação gravitacional dos seus irmãos maiores o teria deslocado até sua órbita atual.

(Galileu, março de 2005)

A origem do sistema solar foi marcada por grandes transformações que culminaram no sistema tal qual o conhecemos, ou que começamos a compreender a partir das leis de Kepler, que descrevem o movimento dos planetas, tendo o Sol como referência. Com respeito a essas leis, pode-se dizer que

I. os planetas movimentam-se ao redor do Sol com velocidades cujos módulos variam;

II. o ano de cada planeta depende da órbita que descreve em torno do Sol; é o famoso período de translação;

III. as leis de Kepler se aplicam também para quaisquer corpos que gravitem em torno de outro cuja massa seja maior.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)I e III, apenas.
D)II e III, apenas.
E)I, II e III.

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E
Resolução

Afirmação I: pela segunda lei de Kepler (lei das áreas), o raio vetor que liga o planeta ao Sol varre áreas iguais em tempos iguais; por isso a velocidade é maior perto do Sol e menor longe dele. Os módulos das velocidades variam. Verdadeira.

Afirmação II: pela terceira lei, $T^{2}\propto R^{3}$, o período de translação (o “ano” do planeta) depende do raio médio da órbita. Verdadeira.

Afirmação III: as leis de Kepler valem para qualquer corpo que orbite outro de massa muito maior, como luas em torno de planetas e satélites artificiais em torno da Terra. Verdadeira.

As três afirmações estão corretas.

Q16
Mecânica — Cinemática — Transmissão de movimento circular

O motor elétrico de uma máquina de costura industrial é capaz de girar a $75\text{ Hz}$ e transmite seu movimento por meio de uma correia de borracha que, mantida esticada, não permite escorregamentos.

Máquina de costura industrial com um motor ligado ao volante por uma correia

Se a ponta do eixo do motor está solidariamente ligada a uma polia de diâmetro $1{,}5\text{ cm}$ e a polia por onde passa a correia no volante da máquina tem diâmetro $6{,}0\text{ cm}$, uma vez que a cada volta completa do volante a máquina dá um ponto de costura, o número de pontos feitos em um segundo, quando o motor gira com sua rotação máxima, é, aproximadamente,

A)$9$.
B)$12$.
C)$15$.
D)$19$.
E)$22$.

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D
Resolução

Como a correia não escorrega, os pontos da borda das duas polias têm a mesma velocidade linear: $v=2\pi f_1R_1=2\pi f_2R_2$, o que dá $f_1d_1=f_2d_2$ (diâmetros no lugar dos raios).

Assim, $f_2=f_1\dfrac{d_1}{d_2}=75\times\dfrac{1{,}5}{6{,}0}=18{,}75\text{ Hz}$.

Como cada volta do volante produz um ponto de costura, a máquina faz aproximadamente $19$ pontos por segundo. Note que a polia maior gira mais devagar que a menor.

Q17
Termologia — Calorimetria — Calor e temperatura

Na década de 1770, Joseph Black, da Universidade de Glasgow, foi capaz de fazer a distinção entre calor e temperatura. Em relação a esses dois conceitos, pode-se afirmar que

I. temperatura é a propriedade dos sistemas que nos permite afirmar se dois ou mais sistemas estão em equilíbrio térmico ou se estão em estados térmicos diferentes;

II. quando se mistura água quente com água fria não é o calor que passa da água quente para a água fria, e sim a temperatura;

III. a quantidade de calor que um corpo pode armazenar numa dada temperatura é denominada energia interna;

IV. quantidade de calor e temperatura são grandezas diretamente proporcionais.

Está correto o contido apenas em

A)I e II.
B)I e III.
C)II e IV.
D)I, III e IV.
E)II, III e IV.

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B
Resolução

Afirmação I: é a definição de temperatura como propriedade que indica o estado térmico e o equilíbrio térmico entre sistemas (lei zero da termodinâmica). Verdadeira.

Afirmação II: o que passa do corpo mais quente para o mais frio é o calor, energia em trânsito devida à diferença de temperatura; a temperatura não “passa” de um corpo a outro. Falsa.

Afirmação III: o enunciado associa a quantidade de energia armazenada pelo corpo a uma dada temperatura à energia interna. A formulação é histórica e pouco rigorosa, mas é a considerada verdadeira pela banca.

Afirmação IV: calor e temperatura são grandezas diferentes; a relação $Q=mc\,\Delta\theta$ depende da massa e do calor específico, e não há proporcionalidade direta entre as duas grandezas em geral (nas mudanças de estado, por exemplo, há calor sem variação de temperatura). Falsa.

Estão corretas, portanto, as afirmações I e III.

Q18
Óptica — Lentes — Equação dos fabricantes de lentes

Uma lente delgada convexo-côncava, de vidro flint, com índice de refração $n=1{,}6$, encontra-se imersa no ar. Se o raio de sua superfície côncava é igual a $20{,}0\text{ cm}$ e sua vergência $C=-1{,}8\text{ di}$, o raio da superfície convexa tem valor, em $\text{cm}$, igual a

Lente delgada convexo-côncava vista de perfil
A)$-30{,}0$.
B)$-20{,}0$.
C)$-10{,}0$.
D)$+20{,}0$.
E)$+50{,}0$.

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E
Resolução

A vergência de uma lente delgada no ar é dada pela equação dos fabricantes: $C=\dfrac{1}{f}=(n-1)\left(\dfrac{1}{R_1}+\dfrac{1}{R_2}\right)$.

Com $n=1{,}6$ e $C=-1{,}8\text{ di}$: $-1{,}8=0{,}6\left(\dfrac{1}{R_1}+\dfrac{1}{R_2}\right)$, ou seja, $\dfrac{1}{R_1}+\dfrac{1}{R_2}=-3\text{ m}^{-1}$.

A face côncava tem $R_2=-20\text{ cm}=-0{,}20\text{ m}$, logo $\dfrac{1}{R_2}=-5\text{ m}^{-1}$. Então $\dfrac{1}{R_1}=-3+5=2\text{ m}^{-1}$, e $R_1=0{,}5\text{ m}=+50\text{ cm}$.

Como a face côncava tem curvatura maior (raio menor em módulo) que a convexa, o efeito divergente predomina, de acordo com a vergência negativa do enunciado.

Q19
Ondulatória — Fenômenos ondulatórios — Polarização

Sir David Brewster (1781-1868), físico inglês, realizou estudos experimentais sobre a reflexão, refração e polarização da luz. Sobre estudos da polarização da luz, mostrou que esse fenômeno é característico de ondas

I. longitudinais, e pode ocorrer por difração ou por meio de polarizadores;

II. transversais, e pode ocorrer por reflexão ou transmissão;

III. transversais ou longitudinais, e pode ocorrer por interferência ou transmissão.

Está correto o contido em

A)I, apenas.
B)II, apenas.
C)III, apenas.
D)I e II, apenas.
E)I, II e III.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2005.2 · CG

B
Resolução

A polarização é um fenômeno exclusivo de ondas transversais, nas quais a vibração ocorre perpendicularmente à direção de propagação e pode ser restrita a um único plano. Ondas longitudinais, como o som, não podem ser polarizadas. Isso elimina as afirmações I e III, que atribuem a polarização a ondas longitudinais.

A luz pode ser polarizada por reflexão (Brewster mostrou que, em determinado ângulo, a luz refletida é totalmente polarizada), por transmissão através de polarizadores e também por refração e espalhamento. A afirmação II está correta.

Q20
Eletricidade — Eletrodinâmica — Corrente elétrica

O elétron de um átomo de hidrogênio move-se em órbita circular com freqüência de $7{,}0\times10^{15}\text{ Hz}$. Numa visão clássica, se a carga elementar do elétron tem valor $1{,}6\times10^{-19}\text{ C}$, a intensidade da corrente elétrica na órbita vale, em $\text{mA}$, aproximadamente,

A)$1{,}1$.
B)$2{,}3$.
C)$4{,}8$.
D)$7{,}0$.
E)$8{,}6$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2005.2 · CG

A
Resolução

A corrente elétrica é a carga que atravessa uma seção do condutor por unidade de tempo: $i=\dfrac{\Delta Q}{\Delta t}$. Na órbita, o elétron passa por um ponto da trajetória $f$ vezes por segundo, transportando a carga $e$ a cada passagem. Então $i=e\,f$.

$i=1{,}6\times10^{-19}\times7{,}0\times10^{15}=1{,}12\times10^{-3}\text{ A}\approx1{,}1\text{ mA}$.

Q21
Eletricidade — Eletrostática — Lei de Coulomb e equilíbrio

Dois pequenos anéis de alumínio, idênticos e de massa $0{,}9\text{ g}$, um deles carregado eletricamente e outro neutro, são postos em contato. Em seguida, os anéis são colocados em um pino vertical isolante, montado em uma base também isolante. Nessas condições, o anel superior flutua sobre o inferior, mantendo uma distância fixa de $1\text{ cm}$.

Dois anéis de alumínio em um pino vertical isolante, o superior flutuando sobre o inferior

Sendo a constante eletrostática do ar igual a $9\times10^{9}\text{ N}\cdot\text{m}^2/\text{C}^2$, a carga inicialmente depositada sobre o anel eletrizado, em $\text{C}$, é

A)$1\times10^{-8}$.
B)$2\times10^{-8}$.
C)$3\times10^{-8}$.
D)$4\times10^{-8}$.
E)$5\times10^{-8}$.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2005.2 · CG

B
Resolução

Ao serem postos em contato, os anéis idênticos dividem igualmente a carga inicial $Q$: cada um fica com $q=\dfrac{Q}{2}$.

O anel superior flutua em equilíbrio: a força elétrica de repulsão equilibra o seu peso, $F_e=P$. Com $g=10\text{ m/s}^2$, $P=mg=0{,}9\times10^{-3}\times10=9\times10^{-3}\text{ N}$.

Pela lei de Coulomb, $F_e=k\dfrac{q^{2}}{d^{2}}$, então $q^{2}=\dfrac{P\,d^{2}}{k}=\dfrac{9\times10^{-3}\times(10^{-2})^{2}}{9\times10^{9}}=10^{-16}$, e $q=10^{-8}\text{ C}$.

A carga inicialmente depositada era o dobro, $Q=2q=2\times10^{-8}\text{ C}$.

Q22
Eletromagnetismo — Campo magnético — Campo magnético de espira

Uma espira está completamente apoiada horizontalmente sobre uma mesa. Dentro dela, também apoiado sobre a mesa, encontra-se um clipe de papel que foi magnetizado, conforme mostra a ilustração. Se uma corrente elétrica suficientemente grande percorrer a espira, para que se perceba algum efeito sobre o clipe, deve-se esperar que ele

Espira circular horizontal com um clipe magnetizado no interior, com polos N e S, e corrente i entrando pela base
A)se movimente radialmente até encostar seu pólo norte na espira.
B)se movimente radialmente até encostar seu pólo sul na espira.
C)levante um dos pólos do plano do papel, mantendo o outro apoiado.
D)comece a girar no sentido horário em torno de seu centro de massa, que coincide com o centro da espira.
E)comece a girar no sentido anti-horário em torno de seu centro de massa, que coincide com o centro da espira.

Gabarito auditado pelo Método TEF — FMTM 2005.2 · CG

C
Resolução

A corrente na espira cria, na região central, um campo magnético praticamente uniforme e perpendicular ao plano da espira (vertical, em relação à mesa).

O clipe magnetizado se comporta como um pequeno ímã, um dipolo, com momento horizontal (do pólo N ao pólo S). Em um campo uniforme não há força resultante, de modo que ele não se desloca radialmente; mas há um torque que tende a alinhar o dipolo com o campo, ou seja, a girá-lo de um eixo horizontal que passa pelo seu centro.

Como ele está apoiado na mesa, a rotação em torno desse eixo horizontal só pode ocorrer levantando uma das pontas do papel e mantendo a outra apoiada. Girar no plano da mesa, em torno de um eixo vertical, exigiria um torque nessa direção, que o campo vertical não produz.

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